Sword Art Online Alicization – Awakening – Capítulo 21 – Parte 3.2

Arco: Sword Art Online Alicization Underword – Awakening

Sword Art Online Alicization - Sinon - Solus

Parte 3

Higa escutou o tiroteio proveniente do outro lado do eixo principal enquanto descia as escadas o mais rápido que suas pernas e braços podiam aguentar.

Finalmente, chegou à frente da caixa de controle iluminada parcialmente pela luz alaranjada e sem demora abriu sua tampa.

Dentro, se deparou com uma quantidade imensa de um emaranhado de cabos de redes de fibra óptica conectados ao painel central, motivo que lhe causou certo desânimo.

Contudo, não podia esmorecer e desse modo, começou a empurrar os cabos de lado até finalmente encontrar o acesso ao duto por onde passavam os mantimentos.

O momento crucial tinha chegado.

Encheu os pulmões de ar para acalmar seus pensamentos, puxou um cabo e o notebook de sua mochila. Conectou-o agilmente ao equipamento previamente ligado e já iniciou o programa de controle dos STLs rezando mentalmente para que tudo funcionasse enquanto esperava o resultado.

Uma janela de terminal totalmente negra se abriu e um cursor começou a piscar aguardando o recebimento dos dados.

Instantes que pareceram uma eternidade depois, o cursor finalmente se moveu, correndo para a direita e uma mensagem surgiu.

“STL#3, conectando…….. OK.

STL#4, conectando……. OK.”

Como esperado, o primeiro grupo a reportar os sinais foi o das unidades dentro da sala de STL Nº 2, que estava ao lado da sala secundária de controle.

Contudo, logo as conexões por satélite do Ocean Turtle com a filial de Roppongi, os STL #5 e STL #6, também foram estabelecidas.

“…Isso!!”

Higa sussurrou aliviado.

Agora ele era capaz de operar as quatro unidades STL que Kirigaya Kazuto e as três garotas estavam usando sem nenhuma restrição.

Lamentavelmente, só era possível atuar sobre a sala do STL Nº2 e a conexão via satélite da sala principal de controle, sem poder fazer nada com as unidades dentro do STL Nº1. Se tivesse esse acesso, conseguiria expulsar os invasores que ingressaram em Underworld.

Contudo, esse tipo de pensamento não era de nenhuma valia nesse instante.

Então, afastando essas possibilidades turbulentas de si, Higa começou a correr a mão velozmente sobre o teclado, se preparando para a grande operação que tinha que realizar.

Mãos à obra!!

E justo quando ia iniciar os procedimentos, um som ensurdecedor veio de suas costas.

“.. P-PARE!!!”

Era a voz esganiçada de Yanai.

Mas que diabos ele estava fazendo em um momento como esse?

Higa, irritado, retirou os olhos da tela, porém, ao virar deu de cara com o cano de uma arma brilhando entre um negro azulado a menos de três metros de distância de seu rosto.

E atrás da arma estava Yanai, olhando-o de maneira furiosa com suas órbitas dilatadas enquanto voltava a gritar.

“AFASTE SUAS MÃOS DESSE COMPUTADOR OU EU ATIRO!”

“… O quê?”

Ficou sem reação por meio segundo.

Higa logo compreendeu a situação e começou a especular qual era a razão que levou Yanai a fazer aquilo.

O tempo todo era ele…!

Yanai era o espião infiltrado. Era quem tinha vazado toda a informação sobre o Projeto Alicization para os norte americanos.

Porém, infelizmente naquele instante, Higa era incapaz de revidar. A única coisa que podia fazer era tentar ganhar tempo usando sua maior arma… a boca grande.

Sem pensar muito, articulou a primeira pergunta que lhe veio à mente.

“…Senhor Yanai, porque…?”

Coberto por um suor frio, a testa do técnico brilhava a pouca luz.

Seus lábios tremeram um pouco, mas logo respondeu com a voz tremida.

“A-Antes de mais nada, não confunda as coisas…

Não pense que eu sou um traidor.”

Como assim ‘-não pense que sou um traidor’ ? Está com uma arma para a minha cara… é claro que é um traidor!!”

Como que estivesse escutado os pensamentos de Higa, Yanai continuou:

“Só estou seguindo o plano original, herdando a missão final do meu chefe…

É por isso que me infiltrei no RATH.”

“Missão final do teu chefe? Do que está falando?”

Higa perguntou automaticamente.

Yanai afastou uma mecha de cabelo da frente dos olhos com a mão esquerda e respondeu com um sorriso quase insano.

“Alguém que você conhece muito bem… o Senhor Sugou.”

“Sug-…!?”

O quêêêêêêêêêê!!!?

O assombro que Higa sofreu fora mais impactante do que quando viu a arma em sua direção.

Seus olhos quase saltaram do rosto.

Sugou Nobuyuki.

Um homem que trabalhou nos laboratórios Shigemura da Universidade Técnica Touto durante o mesmo período em que Higa, Koujiro Rinko e Kayaba Akihiko. Sempre fora competitivo com Kayaba, o super gênio, porém, no final jamais foi capaz de superá-lo.

Talvez tenha sido esse o motivo ou não que o levou a ir tão longe ao ponto de cometer tantos crimes como sequestrar os jogadores de SAO para usá-los como experimentos humanos ilegais.

E graças às ações de Kirigaya Kazuto, o plano de Sugou acabou sendo exposto e sua carreira fora interrompida.

Após ser preso, foi levado a juízo, onde foi condenado já na primeira instância. Embora muitos pontos obscuros ainda encontram-se em discussão dentro dos trâmites da Suprema Corte de Tóquio.

“… Ele só foi preso, e ao contrário dos outros, continua vivo.”

Higa sussurrou enquanto Yanai ria descontroladamente.

“Que diferença faz? Ficará encarcerado por no mínimo dez anos. Para um pesquisador, isso é o mesmo que a morte.

Quase que me pegam também, porém, consegui colocar toda a culpa em outro cara e eventualmente consegui me safar.”

“Então você… estava mesmo participando dos experimentos humanos de Sugou?”

“Participando?… Hahahaha!

Não apenas isso, pois eu mesmo que reuni todos os dados, era meu pequeno projeto.

Foi uma curta, porém, divertidíssima pesquisa. Algo como o jogo de tentáculo virtual e essas coisas… sabe? ”

Porque que o Tenente Coronel Kikuoka não verificou o histórico criminal de um sujeito como esse?” – Pensou Higa enquanto sua respiração ia acelerando.

De súbito, soube que não tinha como culpar inteiramente Kikuoka…

A razão era que o RATH tinha que produzir um produto original ‘made in Japão’ que rivalizasse com as bases das tecnologias de defesas já dominadas por quase todos os Estados Unidos. Em outras palavras, uma tentativa dessas certamente atrairia a atenção de fabricantes como a Zaibatsu e outras empresas especializadas em defesa.

Por esse motivo, era extremamente difícil encontrar e contratar técnicos especializados.

Quase ninguém estava disposto a largar grandes companhias para vir trabalhar aqui. Desse modo, não era estranho que dessem boas-vindas a pessoas como Yanai, que inclusive, já tinha experiência em ter trabalhado em companhias de pesquisa FullDive como a RECT.

Yanai parecia estar divagando, afundado em nostalgia em pé na frente de Higa. Contudo, ele rapidamente pareceu acordar e apontou a arma com mais afinco.

A trava de segurança do coldre da arma já havia sido liberada em sua cintura do lado esquerdo.

Como medida protocolar de segurança, Kikuoka havia obrigado todos os trabalhadores na instalação a passar por treinamentos com armas de fogo, e ironicamente, o que antes ele tinha achado besteira inicialmente, agora o agradecia por sua paranoia.

Felizmente, Yanai parecia ainda ter alguns probleminhas para resolver. Sua estabilidade mental não parecia ser muito confiável, pois quanto mais forte segurava a arma mais ele tremia e permanecia a tagarelar.

“…E no fim, a vida e a carreira do meu chefe foram destruídas, entretanto, suas conexões ainda seguem intactas e funcionais. Por isso, se não as usar apropriadamente, acabarei desperdiçando anos de esforços.”

“Conexões…? Onde?”

Higa perguntou automaticamente outra vez.

Yanai pareceu ponderar por alguns instantes, mas acabou sorrindo e respondeu:

“Estou falando da Agência de Segurança dos Estados Unidos, ora essa!”

“O-O q-que disse!?”

Higa mostrou uma expressão muito surpresa, contudo, ele já esperava por algo assim.

Suas atividades, incluindo espionagem e vigilância das telecomunicações conduzidas no Japão pela Agência de Segurança Nacional dos EUA, já era um segredo aberto, então eles estavam naturalmente desinteressados na liderança mundial do Japão com relação à tecnologia FullDive.

Seu foco estava em outra coisa mais importante e com certeza mais rentável, sendo motivo suficiente para justificar o custeio de uma operação maior.

Com intuito de obter informações sobre o Projeto Alicization de Yanai, o subordinado de Sugou, a NSA chegou ao extremo de pedir emprestado um submarino da Marinha para roubar A.L.I.C.E..

E Yanai não parou por aí, seguiu alardeando suas próprias conquistas sem um pingo de culpa.

“…Se esses estadunidenses que estão aqui abaixo da gente puderem entregar com sucesso a A.L.I.C.E., receberei um pagamento bem considerável e uma posição na América bem confortável, digna de uma pessoa como eu. Esse é o case de sucesso que o senhor Sugou sempre sonhou.”

E o preço a ser pago por nós é que teremos que tremer sob a sombra das armas autômatas de alto rendimento que os Estados Unidos desenvolverão se eles pegarem o que quer seu idiota!

Higa resistiu desesperadamente à vontade de retrucar aquelas palavras.

Não sabendo bem o motivo, tentava extrair toda a informação que pudesse enquanto procurava uma chance de escapar.

Espero que consiga sacar o que está acontecendo aqui, Rinko!

E no instante em que Higa implorava mentalmente por alguma ajuda, o notebook que carregava quase caiu de sua mão esquerda suada, o que fez com que instintivamente se movesse para agarrá-lo.

“A-Alto!!”

E seguido a esse grito desafinado de Yanai, Higa viu o cano da arma diretamente apontado para ele enquanto o pesquisador espião puxava o gatilho por puro reflexo.

Um raio de luz amarela clareou todo o local, aturdindo-o fortemente com o estampido capaz de fazer sangrar os ouvidos.

As faíscas explodiram na parede metálica do duto…

Um poderoso impacto golpeou o ombro direito de Higa.

“Aah!?”

Higa gritou surpreso enquanto tentava não cair escada abaixo.

Sword Art Online Alicization - Ocean Turtle

***

Sinon observava com dificuldade aqueles olhos azuis, os quais estavam pertos o suficiente para poder tocá-los com as mãos. Neles, havia redemoinhos furiosos girando como se fossem dois buracos negros.

A sensação era como estar sonhando.

Tinha que fazer algo, porém, já que parecia estar de fato dentro de um sonho, qualquer movimento era pesado, lento e ineficiente, contudo, percebia que na verdade não estava fazendo movimento algum.

Tudo que achava estar fazendo acabava por virar  um ciclo de ilusões sem fim sendo.

Dedos tão frios como gelo acariciaram seu pescoço.

Uma repugnância e terror intensos eclodiram dentro de seu coração, mas até mesmo esses sentimentos foram sugados rapidamente de sua consciência, dando lugar a um vazio cinza.

NÃO!

Isto já não era mais um evento imaginário sendo reproduzido em um espaço virtual.

A compreensão da situação piscou na borda de sua consciência como um alarme, um clarão vermelho. Tratou de concentrar-se naquilo, porém, um líquido viscoso, pegajoso e negro já havia alcançado a altura de sua cintura sem que se desse conta.

Não havia escapatória, era inútil resistir.

O rosto do homem chegou mais e mais perto. Seus finos lábios se separaram, começando a filtrar, engolir o ar. Sorvendo nesse ato suas emoções, pensamentos e inclusive sua alma.

Pare!

Não posso deixar que isso aconteça.

Até essas suplicas foram roubadas de imediato, deixando um intumescimento no lugar.

“Pa… re…!”

Os lábios do homem lenta e gradativamente se aproximaram da boca trêmula de Sinon…

… … …

“CRACK!”

Um impacto devolveu repentinamente a consciência de Sinon.

Ao abrir os olhos, viu intensas faíscas prateadas espalharem-se do colar que usava.

Está queimando!

Instantaneamente, uma sensação ardente como um choque elétrico superou toda a intensa pressão de absorção daquele homem.

Sinon clareou sua consciência tão rápido como se estivesse puxado o gatilho e sem pensar, lançou seu peso contra os braços do homem, conseguindo escapar daquele abraço mortal.

Usou a habilidade de voo de Solus para ampliar consideravelmente a distância entre eles.

“…Ugh!”

Ofegante, levou a mão direita para dentro de sua camisa e retirou um objeto que continuamente lançava as faíscas.

Era um pingente metálico iluminado pendurado em uma corrente fina. Um disco com cerca de 1,5 centímetros de diâmetro com um orifício por onde passava a fina corrente.

“P-Porque isso… está aqui!?”

Sinon sussurrou atônita.

Era o colar que Asada Shino sempre mantinha consigo em volta do pescoço no mundo real.

Um objeto ordinário, nada valioso. A corrente era de aço cirúrgico inoxidável e o disco não passava de uma simples peça de alumínio prateado comum.

Porém, para Sinon, aquilo significava muito.

No final do ano passado, ela se viu envolvida no incidente do Death Gun.

Um de seus companheiros de aula, que era membro de um grupo criminoso, a havia atacado com uma pistola de alta pressão cheia do veneno succinylcholine, e Kirigaya Kazuto – Kirito – chegou na hora e a protegeu com seu corpo, acabando por receber o disparo direto no peito.

Ele tinha sido capaz de evitar que o veneno mortal entrasse em sua corrente sanguínea só porque tinha esquecido-se de retirar um eletrodo do eletrocardiograma de si.

Após esse incidente, Sinon achou o eletrodo caído no chão de sua casa. Então, cortou o adesivo e transformou o disco metálico em um pingente.

Esteve usando esse objeto em segredo em forma de um colar caseiro por todo esse tempo e nem sequer disse para Kirito ou Asuna.

Ela fez a imersão com todos seus objetos em suas roupas na filial do RATH em Roppongi pois não houve tempo do técnico Hiraki de retirá-los enquanto a preparava. Com certeza, na pressa ele nem sequer notou.

Entretanto, ainda era impossível de acreditar que aquele colar tivesse sido materializado dentro de Underworld.

Contudo...”

Kirito disse no Dicey Café: ‘– o mundo virtual criado pelo STL não consiste simplesmente de objetos poligonais’.

Falou que era uma realidade distinta criada através das recordações e da imaginação.

Sendo assim, este colar deve ter sido criado mediante a própria imaginação de Sinon.

A garota tocou levemente o pingente com seus lábios e o colocou novamente dentro de suas roupas.

Em seguida, direcionou sua consciência recém-restaurada para a criatura negra e alada que flutuava nos céus à distância.

Subtilizer de pé nas costas do animal olhava sua própria mão direita em silêncio.

Sinon conseguiu notar pequenos focos de fumaça branca saindo da ponta dos dedos do homem.

Apartando a atenção dos dedos para focar os olhos da garota, Subtilizer ergueu a sobrancelha direita e os cantos de sua boca se torceram mostrando sinais de insatisfação.

Sinon, finalmente vendo o rosto dele sem sentir nenhum efeito colateral, falou:

“Você não é um deus e muito menos um demônio…

É apenas um ser humano.”

Inegavelmente, Subtilizer era extremamente forte.

Muito provável que possuísse uma imaginação insanamente poderosa já que havia conseguido interferir diretamente na consciência de Sinon… em outras palavras, em seu Fluctlight.

Porém, se estamos falando de imaginação e concentração, não existe maneira de eu perder para você.

Sua confiança se devia a força absoluta de um sniper.

Sinon agarrou o equipamento da superconta Solus com ambas as mãos, o arco Annihilate Ray e o trouxe para frente dos olhos.

Instantes depois, o centro do arco branco começou a adquirir uma tonalidade negra mesclada com azul escuro.

Enquanto a cor se espalhava, o corpo do objeto levemente curvado do arco começou a transformar-se e ficar extremamente reto.

Virou um cilindro comprido, brilhando com espectro escuro quase preto. Agora, já era possível identificá-lo como o corpo de uma arma de fogo.

O cão, o ferrolho, a culatra foram um a um aparecendo e finalmente uma mira gigantesca surgiu para completar a aparência da arma, terminando a materialização.

Nessa hora, Sinon já não segurava mais um arco elegante.

Em seu lugar, um rifle de sniper tremendamente poderoso de calibre .50, tão agressivo como indescritivelmente lindo: Ultima Ratio Hecate II.

Com um som agudo, Sinon moveu o ferrolho de seu amado companheiro com um grande sorriso ameaçador.

A ponta do nariz de Subtilizer enrugou ligeiramente e seus lábios agora não mostravam mais insatisfação mas sim uma grande ira.

Sword Art Online Alicization - Sinon - Gabriel

***

É o que poderia ser chamada de uma luta curta, pois durou mais ou menos sete minutos.

Depois, veio três minutos de uma tentativa de defesa e logo a situação se tornou apenas um massacre unilateral.

“Defendam-se a todo custo!!… Não importa como, temos que proteger as pessoas de Underworld…!!”

Asuna gritou com todas suas forças, brandindo a rapier na vanguarda, ignorando a dor contínua e crescente que latejava em seu cérebro como um martelo em brasa.

Contudo, mesmo tendo dito isso, não recebeu uma resposta empolgada e unificada, sendo mais específico, não houve resposta alguma.

A sua volta, um por um, os jogadores japoneses com suas contas convertidas, sendo identificados pelos equipamentos multicoloridos e ricamente adornados, iam sendo rodeados pelos jogadores com as armaduras rubras dos países vizinhos e sistematicamente perfurados por lanças e espadas, se enchendo de buracos e cortes horrendos.

Rugidos de fúria, gritos de dor e gemidos estridentes ressoavam ante a morte sem fim.

Comparado com esses ataques, as técnicas rudimentares e mal executadas dos americanos tinham sido muito mais fácil de lidar.

Talvez fosse porque esse enorme exército que surgiu fosse dos países vizinhos, acostumados com as imersões, ou quem sabe pelo ódio anormalmente exacerbado que emanava de cada um, pareciam ignorar completamente as iniciativas do pequeno contingente que tentava se defender. A impressão é que a única coisa que estava rondando seus pensamentos era o desejo ardente de aniquilação.

Seus ataques eram ferozes, vindo de todas as direções possíveis, muitos deles ordenados e sincronizados com o único objetivo de arrancar a vida dos corpos de seus oponentes.

Qualquer tática que fosse colocada em prática, em um cenário como esse, tornava-se totalmente ineficaz, ainda mais quando o exército atacante tinha uma superioridade numérica tão grande e uma moral tão elevada.

A formação defensiva circular composta pelos dois mil jogadores estava sendo corroída diante dos olhos, se tornando cada vez mais fina a cada segundo.

Usando sua espada, Asuna atacava e corria desesperadamente através dos intermináveis soldados inimigos que se arremetiam sem parar para cima dela.

Essa era a primeira vez que suplicava de maneira tão aflita no recanto mais profundo de seu coração desde que tinha iniciado a sessão em Underworld na noite passada.

Por favor, salve-nos!!

***

E nessa batalha desesperada, um dos poucos pelotões que ainda seguia valorosamente e de maneira persistente sua luta sem recuar, era a equipe verde dos espadachins liderados pela jogadora Sakuya, que ocupava o posto de Lorde Sylph em Alfheim Online.

A raça Sylph era inerentemente experiente em lutar com ataques cooperativos de altíssima velocidade. Este era o tipo ideal de estratégia de batalha na luta contra a raça dos Salamanders, os quais se lançavam ao ataque com jogadores fortemente armados. Por esse motivo, conseguiam se manter e até conseguir algum resultado positivo em uma guerra como esta.

Os espadachins com armas leves se movimentavam absurdamente rápido, atacando e protegendo uns aos outros, o que fazia com que o inimigo não conseguisse eleger um objetivo como alvo por muito tempo, acabando por serem derrubados antes que conseguissem modificar e adaptar suas táticas.

“Maravilhoso, vamos abrir outro buraco em suas defesas! Equipe Rindou, Equipe Suzuran, pressionem a linha de frente deles no lado direito!!”

Sakuya pessoalmente se posicionou na dianteira, brandindo sua fina katana, apontando para todas as direções enquanto gritava ordens.

Nesse momento, estava reunindo-se com a equipe dos Salamanders, que atuavam no flanco direito, para emprestar seu poder de assalto com o intuito de romper a imensa formação inimiga com um único ataque combinado.

Logrando êxito nesse movimento, permitiria que as tropas de reforço conseguissem escapar para o caminho das ruínas antigas onde teriam novamente a vantagem de campo, limitando o alcance inimigo, uma vez que haviam abandonado os telhados.

Nesse cenário, conseguiriam ir reduzindo gradativamente o número astronômico de oponentes, igual como fizeram com os americanos.

“Avancem!! Preparem a Synchro Sword Skill!! Ao meu sinal… 5, 4, 3…”

E no instante em que Sakuya estava a ponto de dar a ordem…

Um grito estridente de dor chegou do lado esquerdo do campo de batalha que estava conseguindo até agora se manter.

“Não desistam!! Aguentem só mais um pouco!!”

E logo após dizer essa frase, ao olhar para o flanco esquerdo, Sakuya perdeu o ar dos pulmões.

Uma tropa de jogadores japoneses, com seus equipamentos baseados na cor amarela, estava a ponto de ser engolidos por um tsunami vermelho.

Na frente desses jogadores, uma diminuta silhueta, estirada ao solo mostrando suas garras metálicas.

“ALÍCIAAAA!!!”

Sakuya gritou.

Nesse mesmo instante, ela passou de uma calma e decidida comandante de tropas para voltar a ser uma simples estudante universitária.

“-PAAREEEEE!!!-”

Gritou, indo para a esquerda sem ao menos pensar.

Atacou, golpeando os inimigos que cruzavam a sua frente fazendo-os voar aos pedaços, concentrando-se unicamente no local onde estava sua melhor amiga, correndo sem parar.

Longas espadas e lanças atravessavam o peito e abdômen da Lord Cait Sith Alicia Rue, que quando deu-se por conta da aproximação de Sakuya, gritou enquanto jorrava sangue fresco de sua boca:

“N-Não venha!!… Sakuya… cuide de suas… tropas!!”

Com essas últimas palavras, as orelhas triangulares que sobressaiam de seus cabelos dourados, desapareceram no ar diante de Sakuya.

“A-Alicia…!”

Sakuya tentou gritar, mas sua voz praticamente não saiu.

Seu corpo se moveu automaticamente em uma investida violenta para cima dos inimigos que estavam prestes a dizimar a equipe Cait Sith.

Ativou de maneira ininterrupta as habilidades de sua espada, avançando a velocidades inacreditáveis por entre os corpos retalhados dos inimigos, fazendo o sangue e carne explodirem.

E quando estava há poucos metros de onde sua amiga tinha caído…

“SNIKT!!”

Com o som e o impacto contundentes, olhou para baixo e viu a ponta de uma lança que havia perfurado diretamente o lado direito de seu abdômen.

Sua primeira experiência de dor insuportável nesse mundo correu pelos seus nervos, roubando-lhe toda a força.

Ainda assim, deu quatro passos adiante antes que sua consciência se perdesse, interrompendo o controle de seu avatar e seu corpo caísse pesadamente ao chão.

No instante seguinte, Sakuya foi consumida por um vendaval de ódio. Sua amada espada foi arrancada da mão direita, seu braço esquerdo fora cortado e um sem número de pedaços afiados de metal destroçou o que sobrou de seu corpo.

***

Entre os dois mil, apesar de estar diminuindo rapidamente, jogadores japoneses que ainda seguiam imersos aqui, a única que conseguia ter uma compreensão mais clara da situação era a líder da terceira geração da guilda dos Sleeping Knights, An Si-Eun/Siune.

Seu pai era um coreano que vivia no Japão e sua mãe era uma japonesa. Por esse motivo, Siune era capaz de falar os idiomas de ambas as nações.

Portanto, quando ouviu partes dos furiosos gritos que vinham dos soldados vermelhos, foi capaz de adivinhar que tipo de informação havia incitado tanto ódio naquelas pessoas.

As divisões e os conflitos haviam começado entre quem estava conectado no Japão e na Coreia antes mesmo do nascimento de Siune, no início do século 21.

Tinha um monte de razões que poderia explicar tudo aquilo, porém, com a internet cada vez mais abrigando as pessoas, ao invés de aproximar, só veio a aumentar a fissura social entre as nações.

Com pouca distinção entre o que era o certo e o errado, esses desenvolvimentos corroíam o mundo dos jogos online que Siune e seus amigos tanto adoravam.

Inclusive agora, no ano de 2026, dentro do servidor internacional de um VRMMO, não era raro encontrar disputas calorosa das zonas de farm entre jogadores de diferentes países.

Os jogos recentes como ALO criaram um isolamento completo das conexões estrangeiras, o que acabou, na opinião de Siune, com que a brecha entre os países vizinhos só aumentasse e ficasse cada vez mais difícil manter um diálogo e convivência.

Siune, que havia crescido sob a influência tanto da cultura japonesa quanto da coreana, sempre se sentia aflita por esse tipo de situação. Os membros dos Sleeping Knights quando a conheceram no VR Hospice Ward, sempre foram amáveis com ela mesmo depois de se interarem de seu passado. Por esse motivo que mantinha em mente… que ela poderia ser a ponte sobre esse abismo dentro dos mundos virtuais.

E nessa hora…

Esse homem que observava a batalha no telhado das ruínas havia incitado os jogadores de VRMMO de outros países com sua retórica desonesta, interpretada por sua posição comum contra um inimigo em comum, alimentando o ódio e aumentando a tragédia que se perpetua desde o inicio dos VRMMOs.

“Tenho que…. tenho que fazer algo. Sou, quem sabe, a única entre os jogadores japoneses que pode falar coreano.

Se não tentar, nunca saberá. Certo, Yuuki?

Chamando em seu coração pelo nome da líder anterior da sua amada guilda, que havia falecido três meses atrás, Siune com a voz alta e clara instruiu seus quatro colegas:

“Por favor! Todos vocês, abram uma brecha em suas defesas!”

Jun, um esgrimista de espada dupla que lutava ferozmente na frente, imediatamente gritou:

“Entendido! Tecchi, Talken Nori, descarreguem seus ataques mais poderosos de uma única vez! 3, 2, 1… VAI!!”

A sincronização perfeita de uma habilidade de espada de alta categoria provocou uma explosão violenta que lançou dezenas de inimigos no ar.

E no momento em que um breve silêncio e imobilidade se instaurou, Siune correu até um enorme jogador coreano que parecia ser o líder e dirigiu sua mão esquerda até a lâmina da espada longa que ele tinha desembainhado.

Sua mão foi ferida e o sangue brotou.

Porém, uma dor virtual como essa, comparado ao sofrimento que Siune havia experimentado com o transplante de medula óssea e as infinitas sessões de quimioterapia para curar sua leucemia, não eram absolutamente nada.

Ela simplesmente fez uma careta e manteve o olhar fixo nos olhos do homem a sua frente enquanto gritava em coreano:

“[Escute-me! Mentiram para todos vocês!! Este servidor pertence a uma empresa japonesa, não somos hackers, somos usuários legítimos!!]”

Sua voz fez um grande eco, filtrando-se através de todos durante o breve instante de silêncio.

O coreano cuja espada fora segurada pela mão nua de Siune se inclinou um pouco para trás como se estivesse um pouco intimidado ou por puro reflexo, porém, rapidamente replicou:

“[Está mentindo!! Eu vi com meus próprios olhos, vocês matando todos os jogadores com as mesmas cores que as nossas!!]”

“[Eles estavam nas mesmas condições do que vocês. Os americanos também foram enganados, vindo aqui graças às informações falsas que receberam! Os que estão impedindo o desenvolvimento da empresa japonesa são vocês!! Pense direito…! Esse ódio todo que estão descarregando em nós vem mesmo de seus corações? ]”

As palavras de Siune fizeram os coreanos ficarem em silêncio, em nítida dúvida.

Nesse instante, uma voz alta, cheia de receio vindo da multidão ainda em silêncio, perguntou:

“[Isso é mesmo verdade!?]”

Quem gritava em coreano, correndo por entre a multidão, era um jogador que não parecia diferente dos outros soldados. Siune adotou inconscientemente a postura defensiva, porém, o jogador chegou à sua frente e baixou a espada que estava em sua mão direita, declarando total ausência de hostilidade.

O homem levantou o visor do elmo e falou:

“[Me chamo Moonphase, qual o seu nome?]”

Siune estava um pouco desconcertada por alguém ter perguntado seu nome de maneira tão repentina, porém, os olhos do homem que disse se chamar Moonphase brilhavam com ar de sinceridade.

Siune afastou a mão esquerda da lâmina da espada que estava bloqueando e então a fechou. Mesmo que o sangue não tivesse estancado totalmente, encostou o punho em seu peito e disse:

“[Me chamo Siune.]”

“[Senhorita Siune, não é? Bem, desde o início estive pensando que isso tudo é muito estranho.]”

A frase pronunciada de maneira tão acelerada por Moonphase acabou provocando uma onda furiosa de vozerio dos jogadores coreanos na volta dos dois.

Porém, o guerreiro que teve a espada bloqueada, a embainhou fortemente suprimindo o ruído das vozes e deu um passo a frente dizendo:

“[Tem alguma forma de demonstrar que o que está dizendo é verdade?]”

“….!”

Siune não pode evitar de conter sua respiração acelerada.

Este lugar, Underworld, era um mundo de realidade virtual desenvolvido por uma empresa japonesa financiada pelo governo para encabeçar uma pesquisa específica que visava criar uma nova geração de inteligência artificial e um grupo estadunidense, querendo os resultados dessa pesquisa, atacou o servidor com intuito de roubá-los.

Siune jamais havia duvidado que as palavras ditas entre lágrimas na cúpula do mundo de ALO por sua amiga Lisbeth poderiam ser uma mentira. Porém, agora, sendo perguntada uma forma de demonstrar a veracidade dessas informações, acabou por ficar perdida.

Não havia evidência física em um mundo virtual. Só testemunhos de algumas pessoas. Contudo, não importava o que fosse dito, eram todos japoneses e com toda a certeza, o outro lado não acreditaria.

Siune podia sentia a animosidade crescente dos jogadores coreanos a sua volta no momento em que ficou em silêncio.

O que poderia fazer? O que poderia dizer?…

Onde estavam as evidên-…!?

“Siune, as pessoas de Underworld!”

Nori de repente gritou da sua esquerda, um pouco atrás da garota.

“Ainda que não tenha entendido aí o que estão falando, creio que eles querem uma prova, né? Deve fazer com que conheçam as pessoas que vivem em Underworld. Uma vez que os vejam falando japonês, vão entender de que se trata de um servidor japonês.”

“Ah…!!!”

Sim, essa era uma possibilidade.

Ainda que Siune e os outros tivessem trocado apenas algumas palavras com os residentes de Underworld durante a formação defensiva, pode sentir no mais profundo de sua alma que não eram realmente pessoas do mundo real e nem NPCs.

Mas eles… não! Mesmo que haja uma barreira de idioma entre eles, os coreanos certamente sentiriam o mesmo. Se mantivessem a mente aberta, se reuniriam e falariam com eles. Com toda a certeza iriam entender.

Siune estava a ponto de traduzir para Moonphase o que Nori tinha dito em japonês para coreano quando…

Um raio de luz de uma lâmina apareceu atrás do rapaz.

“Ah… cuidad-…!!”

No instante em que Siune tentava adverti-lo desesperadamente, já era tarde. Uma espécie de facão ou algo parecido, com uma lâmina muito grossa foi enterrado profundamente nas costas de Moonphase, o lançando quase dez metros de distância.

“GAAAAGHHH!!”

No local onde estava Moonphase, que agora se contorcia de dor ao solo, o homem de manto negro e que deveria estar na parte superior, no telhado do tempo, ficou parado olhando com ferocidade.

Apontou com sua mão direita, a qual empunhava aquela arma que se assemelhava a um cutelo, para o rapaz ao chão e gritou em coreano:

“[Este campo de batalha não tem lugar para traidores!]”

Depois, apontou a lâmina para cada um dos coreanos que os rodeavam.

“[Não sejam vítimas dos truques desses japoneses sujos!!]”

A voz tinha um timbre soturno, porém, tinha um alcance enorme. Ela era gelada, contudo, levava escondido entre cada palavra, um leve sinal de sarcasmo.

Ao final de seu discurso, apontou a lâmina para Sinue, que ainda estava imóvel, aturdida.

“[Se esse é realmente um servidor japonês e vocês são realmente usuários legítimos, então, porque são os únicos com esses equipamentos tão arrojados e poderosos? Estão brilhando como os equipamentos dos GM! Fale a verdade, eles são provenientes de cheats!!]”

‘[-Exatamente!-]’! Gritos de concordância seguiram a declaração daquele terrível homem.

Siune negou desesperadamente as palavras dele.

“[…Não!! Nosso equipamento é diferente porque convertemos nossas próprias contas que alto nível para esse mundo!]”

Tão pronto ela disse isso, o homem do manto negro soltou uma grande risada desdenhosa.

“[Hahahaha!!! Que espécie de idiota converteria sua conta principal para um servidor de teste? Mentira!! Todos vocês mentem!!!]”

“[Não!! É verdade, acreditem em mim!! Viemos aqui decididos, não estamos dispostos a perder nossos personagens! Viemos aqui para…!]”

“Wooosh!!”

O som do vento assobiou de repente interrompendo suas palavras.

Veio da adaga que voava em sua direção e que quase instantaneamente enterrava-se de maneira profunda em seu ombro direito.

Siune experimentou algo mais terrível do que a dor, ela sentiu nos ossos o mais escuro dos desesperos.

Em meio a tudo isso, pareceu ter ficado completamente incapaz de compreender as palavras gritadas pelo homem que havia jogado a arma.

E nesse instante…

Um pequeno grupo de jogadores chineses rompeu a formação estática temporariamente e lançou um ataque vindo da direita. O líder dos coreanos, ao ver isso, fez com que Siune caísse contra o solo ao desferir um chute em seu peito enquanto a xingava.

Caída, Siune escutou o som dos passos de seus colegas que corriam em sua direção, porém, não era capaz de levantar-se novamente.

***

Por quê?

O Integrity Knight Renri Sinthesis Twenty-Seven sentia o ódio profundo que envolvia totalmente o campo de batalha enquanto repetia a pergunta incessantemente em sua mente.

“Porque estas pessoas se odeiam tanto ao ponto de matar-se entre si de maneira tão irracional? Não são todos do Mundo Real?”

Não, talvez ele não tivesse autoridade suficiente para falar algo sobre aquilo. Pois inclusive entre as pessoas de Underworld havia uma divisão: Mundo Humano e Dark Territory.

E ambos os lados haviam perpetrado uma guerra sangrenta sem precedentes durante centenas de anos.

Há somente alguns dias, o sangue derramado no Grande Portal do Leste competia com o sangue derramado aqui, nesse solo, nesse campo de batalha.

Até mesmo os instrumentos sagrados que Renri levava em sua cintura, a Twin Edged Wings, havia ceifado a vida de inúmeros goblins.

Porém, existia uma razão para esse sentimento dolorido.

Era a razão que ele seguia querendo acreditar.

Que o Mundo Real, o mundo exterior ao Underworld era um mundo sem conflitos, sem ódio, onde as guerras nunca, nunca aconteciam.

Contudo, isso era apenas uma fantasia de sua cabeça. Mesmo que as pessoas do Mundo Real, como Asuna e suas amigas, falassem o mesmo idioma que as pessoas de Underworld, as vozes estridentes do exército de dezenas de milhares que apareciam sem parar na sua frente, eram incompreensíveis para Renri.

Se existia uma diferença tão grande como a linguagem, então, seria completamente impossível a tentativa de um cessar fogo e negociações de paz.

Será que a guerra é a verdadeira natureza do homem?

Fosse nesse mundo, no Mundo Real ou em outro que pudesse haver mais além, os seres humanos estavam fadados a ficarem repetindo um ciclo infinito de massacre?

“Como podem permitir que isso ocorra?”

Renri apertou os punhos, contendo as lágrimas com todas suas forças.

Até agora, somente a Integrity Knight Sheeta, que havia ficado em uma situação desesperada ao proteger o inimigo, a Guilda dos Lutadores do Dark Territory que era provavelmente a única a conseguir estabelecer uma compreensão mútua ao obter êxito em unir punho e espada em prol de um único objetivo.

Talvez… no final de um caminho salpicado de sangue, haja alguma esperança…

Se é assim, então, devo lutar! Não posso permitir ser protegido e ficar aqui parado, impassível!”

Renri deu um passo à frente, preparando-se para ir ao auxílio do reforço do Mundo Real que estavam colocando suas vidas em risco.

Nesse momento, uma voz baixinha chegou aos seus ouvidos, vindo de suas costas.

“Estimado Cavaleiro, também irei.”

Girou ao redor e viu a espadachim aprendiz ruiva Tiezé, que estava lotada na equipe de suporte, parada. Ela estava agarrando firmemente uma espada relativamente pequena com uma expressão decidida e com os lábios tensos.

“…Não pode, tens que proteger esse homem…”

“Esse dever deve ser deixado para Ronye…

O meu era… para o senhor Eugeo, aquele a quem mais amei e…”

Os olhos de Tiezé ficaram úmidos, mas ela continuou:

“… E que perdeu sua vida para proteger algo importante. Como sua aprendiz, meu dever é continuar a sua missão.”

“…Entendo.”

Renri mordeu os lábios com força.

Mesmo ele, um Integrity Knight do alto escalão, tinha pouca confiança de que poderia sobreviver a esse campo de batalha desesperador. Não podia assegurar que Tiezé, que nem sequer era membro oficial da guarda, saísse ilesa.

Contudo, nesse exato momento, uma nova voz surgiu:

“Eu também irei, senhor Cavaleiro!”

A grande líder da guarda, com seu cabelo castanho amarrado em um rabo de cavalo, veio caminhando às costas de Tiezé. Parecia que esteve lutando todo o tempo, sua roupa estava suja e esfarrapada, sua armadura cheia de buracos e rachaduras, contudo, em seu rosto, a vontade ferrenha de lutar ainda permanecia.

“Ainda não cumpri a promessa que fiz a Kirito. Mesmo agora, não posso abandonar as pessoas que esse garoto arriscou a vida para proteger… melhor dizendo, não posso abandonar esse mundo que ele quis proteger.”

“Senhora Sortiliena…”

Tiezé disse seu nome com a voz trêmula enquanto a líder da guarda lhe sorria gentilmente.

Lutar não pela honra, não pela fama e sim para proteger algo.

Renri parecia sentir que a determinação das duas mulheres estava afetando seu próprio coração, ressoando com o dele.

O jovem acariciou seus Instrumentos Sagrados na cintura com a mão direita enquanto concordava com a cabeça com firmeza.

“…Entendido! Então, vou protegê-las… não se afastem do meu lado, não importa o que aconteça.”

“Sim senhor!”

“Deixaremos ao seu encargo, estimado Cavaleiro!”

Tiezé e Sortiliena responderam também com firmeza e sacaram suas espadas.

Renri agarrou suas queridas armas com as mãos e sussurrou mentalmente:

Senhor Eldrie, senhora Sheeta e Knight Commander Bercouli…

Igual a vocês, finalmente encontrei um propósito em minha vida!

Então, o Integrity Knight Renri e as duas espadachins saíram juntos em direção ao campo de batalha que cada vez mais se intensificava com lamentos de angústia e desespero.

 

 

 

 

 

 

 

 

OLÁ PESSOAS!

CHEGANDO BEM ,CHEGANDO RÁPIDO, CHEGANDO CHEGANDO 🙂

SEM PERDER TEMPO, VENHO TRAZENDO AQUELE CAPÍTULO GIGANTE E SABOROSO ONDE TUDO ACONTECE.

ME EMPOLGUEI AO VER O ÚLTIMO CAPÍTULO DE SAO ALICIZATION EM ANIME. GOSTEI MUITO DO QUE ACOTENCEU ALI, FOI BEM COMO ESTÁ NA LIGHT NOVEL, SEM MUITA FIRULA CORTADA E TAL.

ALGUNS PONTOS FORAM SUPRIMIDOS, MAS NÃO ESTRAGOU NADA, REALMENTE UM ÓTIMO CAPÍTULO.

 

SÓ UM ADENDO AQUI. ALGUMAS PESSOAS VIERAM ME FALAR QUE VÁRIOS NOMES DO ANIME NÃO BATEM COM OS DA LIGHT NOVEL E TAL.

BEM, EU LI O NEGÓCIO EM JAPA, EM INGLÊS E PESQUISEI EM ESPANHOL E MINHA ESPOSA ME DEU UMA MÃOZINHA EM RUSSO. LÁ NA PARTE DO ‘SOBRE’ DO SITE EU RESERVEI UNS PARÁGRAFOS DIZENDO QUE O QUE EU FAÇO AQUI NÃO É UMA TRADUÇÃO LITERAL, É NA VERDADE UMA ADAPTAÇÃO DA MINHA INTERPRETAÇÃO ONDE A ÚNICA REGRA QUEM DITA É O MEU FEELING, MEU SENSO DO QUE É OU NÃO LEGAL. É ÓBVIO QUE VÃO HAVER DISCREPÂNCIAS, MAS ASSEGURO, NÃO AUMENTO NEM DISTORÇO NADA, A OBRA É O QUE É.

 

EXEMPLO: EU LI CLARAMENTE QUE AS ESTÁTUAS DOS GÁRGULAS DO LADO DE FORA DA TORRE SE CHAMAVAM MINIONS, MAS ASSIM…. MINIONS?… TENTEI, JURO QUE TENTEI, MAS NÃO TEVE COMO, SÓ CONSEGUIA PENSAR NOS BICHOS AMARELINHOS CABEÇUDOS OU NOS CREEPERS DO LEAGUE OF LEGENDS. ENTÃO, AO LER EM OUTROS IDIOMAS, EU CURTI O NOME SUBORDINATE, ACHEI MAIS LEGAL.

E EXPLICO O PORQUÊ DE ACHAR MAIS BACANA:

SEGUINTE, QUEM ME ACOMPANHA AÍ DESDE O VOLUME 9, SABE QUE TEM UMA CACETADA DE TERMOS EM INGLÊS, QUE PARA OS RESIDENTES DE UNDERWORLD, É UMA LINGUAGEM SAGRADA, ASSIM COMO TUDO QUE É RELACIONADO COM O TERRITÓRIO DOS MONSTROS ALÉM DA CORDILHEIRA.

POR ISSO QUE QUANDO ME REFIRO AOS ITENS COMO AS ESPADAS, GOLPES E QUALQUER COISA DO DARK TERRITORY, DEIXO EM INGLÊS. POIS NO MUNDO ALI, INGLÊS É UM ELEMENTO ‘MÁGICO’, ‘TRANCENDENTAL’, ‘MÍSTICO’, O INGLÊS NESSAS PARADINHAS ME PARECE MUITO MAIS PLAUSÍVEL. DITO ISSO, MINION É UMA QUEBRA DE EXPECTATIVA VIOLENTA.

NO ANIME, VÁRIAS COISAS ELES DEIXARAM A PRONÚNCIA EM JAPONÊS, TALVEZ PELA DIFICULDADE COM A FONÉTICA (SACARAM COMO ELES FALAM SYNTHESIS? IMAGINO O DUBLADOR LÁ SE CUSPINDO TODO NO MICROFONE, PARA ELES, INGLÊS É TENSO).

AO MEU VER, DO JEITO QUE FIZ, DEIXA AS COISAS MAIS IMPONENTES, PAGO O MAIOR PAU PARA A PRONÚNCIA BLUE ROSE SWORD, NIGHT SKY SWORD (para quem não sabe, esse é o nome da espada negra do Kiritoso). É ISSO MINHA PESSOAS, SINTO MUITÍSSIMO AS PESSOAS QUE NÃO CURTIRAM O MODO COM QUE EU ADAPTEI, MAS ASSIM… É O MEU PASSATEMPO, ME DEEM ESSE DESCONTO, BELEZINHA? 😉

E SEM MAIS DELONGAS, BORA COMENTAR ESSA DILIÇA.

 

NÃO SEI BEM POR ONDE COMEÇAR, FOI MUITA LUTA, MUITO SANGUE, E AÇÃO.

FANTÁSTICO O MODO COMO A GALERINHA DAS ANTIGAS FOI INSERIDA, QUERO MUITO TEMPO DE TELA PARA ELES QUANDO VIER A VERSÃO ANIMADA DESSE EPISÓDIO. O PoH É UM ‘FIDÉGUA’ CARNICEIRO, SÓ FEZ O QUE SE ESPERARIA, MAS A BATATA DELE VAI ASSAR QUALQUER HORA… AH SE VAI… ESSE CARA É DIVERTIDO, MAS JÁ DEU O QUE TINHA QUE DAR NÉ? ESTÁ NA HORA DE PARAR.

 

TIEZÉ DIZENDO COM TODAS AS LETRAS QUE O EUGEUZIM ERA O DONO DAQUELE CORAÇÃOZINHO, FOI TRISTE MAS CURTI TAMBÉM.

DONA SORTILIENA FAZENDO SUA ENTRADINHA IMPACTANTE COMO SEMPRE, QUERO VER ESSA MALUCA LUTAR MUITO, ELA MERECE.

ATÉ O RENRI… ESTÁ QUASE FAZENDO COM QUE EU TORÇA UM POUQUINHO PARA ELE, QUASE… POIS AINDA GOSTARIA DE VER O BEBEZINHO CHORÃO SE DAR BEM MAL HEHEHE.

 

E FINALMENTE O SENHOR TODO PODEROSO GABRIEL, BICHINHO MAIS BROKEN DESSE ARCO VAI LEVAR UMAS CARÍCIAS DA HECATE .50.

ESSE PERSONAGEM É MUITO ZOADO, LEVA TUDO PARA O LADO DO DRAMA, CHATIM, CHATIM… TOMARA QUE LEVE UM PROJÉTIL NA FUÇA LOGO. AO MENOS VAI SERVIR DE GANCHO PARA DONA SINONONONON BRILHAR EM TELA (esse Reki não é mole).

E POR FIM, MAS NÃO MENOS IMPORTANTE, YANAI… OLHA… NEM SEI PORQUE ESSE BICHO ESTÁ ALI. SÓ PERDA DE TEMPO, CREDO!!

NEM PARA DAR UM TIRO NO OUTRO BATER NO PEITO E ASSUMIR QUE QUERIA DEIXAR O HIGA COMO UMA PENEIRA ELE FOI CAPAZ… QUE PERSONAGEM NADA COM NADA. BOM, ELE SEGUE O SUGOU, POR ISSO JÁ SABEMOS QUE NÃO BATE BEM.

PROVAVELMENTE ELE ERA UM DOS CIENTISTAS GELECAS QUE ESTAVAM NOS EPSAÇOS DE ADM DE ALO QUANDO ASUNA TENTA ESCAPAR, JÁ QUE ELE CITA OS TENTÁCULO E QUE TINHA UM PARCEIRO QUE VIROU BODE EXPIATÓRIO DELE. MAS IGUAL, DESNECESSÁRIO, ESSE SIM MERECE UM CORTE, UMA RUSHADA.

 

ERA ISSO MINHAS QUERIDAS PESSOAS, ESPERO QUE TENHAM GOSTADO DO CAPÍTULO E ATÉ A PRÓXIMA.

 

FORTE ABRAÇO!!

 

 

 

 

==== SETOR DA DOAÇÃO ====

Resolvi deixar o canto da doação, pois ainda tenho a hospedagem e tal.

Se alguém quiser dar uma força, ok, se não puder, ok também. Sem problemas minhas pessoas 🙂

 

Valeu pessoas e forte abraço!

 


 

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Estamos também traduzindo Sword Art Online Progressive, não deixem de ler.

Listinha com as OST originais de Aincrad, uma delícia de trilha, de fato, ainda não conseguiram fazer uma tão boa quanto essas