Sword Art Online Alicization – Lasting– Capítulo 21 – Parte 6

Arco: Sword Art Online Alicization Underword – Lasting

Capítulo 21 – Despertar (07 de julho / 8º dia do 11º mês do calendário do Mundo Humano do ano 380)

Sword Art Online Alicization Underworld - Lasting

(Continuação)

Parte 6

“Eu… jamais… irei… TE PERDOAAAR!!…”

“CRACK!!!”

Com um ruído quebradiço, uma segunda espada perfurou outro ponto das costas de Klein.

As lágrimas aumentaram o fluxo nos olhos de Asuna, como se o líquido estivesse levando também parte de sua alma, algo que poderia a deixar vazia antes daquele dia terminar…

Enquanto isso, mesmo sendo imobilizado no chão, Klein não desistia em tentar levantar-se, cravando os dedos no solo e forçando-se ao limite.

PoH, o líder da guilda assassina Laughing Coffin, observava a cena com uma expressão de puro nojo.

“Ah… que cena deprimente. Mas o que esperar de uma escória como você? Isso é o que acontece quando tenta bancar o herói sem ter o mínimo de jeito para a coisa.”

Ao dizer isso, estendeu os braços para os cavaleiros escarlates que seguravam Klein e falou algo em um idioma que Asuna não conseguia entender. Um dos cavaleiros assentiu com a cabeça e…

No instante em que a terceira espada estava a ponto de acabar com os últimos pontos de HP de Klein…

“HAJIMAAAAAAAAAAA!!!”

Um dos guerreiros vermelhos saltou por trás da formação inimiga com um grito que soava como coreano e usou sua própria espada para bloquear a lâmina dirigida para o rapaz caído.

***

Só pode ser brincadeira… Porque isso dói tanto?

Jo Wol-Saeng/Moonphase ficou estendido no chão, suportando uma dor absurda em suas costas, bem no local onde aquele homem vestido de preto o tinha acertado.

O AmuSphere que usava deveria de reproduzir apenas uma leve sensação de torpor. De fato, mesmo que a cabeça de seu avatar estivesse sendo triturada pelas mandíbulas de um enorme dragão, como acontecera tantas vezes no jogo que normalmente jogava, Silla Online, deveria sentir apenas uma sensação de intumescimento.

Entretanto, Wol-Saeng estava experimentando uma agonia real, como que estivesse sendo queimado por uma tocha.

Não, talvez nem se fosse ferido desse mesmo modo na vida real se sentiria assim.

Esse homem de negro havia lançado com sua inacreditável arma um ataque tão rápido que seu olho sequer conseguira registrar. Fazendo com que ele, um jogador veterano, fosse incapaz de se esquivar.

Muito provável, se fosse no mundo real a estas horas já estaria morto ou seu corpo o deixaria inconsciente para evitar danos cerebrais. Por isso, não tinha outra resposta a não ser que essa de fato era uma dor gerada de maneira artificial, virtualmente inserida em sua mente.

Contudo, apesar de estar ciente disso, a dor seguia sendo insuportável. Wol-Saeng só desejava que a sessão encerrasse para poder sair desse jogo o mais rápido possível.

Mas enquanto se contorcia no chão, rezando para que a dor cedesse, sua atenção foi direcionada para uma cena que julgou ser inaceitável e que se desenrolava diante de seus olhos .

Os tais hackers japoneses haviam ‘atacado’ o servidor de beta tester do que seria um novo e revolucionário VRMMORPG que vinha sendo desenvolvido em parceria por voluntários estadunidenses, chineses e coreanos e os estavam matando dentro desse mesmo game.

Esperavam que todos aqueles que pudessem lutar, conectassem com intuito de impedir tal barbárie.

E foi com esse atrativo anúncio nas redes sociais que acabou levando os jogadores coreanos, incluindo Wol-Saeng e os jogadores chineses a ingressarem nesse estranho VRMMO.

E de primeira, já puderam ver um grupo de jogadores japoneses aniquilando outro grupo de jogadores, supostamente os inocentes estadunidenses.

Mas, esse acontecimento estava realmente de acordo com a informação circulada nas redes?

Wol-Saeng, ao contrário do que fora anunciado, começou a achar que os japoneses, expostos como os algozes, eram na verdade os que pareciam mais desesperados, enquanto que os estadunidenses pareciam como se estivessem jogando uma partida por pura diversão.

Esta impressão não havia passado ainda mais quando o fluxo da batalha de ‘resgate’ das dezenas de milhares de jogadores mudou, culminando com maioria dos jogadores japoneses incapacitados. Restando somente seus equipamentos destroçados e seus Hit Points a ponto de se esgotarem. Aquilo tinha virado um embate onde só podiam lutar colocando suas próprias existências em jogo. Ou seja, mais um ponto que não corroborava com o que tinha sido noticiado.

Mas isso era algo plausível, pois eles visivelmente estavam tentando proteger algo e não destruir como tinha sido alardeado.

Antes que Wol-Saeng fosse atingido nas costas pelo homem de negro, uma jogadora do grupo japonês tinha suplicado inusitadamente em coreano:

Escute-me! Mentiram para todos vocês!! Este servidor pertence a uma empresa japonesa, não somos hackers, somos usuários legítimos!!

Algo na voz e na expressão daquela jogadora chamada Siune o tinha afetado imensamente. Por isso usou todas as forças para atravessar o campo de batalha e chegar até ela para poder perguntar:  “-Tem alguma forma de demonstrar que o que está dizendo é verdade?”. E justo no momento em que o companheiro de Siune estava lhe respondendo em japonês, Wol-Saeng foi atacado covardemente por aquele terrível homem, não conseguindo se recuperar até o momento.

Os acontecimentos que se seguiram depois correram de maneira acelerada e completamente unilateral.

Os jogadores japoneses foram completamente derrotados pela legião rubra. Onde uma grande parte deles perderam todo seu HP, sendo expulsos à força do jogo enquanto que a outra metade, menos de duzentos, foram despojados de suas armas e agrupados em um único local.

E no momento que Wol-Saeng pensou que o homem de negro, que surgiu como um fantasma no meio das linhas de frente, ia declarar sua vitória, este fez algo muito, muito estranho.

Um só jogador vestido de preto foi levado à presença daquele homem, estava sentado em uma cadeira de rodas, abraçado a duas espadas dispostas em seu colo foi separado do grupo que parecia ser o suporte dos japoneses.

Imediatamente o homem de manto escuro como a noite começou a falar sem parar em japonês.

Aquilo estava cada vez mais estranho, pensou Wol-Saeng.

Que diabos uma cadeira de rodas fazia em um mundo virtual, um VRMMO?

No jogo que jogava com frequência, se os pés sofressem alguma lesão ou efeitos de status fora do padrão normal, os pés de fato acabavam por perder a mobilidade. Porém, isso era facilmente recuperado através de alguma magia, poção ou simplesmente esperando o tempo que fosse necessário para que o efeito do status negativo terminasse.

Se sua capacidade de caminhar estava limitada ao ponto de ser necessário o uso de uma cadeira de rodas, então certamente aquilo não poderia ser simplesmente um comando de jogo.

Porém, além de toda essa situação bizarra, era que parecia que o jovem tinha algum tipo de problema psicológico, pois não reacionava não importando o quanto o homem em sua frente falasse. Continuando dessa forma até mesmo quando este o sacudiu violentamente.

Em qualquer outra situação, poderia dizer que ele era um NPC ou um personagem sem um jogador no comando, algo como AFK. Entretanto, isso realmente não era uma situação normal.

Finalmente, como se não suportasse mais a indiferença, o homem de negro deu um brutal pontapé na cadeira de rodas.

Wol-Saeng imediatamente esqueceu de sua dor.

Os coreanos ao redor começaram a balbuciar coisas que ele não conseguiu captar, mas sem dúvida alguma todos estavam desconfortáveis e confusos com a cena.

Por fim, o jovem caído ao chão finalmente esboçou uma reação: estendendo o braço esquerdo em direção as duas espadas que tinha caído de seu colo durante a queda.

Quando viu isso, Wol-Saeng deu-se conta que além de incapaz de se movimentar, o franzino rapaz também não tinha um braço.

E mesmo com tudo o que lhe acontecia, sua mão continuava tentando alcançar o punho das espadas.

Logo, o homem de negro juntou uma das armas caídas, tirando-a do alcance do jovem e ficou balançando em frente ao seu rosto como se estivesse caçoando dele.

A frágil figura se impulsionava desesperadamente ao esmo tentando recuperar a espada em poder daquela pessoa. Ficou assim por alguns instantes até que o homem de negro se cansou e o agarrou pelo braço esquerdo levantando-o do solo violentamente enquanto gritava de maneira feroz e o golpeava sem parar no rosto.

A cena foi interrompida por um novo grito.

Um dos jogadores japoneses capturados, com uma armadura no estilo samurai com uma bandana em sua cabeça, tentou agarrar o homem que agredia o rapaz.

Sem tempo para um golpe de fato, uma espada vinda dos jogadores coreanos voou e enterrou-se profundamente no corpo do samurai.

Aquela certamente era uma agonia muitas vezes maior do que Wol-Saeng sentia, contudo, aquele homem continuava em sua tentativa de avançar.

O homem em pé riu e caçoou do samurai agora cravado no solo e então deu uma ordem em coreano para que um dos cavaleiros rubros.

“[Estou de saco cheio dele, mate-o!]”

O cavaleiro assentiu com a cabeça e ergueu a espada.

Ele simplesmente não podia mais ficar assistindo aquilo tudo em silêncio. Não tinha visto a prova que Siune pretendia apresentar, porém, de uma coisa ele sabia. Desprezava totalmente o ato daquele homem em chutar alguém que estivesse em uma cadeira de rodas.

Sem contar no fato do desesperado samurai que mostrou claramente para Wol-Saeng que estava tentando proteger seu companheiro.

Mais mortes ali era inaceitável!

Wol-Saeng não tinha muito apreço pelo Japão. Deixando de lado os problemas históricos e territoriais, sua impressão é que era uma nação que agia como se fosse superior a todas as outras nações asiáticas. O melhor exemplo disso era o fato do pacote The Seed ter sido espalhado por todos os lados excluindo especificamente as conexões com a Coreia e com a China.

Contudo…

Englobar o Japão não era necessariamente aplicar seu rancor para todos os japoneses, ou seja, não podia generalizar.

Não havia muitos deles, porém, os poucos servidores internacionais que existiam de jogos antes dos VRMMOs, ele de fato tinha algumas lembranças desagradáveis por parte dos jogadores japoneses, porém, era claro que na mesma proporção ou até mais, tinha muitas lembranças agradáveis e amistosas junto deles.

E neste preciso instante, Wol-Saeng, queimava de ódio pelo homem de negro.

Queria sinceramente acreditar em Siune e no corajoso samurai. Nada tinha a ver com japoneses e coreanos, era simplesmente o que gritava o seu coração.

Ele sabia o que tinha que fazer.

No instante em que agiu, outra inacreditável onda de dor percorreu suas costas, viajando até sua cabeça e se espalhando por suas extremidades. Contudo, cerrou os dentes com força e se levantou de um só movimento.

Sacou sua espada, inflou os pulmões com grandes porções de ar e…

“HAJIMAAAAAAAAAAA!!!”

Rugindo com ferocidade tão forte quanto pode, Wol-Saeng bateu o pé no chão.

O sistema lhe concedeu status padrões dos cavaleiros vermelhos, portanto, os movimentos do rapaz eram muito mais lentos e pesados do que de seu personagem habitual Moonphase de Silla Online.

Contudo, devido ao efeito de alguma força desconhecida, somente nesse momento Wol-Saeng percorreu o campo de batalha como um vendaval, rápido e forte suficiente para conseguir bloquear com sua espada o ataque que estava prestes a tirar a vida do samurai.

“[Você…!? O que pensa que está fazendo?]”

O cavaleiro vermelho que atacou gritou em coreano, com mescla de surpresa e raiva na voz.

Um golpe de sorte! Se o atacante fosse um chinês, nada poderia fazer, entretanto, era claramente um coreano.

Wol-Saeng não desperdiçou a chance e tratou imediatamente de tentar persuadi-lo.

“[Não acha isso tudo muito estranho? A batalha já terminou! Então para que continuar com essa atrocidade? Não entende que isso é igual a tortura? Quer mesmo participar dessa coisa?]”

Ao ouvir, seu compatriota ficou sem fala e voltou o olhar para o samurai caído aos seus pés e também para o garoto da cadeira de rodas tombado ao solo logo atrás de Wol-Saeng.

Os olhos por detrás da viseira do elmo piscaram confusos. Na sequência, a força do agarre da espada acabou relaxando suavemente, acompanhado de Wol-Saeng que também havia diminuído sua carga.

Porém, antes que Wol-Saeng voltasse a falar, uma voz aguda retumbou da parede humana que os rodeavam.

“[Baesinja!]”

“[Mate-o também!!]”

Recebendo estímulos furiosos de seus companheiros, o cavaleiro vermelho voltou a fazer força em sua espada.

Porém, o que o rapaz coreano que defendia o samurai caído ouviu em seguida superou suas expectativas…

“[Espere! Escute o que ele tem a dizer!]”

“[Isso aí, esse tal líder já está passando dos limites!]”

De repente, os coreanos que formavam um paredão começaram a discutir de maneira inflamada, explodindo diálogos para todos os lados, dividindo entre os radicais, que queriam matar cada um dos sobreviventes japoneses e os moderados que queriam esperar para compreender melhor a situação antes de tomar qualquer ação.

As duas facções argumentaram entre si ferozmente e não somente eles, pois os chineses, ao ouvir e ver toda aquela comoção sem entender o que diziam, fizeram exatamente a mesma coisa, discutindo sem parar.

O vozerio tomou conta do campo árido de batalha.

Como o único líder iria lidar com aquela situação?

E justo no momento em que Wol-Saeng estava pensando nisso…

De pé, junto ao garoto de negro que jazia praticamente imóvel ao solo, o homem de capuz não parecia estar observando tudo com reprovação ou irritação, na verdade, parecia estar se divertindo com a situação.

Reprimindo um sorriso com um olhar afiado e satisfeito.

Um calafrio percorreu a espinha dorsal de Wol-Saeng.

Parando para pensar, aquele homem não deveria ter absolutamente nada o que fazer em um jogo desenvolvido em parceria com chineses, coreanos, norte americanos ou seja lá o que fosse aquilo.

Se de fato existisse tal jogo em condições como essas e em total sigilo, já seria mais do que motivo para se duvidar. Os detalhes nunca foram revelados, ele nunca disse os pormenores, nenhum nome de peso, empresa, nada… só cortina de fumaça…

Talvez seu único propósito ali fosse causar um enfrentamento de todos os países com uma luta sangrenta real, com sofrimento real…

Massacre.

Esse era seu único e verdadeiro objetivo.

“[…. Agma….]”

Wol-Saeng ouviu de maneira rouca a palavra saindo de sua própria boca.

***

Vassago Casals nasceu em São Francisco, no bairro de Tenderloin. Sua mãe era de descendência espanhola e seu pai japonês.

A agência de registro de nascimentos dos Estados Unidos vetava qualquer tentativa de nomear uma criança com um nome que pudesse causar algum dano ou trauma. Assim, sua mãe o chamou de Vassago, no lugar de Diablo ou Satanás, que era seu intento inicial. O funcionário que registrou o nome não sabia que Vassago era um demônio menor conhecido como, em inglês, ‘Prince of Hell’, Príncipe do Inferno em tradução direta e acabou registrando-o.

Só havia uma razão pela qual uma mãe daria o nome de um demônio para seu próprio filho. Ela não o queria.

Refutava a ideia de que tivesse que dar à luz aquele menino, em outras palavras, odiava a criança com cada fibra de seu ser.

Vassago não sabia os detalhes de como estavam atualmente seus pais e também jamais quis saber. Resumindo, tudo não passou de uma transação monetária.

A gravidez havia sido um acidente infeliz por parte dela. Sua mãe queria abortá-lo, porém, Vassago acabou nascendo por ordens expressas de seu pai.

Contudo, isso não foi porque seu progenitor o amava, pois certamente não foi.

Seu pai ocasionalmente o via apenas para saber se estava saudável, jamais trouxe-lhe algum agrado ou mesmo se dirigiu a ele com carinho. A única coisa que lhe passou foi o conhecimento da língua japonesa que também não tinha nenhuma relação com gentileza ou aproximação, era tudo… negócios.

Tudo se seguiu neste impasse até Vassago completar quinze anos e descobrir qual foi o verdadeiro motivo pelo qual seu pai proibiu que sua mãe o abortasse e porque mantinha-o minimamente seguro financeiramente.

Um garoto com problemas congênitos que havia nascido na família de seu pai, a família principal por assim dizer, oriundo do casamento oficial.

Vassago era apenas uma peça de reposição, um doador, alguém descartável quando não houvesse mais utilidade.

Como era dependente, completamente incapaz de negar-se a doar seus órgãos, Vassago conseguiu apenas impor uma condição: expressou o desejo de ir morar na terra natal de seu pai, o Japão.

Depois de cumprir seu objetivo de existência, doar o rim, Vassago perderia todo o valor como uma existência para seu pai, não sabendo até quando ele ainda o teria como tutor.

O único futuro que lhe aguardava nesse cenário e se fosse permanecer nos Estados Unidos após perder a escassa ajuda financeira de seu pai, seria viver como um traficante de drogas.

Dessa forma, tinha que sair o mais rápido possível daquele lugar, daquele país.

Seu pai aceitou a condição e arrumou o passaporte e a passagem em troca do rim esquerdo de Vassago.

E sem se despedir de sua mãe, o garoto partiu rumo ao Japão, contudo, o que lhe esperava era um destino ainda pior do que havia imaginado se ficasse ali com sua maldita mãe…

A lei japonesa exigia um procedimento complicado e regras específicas para adoções internacionais e mesmo que Vassago fosse adotado com sucesso, as autoridades não permitiam viver no país crianças com mais de seis anos.

Assim, que desde o princípio, a vida criminal estava reservada para Vassago, seu destino sempre fora andar no inferno…

Rapidamente, após ser descartado pelo seu pai, o garoto foi ‘adotado’ por um sindicato criminoso coreano, que arrumou para o adolescente estadunidense, espanhol e japonês, a identificação falsa coreana enquanto este era treinado para ser um assassino.

Completado nove ‘serviços’ bem-sucedidos nos últimos cinco anos, quando chegou aos vinte anos, Vassago recebeu o décimo trabalho, com regras específicas totalmente diferentes de qualquer plano de assassinato que recebera até o momento.

Tratava-se de cumprir um objetivo em um mundo virtual, um assassinato que estava fora do alcance do mundo real.

A princípio, o significado daquela missão não estava claro, mas ele finalmente o entendeu depois de ouvir sobre o ‘incidente de SAO’ que ocorreu alguns dias antes.

O alvo de Vassago, envolvido no incidente, estava atualmente trancado em sua residência fortemente vigiada e nunca colocaria seus pés para fora.

Deixar extinção de sua vida a cargo do jogo da morte não era uma opção confiável, já que não podiam ter certeza de que dia ele realmente morreria, e havia até a possibilidade de que ele escapasse ileso. Contudo, se Vassago mergulhasse no mesmo jogo que ele e eliminasse todo o seu HP, o NerveGear no mundo real fritaria seu cérebro o ajudando a cumprir com seu objetivo.

Entretanto, havia três grandes problemas com esse método.

Em primeiro lugar, como assassino, o próprio Vassago também ficaria incapaz de encerrar sua sessão antes que o jogo fosse completamente zerado. Em segundo, se morresse lá dentro, sua vida também terminaria no mundo real.

E em terceiro, Vassago não poderia atacar de maneira direta pois o sistema iria automaticamente  registrar violência contra outro jogador assim como registrar no mundo real a evidência de assassinato, já que todos estavam monitorando o incidente.

Diante de uma missão tão complexa, o sindicato lhe ofereceu um montante monetário astronômico. Vassago não estava muito seguro de que o grupo de fato pudesse pagar a quantia oferecida, o que em si já era um alerta de risco, contudo, não estava em posição de negar.

Quase todos os NerveGears que não haviam sido utilizados foram confiscados pela polícia, porém, o sindicato conseguiu obter alguns por meios obscuros.

Tudo que precisava agora era uma cópia do jogo SAO e a força de vontade para entrar em um jogo da morte como aquele por livre e espontânea vontade, figurativamente falando.

Nem a polícia ou a própria companhia de desenvolvimento possuíam uma maneira de barrar o ingresso, ou seja, a entrada estava livre.

Sem mais o que fazer, encontrou primeiramente uma inusitada dificuldade em escolher o nome de seu personagem, porém, acabou por adotar o nome original que sua mãe havia sugestionado, mantendo apenas a primeira letra da alcunha, fomando… PoH.

Já de início, a experiência de Vassago no mundo virtual acabou por libertar a mente, sua personalidade. Os jogadores japoneses que o rodeavam lhe lembravam muito seu pai e seus parentes, quem havia apagado da memória há muitos anos. E foi nesse mesmo período que se deu conta do quanto os odiava… e não somente os japoneses, ele odiava todos os orientais.

Contudo, tinha um objetivo para cumprir, pois afinal, era seu trabalho. Porém, também queria matar tantos jogadores quanto pudesse.

Forjando sua determinação, Vassago fundou a guilda de assassinos mais poderosa de SAO, a Laughing Coffin, a qual roubou a vida de muitos jogadores que por ventura fossem pegos em suas artimanhas.

Eventualmente, depois de ficar farto de dirigir uma organização excessivamente grande, planejou sua derrocada juntamente com o grupo de jogadores das linhas de frente. Fazendo com que todos se matassem mutuamente enquanto assistia à distância.

E justo quando estava se preparando para acabar com a vida das suas duas presas mais cobiçadas, a Relâmpago Vermelho e o Espadachim Negro, o jogo foi finalizado.

A primeira coisa que Vassago sentiu ao regressar do jogo da morte para o mundo real não foi alegria e sim tristeza e decepção. Ainda que soubesse que não tinha maneira de voltar para aquele mundo de sonhos, decidiu ir novamente para a América tentar conseguir o mesmo tipo de experiência.

O chefe do sindicato não estava disposto a dar o dinheiro por seu trabalho, portanto, Vassago o matou e pegou a recompensa à força.

Nos Estados Unidos, entrou para o departamento de operações táticas e cibernéticas de um grupo militar privado com sede em San Diego.

No treinamento de combate VR lutou contra os soldados da Guarda Nacional e a Marinha e depois de superar a todos em habilidade adquiridas dentro de SAO, Vassago foi imediatamente promovido para instrutor.

Contudo, mesmo com essa vida estável completamente diferente da que tinha no oriente, em seu coração não havia nenhum sentimento de satisfação.

Mais uma vez…

Queria voltar para aquele mundo mais uma vez. No mundo virtual onde tudo era digital e os seres humanos mostravam suas verdadeiras naturezas, o lugar onde caiam todas as máscaras, longe desse local manchado de mentiras chamado realidade.

Tendo mantido esse desejo ardente por tanto tempo, sentia que não era um milagre e sim o destino que o fez se encontrar mais uma vez com a Relâmpago e com o Espadachim Negro. Essa força inexorável que os reuniu outra vez nesse mundo inacreditavelmente realístico, o Underworld.

O estado mental do Espadachim Negro parecia alterado por alguma razão, porém, se matasse todos os jogadores a sua volta, provavelmente ele despertaria.

A reação que este homem causava em Vassago/PoH o fazia sentir cada vez mais atraído por ele, muito mais do que coisa que já sentiu por alguém até então. Tinha certeza que quando matasse esse garoto com suas próprias mãos, jamais pensaria na ideia de suicídio novamente, estaria completo.

Para isso, primeiro instigou um massacre bilateral com os chineses e coreanos que tinham comprado uma falsa ideia e os conduziu para Underworld, convidando-os a tomarem parte de um banho de sangue e loucura.

Jamais cogitou que houvesse uma grande reviravolta com um bom número de pessoas entrando em dúvidas e querendo dialogar. Então, para evitar tal coisa, só precisava fazer a situação ficar suficientemente tensa, produzir uma faísca e…

O homem que acabara de agir estava relativamente distante, tentado persuadir seu conterrâneo sem mostrar nenhuma intenção de continuar com a luta.

Vassago só precisava cortar sua cabeça e dizer para todo mundo que os japoneses o tinham assassinado, chamando-os de covardes. Isso seria o que bastaria para inflamar os ânimos, sacarem suas espadas e partir para a matança desenfreada.

“Aguarde só um instante… logo logo te acordarei, meu rapaz…”

Sussurrou Vassago olhando em direção ao Espadachim Negro, com a pele extremamente pálida, tombado ao chão.

E ao fixar o olhar no jovem caído, deu-se conta de que agora ele se parecia um pouco com seu irmão, ao qual havia visto brevemente antes da cirurgia de transplante de rim.

Uma dor pulsante alfinetou seu peito.

Mataria o Espadachim Negro e também a Relâmpago Vermelho nesse mundo, os obrigando a encerrar a sessão e depois os acharia do outro lado.

Os encontraria certamente em algum canto escondido do Ocean Turtle e os mataria novamente com extrema crueldade.

O vislumbre da cena parecia o suficiente para aliviar a leve dor em seu abdômen no lado esquerdo, algo que nunca desaparecia nem mesmo durante as imersões, uma dor que lhe acompanhava desde o roubo de seu rim há quinze anos.

Sob o capuz, Vassago sorriu e sussurrou novamente para o jovem que jazia a seus pés:

“Se continuar dormindo aí todo mundo irá morrer. Vamos, levante-se… por favor…!”

Vassago começou a caminhar novamente com a mão direita segurando de maneira firme sua arma favorita, o Mate Chopper.

 

CRUNCH!

Sua alma foi privada de forças.

Asuna escutou o som dos sapatos de alguém esmagando o solo árido com suas botas.

Outro passo.

Mais um…

O som frio e quase robótico, cadenciado como o rufar de tambores de guerra.

Era o som dos passos de um deus da morte, algo que havia escutado muitas e muitas vezes dentro do castelo flutuante e que achava que nunca mais ouviria.

Olhando para cima, observou como a silhueta de PoH caminhava em sua direção com Kirito jogado ao lado de sua visão, uns vinte metros de distância.

Não, não estava caminhando até ela.

Caminhava mais para a direita, até Klein pregado ao chão por duas espadas cravadas em suas costas.

Provavelmente para acabar pessoalmente com o samurai, que parecia estar por si só lutando contra a morte com suas próprias e últimas energias.

Contudo, logo se deu conta que estava errada mais uma vez.

Perto de Klein, dois cavaleiros com as armaduras vermelhas discutiam ferozmente em coreano. Foi então que Asuna percebeu que a gigantesca legião rubra de dezenas de milhares de cavaleiros que rodeavam os sobreviventes japoneses e as tropas do Mundo Humano estavam envolvidos em uma turbulenta discussão.

Certamente era um confronto entre os jogadores que haviam se dado conta das mentiras de PoH contra os que ainda acreditavam em tudo que lhe contaram.

Nesse ritmo, ao menor sinal de desequilíbrio, esses últimos ergueriam suas armas contra os próprios companheiros e uma luta sangrenta entre os aliados das duas nações, China e Coreia, eclodiria por todo o território, com ambos os lados derramando ódio e frustração.

PoH talvez estivesse tentando evitar aquilo que poderia arruinar seus planos e…

Não.

Não, não!

Esse homem provavelmente tinha a intenção de inflamar pessoalmente ainda mais os ânimos para causar um novo conflito somente pelo simples fato de produzir mais e mais carnificina.

Exatamente como fez antes quando vazou intencionalmente a localização da sede de sua própria guilda de assassinos, a Laughing Coffin, para possibilitar que os jogadores das linhas de frente se empenhassem em uma cruzada mortal.

Asuna não podia entender que benefício aquele homem ganharia por permitir que seus próprios homens fossem dizimados ou, na melhor das hipóteses, reduzidos a sua metade.

De qualquer forma aí estava ele outra vez, prestes a fazer algo tão vil e cruel quanto naquela época.

PoH avançou a passos ritmados enquanto dizia algo em coreano.

Como que estivessem resolvido suas dúvidas momentâneas, os homens que estavam imobilizando Klein, agarraram os braços daquele rapaz que tinha vindo ao auxílio do samurai.

PoH apertou a empunhadura de seu enorme cutelo.

Queria executar pessoalmente aquele ‘traidor’. E enquanto se aproximava, ergueu a cabeça para incitar ainda mais os jogadores chineses e coreanos, estimulando-os a atacarem seus próprios companheiros.

Não podia permitir que aquilo acontecesse.

Com seu objetivo principal focado em proteger os residentes de Underworld, Asuna não deveria desejar deter esses cavaleiros vermelhos de matar-se entre si. Além do que, mesmo isso acontecendo e seu número se reduzindo à metade, ainda sobrariam mais de dez mil deles. Não deveria se intrometer…

Por outra parte, se a guerra estourasse outra vez, seus corações se encheriam de ódio de maneira que não ouviriam mais nada. E essa raiva toda, certamente seria dirigida para os japoneses e residentes de Underworld.

E também, um pequeno número de jogadores chineses e coreanos incitados por PoH, finalmente, pouco a pouco estavam se dando conta da verdade por trás desse mundo…

Estavam começando a acreditar no que os jogadores japoneses haviam falado e demonstrado a eles.

Com isso tudo em jogo, não poderia simplesmente deixá-los serem assassinados.

Tinha que agir.

Ela tinha que se levantar e balançar sua espada para deter a execução de PoH.

Porém, nem suas mãos nem seus pés tinham forças. Cada vez que respirava, as inúmeras feridas a atormentavam fazendo-a quase desmaiar, debilitando ainda mais seu estado mental.

“… Não… não consigo levantar… ”

Asuna gemeu, permanecendo ajoelhada no solo.

Ela lentamente se encolheu, com seus cabelos sujos e desgrenhados caindo sobre os ombros e rosto, obscurecendo-lhe a visão.

Contudo…

Está tudo bem!

Sei que você consegue, Asuna.

Levante-se!

Uma voz fraca, porém firme, ecoou em seus ouvidos.

O braço de alguém suavemente, mas emanando uma forte resolução, envolveu os ombros da garota.

Uma luz morna fluiu em seu corpo e alma.

Uma leve brisa suave ao mesmo tempo refrescante a curou e levou toda a dor embora.

Vamos, Asuna, levante-se!

Deve proteger todos aqueles que são importantes para você.

A mão direita de Asuna se moveu, arrastando-se pelo chão até agarrar algo caído por ali.

A empunhadura da Radiant Light, a espada de Stacia, a Deusa da Criação.

Erguendo o rosto, viu o assassino de negro levantando o cutelo para cima enquanto este emitia um brilho vermelho intenso.

O cavaleiro rubro capturado ficou paralisado de medo.

A comoção à volta havia cessado e todos os olhos estavam concentrados naquela enorme lâmina, desprovida de misericórdia.

Trancou a respiração, apertou os dentes e concentrou até a última porção de força que tinha…

Asuna pisou com força o solo.

“Ooh…! AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!!!”

Moveu a espada na mão direita com um grito inacreditavelmente alto, fazendo jorrar sangue de sua boca.

A ponta afiada soltou um clarão branco quente.

Era uma habilidade básica com a espada que havia utilizado milhares de vezes, melhor dizendo, dezenas de milhares de vezes: Lineal.

PoH percebeu o ataque surpresa de Asuna respondendo com uma assombrosa velocidade de reação.

Produziu uma espécie de rosnado e torceu a parte superior de seu corpo para trás.

Asuna avançou freneticamente com uma estocada para o meio daquele manto negro.

Sentiu certa resistência.

Um tufo de cabelos castanho escuro voou no ar com algumas gotas de sangue.

Ele havia esquivado.

Fosse em Underworld ou em Aincrad, ativar uma habilidade de espada criaria uma grande abertura após o término de sua ação.

Neste momento, Asuna estava travada em uma fatal posição rígida, enquanto que o cutelo de PoH já estava indo em sua direção, cortando o ar com um assobio sinistro.

Mas ciente desse fato e antecipando a situação, Asuna já havia estado concentrando sua imaginação sob os pés de PoH.

Uma luz, como o flash de uma câmera fotográfica, surgiu no chão e o solo se modificou.

A garota havia utilizado o poder de Stacia para erguer o terreno sob PoH, jogando-o alguns centímetros no ar.

Era só um resquício de manipulação geográfica, porém, sua cabeça foi apunhalada por uma dor aterradora.

Após ter pago o preço, o corpo do assassino perdeu o equilíbrio e o cutelo cortou apenas uma parte das roupas de Asuna.

“Gur… rgh!!”

Liberada de seu estado de rigidez, ela recuou sua rapier.

“Arrgh!”

PoH levantou o cutelo para frente e girou seu manto.

Um golpe com uma velocidade divina encontrou-se com uma estocada inflexível, soltando faíscas de cor branca e vermelha.

Asuna utilizou toda sua reserva inexistente de forças para repelir a lâmina do inimigo enquanto vociferava com a voz arranhada:

“O que é que você quer?”

O canto da boca exposta de PoH sob o capuz se elevou em silêncio e depois a voz cavernosa respondeu:

“Tenho realmente que explicar? Eu quero esse garoto de preto… O desejo desde que tentei matá-lo no quinto andar de Aincrad.”

“…Porque odeia tanto o Kirito? O que ele te fez?”

“Odiar…!?”

Poh repetiu a palavra em tom surpreso.

Logo chegou-se para perto do rosto da garota e sussurrou:

“Pensei que você, dentre todos esses gados, entenderia… o quanto eu o amo.

Ele é o único homem em quem sempre pude confiar incondicionalmente nesse mundo cheio de merda. Não importa quanta dor e sofrimento possa ser colocado sobre seus ombros, ele jamais se dobra. Nunca se rende, nunca desiste.

Ele me dá esperança e alegria não importando a maldita situação em que me encontre.

É por isso que… não posso permitir que justo quando nos encontramos novamente, que ele fique dessa forma patética.

Esteja certa que farei ele despertar.

Esse é o porquê de não me importar quem ou quantas centenas de milhares terei que matar… vou trazê-lo!”

Essas palavras desconcertantes saíram da boca do assassino, transformando-se em uma aura negra que rodeou o corpo de Asuna, tentando privá-la da vontade de lutar.

“Esperança…!? Alegria…!?  Como pode dizer isso… você… não sabe o quanto Kirito… ah…ah…!!!”

Queria rebater cada coisa que havia dito, porém, o ponto onde a lâmina do cutelo e a rapier se encontravam, de repente começou a soltar faíscas e a lâmina do homem começou a se aproximar perigosamente.

Não.

A vontade de continuar lutando de Asuna não esmoreceu. A lâmina demoníaca do Mate Chopper, empunhado na mão direita de PoH, começou a vibrar como se fosse um organismo vivo.

PoH pareceu notar o assombro de Asuna e sem cerimônia, começou a rir da cara da garota sob a sombra do capuz.

“Finalmente entendi como esse mundo funciona. Aqui, o sangue derramado e as vidas perdidas se convertem diretamente em energia. Como quando a tal Sacerdotisa da Luz lançou aquele raio laser maluco e tocou fogo no exército do Dark Territory.”

Antes de Asuna fazer a imersão também havia escutado a explicação de como o sistema fundamental de Underworld funcionava. Basicamente, tudo era relacionado aos recursos espaciais e o modo como eram captados onde muitas vezes, dependendo o tamanho do encantamento, era necessário o uso de algum equipamento.

Contudo, para ser capaz de absorver essas energias, além de um equipamento, era necessário recitar alguns comandos.

Com isso compreendido, era normal supor que o aumento do tamanho do Mate Chopper provavelmente se devia a essa absorção dos recursos espaciais, entretanto, PoH não havia recitado comando algum. E, além disso, seu cutelo deveria ser meramente a representação da arma originária de SAO que fora convertida, não devendo ter a habilidade de absorção de recursos espaciais de Underworld.

A pergunta que ficava era como aquilo era possível?

E como se estivesse lendo os pensamentos da garota, PoH continuou:

“Em Aincrad, o Mate Chopper acabava sofrendo danos e ficando mais fraco à medida que matava os monstros, porém, quando matava jogadores… os humanos mais poderosos, mais forte ele ficava.

Sim, pelo que pesquisei, era um tipo de maldição que seria desfeita depois de matar um montão de mobs, acabando por se transformar em uma lâmina de katana com um nome específico e tudo mais. Contudo… nunca estive interessado nesse tipo de coisa e por fim, aquela merda lá acabou.

Mas o importante para mim agora é que sua característica original de absorver a vida humana e aumentar seu poder ainda persiste aqui em Underworld.

As vidas de todas as tropas americanas que mataste e dos japoneses assassinados pelos chineses e coreanos estão rodopiando nesse campo de batalha.

Se os chineses e os coreanos começarem a se matar, então, mas vidas serão absorvidas por mim.”

Enquanto o assassino sussurrava, o Mate Chopper começou a emitir um chiado estranho e a crescer mais e mais.

O equipamento da conta administrativa de Asuna, a Radiant Light rangia sob a pressão do cutelo como se não pudesse mais aguentar a oposição.

Tudo em sua volta pouco a pouco começou a desvanecer, sentia em seus ouvidos um zunido e o som de sua própria respiração e as batidas do coração.

Como se o dono do cutelo estivesse ficando cada vez mais alto, PoH foi pressionando a lâmina carniceira para junto do corpo de Asuna enquanto dizia:

“Depois de absorver toda a vida aqui desse campo, matarei cada Fluctlight Artificial existente neste mundo. E é claro que não estou me referindo apenas aos que estão escondidos atrás dessas montanhas, irei chacinar os monstros que vivem aqui no Dark Territory também. Não sei quantas dezenas de milhares serão necessários, porém, sei que ele irá acordar, irá despertar e voltar para mim.

Se for o Espadachim Negro, sei que posso acreditar.”

O vento frio soprou contra o manto negro, expondo por alguns instantes os olhos profundos dentro da escuridão. Eram olhos brilhantes de um vermelho injetado, viciado.

Era um demônio. Um verdadeiro demônio.

Esta era sua verdadeira natureza, a real persona desse homem chamado PoH. Não importava o tipo de máscara falsa que usava, a de um líder incitador como em Aincrad ou de um comandante severo nesse mundo. Tudo era falso, camadas que escondia o verdadeiro PoH, frio, calculista e vingativo. Aquele que desejava a tortura e o sofrimento da humanidade acima de tudo, procurando a única coisa que lhe era importante, o desejo de matar…

Os joelhos de Asuna cederam.

Sua rapier rangeu e envergou novamente ao ponto de forçar contra sua garganta.

“Relaxe! Não irei te matar ainda. Somente me assegurarei que não irá me atrapalhar.

Quero que siga existindo para que veja… que assista como seu amado desperta e… como ele irá morrer dolorosamente em minhas mãos.”

O Mate Chopper havia crescido ficando com o dobro de seu tamanho normal enquanto que a Radiant Light emitiu um som agudo e penetrante ao apresentar fissuras por toda sua superfície.

Com um joelho contra o solo, a visão de Asuna foi bloqueada pela aura negra que brotava do buraco do capuz.

Na escuridão, as únicas coisas que existiam eram a lâmina monolítica de aço e os olhos vermelhos e brilhantes do demônio.

E no instante em que estava prestes a cair, sentiu as mãos de alguém…

Uma acalentadora força empurrou novamente Asuna.

Está tudo bem! Eu disse que estarei sempre ao seu lado, não é?

Uma luz clara saiu do peito de Asuna e desfez a escuridão diante de seus olhos.

Refletidas no Mate Chopper, viu asas brancas estendendo-se amplamente atrás de suas costas.

Todo o som voltou aos ouvidos, captando as vozes de seus amigos mesclando-se com o burburinho do campo de batalha.

“Asuna! Mate-o, Asuna!”

“Asuna! Asunaaaaa!!!”

“Levante-se, Asuna!!”

“Asunaaaaaaaaaa!”

Lisbeth. Silica. Agil. Klein.

E não somente seus amigos mais próximos, as vozes do grupo sobrevivente de ALO, Sakuya e Alicia, Siune e os Sleeping Knights, Renri e os demais do Exército de Defesa do Mundo Humano, Tiezé, Ronye, Sortiliena e muitos outros guardas e sacerdotes, Asuna ouviu a todos.

Obrigada a vocês.

Obrigada, Yuuki.

Ainda posso lutar com todos me dando força.”

“…Não posso perder… nunca perderei contra… alguém como você que só sabe odiar!!”

No instante em que Asuna gritou, ondulações brancas surgiram por todo seu corpo, lançando PoH para trás.

Levantou-se, fazendo retroceder a espada em sua mão direita concentrando a força.

Clarões em cor lavanda percorriam toda a lâmina com formas semelhantes às pétalas de flores de tomilho, tingindo o mundo com o mesmo tom.

“Nurgh…!!”

Apontando para o corpo do assassino, que tentava recuperar o equilíbrio, parecia não ter como errar com todo o torso exposto.

Asuna ativou a habilidade de espada original que havia recebido da Absolute Sword Yuuki.

Começando pela parte superior direita, cravou cinco golpes ultrarrápidos, criando cinco pontos de luz diagonalmente até embaixo.

Seguido de cinco golpes começando da parte superior esquerda, utilizando toda a extensão da lâmina para gravar outros cinco pontos luminosos.

“Guaaagh!!”

Enquanto manchava o ar com sangue, o gigantesco cutelo na mão direita de PoH seguia brilhando intensamente. Se Asuna fosse golpeada por aquilo em um contra-ataque, seu HP restante poderia não ser suficiente para aguentar.

Porém, o ataque da garota ainda não havia acabado.

“WOOOOOOAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHH!!!!”

Concentrando cada gota de sua energia na ponta da rapier e soltando tudo no centro das duas linhas cruzadas, dispersou toda a potência do golpe mais poderoso.

Combo Original Sword Skills de onze estocadas, Mother’s Rosario.

Sword Art Online Alicization - Asuna e Yuuki

 

O resplendor violeta atravessou o peito de PoH com a força de um meteoro.

O assassino do manto negro foi lançado ao ar e caiu pesadamente no solo ao longe.

Agora, depois de haver esgotado até a última força que tinha, Asuna caiu sobre os joelhos enquanto agradecia em seu coração.

Muito obrigada, Yuuki.

 

Já não podia escutar uma resposta.

Talvez as mãos e a voz não havian passado de uma ilusão que residia em Asuna desde o princípio, contudo, ainda assim, tudo neste mundo girava em torno das recordações, então, definitivamente não tinha sido algo falso.

Sim, ela nunca deveria ter sido capaz de usar a OSS Mother’s Rosario em Underworld para começo de conversa. Mesmo que Higa e Kikuoka tivessem importado as antigas habilidades de espada de SAO junto com o The Seed, quem havia herdado a Mother’s Rosario tinha sido a Asuna Undine de ALO. Sem ter tido convertido aquele personagem, pois estava com a conta de Stacia, Asuna jamais deveria ter aqueles dados com ela.

Porém, a OSS havia de fato se ativado, inclusive com aquele efeito luminoso especial.

Mais uma vez a resposta era sim. Se esse era o poder da imaginação, então a Yuuki que havia despertado temporariamente das memórias de Asuna e a que a animou e ajudou, inegavelmente tinha sido a Yuuki real. Pois a garota sempre esteve viva dentro de sua alma e aquelas recordações jamais desapareceriam.

O avatar de PoH permaneceu jogado sobre o solo, pois após ter sido golpeado diretamente por um combo de onze golpes de uma arma GM, não havia nenhuma possibilidade de sobreviver.

A diferença dos outros jogadores, este usava um STL, o que significava que mesmo morto, seu corpo não se desintegraria e permaneceria no cenário em contraste com o corpo de um residente do Mundo Humano ou do Dark Territory.

Apoiando-se em sua rapier e fazendo um esforço imenso para não desabar, Asuna virou-se para olhar Klein.

Seu abdômen estava atravessado pelas espadas, porém, os três jogadores que as seguravam agora estavam afastados observando Asuna de longe em silêncio juntamente com um quarto jogador que tinha vindo em auxílio, evitando a execução do samurai.

Queria apenas chegar perto de Kirito o mais rápido possível, contudo, primeiro tinha que tirar as espadas do corpo de Klein e tratar suas feridas.

E justo no momento em que Asuna ia caminhar até seu amigo…

Sentiu o solo tremer.

A garota prendeu a respiração enquanto girava para trás.

PoH permanecia imóvel no chão. Porém, um resplendor negro avermelhado florescia do cutelo Mate Chopper empunhado pela mão direta do assassino caído.

Olhando ao redor daquele homem, Asuna percebeu que o ar no campo de batalha estava lentamente formando um vórtice giratório, com o seu centro concentrado na lâmina gigantesca do cutelo.

“Essa não…! Está absorvendo o Poder Sagrado!!”

A líder da Guarda, Sortiliena, gritou das linhas de frente do exército do Mundo Humano.

Asuna apertou os dentes e correu para frente do exército de defesa com intuito de destruir a lâmina demoníaca o mais rápido possível.

Porém, antes dela conseguir alcançar, o corpo do assassino de manto negro se ergueu como sendo puxado pelo gigantesco cutelo Mate Chopper que agora flutuava no ar.

Um grande rasgo se via na parte da frente do manto, expondo o corpo do homem e mostrando em detalhes suas vestes de couro com um enorme buraco no peito onde o golpe da garota havia acertado com ataque final da OSS, sendo possível enxergar através dele.

Observando PoH, mesmo com a ciência de que seu coração fora arrancado, os residentes de Underworld deixaram instintivamente escapar lamentos e gritos de medo.

Uma violenta comoção tomou conta até mesmo dos chineses e coreanos, que começavam a entender pela primeira vez que aquilo ali poderia não ser um simples mundo VRMMO.

Parecia que o Mate Chopper havia absorvido uma quantidade descomunal de recursos espaciais e os havia convertido em HP para PoH.

E por chegar a essa suposição, o corpo de Asuna começou a tremer sem parar.

PoH ainda seguia em imersão com o STL.

Se de fato isso estivesse certo, então aquele cara estava passando por um sofrimento incomensurável, equiparado ao mesmo trauma de um ferimento dessa gravidade na vida real.

Asuna já havia comprovado em sua própria mente e carne dor suficiente para quase deixá-la incapacitada, como no caso quando teve seu corpo perfurado por inúmeras lanças.

Era impossível de imaginar a classe de agonia que deveria ter um buraco enorme aberto em seu peito.

Porém, os lábios do assassino, gotejantes de sangue, sorriam sem dizer uma palavra.

E logo um grito ensurdecedor, que sacudiu o campo de batalha inteiro, foi ouvido.

“Meus camaradas! Esta é a verdadeira natureza dos japoneses! Matem cada um desses malditos traidores da causa e… dizimem todos os japoneses!!”

Claramente havia gritado em coreano, porém, por algum motivo Asuna compreendeu o que ele havia dito. Teria sido algum comando multilíngue?

A aura negra avermelhada que jorrava intensamente do Mate Chopper de PoH, se estendeu por todos os lados.

“[Ohhh….]”

“[OOOOOHHHHHHHHHHHHHHH!!]”

A metade dos chineses e coreanos também levantaram suas armas, emitindo gritos ferozes.

Em seguida, começaram a atacar seus compatriotas que estavam tentando buscar o diálogo, persuadindo-os…

Obviamente, a fúria foi direcionada para os jogadores japoneses restantes e também para as tropas de Underworld.

Asuna, não tinha mais recursos para detê-los.

De repente, alguém veio por trás e a empurrou bruscamente, jogando a garota dolorosamente no chão e fazendo com que sua rapier, completamente danificada, voasse de sua mão indo se perder ao longe da terra seca.

Mais afastado, o jovem de cabelos negros estava desesperadamente estendendo seu braço esquerdo em direção a ela.

“…Kirito…!”

Asuna sussurrou, estendendo sua mão direita em direção ao seu amado, esperando por seus últimos momentos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

OLÁ PESSOAS!

DANDO O START NA ÚLTIMA QUEST DE SWORD ART ONLINE ALICIZATION!

VAMOS PARA A CORRIDA DERRADEIRA, PARA O ÁPICE DE TUDO QUE FOI FEITO ATÉ AGORA.

FOI UM ORGULHO E UM ENORME PRAZER TER FEITO ESSE ARCO. MUITO PEDIRAM PARA QUE DEIXASSE AJUDAR MAS… ESSE PROJETO É MEU PRIMEIRO FILHO (o outro está neste instante enchendo a fraldinha no quarto ao lado), PORTANTO, QUIS DOAR TODAS MINHAS FORÇAS PARA QUE ELE CRESCESSE FIRME E FORTE.

ESPERO QUE CONTINUEM ACOMPANHANDO O SITE QUE AINDA TEM MUITA COISA BOA.

E ENTÃO? BORA COMENTAR?

 

PRIMEIRA COISA:

‘IE´! IÉ! PEGADINHA DO MALANDO!!!’

UMA GALERA VAI VIR JOGAR PEDRAS EM MIM DIZENDO: – PÔ! E O KIRITOSO (se falar kiritoso fica mais impactante) ? ONDE ESTÁ ESSA DESGRAMA?? ACORDOU OU NÃO?

 

ENTÃO, ESSE FOI UM BELO DE UM COMEÇO, MOSTRANDO QUEM É DE FATO ESSE PRINCE OF HELL, AQUELE QUE AMAMOS ODIAR DESDE SEMPRE, O PoH.

MAS ASSIM, ESSE REKI JÁ FEZ ELE COMETER TANTA PORCARIA, QUE NEM UMA INFÂNCIA DESGRAÇADA DA CABEÇA ME FEZ TER O MÍNIMO DE SIMPATIA.

TOME UM BELO DE UM METEORO DE ASUNA NO PEITO VACILÃO!!

 

PAUSA PARA DIZER UMA COISA AQUI, A OSS MOTHER’S ROSARIO, ELA CERTAMENTE TERIA UM IMPACTO ÓTIMO SE… NÃO FOSSE APRESENTADA PARA O PÚBLICO NO FILME ORDINAL SCALE DA MESMA FORMA QUE AQUI… AQUILO LÁ ME INCOMODOU MUITO!! POIS SABIA QUE TINHA ESSA PARTE DA LIGHT NOVEL. NA HORA QUE VI FALEI MENTALMENTE COM A VOZ DO GOLIAS (o gárgula – quero ver quem pegou essa referência obscura…) “– FUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUD*******!!

BOM, SEI LÁ O QUE VÃO FAZER NO ANIME… ENFIM, ME DEIXOU IRRITADO (ui!).

 

CORRENDO POR FORA TEMOS NO COREANINHO WOL-SAENG QUE É TIPO… A COLA BONDER PARA JUNTAR ESSA SALADA DE FRUTA QUE VIROU A GUERRA DO DARK TERRITORY. OK, CURTI O CARA E TUDO MAS… ESTÁ COM MUITO ESPAÇO. É MUITA PÁGINA PARA ELE E ESTAMOS NA RETA FINAL. QUERO VER OS OUTROS PERSONAGENS, O QUE ESTÁ OCORRENDO E TUDO MAIS, NÃO O MALUQUINHO QUE ESTÁ COM COCEIRA NAS COSTAS (ok, deve te estar doendo um inferno o cutelaço na paleta- ‘Mundo achar você…‘)

 

E DEIXANDO O MELHOR PARA O FINAL, NOSSA DEUSA DA CRIAÇÃO. ESSA MERECE TODO O RESPEITO. PEITOU TUDO QUANTO FOI COISA E AINDA ESTÁ ALI, FIRME (nem tanto) E FORTE (é… bem… deixa pra lá).

 

DEIXEI AQUELE GOSTINHO DE QUERO MAIS SÓ PARA DIZER QUE PREPAREI TODO O CENÁRIO PARA ELE… 

 

ERA ISSO MINHAS PESSOAS, AGUARDEM O PRÓXIMO POST.

 

FORTE ABRAÇO E ATÉ!!

 

 

==== SETOR DA DOAÇÃO ====

Resolvi deixar o canto da doação, pois ainda tenho a hospedagem e tal.

Se alguém quiser dar uma força, ok, se não puder, ok também. Sem problemas minhas pessoas 🙂

 

Valeu pessoas e forte abraço!

 


 

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Estamos também traduzindo Sword Art Online Progressive, não deixem de ler.

Essa música não é de SAO pois tenho uma surpresa logo abaixo. Ouçam essa como trilha do capítulo e depois ouçam a coletânea na sequência.

 

 

 

Geralmente não deixo músicas cantadas nessa parte para não atrapalhar a leitura, contudo, achei bem bacana essa trilha original de Alicization. Ouçam após lerem o capítulo.