Sword Art Online Alicization – Awakening – Capítulo 21 – Parte 4.2 e 5

Arco: Sword Art Online Alicization Underword – Awakening

Sword Art Online Alicization Underworld Kirito - Awakening

Parte 4

De maneira atropelada, passando por cima dos outros, os soldados vermelhos balançaram suas armas violentamente sobre os jogadores japoneses que haviam caído de exaustão, cravando profundamente as lâminas no ponto mais profundo de seus corpos.

Carne e sangue dançavam no ar ao ritmo de gritos e choros de agonia, contudo, devido ao número reduzidíssimo de guerreiros que ainda restava no campo de batalha, a terrível e hedionda sinfonia durou pouco.

Espadas, escudos e armaduras estavam agora aos pedaços, formando pilhas de destroços no chão. Sobrando apenas seres humanos indefesos com lágrimas escorrendo por seus rostos tal era a dor e quantidade protuberante de sangue que jorravam de suas feridas.

Os dois mil jogadores que haviam convertido suas contas, tinham sido completamente incapacitados, não podendo mais proteger as pessoas do Exército do Mundo Humano, que agora estavam expostos e sem esperanças.

Estes, como última tentativa de salvação da equipe de suporte, reuniram-se em um monobloco formando um paredão com seus corpos danificados, deixando em riste as espadas lascadas e fragmentas em mãos trêmulas.

Embora o destino estivesse claro de sua sina, estampavam nos rostos uma determinação inquebrantável, expressões nobres e cheias de orgulho trágico.

Estavam preparados para a derradeira investida da invencível legião rubra.

“…Parem…!”

Asuna escutou com estranheza a própria voz que fluía de maneira arranhada ao escapar por seus lábios.

Não era uma voz que provinha da dor terrível que envolvia seu corpo e sim uma voz de desespero e tristeza por aquelas pessoas que estavam prestes a serem massacradas. Um pranto de seu próprio espírito que aos poucos ia ruindo.

“Eu imploro… por favor… parem!!!”

Enquanto falava, a espada em sua mão resvalava e caia ao chão e lágrimas deslizavam pelas bochechas caindo sobre seu corpo multilado.

Entretanto, a intenção de apaziguar os ânimos pareceu surtir efeito contrário pois a massa vermelha em sua frente emitiu um brado cheio de hostilidade, erguendo as espadas e lanças e partindo para cima dela.

Então…

Um estrondoso rugido ressoou, detendo não só o avanço das lâminas que iam em direção à garota como todo o ataque iniciado no campo de batalha.

“PAAAAAAAAREEEEEMM!!!”

Quem havia gritado em um volume absolutamente ensurdecedor tinha sido o homem de manto negro que estivera se mantendo observando a batalha até o momento.

Era o fantasma de PoH, o líder da antiga guilda assassina, Laughing Coffin.

Os jogadores dos países vizinhos obedeceram imediatamente, reconhecendo aquele homem como sendo o líder.

Com um tanto de má vontade, um a um foram baixando suas armas, aguardando as próximas ordens.

O homem que estava a ponto de executar Asuna estalou o canto da boca com visível insatisfação e embainhou sua espada, porém, ao invés de tirar-lhe a vida, deu-lhe um brutal pontapé no peito da garota.

Asuna foi arremessada violentamente para trás caindo de cabeça ao solo, porém, com imensa dificuldade forçou seus braços a erguer-se do chão.

Ao levantar a cabeça, percebeu o homem de negro vindo em sua direção com o manto ondulando ao vento quase como se estivesse andando em câmera lenta.

Ele parecia estar dizendo algo aos jogadores à volta em uma voz moderada, porém, muito imperativa. Contudo, como provavelmente era coreano, Asuna não conseguiu compreender nada do que dizia.

Ao ouvirem as possivelmente ordens os soldados vermelhos ao seu redor assentiram com a cabeça repassando a mensagem para os demais que se encontravam mais longe.

Então, de maneira repentina, o homem que havia chutado Asuna a agarrou pelos cabelos e a ergueu do chão.

A garota soltou um gemido, porém, o homem não se deteve e a arrastou violentamente.

A mesma situação estava acontecendo com todos os derrotados ao redor. Ao que parecia, a ordem que haviam recebido era de juntar todos os jogadores japoneses sobreviventes em um único lugar.

O homem de manto negro caminhava despreocupadamente em direção à guarda do Mundo Humano, que estavam com suas espadas erguidas enquanto girava a mão, fazendo um pequeno sinal para o homem que arrastava Asuna pelos cabelos.

Ao ver o sinal o homem chutou novamente a garota, porém, dessa vez nas costas, fazendo-a cair vários metros para a frente, onde estavam os jogadores japoneses que iam sendo arremessados, virando um grande aglomerado de pessoas.

Agora, restavam menos de duzentos sobreviventes.

Ao que parecia, os pontos de vida estavam diretamente relacionados com a sobrevivência, já que as pessoas restantes eram em sua maioria jogadores de alto nível.

Asuna os observou, entretanto, foi incapaz de localizar seus amigos de ALO e os membros da Sleeping Knights.

Com seus equipamentos destruídos ou retirados, tudo que lhes restavam eram roupas rasgadas e pedaços ausentes de seus corpos. Alguns ainda em profunda agonia com feridas expostas, outros com pedaços de lâminas cravados na carne fazendo com que estivessem longe de estarem conscientes.

Contudo, todos tinham os mesmos sentimentos em comum, frustração e impotência.

Asuna mal conseguia manter o olhar neles, desejando se encolher no chão, chorar e rezar para o final chegar o mais rápido possível.

Contudo, sabia que não deveria.

Com isso em mente, manteve seu olhar firme, gravando o rosto de todos em sua retina, não deveria esquecer-se de ninguém.

Sua visão percorria por todos até se depositar em uma pequena garota de cabelos curtos e roupas marrons que estava encolhida, agarrada aos joelhos.

Se arrastando, Asuna chegou até a garota onde a envolveu em seus braços. Não podia fazer muito para proteger sua melhor amiga, contudo, não a abandonaria.

O corpo de Lisbeth tremeu ao toque, porém, logo relaxou e apoiou a cabeça ao peito de Asuna. Seu rosto se contorcia de dor, com sangue e lágrimas vertendo dele enquanto sussurrava com a voz rouca:

“Todos… eu fiz isso… eu feri todos eles…”

“Não!… Não Liz…!!”

Asuna disse entre lágrimas e soluços.

“Não é sua culpa, Liz. Foi minha culpa… Se eu tivesse previsto isso… eu… eu…”

“Asuna… eu… nunca imaginei…

Nunca parei para pensar o quão horrível uma guerra de verdade é…

Nunca percebi o quão doloroso é esse sentimento de perda… eu não sabia de nada… de nada…”

Asuna não tinha uma resposta para aquilo, portanto, apenas abraçou Lisbeth mais forte. As lágrimas rolaram mais intensamente de seus olhos.

Nisso, ouviu um leve som gorgolejante, que a fez olhar para o lado e perceber um imóvel Agil caído semi desacordado ao solo com Silica ajoelhada ao seu lado.

As feridas de Agil eram tão severas que era inimaginável que ele pudesse ainda estar vivo. Provavelmente, ele havia lutado com tudo que tinha para proteger Silica. Ao ponto de seu gigantesco corpo ter sido apunhalado por tantas espadas que sua carne tinha se transformado em algo disforme, com os dois braços triturados muito além de qualquer cura de algum sacerdote deste mundo. Suas feridas eram visivelmente mais terríveis do que qualquer um ali.

Asuna percebeu que ele havia sido a barreira que segurou as ondas de ódio dos jogadores vermelhos, suportando aquela dor indescritível. Contudo, ainda compreendeu que o homem não havia desistido, pois mesmo parecendo desacordado, permanecia rangendo os dentes com força, ou seja, ainda tinha vontade de lutar mesmo que tivesse que suportar uma agonia sem fim.

Perto de Agil, também localizou Klein que estava sentado no chão com a cabeça abaixada e as pernas cruzadas em uma grande poça de um líquido rubro. Seu braço esquerdo havia sido cortado na altura do ombro e seu torso completamente perfurado. Tudo nele parecia ter a mesma cor de sua bandana, vermelho sangue, indicando que seus ferimentos não eram menores do que os de Agil.

Os demais sobreviventes estavam praticamente nas mesmas situações.

O homem do manto negro olhou para as duzentas pessoas sentadas, derrotadas ao chão, despojadas de suas armas, armaduras e moral…

Em seguida, sua boca exposta sob o capuz, mostrou um enorme sorriso.

Então, ele girou calmamente para os soldados do Mundo Humano.

Asuna esperou, aterrorizada, pelo momento em que ele levantaria sua mão direita e desse a ordem para massacrá-los.

Contudo, em seu lugar, o homem disse algo em japonês fluído.

“Joguem suas armas e rendam-se! Se obedecerem pouparei a vida de todos os prisioneiros e também as suas.”

Uma mescla de confusão e assombro surgiu nos rostos de todos da guarda, porém, logo se tornou um uma fúria fervente.

Um deles deu vários passos a frente, era a líder Sortiliena. Sua espada não mais reluzia e o sangue escorria livremente pelo seu corpo, possivelmente por ter se mantido lutando nas linhas de frente ao lado de Klein e os demais.

Mas mesmo com tudo aquilo, sua força e garra se mantinham como sempre.

Sortiliena então gritou ferozmente:

“…Que espécie de piada é essa? Acha mesmo que vamos acreditar nisso? Olhe só o que vocês fizeram aqui, seu maldito…!”

“Façam o que ele diz!! Por favor!!!”

Asuna gritou em desespero, interrompendo Sortiliena.

Abraçando Lisbeth com força, levantou o rosto cheio de lágrimas enquanto suplicava.

“Por favor… vocês não podem morrer! Não importa o quão humilhados estivermos vocês devem sobreviver!… Essa é… nossa… única…”

Esperança.

Asuna sentiu uma forte pontada no coração que a impediu de terminar a frase.

Porém, mesmo que Sortiliena e os demais da guarda franzissem o rosto, tremendo cheio de frustração, ao final, seus ombros relaxaram e lentamente foram baixando as armas.

Clang! Clang!

Vendo-os lançarem suas espadas ao chão, os jogadores dos países vizinhos que tinham cercado os membros do Exército do Mundo Humano começaram a gritar enlouquecidos, celebrando a vitória.

O coro de vozes se confundia com cada um dos guerreiros exaltando as façanhas realizadas ao pronunciarem o nome de seus países com alegria e euforia.

O homem do manto negro ergueu uma mão, chamou alguns jogadores vermelhos e lhes fez uma combinação de outros gestos. Estes assentiram imediatamente e abriram espaço, caminhando em formação circular.

Antes que Asuna compreendesse o que ele estava a ponto de fazer, o homem já estava há poucos metros dela, caminhando pesadamente.

E mesmo com pouca distância, ela ainda não conseguia visualizar o rosto completo daquele ser que ficava oculto embaixo do capuz. A única coisa que via era a bocarra em um sorriso, um esgar cheio de maldade e mechas de cabelos pretos.

De um sorriso, a boca se abriu mais até se transformar em uma risada distorcida enquanto falava com uma voz cheia de alegria.

“Ora, ora! Há quanto tempo que não nos víamos, Relâmpago!”

…Então era ele mesmo!!

Asuna perdeu o fôlego enquanto se forçava para emitir palavras trancadas em seu peito.

“…É você… PoH…!”

“Ahh… que nome nostálgico. Fico muito feliz que alguém ainda se lembre dele.”

Nesse momento, Klein, que já estava se inclinando para frente com a mão direita estendida, perfurou com os olhos flamejantes o homem de capuz.

“Você… você…. ainda está vivo… seu maldito assassino!!!”

Klein reunindo forças inexistentes e tentou golpeá-lo com a mão, entretanto, a bota do homem foi mais rápida e o repeliu dolorosamente, jogando o rapaz para o lado sem nenhum esforço.

Asuna, rangendo os dentes e sussurrou:

“Isso tudo foi… por vingança? Queria se vingar dos membros dos Progressores que destruíram a Laughing Coffin…?”

“…”

PoH baixou o olhar para Asuna e ficou em silêncio por alguns breves momentos.

A garota pode perceber os ombros daquele homem estremecerem ligeiramente.

Segundos depois, PoH não conseguiu mais se conter e explodiu.

Seu corpo se retorceu sob o manto enquanto rugia. Uma gargalhada descontrolada.

“HEHEHEHE HAHAHAHAHAHAHAHAHA!!! HWAAAHAHAHAHAHA!!!”

Depois da ação quase epilética e grotesca cessar, PoH apontou o dedo indicador direito e falou com a voz calma:

“Ah… hmmm, como se diz em japoneses mesmo?…”

Havia passado tanto tempo nos Estados Unidos que perdera parte do vocabulário, contudo, após pensar um pouco, estalou os dedos e continuou.

“Ah sim…!… Por acaso você é uma idiota? Hahaha simplesmente hilariante…”

O homem se inclinou, olhando bem de perto o rosto de Asuna com os olhos brilhando por debaixo do capuz.

“…Já que não percebeu ainda, lhe direi. A pessoa que secretamente deixou a informação da localização da guilda para os Progressores vazar e possibilitou a entrada deles na base escondida da Laughing Coffin…. fui eu.”

“Como é que… !?”

Asuna e Klein disseram ao mesmo tempo e até Agil que parecia mais morto do que vivo arregalou os olhos.

“Mas porque você… faria isso…?”

“Ah! Pela razão de sempre.

Naturalmente, queria ver um monte de gente estúpida se matando… porém, a razão principal foi provavelmente…

… Pois queria que todos se tornassem assassinos.

E estou me referindo aos ditos ‘heróis’ que ficavam dia a dia se achando, pensando no quão extraordinários eram. Contudo, foi uma tarefa que levou uma maldita eternidade…

Tive um trabalho enorme em sincronizar as ações de todos, desde o aviso para o pessoal da Laughing Coffin na última hora até ficar calculando as rotas de ataques que vocês pudessem tomar para que ninguém conseguisse fugir. Fiz ainda com que lutassem em um cenário especial.”

Então, foi por ESSE motivo que o levou a divulgar a informação?

Asuna estava estupefata, porém, continuou pensando.

Por essa mesma razão que os Progressores, que tinham vantagem de nível e equipamento, acabaram ficando inexplicavelmente em desvantagem, o que ocasionou a perda da vida de muitos.

E assim como a equipe dos Progressores, que conseguiam mudar o rumo de uma batalha graças aos esforços de Kirito, um jogador solo que contrariando todas as estatísticas, conseguia se destacar mais do que todos. O pessoal da guilda assassina dependia de seu líder.

Em vista disso, ele arquitetou todo um plano somente para…

“Então, era esse seu real… objetivo?”

Asuna sussurrou com a voz rouca.

“Fazer com que Kirito… carregasse o peso de matar um jogador…?”

SIIIIM!!! EXATAMENTE ISSO!!

PoH confirmou a pergunta da garota com a voz cheia de alegria e paixão viciada.

“Naquele instante, estava escondido assistindo ao espetáculo.

O ponto alto, quando o mestre Espadachim Negro enlouqueceu e matou duas pessoas, me encheu do mais puro sentimento de alegria. Ri tanto que quase saí de meu esconderijo.

De fato, o plano original era mais tarde caçar um por um de vocês, paralisá-los a fim de interrogá-los para saber como estavam se sentindo ao se tornarem aquilo que mais desprezavam…

Contudo, não esperava que o jogo terminasse no 75º andar.”

Por alguns instantes a raiva de Asuna a fez esquecer-se da dor de suas feridas.

“T-Tem ideia da angústia e sofrimento que Kirito passou desde que aquilo aconteceu?”

“Oh! É mesmo? Que ótimo, que maravilhoso saber…!”

A voz de PoH foi tão fria quanto gelo, criando contraste com a fúria fervente da garota.

“Contudo, estranho você dizer isso. Se ele realmente estava arrependido… e o que se espera de alguém nesse estado, jamais estaria disposto a procurar outro jogo VR, não é? A culpa pela vida que arrancou das pessoas o impediria.

Entretanto, sei que ele está aqui, posso senti-lo. Embora não saiba por que ficaria escondido dentro daquela carruagem com tudo que aconteceu por aqui… Eu me esforcei para garantir um tapete vermelho único para sua entrada…

Bom, seja lá como for, perguntarei pessoalmente.”

PoH sorriu de maneira amavel para Asuna que estava paralisada e sem palavras e então movimentou-se alegremente.

No meio de todos aquela voz gélida ressoou:

It’s shooow tiii-me!

Repetiu o bordão do tempo em que era membro ativo do grupo mais obscuro de SAO.

Ergueu a mão direita e apontou para frente.

E nesse mesmo instante, uma cadeira de rodas surgiu na sua presença, sendo empurrada por um dos soldados vermelhos, com uma menina de uniforme cinza sendo arrastada de maneira desesperada atrás.

“Ah…”

“Pare!!”

Tudo menos isso.

Asuna rezou, implorou do fundo do coração.

Klein, sem pensar, tentou saltar do chão, porém, foi imediatamente empurrado para baixo com o pé de alguém.

PoH se inclinou, observando a cadeira de rodas que tinha em sua frente.

“….Hummm…!?”

Com uma expressão surpresa, cutucou as finas pernas que mal cobria o assento da cadeira com sua bota.

“Mas o que é isso? Ei senhor Preto, levante daí! Está me ouvindo, grande Espadachim Negro?”

Mesmo sendo chamado pelo seu antigo apelido, Kirito não mostrou nenhuma reação.

Seu corpo estava enfiado em uma camisa negra, porém, não ocultava o fato de que estava tão magro que parecia prestes a se partir.

Estava apoiado só por causa do encosto da cadeira, mantendo sua cabeça pendida para frente.

Sua manga direita vazia ondulava com o vento quente e os ossos de sua mão esquerda, a qual segurava duas espadas, eram visíveis sob a pele fina.

Ronye correu para o lado de Asuna, com os olhos avermelhados de tanto chorar e sussurrou:

“O senhor Kirito… enquanto vocês estavam lutando, ficou tentando se levantar a todo momento… e só relaxou quando a batalha parou, parecendo perder todas as forças… contudo, lágrimas… lágrimas seguiam fluindo de seus olhos…”

“Ronye…”

Asuna estendeu a mão esquerda e juntou a pequena menina trêmula em um abraço compartilhado.

Depois, ergueu o rosto e gritou para PoH:

“Entendeu agora? Ele lutou, lutou e seguiu lutando até terminar gravemente ferido. É dessa forma que deseja enfrentá-lo? Deixe Kirito em paz!!!”

Contudo, pareceu que o homem não havia escutado o que Asuna tinha acabado de dizer e seguiu analisando o rosto de Kirito de uma distância muito próxima.

“Ei! Ei! Ei!!… Só pode estar brincando! Como vamos terminar nossos assuntos assim? Acorde de uma vez!! Levante-se!! Levanta, Bela Adormecida!! Bom  diaaaa!!!

PoH ergueu o pé esquerdo e chutou a roda prateada com força.

A cadeira foi derrubada com um estrondoso som metálico enquanto o frágil corpo dentro dela era arremessado ao longe, desabando pesadamente no chão.

Asuna e Klein tentaram se levantar ao mesmo tempo, porém, foram impedidos pelas espadas dos soldados. Agil gemeu cheio de raiva enquanto Lisbeth, Silica e Ronye choravam.

Entretanto, PoH não deu atenção à elas e apenas caminhou até Kirito o girando de barriga para cima com um pontapé nas costelas.

“Mas que diabos… está realmente fodido? O grande herói agora é só um bonequinho?”

Abaixou-se e pegou a empunhadura de uma das espadas da mão esquerda de Kirito que ainda as segurava com força e sacou-a de sua bainha.

O que viu foi apenas metade de uma lâmina partida ao meio.

PoH fez uma cara de incredulidade ao ver aquilo e quando estava prestes a jogar a espada fora…

“Ah… Ah…!…”

Kirito gemeu de maneira rouca e sua mão esquerda se ergueu impotente em direção à espada branca.

“Hã!? Resolveu se mover? É isso aqui que você quer?”

Sword Art Online Alicization Underworld Kirito e PoH - Awakening

PoH brincou com a ponta da espada como quem brinca com um  barbante em frente a um filhote de gato só para ver a reação do garoto e depois de alguns instantes, atirou a espada de lado.

Na sequência, agarrou com violência a mão estendida de Kirito e o ergueu do solo e depois voltou a jogá-lo no chão.

“Ei desgraçado, diga algo!!”

PoH deu uma bofetada no rosto de Kirito com sua própria mão esquerda.

A visão de Asuna se tingiu de vermelho com uma fúria incandescente. Porém, justo quando estava prestes a tentar se levantar novamente, Klein já havia berrado ao seu lado.

“Malditoooo!!! Não toque no Kirito, seu filho da putaaaa!!!”

O rapaz de cabelos vermelhos tentou acertar PoH, contudo, uma gigantesca espada foi enterrada em suas costas, cravando-o impiedosamente no chão.

De sua boca jorrou golfadas e mais golfadas de sangue, porém, ele ignorou o dano recebido e tratou de se levantar mais uma vez.

“Eu… jamais… irei… TE PERDOAAAR!!…”

“CRACK!!!”

Com um ruído quebradiço, uma segunda espada perfurou outro ponto das costas de Klein.

As lágrimas aumentaram o fluxo nos olhos de Asuna, como se o líquido estivesse levando também parte de sua alma, algo que poderia a deixar vazia antes daquele dia terminar…

***

Naquele instante, o medo no coração de Sinon era mais por sua incapacidade de voar livremente do que pela dor produzida pela perda da perna.

Antes, conseguia voar sem problemas como se estivesse caminhando em pleno ar, contudo, agora sem a perna esquerda e contando somente com a direita, tinha perdido muito do controle de voo, fazendo com que o mínimo descuido a fizesse girar caoticamente sem rumo sem conseguir também ganhar muita altitude.

“Urgh…!”

Sinon apertou os dentes, alternando os movimentos para única manobra que podia seguir realizando com certo balanceamento… voar de costas.

O sangue que se derramava da perna formava uma brilhante linha vermelha no ar.

Aumentou a distância entre ela e Subtilizer com a máxima velocidade que conseguia enquanto mirava o inimigo e disparava o terceiro tiro.

Porém, ele já havia se aproximado com extrema facilidade, com o rifle emitindo um brilho e disparando pela quarta vez no exato instante que ele puxara o gatilho.

As duas balas foram de encontro uma da outra, emitindo um ruído muito agudo e dissonante, produzindo faíscas no momento em que se tocaram de raspão, quando desviaram do objetivo e perderam-se na imensidão do céu.

Sinon de maneira cadenciada puxou o ferrolho para trás, descartou a capsula vazia e introduziu um novo projétil já efetuando seu quarto disparo.

Dois estrondos foram ouvidos ao mesmo tempo, sendo acompanhado de outro trovejante ruído advindo do colapso entre as duas munições se encontrando as quais explodiram em uma imensa massa de energia cricular.

Assim foi com o quinto e sexto tiro.

Não importava, o resultado inexoravelmente estava sendo igual.

Subtilizer obviamente estava coordenando seus movimentos de propósito, disparando no exato instante em que Sinon também disparava, fazendo com que os projéteis colidissem no ar sem parar.

Tal habilidade não podia existir em GGO, sem mencionar nesse mundo.

Contudo, aqui a imaginação era o preceito primordial. Então, Subtilizer não somente estava criando esse resultado intencionalmente como estava se divertindo com o fato.

Depois de um tempo, ao entender a mecânica, isso era algo relativamente simples. Até Sinon que recentemente havia se logado, tinha tomado ciência disso. Do contrário, um fenômeno extremamente bizarro como esse de dois projéteis supersônicos se encontrando em pleno ar de maneira interminável seria impossível de acontecer.

Mas havia um porém, para criar essas manifestações de maneira livre, a mente deveria estar extremamente confortável com essa ideia, do contrário, nenhuma barreira seria transposta.

Que é o caso das três ações de carregamento da arma de Sinon, que a obrigava puxar o ferrolho, apontar para o inimigo e por fim pressionar o gatilho. Era assim que o processo estava gravado na mente da garota, o que acabava por prendê-la.

O sétimo tiro soltou um intimidante rugido, se desviando em uma gigantesca curva para a esquerda após se chocar com o outro tiro, desvanecendo no ar.

Expulsar o cartucho.

Apontar.

… Click.

Quando o dedo de Sinon se retraiu, o gatilho emitiu um profundo som de click.

A capacidade de armazenagem do Hecate II era de sete projéteis e ela não tinha munição extra.

Ao contrário, a capacidade de armazenamento do Barrett XM500 era de dez.

Ou seja, ainda restavam mais dois tiros para ele.

Sinon podia ver claramente o frio sorriso surgindo no rosto de Subtilizer há mais de cem metros de distância.

Chamas surgiram violentamente de seu rifle.

Igual a sua perna esquerda, a direita de Sinon também explodiu em uma chuva de sangue, carne e ossos esfarelados.

Isto encerrava de vez a capacidade de voar em linha reta, fazendo-a girar e começar a descer lentamente.

Controlando o retrocesso do tiro, Subtilizer posicionou o olho direito contra a mira de sua arma e preparou o tiro final.

Esse olho semelhante a um cristal azul pareceu aumentar na lente ao mirar com precisão o coração de Sinon.

Sinto muito…

Eu sua mente, Sinon repetia:

Sinto muito Asuna. Sinto muito Yui. Sinto muito… Kirito.”

Após Sinon sussurrar mentalmente para ela mesma, o décimo disparo do XM500 voou em sua direção.

O projétil traçou uma espiral de fogo precisamente ao longo do caminho que a visão de Subtilizer havia previsto, demolindo a armadura azul de Sinon, incendiando as rendas de sua camisa e penetrando em seu corpo…

“BANG!!”

Faíscas voaram uma vez mais.

Sinon forçou seus olhos que quase haviam se fechados e ainda conseguiu visualizar a bala girando como uma perfuratriz se detendo em um simples e fino disco de prata.

Diretamente no centro das faíscas brancas, o resplendor brilhante desse metal de apenas dois milímetros de espessura se opunha por sua própria força de vontade ao impacto feroz.

Mesmo sendo um objeto, tinha sido como se ele tivesse deliberadamente se deslocado para receber o tiro.

No mesmo instante, as lágrimas de Sinon escorreram por seu rosto.

“Eu sei… não posso me render.

Não podia se render jamais.

Tinha que acreditar.

Crer nela mesma.

Crer no Hecate e também… acreditar nos sentimentos desse garoto ao qual pertencia a peça de metal.

Sinon ergueu de maneira firme o Hecate, colocando o dedo indicador no gatilho.

Mesmo que a arma acabasse se transformado em uma pistola com a força de sua imaginação, a propriedade inerente recebida pelo sistema não mudaria… isto é, o poder do Arco de Solus, a habilidade exclusiva de absorver automaticamente os recursos naturais ao redor e armazená-los em forma de poder massivo de ataque.

Ela seria capaz de atirar. Mesmo que não houvesse mais munição dentro do cartucho, o Hecate certamente responderia.

“Vaaaaaaaaaai- !!!”

Puxou o gatilho.

O que foi disparado não foi um projétil perfurante de metal e sim um raio de luz branca pura condensada, uma energia infinita explodindo em forma caleidoscópica da ponta do cano, cortando os céus.

O sorriso cínico sumiu imediatamente do rosto de Subtilizer.

E no instante em que tentou se mover para a direita com o intuito de esquivar, a luz acertou o Barrett diretamente.

Uma bola de fogo laranja começou a se expandir, devorando completamente Subtilizer…

Um estampido ensurdecedor.

Uma explosão avassaladora.

Sinon sentiu o deslocamento ardente de vento contra o rosto enquanto despencava como uma pedra rumo ao chão, onde segundos depois, chocou-se dolorosamente com as rochas logo abaixo.

Não tinha forças para se arrastar, muito menos voar.

A terrível dor dos desmembramentos dificultava manter a consciência ativa.

Mas mesmo com tudo isso, Sinon lutou para manter os olhos abertos, observando os resultados de seu último ataque.

E assim aguardou…

Logo, o vento dispersou a fumaça negra, levando tudo para longe.

E… no lugar do impacto… estava Subtilizer, ainda flutuando no ar.

Mas embora não tivesse perecido, não tinha saído ileso.

Sua mão direita tinha sido completamente arrancada pela explosão do rifle, com uma emanação negra fluindo dos ombros.

Acompanhando o dano, todo o lado direito de seu rosto, antes liso e intacto, estava totalmente carbonizado com jorros de sangue fresco fluindo sem parar de sua boca.

A determinação cruel e assassina por fim tinha se revelado na face daquele homem.

Venha desgraçado! Ainda não perdi. Vou ganhar de você não importa o que tente fazer.

Sinon voltou a concentrar toda sua atenção, juntando forças de sua própria existência enquanto tentava erguer o Hecate novamente.

Segundos depois, Subtilizer voltou seu olhar para o sul.

A criatura alada sob seus pés, parecendo receber uma ordem silenciosa, logo mudou sua direção e rumou para o sul, deixando para trás um rastro de líquido escuro misturado a uma nuvem de fumaça do mesmo espectro.

Sinon depositou lentamente o rifle no solo, pois somente mantê-lo em mãos convergia em um esforço terrível. No instante em que a arma tocou o chão, regressou a sua forma original, um arco branco.

A garota usou suas últimas forças para levantar as mãos e acariciar o colar em seu peito.

“…Kirito…”

Enquanto sussurrava, lágrimas deslizaram suavemente pelo rosto.

***

Leafa não podia perder tempo para ficar removendo as lâminas cravadas em seu corpo.

Todos os pontos atacados se transformaram em uma única sensação colossal de dor, as espadas perfuravam diretamente seus nervos e vísceras expostos.

Algumas de suas feridas eram claramente letais. E toda vez que se movimentava as duas espadas longas atravessadas em seu estômago laceravam seus órgãos internos, assim como a lâmina presente em seu peito a lembrava que estava trespassada em seu coração, .

Contudo, Leafa não parava de se mover.

“Ura… AAAAHHHHHH!!!”

Com uma enorme quantidade de sangue jorrando pela boca, seguia rugindo ferozmente enquanto ativava uma habilidade de espadas que já havia ativado talvez algumas dezenas, quem sabe centenas de vezes desde sua imersão neste mundo.

A katana Verduras Anima deslizou horizontalmente com um brilho esverdeado.

Após concentrar o poder por alguns instantes, um arco de luz expandiu-se ao seu redor e silenciosamente incontáveis corpos dos soldados inimigos foram mandados para o ar.

Nesse mesmo instante, vários oponentes aproveitaram a oportunidade entre o tempo de carregamento de sua próxima investida e se jogaram contra ela.

A garota saltou para trás no último segundo, porém, apesar de conseguir desviar da maioria dos ataques, uma alabarda gigantesca atravessou seu braço esquerdo, arrancando-o.

Sem dar-se tempo para sentir dor, tratou de pisar com força no solo na tentativa de estabilizar o equilíbrio de seu corpo que quase caía ao chão e…

“HAAAAAAAAHHH!!”

Com um giro praticamente automático, efetuou um poderoso corte horizontal, partindo os três homens ao meio em um instante.

Leafa recolheu seu braço do chão e o juntou no local da enorme ferida e em seguida bateu o pé direito no solo.

Flores e várias ervas surgiram com um clarão de luz esverdeada no local da pisada ficaram presentes por alguns instantes e depois desapareceram. Quando o efeito sumiu, sua saúde já havia sido restaurada e embora os traços das terríveis feridas ainda continuassem por um tempo mais longo, seu braço estava conectado de volta ao corpo.

A essa altura, a regeneração infinita concedida à superconta da Deusa Terraria já não podia ser chamada de uma bênção.

Maldição seria a palavra mais apropriada. Não importava quantas feridas sofresse ou quão forte fosse a agonia que experimentasse, ela nunca, jamais sucumbiria. Não era capaz de morrer… embora isso não significava que fosse invencível. Estava apenas fadada a sofrer uma tortura inimaginável por toda eternidade.

Mesmo sabendo disso, ela não se permitiria falhar.

A única coisa que a fazia continuar era a fé.

Se eu fosse meu irmão…

Ele nunca se renderia por somente essas feridas.

Desse modo, também não posso me dar por vencida por tão pouco. São somente três mil pessoas, não são páreo para mim, irei vencê-los um a um.

Isso porque eu… eu sou… do meu irmão… do Espadachim Negro Kirito… eu sou…

“…Sua irmã mais velhaaaaaa!!!”

Uma luz rubra disparou da ponta da katana.

ZOOMM!!

A lâmina irrompeu adiante com um som metálico como se fosse uma gigantesca lança iluminada, perfurando todos em seu caminho na distância de uns cem metros.

Um sem números de corpos dos inimigos se retorceram dilacerados e finalmente desapareceram.

“Unf… Uff!….!”

Puxando o ar pelas narinas com dificuldades e soltando pela boca junto com golfadas de sangue, Leafa teve a cabeça sacudida.

Sem tempo para reacionar, uma lança rugiu pelo ar e acertou diretamente seu olho esquerdo, atravessando o crânio e saindo do outro lado, na nuca.

A garota cambaleou para trás uns quantos passos porém… não caiu.

Ela agarrou o cabo da lança com a mão esquerda, pressionou com força até a haste partir, puxou a ponta restante em sua nuca, retirando dolorosamente o objeto de sua cabeça.

A sensação muito maior do que a dor explodiu em seu cérebro.

“URGH…. UURAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAGH!!!”

Ela gritou com toda força de seus pulmões enquanto batia violentamente seu pé no chão para recuperar seu HP. A temporariamente visão perdida na parte esquerda voltou ao normal com um pequeno estalo.

Rapidamente, deu uma olhada em volta e percebeu que após aquele golpe, havia aproximadamente cem inimigos em seu raio de ação.

Leafa sorriu mostrando os dentes como presas, apontou sua mão esquerda ensanguentada com a palma para cima e moveu-se.

Contra a legião que chegava como uma tormenta em sua direção, gritando desesperados, Leafa balançou a katana como um borrão.

WOOOSH!!

“Eeyah!!… AAAHHH!!”

A espada brilhou.

O sangue explodiu no ar enquanto Leafa se precipitava sem medo para dentro da formação inimiga desfeita.

Aproximadamente três minutos depois que o último inimigo em seu alcance caiu, o corpo da garota foi cravejado por aproximadamente dez lâminas de metal da nova onda de ataques que chegava em seguida.

Suas extremidades perderam toda a sensação enquanto cambaleava e caía para trás. Contudo, não chegou a tocar o chão, pois fora empalada e suspensa no ar por lanças e espadas.

Escutando Rirupirin e os outros gritando seu nome enquanto corriam até ela, Leafa fechou os olhos e sussurrou para si:

“Eu… fiz o que pude… certo… maninho…?”

***

Enquanto Yanai, em um nível acima, adicionava força para apertar o gatilho, ao mesmo tempo, um grito nervoso rugia no fone esquerdo de Higa.

“Higa, desvie!!!”

“Hã!?”

Desviar do quê? Da bala?

Enquanto sua mente esculpia esse pensamento, Higa ouviu o som de algo despencando do alto da escadaria acima deles.

CLANG!!

Não era o som do estampido de uma arma de fogo e sim de algum objeto caindo da abertura do duto diretamente para cima deles.

Os olhos de Yanai se arregalaram quando viraram para cima. Sua mão esquerda, que estava segurando na escada, imediatamente resvalou.

“Ei… espera…!!”

Higa, automaticamente, se encolheu ao máximo contra a escada esquecendo-se da dor no ombro por alguns instantes e ficou colado à parede de cabos o quanto podia.

Uma chave enorme de boca que se perguntou para que servia, acertou em cheio o pesquisador armado.

Logo, uma pequena pistola cruzou sua visão seguida do corpo inconsciente de Yanai que se apoiou sobre o pesquisador.

“Hã… hããããã!!!”

Os ombros de Higa inconscientemente se contraíram ao receber a carga do homem desacordado sobre ele, se afundando mais ainda contra a parede do duto.

O corpo de Yanai foi deslizando lentamente para baixo, aumentando a dor de Higa, escorrendo em seu suor e sangue até que…

“…Ah…!”

Quando Higa gemeu, Yanai por fim se desprendeu de si e caiu no buraco cinquenta metros abaixo.

Vários estrondos foram ouvidos conforme o corpo do homem ia se chocando contra a escada e a parede do duto até finalizar em um grande estampido ao aterrissar no fundo.

“….Hmm…”

Será que tinha morrido?

Não, provavelmente não. Com sorte tinha quebrado uns dois ou três ossos… ok… certamente uns seis…

Enquanto a consciência entorpecida de Higa ficava cogitando o que poderia ter acontecido, ouviu um grito vibrando em seu ouvido, interrompendo seus pensamentos e trazendo-o de volta a realidade.

“Higa! Ei Higa!! Está tudo bem? Me responda!!”

“… Ah!! Não… é … que dizer… sim… Na verdade estou surpreso de saber que você pode passar tanta emoção na voz, doutora… e…”

“Como é que é…!? Do que está falando em um momento como este? Bateu a cabeça ou algo assim? Está ferido? Ele atirou em você?”

“Hum… bem…”

Higa olhou a ferida no ombro direito.

A quantidade de sangue que estava perdendo era algo alarmante. Sua mão direita já havia perdido toda a sensação de tato e agora estava sentindo um frio intenso percorrer o corpo. Até os pensamentos já não estavam tão rápidos quanto o de costume.

Contudo, Higa respirou fundo e depois de se concentrar buscando forças, disse o mais normal que conseguiu:

“Não, estou perfeitamente bem! Só tive um arranhão. Continuarei com a missão. Por favor, regresse aos monitores e acompanhe a situação de Kirito, senhorita Rinko.”

“Está realmente bem? … Certo, vou acreditar no que diz. Mas se estiver me enganando, não vou te perdoar, hein?”

“Certo… confie em mim…!”

Higa ergueu a cabeça e cuidadosamente deu um pequeno tchauzinho para Rinko que estava com a cabeça enfiada na abertura do duto dezenas de metros acima.

Com a distância aliada a iluminação precária, se tornava difícil o vislumbre se ele estava ferido ou não.

“Tudo bem… voltarei ao controle e assim que a imagem mudar retornarei aqui. Boa sorte, Higa!”

No momento em que a silhueta da doutora estava prestes a sumir da escotilha, Higa não resistiu em chamar-lhe de volta em tom baixo.

“Ah… senhoria Rinko…”

“O que houve? Algum problema?”

“N-Não… nada é que… que…”

Sabe? Na Universidade, não somente o senhor Kayaba e aquele bostinha do Sugou estavam de olho em você… eu também estava…”

Higa queria dizer isso, mas teve receio de que se exaltasse, aquilo poderia diminuir sua determinação.. ainda mais se falasse algo errado, portanto…

“Bem… será que depois disso tudo ter se resolvido, você gostaria de sair para comer algo junto comigo?”

“Entendido! Vou te levar para comer em algumas hamburguerias, churrascarias ou o que seja, só termine isso aí, ok? Boa sorte!”

Depois de Rinko sumir de vista, Higa pensou:

…Ela realmente não entendeu…

Pensou que poderia ter escolhido melhor suas últimas palavras, mas agora já era tarde. Talvez nem fizesse diferença.

Higa sorriu dolorosamente enquanto voltava sua atenção à tela do notebook em sua trêmula mão esquerda.

Devido aos seus dedos adormecidos, começou a digitar com muito cuidado os comandos necessários.

STL #3… Conectado… #4, #5 e #6… Conectado.

Possivelmente devido à imensa perda de sangue, as palavras na frente dos olhos de Higa começaram a se duplicar.

O rapaz sacudiu a cabeça e sussurrou:

“Muito bem, Kirito, está quase na hora de acordar…”

***

Através de uma cortina de lágrimas, Asuna observava a figura de seu amado, suplicando à ele.

Por favor, Kirito! Darei tudo que estiver ao meu alcance, meu coração, minha vida, tudo… mas, por favor, acorde!! Kirito.

***

Kirito…!

***

Maninho!

***

“…É agora… Kirito… Levante-se!”

 

Parte 5

 

Kirito.

Alguém parecia estar me chamando…

Acordei de meu leve cochilo.

Abri meus olhos e vi várias partículas minúsculas flutuando através da luz alaranjada.

Minha visão estava um pouco borrada e demorou um pouco para focar.

Uma tela branca se movimentando… cortinas…?

Um marco prateado na volta… vidros meio antiquados.

Uma pequena folhagem depositada na janela, se movendo ao vento. E lá fora, o rastro de um avião atravessando lentamente o céu tingido de vermelho… o pôr do sol.

Respirei profundamente o ar cheio de nostalgia e pó e por fim, ergui o torso e me vi de uniforme escolar do ensino fundamental sentado atrás de uma carteira de cor escura.

Um som de algo riscando, provavelmente giz branco riscando as últimas palavras na lousa.

“… Hum, Kirigaya?”

Escutei alguém me chamando novamente, mas dessa vez pelo sobrenome. Me virei para olhar e dei de cara com os olhos de outra estudante me observando com a expressão tímida, porém, um tanto desanimada ao mesmo tempo.

“Estou arrumando a sala e gostaria de mover essa mesa.”

Ao que parecia, tinha dormido durante alguma reunião de classe mais uma vez e agora era hora de limpar tudo e arrumar para o próximo dia.

“Oh! Sim, desculpe!”

Falei baixinho enquanto me levantava e pegava a mochila no gancho ao lado da mesa com um dedo e a colocava embaixo do braço.

Sentia minha cabeça pesar como chumbo.

Parecia a fadiga depois de terminar um serviço muito pesado e longo… algo extremamente extenuante. Não conseguia me lembrar de nada sobre algo assim, contudo, restos de incontáveis emoções permaneciam no meu inconsciente.

Sacudi a cabeça com força.

Desviei o olhar de minha colega de classe que agora me olhava de maneira estranha e dei um passo em direção à porta de saída, sussurrando:

“Que sonho… estranho…”

Sword Art Online Alicization Underworld Kirito - Awakening

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

OLÁ PESSOAS!

CHEGAMOOOOOOSS!! ÚLTIMO CAPÍTULO DO VOLUME 17.

AÍ ESTÁ!

DEMOROU? CLARO QUE SIM!

FOI RUIM ESPERAR? COM TODA A CERTEZA!

ME XINGARAM? GARANTO QUE UMAS MIL VEZES

MAAAAAAASSS…

O CAPÍTULO FOI BOM?… HEIN? HEIN? HEIN?

FOI O QUE EXPLIQUEI LÁ NA PÁGINA DO FACEBOOK, ESTOU COM UM PROBLEMÃO GIGANTE COM MINHA MÃO, ELA ESTÁ HOSPITALIZADA E SEM PREVISÃO DE ALTA NESTE ANO E ISSO BAGUNÇOU ABSURDAMENTE MINHA ROTINA.

FILHO, ESPOSA, IRMÃ E MÃE, É MUITA GENTE PARA GERENCIAR MINHAS CARAS PESSOAS.

E TAMBÉM COMO FALEI UNS POSTS ATRÁS, TRADUZIR EU CONSIGO EM QUALQUER LUGAR (rolando até pelo celular), AS IMAGENS É QUE ME CONSOMEM UM SENHOR TEMPO.

E FOI POR CAUSA DESSAS QUERIDONAS AÍ QUE ATRASOU O CAPÍTULO, ERAM 6 QUE TINHA QUE AJUSTAR E TAL.

MAS ENFIM, É A VIDA E VOU CONTINUAR OS TRABALHOS JÁ QUE O VOLUME 18 ESTÁ AÍ.

AGRADEÇO A TODAS AS MENSAGENS PREOCUPADAS E DE APOIO QUE RECEBI NESSE TEMPINHO EM QUE NÃO POSTEI. 

ESTOU AQUI, PODEM FICAR TRANQUILINHOS, SE UM DIA TIVER QUE ABANDONAR A QUEST, FAREI DE FORMA ÉPICA E AVISO TODOS HEHEHE.

E ERA ISSO, BORA VER O QUE ROLOU NESSA DILIÇA.

ACONTECERAM TANTAS COISAS NESSE CAPÍTULO QUE GARANTO QUE LERAM DE FORMA ACELERADA.

O PoH FAZENDO TODO MUNDO ODIAR O CARA AINDA MAIS.

AS MULHERES DA VIDA DE KIRITO TODAS EM UNÍSSONO CHAMANDO PELO CARA.

ASUNA SE SEGURANDO COMO PODE.

SINONONON PERNETINHA TADINHA.

LEAFA-CHAN NO ESPETINHO, NHAM!!

OS AMIGOS DO KIRITOSO MITANDO (mesmo que tenham ficado estropiados. O que foi aquilo com o pobre Agil? Nossa, isso com toda a certeza nem vai para a animação. Curti o Klein, esse nunca me decepciona)

O POBRE HIGA NO MELHOR ESTILO FRIENDZONE (menção honrosa para o Yanai, finalmente esse personagem whatever saiu das páginas).

SORTILIENA BOTANDO O… A… ESPADA NA MESA E MOSTRANDO QUE É VAI PARA A PORRADA SEM PENSAR (ok, ela recuou, mas a atitude é que contou).

ENFIM… O REKI DEIXOU TUDO PARA O ÚLTIMO VOLUME MAS…

MAS…..

MAAAAAASSSSS…..

O DESGRAMADO ACORDOU!!!

WAKE-UP SENHOR PRETINHO!!!

ME TIROU UM PESO, ESTAVA ANGUSTIADO POIS ESTOU MAIS DE ANO TRADUZINDO E ESSE MALUCO NÃO SURGIA NAS PÁGINAS.

A ESPERA ACABOU E O PRÓXIMO É O LASTING!!! (hahaha aaah! trocadilho maroto 😉 )

 

FORTE ABRAÇO E ATÉ O PRÓXIMO VOLUME!!

 

 

==== SETOR DA DOAÇÃO ====

Resolvi deixar o canto da doação, pois ainda tenho a hospedagem e tal.

Se alguém quiser dar uma força, ok, se não puder, ok também. Sem problemas minhas pessoas 🙂

 

Valeu pessoas e forte abraço!

 


 

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Estamos também traduzindo Sword Art Online Progressive, não deixem de ler.

Musiquinha sad para fechar o volume.