Sword Art Online Alicization – Awakening – Capítulo 21 – Parte 3.1

Arco: Sword Art Online Alicization Underword – Awakening

Sword Art Online Alicization - Sinon

Parte 3

Provavelmente, devido a uma universidade próxima ter iniciado as férias de verão (algo raro para uma instituição coreana), um bar VR em Cheongjin-dong, no distrito de Jongno em Seul, estava completamente lotada.

Jo Wol-Saeng terminou os procedimentos de ingresso no local, pegou um dos copos de papel e o encheu de soda no balcão de bebidas.

Entrou em uma sala, se recostou na confortável cadeira reclinável e deu um grande suspiro.

Sentia como se estivesse fazendo esses suspiros muito ultimamente. E ele sabia a razão.

Tinha vinte anos e era um estudante do quarto semestre na universidade nacional, sendo que no próximo ano deveria tirar licença e se afastar para cumprir o período de serviço militar que durava dois anos.

Para falar a verdade, tinha até seus trinta anos para alistar-se, era só fazer uma proposta formal se quisesse prosseguir com os estudos e se graduar de forma ininterrupta, contudo, de fato isso seria uma grande desvantagem já que o não cumprimento do serviço militar limitava e muito a procura de um emprego.

Quase todos seus colegas de aula já haviam solicitado as licenças para o alistamento tão logo completaram os quatro semestres e já que seus pais também o estavam o pressionando, não tinha muito para onde correr.

Wol-Saeng bebeu um grande gole de sua soda e voltou a suspirar.

Tudo lhe deixava apreensivo, já que estava fora de forma, será que conseguiria suportar o duro treinamento? Talvez sua atuação pífia o fizesse ser hostilizado entre as tropas.

Mas o que mais o deprimia era o fato de que sua vida atual lhe seria roubada por dois anos inteiros.

Contudo, a vida que se referia não era a vida real e sim a vivida no mundo virtual, ao qual seu amigo havia convidado a experimentar quando iniciou a universidade. Algo que o deixou totalmente absorvido desde então.

Dois anos inteiros incapaz de entrar nesse mundo era, para ele, mais angustiante do que qualquer treinamento.

“…Se pudesse levar isso aqui para o alojamento no exército…”

Sussurrou enquanto pegava a interface de FullDive, que estava sob um suporte na mesa ao lado: o AmuSphere.

O equipamento pertencia a um bar VR muito popular, em um estado bem surrado, tanto por dentro quanto por fora, porém, para Wol-Saeng, essa máquina parecia brilhar mais do que a auréola de um anjo.

Fazem três anos, em 2023, esse dispositivo tinha sido lançado no Japão e começou a inundar estantes das lojas do mundo inteiro em apenas doze meses de seu lançamento. Ocasionando um grande ‘bum’ na Coréia do Sul, onde a indústria de jogos online estava chegando no auge.

Os conhecidos Pcs Bars e Cyber Cafés começaram aos poucos trocarem seus nomes por VR Bars, totalmente equipados com AmuSpheres.

Os jovens foram instantaneamente capturados pelos VRMMORPGs, desenvolvidos tanto no Japão quanto nos Estados Unidos.

Silla Empire’, jogo que Wol-Saeng estava jogando durante um ano e meio, era uma versão coreana de ‘Asuka Empire’, desenvolvido pelos japoneses.

Não era uma simples tradução direta, pois desde as cidades, os avatares e até o conteúdo das missões foram modificados para parecer a antiga Dinastia Silla da Coréia.

Um ato que se mostrou muito acertado, já que era o jogo com a maior popularidade no país desde o seu lançamento.

Por outro lado, os jogadores haviam estado clamando por um trabalho puramente coreano. Em vista disso, várias empresas começaram a desenvolver VRMMOs completamente originais utilizando o pacote de software gratuito The Seed.

Contudo, esse pacote ainda seria de fabricação japonesa, já que não se conectasse à base The Seed Nexus, não seria possível utilizar todos os recursos oferecidos.

Em vista disso, os inúmeros VRMMO do Japão monopolizaram as conexões externas da Coréia e China, o que resultou na incapacidade de produzir novos jogos com qualidades comparáveis a de Silla Empire, causando aos jogadores coreanos um grande mau estar e os deixando cada vez mais insatisfeitos.

“Realmente quero jogar um jogo completamente coreano antes de ir para o exército, porém, parece que esse barco já partiu e não terei tempo…”

Wol-Saeng suspirou mais uma vez e, tirando esse pensamento de sua mente, recostou-se pesadamente na cadeira e conectou-se ao AmuSphere.

“…Link Start!

Falou o comando de voz universalmente reconhecido e fechou os olhos.

Passando por diversos raios luminosos, entrou com seu ID de usuário e a senha de acesso ao ambiente VR.

Chegou até uma área de login simples e foi fazer o seu movimento quase que automático no ícone do jogo Silla Empire.

Contudo…

No instante em que iria fazer isso, deu-se conta da janela da rede social interna flutuando ao lado direito na área escura onde havia uma verdadeira enxurrada de comentários sendo postados a velocidades alarmantes.

Ao que tudo indicava, várias de centenas de usuários publicavam o mesmo tipo de assunto.

“…Mas o que está acontecendo?”

Desconcertado, Wol-Saeng arrastou o ícone do seu jogo para o lado e puxou a janelinha da rede social para sua frente.

Ao tocar em um dos posts, o conteúdo foi noticiado em voz alta.

“Humm…”

[- Voluntários coreanos, estadunidenses e chineses estão desenvolvendo em conjunto um novo e revolucionário VRMMO, contudo, seu servidor de testes está sendo invadido por jogadores japoneses…]

“Estão invadindo e atacando os beta testers? Mas que diabos está acontecendo!?”

Sendo honesto, Wol-Saeng encontrou certa dificuldade de acreditar naquilo. Porém, no final da notícia, anexado à mesma, encontrava-se um vídeo.

Ainda incerto, clicou para rodá-lo.

Instantaneamente, uma segunda janela abriu e…

“Vanguarda, ao ataque!”

Um rugido audaz e feroz com uma potência quase ensurdecedora.

Wol-Saeng já tinha assistido animes japoneses suficientes para reconhecer o significado da frase dita em japonês fluente.

O vídeo mostrava jogadores de aspecto japoneses com armaduras prateada lançando um ataque contra jogadores vestidos com armamento vermelho, matando um a um.

Uma grande quantidade de sangue jorrava para todos os lados a cada estocada feita pelas espadas, enquanto xingamentos em inglês eram proferidos vindo dos guerreiros sendo atingidos.

A julgar pela crueldade desenfreada que estava sendo cometida dentro daquele servidor, os sentimentos de todos envolvidos eram inacreditavelmente reais.

Ponto crucial:

Todas as atrocidades unilateralmente noticiadas sendo feita pelos jogadores japoneses, destroçando sem piedade os demais, batiam.

Quando o vídeo de trinta segundos terminou, Wol-Saeng sentiu seu corpo dormente.

Um ‘ataque ao servidor’, normalmente se referia no ato de sobrecarregar os processos do mesmo com a finalidade de derrubá-lo, apagando seus dados e/ou destruindo o site de divulgação, deixando-o completamente offline.

Porém, aparentemente quando esse conceito é aplicado em um ambiente de VR, a coisa muda de figura, fazendo com que o ataque consista em uma imersão massiva ao mundo virtual alvo, acabando com todos os seus beta testers e assumindo o controle, com a possibilidade de apagá-lo…

Era a primeira vez que ouvia falar de algo assim. E se de fato aquele vídeo fosse verdade, ao que tudo indicava, era exatamente o que estava acontecendo naquele instante.

Sim… a ideia era plausível. No vídeo, nitidamente os japoneses pareciam possuir equipamentos que superavam em muito aos dos jogadores estadunidenses no quesito propriedade e habilidades, de maneira que estavam sendo exterminados unilateramente sem piedade.

Contudo, era possível perceber que o lado desesperado não era os dos Estados Unidos e sim… o do Japão.

Em termos de ataque virtual, o normal era um clima até de zoação, porém… aquela gente parecia estar em uma guerra real de vida e morte…

De repente, escutou um sinal de ‘ding-dong’, que fez Wol-Saeng sair de seus pensamentos e olhar para lado.

Era seu companheiro de guilda do jogo Silla que havia visto que ele estava online e lhe enviava um convite para uma chamada por voz.

Pressionou o botão ‘aceitar’ e uma nova janela se abriu. No mesmo instante uma voz em tom de urgência explodiu em seus ouvidos berrando o nome do personagem de Wol-Saeng.

“EEEII!! Moonphase, viu essas notícias!?”

“Hã?… Sim… acabei de ver…”

“Então, o que está esperando? Faz logo o download dessa porcaria de cliente e vamos lá!”

D-Download do cliente?”

Rapidamente olhou para a janela onde corriam as notícias.

Estava escrito no post que havia clicado o seguinte:

“[-Com a finalidade de salvar os beta testers desses malditos japoneses, estamos recrutando voluntários de todas as bases de jogos VRMMOs coreanos. Se deseja nos ajudar, por favor, descarregue o software cliente e instale em seus AmuSpheres.]”

“Ah! Isso aqui?… Mas Hwang-Ung, acha mesmo que isso tudo é verdade?”

“Mas é claro que é real, não viu o vídeo? Enquanto estamos aqui perdendo tempo falando, nossos companheiros estão sendo assassinados. Vamos lá, mexa-se!!”

“Eu vi o vídeo, mas me pareceu que…”

Wol-Saeng estava a ponto de dizer a impressão que havia sentido ao ver aquilo, porém, foi interrompido na metade.

“Ah cara! Deixa de ser desconfiado, instale logo isso aí! Myung-Hoon e Helix já estão lá nos esperando!

Fui!!”

O chat foi fechado e o silêncio voltou a reinar em sua área de login.

Wol-Saeng ainda seguia com receio, porém, viu que quase todos os membros de sua guilda estavam participando e nem sequer imaginaria que tipo de castigo receberia se os deixassem na mão.

Provavelmente haveria muitos desafios…

Contudo, se for pensar de outra forma, também era provável que um negócio daquela magnitude poderia ser muito bem um evento preparado para o lançamento de um novo jogo.

Se acabasse não participando, a chance de perder itens e benefícios exclusivos era altíssima.

Tomando então sua decisão, pressionou o botão de download do link da postagem e rapidamente instalou no AmuSphere, fazendo com que um novo ícone surgisse em sua tela principal.

Depois de clicar o ícone vermelho, o qual estava identificado com as palavras ‘AJUDEM-NOS’ em preto, Wol-Saeng sentiu toda sua mente e existência ser sugada para aquele novo mundo.

***

Mesmo após transferir um gigantesco número de conexões da China e Coréia do Sul para dentro de Underworld, Critter seguia receoso.

Ele havia seguido as instruções de Vassago Casals para abrir conexão do cliente também para as nações vizinhas do Japão, contudo, aquilo o deixou intrigado.

Mas os japoneses e coreanos não são tudo a mesma coisa?

Havia um imenso número de norte americanos que não sabiam que Japão e Coréia não estavam conectados por terra e ainda tinham aqueles que pensavam que ambas as nações faziam parte da China.

Embora Critter não fosse tão ignorante quanto a esses fatos, tinha a impressão de que os três países viviam em relações amistosas entre si. Claro, sempre podia ser como o seu paralelo nacional. Estava se referindo ao problemático cenário ‘amistoso’ dos Estados Unidos e a antiga União Soviética.

Será que era algo assim?

Devido a esse fato, Critter ficava incapaz de compreender totalmente as instruções de Vassago.

Mas como foi algo feito às pressas, não teve tempo de criar um site fake como fez com os estadunidenses. Desse modo, acabou por utilizar as redes sociais para disseminar a notícia.

Seu primeiro post foi: ‘– Os japoneses estão atacando um servidor de um VRMMO revolucionário desenvolvido em parceria com voluntários da América do Norte, China e Coréia do Sul!’.

Sua postagem seguinte foi uma breve explicação da primeira: ‘-Os jogadores japoneses, que já monopolizam o The Seed Nexus, o hackearam e começaram a criar personagens extremamente poderosos ao seu bel prazer. Estão atacando os beta testers americanos, chineses e coreanos. E já que este servidor novo não está equipado com a absorção de dor em seus códigos, nossos companheiros estão sendo massacrados e torturados através de uma dor excruciante. ’.

E completando, anexou um vídeo que conseguiu capturar de uma das batalhas em Underworld.

O vídeo em si era um fragmento dos cavaleiros e soldados do Mundo Humano derrotando os jogadores americanos, enquanto os residentes falavam em japonês.

Ao que tudo indicou, o vídeo de fato causou um grande impacto, já que o compartilhamento da postagem atingiu números astronômicos assim como a descargas do cliente de conexão. Foi mais rápido até do que o engajamento e recrutamento ocorrido nos Estados Unidos.

Assombrado, Critter pensou:

Vendo isso agora, só posso pensar que os jogadores japoneses realmente não se dão bem com os coreanos e chineses…

***

Ah, sim! Eles se detestam!!

Vassago Casals, que havia retornado para Underworld com seu personagem membro da Laughing Coffin: PoH, começou a rir.

Ergueu sua mão direita para o alto e gritou fortemente em coreano para os jogadores vermelhos às suas costas:

“[Ensinem uma lição para esses invasores! Cortem-nos! Apunhalem-nos! Da forma mais dolorosa possível para que não voltem a pensar em rir de nossos camaradas!]”.

Tão logo o enorme exército de cinquenta mil pessoas escutou a frase, um rugido estrondoso foi ouvido.

Para eles, os beta testers americanos sendo massacrados pelos jogadores japoneses, tinham se convertido em gente de sua própria nação.

Esforçando-se para não gargalhar da situação, Vassago apontou a mão direita para frente.

Com um tremor poderoso, parecendo o som de uma avalanche de pedras, a legião carmesim se jogou em direção aos japoneses que estavam logo abaixo deles.

Vamos lá! Matem todos! Dancem essa patética dança, meus queridos idiotas!!

***

“…Aí está!!”

Sinon sussurrou para si.

Estava obsevando uma linha pontilhada de cor negra que descia dos céus rubros como um fio de seda.

Ela desejava poder carregar o Annihilate Ray ao máximo e lançá-lo no inimigo no instante em que ele se materializasse, negando qualquer possibilidade do mesmo de evadir-se.

Contudo, poderia ser um tiro incerto, pois havia a possibilidade de que o inimigo fosse capaz de produzir contas de alto nível sem limites, fazendo com que destruí-lo instantaneamente acabasse por se tornar algo inútil, com apenas ela se desgastando.

Então, decidiu por uma luta de resistência e observar sua reação para assim poder decidir qual a melhor ação a se tomar.

Se seu oponente demonstrasse sinais de querer proteger a vida de seu personagem, provavelmente sua conta seria valiosa de maneira a poder utilizá-la uma única vez. Se isso se tornasse verdadeiro, usaria todas suas forças, atacando-o e incapacitando-o de ingressar nesse mundo outra vez.

Porém, se for o caso de uma conta com possibilidade de ser produzida em massa, ela simplesmente não poderia matá-lo. Nesse cenário, a solução seria arrastar a luta ao máximo possível para poder dar tempo suficiente para Alice de chegar até o World End Altar.

Com isso em mente, Sinon tensionou a corda de seu arco e permaneceu flutuando em pleno ar, esperando a materialização completa do inimigo.

O lugar onde o código negro aterrissou, minutos antes, estava estendido o corpo do Knight Commander Bercouli.

O corpo do guerreiro caído havia sido levado por Alice que o colocou sobre a sela do segundo dragão com a provável intenção de poder devolvê-lo para a Integrity Knight que o esperava na fronteira do Mundo Humano.

Shino tinha perguntado:

“A pessoa para qual está levando-o, é sua rival no amor?”

Alice sorriu rapidamente e respondeu:

“Não, você é minha rival no amor.”

Oh céus! Mais uma?… Qual é a sua Kirito? Inacreditável…!

Diante disso, Sinon ficou determinada a permanecer conectada nesse mundo pelo menos até Kazuto despertar.

E fortalecendo sua crença, focou intensamente o topo do patamar de rochas.

A linha negra tocou o centro do lugar e pareceu se transformar em uma enorme massa viscosa escura.

Sua cor era tão profunda, que parecia sugar toda a luz, levando sua energia para os confins de algum lugar infernal.

E assim todos os caracteres da linha que descia do céu foram, de certa forma, absorvidos pela poça viscosa…

“Bloop!”

Uma bolha eclodiu da superfície daquele material disforme que logo tomou a forma de um membro, a mão direita, que foi silenciosamente se projetando para fora.

Enquanto observava aquela cena bizarra, com longas e finas protuberâncias se tornarem dedos, Sinon sentia um frio gigantesco percorrer suas costas.

Se esforçou para resistir a vontade de queimar aquilo até que virasse cinzas a medida em que o inimigo tomava forma humana.

Surgindo igual a mão direita, a esquerda também apareceu como se fosse um monstro saindo do fundo de um abismo, segurando sua borda enquanto alçava o corpo para fora.

A cabeça do homem logo tomou forma, emergindo daquele material viscoso e úmido.

O que mais surpreendeu Sinon foi o fato de que o personagem não possuía nenhum traço específico. Seu cabelo curto e dourado não produzia nenhum sinal marcante, assim como seu nariz e lábios finos, não parecia se destacar não importando o ângulo em que se olhasse. Tirando o fato de ter uma aparência caucasiana, o resto era completamente comum.

Esta é realmente a aparência do novo e renovado corpo de alguém que controla uma superconta como a do Deus da Escuridão Vector?

Sinon se perguntou mentalmente.

O homem levantou a parte superior do corpo, tirando-a do que parecia ser agora um grande pântano e ergueu seus olhos azuis como marfim para fixá-los diretamente para Sinon, que estava voando logo acima.

Por um instante, ela se sentiu estranha.

Parecia já ter visto aqueles olhos em algum lugar. Pareciam refletir tudo ao mesmo tempo em que pareciam devorar tudo. Um par de olhos sem nenhuma emoção.

Essas duas órbitas que fitavam Sinon se dilataram levemente.

No instante seguinte, o que poderia ser considerado o projeto de um sorriso pode ser visível em seus lábios.

Sim!! Tenho certeza que já os vi!! Já vi esses olhos antes… e também… já vi esse rosto. Não faz muito tempo… em algum lugar…

Enquanto ela o estudava…

“Splat!!”

Com um ruído molhado, o homem finalmente saltou para fora do líquido negro.

Acompanhando sua aparência, o resto de seu visual era um pouco peculiar.

Parecia ter trocado de maneira automática seu equipamento. Não usava mais uma armadura metálica decorada, em seu lugar, era algo bem diferente…

Estava com uma vestimenta bem mais soturna, com a parte inferior e superior cobertas com um tecido cinza escuro, acompanhando um cinturão, com seus pés calçando botas de cano alto, completamente semelhante a uniformes de combate dos soldados do mundo real.

Sua arma, contudo, era uma espada longa presa na cintura no lado esquerdo e um arco no lado direito.

Assim que o homem deixou a massa negra ela não desapareceu, pelo contrário, sua forma mudou mais uma vez. E como se estivesse viva, a ‘criatura’ foi se retorcendo, se enrolando ao chão, se debatendo como que lutando para virar algo mais do que uma simples poça de lama.

Para falar a verdade, olhando mais atentamente aquilo agora não parecia ser um animal, era de fato um.

A estranha presença se esticou, com protuberâncias largas semelhante a asas que começaram a bater com firmeza.

Contudo, a estranha aparência não era de uma ave, muito menos de um dragão.

A parte do que poderia ser considerada sua frente, ficou meio arredondada, côncava com quatro olhos que pareciam querer devorar tudo, enquanto que a outra extremidade, em meio às asas semelhantes à dos morcegos, se estendia algo como o rabo de uma serpente enorme.

Quando o homem vestido com uniforme de combate saltou sobre a coisa, a misteriosa criatura bateu as horrendas asas e deixou o solo, ascendendo ao mesmo nível dos céus de que Sinon.

O animal ficou planando há trinta metros da garota com o homem em suas costas com um sorriso como um lobo mostrando suas presas.

Por alguma razão, ele ergueu ambas as mãos desarmadas e apontou-as ligeiramente para frente.

Imediatamente Sinon entrou em estado de alerta, pensando que o inimigo estava a ponto de recitar algum tipo de encantamento.

Contudo, nada disso ocorreu…

O homem simplesmente formou uma espécie de círculo com seus braços, como se estivesse passando-os a distância ao redor do pescoço de Sinon,e em seguida, com um movimento repentino, os tensionou como se a tivesse imobilizando-a com força.

Nesse instante, Sinon finalmente lembrou. E com uma voz arranhada, deixou escapar por seus lábios:

“…Subtilizer…”

Exatamente.

Este homem flutuando na sua frente era o jogador estadunidense que a havia estrangulado até a morte durante as finais do torneio PvP de Gun Gale Online: o quarto Bullet of Bullets, ocorrido duas semanas atrás.

Mas… porque estava ali!?

Esquecendo até que estava com o arco em suas mãos, Sinon ficou completamente mergulhada em sua surpresa enquanto seus olhos permaneciam arregalados.

***

O centro da ilha flutuante, pirâmide artificial autossustentável: o Ocean Turtle, estava dividido por um eixo principal ultra poderoso construído em liga de titânio com alta resistência.

No interior desse eixo principal cilíndrico, de mais ou menos cem metros de altura, estava o reator nuclear central, uma máquina poderosa protegida por um muro de isolamento multicamada pressurizado com água. Diretamente sobre esse lugar, estava a sala ocupada de controle e também a sala do STL Nº 1.

Underworld, ou melhor, o núcleo do Projeto Alicization, o Light Cube Cluster, estava exatamente acima da sala de controle principal. As áreas até esse ponto eram pertencentes ao que chamavam de eixo inferior.

Sob o Light Cube Cluster havia uma parte perfeitamente nivelada e resistente à pressão que dividia os eixos. E tudo acima disso, era considerado o eixo superior.

Nele, primeiramente, estava uma enorme quantidade de equipamentos de resfriamento, seguido de uma pequena sala de controle onde os empregados do RATH tinham se reunido, a mesma que ficava ao lado do local onde estava o STL Nº2, onde Kirigaya Kazuto e Yuuki Asuna faziam a imersão atualmente.

Em 7 de julho às 09:00 horas da manhã, um robô humanoide começou a mover-se em meio aos equipamentos de resfriamento, indo escada abaixo diretamente à proa do eixo superior da embarcação.

Era o protótipo desenvolvido pelo RATH: Ichiemon.

Embora seu passo fosse torpe, cambaleante, em seu encalço, seguiam três membros armados das Forças de Autodefesa do Japão.

Ainda bem que não tenho fobia de lugares fechados, escuros e nem de altura, senão…

Higa Takeru tentou se animar mentalmente, mas ao mesmo tempo, pensava que ter uma fobia ou não na atual situação, era o menor dos problemas.

Todo o duto era iluminado apenas pelas luzes alaranjadas dos leds de emergência, dando uma visão parcial dos seus quase quarenta metros de altura. Se suas mãos empapadas de suor resvalassem uma única vez ou se seus pés errassem um dos degraus, ele ganharia automaticamente o vazio do ar, indo se estatelar diretamente sob a escotilha pressurizada, acabando por experimentar uma ‘desagradável sensação’.

Se tivesse pensado melhor nisso, teria deixado que o pesquisador Yanai fosse primeiro.

“Esse safado tinha dito que queria ser meu escudo, mas quando chegou na hora H, me diz: ‘-O senhor primeiro’… com a cara mais deslavada possível.”

Higa ficou reclamando praticamente inaudível enquanto olhava para cima, onde Yanai o seguia vagarosamente escada abaixo.

Porém, ao ver o rosto do pesquisador que já era branco ficar ainda mais pálido conforme iam descendo, Higa achou o ‘castigo’ a contento e não disse mais nada.

De fato, a predisposição do franzino homem em acompanhar uma missão tão perigosa quanto aquela deveria de ser elogiada. E é claro, a pistola que carregava em sua cintura, também dava uma falsa sensação de segurança.

E quando retornou sua visão para a continuação do caminho, o dispositivo auricular em sua orelha esquerda zumbiu e logo transmitiu uma voz determinada.

“E então, Higa? Tudo bem?”

A voz pertencia a Rinko Koujiro, que estava espiando pelo buraco de acesso sobre suas cabeças.

“Ah… bem, sim, tudo ok! Creio que mais uns cinco minutinhos já estaremos chegando à escotilha.”

“Entendido. Quando estiverem prontos enviarei a ordem para a equipe que está com o Ichiemon. Vocês têm que ser rápidos, estar atentos para abrir a passagem só depois que o inimigo começar a atacar o nosso amigo metálico.”

“Entendido!…

Uau! Realmente me sinto como no filme Missão Impossível.”

“Ah, pare com essas brincadeiras! Que essa missão seja ‘possível’.

Não podemos nos dar ao luxo de errar. Temos que virar o jogo tanto aqui quanto em Underworld para podermos recuperar a alma de Kirito…

Então, por favor, senhor Yanai, vigie esse menino aí, está certo?”

A última mensagem foi dirigida para Yanai. E uma vez que escutou um grasnido quase sem forças de ’-Entendido’ do pesquisador em resposta, Higa sorriu de maneira contrariada.

Pff! ’-Esse menino’ é?

Sacudiu a cabeça e agarrou firmemente a barra de metal da escada com a mão suando cada vez mais.

E olhando para baixo, notou que finalmente a escotilha se mostrava ao alcance de seu campo visual.

Quase lá…

***

Critter estava observando casualmente a gigantesca e retorcida massa dos jogadores chineses e coreanos que haviam feito imersão em seu monitor quando um alarme repentino soou e o despertou da distração.

“Mas que diabos…!?”

Varreu o console com os olhos em pânico e descobriu que um sinal vermelho estava piscando no lado direito do monitor.

“Opa… a escotilha pressurizada foi aberta. Eles estão aprontando algo.

A-Alguém vai até lá e veja como está a passagem!!”

Antes sequer de terminar de falar, Hans, um dos membros da equipe de assalto já havia agarrado seu rifle e saído em disparada pela porta.

“Merda!! Logo agora que estava com uma mão boa…”

Brigg reclamou enquanto jogava suas cartas no chão e saía no rastro de Hans.

Será que o pessoal do RATH, que estavam em clara desvantagem numérica e bélica, resolveram por um fim nisso com um ‘tudo ou nada’? Ou estavam planejando algo mais…?

Critter deixou o console e caminhou até a porta da sala de controle.

A força dos elevadores estava cortada, dessa forma, qualquer tentativa de acesso deveria de ser pelas escadas.

Hans e Brigg pareciam ter chegado à mesma conclusão.

Nesse instante, os passos estrondosos da dupla ecoaram pelas escadas metálicas logo acima.

Porém, os mesmos se detiveram de repente, sendo substituídos por gritos de espanto.

“Mas o quê!!?”

“Que porra é essa!!?”

Em seguida, uma saraivada de tiros de rifle foi ouvida.

***

Higa conseguia sentir claramente de dentro do duto o deslocamento de ar que se seguia dos sons de ‘-RATATATATATATA!’ dos rifles sendo disparados.

Do outro lado do eixo principal, as membranas musculosas com esqueleto de titânio do pobre Ichiemon eram, provavelmente, atravessadas de maneira impiedosa deixando enormes buracos.

Porém, seu sistema de controle e bateria estavam em suas costas, por isso, mesmo se o atacassem, ele ainda continuaria se movendo um pouco mais.

“Muito bem! Abram a escotilha… AGORA!”

A voz de comando partiu da doutora Koujiro através de seu comunicador.

Então, Higa usou todo seu peso para girar a válvula resistente da pequena passagem que dividia o duto.

Com um ‘- Ppssssh!’, o regulador hidráulico começou a se mover e a pesada portinhola de metal iniciou sua abertura.

A continuação do duto do outro lado, no eixo inferior, também estava iluminada com as mesmas luzes de emergência alaranjadas e tênues.

Assim que a passagem foi desobstruída, os sons da batalha nas escadas do lado oposto ficaram mais intensos.

Higa respirou fundo, ajustou a mochila que levava o laptop em suas costas e com um único impulso, atravessou a passagem indo para o acesso mais estreito do duto.

Em seguida, pegou outra escada e continuou a descida.

Em situaçõess como essa, o pessoal dos filmes de ação já estariam gritando dramaticamente alço como:…

“…Go! Go! Go!”

Sussurrou divertidamente enquanto a voz de Rinko no comunicador dizia:

“Hã? Como é que é?”

“N-Nada não… a passagem de mantimentos onde estão os cabos deve de estar há dez metros a frente e… sim! Lá está! Já a vi!!”

A imensidão de cabos da densa fibra óptica disposta ao longo da parede do duto terminava em uma caixa gigantesca, parecendo uma caixa de fusíveis, na cor preta.

Se conectasse seu laptop pelo lado de dentro da passagem de mantimentos, teoricamente, poderia controlar as unidade 3 e 4 dentro da sala do STL Nº2 e também as 5 e 6 que estavam na filial de Roppongi.

Aguente só mais um pouco, Kirigaya, farei com que desperte o mais rápido possível.

Higa já tinha esquecido seu medo enquanto descia desenfreadamente pela escada.

Ao mesmo tempo, em seu ouvido, a voz de Rinko chegava confiante.

Muito bom, voltarei para a segunda sala de controle para monitorar o Fluctlight de Kirito. Boa sorte, Higa!

Sendo elogiado parabenizado daquela forma pela Doutora Koujiro, a mesma que até pouco tempo o tratava como um novato pareceu o transportar para aqueles dias de outrora.

Higa, instintivamente olhou para o teto com um sorrisinho nos lábios.

No entanto, não viu a doutora logo acima, ao invés, estava Yanai, descendo de maneira atrapalhada com uma expressão desesperada estampada no rosto.

Higa suspirou e voltou sua atenção para a caixa preta próxima.

***

Tendo surgido no alto da montanha que ainda mostrava sinais da intensa batalha travada, o homem com uniforme tático de combate militar olhou para o sul e falou sem emoção na voz:

“…Alice já se foi? Bem… não importa, consigo alcançá-la rapidamente… será… divertido…”

Após, voltou sua atenção para Sinon com um sorriso frio.

“…Até onde posso recordar, você eu lutamos faz pouco tempo no torneio em Gun Gale Online.

Você se chama… Sinon, correto? Quem poderia imaginar que voltaríamos a nos encontrar em um lugar como este?”

Escutando a voz desprovida de humanidade daquele homem, que era tanto o Deus da Escuridão Vector, quanto Subtilizer, Sinon desesperadamente tratou de conter suas mãos que tremiam.

Contudo, seus dedos estavam rígidos, suas palmas banhadas em suor e sentia que o Arco de Solus pudesse a qualquer momento cair de suas mãos.

Em pé, sob as costas da criatura alada com a estranha forma parecendo um disco, Subtilizer sorria mecanicamente enquanto continuava a falar em um japonês fluído.

“Mas o que está acontecendo? Ouvi que não havia mais unidades STL no Japão… Por acaso está envolvida de alguma forma com o RATH? Ou melhor, está trabalhando para eles como uma mercenária? É por isso que está aqui?”

Com dificuldade, Sinon fez um esforço para seus lábios se moverem e falou:

“Subtilizer… porque você está aqui?”

“Porque é inevitável que eu esteja.”

Subtilizer, ainda na posição com os braços como se estivesse a estrangulando, não fez questão alguma de esconder a gigantesca satisfação que crescia em seu interior e continuou a falar.

“É tudo graças a essa força primordial chamada destino. O poder da alma que arrastou a ambos para estarmos reunidos novamente.”

Se tom foi mudando gradativamente, fazendo sua voz ficar mais e mais fria.

“Sim… eu também te quero, minha pequena presa. E por causa desse meu desejo, que voltamos a nos encontrar. Isso explica muita coisa.

Que se torne agora meu objetivo, cuja alma absorvida através do STL… que estava até agora limitada apenas aos Fluctlights Artificiais, que se estenda também para a dos humanos do mundo real…

Quero desfrutar completamente a doçura de sua alma a qual fui incapaz de saborear durante o torneio de GGO.”

Enquanto Sinon ouvia aquelas estranhas palavras, ecoou em sua mente o que escutara na quarta edição do BoB…

Sua alma será tão doce!

Ou como foi dito, na ocasião, em inglês:

Your soul will be so sweet!

Seu corpo se tornou incrivelmente frio, rígido e até sua respiração ficou errática.

“Venha… venha a mim, Sinon. Se entregue totalmente!”

Um brilho gelado surgiu dentro dos olhos azuis de Subtilizer.

“Zzt!!”

O mundo se distorceu.

O ar, o som e até mesmo a luz começaram a distorcerem-se, sendo sugados para dentro das órbitas daquele homem.

O q-…?

O que é isso!?

Até seus pensamentos pareciam ser atraídos, arrastados por um poderoso magnetismo.

Não! Tenho que resistir. Tenho que lutar contra ele.

De um canto escuro, seu espírito parecia gritar, porém, por alguma razão, o mesmo se encontrava incrivelmente enfraquecido.

Finalmente, até mesmo o corpo, protegido pela linda armadura azul de Sinon, também cedeu e foi sugado para os braços abertos de Subtilizer.

Os impotentes dedos de sua mão esquerda esticaram desesperadamente a corda do arco, sacudindo silenciosamente em pleno ar.

Segundos depois, através de sua consciência nublada e prestes a apagar, sentiu seu corpo ser envolto na escuridão daquele homem gélido.

A mão esquerda dele agarrou suas costas, a direita passou pelo seu rosto e acariciou seu cabelo, colocando-o atrás da orelha.

Os finos lábios de Subtilizer se aproximaram de seu ouvido exposto e aquela voz, como água gelada, penetrou diretamente em seu cérebro.

“Sinon, alguma vez pensou no significado por trás do nome Subtilizer?”

“….!?”

Completamente impotente, Sinon sacudiu a cabeça da esquerda para a direita.

“Para os japoneses, talvez se pareça muito com um nome comum, ‘Satori’, ou algo assim, não é? Contudo, esse é um nome inglês genuíno.

Soletra-se tal como se escreve, Subtilizer.

Que quer dizer ‘aquele que refina’, ‘aquele que talha’, ‘aquele que seleciona’… e… ‘aquele que rouba’…”

Devido à proximidade do rosto de Sinon, a garota percebeu a luz nos olhos dele se tornar muito mais brilhante.

“Te roubarei…

Roubarei sua alma!”

***

O lugar onde Jo Wol-Saeng aterrissou foi em uma rocha coberta cheia de rachaduras e limo.

Contudo, não era uma rocha natural e sim uma feita pelo homem. Parecia que se encontrava em uma plataforma superior de uma estrutura gigantesca com a forma de um templo.

Ao seu redor, havia um número incontável de jogadores coreanos que, assim como ele, haviam acabado de chegar. Estimava que estava na casa dos milhares… talvez, dezenas de milhares.

Já que não tinha uma tela de seleção de personagens, os equipamentos de todos eram variados, porém, os detalhes das armas e armaduras, eram todos da mesma cor: vermelho.

Wol-Saeng olhou as próprias mãos por um momento. Estavam protegidas por luvas metálicas, manoplas da mesma cor.

E assim que olhou para frente…

Embora não conseguisse discernir sua localização com precisão, pois estava em meio a uma multidão, ainda podia ver batalhas se desenrolando na planície em frente a esse tempo onde estava.

Porém, os jogadores coreanos ao seu redor não se moviam, provavelmente o resultado daquela luta já estava decidido.

O grupo de pessoas vestidas com armaduras multicoloridas, os quais pareciam ser os tais jogadores japoneses, parecia haver aniquilado completamente a legião vestida da mesma cor que ele e os demais.

Esses mesmos guerreiros, embora tivessem reorganizado suas tropas após a vitória, não pareciam querer comemorar.

Ele pressentia.

Alguma coisa estava errada.

Porém, era incapaz de imaginar o que era.

No fim, aquilo ali não parecia ser um evento promocional de um novo jogo como havia cogitado momentos antes de fazer a imersão.

Esta área, com esse céu rubro e terra enegrecida, era muito simples para ser um teste que se supunha querer chamar a atenção de novos jogadores.

A ausência total de qualquer mensagem sobre regras ou advertência aos usuários, em nada indicava se tratar de um evento oficial.

Entretanto, mesmo que de fato se tratasse de algo dessa natureza, não conseguia acreditar no que havia lido naquele post de recrutamento.

Além disso, que significado tinha em invadir um servidor de testes e matar seus beta testers? Mesmo que se pudesse provocar sofrimento e humilhação temporários, não seriam realmente capazes de parar ou atrasar o desenvolvimento do tal jogo.

Era só resetar tudo, desligar, puxar um backup, trocar permissões ou algo assim.

Cerca da metade dos coreanos na volta de Wol-Saeng também pareciam estar pensando na mesma coisa.

Algumas vozes podiam ser ouvidas dizendo algo como: ‘- O que fazemos agora?’, ‘– Sério que são japoneses?’…

E nesse instante, uma voz se sobressaiu.

“Camaradas!”

Um grito em coreano veio da vanguarda, do lado direito.

Wol-Saeng se esticou, ficando na ponta dos pés para ver sob os ombros dos jogadores a sua frente, contudo, não conseguia ver a aparência da pessoa que estava falando.

Entretanto, conseguiu avistar alguns caracteres em vermelho que dizia [Líder] sobre o avatar de alguém.

A mesma voz ressoou outra vez da mesma direção dos caracteres.

“Muito obrigado por responder ao nosso chamado! Lamentavelmente, os beta testers que estavam realizando seus trabalhos dentro desse servidor foram massacrados pelos agressores japoneses, não, pelos invasores japoneses!

Porém, esses garotos não querem parar por aí, eles querem partir para cima dos outros beta testers e repetir seus crimes!”

Nisso, Wol-Saeng sentiu uma ira palpável emanar do grupo a sua volta.

O que havia incomodado mesmo os coreanos, certamente tinha sido a palavra ‘invasores’. A confusão e suspeita sobre o que acontecia ali desapareceu tão logo a palavra fora proferida, sendo substituída por uma hostilidade intensa que cobriu toda a área.

“- BIGEOBHAN ILBON-IN!

Alguém gritou e logo, outros gritos e urros acompanharam.

E assim que o alvoroço diminuiu o tal líder declarou outra vez:

“Esses japoneses hackearam nosso servidor e criaram uma equipe de alto nível para eles próprios ao passo que para nós, que perdemos todos os privilégios de administradores, só restaram esses equipamentos padrões, camaradas!

Porém, sei que nossa coragem e patriotismo não perderá ante a qualquer espada ou armadura!”

Diante essas palavras, um rugido ainda mais forte explodiu da multidão.

“- ULI NALALEUL JIKYEOLA!”

Igualmente, do outro lado, outra onda de brados furiosos que não eram coreanos, também ressoou.

“- GANCHUU RENMEN.”

Wol-Saeng não podia entender o que significava, porém, reconheceu de que se tratava de chineses. E parecia que o número desses jogadores não era menor que os dos coreanos.

E enquanto a atmosfera se intensificava, Wol-Saeng ainda permanecia com aquela sensação incômoda. Contudo, nada mais poderia fazer para deter o fervor instaurado.

Por trás do muro humano formado, o líder ergueu sua mão direita coberta por um manto negro para o alto e gritou:

“…GO!

Recebendo essa ordem, compreendida tanto pelos coreanos quanto pelos chineses, a legião vermelha explodiu em uma ira avassaladora, avançando como um único corpo, como uma enorme e furiosa criatura, fazendo o chão tremer antes seus violentos passos.

***

“E-EXÉRCITO DO MUNDO HUMANO! EQUIPE DE SUPORTE! AVANCEM A TODA VELOCIDADE…!!”

Asuna gritou com a voz embargada pouco antes do enorme exército vermelho agrupado nos telhados direito e esquerdo do palácio realizar seus movimentos.

A equipe de suporte do Exército de Defesa do Mundo Humano tinha um acampamento estabelecido perto da entrada das ruínas antigas. O templo se estendida em ambos os lados desse caminho. Em outras palavras, as várias dezenas de milhares de inimigos estavam dispostos diretamente sobre esse acampamento.

“Deixem tudo e saiam daí agora! Todos os usuários de artes sagradas retirem as carruagens!!”

A ordem foi dada um pouco tarde demais. O novo contingente entrou de vez na batalha e já se encontravam cruzando as cabeças das estátuas gigantes das divindades para cair sobre a equipe de suporte.

Asuna apertou os dentes e levantou a espada.

Concentrando sua imaginação na ponta da rapier, a movimentou para baixo com rapidez e força.

Uma luz multicolorida saiu em linha reta e golpeou as duas estátuas alinhadas.

Mesmo com a terrível dor despontando do centro de sua cabeça, forte o suficiente para ejetar sua consciência do corpo e destroçar sua alma, ela conseguiu se concentrar e manter o poder da imaginação.

As estátuas de pedra sacudiram o solo enquanto se levantavam abrindo suas bocas retangulares e oscilando suas mãos. Sem dar tempo para reação, começaram a atacar os jogadores ainda reunidos nos telhados do templo.

Os soldados vermelhos na parte da frente se retiraram rapidamente, se chocando com suas forças aliadas que estavam avançando de trás.

Todos caíram como se fossem peças de dominó.

Aproveitando-se dessa pequena brecha de oportunidade, as oito carruagens, juntamente com a equipe de duzentos usuários de artes sagradas e a equipe de suporte começaram a se mover.

Asuna somente pode controlar as estátuas por trinta segundos antes que a dor se tornasse completamente insuportável e a fizesse cair sobre os próprios joelhos.

Porém, a retaguarda do Exército do Mundo Humano já havia conseguido escapar do desastre anunciado e conseguido se retirar com sucesso a caminho do deserto aberto no lado norte das ruínas.

Cerca de quinhentos guardas e dois mil jogadores japoneses avançaram e adotaram uma formação de flanqueava defensivamente suas tropas de retaguarda de ambos os lados, preparando para entrar em batalha.

Contudo, longe de ter agora um terreno apropriado para lutar, sua única opção era montar uma linha de defesa unidirecional no estilo bater e recuar contra as dezenas de milhares de inimigos.

Haviam tido êxito nessa estratégia de fazer com que os jogadores americanos retrocedessem de maneira calculada, cujo número os superavam em muitos, graças aos muros das ruínas que limitavam o avanço das tropas, fazendo com que ficassem confinados em um pequeno espaço, destruindo qualquer superioridade relativa à quantidade.

Porém, agora estavam rodeados por quarenta ou cinquenta mil jogadores chineses e coreanos e em campo aberto, era só questão de tempo até que a vanguarda entrasse em colapso.

“GHH…!”

Buscando a última gota de força que lhe restava, Asuna forçou-se a levantar novamente sua espada.

Por favor, uma última vez… permita-me construir um muro forte o suficiente que possa proteger a todos…

Ela orou enquanto concentrava sua imaginação mais uma vez.

Contudo…

Juntamente do impacto extraordinário que acometeu seu corpo, como uma descarga elétrica, Asuna foi lançada ao chão com tal violência que quando deu-se conta, sua garganta,olhos e ouvidos haviam se enchido de líquido.

Uma pequena quantidade de sangue começou a escorrer.

“Não se esforce demais, Asuna! Também temos que brilhar aqui!!”

Gritou Klein.

“Sim, deixe um pouco do serviço para nós!”

Agil complementou com sua poderosa voz.

Enquanto os dois homens paravam em frente de Asuna, um levantando uma enorme katana e o outro um grande machado…

A legião vermelha que já havia se recuperado do susto, começava a saltar novamente dos destroços dos telhados.

Já que estavam mais de vinte metros de altura, uma grande quantidade deles não aterrissou a salvo e acabaram por sofrerem machucados e contusões, com alguns ficando completamente incapazes de mover-se. Contudo, os demais soldados que vieram depois, acabaram por usar seus companheiros como trampolins ou colchões, fazendo com que pousassem sem maiores danos.

DOLGYE – G!!

TU – JI!!

Asuna nunca havia aprendido chinês ou coreano, mas seu instinto lhe dizia que provavelmente aqueles gritos significavam ataquem! .

O imenso exército rubro se dispersou para a esquerda e direita, aproximando-se cada vez mais. Porém, os primeiros a atacar foram Klein e Agil.

“ZEIRYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHH!!”

“U… RAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH!!”

Acompanhados por simultâneos gritos que sacudiram o ar, habilidades de espadas de grande alcance foram lançadas pela katana e pelo machado de guerra.

Raios luminosos de cor branco e azul brilharam e se juntaram, criando um enorme ataque, que ao passar pelos inimigos, fez jorrar sangue e pedaços de corpos e armaduras por todos os lados.

Da parte dos jogadores japoneses, os Lordes de ALO, seus aliados e os heróis dos Sleeping Knights começaram a lutar com uma fúria nunca antes vista.

O choque contínuo de metal atravessava o campo de batalha, parecendo ser produzido por armas de fogo. Todos se juntaram e uma única explosão rugiu clara e profundamente.

E entre espadas, machados e lanças que uivavam a cada vez que uma habilidade era executada, uma luz explodiu policromada, cortando os soldados vermelhos sem parar.

O ar comprimido em torno daquelas pessoas assobiou e o assalto inimigo parou por um momento.

Mas isso era o máximo que conseguiam…

De fato, um esforço tão inútil quanto tentar aparar com as mãos o curso de água lamacenta que eclodia de uma barragem recém-destruída.

A multidão vermelha parecia apenas aumentar a medida em que se aproximavam mais e mais.

Deitada no chão, Asuna parecia ouvir uma risada fraca, assustadora e zombeteira que vinha de alguém acima do campo de batalha, coberta e misturada aos gritos de dor e rugidos de raiva.

Ela girou os olhos nublados e captou a imagem de um homem com um manto negro em pé no alto das ruínas do palácio do templo, girando o corpo como se estivesse dançando alegremente sobre a desgraça, terror e morte.

***

 

 

 

 

 

 

 

OLÁ PESSOAS!

COM QUASE UMA SEMANA DE DIFERENÇA CÁ ESTÁ O NOVO CAPÍTULO.

DESSA VEZ GRANDÃO, ROBUSTO, CHEIO DE AÇÃO, DRAMA, SANGUE, LUTA E AQUELA DOSE DE FAN SERVICE QUE SÓ SAO PODE LHE PROPORCIONAR.

IA POSTAR NO FIM DE SEMANA, PORÉM, ERA MEU ANIVERSÁRIO E PASSEI SOMENTE COM A DONA RUIVA (deixei o chibi Kirito na casa da avó), FOMOS NO SAFARI ‘POKEMÃO’, TORRAMOS NO SOL ESCALDANTE E DEPOIS NOS AFUNDAMOS EM DOSES ESTRATOSFÉRICAS DE SORVETE.

(

– Olá senhor, o meu peso em sorvete por gentileza! Quanto custa?

– Um rim.

– Que ótimo! Fique com os dois e as pedras de gorjeta

)

DEPOIS DE TANTO TEMPO SEM TER FOLGA, ACHO QUE FOI JUSTO NÉ?

MAS BORA LÁ VER O QUE HOUVE NO CAPÍTULO…

COMEÇANDO COM A CONTEXTUALIZAÇÃO DESSA MUVUCA PROVOCADA PELO PoH. CARAMBA!! O CARA TIROU DA CARTOLA ESSA GALERA. SÓ ACHEI MEIO QUALQUER COISA O ESQUEMA DO ÍCONE DE LÍDER ALI, MAS SEI LÁ, VAI SABER O QUE O CRITTER CONSEGUIU NO CONTROLE DA SALA PRINCIPAL… AINDA ASSIM FIQUEI CONFUSO.

 

TEMOS TAMBÉM A APRESENTAÇÃO DO LADO COREANO, QUE ACHEI BEM LEGAL TAMBÉM TER UMA VISÃO ‘DO OUTRO LADO’ E VER QUE NEM TUDO É GUERRA E TAL. O CARINHA ALI ME LEMBROU O TEMPO EM QUE IA NAS LOCADORAS DE VÍDEO GAME PARA UMAS PARTIDAS DE FLIPERAMAS E ATÉ MESMO RESERVAR UMAS HORAS PARA JOGAR, INSERINDO O MEMORY CARD COM O SAVE DAQUELE RPGZÃO GOSTOSO AO QUAL TINHA INVESTIDO 186 HORAS SÓ PARA O ÚLTIMO CD TRANCAR… AI AI…

 

COMO HAVIA DITO ANTES, O DERRAME QUE A ASUNA ESTÁ TENDO, ACHEI DO CARAMBA! POIS O PERSONAGEM DELA ALI SERIA O MAIS OVERPOWER. A DESGRAÇA IRIA ACABAR COM TUDO EM SEGUNDOS SE NÃO TIVESSE LIMITAÇÕES. FOI DEMAIS E AINDA ABRIU ESPAÇO PARA KLEIN, AGIL E A GALERINHA TODA. VAI SER MUITO BOM VER ISSO NA TELINHA, REVER OS ANTIGOS PERSONAGENS DOS OUTROS ARCOS.

 

O PLANO SUICIDA DO HIGA FOI BACANA TAMBÉM. O JEITO DELE FICAR ZOANDO E IMAGINANDO SITUAÇÕES DE FILMES É MUITO NERD TIOZÃO (eu faria a mesma coisa hehehe), SÓ SINTO QUE BOA PARTE DISSO SERÁ PROVAVELMENTE CORTADA 🙁

 

E PARA COMPLETAR ESSA VIAGEM, VAI PARA O OCEAN TURTLE, VAI PARA A COREIA, VOLTA PARA A BATALHA DOS EXÉRCITOS, TEMOS TAMBÉM O DESENROLAR AO SUL DO DARK TERRITORY.

O SENHOR GABRIEL/SUBTILIZER/VECTOR CHEGANDO NO MELHOR ESTILO CREEPER.

CARINHA SANGUE RUIM MESMO!

ESSE VAI SER UM PLOT BACANA DE SE VER. 

DANDO CONTINUIDADE NAQUELA MICRO HISTÓRIA LÁÁÁÁÁÁ NO COMEÇO DO ARCO. ESTOU REALMENTE EMPOLGADO COM ESSA PARTE

 

ERA ISSO MINHAS QUERIDAS PESSOAS, ATÉ A PRÓXIMA.

 

FORTE ABRAÇO!!

 

 

 

 

==== SETOR DA DOAÇÃO ====

Resolvi deixar o canto da doação, pois ainda tenho a hospedagem e tal.

Se alguém quiser dar uma força, ok, se não puder, ok também. Sem problemas minhas pessoas 🙂

 

Valeu pessoas e forte abraço!

 


 

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Estamos também traduzindo Sword Art Online Progressive, não deixem de ler.

OST de batalha para acompanhar a leitura 🙂