Sword Art Online Alicization – Lasting– Capítulo 22 – Parte 1

Arco: Sword Art Online Alicization Underword – Lasting

Sword Art Online Alicization Underworld Kirito

Parte 1

“Merda!!”

O xingamento saiu de forma abrupta dos lábios de Critter, o responsável tecnológico da equipe de invasão do Ocean Turtle enquanto analisava de maneira quase doentia todos os dados do gigantesco monitor sobre o console de comando.

Os pontos vermelhos, que tinha como maior marcador a quantia de trinta mil, decrescia a um ritmo insano sem motivo aparente.

Em outras palavras, os jogadores chineses e coreanos VRMMO que haviam sido enviados para Underworld graça ao plano secreto de Vassago estavam sendo completamente aniquilados de algum modo, sendo desconectados sumariamente.

O exército do Mundo Humano, representado como pontos azuis, e as tropas japonesas em branco, se encontravam estáticos no meio do círculo das unidades vermelhas, continuavam com a inexpressiva soma de aproximadamente mil sobreviventes.

Contudo, se mesmo a força combinada da Coreia e China, com esta incrível quantidade, estava sendo dizimada por esse pequeno grupo, uma quantia de mil guerreiros agora se tornava um número inesperadamente grande e perigoso, algo que não poderia ser subestimado.

“Mas que diabos esse imbecil do Vassago está fazendo lá?”

Critter resmungou enquanto fixava o olhar no monitor sobre o ponto correspondente ao seu companheiro de equipe. Sua marca vermelha estava localizada muito próxima da concentração das tropas japonesas.

E embora Vassago, que convertera seu personagem, sua conta pessoal, estivesse com todos os inimigos em seu raio de ação, este parecia não se mover. Em resumo, não queria ou não podia atacá-los.

Será que tinha sido feito prisioneiro? Ou estava colocando em prática algum outro plano secreto para derrotar o exército inimigo?

Critter reprimiu o impulso de interromper a conexão, invadir a sala do STL e arrancar Vassago aos tapas do equipamento para perguntar o que estava acontecendo.

Contudo, se fizesse isso, jamais conseguiria restabelecer conexão com Underworld devido aos privilégios de administrador estar bloqueados. Ou seja, se forçasse o desligamento de Vassago, ele não poderia mais voltar a usar a mesma conta.

Então, tudo que podia fazer no momento era se limitar a trocar a velocidade de aceleração temporal, a qual se encontrava separada do pacote de programa The Seed, rezando para que tudo estivesse correndo como o esperado.

Mas mesmo isso era uma tarefa bem perigosa, de maneira que tinha que ser feita com extremo cuidado.

Critter respirou fundo e diminuiu o zoom do mapa na tela.

Ao sul de Underworld era possível ver outro ponto vermelho se movendo a toda velocidade. Esse era sem dúvida o seu capitão, Gabriel Miller.

O que deveria considerar agora era a probabilidade do exército do Mundo Humano em conseguir alcançá-lo, uma vez que este já deveria de ter Alice em seu poder ou estava em vias de.

O resultado de enviar enormes quantidades de estadunidenses, chineses e coreanos foi um impedimento significativo colocado para não permitir o exército do Mundo Humano em avançar para o sul.

Graças a isso, Miller agora tinha a vantagem de várias centenas de quilômetros. Um avião caça de combate poderia facilmente cruzar esta distância em um piscar de olhos, contudo, era completamente improvável que existisse tal equipamento dentro do Underworld. Quando muito eles podiam contar com criaturas aladas, mas que mesmo estas não conseguiriam manter um ritmo de avanço contínuo por tempo prolongado.

Não tem como alcançá-lo, está tudo bem!

 Critter se tranquilizou mentalmente depois de uns três segundos de considerações.

Com o plano em mente, olhou para o relógio em seu pulso esquerdo.

Era 7 de julho, 09:40h da manhã.

Restavam oito horas e vinte minutos até que a equipe de repressão da JSDF chegasse à estação de pesquisa com seu Destroyer e os invadisse.

Capitão Miller havia ordenado que reiniciasse a aceleração quando faltassem oito horas, ou seja, 10h da manhã. Porém, com todas suas tropas de apoio completamente destruídas, não havia nenhum sentido em esperar mais.

Sendo assim, quanto mais cedo aumentasse a aceleração de Underworld, mais tempo o Capitão Miller teria para assegurar a captura de Alice. Desse modo, aumentaria direto para mil vezes.

“Bom, você teve sua chance… segure as pontas por aí, Vassago!”

Falando em direção ao ponto imóvel no campo de batalha, Critter alçou a mão direita para a alavanca de aceleração e…

“Ooopa…!!”

A curiosidade de Critter o parou imediatamente.

Na hora em que ia acionar a alavanca, percebeu uma fechadura prateada brilhando ao lado do botão que de fato confirmava a aceleração.

 “Hum… entendi!”

Seu rosto se dividiu entre sorriso e incerteza enquanto coçava a cabeça.

Se o limite de segurança de aceleração era de mil e duzentas vezes, então a zona de perigo real tinha que estar em algum ponto acima disso. Não parecia uma má ideia desbloquear o mecanismo de segurança caso acabem se encontrando em uma situação desesperada.

Girando na própria cadeira, Critter estalou os dedos em direção aos outros membros de sua equipe e gritou:

“Ei cambada! Tem alguém aí especialista em abrir fechaduras?”

***

“Tão suave… tão doce…!”

Este devia ser o melhor sonho que tivera nos últimos meses.

Era por isso que Higa Takeru resistiu tanto em prestar atenção na desesperada voz que reverberava em seu ouvido tentando despertá-lo.

“EI! EI HIGA! ACORDE HOMEM!! ABRA LOGO ESSES OLHOS!!!”

Mas que diabos querem comigo? Para que tanto desespero? Vai tirar o pai da forca ou algo parecido?

Higa seguiu pensando.

Quer tanto que eu abra os olhos, até parece que eu… eu…

EU FUI BALEADO….!!!

Uma descarga de adrenalina percorreu seu corpo.

“… AAAHHH!!!”

Sua memória voltou juntamente com a consciência fazendo Higa gritar enquanto arregalava os olhos de uma só vez.

Imediatamente viu o rosto de um homem na casa dos trinta e tantos anos usando óculos de armação grossa negra brilhante muito colado ao seu.

“AAAHHH!!”

Higa gritou novamente.

Tentou recuar para trás por puro reflexo, mas seu corpo não estava obedecendo suas ordens.

Ao invés disso, uma dor insuportável explodiu em seu ombro direito, fazendo Higa se encolher enquanto gemia.

Certo… ugh…!

Vamos aos… fatos!

Aquele cara atirou em mim dentro do duto dos cabos.

Perdi sangue para caramba, porém, ignorei e segui priorizando a missão de conectar os STLs.

Liberei a carga de dados dos Fluctlights das três garotas diretamente para o STL de Kirigaya, contudo, ainda assim não consegui despertá-lo…

Mas depois disso, creio que algo aconteceu e… …”

“O Ki-Ki… rito… ele está… ?

Higa perguntou de maneira vacilante enquanto tentava manter o máximo de distância do rosto do homem de óculos que continuava a lhe observar muito de perto.”

Uma voz fria feminina lhe respondeu.

“A atividade do Fluctlight de Kirito foi completamente restaurada. De fato, ele está ativo… ativo até demais.”

“M-Mesmo…? Que bom…”

Higa sussurrou em um suspiro aliviado.

A recuperação completa da autoimagem de alguém no estado caótico que se encontrava era nada mais do que um milagre. Porém, sobreviver após a perda massiva de sangue, também poderia ser considerado algo milagroso…

Pensou nisso conforme analisava sua própria situação.

Estava encostado no piso da sala de controle secundária. A parte superior de seu corpo estava desnuda e seu ombro direito envolto em uma enorme bandagem.

Um cateter de transfusão encontrava-se em seu braço esquerdo.

O homem de óculos, Kikuoka Seijirou, estava a sua esquerda, sentado diretamente no chão enquanto na direita, também ao chão estava a Dra. Koujiro Rinko, que se encontrava agora sem seu jaleco branco.

Segurando o cateter em sua frente, estava a sargento de primeira classe Aki Natsuki, enfermeira certificada que cuidava da troca das bolsas de sangue.

Deve ter sido ela quem atendeu suas feridas, pensou.

Higa olhou para Kikuoka que depois de alguns segundos, ajustou os óculos e lhe disse com um suspiro pesado na voz:

“Minha nossa… e isso tudo porque lhe disse para não fazer nenhuma maluquice…

Entretanto… a culpa é minha por não descobrir que havia um espião entre os técnicos…”

A aparência de Kikuoka estava um desastre, com gotas de suor visíveis escorrendo pela testa, manchando as lentes de seus óculos.

E assim como Kikuoka, Rinko também estava encharcada de suor. Parecia que ambos tinham passado pelo inferno para salvá-lo, em contrapartida, ao mesmo tempo em que sentiu um extremo bem-estar durante sua vigília. Isso tudo deve ter sido por causa de…

Hã?

Quem desses dois havia feito as compressões em seu peito e o mais importante…a  respiração boca-a-boca?

Por breves momentos, Higa quase perguntou em voz alta quem tinha feito a massagem cardíaca e a respiração, contudo, logo veio à mente que certas coisas não se devem saber a verdade.

Ao invés disso, perguntou outra coisa que de fato era mais importante.

“Como está a situação em Underworld?… Como está Alice? ”

Kikuoka ajeitou o ombro esquerdo de Higa enquanto respondia:

“Todos jogadores que se conectaram da América do Norte, China e Coreia já tiveram suas sessões encerradas. Mesmo estando com uma quantidade absurda de trinta mil, todos foram desconectados de uma única vez…”

“Como é que é… !? Da China e da Coreia também? E vieram como inimigos e não como ajuda…!? Que diabos aconteceu, afinal?”

Quase levantou de um salto, porém, a dor que brotou de seu ombro direito o impediu, juntamente com a mão da enfermeira Aki que se apressou em dizer:

“Fique calmo! A bala atravessou direto seu corpo, porém, foi muito difícil estancar o sangramento. Caso se mexa, pode começar tudo novamente e provavelmente não poderemos condições de salvá-lo.”

“E-entendido…! Desculpe-me…!”

Higa relaxou e Rinko continuou a lhe atualizar da situação.

“Sobre a China e Coreia, parece que as redes sociais de lá foram usadas para incitar o antigo ressentimento dos jogadores online, arrastando para esse problema aqui.”

“Compreendo…”

Higa suspirou.

Ele havia se unido ao Projeto Alicization por que… se revoltou após um amigo coreano morrer por causa de um ataque terrorista com uma bomba durante o seu serviço militar no Iraque.

Porém, mesmo tudo isso sendo culpa dos atacantes dos Estados Unidos, todavia ainda restava a situação relativa à hostilidade que imperava entre os jogadores japoneses e coreanos.

Sacudiu negativamente a cabeça de maneira inconsciente.

E depois de fazer uma careta de dor, Higa fez outra pergunta:

“Quantas pessoas vieram da China e Coreia mesmo?”

“Em contagem arredondada, trinta mil. Fazendo com que todos os dois mil jogadores do Japão que se logaram para ajudar, fossem completamente derrotados.”

Kikuoka fechou os olhos por alguns segundos e continuou:

“E foi justamente no momento em que ainda havia aproximadamente vinte mil jogadores chineses e coreanos que Kirito despertou…

…E em um piscar de olhos…”

“Espere! O que…?”

Higa acabou interrompendo o comandante sem querer.

“Está querendo dizer que Kirito sozinho… incapacitou um exército de vinte mil pessoas em um único instante!?

Mas isso é impossível, não tem armas ou comandos em Underworld capazes de infligir um ataque com tanta potência ou escala.

Não posso acreditar que…”     

Nesse momento, Higa finalmente recordou de um detalhe da conversa que teve instantes antes de Yanai ter disparado contra ele no duto de cabos.

Além de ser um espião dos atacantes, ele era também um subordinado direto de Sugou Nobuyuki, e estava profundamente obcecado pela Fluctlight Artificial, a qual chamou de ‘Administratorzinha’.

Que tipo de experiências e a qual ponto aquelas duas existências conduziram?

Sem falar da ‘quarta pessoa’ que havia praticamente implorado para se conectar ao STL de Kirigaya Kazuto, um Fluctlight anômalo vindo direto do Main Visualizer.Talvez isso, ou todos os fatores juntos, tenham se convertido na chave para o ressurgimento explosivo de Kazuto.

Higa jamais poderia esperar que um objeto padrão de sistema, algo que deveria conter apenas dados, pudesse imitar… não, pudesse ser de fato uma consciência humana real.

“… Ei… Kiku…”

Higa começou a sussurrar para o comandante, sentindo um calafrio que não vinha da perda de sangue.

“Acho que nós… criamos algo além de nossa compreensão… ”

E nesse exato instante.

O autofalante da sala de controle secundária explodiu em um alarme estridente.

Era algo que Higa havia programado: O aviso da velocidade de aceleração temporal sendo modificado e excedido de maneira abrupta.

***

Nuvens cinzas passavam veloz ao meu lado e de Asuna como a corredeira de um rio raivoso.

O céu vermelho sangue acima de nossas cabeças e o deserto negro se expandia abaixo de nós até onde a vista alcançava.

Só havia uma pessoa com a capacidade de voo em todo o vasto Mundo Humano e era a Alto Ministro – Informação direta da Integrity Knight Alice.

E dado que a Alto Ministro e sua homônima, a sábia Cardinal, haviam deixado Underworld, não havia forma de averiguar exatamente como tinham aprendido a arte de voo. Por isso, me chamou a atenção que minha habilidade de voar pelos ares sob o Dark Territory não tivesse nada a ver de fato com uma arte e sim, o resultado de manipular diretamente as coisas com a minha imaginação… o poder que os Integrity Knights chamam de Incarnation.

Nesse exato instante, parecia poder escutar ao meu ouvido a voz de Charlotte, a aranha gigante familiar de Cardinal, que havia me protegido desde que tinha deixado a Aldeia de Rulid, dizendo:

“-Toda arte nada mais é que uma ferramenta para guiar e modificar tua Incarnation… ou como chama, sua imaginação. Dito isso, não necessita de encantamentos ou qualquer outro meio.

Agora, seque suas lágrimas e fique de pé! Sinta com seu corpo as vozes das flores.

A verdade do mundo.

No momento em que fui isolado de tudo ao meu redor após a batalha com a Administrator no último andar da Catedral Central da Igreja Axiom, até o momento em que despertei, dezenas de minutos atrás, parece que estabeleci uma incrível e profunda conexão com a tal ‘verdade’ desse mundo que Charlotte havia mencionado.

Posso sentir, com toda clareza, o Poder Sagrado girando no espaço ao meu redor e posso convertê-lo com bastante facilidade em qualquer elemento que uma arte necessite sem precisar de comando algum.

Ainda que tenha usado uma conjuração quando curei a vida de Klein e Lisbeth, eu conseguiria fazer a mesma coisa somente pensando e imaginando isso.

Nesse exato momento estava voando cobrindo o corpo da Asuna e o meu com elementos aéreos para combater a resistência do ar, descarregando de maneira violenta e contínua esses elementos atrás de nós como uma turbina de avião na vida real faria.

Estávamos várias vezes mais rápidos que um dragão, contudo, ainda necessitávamos de aproximadamente cinco minutos até alcançar Alice e seu companheiro alado que a levava ao extremo sul, Amayori.

Eu tinha muitas palavras de desculpas e agradecimento que gostaria de dar a Asuna assim que tudo isso passar, porém, não importava o quanto eu olhasse em seu s olhos enquanto voávamos lado a lado de mãos dadas…

… Eu não sabia nem por onde começar…

A razão de tudo isso era que…

Logo após despertar, depois que meu corpo pareceu se encher de sangue e vida a medida que a sensação e impotência se abrandava, todas minhas recordações durante o período que passei ‘ausente’ foram se organizando rapidamente e se encaixando de maneira cronológica.

É justamente aí que reside o problema:

A cena da noite anterior.

Depois de haver colocado meu corpo dentro da tenda, sentadas em círculo ao meu redor, Asuna, Alice, Ronye e Sortiliena, cada qual contando suas recordações e experiências comigo…

Sendo mais preciso, alternavam em monólogos com histórias sobre mim.

Não consigo exemplificar em palavras o nível de vergonha alheia que sinto. Acho que descrição mais próxima é: ‘Inferno em vida’.

“- O Senhor Kirito regularmente infringia as regras e escapava da academia para comprar lanches para dividir comigo e Tiezé.”

“- Isso me lembra que quando me formei, ele presenteou-me com algumas flores de Zephyria, que normalmente só é encontrada no solo do Império Ocidental. Me disse que cuidou delas e que levou um ano inteiro para que florescessem.”

E logo após essas declarações de Ronye e Sortiliena contadas em tom de vantagem serem ditas…

“- Quando estávamos escalando a parede exterior da Catedral Central, Kirito do nada tirou do bolso um bolinho e repartiu comigo. Ele tentou esquentar de maneira muito rápida com elementos térmicos muito fortes e quase o tostou.”

– Quando o conheci, me deu um pedaço de pão preto com creme. E logo arranjou uma torta e pastéis enormes. Sempre que dava, acabávamos comendo esses tipos de coisas juntos…

Alice e Asuna então começaram a usar várias histórias com tema de comida como uma espécie de disputa gastronômica maluca por alguma razão.

Em seguida, veio uma sequência interminável de coisas que fiz e disse…

Ugh…!!!

Ao lembrar disso, não consegui evitar de agarrar minha cabeça em agonia enquanto voávamos em altíssima velocidade.

“AARRRRGH!!”

Nesse momento, minha consciência pareceu ondular e a geração e descarga dos elementos aéreos foram interrompidas. O Forte vento imediatamente nos engoliu e caímos em parafuso.

“Merda!!”

Sussurrei enquanto abri meu sobretudo igual a um par de asas negras gigantes que me permitiu recuperar o equilíbrio.

Porém, antes de ter a oportunidade de descansar…

“YYYYAAAAAAHHHHHH!!!”

Asuna gritava enquanto despencava como uma pedra.

Estiquei rapidamente meus braços e a agarrei.

Tendo evitado o perigo iminente, olhei bem dentro de seus olhos.

Toda a desculpa tinha que ser colocada para fora agora.

“ASUNA, EU JURO QUE NÃO FOI ASSIM!!!”

.. Certo, certo, isso não foi propriamente o melhor pedido de desculpa do mundo, mas agora não tinha como voltar atrás, foi o que saiu da minha boca.

“Não aconteceu absolutamente nada entre mim e Liena-senpai, Alice, Ronye e nem ninguém! Eu juro pela deusa Stacia desse mundo, absolutamente N-A-D-A!!”

Ao escutar minha desesperada explicação estapafúrdia…o rosto de Asuna…

Formou um sorriso extremamente gentil, que explodiu em meu rosto, mente e coração.

Ela segurou meu rosto com suas mãos suaves e disse com a voz mesclada cheia de doçura:

“…Você não mudou nada, Kirito. Falaram que esteve por aqui durante dois anos. Acabei imaginando que talvez você… tivesse mudado… se tornado alguém diferente…”

De repente, lágrimas cristalinas escorreram do rosto de Asuna. Seus lábios tremeram levemente e logo, uma voz carregada de emoção escapou por entre eles…

“Você é… maravilhoso, Kirito…

Não mudou… não mudou em nada. Continua sendo… o meu… único e amado Kirito…”

Suas palavras penetraram profundamente em meu peito, onde algo quente e borbulhante parecia ameaçar sair, porém, manteve-se em minha garganta.

“Sim… eu sou eu. Não vou mudar, não tenho como mudar.”

Com uma expressão divertida, Asuna prosseguiu:

“E agora é como um… deus. Congelou um exército inteiro em um instante e como se isso não bastasse… curou mais de duzentas pessoas de uma única vez e… está voando pelos ares…”

Brincando com as palavras ou não, ela me fez rir com tamanha ironia da situação.

“Estamos na mesma então, certo?

Acontece que estou agora um pouco mais familiarizado com o funcionamento deste mundo. E quanto a voar, bem, com um pouco de prática também poderá fazê-lo, ‘senhorita Asuna Stacia-Sama”.”

“Se for assim, bem… não quero aprender.”

“Hã!?”

“Não quero aprender a voar. Prefiro que você me carregue assim, bem juntinho em seus braços.”

Asuna disse com um sorrisinho nos lábios e logo e envolveu seus braços ao redor de mim em um caloroso abraço.

A abracei-a de volta fortemente e voltei a falar:

“Sério… muito obrigado, Asuna. Mesmo estando tão ferida, seguiu tentando proteger as pessoas de Underworld… Deve ter sido muito doloroso…”

Dois anos atrás, quando um goblin me feriu na caverna da cordilheira, entendi pela primeira vez o quão realista é o sentido de dor neste mundo. Tinha sido apenas um corte em meu ombro esquerdo, porém, foi tão excruciante que fiquei paralisado por algum tempo.

E embora durante os anos seguintes tenha me ferido muito mais violentamente, Asuna, enfrentando de peito aberto todo o exército de PoH, ficou em condições terríveis, com feridas mortais cobrindo todo seu corpo.

Sem a garra de Asuna… Tiezé, Ronye e as demais pessoas do Exército de Defesa do Mundo Humano tinha sido destruído já na primeira investida.

“Não… eu não estava sozinha.”

Asuna disse após escutar minhas palavras, sacudindo suavemente a cabeça em meu peito.

“Sinon, Leafa, Liz, Silica, Klein, Agil… os Sleeping Knights e todos que vieram de ALO, deram o seu melhor.

O Senhor Renri, os soldados do Mundo Humano, a senhorita Sortiliena, Ronye, Tiezé, todos eles…”

Nesse ponto, o corpo de Asuna se tensionou, parecendo dar-se conta de algo.

E antes mesmo dela falar, também compreendi.

“Kirito! O Comandante… Bercouli, ele foi sozinho atrás do Imperador inimigo…”

“…!”

Assenti em silêncio e depois sacudi lentamente a cabeça.

Me dei conta de que o espírito do cavaleiro mais antigo ao qual nunca teve oportunidade de falar calmamente, Bercouli Synthesis One, havia desaparecido há muito tempo.

Antes que a guerra começasse, nos encontramos pela primeira vez durante aquela luta para despertar as espadas com a Incarnation. Em minha memória que está despertando gradualmente, creio que Bercouli já naquele momento, estava ciente de sua morte iminente, de outra forma, não passaríamos daquele ponto.

Até o final de sua vida de mais de trezentos anos, escolheu lutar pela segurança de Alice.

Compreendendo o significado por trás de meu semblante pensativo, Asuna me abraçou mais forte e perguntou com a voz chorosa:

“Será que a senhorita Alice… está bem…?”

“Sim, ainda não foi capturada. Deve de estar próximo ao extremo sul do Dark Territory… onde está o outro console de sistema. Porém, sinto uma enorme presença perseguindo-a…”

“Entendo… então, devemos ajuda-la, pelo Senhor Bercouli.”

O rosto de Asuna se afastou lentamente de meu peito. Estava úmido por suas lágrimas, porém, cheio de determinação.

Assenti lentamente com a cabeça e então…

Vi uma faísca de dúvida em seus olhos.

“Contudo, por hora… só por esse instante, você é só meu, Kirito.”

Seus lábios sussurraram essas palavras enquanto se aproximavam mais e mais dos meus, até juntá-los calorosamente.

Sob o céu rubro de outro mundo, minhas asas negras batiam constantemente enquanto aproveitava um longo e apaixonado beijo com Asuna.

Neste exato instante, finalmente lembrei porque havia despertado neste mundo dois anos atrás.

Na última segunda do mês de junho do mundo real.

Quando estava caminhando até a casa de Asuna, fui atacado pelo terceiro cúmplice do incidente do Death Gun, Johnny Black, um dos líderes da guilda de assassinos Laughing Coffin. Minhas memórias foram interrompidas depois que me injetaram a droga succinylcholine. Provavelmente sofri uma parada respiratória e acabei com danos cerebrais. Por esse motivo, usaram o STL e a realidade virtual do Underworld para iniciar um tratamento.

 E devido a certas coincidências, PoH, o líder da Laughing Coffin, era um dos componentes que invadiram o Ocean Turtle e que agora é uma bela árvore na superfície do Dark Territory, como um Giga Cedro em miniatura. Se o tempo se acelerar novamente antes de desconectá-lo do lado de fora, quem sabe quantas semanas ou anos terão passados nesse estado de surdo, mudo e paralítico…

De qualquer forma, é certo que isso… vai causar um enorme dano em seu estado mental. Pode, inclusive, chegar na condição a qual estive nos últimos meses. Sei que é algo cruel, porém, não acho que seja exagerado levando em conta tudo que ele já fez.

Esse homem tentou matar Asuna… e todas as pessoas que tanto estimo.

Depois de vários incríveis minutos durante os quais nossos espíritos pareceram fundir-se, os lábios finalmente se separaram.

“Me lembrei daquela vez…”

Asuna falou e logo sua boca se fechou. Imediatamente entendi o que ela estava se referindo.

Estava falando do beijo que demos sob o pôr do sol, com o castelo flutuante desmanchando-se ao fundo depois que o jogo da morte, SAO, foi finalizado. Tinha sido, de fato, um beijo de despedida.

Sorri e tratei de aliviar sua ansiedade.

“Bom, vamos logo então. Derrotaremos o Imperador Vector, resgataremos Alice e vamos voltar todos juntos para o mundo real…”

E antes que terminasse de falar, uma voz preocupante soou diretamente em minha cabeça.

“Kirito! Kirigaya!! Pode me ouvir? Kirito!!”

Essa voz rouca…

“Ei! É você Kikuoka? Como consegue me contatar sem um console de sistema acessado…?”

“Não tenho tempo para explicar. Algo terrível vai acontecer! A taxa de aceleração… o FLA…  esses malditos vão…!”

***

O rosto de Brigg, grande, anguloso e com a barba por fazer, mantinha-se franzido enquanto inseria dois pequenos filetes metálicos, conhecidos como michas, no miolo da fechadura e os girava sob o olhar ansioso de Critter.

Ele havia se oferecido prontamente para esta tarefa, porém, o que aparentava ser apenas um simples mecanismo de segurança, uma ordinária e antiga fechadura, mostrava uma complexidade anormal para ser aberta. E se fosse pensar, até era coerente, visto que a mesma liberava a trava limitadora daquela função tão poderosa e perigosa que era a aceleração temporal naquele mundo.

De subito, Brigg começou a perder a paciência e mover seus dedos mais rápidos e violentamente enquanto soltava diversos palavrões.

Logo em suas costas estava Hans, seu colega, que alegremente olhava para os ponteiros de seu relógio de pulso.

“Muito bem, com isso já são três minutos. Com mais dois você irá ficar me devendo cinquenta dólares!”

“Vai tomar no cu! Dois minutos são mais do que suficiente para que eu… abra… essa… merda e… vá nadando até o Hawaii e… voltar….”

Conforme o ruído dos filetes de aço giravam enlouquecidamente na fechadura foi aumentando de intensidade, mostrando mais como um ato de vandalismo do que uma abertura de mecanismo, Critter começou a cogitar interromper aquilo tudo.

Porém, sabia de antemão que quando aqueles dois apostavam um contra o outro, nenhum recuava até que a aposta estivesse encerrada. Era um saco, mas só podia esperar…

“Falta um minuuuutooooo!! Vai abrindo essa carteira mofada aí!!”

“Caralho!”

Brigg gritou enquanto se punha de pé e atirava a bolsa com o kit das michas no chão.

Finalmente desistiu!

Pensou Critter aliviado.

E sem dizer uma palavra, o ruivo carrancudo sacou uma enorme pistola de sua cintura e apontou para a fechadura.

“MAS O Q-!!???”

Um disparo.

Dois disparos.

Todos os demais olhavam estupefatos para Brigg que devolvia a arma ao coldre e olhava para Hans e Critter de maneira indiferente enquanto dava de ombros.

“O que foi? Está aberta!”

Critter ficou boquiaberto enquanto fixava o olhar no enorme rombo recém feito no painel de controle.

A já fraca luz da sala falhou algumas vezes, enquanto todos permaneceram em silêncio.

Subitamente, a alavanca de aceleração ao lado do buraco, moveu-se sozinha, inclinando-se ligeiramente para o lado.

Critter, acompanhou o movimento e logo foi confirmar suas suspeitas no monitor.

Ele tinha a esperança de ver um número em torno de mil e duzentos, como era sua intenção inicial, contudo, os dígitos brilhantes mostravam cinco mil vezes.

“… Cinco mi…, seu desg-…!!!”

Justo quando Critter estava calculando o tempo em relação entre o mundo real e Underworld, outro som metálico quebradiço foi ouvido.

A alavanca de controle, que se supunha ter virado ao limite, desceu ainda mais…

“Mas que diabos…!”

Critter sussurrou, enquanto diante de seus olhos os dígitos no monitor variaram de cinco para dez mil…

“Ah está tranquilo… O negócio da velocidade só ativa se o botão de confirmação for pressionado, né?

É só voltar a alavanca beeeem devagarinho até onde estava e tudo ficará bem.”

“NÃO…! Não toque em mais nada!!”

Critter gritou desesperado, afastando Hans e Brigg da frente do console.

Deu um passo cautelosamente até a alavanca e ao estender a mão direita…

“Buuum!”

Antes que a mão de Critter tocasse o mecanismo, ouviu-se uma pequena, porém, preocupante explosão.

A proteção translúcida que havia sobre o botão de confirmação se espatifou.

Praticamente ao mesmo tempo, o monitor gigante instalado na parede principal da sala de controle ficou totalmente vermelho enquanto um ensurdecedor alarme soou.

Uma contagem regressiva de quinze minutos apareceu imediatamente na tela vermelha, diminuindo de maneira inexorável.

***

 Quando escutou o alarme, que sabia ser o sinal de alteração de aceleração de tempo uma segunda vez, Higa não conseguiu se conter e sentou abruptamente apenas para sentir uma dor inacreditavelmente forte e nauseante.

“Higa, eu disse para não se mover…!”

A Dra. Koujirou pressionou sua mão contra as costas de Higa, enquanto notava que o monitor da sala de controle secundária se tornava complemente vermelho.

“…O-O que está acontecendo…!?”

Kikuoka gritou.

Ao mesmo tempo, Higa fez um esforço imenso com auxílio da mão de Rinko, ergueu-se do chão e voou até o console.

Com uma fonte em negrito  e estilo gótico, a mensagem notificava que as três camadas de segurança do mecanismo de aceleração de tempo haviam sido completamente desativadas e todo Underworld estava prestes a entrar na fase de aceleração máxima.

“O quêêêê…!!?”

Em seguida à frase inacabada de Higa, que só conseguia se manter respirando com dificuldade, Dra. Koujirou perguntou:

“O significa ‘fase de aceleração máxima’? Existe mesmo uma velocidade superior ao FLA 1200?”

“…Bom, esse é o limite para as pessoas do mundo real que fazem a imersão em Underworld… o limite real é de cinco mil vezes, e essa marca é aplicada somente para os Fluctlights Artificiais…”

Higa respondeu de maneira sistemática enquanto a doutora arregalava os olhos mais ainda.

“Cinco mil!? Mas isso quer dizer que… um segundo aqui seria equivalente a oitenta minutos lá dentro… e dezoito segundos… um dia inteiro…!”

A maneira ágil com que ela disse aquilo era sem dúvida um nível impressionante de cálculo mental. Contudo, Higa e Kikuoka sacudiram juntos suas cabeças de maneira negativa.

“Hã…? Estou errada?”

“Mil e duzentas vezes é o limite de segurança que definimos levando em conta o tempo de existência da alma de um ser humano do mundo real…

E cinco mil vezes é o limite do que se pode observar de maneira coerente sobre o que se passa em Underworld aqui de fora… qualquer coisa acima disso, se tornaria a grosso modo, um borrão…”

Higa apenas deixou as palavras escorrerem de sua boca e garganta ressecada enquanto a Dra. Koujirou movia os braços exaltada.

“M-Mas então… nesse mundo… cinco mil é o maior limite…?”

“Bom, como sabe, Underworld foi totalmente construído sob cálculos fotônicos, ou seja, a velocidade de transmissão dos fótons é teoricamente ilimitada dentro do Main Visualizer… Sendo assim, o limite acaba sendo a estrutura do servidor ao qual se está rodando… ”

“Certo, certo! Pare de enrolar, me diz logo qual é a porcaria do limite!”

Higa desviou os olhos do monitor e encarou o rosto de Rinko:

“Na fase de aceleração máxima… a taxa de FLA acaba sendo superior aos cinco milhões de vezes. Os STLs conectados por satélite na filiar de Roppongi não poderão suportar esse tipo de velocidade, por isso, irão ser desconectados automaticamente… porém, tanto Kirigaya quanto Asuna, que estão com seus STLs ligados diretamente no Ocean Turtle…”

Uma pausa angustiante ocorreu, antes que a mente de Rinko completasse o cálculo e falasse:

“Um minuto aqui, serão dez anos em Underworld.

Seus olhos pareciam saltar das órbitas com a constatação que tudo aquilo implicava.

“M-Meu deus…! Rápido…! Rápido, temos que tirá-los de lá o quanto antes!”

A doutora estava prestes a sair em disparada quando Higa a deteve segurando seu braço.

“Não, Rinko! A aceleração preliminar já começou, se os tirarmos enquanto estiver em andamento, seus Fluctlights serão destroçados.”

“Então se apresse e comece logo o procedimento de interrupção e desconexão segura!”

“Bom, então vou ter que me arrastar e voltar para o duto de cabos.

Kiku, me ajude a voltar para lá novamente!”

Tão rápido compreendeu o que disseram, a enfermeira Aki abriu a boca com a expressão assustada, contudo, a fechou logo em seguida. Como que antevendo qualquer argumento contrário aquela ideia, acabou apenas se limitando a sussurrar para Kikuoka: “…Certo, só deixe eu retirar o cateter antes…”

O comandante assentiu com amargura visível.

“Muito bem, também irei. Acredito que sou forte o suficiente para te arrastar pelas escadas.”

“Não…! Não poder ir, Tenente Coronel!”

Quem gritou agora fora o Capitão Nakanishi, o líder da equipe de segurança.

Com seu semblante completamente perturbado, caminhou na direção dos três batendo o solado de seu coturno com força no chão.

“É muito perigoso, permita-me que eu vá…”

“Não, precisamos de todo pessoal especializado possível para defender o acesso das escadas.

Iremos abrir a passagem novamente… contudo, não podemos mais usar o Ichiemon. E o Niemon não consegue se locomover sozinho.”

Essas palavras fizeram que a sala inteira caísse em silêncio, com todos movendo os olhares para o canto da sala de controle secundária.

A silhueta humanoide sustentada por uma armação estrutural semelhante a um cabide, não era de fato uma pessoa real e sim um corpo de proporções iguais a de um desenvolvido e construído por Higa como parte do Projeto Alicization, o Eletroactive Muscle Operative Machine Mark II, ou Niemon para abreviar.

Comparado com o Mark I, que foi severamente danificado durante a operação de abertura da passagem mais cedo, Niemon tinha uma estrutura mais esguia, o mais próximo de um corpo humano possível, pois fora desenhado para comportar um Light Cube.

Por hora, não havia nada conectado em sua cabeça e mesmo que tivesse algo, no seu estado atual não faria movimento algum. Em outras palavras, não podia servir de escudo como fez Ichiemon.

Desviando o olhar do robô desprovido de alma, Kikuoka deu uma ordem a Nakanishi com uma expressão extremamente severa, algo que ninguém nunca vira antes.

“Esta não é hora para se apegar em algo como ‘perigoso’. Estamos todos na mesma situação. De fato, não gostaria que ninguém aqui se arriscasse, contudo, precisamos usar qualquer recurso disponível, fui claro?”

Nakanishi prestou continência imediatamente diante a voz de comando de seu comandante.

“…Sim senhor!”

Enquanto escutava a conversa dos dois militares, Higa ergueu lentamente a mão direita. Mesmo sendo doloroso, tinha que colocar seus dedos em movimento como preparação para o que estava por vir.

A contagem regressiva no monitor ainda mostrava algo em torno de dez minutos antes da fase de aceleração máxima alcançar seu pico.

Contudo, não importava como era estimado, pois abrir a passagem novamente entre os eixos, descer a escadaria e iniciar o procedimento de desconexão do STL seria algo que levaria no mínimo trinta minutos.

E essa diferença de vinte minutos significaria… duzentos anos em Underworld.

Excederia os cento e cinquenta anos de uma alma humana.

Pior ainda, as pessoas do mundo real… provavelmente não suportariam uma longevidade dessa magnitude, dando a impressão de se estender ao infinito, presos dentro de Underworld…

Underworld

“É-É… é isso!”

Higa gritou de repente agitando sua mão esquerda em direção a Kikuoka.

“Ki-Kiku…! Lembrei! Quando estava lá no STL, abri um canal de transmissão diretamente com o Kirito! Podemos contata-lo usando a linha C12!”

“M-Mas… o que poderíamos dizer…?”

“Que se apresse! Que vá sem demora até o console de sistema em até dez minutos ou que zere seu próprio HP para que seu STL inicie o processo de desconexão.

Pois tão logo a fase máxima de aceleração seja instaurada, o console ficará inútil. E caso venha a morrer após isso, que seria o pior de todos os cenários, ele irá passar duzentos anos em um limbo de total privação sensorial…

É isso que podemos falar com ele!”

***

“Duzent…

Duzentos anos!?”

As palavras pularam de minha boca.

Por hora, Asuna parecia completamente perplexa, já que não podia escutar a voz de Kikuoka.

“Escute-me Kirito! Você tem dez minutos! Nesse tempo, devem chegar até o console e encerrar a sessão manualmente.

Se não consegue fazer isso, seja como for, deverá esgotar todo o seu HP…

Contudo, esse é um caminho completamente incerto e extremamente perigoso pois…

Pois existe o risco de que passe duzentos anos em um estado de morte aparente, privado de qualquer sensação.”

“Entendi!”

Interrompi Kikuoka e falei:

“Então, só tenho que tentar sair pelo console! E já aviso, levarei Alice junto, portanto, já se prepare!”

“… Isso por si só não é um problema. Porém, a saída de vocês é a prioridade no momento, não a segurança de Alice.

Entenda bem: Embora possamos apagar suas recordações depois de lhe desconectar, duzentos anos excede em muito a idade e duração de uma alma humana. A probabilidade de uma recuperação normal de consciência é… zero…“

A escutar a voz amargurada de Kikuoka…

Respondi em voz baixa:

“Não se preocupe, voltaremos todos.

Agora trocando de assunto, Kikuoka…

Meio ano atrás…, não, no seu tempo, na madrugada anterior…eu… sinto muito ter dito coisas tão horríveis.”

“Está tudo bem… não posso dizer que não merecemos.

E temos bastante curativos e bandagens e até uma enfermeira de prontidão aqui se quiser nos espancar quando voltar hehe…

Bom, creio que Higa está pronto, preciso ir também.”

“Certo, então… nos vemos em dez minutos, Kikuoka.”

A linha emudeceu na sequência.

Ajeitei meu sobretudo para ganhar mais estabilidade no ar enquanto olhava para Asuna em meus braços.

“Kirito, era Kikuoka do outro lado, não era? O que houve? Algo de ruim aconteceu?”

Neguei com a cabeça e respondi lentamente.

“Não, é que… a aceleração de tempo começará novamente em dez minutos, por isso temos que nos apressar em voltar o quanto antes.”

Asuna piscou algumas vezes, sorriu e assentiu.

“Tudo bem, de qualquer forma não podemos ficar aqui aproveitando o passeio o dia todo, temos que salvar a senhorita Alice.

Vamos lá!”

“Exato, se segure, pois, vou acelerar mais uma vez!”

Abraçando Asuna com força, gerei todos os elementos aéreos que pude visualizar atrás de nós.

A luz verde de imediato explodiu em um grande flash, engolindo os dois.

Para capturar Alice, que permanecia avançando para o céu do extremo sul sem parar, uma enorme e bizarra presença a seguia implacavelmente se aproximando cada vez mais e mais.

E não posso deixar isso acontecer.

Olá pessoas!

TUDO BEM COM VOCÊS? RETORNANDO AQUI DEVAGARINHO PARA PEGAR NOVAMENTE O RITMO. UMA GALERA ME ENVIOU E-MAIL DE XINGAMENTO, OU MENSAGENS PELOS COMENTÁRIOS E LÁ PELA PÁGINA.

EMBORA ESTEJA EM MARCHA LENTA, NÃO ABANDONEI NADA, ENTÃO, NÃO SE PREOCUPEM, SE UM DIA FOR LARGAR AVISAREI SEM PROBLEMAS.

DITO ISSO, BORA VER O QUE HOUVE NESSE CAPÍTULO.

ESSE FOI BEM UM MEIO ANTES DE ALGUMA SOLUÇÃO, POIS VIMOS O HIGA SE RECUPERANDO APÓS O TIRO E AS CONEXÕES QUE POSSIBILITOU O SENHOR KIRITOSO ACORDAR, NADA MAIS JUSTO (em minha opinião foi o Kikuoka que fez o RCP ali hehehe).

JÁ NO DEPARTAMENTO DE ‘VAI DAR MERDA’, VULGO SALA PRINCIPAL DE COMANDO… A SOLUÇÃO DE DAR UM TIRO NO PAINEL CERTAMENTE VAI COLABORAR PARA O PLANO IR POR ÁGUA ABAIXO.

A CULPA É DO GABRIEL EM PEGAR A GALERINHA VIDA LOUCA E RECRUTAR PARA UMA MISSÃO SUPER IMPORTANTE DESSAS, QUERO SÓ VER O CRITTER NO ANIME FAZENDO ISSO (o que me lembra, não estou vendo nada dessa nova parte de Alicization animada, assistirei quando terminar, portanto, não me perguntem o que acho no momento).

E FINALIZANDO, O KIRITO TENTANDO SE EXPLICAR DE SUAS GALINHADAS… LEMBRO QUE O REKI EM ALGUMAS ENTREVISTAS PEDIU DESCULPAS POR FAZER O KIRITO SER ESSE FDP E CRIAR UM HARÉM 😀

EM TODO O CASO, VAI SER MUITO LEGAL VER ISSO ANIMADO.

BUENO, ATÉ A PRÓXIMA QUE SERÁ… NÃO SEI… MAS VOLTAREI SIM, NÃO SE PREOCUPEM HEHE.

FORTE ABRAÇO!

==== SETOR DA DOAÇÃO ====

Resolvi deixar o canto da doação, pois ainda tenho a hospedagem e tal.

Se alguém quiser dar uma força, ok, se não puder, ok também. Sem problemas minhas pessoas 🙂

Valeu pessoas e forte abraço!

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Essa musiquinha fica excelente na parte do Kirito e da Asuna voando (apesar de ser curtinha)

Segue o link:

E tem essa daqui também que curti pelo ritmo acelerado 🙂