Sword Art Online Alicization – Lasting– Capítulo 21 – Parte 7

Arco: Sword Art Online Alicization Underword – Lasting

Sword Art Online Alicization Underworld Kirito

Parte 7

Sei que dormi somente um pouco na sala de aula, porém, estou com a impressão de ter tido um sonho muito longo.

Foi agradável, doloroso e triste…

Fiquei tentando recordar os detalhes enquanto caminhava pelo corredor vazio, contudo, não conseguia lembrar nada, era só aquela… sensação…

Enfim, desisti e fui trocar os sapatos na entrada da escola.

Depois de sair pelo portão, uma brisa fria e seca de outono soprou em minha franja que estava um pouco comprida. Cogitei em cortá-la mais tarde… ou talvez não.

Coloquei a mochila no ombro esquerdo, enfiei as mãos nos bolsos do uniforme e caminhei pela calçada com a cabeça levemente abaixada.

Um pouco a frente de mim, meus colegas de classe conversavam animadamente entre eles. Para evitar esse tipo de conversa, cheias de esperanças, companheirismo e cumplicidade, tratei de colocar os fones de ouvido com a música bem alta me encurvei e passei rapidamente por eles indo direto para casa.

No caminho de volta, parei na loja de conveniência e dei uma olhada em todas as revistas de jogos da semana, escolhendo e comprando a que tinha mais páginas dedicadas a Sword Art Online, que seria liberado em um mês.

Aproveitei a oportunidade para resgatar alguns pontos de meus jogos online também.

Não passaria por esse processo se tivesse um cartão de crédito, contudo, se pedisse um para minha mãe, provavelmente me diria para esquecer esse tipo de coisa pelo menos até entrar na faculdade.

E agora que penso, deveria estar era muito agradecido por ela ter acolhido um garoto que nem sequer era sangue de seu sangue sob sua responsabilidade. Assim, penso que ela está certa.

Já estava mais do que na hora de pararmos de usar dinheiro para tudo e começarmos a utilizar uma moeda eletrônica…

Esse era o pensamento que veio em minha cabeça conforme passava pela porta automática da loja.

Ao sair dei-me conta de um grupo de cinco pessoas que não estavam ali quando entrei. Todos estavam agachados em um canto do estacionamento. Provavelmente tinham chegado enquanto estava concentrado nas revistas.

Ao redor do pequeno grupo, risadas toscas se perdiam no vento levando consigo cheiro de pão fresco e algumas guloseimas que comiam de maneira espalhafatosa.

A julgar pelo uniforme, pareciam frequentar a mesma escola que eu. Mais um motivo para ignorá-los.

E quando estava a ponto de ir embora em definitivo…

Um deles me olhou de maneira muito intensa.

Era um garoto pequeno, que facilmente poderia ser confundido com um estudante do primário se não estivesse com o uniforme.

Estava em uma classe diferente da minha, porém, nós nos conhecíamos, não… mais correto dizer que por algum tempo, éramos amigos.

Ele também havia participado do beta fechado de Sword Art Online que correu no verão passado.

Por ter sido algo tão restrito, mil jogadores de toda a nação, era de fato um milagre que duas pessoas da mesma escola e do mesmo grau, tivessem sido sorteadas para participar.

E foi desse modo que mesmo eu, completamente antissocial, acabei entrando em contato com aquele garoto por livre e espontânea vontade após saber de sua seleção.

Conversávamos bastante pouco antes das férias de verão e paramos de falar quando o verão termin-… digo, quando o teste beta encerrou.

Durante o teste formávamos uma equipe a cada três dias para explorarmos aquele mundo virtual, o que resultou de nos conhecermos e nos familiarizarmos bastante.

Entretanto, quando o vi novamente, assim que o semestre recomeçou minha personalidade estranha veio à tona, minha idiossincrasia de acabar rotulando e estereotipando alguém se manifestou com toda intensidade. E alguém que deveria estar bastante acostumado acabou virando uma incógnita para mim.

Era mais forte do que eu…

Sentia, mesmo não querendo, que dentro daquela pessoa feita de carne e osso existia alguém que eu desconhecia em absoluto. E tão pronto esses pensamentos apareceram em minha cabeça, fiquei travado, totalmente incapaz de socializar com ele como fazia dentro do jogo.

Infelizmente, isso não era algo somente com meu amigo, pois sentia o mesmo com meus pais e minha irmã menor e com todos os demais aos quais tinha contato. De maneira que sempre os mantive à distância com o mínimo de socialização necessária.

Parecia que ele queria ser meu amigo no lançamento oficial de SAO em outubro tanto quanto queria na escola do mundo real, porém, acabou se distanciando depois de perceber meu comportamento.

Após isso, nunca mais nos falamos.

Então, porque estava sentado em um estacionamento de uma loja de conveniência com outros estudantes que não pareciam combinar em nada com ele?

“O que foi? Está olhando o quê?”

Os outros três imediatamente franziram a testa enquanto emitiam grunhidos de ‘Hum!?’ e ‘-Hein?’.

Rapidamente entendi. Ele tinha caído nas mãos dos marginais da escola e estes estavam extorquindo-o ou então o ameaçando por algo. Por isso, no momento em que me olhou tão intensamente, estava na verdade pedindo ajuda.

A única coisa que precisava dizer era: ‘-Opa! Acabei por aqui, vamos para casa!’.

Contudo, minha boca não se moveu por alguma razão.

Só o que consegui que saísse da garganta foi a resposta da pergunta autoritária deles:

“…. Nada.”

Com esse quase sussurro abandonei meu ex-amigo e segui pelo caminho.

Ele não disse nada, porém, com minha visão periférica ainda consegui ver as suaves linhas de seu rosto se contorcer, como se estivesse prestes a chorar.

Depois de sair da área da loja, senti um peso enorme nos ombros, o que me fez caminhar por aquela calçada tingida de escarlate do por do sol quase me arrastando.

Fiquei vazio.

Caminhei de cabeça abaixada focando unicamente a pedra do calçamento, andando sem rumo.

O sol poente atrás de mim sumia a uma velocidade surpreendente e logo a rua onde estava foi imersa em uma escuridão violeta.

O que deveria ser um caminho familiar, a rota usual que fazia da escola para casa todos os dias, parecia agora algo totalmente estranho para mim.

Entretanto, segui em frente.

Só o ruído de minhas pisadas ressoava pela rua.

Tap, tap, tap… crunch, crunch, crunch!

Opa!

Disse para mim mesmo enquanto parava de repente.

Em algum momento o calçamento sob meus pés haviam se transformado em um campo de grama rasteira.

Havia um caminho sem pavimento na rota de casa?

Resolvi olhar ao redor.

Porém, o que enxergava não eram ruas e becos estreitos da cidade de Kawagoe em Saitama. Ao invés disso, estava olhando uma trilha desconhecida que se dirigia para uma floresta enorme.

Nisso, resolvi olhar meu próprio corpo.

O uniforme escolar escuro havia desaparecido e em seu lugar, substituído por uma túnica azul com uma espécie de armadura de couro.

Minhas mãos estavam cobertas por uma luva e proteção de metal com os dedos de fora, meus pés em botas também de couro com fivelas que pareciam serem feitas de aço.

No lugar da mochila, em meu ombro estava uma espada curta, porém, muito pesada.

“Onde… eu estou!?”

Sussurrei mais não obtive resposta.

Dei de ombros e segui pelo caminho em direção à mata.

Mal havia se passado um minuto que iniciara a caminhada e minhas recordações começaram a vir sem parar, como formigas correndo para dentro do formigueiro.

O modo com que aquelas raízes se curvavam sobre velhas árvores caídas, a sensação da relva sob meus pés.

Estava na floresta da parte noroeste do primeiro andar de Aincrad, a Vila dos Iniciantes.

Se eu estivesse certo, a vila de Horunka deveria estar bem em frente.

Tinha que ir para a cidade e me instalar em uma pousada. Tudo que queria agora era cair na cama e dormir sem pensar em nada.

Concentrei-me em caminhar pela parte mais profunda da floresta que agora estava imersa em uma penumbra azulada sob a luz da lua filtrada por entre as folhas.

De repente, acreditei ter ouvido um grito logo em frente.

Parei para escutar por alguns instantes e depois segui até onde acreditava ser a origem do som.

O caminho estreito por entre as árvores me guiava mais para a minha direita. A luz azulada da lua para aquele lado ficava mais forte, indicando o possível final da trilha.

Segui caminhando até escutar novamente o grito de alguém. Junto ao grito, um forte grunhido monstruoso.

Avancei mais rápido em direção à luz e, de maneira cautelosa, busquei a proteção de um grande tronco de árvore silenciosamente, me agachando na escuridão.

Não era o fim da floresta e sim uma clareira que lembrava muito uma pista de dança circular.

E ali, um estranho jogo de sombras se contorcia, iluminado apenas pela lua.

Os tentáculos finos de aproximadamente cinco ou seis monstros do tipo planta, como serpentes gigantes, giravam sem parar.

E cercado por essas coisas, estava um jovem vestido igual a mim. Ele balançava a espada sem parar, porém, os tentáculos dos monstros se regeneravam tão rápido quanto eram cortados, sem demonstrar nenhum sinal de que iriam parar o avanço.

Olhando o rosto do garoto, o reconheci.

Ele e eu havíamos formado uma party para coletar drops desses monstros do tipo planta. Seu nome era… Coper.

Mas… o que ele estava fazendo ali? E porque tinha tantos desses monstros o rodeando?

Bem, não importava o motivo. Já que era um companheiro, tinha que salvá-lo.

E mesmo pensando nisso, meus pés não se moviam, estava travado outra vez. Era como se raízes tivessem brotado do solo e me enraizasse junto, não me possibilitando dar um passo à frente sequer.

Um tentáculo avançou por trás, enroscando nas pernas do rapaz.

Coper foi imediatamente jogado ao chão. Os monstros chegaram ainda mais perto, abrindo suas enormes bocarras cheia de dentes similares aos humanos.

Seu rosto estampou pânico genuíno enquanto estendia sua mão para mim.

Contudo, no mesmo instante em que Coper pedia ajuda, sua cabeça sumia sob a horda de monstros.

Momentos depois, um raio de luz azul espectral se fez presente, acompanhado por um leve ruído quebradiço…

“Aa-aah….!”

Gemi de maneira rouca enquanto baixava a cabeça. Tinha feito a mesma coisa outra vez.

Abandonei outro amigo.

Olhando para a grama debaixo de meus pés como se o mundo estivesse em meus ombros, me levantei.

Com a cena sumindo de minha visão, recomecei a caminhar pela estreita trilha através da floresta iluminada fracamente pela luz azulada.

“Crunch, crunch, crunch… clack, clack, clack!”

Parei outra vez.

Em algum momento, a grama sob meus sapatos se transformaram em um piso de pedra polida e azulada.

Olhei para cima e me dei conta de que já não estava mais na floresta do primeiro andar de Aincrad e sim em um corredor pouco iluminado ao qual não sabia o nome.

Parecia ser alguma espécie de labirinto… que, infelizmente, não conseguia reconhecer onde exatamente estava localizado somente por sua aparência. Sem opções, continuei a caminhar.

Mais uma vez, sem eu notar, todo o equipamento que usava, armadura e espada, havia se modificado conforme fui avançando pelo correto reto.

Caminhei e caminhei como que perseguisse minha própria sombra refletida nas paredes pela luz parcial das poucas lamparinas de óleo que ali existia.

O maior labirinto de Aincrad tinha trezentos metros de comprimento, o que fazia um corredor dessa forma ser totalmente inviável de existir. Mas mesmo com esse raciocínio, não me detive e segui caminhando. Em nenhum momento olhei para trás, sentia que não devia, que não podia e apenas continuei movendo os pés em frente.

Em um dado momento acreditei ter ouvido uma voz fina bem adiante.

Não era um grito, parecia ser uma espécie de comemoração pois ouvi mais alguns sons alegres seguido desse primeiro.

Por algum motivo, ouvir aquilo me trouxe uma incrível sensação nostálgica.

Acelerei o passo para chegar mais rápido até a fonte das vozes.

Finalmente vi uma entrada retangular na parede à minha esquerda, a qual um cálido brilho amarelado se derramava para fora.

Movi-me com todo ímpeto de meus pés, usando o que tinha de minhas forças, pois estranhamente meus pés haviam se tornado cada vez mais e mais pesados.

Por fim, cheguei até a entrada.

Olhando pela passagem, vi algo que parecia ser o interior de uma sala relativamente grande.

E lá, quatro jogadores estavam de frente a uma prede, todos de costas para mim.

Não precisava olhar seus rostos para reconhecê-los.

O portador da lança com o cabelo desgrenhado e um chapéu estranho era Sasamaru.

O jogador mais alto e que levava o escudo juntamente com uma maça era Tetsuo.

O pequeno usuário de adagas com um gorro enterrado na cabeça era Ducker.

E finalmente, a garota com cabelos curtos equipada com uma pequena lança era… Sachi.

Todos eram membros da mesma guilda que eu.

E enquanto que o líder negociava o preço de uma casa para nosso pequeno grupo, tínhamos chegado a este labirinto para conseguir mais dinheiro para comprar móveis.

Que ótimo… estavam todos a salvo.

Salvos!? Não sei por que esse pensamento apareceu em minha mente.

Independentemente, no instante em que tentei falar com eles, não consegui abrir a boca e meus pés mais uma vez se puseram imóveis, grudados no chão.

Maldita sensação!

Enquanto permaneci congelado no lugar, os quatro estavam inclinados, olhando o que parecia ser um enorme baú de tesouro colocado junto à parede oposta.

No instante em que vi aquilo, um calafrio desesperador percorreu meu corpo.

Ducker, o ladrão, estudou o objeto com suas hábeis mãos  e logo já estava abrindo a tranca.

Não! Pare!! Não faça isso!!!

Gritei mas a voz só saiu em minha cabeça. Minha boca não articulou som algum.

Não importava o quanto eu tentasse invadir aquela sala, meus pés… não, meu corpo todo não me obedecia.

Ducker, sem dificuldades, abriu a tampa do baú.

Em um piscar do olhos, um alarme soou e duas passagens secretas nas paredes da esquerda e direita se abriram.

Delas, inúmeros monstros sanguinários saíram.

“Ah… AAAH….!!!”

Minha garganta emitiu um grito abafado, sem potência alguma.

Isso era tudo que podia fazer.

Incapaz de mover um dedo, só consegui assistir meus companheiros sendo rodeados por monstros bem mais poderosos do que eles.

O primeiro a morrer foi Sasamaru.

O seguinte foi Ducker e logo após Tetsuo, ambos explodindo em partículas azuladas que voaram em todas as direções.

Agora, somente sobrara Sachi, que em seu instante final girou a cabeça para minha direção e me fitou com seus grandes olhos.

Seus lábios se moveram, articularam um sorriso triste e trêmulo.

Após esse breve momento de adeus, as armas e garras dos monstros caíram sem piedade sobre o pequeno corpo que, sem demora, explodiu se desintegrando envolto em luz azul.

“…!!!”

Enquanto gritava com toda minha alma em silêncio, vi Sachi se transformando em inúmeras partículas vítreas voando no ar diante de meus olhos.

As dezenas de monstros também desapareceram, desvanecendo no ar no mesmo instante em que a sala mergulhava em trevas.

Sendo finalmente capaz de me mover, caí de joelhos.

É o suficiente!

Não quero ver mais!

Ajoelhado, completamente arrasado naquele chão duro e frio, tapei os olhos e ouvidos o mais forte que pude.

Porém, as recordações eram como água gelada, que parecia brotar de mim sem a intenção de parar, me afogando.

Os dois anos de batalha diária dentro do castelo voador.

O céu sem fim que me havia guiado para o reino das fadas.

Os projéteis incandescentes que procuravam meu corpo no deserto impiedoso ao anoitecer.

Não quero lembrar mais!

Chega!

Não quero lembranças, não quero esses sentimentos!

Rezei desesperadamente, porém, a torrente de recordações seguia fluindo sem fim para dentro de mim.

Repentinamente fui arrancado dali.

Despertei em um local ensolarado rodeado por uma bela floresta.

Sem ter o que fazer, caminhei para frente como se estivesse sendo atraído, guiado por uma mão invisível que insistia em me puxar na direção do som de um machado.

Segui aquele som até me deparar com um aglomerado de raízes enormes de uma árvore gigantesca.

Ali, parado, o reconheci.

A luta contra os goblins.

A derrubada da árvore.

A longa viagem até o centro do mundo.

Os dois anos de treinamento na academia.

Não importava o que fosse ele sempre estivera ao meu lado. Com aquele sorriso tranquilo, espelhando sua alma gentil.

Lado a lado, ombro a ombro, corremos pelas escadarias daquela torre de mármore, derrotando inimigos fortes um atrás do outro.

Por fim, alcançamos o último andar da torre, onde lutamos contra a governante do mundo…

A batalha final foi uma luta longa, cansativa e sangrenta que culminou que sua vida…-

“AH…. AAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH- !!”

Apertei minha cabeça com ambos os braços, gritando com toda a força de meus pulmões.

Esse era eu.

Minha inutilidade, minha estupidez, meu egoísmo, minhas muitas fraquezas…

Toda essa patética coleção que forma meu ser e que fora responsável por sua morte e a de tantos outros.

Deixei que o sangue de quem deveria ser protegido fosse derramado, deixei que vidas insubstituíveis fossem perdidas.

Eu que deveria ter morrido.

Minha vida aqui é temporária, descartável.

Nada disso deveria ter acontecido se eu tivesse tomado seu lugar.

“AAAHHHH… AAAAAAAAHHHHHHHHHH…!!!”

Rugindo e me retorcendo em agonia, busquei a espada que deveria estar em minhas costas.

A usaria para atravessar meu próprio coração ou cortar minha garganta.

Porém, meus dedos não tocaram nada. A procurei ao meu redor, pensando que pudesse tê-la deixado cair, contudo, a única coisa que encontrei foi um líquido negro e viscoso.

Desesperado, rasguei a frente de minha camisa negra.

Com os dedos da mão direita, encurvados como uma garra penetrei em meu esterno magro e ossudo. Minha pele se rompeu e os músculos se rasgaram, porém, não senti dor alguma.

Esse era outro problema, dor, eu deveria sentir dor, merecia dor.

Segui perfurando, cavando meu peito com as próprias mãos com a voracidade de um predador faminto.

Queria arrancar meu coração e esmagá-lo.

Isso é tudo que posso fazer por ele… e por todos aos quais traí, abandonando-os nos momentos mais importantes…

… Este é o fim…

– – –

“Kirito”

De repente, alguém disse meu nome.

Minhas mãos se detiveram e ergui os olhos vazios para cima.

Além da escuridão, bem na minha frente, uma garota de cabelos castanhos estava em pé.

Seus olhos cheios de lágrimas fixos em mim.

“Kirito…”

Uma segunda voz em minha direita.

Era outra pessoa, uma garota de óculos.

Seus olhos também cheio de lágrimas me olhavam gentilmente por trás das lentes.

“Maninho…”

Uma terceira menina também surgiu.

Uma garotinha de cabelos negros e lisos, com grandes lágrimas rolando por seus olhos.

A esperança e emoções dessas três garotas se transformaram em luz que se projetavam delas até meu corpo destroçado.

Um calor, como a luz do sol, curava minhas feridas, derretia meu frio e acalentava a dor de minha alma.

“Mas…”

Mas… ahhh… mas….

Como eu podia estar sendo perdoado!?

“Eu sinto muito…”

Ouvi essas palavras escorrendo de minha boca.

“Perdão, Asuna!

Perdão, Sinon!

Perdão, Sugu!

Eu… não… consigo…

Não consigo mais levantar.

Não posso mais lutar… eu… sinto… eu sinto muito…. muito…”

Decidido, me preparei para destruir meu coração que havia arrancado de meu próprio peito.

***

“Porque…? O que houve, Kirito!?”

Higa Takeru gritou com a voz rouca, forçando-se desesperadamente a permanecer consciente.

Sua cabeça girava e a respiração pesava proporcionalmente a perda de sangue que fluía do ferimento à bala em seu ombro direito.

Já havia enviado uma enorme quantidade de dados mnemotécnicos dos três STLs disponíveis, de Yuuki Asuna, Asada Shino e Kirigaya Suguha para o danificado Fluctlight de Kirigaya Kazuto para restaurá-lo.

Até mesmo Higa, um experiente profissional, ficou totalmente impressionado com o volume de informações captadas e transferidas. Não havia outra maneira de dizer a não ser que parecia um milagre.

Porém, mesmo que o diagrama 3D que representava a atividade do Fluctlight de Kazuto na tela de seu dispositivo móvel mostrasse uma restauração funcional…

“Como assim? Mesmo com tudo isso… ainda não foi o suficiente para acordar…!?”

Higa queixou-se.

Na atual situação, o quase totalmente restaurado ‘corpo estrutural’ de Kirigaya Kazuto, sua autoimagem, mesmo coesa novamente, seguia não sendo capaz de conectar-se à realidade.

Tudo porque a volta de sua mente o fez cair em um loop de lembranças dolorosas que o torturavam sem parar, a mesma coisa que o fez se autodestruir. Neste estado, não poderia avançar desse ponto.

Tudo que lhe restava era viver em um pesadelo sem fim.

Neste cenário, retornar suas funções mentais acabou por ser um destino ainda pior.

Ele precisava de mais dados, de pelo menos mais uma pessoa.

Se houvesse alguém com laços profundos com Kazuto, que tivesse recordações vívidas do rapaz…

Porém, segundo o Tenente Coronel Kikuoka Seijirou, as três garotas conectadas à ele no momento eram as que mais conheciam e amavam Kirigaya Kazuto em todo o mundo.

Além disso, não existia mais STL vagos nem na sede do RATH em Roppongi e muito menos ali, no Ocean Turtle.

“Droga…! Mas que droga!!”

Higa cerrou os dentes, apertou o punho direito e se preparou para socar a parede do duto quando…

“…Hã!?… O que é isso!?… Que conexão é essa…!?”

Higa sussurrou, empurrando os óculos ensanguentados e suados contra o rosto e se aproximando da tela do dispositivo.

Não tinha notado antes, porém, olhando melhor agora na janela que mostrava o estado do Fluctlight de Kazuto, fora as três linhas de conexão procedentes dos STLs das garotas, havia… uma quarta.

Na verdade, era estranho, pois diferente das demais, esta era de um cinza bem apagado, correndo junto à base do gráfico, quase imperceptível.

Como que estivesse sendo atraído por aquilo, Higa tocou a tela touchscreen e puxou para cima.

A imagem aumentou, revelando claramente a linha cinza e sua origem.

“Is-…Isso vem… do Main Visualizer? Mas porque…!!?”

Gritou Higa, esquecendo-se de sua grave lesão.

O Main Visualizer era o imenso centro de armazenamento dos dados situado no coração do Ligthcube Cluster, que abarcava todas as almas dos residentes de Underworld.

Contudo, somente a geografia, arquitetura, objetos de suporte e estruturas relacionadas à construção de Underworld deveriam estar neste lugar, nenhuma alma humana.

“Mas-…”

“Objetos… memórias dos objetos…”

O cérebro de Higa estava em sua atividade máxima enquanto murmurava inconscientemente.

“As recordações dos Fluctlights e os objetos de Underworld, seu formato de dados… são os mesmos…

Então, se alguém gravar sua vontade e seus pensamentos sobre um objeto… esse constructo mostraria uma função similar a de… um Fluctlight…?”

Mesmo chegando nessa conclusão, Higa ainda permaneceu cético. Se tal coisa fosse de fato possível, então, em Underworld a simples vontade de uma pessoa seria o suficiente para controlar um objeto inanimado.

Mesmo com tantas coisas e fatores para se levar em consideração, acreditou com todo seu coração que naquela única e fina linha de conexão estava depositada toda a esperança.

“O que vai acontecer?”

Higa era incapaz de predizer se a situação iria melhorar ou piorar, contudo, reforçou sua determinar e abriu o acesso entre o Main Visualizer e o STL de Kazuto.

***

“Kirito.”

No instante em que meu coração iria por fim ser destruído…

Uma nova voz chamou meu nome.

Era uma voz forte e acalentadora, que parecia possuir todas as respostas.

“Kirito!”

Enquanto lentamente, muito lentamente erguia a cabeça…

Em pé, onde antes havia apenas escuridão sem fim…

Com nenhuma mancha em sua roupa azul, com os cabelos loiros e um tanto desgrenhados, brilhando mesmo na ausência de uma fonte de luz, sustentando um sorriso calmo nos lábios.

Seus profundos olhos verdes, como sempre, cheios de um suave, porém, forte resplendor.

Minhas mãos deixaram instintivamente o peito, que sem perceber, estava totalmente curado e o envolveram.

Estava em pé.

Com a voz baixa e quase sem força, disse seu nome.

“Eugeo…!

Você está vivo, Eugeo?”

Meu melhor amigo, meu companheiro, Eugeo.

Silenciosamente, sacudiu a cabeça sem demonstrar nenhuma dor ou dúvida em seu sorriso.

“Estas são as recordações de mim em seu coração que se juntaram aos fragmentos que deixei para trás.”

“Re… cordações…”

“Sim, por acaso se esqueceu? Já não tínhamos confirmado que existia essa possibilidade? Exatamente, as recordações…”

Eugeo estendeu sua mão direita e pressionou-a contra seu próprio peito.

“… Estão bem aqui!”

Segui seus movimentos como um reflexo no espelho e disse:

“Sim, sempre aqui.”

Eugeo sorriu e nesse momento Asuna surgiu ao seu lado.

“Nossos corações estão sempre conectados com o seu, Kirito.”

Vindo para frente, no lado oposto, Sinon assentiu com a cabeça trêmula e emocionada.

“Não importa o quão longe estivermos… mesmo se um dia tivermos que nos despedir…”

Chegando-se para perto, Suguha continuou a frase cheia de energia como sempre:

“Nossas lembranças e sentimentos estarão sempre conectados.

Não é assim que é para ser?”

Um líquido quente e transparente começou a fluir de meus olhos.

Dei um passo para frente, devolvendo com seriedade o olhar gentil de meu melhor amigo.

“Eu posso… Eugeo? Posso seguir adiante… uma vez mais?”

Sua resposta foi imediata e cheia de confiança.

“É claro que pode, Kirito. Há muitas pessoas te esperando.

Vamos lá! Estaremos sempre com você, nunca te deixaremos!

Quando precisar é só olhar ao redor e verá que estamos caminhando ao seu lado.”

Nossas mãos estendidas se tocaram. As mãos de Asuna, Sinon e Suguha se sobrepuseram às nossas.

E em um instante, as quatro pessoas diante de mim se transformaram em raios brancos de luz pura e quente e fluíram para dentro de meu corpo.

E então…

Olá pessoas!

Então…

Aqui não é o André postando, sou a Ruiva a esposa dele, prazer em conhecê-los! ^.~ Tudo bem com vocês?

Ele está bem longe de casa mais uma vez, mas pediu para postar esse capítulo durante o final de semana.

Não sei muito bem o que ele coloca aqui, mas pelos posts passados geralmente é um resuminho do que o ocorreu e um pequeno bate papo.

Ficarei devendo o resumo para vocês.

Muitos beijinhos e tenham certeza de que ele estará de volta na próxima postagem.

Mas mesmo que não esteja aqui, comentem o que acharam do capítulo, certeza que assim que voltar irá responder sem falta.

Até+

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Se alguém quiser dar uma força, ok, se não puder, ok também. Sem problemas minhas pessoas 🙂

Valeu pessoas e forte abraço!


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Estamos também traduzindo Sword Art Online Progressive, não deixem de ler.

Ele disse que era para deixar uma musiquinha, não sei muito do que se trata mas pelo que ouvi é muito triste.

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