Sword Art Online Alicization – Awakening – Capítulo 20 – Parte 4.1

Arco: Sword Art Online Alicization Underword – Awakening

Capítulo 20

Sword Art Online Alicization Underworld - Awakening - Bercouli, Vector e Vassago

Parte 4

Gabriel Miller observou com indiferença a maneira como seu dragão negro se debatia para manter-se no ar com apenas uma asa. Este, com muita dificuldade, ainda logrou aterrissar satisfatoriamente sobre uma superfície rochosa, ficando completamente exaurido com seu esforço final, grunhindo e arfando com a enorme pedra de sangue e Vida.

Assim que o animal parou, possibilitando a descida suave de suas costas, os olhos do humano perderam o foco sobre a fera alada e tudo mais que fosse relacionado à sua existência fora inteiramente descartada de seus pensamentos, afinal, era só uma ferramenta que chegara ao fim de seu propósito.

O homem inspecionou o lugar ao redor sem demonstrar nenhuma emoção.

O local da queda tinha sido uma região com numerosas elevações de pedra em forma cilíndrica. E o pilar onde encontrava-se estava no centro dessa zona, possuindo aproximadamente 90 metros de altura com 25 de diâmetro.

Saltar dali seria algo demasiadamente impulsivo.

Todavia, também não estava completamente familiarizado com a magia desse mundo, que sintetizava e controlava os elementos. Dessa forma, sair arriscando saltos carregando a sua querida Sacerdotisa da Luz Alice, que estava inconsciente a seus pés, poderia ser algo oneroso e chato.

Se tivesse algumas cordas fortes, ganchos e mosquetões, Gabriel poderia facilmente descer fazendo rapel de uma altura pequena como essa, pois mesmo no mundo real, ele sempre fora ótimo na prática.

Contudo, também não havia nenhuma necessidade de fazer isso no momento, pois seu inimigo estava se aproximando rapidamente vindo do norte, trazendo consigo três feras aladas.

Era só questão de cuidar do intruso, suplantar a I.A. de um novo dragão e prosseguir com a viagem até o extremo sul.

Gabriel levantou a cabeça e olhou diretamente acima dele. O sol virtual flutuando no céu avermelhado tinha alcançado a altura ideal.

Não iria demorar muito agora…

Em poucos instantes, Critter, aceleraria o tempo novamente.

Fez uma pequena nota mental, ficando curioso se os jogadores norte americanos, que ainda deveriam contar com mais ou menos cinquenta mil guerreiros, conseguiriam derrotar o pessoal do Mundo Humano antes que fossem expulsos à força por causa do aumento da taxa de aceleração. Afinal, eles tinham menos de mil soldados, sendo praticamente impossível resistir por muito tempo.

De tudo isso, a única incerteza estava a cargo dos Integrity Knights. Eles sim constituíam uma força real e que estava causando grandes estragos no exército do Dark Territory.

Contudo, alguns deles, como Alice que caiu em suas mãos, já não estavam mais em condições de lutar. Podia também descontar o seu perseguidor, que abandonou a batalha para segui-lo até os confins desse lugar, o que sobrava… somente um ainda em combate, ou seja, nada para se preocupar.

E assim que Gabriel determinou que todas as complicações estavam prestes a serem resolvidas, dirigiu seu olhar para a Integrity Knight Alice caída ao seu lado.

Absolutamente maravilhosa.

Tão linda que o sentimento animalesco que se retorcia dentro dele parecia querer rasgá-lo e sair.

Gabriel estava em dúvida se deveria ou não tirar aquele equipamento todo antes que ela despertasse e a aprisioná-la corretamente.

Seria a decisão mais sensata, porém… não queria ter que fazer com rapidez, ainda mais com o seu inimigo prestes a chegar. Era algo delicioso para se desperdiçar devido à pressa.

Decidiu então que esperaria a aceleração ser instaurada novamente e faria tudo o que quisesse com a máxima calma. Pois mesmo que fosse apenas desafivelar uma tira de couro que segurava a armadura ao corpo, deveria fazer com muita graça e seriedade. Seria um maravilhoso ritual.

“Tenha doces sonhos… por hora, minha Alicia… Alicia…”

E após sussurrar essas palavras no ouvido da garota, dirigiu-se ao centro do pilar de pedra para aguardar a chegada de seu inimigo.

Fora Gabriel Miller, que usava a Superconta 04, Deus da Escuridão Vector, somente Critter sabia de um detalhe importante sobre aquele perfil de personagem.

Alice, a Integrity Knight mais forte, havia caído inconsciente por se tornar vítima do poder de Vector.

As quatro contas especiais de Underworld foram criadas para executarem milagres, operações diretas no mundo e em seus habitantes.

Stacia podia manipular a geografia.

Solus podia atingir qualquer tipo de unidade móvel ou não que desejasse.

Terraria podia recuperar a durabilidade tantas vezes fosse necessária.

E Vector podia controlar os Fluctlights Artificiais dos residentes de Underworld.

Verdadeiramente falando, podia editar as recordações, os dados vetoriais dos habitantes diretamente em seus Fluctlights, realocando-os, retirando-os ou até mesmo criando novos lugares.

E diferentemente dos outros três deuses, esse poder era equivalente a um assalto, impossibilitando que se tornasse uma divindade muito querida pelo povo.

E, além disso, não só Vector possuía um equipamento da mais alta prioridade e Vida, como também estava sob uma poderosa proteção, a de ser incapaz de ser atingido, virar alvo, de uma arte.

‘Os garotos perdidos de Vector’, um conto de fadas existente em Underworld. Essa história foi propagada por causa das operações que a pessoa que usou essa conta executou nos residentes nos primórdios da criação do mundo.

E a combinação do poder do Deus da Escuridão Vector e a imaginação única e peculiar de Gabriel Miller, produzia um efeito multiplicador inimaginável no sistema de Incarnation, algo que nem os desenvolvedores e técnicos do RATH puderam prever.

Em resumo, ele poder absorver a força de vontade dos demais sem a necessidade de usar nenhuma arte.

O Fluctlight de Alice teve roubado temporariamente seu dinamismo e com isso, acabou sendo colocado em um estado letárgico.

O poder combinado de Gabriel e Vector foi o que engoliu o poder da Incarnation do Dark General Shasta.

E o Integrity Knight Bercouli provavelmente seguiria o mesmo caminho.

Bercouli percebeu que o dragão do Imperador fez uma aterrissagem forçada em uma coluna rochosa muito alta, impedindo seu avanço.

O comandante teve um momento de alívio ao mesmo tempo em que sentia no corpo o impacto de uma fadiga intensa causada por sua técnica.

“Certo… por favor, Hoshigami, Amayori e Takiguri, vamos até lá!”

Com apenas essas palavras, os três dragões bateram as asas com mais força, acelerando a marcha. Agora, mesmo que o inimigo estivesse há mais de dez kilols à frente, a distância seria percorrida em pouquíssimo tempo.

Durante o tempo que lhe restava antes da batalha derradeira, Bercouli sentou calmamente e começou a contemplar o horizonte em total silêncio. Sua mente recordou do sonho que teve na manhã anterior.

“- Alguma vez você já teve uma premonição de morrer?

A Alto Ministro, a Administrator havia lhe perguntado isso em seu sonho e Bercouli, a quem conhecia há centenas de anos, apenas respondeu de maneira lacônica.

Ao ter sido informado por Alice, depois ser libertado do Deep Freeze, sobre a morte da soberana, não sentiu absolutamente nada, apenas limitou-se a suspirar e dizer: ‘-Agradeço por todo seu longo e duro trabalho’. Para falar a verdade, tinha ficado mais surpreso pela morte de Elder Chudelkin.

Por causa dessa sua conduta desapegada à cerca da morte, acabou nem se interessando em perguntar especificamente para Alice como tinha sido a batalha final contra a Administrator.

É claro, muito se deveu ao fato de que ele tenha ficado extremamente ocupado ao assumir a pesadíssima tarefa de defender o Mundo Humano. Mas a verdade era que não tinha mesmo interesse algum em relação aos desejos que a semideusa de olhos e cabelos prateados possuía, muito menos em discorrer sobre seus muitos pecados.

A Administrator sempre fora condescendente, inconstante e até caprichosa com muitas das ações e pequenas transgressões de Bercouli. Talvez por querer tê-lo sempre por perto, pois era o único ser vivo tão velho quanto ela.

Em contrapartida, o mesmo poderia se dizer sobre Chudelkin, embora não o apreciasse como uma pessoa querida, o mantinha ali por causa de sua obediência cega.

Entre tantas coisas, o fato é que…

Ele não odiava servi-la.

“Muito bem… deixe-me fazer um último serviço, por favor!”

O cavaleiro mais antigo desse mundo falou essa frase entre dentes antes de abrir os olhos, que agora exibiam um brilho tão afiado como uma lâmina.

Já conseguia ver claramente Alice com sua armadura dourada estendida ao solo, com a silhueta do Imperador Vector silenciosamente em pé logo a sua frente.

“Então é isso…

Garotos, permaneçam no ar! Se eu falhar, voltem imediatamente para o norte e unam-se com o resto das tropas!”

Com essa pequena ordem aos dragões, Bercouli saltou das costas de Hoshigami.

***

Seguindo o encalço de Sinon, cuja trajetória de voo criou um rastro brilhante como um cometa, as setecentas pessoas do Exército do Mundo Humano avançavam desesperadamente para o sul.

Estavam a muito custo abrindo distância entre eles e a legião vermelha. Porém, nem a guarda em solo quanto seus cavalos e pequenos dragões poderiam aguentar o ritmo por muito mais tempo.

A carruagem de Asuna, Kirito, Tiezé e Ronye ia à frente, liderando a investida rumo ao sul.

Depois de mais ou menos vinte minutos de avanço, exatamente como Sinon havia dito, o contorno das gigantescas ruínas do que parecia ser um templo, começou a surgir no horizonte.

Não havia nenhum sinal de humanos, meio-humanos ou qualquer outro ser. Somente rochas desmoronando ao solo devido à ação do tempo.

Mais adiante desse templo, parecia haver duas espécies de santuários. Cada um com vinte metros de altura e mais de trezentos de largura. De fato, poderiam ser usados como barreiras para impedir que o inimigo pudesse circundá-los.

Entre os dois santuários, o caminho continuava rumo ao sul, dando a impressão de ser um Sando, aquelas estradas que no mundo real dão acesso aos templos budistas ou xintoístas.

E conectando as paredes do santuário, estavam erigidas em pé, estranhas e gigantescas estátuas, uma de cada lado, agindo como se fossem guardiões.

Não eram, contudo, estátuas de Buda, acompanhando essas construções com traços orientais, muito menos esculturas no estilo ocidental. Em resumo, eram figuras quadradas, ligeiramente similares as que são encontradas no mundo real nas ruínas da América do Sul.

Elas tinham grandes olhos redondos com enormes bocas, com braços rechonchudos cruzados em frente ao peito.

Será que foram desenhadas pelos engenheiros do RATH no momento da criação de Underworld? Ou foram geradas a partir do pacote de modelos do The Seed?

Há um a possibilidade de terem sido esculpidas pelas antigas raças do Dark Territory… podem muito bem ser tumbas dos mortos de uma civilização de outrora…

Asuna suspirou tentando deixar esses questionamentos de lado.

Nisso, olhou para frente e gritou para o Knight Renri, que estava guiando as tropas montado em seu dragão:

“Vamos enfrentar o inimigo no meio daquelas construções!”

Como resposta obteve:

“Entendido!”

Minutos depois, as tropas atravessaram com rapidez o caminho que havia entre os santuários, tendo como silenciosos observadores as gigantescas estátuas retangulares de ambos os lados.

Os cascos dos cavalos e as botas dos soldados faziam barulhos fragmentados ao caminhar sobre aquela trilha árida.

Renri os dirigia com orgulho, fazendo sua voz ser ouvida por todos naquele ar gélido:

“Certo! A vanguarda deve formar uma fila ordenada aqui, assumindo posições defensivas! Deixem as carruagens e a equipe de apoio passar entre vocês!”

No mesmo instante o pelotão principal se dividiu em dois e os oito veículos de comboio cruzaram por eles, seguidos rapidamente pela equipe de suporte que consistia quase inteiramente pelos usuários de Artes Sagradas. Estes, ao chegar à retaguarda, assumiram também suas posições estabelecidas.

Uma forte lufada de vento veio do que seria o grande portal por onde a trilha do sul passava fazendo os cabelos de Asuna voarem para cima.

Este fora o único momento de silêncio, pois logo a pequena calmaria foi quebrada pela sinfonia retumbante dos jogadores norte americanos que vinham em perseguição, fazendo o chão tremer ao ponto de fazer vários pedaços de rochas das estátuas caírem.

Asuna saltou da carruagem e foi até os fundos dela onde estavam as garotas que no momento colocavam suas cabeças para fora da abertura para observar o exterior.

“Esta será a última batalha. Deixarei Kirito sob seus cuidados.”

“Sim, pode contar com a gente, senhora Asuna!”

“Definitivamente o protegeremos, mesmo que custe nossas vidas.”

Tiezé, Ronye e Sortiliena bateram fortemente seus punhos no peito e Asuna fez o mesmo. No final, deu-lhes um sorriso gentil e disse:

“Estejam certas que não deixarei que o inimigo chegue até aqui.”

Essa promessa tinha sido mais para ela própria do que para suas companheiras.

Então, Asuna agitou suavemente a mão direita e deu as costas.

Renri estava atualmente à frente da vanguarda preparando as tropas com muita destreza.

A estrada tinha vinte metros de largura e embora fosse um pouco ampla demais para defender, bloquear um avanço com um sistema de alternância e rotação entre as tropas, não era de todo modo impossível.

O mais importante era evitar o número de mortes ao máximo enquanto fossem reduzindo os dez mil soldados das forças inimigas, dando possibilidade para os usuários de Artes Sagradas possam usar seus ataques e artes curativas de maneira eficiente.

Felizmente, entre os guerreiros inimigos, não parecia haver qualquer usuário de magia. Contudo, mesmo que os jogadores estadunidenses provavelmente não tenham maneira de aprender o complexo sistema de comandos de Underworld em tão pouco tempo, ainda assim não deveria ser descartado um ataque desse tipo, entretanto, esse pequeno detalhe já era tido como um presente dos céus.

E se a situação de fato mudar…

Irei acabar com esse exército com minhas próprias mãos!

Asuna respirou fundo e concentrou esse pensamento enquanto reforçava seu dever.

Tendo em vista a grande quantidade de Vida da conta de Stacia e a prioridade absurda de seu equipamento, ela não cairia diante de danos numéricos. O problema estava se ela conseguiria ou não suportar a enorme dor que isso traria.

Quando a sensação agonizante chegasse ao seu coração, seu corpo virtual podia desmoronar por completo. Pois mesmo com a certeza de que não esse corpo não era o seu real, sua mente inadvertidamente poderia ser levada a um estado tão fragmentado que não conseguiriasequer segurar a espada.

Asuna fechou os olhos e pensou nos ferimentos de Kirito. Imaginou-se em sua situação e em toda magnitude de dor e tristeza que ele carregava em seus ombros.

Ficou em silêncio por mais alguns instantes concentrada e no momento em que o entendimento chegou ao seu coração, todo o medo e incerteza foram expulsos para longe.

O embate titânico, destinado a ser o último desse tipo de guerra, se desenvolveu em pleno sol do meio dia.

Duas dezenas de jogadores estadunidenses fortemente blindados avançaram pelas ruínas em busca de sangue e gritos realistas que haviam prometido no site de anúncios e redes sociais.

Porém, o que os esperavam não eram simples NPCs desenvolvidos unicamente para proporcionar entretenimento sem qualidade e sim verdadeiros heróis cheios de determinação para salvar o mundo e resgatar sua amada Integrity Knight dourada.

E embora estivessem com suas espadas sem fio, rachadas ou até mesmo quebradas, todavia brilhavam com o resplendor de sua força de vontade inquebrantável.

 

Alheio a tudo isso, observando do alto, estava a figura de um solitário jogador vermelho que avançava com uma sede tremenda de sangue.

Sua armadura de couro em substituição a proteção metálica de uma armadura pesada, funcionava mais como um traje de piloto de corridas. O couro brilhante estava coberto de rebites prateado fosco.

Sua única arma era uma grande lâmina que na verdade parecia mais como um cutelo de açougueiro, sendo carregada no lado esquerdo de sua cintura.

O rosto estava oculto e seu corpo totalmente envolto em uma túnica impermeável também de couro negro. Através do capuz que obscurecia suas feições, apenas a boca ficava visível.

Seus lábios retorcidos em um esgar era a única coisa que denunciava suas intenções.

Era o homem conhecido como Vassago Cassals.

Depois retornar mais uma vez para Underworld e conseguido evitar por pouco o repentino ataque gigantesco a laser de Sinon, mesclou-se aos demais jogadores estadunidense e veio perseguindo o Exército do Mundo Humano desde então.

Contudo, não uniu-se as ondas de ataques, ao invés disso, decidiu escalar a parede lateral do santuário e ficou na cabeça da maior estátua, onde era capaz de observar toda a batalha se desenrolando a sua frente como se estivesse assistindo um espetáculo sentado na primeira fileira.

“Kekeke, essa cadela continua tão boa quanto antes, que maldita! Está triturando eles sem dó.”

Sussurrou para si mesmo enquanto seus ombros tremiam com uma excitação indescritível.

E exatamente como estava gravada na memória longínqua de Vassago, a garota com a armadura perolada e com seus cabelos castanhos esvoaçantes, Asuna, o Relâmpago Vermelho, movia sua espada com um clarão imenso.

E também como da outra vez, Vassago estando nessa mesma posição, vendo as batalhas de Asuna enquanto ocultava sua presença à distância, reforçou mentalmente o juramento que dizia respeito a ela e o homem que lutava ao seu lado:

Irei matá-la antes que esse mundo acabe, juntamente com o Espadachim Negro”.

***

Quando ele saltou das costas de seu dragão, Bercouli estava a quase duzentos mels acima do solo. Se simplesmente deixasse a gravidade fazer seu serviço, provavelmente não sairia ileso do impacto resultante.

Isso seria um problema para praticamente a maioria dos seres desse mundo, contudo, não se aplicava ao Knight Commander, que ao se precipitar no ar, começou a executar movimentos helicoidais, girando cadenciadamente no próprio eixo.

A ideia era bem simples, criar uma espécie de escada invisível ao manipular os elementos aéreos sob seus pés enquanto girava como se estivesse descendo degraus imaginários em formatos espiralados.

A cada passo que dava, gerava um elemento de vento e o detonava logo em seguida em sua sola, usando isso como forma de ir amortecendo o impulso da queda a cada passo.

O controle dos elementos com os pés era uma habilidade que havia copiado de Elder Chudelkin por achar um recurso eficiente.

E dessa forma, detonação após detonação, o cavaleiro mais antigo do mundo, agarrou firme a empunhadura de sua espada e quando estava a uma altura segura o suficiente para ele atacar sem ser notado, saltou no ponto cego do Imperador.

Vector, que estava sob a coluna de pedra logo abaixo dele, parecia uma figura incompatível com aquele cenário, tão fino quanto uma agulha e tão artificial quanto um material criado por algum usuário principiante de artes sagradas.

Te matarei em um só golpe!

Fora a primeira vez em muito tempo em que o Integrity Knight Bercouli manifestou alguma intenção realmente assassina.

A última que tinha ocorrido algo parecido tinha sido quando matou o Dark General das gerações anteriores, datando para mais de cinquenta anos atrás, embora estivesse mais para irritação do que fúria propriamente dita.

Em todos esses anos posteriores, nunca houve um inimigo que fosse suficientemente forte para fazer seu instinto assassino a acordar.

Nem mesmo na batalha contra o garoto chamado Eugeo, que havia invadido a Catedral Central, foi capaz de despertar essa sede de sangue. Na ocasião, devido aos sentimentos sinceros e verdadeiros do menino ao enfrentá-lo, sentiu-se incapaz de manifestar qualquer ira, apenas quis lutar sem pensar em estratégias.

Contudo, se for se basear por essa ótica, nem com os Dark Knights, seus inimigos mais fortes ao longo de todos esses anos, nunca conseguiu sentir tais emoções negativas para com eles.

Em outras palavras, essa de fato era a primeira vez na longa vida de Bercouli que canalizava ódio genuíno em sua lâmina.

Cada fibra de seu ser estava realmente cheia de fúria. Por outro lado, não era porque ele tinha somente capturado sua aprendiz Alice.

Vindo do mundo exterior, o chamado Mundo Real, esse estranho homem tinha obrigado as pessoas do Dark Territory a seguir seu jogo doentio de guerra, preferindo enviar dezenas de milhares de pessoas para uma morte em vão ao invés de conquistar a paz com diplomacia e diálogo.

Para Bercouli, que havia protegido esse mundo por mais de duzentos anos, essa era uma atrocidade imperdoável.

Imperador Vector, não sei qual foi seu motivo para tudo isso.

Porém, sei que nem todos de seu mundo são demônios como você. Compreendi esse fato quando conheci a senhorita chamada Asuna.

Isso só me diz que você é o único a carregar a maldade pura em seu coração, que é algo inerente seu, sua própria natureza.

Sendo assim, devo retribuir na mesma moeda.

Vou te ensinar o peso das vidas do Dark Knight Shasta, do Integrity Knight Eldrie e da existência dos inúmeros seres humanos que pereceram em seu campo de batalha imundo.

Farei você compreender… com esse único ataque!!

 

“Ze… AAAH!!”

Cruzando os últimos dez mels no ar com seu último passo, o Knight Commander girou sua espada, trazendo-a para baixo, diretamente sobre a cabeça desprotegida do Imperador Vector. Era um ataque carregado com toda sua força de vontade.

O ar crepitou com um fulgor extremamente brilhante. A lâmina da espada irradiou tanta energia que fez o mundo perder sua cor original.

Sem dúvida alguma, este tinha sido o ataque mais forte e mais poderoso de todas as técnicas com espada da história de Underworld. Sua prioridade ficou, inclusive, acima dos comandos de sistema, já que os dados mnemotécnicos do Visualizer Principal, foram sobrescritos.

Em outras palavras, para qualquer tipo de tentativa de bloqueio, os valores seriam inúteis diante tal ataque.

Isso valia até mesmo para os marcadores ilimitados da Superconta 04 do Imperado Vector. Este seria completamente desintegrado se viesse a ser atingido pelo golpe, Realmente, uma técnica digna do homem mais forte de Underworld.

Se houvesse contato, tudo acabaria.

Era como enfrentar um meteoro que estivesse prestes a se chocar contra sua cabeça.

Contudo, o rosto de Vector, seguia desprovido de qualquer emoção.

A velocidade do ataque era tão rápida que mesmo se alguém conseguisse captá-lo com os olhos, não teria tempo de mover um dedo.

O golpe foi executado instantaneamente, não importava o quão incrível fosse a velocidade de reação, ninguém poderia desviar daquilo a tempo.

Entretanto…

O corpo do Imperador, protegido por sua armadura cristalina em tons negros, deslizou de maneira sobrenatural e silenciosa para fora da trajetória da lâmina.

Foi em uma linha reta para uma distância suficientemente precisa para evitar a rota de ataque.

Não era como uma evasão comum, estava mais para um teleporte ou algo parecido.

A espada de Bercouli só conseguiu raspar no manto vermelho que ondulava ao vento. Sendo que no instante em que o grosso couro encontrou o fio da lâmina, foi destroçado imediatamente transformando-se em partículas de pó.

“ZUGAAAAAAAAANG!!”

Com um ruído trovejante, uma fissura gigantesca foi talhada em rocha sólida. Todo pico estremeceu e pedaços de rochas voaram para todos os lados.

Esquivou!?

Embora estivesse sem fala, Bercouli não parou um instante sequer para continuar sua movimentação. Através de seus longos anos de experiência em batalha, aprendeu que não adiantava nada parar uma investida por ela não dar certo, que deveria sempre estar preparado para circunstâncias inesperadas, portanto, tinha que continuar.

Deu um passo ainda no ar e se projetou para o flanco do Imperador aterrissando sobre a rocha dura e automaticamente executou um ataque horizontal.

Esse veio menos de meio segundo após o fracasso do primeiro ataque.

Porém, Vector mais uma vez negou o segundo golpe igual como tinha feito antes.

Seu corpo era como fumaça negra sendo empurrada pelo vento. Não parecia fazer esforço algum ao deslizar para fora do alcance dos ataques. E o que era mais preocupante, fazia isso sem parecer ter nenhum preparo ou até consciência do que acontecia, apenas executava os movimentos mecanicamente como se estivesse sendo controlado por uma força invisível alheia a sua própria vontade.

Nesse ataque, a ponta da espada resvalou na superfície da armadura do soberano, criando faíscas que voaram no ar.

E embora não tenha acertado, Bercouli respirou fundo resoluto ao ver a projeção daqueles movimentos.

Pois…

Com esses ataques, ele tinha assegurado sua vitória.

Seu golpe mais poderoso tinha sido esquivado, porém, sua força não havia se dissipado.

O Armament Full Control Art de sua espada, a Time Piercing Sword, com a técnica Empty Slash, que tinha a capacidade de cortar o futuro já tinha sido ativado.

Era sua técnica definitiva a qual consistia em um poder de corte que, ao longo de sua trajetória, podia retalhar qualquer coisa que entrasse em contato com seu fio, o mesmo poder que tinha atormentado Eugeo em sua luta na Catedral Central.

A proteção das costas do Imperador se dividiu em dois a partir de um golpe invisível e indetectável.

A primeira coisa a se separar foi seu sedoso cabelo platinado, que ficou girando para todas as direções devido ao deslocamento do ar causado pelo golpe.

A coroa sobre sua cabeça rompeu-se com um click metálico.

Vector, nesse ínterim, levantou as mãos no ar como se estivesse pedindo misericórdia.

Bercouli estava cem por cento convencido de que a cena seguinte seria seu corpo envolto por roupas negras partindo-se em dois.

“CLAP!”

Uma palma.

Clara e seca.

Ela veio das… mãos do imperador, que tinha as erguido sobre a cabeça.

Ele deteve até o Empty Slash com as mãos nuas e ainda de costas!?

Impossível!!

Ainda que a técnica secreta de capturar uma lâmina afiada com as duas mãos havia sido transmitida de geração para geração entre os Lutadores do Dark Territory, era um movimento arriscado e desesperado que carecia do usuário ter, acima de tudo, mãos tão resistentes quanto aço. E de todos os residentes, só o que poderia executar algo assim seria o chefe da tribo dos Lutadores e nem mesmo ele seria capaz de deter um golpe daqueles, executado por uma lâmina invisível e naquela situação.

Esses pensamentos passavam como um flash pela mente de Bercouli, mas logo os abandonou.

Pois o que via o deixou extremamente alarmado.

O corte de sua primeira técnica, algo tão forte que parecia dividir as dimensões e que estava no ar, começou a ser absorvido pelas mãos do Imperador.

O dano em suas costas tinha desaparecido como por encanto.

E ao mesmo tempo, os olhos azuis de Vector se tingiram de uma escuridão avassaladora.

E naquele olhar, em meio à densa ausência de luz, pontos…

Pequenos pontos luminosos piscando que se assemelhavam a…

São… estrelas…!?

Não.

Eram almas.

As almas que esse homem havia obsorvido e que estavam presas dentro dele.

O Dark General Shasta e sua ajudante estavam em algum lugar ali, provavelmente…

“…Desgraçado! Então, você pode devorar a Incarnation de outras pessoas?”

Diante do murmúrio de Bercouli, Vector baixou lentamente suas mãos que tinham acabado de absorver por completo o ataque e falou com muita calma:

Shin’i?”

Respondeu o termo em japonês para Incarnation e depois prosseguiu.

“… Entendo, então essa é sua mente e vontade…”

A voz era grave e gélida, desprovida de qualquer sensação comum a um ser humano. E a fonte dela, seus lábios finos, se deformava como se tivesse tentando emular um sorriso.

“Sua mente parece antiga como um vinho envelhecido. Encorpada e rica… com um sabor pesado que deixaria um gosto por muito tempo na língua. Embora não seja muito do meu agrado… será bom como um aperitivo antes do… prato principal.”

As pálidas mãos do Imperador seguraram a empunhadura da espada em sua cintura.

A fina lâmina deslizou lentamente para fora da bainha e foi coberta por uma aura violeta.

E inclinando a ponta para baixo, como se fosse uma pessoa muito fraca, Vector voltou a sorrir.

“Está certo, agora me deixe degustá-la um pouco mais!”

***

A espada do gigante finalmente raspou no braço esquerdo de Asuna.

A dor a assaltou como um ferro em brasas conforme atravessava sua pele.

Isto não é nada!!

Concentrou-se enquanto a pequena ferida se fechava e desaparecia silenciosamente segundos depois.

E na sequência, com um clarão tênue saindo de seu braço direito, a lâmina apunhalou o homem de frente quatro vezes seguidas, começando por seu ombro direito até seus joelhos no lado esquerdo.

O rosto do homem se retorceu enquanto gritava obscenidades até cessar os movimentos ao cair sem vida no chão.

Já havia perdido a conta de quantas pessoas tinha ferido mortalmente, da mesma forma que não sabia quanto tempo já havia se passado desde que começou a batalha nessas ruínas.

Não queria admitir, mas era desolador o fato que por mais que derrubasse um incontável número de soldados vermelhos, o seu total não parecia nem de longe diminuir. Continuavam arremetendo-se onda após onda, criando uma sensação de que aquilo não acabaria nunca.

Uma batalha infinita…

Mas se pensar bem, até que uma luta dessas não parece grande coisa. No antigo Aincrad, os confrontos contra os chefes dos andares que duravam três ou quatro horas eram muito comuns.”

Asuna tentou acalmar seu coração com esses pensamentos enquanto saltava sobre uma pilha de corpos de aliados e repelia com sua espada o golpe de machado brandido por um recém-chegado novo inimigo.

O equilíbrio de seu atacante fora completamente destruído pela sua investida. Em seguida, Asuna golpeou com precisão o seu coração enquanto já observava os dois flancos de sua posição.

Ela estava no centro da estrada. À sua direita, o Integrity Knight Renri que continuava atacando ininterruptamente com suas lâminas, lançando-as com força e precisão inacreditáveis, criando várias pilhas de corpos em todas as direções por onde passavam. Aparentemente, estava se aguentando bem por ali.

O problema maior estava em sua esquerda. Esse espaço estava a cargo de Sortiliena, que abandonara a carruagem de Kirito e agora lutava em conjunto com os demais capitães da guarda. Estavam tendo grandes dificuldades ali, não conseguindo avançar.

Para falar a verdade, estavam sendo acuados, retrocedendo pouco a pouco a cada investida rubra.

“Flanco esquerdo, façam a rotação entre a retaguarda sem parar! Priorizem as artes curativas nesse canto, rápido!”

“Senhora Asuna, ainda posso lutar!”

Quem respondeu fora Sortiliena, que estava como ponta de lança, a frente de todos enquanto ativava uma ampla gama de habilidades com espadas de duas mãos, entre elas, a conhecida por Asuna, Cyclone.

Sua espada longa girou rapidamente com um brilho esverdeado claro, interceptando três soldados inimigos de uma vez só, contudo, ao terminar seu movimento, ficou sobre os joelhos alguns instantes antes de prosseguir com mais ataques.

A julgar pela conversa na noite anterior, os espadachins de classe nobre estavam acostumados com duelos um contra um e combates heroicos, sem experiência alguma em guerras intermináveis como essa.

E embora as técnicas de espada de Liena fossem bastante fluídas e ferozes até mesmo aos olhos de Asuna, que acabava de chegar a esse mundo. Seus ataques, ao passo de serem extremamente bem executados, quando em ambiente como esse tipo de situação, onde não tem praticamente apoio algum tanto de armas secundarias quanto de parceiros sincronizados, no instante em que termina seus combos máximos, acaba por deixar lacunas, brechas para que os inimigos a atinjam, infringindo cortes, arranhões e outras lacerações antes que ela consiga ativar seus ataques novamente.

Por esse motivo, estava cheia de cicatrizes horríveis com manchas de sangue por toda sua armadura e roupas.

“Recue e cure-se, senhorita Liena! Confie em seus companheiros!”

Diante da ordem de Asuna, Sortiliena mordeu os lábios e assentiu com a cabeça, retirando-se para a retaguarda enquanto anunciava para os outros soldados: ‘-Estou recuando por hora!’.

A brecha que deixou na primeira fileira foi logo preenchida pelo comandante da guarda, porém, seu rosto estava com uma expressão exausta.

Deixando de lado por alguns instantes o esgotado flanco esquerdo, havia algo mais que preocupava Asuna.

Os soldados vermelhos com que estavam lutando agora não eram simples monstros humanoides movidos por algoritmos e sim jogadores veteranos da América, o lugar onde nasceu o gênero MMORPG. Eles é que estavam mais familiarizados com sistemas de combates do que qualquer um no planeta.

Tanto era verdade que depois de pouco tempo já haviam percebido que ataques frontais simples eram completamente ineficazes e já começavam a formar manobras mais elaboradas.

Caso formassem uma estratégia mais complexa… o que poderia fazer em uma situação assim?

Asuna terminava de apunhalar dez inimigos enquanto pensava.

Poderiam lançar ataques à distância vindo da retaguarda deles, contudo, não parecia realmente haver jogadores de apoio entre o inimigo e mesmo que houvesse, provavelmente não estariam aptos a lançar qualquer ofensiva devido à complexidade dos comandos de feitiços de Underworld, não sendo possível aprendê-los em tão pouco tempo.

Além da magia, poderiam usar arcos.

Felizmente para o exército do Mundo Humano, RATH não tinha preparado o tipo de classe arqueiro. Contudo, poderiam lançar suas armas de mão, mas aí ficariam impossibilitados de continuar a batalhar.

Sendo assim, ao que tudo indicava o inimigo não dispunha de muitas opções.

Então, como já era o plano inicial, precisavam acabar com as dez mil unidades inimigas em embate corpo-a-corpo.

E no instante que Asuna renovava sua determinação…

No arco de entrada por onde a estrada passava pelo meio das ruínas, onde tinham criado o gargalo, uma enorme mancha escurecida se formou.

Pareceu que o sol da manhã estivesse sendo bloqueado conforme fileiras ordenadas de escudos gigantes com lanças com bandeiras adornadas entre eles foram surgindo.

Lanceiros pesados!

“Pre-…Preparem-se para se defender da investida!! Tenham cuidado, evitem as pontas das lanças do inimigo! Poderemos derrubá-los após o primeiro ataque! Eles ficarão vulneráveis logo após o impacto!”

E no momento em que Asuna gritou, com um som de metal contra metal, as lanças gigantescas miraram à frente em sincronia e…

ASSAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAUT!!

Um bloco enfileirado de vinte lanceiros pesados rugiu ferozmente enquanto desatavam a correr.

Os guardas ficaram apavorados vendo o tsunami vermelho se aproximar.

Os pedidos silenciosos de Asuna de: ‘Por favor! Acalmem-se!’ tentaram alcançar os corações de todos enquanto só podia observar o ataque inimigo chegando.

As lanças em sua direção reluziam em um resplendor enegrecido.

Sem mais o que fazer, apenas trancou a respiração e esperou até o último segundo…

“CLIIINK!!!”

Faíscas amarelas voaram em todas as direções quando sua espada deslizou pelo lado da grande lança.

A ponta afiada cortou a bochecha direita de Asuna.

“…AHHH!!”

Com um grito furioso, a garota apunhalou o vão vulnerável entre a armadura do inimigo, que quando finalmente percebeu, sua garganta já tinha sido perfurada.

Em frações de segundo, da viseira do capacete do descomunal oponente, um jorro de sangue foi expulso com a força do impacto.

Juntamente com o som aquoso resultante, vários outros gritos foram ouvidos, porém, não vieram somente dos soldados inimigos.

Os guardas que defendiam o flanco esquerdo, que não puderam evitar ou segurar o ataque, foram perfurados pelas lanças.

“GH…!!”

Apertando os dentes, Asuna deixou sua posição central e correu para a esquerda.

Com uma só apunhalada, usando a técnica Linear, atravessou o peito da armadura de um soldado inimigo que estava retirando sua lança do corpo de um guarda morto.

Segurando de maneira firme a espada empapada de sangue, ela cortou as mãos do inimigo seguinte, ativando o golpe Parallel Sting.

Sem parar, também evitou a estocada de um terceiro oponente ao executar um salto vertical e aterrissar sobre sua arma.

Nessa posição, correu abaixada pelo cabo, apoiando-se em um dos ombros do soldado ao mesmo tempo que com a mão esquerda, arrancava-lhe o capacete e por fim, afundava sua lâmina na nuca descoberta do mesmo.

O inimigo caiu sem conseguir gritar.

Ao desabar no chão, Asuna caminhou por cima de seu corpo e gritou:

“Levem os feridos para trás! Cure-os com a máxima urgência!”

Olhando na sua volta, mais uma vez viu o cavaleiro Renri enfrentando uma dura batalha com suas tropas, que de alguma maneira tinham conseguido repelir o ataque dos lanceiros, porém, seis guardas tinham recebido danos diretos das lanças em seus corpos.

Três deles estavam além da cura.

Se repetirem a mesma estratégia, superados em número como está o Exército do Mundo Humano, já não seremos capazes de manter essa posição.”

Seus temores se tornaram realidade quando sentiu um novo tremor de terra.

A próxima leva de vinte lanceiros pesados vinha da entrada das ruínas outra vez.

Enquanto esperava o novo impacto, Asuna instintivamente desviou olhar do bloco de lanças que estava praticamente em cima deles e o voltou para sua antiga posição, na parte central da estrada.

Lá estava um jovem, um guarda de aspecto infantil tentando segurar uma espada enquanto seus joelhos tremiam.

“…NÃO!!!”

Gritou enquanto corria.

Cobriu a distância sem nem perceber e saltou entre o jovem paralisado de medo e a ponta de uma lança que vinha diretamente pela lateral dele.

A espada não chegaria a tempo de desviar, então, sua única opção foi agarrar com a mão esquerda.

Se isso fosse um VRMMO comum, Asuna, que tinha uma velocidade de reação e força física incrível, seria capaz de bloquear facilmente esse tipo de ataque. Contudo, estava em Underworld, onde os parâmetros de SAO e ALO não significavam nada.

E mais uma vez essa realidade se mostrou o quão cruel era.

A lança de aço deslizou através do punho ensanguentado, vindo em sua direção.

O impacto contundente sacudiu todo o corpo.

Não conseguiu emitir som algum, apenas olhar para baixo e ver uma enorme peça de metal a empalando-a.

***

Poucos movimentos para maximizar a eficiência de sua espada.

Para o Knight Commander Bercouli, a espada do Imperador Vector era somente isso: algo completamente diferente de qualquer estilo pelo qual já tinha visto ou enfrentado até hoje.

Primeiro de tudo, praticamente não usava seus pés. Ao evitar um ataque, não fazia nada além de deslizar-se ligeiramente para o lado, evitando por centímetros o golpe.

Além disso, parecia que atacava sem nenhum objetivo, sem um plano prévio. A espada balançava prontamente quando estava perto e apenas isso.

Em resumo, predizer aqueles movimentos era quase impossível. Com isso, o veterano Bercouli não pôde repelir de maneira eficaz os cinco velozes e incrivelmente potentes ataques do Imperador que mais parecia martelar do que efetivamente cortar com sua arma.

Entretanto, essas cinco vezes eram o suficiente.

Devido a sua vasta experiência em combate, Bercouli, que já havia deduzido mais ou menos como funcionavam as técnicas de Vector, começou a medir o tempo antes de seu sexto ataque.

“HSSSSSS…!”

Liberando a menor quantidade de energia possível, Bercouli colocou em curso um ataque sobre a cabeça do inimigo, enquanto Vector, como um espelho, fazia o mesmo.

Com um violento som metálico, faíscas brancas azuladas explodiram em todas as direções.

As duas espadas se cruzaram no ar.

A partir desse instante, a luta seria de força.

Porém…

A espada do inimigo deixou-se retroceder para baixo sem fazer nenhuma resistência.

Aparentemente incapaz de suportar a pressão, o Imperador, que tinha uma estatura mediana, dobrou os joelhos enquanto o comandante fazia força.

É agora!

Bercouli carregou sua amada espada com uma Incarnation refinada fazendo a lâmina de sua companheira de aço desgastado ser envolvida por um brilho prateado.

A Time Piercing Sword foi empurrando lentamente a espada negra de Vector para baixo até tocar o seu ombro e começar a perfurar sua armadura.

E nesse instante…

A espada do Imperador pareceu ativar algo, desprendendo um resplendor sinistro.

Assumiu uma luminescência índigo enquanto se retorcia como um organismo vivo e se enrolava na Time Piercing.

Ao mesmo tempo, o brilho prata da espada de Bercouli desapareceu, como se tivesse sido… sugado.

Mas o que é isso!?

Nã-…o…

E… Eu… o que eu… estou fazendo mesmo…?

Com um estalo agudo, ele sentiu um frio congelante em seu ombro esquerdo.

Bercouli abriu os olhos e deu um salto instintivo para trás enquanto puxava ar para os pulmões, tentando recuperar a consciência que tinha começado a se distanciar.

Que diabos foi isso?

Como fui abrir a guarda no meio de uma batalha..!?

Contudo, mesmo se censurando por cometer um erro principiante como aquele, percebeu que o motivo não tinha sido desleixo nem nada do gênero, a causa era algo mais profundo…

Tinha sido como se um vazio estivesse corroendo sua consciência, deixando-o incapaz de compreender por que estava ali ou mesmo em saber que era.

“Maldito…! Está absorvendo a incarnation diretamente através da minha espada?”

Bercouli percebeu que sussurrou ao invés de gritar, que era seu intento.

A resposta veio em forma de um sorriso malicioso.

Em seguida, o comandante olhou seu ombro esquerdo e percebeu um arranhão, contudo, nada profundo.

“Humm… muito interessante. Então é isso, sua Majestade Imperial?

Creio que não podermos cruzar espadas vai ser algo bem chato.”

Bercouli riu, mas as palavras de Vector tirou o sorriso de seus lábios ao sussurrar:

“…De fato… agora que pensei, tem mais algumas coisas que ainda não testei….”

Depois de dizer isso, ergueu descansadamente a espada em sua mão direita para frente.

Contudo, Bercouli estava totalmente fora do raio de ação, não havia como a lâmina o alcançar.

Então, a ponta da arma do Imperador brilhou em um azul escuro e a lâmina se estendeu.

“…Está ficando… maior? Não pode ser!?

E nessas frações de microssegundos, a luz adiantou-se da lâmina criando um facho e tocou o peito de Bercouli.

A consciência do comandante se desfez tão rápido quanto uma vela sendo apagada.

A espada longa, que continuou seu crescimento, foi lentamente prosseguindo até chegar no local onde estava o Integrity Knight e alojando-se no lado esquerdo do cavaleiro enquanto ele simplesmente olhava sem parecer compreender o que acontecia.

E sem nenhuma pressa, a lâmina foi balançada casualmente para cima.

Com um ruído úmido e pegajoso, o forte braço de Bercouli foi separado de seu corpo.

***

 

 

 

 

 

 

OLÁ PESSOAS!

AINDA NA BASE DO EMPRÉSTIMO, SEM PC E SEM PREVISÃO ALGUMA DE VOLTAR A TER UM.

USANDO CADA TEMPINHO POSSÍVEL PARA TRADUZIR ATÉ NO CELULAR, NO SERVIÇO, ESPERANDO ÔNIBUS E TAL…

ENFIM, UMA BATALHA DE CADA VEZ.

FELIZMENTE ESSE CAPÍTULO NÃO TEM UMA IMAGEM PRÓPRIA, POSSO FAZER UMA GAMBIARRA AQUI E ALI E JÁ  ESTARÁ PRONTA, CONTUDO, O PRÓXIMO CAPÍTULO TEM E VOU TER QUE SER MUITO CRIATIVO PARA TRATAR ELA.

BOM, CHEGA DE CHORAR, BORA PARA O QUE HOUVE POR AQUI.

 

 

FINALMENTE O BERCOULÃO ALCANÇOU VECTOR!!!

INFELIZMENTE JÁ CHEGOU TOTALMENTE EXAURIDO. EMBORA TENHA CURTIDO MUITO ASSIM, O BICHO É MUITO APELÃO, TEM QUE HAVER UMA MANEIRA DE DAR UMA NERFADA NELE, UMA EQUILIBRADA.

GOSTEI, ACHEI QUE AS COISAS FICAM MAIS INTERESSANTES E ÉPICAS DESSA FORMA, PORQUE CÁ ENTRE NÓS, ALGUÉM AÍ DUVIDA QUE O COMANDANTE VAI MITAR?

ASUNA REVIVENDO SEUS VELHOS MOMENTOS DE SAO, MANDANDO E DESMANDANDO NA GALERA NO CAMPO DE BATALHA, SÓ QUE DESSA VEZ ELA VAI SENTIR DOR VERDADEIRA, ACHEI BEM LEGAL TAMBÉM QUE TENHA SIDO ASSIM.

ELEVA A DIFICULDADE PARA OUTRO NÍVEL E FAZ COM QUE MESMO ESTANDO COM UMA SUPERCONTA, NÃO DESCARTE UM DANO IRREVERSÍVEL, MESMO QUE SEJA PSÍQUICO.

E ENTRE ISSO TUDO…

LÁ ESTÁ ELE, O FDP SUPREMO! O MIMIZENTO QUE VEM SENDO O PÉ NO SACO DE KIRITO E ASUNA HÁ MUITOS ANOS! SENHORAS E SENHORES, VASSAGO CASALS, O CARA DO CUTELO, MAIS CONHECIDO COMO…

É…. ELE MESMO 🙂

 

BOM, ERA ISSO, CAPÍTULO FRENÉTICO, MUITA LUTA, MUITA TÉCNICA E MUITO SANGUE E POUCO RECURSO PARA TRADUZIR DE FORMA DECENTE, ESPERO QUE NÃO LIGUEM MUITO PARA ALGUNS PROVÁVEIS ERROS, FIZ NA CORRIDA MESMO!!

 

AH!!!!! SIM!!! A MENÇÃO HONROSA VAI PARA RENRI, O BEBEZINHO DA INTEGRIDADE CORTANDO GERAL! MESMO NÃO INDO COM A FUÇA DELE E QUERENDO QUE BATA AS BOTAS, ESTÁ FAZENDO UM BOM TRABALHO.

E A SEGUNDA MENÇÃO VAI PARA BERCOULÃO DESCENDO A ESCADINHA INVISÍVEL, FAZENDO UM SHOW OFF.

A CADA PASSO UM ESTOURINHO, UI! UI! UI!  XD XD XD XD XD !!!

E ERA ISSO PESSOAS! ATÉ QUALQUER HORA EM ALGUMA OPORTUNIDADE.

FORTE ABRAÇO!

 

OBS: NÃO PODIA DEIXAR DE FALAR DOS TRAILERS DE ALICIZATION QUE SAIRAM! A ANIMAÇÃO ESTÁ LINDA!!  E PARAFRASEANDO O COMENTÁRIO DE UMA LEITORA DA PÁGINA (VICTORIQUE DE BLOIS), ACHO MUITO LEGAL VER CADA CENA, CADA ÂNGULO E SITUAÇÃO E ENTENDER EXATAMENTE DO QUE SE TRATA.

ALGUNS FALAM QUE ISSO É CHATO, MAS SEI LÁ, É EMOCIONANTE!!

DEIXAREI O ÚLTIMO QUE SAIU NO FINAL DA PÁGINA, LOGO ABAIXO DA MÚSICA.

E DE ANTEMÃO DIGO QUE O SANGUE FOI COMPLETAMENTE DEIXADO DE FORA, PELO MENOS PELO QUE FOI MOSTRADO. AQUELA BATALHA DO KIRITO KID NA CAVERNA FOI SANGRENTA, PRINCIPALMENTE NAQUELE CORTE NO LÍDER DOS ORCS, UGASHI. MAS FAZER O QUE NÉ? A FAIXA ETÁRIA É MAIS BAIXA…

 

 

 

==== SETOR DA DOAÇÃO ====

Enquanto não consigo repor o pc, vou fazendo aqui uma leve petição.

É como disseram uma vez para mim: ‘-O não você já tem!

Agradeço quem foi lá e marcou uma doaçãozinha amiga, vocês são simplesmente os melhores!! De coração MESMO!!!

Nesse momento, criando essa parte de doações, me sinto exatamente como querida Lisbeth que chegou na frente de uma galera e pediu algo impensável, algo que significava muito para as pessoas, coisas pelas quais se sacrificaram para conseguir. Se já entendia ela antes, agora então mais ainda.

Valeu pessoas e forte abraço!

 


 

 

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Estamos também traduzindo Sword Art Online Progressive, não deixem de ler.

Hoje a música vai por conta do delete do PC, do capítulo, da minha conta bancária…

 

 

Trailer – Sword Art Online 3 Alicization: