Sword Art Online Alicization – Awakening – Capítulo 20 – Parte 2

Arco: Sword Art Online Alicization Underword – Awakening

Capítulo 20

Sword Art Online Alicization Underworld - Awakening - Sinon - Solus

Parte 2

“… Gh!!”

Perdendo ar dos pulmões repentinamente, Vassago Casals foi chacoalhado.

Ao retomar o equilíbrio, ajeitou os cabelos desgrenhados e olhou em sua volta.

Paredes de aço emitindo uma luz fraca, com ângulos retos e feitas de um material polimérico com numerosos monitores que apresentavam diversos dados na penumbra.

E quase ao mesmo tempo, viu um homem de constituição magra com um corte de cabelo no estilo militar sentando em uma cadeira de couro um pouco mais a sua frente. Finalmente, Vassago deu-se conta de que havia regressado à sala de controle principal do Ocean Turtle no mundo real.

O homem ali, Critter, deu um leve assovio enquanto dizia em tom sarcástico.

“Vejam só! A Bela Adormecida finalmente acordou. Pensei que seus neurônios tinham sido fritados.”

“… Cale essa maldita boca!”

Vassago resmungou enquanto estudava seu próprio corpo. Estava deitado em uma cama em um dos cantos da sala com uma jaqueta atirada de qualquer jeito sob seu abdômen.

Que merda aconteceu!?

Vassago sacudia a cabeça. Ele apenas sentia uma enorme dor em seu crânio, causando uma sensação pulsante intermitentemente, lhe enchendo de náuseas.

Olhou para o outro canto do local onde alguns membros de sua equipe estavam sentados em círculo jogando cartas, fez uma careta e perguntou:

“Ei! Algum de vocês tem uma aspirina ou algo parecido?”

O barbudo Brigg, responsável pela vanguarda daquela invasão, sem dizer uma palavra sacou de seu bolso um pequeno frasco e o lançou.

Vassago agarrou o objeto no ar, girou a tampa com seu dedão e jogou todo seu conteúdo na boca, mastigando os comprimidos rapidamente.

Suportando o intumescimento e amargor imediato na língua, seus pensamentos foram pouco a pouco voltando ao normal.

“Então… eu caí mesmo naquele buracão sem fundo…”

“E aí? Como foi que morreu? Sabia que ficou ausente por oito horas?”

“O-Oito… horas!?”

Surpreso, Vassago deu um salto da cama, esquecendo-se momentaneamente da dor de cabeça.

Olhou automaticamente o relógio em seu pulso esquerdo, percebeu que eram 06:30 da manhã, horário padrão do Japão.

Fez uma conta rápida e precisou que restavam então menos de doze horas até o tempo limite da operação, que era quando as equipes armadas da Força de Autodefesa do Destroyer Aegis Nagato invadiriam o Ocean Turtle.

Mas mais importante do que isso era…

Se tinha passado oito horas inconsciente ali, então, alguns meses já deveriam ter se passados dentro de Underworld. E a guerra? E a missão para capturar Alice? Como estavam as coisas?

Contudo, mesmo que Critter tenha visto a surpresa e dúvida nos olhos de Vassago, fez uma expressão de desdém e disse:

“Não tente forçar esse seu limitado cérebro, relaxe! Quando morreu lá, o tempo de aceleração estava um para um.”

“U-Um para um?”

Então, isso significava que praticamente nada aconteceu por lá, mas… isso também refletia um enorme problema!

“Ei, quatro olhos, você está realmente tranquilo quanto a isso? Sabe que só temos doze horas antes que as tropas da JSDF venha chutar nossas bundas, não é?”

Vassago deu pequenos cutucões na cabeça praticamente raspada de Critter, que retirou a mão do mercenário com um tapa.

“É claro que eu sei. Contudo, essa foi precisamente essa a ordem do capitão Miller.”

Então, o plano de ataque que Critter repassou para Vassago o deixou completamente sem palavras, mesmo para alguém como ele, um experiente jogador de VRMMO.

Antes de deixar o console do sistema no Palácio Obsidiana, na cidade imperial do Dark Territory, Gabriel Miller havia deixado para Critter, no mundo real, ordens expressas daquele plano secreto.

“- Crie um anúncio em um hot site sobre um teste beta para um novo VRMMO extremamente hardcore, livre de todas as leis e restrições, deixando claro que é o objetivo desse novo mundo, Underworld, obviamente. Depois disso, estabeleça um link de acesso, desenvolvendo um cliente de login personalizado. E só então, baixe a taxa de aceleração para 1:1 exatamente no dia 7 de julho à meia-noite.

Ao mesmo tempo, recrute os beta testers de todos os cantos dos Estados Unidos e os enviem para cá.

Inspirando fundo, Critter disse:

“Essas foram as exatas palavras de Gabriel.”

O homem prosseguiu:

“Com esse console restringido, só consigo ver suas coordenadas e as do capitão, assim como a distribuição aproximada das unidades. De maneira que por causa disso, esse era um plano reserva que seria ativo somente no caso da resistência do pessoal do Mundo Humano fosse mais feroz do que o esperado inicialmente.”

Os longos e finos dedos de Critter dançaram sobre o teclado, ampliando o mapa de Underworld na enorme tela.

O mapa, que possuía a forma triangular curva e invertida, mostrava duas linhas vermelhas que se estendiam do extremo leste, passando por todo um caminho e indo até o oeste.

“Esse aqui é o registro de seus movimentos e o outro é do capitão. Veja só, dá para perceber que caminhou, passando direto pelo Grande Portal do Mundo Humano e morreu logo depois dele de maneira abrupta.”

Uma das linhas apresentadas terminava com um grande X, no sul do vale onde houve a queda do portal.

“Porém, o comandante lhe ultrapassou e agora encontra-se rumo ao sul. Deixou para trás inclusive todo o seu exército do Dark Territory no norte e está se movendo sozinho.

O que significa…”

“Que ele está perseguindo ou já capturou Alice.”

Vassago completou a frase em forma de sussurro, e Critter retomou o relato…

“De acordo com o nosso plano original, quando tivermos menos de oito horas restantes ou quando o exército do Mundo Humano for completamente destruído, devolveremos a taxa de aceleração para mil vezes, como estava antes.

Dessa forma, ainda teria um ano restante para agir em Underworld. E é claro, assim que a aceleração for restabelecida, os jogadores dos Estados Unidos serão todos desconectados por erro de sincronização, mas se ganharmos a guerra, quem se importa, não é?”

“Então, vamos aumentar essa taxa de uma vez! O exército do Mundo Humano já está derrotado, só ainda não disseram isso para eles…!”

“Humm… não é tão simples assim. Preste atenção nisso aqui…!”

Critter apertou uma tecla e ampliou determinada parte do mapa.

Precisamente há alguns quilômetros ao sul do Grande Portal do Leste que dividia os dois territórios, bem onde havia planícies, uma colina seguida de um pequeno bosque.

O Mundo Humano havia preparado uma emboscada naquele ponto, em outras palavras, no local onde Vassago morreu.

De alguma forma, entre o pequeno amontoado de vegetação que formava o bosque e as planícies, um enorme cânion havia aparecido com uma extensão inacreditável de 50 quilômetros de leste a oeste. Ao redor dessa estranha formação, grupos de linhas bem finas tremeluziam e se retorciam, mostrando cores que variavam entre vermelho, branco e preto.

“Os vermelhos são os jogadores estadunidenses que recém logaram em Underworld. Muitos deles já pereceram, contudo, ainda tem por volta de vinte mil ativos. E esse círculo negro rodeado pelos vermelhos… bem, creio que são do Dark Territory. Ele somam… uns quatro mil mais ou menos.”

“Ei! Ei! Mas que diabos!! Esses vermelhos estão atacando os pretos!!”

“É natural, já que a informação fake que espalhei era que aquilo ali não passa de um beta test onde eles poderiam assassinar qualquer coisa de qualquer maneira que lhes conviessem, aproveitando uma imersão extremamente realística. Para esse pessoal que chegou, não há diferença nenhuma entre o exército do Mundo Humano e o exército do Dark Territory.

Mas na verdade o curioso nem é isso. Veja, por alguma razão, os negros não estão sendo mortos tão rápido quanto eu tinha estimado. E outra, esses Dark Knights deveriam ser completamente leais ao seu Imperador, não sendo capazes de conseguir lutar contra uma armada invocada pelo seu mestre… Algo está acontecendo ali que eu ainda não sei…”

“Sei lá, talvez estejam tanto tempo focados em assassinatos, que agora não conseguem parar, foda-se!”

“Bem, então digamos que esses quatro mil indivíduos sejam logo dizimados, ainda assim, resta o problema real dessa situação… esse pequeno grupo de linhas brancas.”

Critter moveu o cursor e ampliou um pouco mais a imagem.

De fato, um grupo muito diminuto de linhas brancas estava movendo-se para sul em ritmo muito acelerado, como se estivessem perseguindo o Imperador Vector, ou seja, o capitão Miller.

“Esses caras são do Mundo Humano. E ainda que pareçam insignificantes em relação à grandiosidade do mapa, restam aproximadamente setecentos deles. Seria problemático que eles consigam, por ventura, alcançar o capitão. Em vista disso, devemos detê-los!”

“Detê-los…? E como vai fazer isso?”

Critter não respondeu de imediato a pergunta de Vassago, apenas limitou-se a dar um sorrisinho estranho enquanto continuava digitando ferozmente no teclado.

Abriu uma nova janela sobre o mapa.

Dentro dela, uma enorme nuvem vermelha estava se arrastando em um fundo completamente negro.

“Esses são os jogadores dos Estados Unidos que não conseguiram logar no primeiro acesso e estão esperando abrir um segundo.

Estou apenas aguardando fechar o montante de vinte mil, faltam somente mais oito mil para lança-los diretamente sobre esse pessoal do Mundo Humano. Em questão de números, essa galera irá superá-los vinte e oito vezes, o que creio ser o suficiente para obliterá-los sem maiores problemas. O que acha?

Então, depois que não restar mais nada deles, devolverei a taxa de aceleração ao normal, nos dando mais tempo para que o capitão faça o necessário para recuperar a Alice, levá-la até o console de sistema no sul daquele território para por fim conseguirmos ejetá-la.”

“…Se isso realmente fosse tão fácil…”

Vassago sussurrou enquanto acariciava os poucos tocos de barba de seu queixo.

“O exército do Mundo Humano é muito mais forte do que aparenta. Especialmente aqueles chamados de Integrity Knights.

Aquelas desgraças são absurdamente fortes. Conseguiram destruir facilmente uma onda gigante de Dark Knights como se não fossem nada.

E quer saber? Se eu fosse bater de frente com qualquer um deles… seria morto de maneira patética…”

E foi nesse instante que Vassago lembrou…

Começou a visualizar a forma daquela pessoa que o assassinou.

Conforme a imagem ia se formando, não conseguia puxar ar para os pulmões e seus olhos arregalavam-se ainda mais.

Em sua mente, a lembrança foi se tornando cada vez mais nítida… permitindo discernir agora a aparência daquela pessoa que se apresentava na figura de uma deusa que flutuava no céu noturno enquanto depositava um olhar ardente sobre ele.

Instintivamente, trocou seu idioma para o japonês ao invés do inglês.

“ [アスナ,フルメンテの明るさ / Asuna, A Relâmpago Vermelho]! Sem dúvida alguma… era aquela puta…!!.”

“Hã? Que diabos você disse!?…”

Vassago abriu a enorme mão e agarrou com força a cabeça raspada e confusa de Critter enquanto gritava:

“Escute aqui, seu idiota! Você não percebeu? O pessoal do RATH está jogando por baixo dos panos em alguma outra sala de controle do outro lado dessa comporta. Eles fizeram o mesmo que você…!!

Ou seja, nessa merda de exército do Mundo Humano, também há jogadores de VRMMO japoneses misturado em seu meio. E te afirmo com toda a certeza, se forem que estou pensando, são os piores desgraçados para se enfrentar!!”

“O quê !!??”

Ignorando a expressão perplexa de Critter, Vassago prosseguiu:

“Já que a Asuna, a Relâmpago Vermelho está ali, há grandes chances de que aquele garoto também esteja nesse amontoado, não é? Tem que estar… ele não perderia por nada.

Ah! Que grande oportunidade… ele, ali… bem ali… me… esperando…

Certo, vou voltar!

Ei!! Coloque-me junto desses vinte mil que vai mandar e me jogue direto na posição desses caras de branco!! RÁPIDO!!”

“Quer entrar novamente…? Mas a conta de general negro que usou já se foi, não tenho como resgatá-la. Mas se não se importar, pode usar as dos soldados vermelhos… bem, tenho um monte delas, só escolher a que lhe agradar.”

“Não! Foda-se esses lixos! Eu tenho uma conta… uma que venho guardando por muito… muito tempo…

Kekek…!!”

A voz que deixou a garganta de Vassago começou a se alterar nitidamente conforme emitia uma risada muito estranha. A alteração era muito drástica até para os padrões tido como esquisitos dele.

E durante essa espécie de transformação, agarrou um papel que servia como embalagem das barras de cereais que estava espalhado por ali e rapidamente, sacando uma caneta que estava no bolso de Critter, começou a escrever.

“Seguinte, está vendo isso aqui? Pois bem, use esse ID que anotei juntamente com essa senha para entrar na tela de login do The Seed Nexus no Japão e converta esse personagem para Underworld.

Usarei essa conta.”

Dizendo didaticamente essas palavras, Vassago correu novamente para o local onde estava o STL.

Porém, após dar vários passos, parou abruptamente.

Enquanto girava para trás, mostrava uma expressão completamente maligna em seu rosto, tão assustadora que deixou até o criminoso cibernético Critter sentindo como se sua alma estivesse sendo arrancada de si.

Era como se aquele soldado grosseiro, cheio de desdém e barulhento fosse nada mais do que um personagem, uma máscara que cobria aquela pessoa que se mostrava agora, aquele monstro que despertava…

Sem fazer ruído algum, Vassago foi novamente até Critter e sussurrou mais uma pequena instrução em seu ouvido.

Segundos depois, aquele homem já havia se deslocado, entrado onde estava o STL como se fosse um fantasma, sendo observado apenas pelo estupefato hacker que tremia levemente com um papel entre seus dedos.

Na pequena folha em sua mão estavam três letras inglesas e oito dígitos numéricos.

Critter certamente conhecia o significado daquela sentença de caracteres:

S, A e O.

***

Com os guardas se aprontando para começar a perseguição, Asuna correu por entre a multidão até chegar na carruagem da equipe de suprimentos.

Assim que entrou, viu uma cadeira de rodas derrubada ao chão, e junto a ela, estava um rapaz de cabelos negros com sua mão esquerda esticada para frente enquanto duas garotas se inclinavam sobre ele.

Ronye ergueu seu rosto quando escutou os passos na entrada.  E com o semblante choroso e envergonhado, disse em tom de lamento e desespero:

“S-Senhora Asuna! O senhor Kirito… ele… estava querendo ir lá para fora e… !!”

Asuna mordeu os lábios enquanto assentia com a cabeça. Ajoelhou-se em frente a Kirito e envolveu sua mão esquerda com a única que lhe restava.

“Eu entendi… sim, você também sentiu não é, Kirito? Alice foi… capturada pelo Imperador…”

“O que!? A senhora Alice foi…!?”

Tiezé surpreendeu-se com seu rosto ficando ainda mais pálido.

Um silêncio incômodo se fez presente. Sendo quebrado apenas pela voz arranhada de Kirito.

“A-Ah… uh… nn… ah!”

Sua mão esquerda se moveu em direção ao coto que restava do braço esquerdo de Asuna.

“Kirito… está preocupado comigo…?”

Asuna sussurrou suavemente enquanto Ronye finalmente notava a enorme ferida de Asuna.

“Ah!! Senhora Asuna… o seu braço…!!”

“Está tudo bem. Isto é somente uma ferida temporária para mim…”

Murmurou Asuna enquanto levantava o que havia restado de seu braço esquerdo.

Higa Takeru havia lhe dado uma visão breve acerca da tecnologia de Mnemotecnia Visual. Mesmo que todos os objetos fossem criados pelo pacote de programa The Seed como em ALO, para Asuna e Kirito, que haviam ingressado com o STL e para os Fluctlights Artificiais como Tiezé, Ronye e os demais, todo o mundo era uma única memória compartilhada carregada através do Visualizador Principal, uma realidade diferente da do mundo real, uma criada através do poder da imaginação.

A Vida da superconta Stacia, seu HP, era um número astronômico, quase alcançando o limite do sistema. Sendo assim, mesmo que ela fosse atacada por armas normais ou cortada centenas e centenas de vezes por um sem número de espadas, dificilmente chegaria à zero.

Porém, quando o soldado vermelho a atacou com aquele machado de guerra gigante, visando seu corpo, Asuna ficou extremamente assustada, assumindo em seu subconsciente que ao ser golpeada por uma arma tão grande como aquela, era normal que seu braço fosse cortado. Dessa forma, sua imaginação, a visualização do que deveria acontecer se concretizou.

O mesmo havia ocorrido com Kirito. Ainda que o valor de sua Vida já tivesse sido restaurado, o braço não voltava de maneira alguma a sua forma habitual, pois em seu subconsciente, seguia culpando-se por tudo, achando que merecia aquele tipo de dano.

Asuna colocou a mão em seu corte, cobrindo-o enquanto se concentrava com os olhos fechados e dizia para si mesma com uma tenacidade ardente.

Não terei medo. E até que consiga salvar Kirito e esse mundo, não perderei para nada… e nem para ninguém!

Uma luz branca se concentrou na ferida produzindo um pequeno tilintar. E enquanto o brilho cálido desvanecia, o braço esquerdo foi surgindo, surgindo, até estar completamente restaurado.

Sorrindo para as duas garotas que presenciavam aquilo como se vissem um milagre, Asuna esticou o braço recém-reconstruído e envolveu a cabeça de Kirito, abraçando-o amorosamente.

“Viu? Estou bem! Não se preocupe com nada, pois definitivamente salvarei Alice e a trarei de volta. Então… até lá eu peço que acalme-se e… tente não se culpar com mais nada… não tente se responsabilizar por tudo, Kirito…”

Asuna não sabia se suas palavras podiam alcançar o coração de Kirito, porém, sentia que seu corpo maltratado gradualmente ia ficando menos tenso.

Ela permaneceu abraçando-o por mais alguns instantes até que finalmente o ergueu e retornou o rapaz para a cadeira.

“Devemos todos nos apressar para ir atrás do Imperador. O Knight Commander Bercouli está nesse exato momento em seu encalço utilizando-se de três dragões. Pode demorar, mas… sei que o alcançaremos em algum momento, contudo, peço que se encarreguem de Kirito por mais algum tempo…

Tudo bem para vocês, Ronye e Tiezé?”

“S-Sim!!”

“Claro, pode deixar conosco, senhora Asuna!”

Sorrindo para as duas garotas que assentiam e lutando por conter as lágrimas ao confiar seu amado Kirito, Asuna saltou da carruagem.

Assim que pisou no solo, ela captou o olhar de uma espadachim muito alta que chegava correndo. Reconheceu que era a mesma que na noite anterior também havia participado da que ficou conhecida como ‘A conferência sobre as recordações com Kirito’ juntamente com Ronye.

Sua armadura outrora tão polida estava agora totalmente coberta de sangue e vísceras enquanto mostrava em sua cabeça uma bandana amarrada para conter algum tipo de ferimento, contudo, não parecia ser nada grave.

“Que alívio ver que está bem, senhorita Sortiliena!”

Ao escutar a voz de Asuna, a espadachim lhe deu a saudação padrão à lá Underworld e respondeu:

“Fico feliz em vê-la bem também, minha senhora Asuna… contudo, ouvi que a senhora Alice foi capturada pelo general inimigo… isso é realmente verdade?”

“Infelizmente sim. Acabei de explicar para Ronye que o Imperador Vector abandonou seu próprio exército e emboscou a Alice pessoalmente. Falhei em não prever esse tipo de coisa… ”

“Mas como… isso é possível…!?”

Asuna colocou sua mão esquerda sobre o ombro direito da perplexa Sortiliena.

“Entretanto nem tudo está perdido. O senhor Bercouli já foi voando atrás de Vector com os dragões, de maneira que estamos indo atrás para ajuda-lo.”

“Certo, entendi!”

Assim, elas assentiram uma para outra e foram correndo para o centro da formação das tropas e da equipe de suporte.

Sob as ordens do Integrity Knight Renri, a equipe dos usuários de artes sagradas já havia terminado de curar todos os feridos e os setecentos soldados também já estavam praticamente prontos para partir. Todos estavam ordenadamente alinhados em volta das equipes de suporte e usuários de artes sagradas para protegê-los de maneira mais eficaz.

Assim que receberam as últimas orientações de Renri, Asuna se aproximou e lhe disse uma nova instrução.

“Você é o oficial de maior patente aqui, o último Integrity Knight restante, Renri. A ordem de mobilização deverá ser dada por você, que assume como comandante.”

“S-Sim, entendido!”

A expressão inicialmente nervosa do jovem cavaleiro, após assentir para Asuna, assumiu uma firmeza renovada em seu novo posto.

Então, logo após um breve silêncio, Renri ergueu a mão direita e falou com uma voz cheia de ímpeto:

“A senhora Alice, que veio nos protegendo desde a queda do Grande Portal do Leste precisa de nós. É chegada a hora de retribuirmos e lutarmos por ela! Vamos libertá-la das garras do inimigo e trazê-la para nosso meio, para juntos retornarmos para o Mundo Humano!”

“OOOHHHHHH!!!!!”

Gritos vigorosos se elevaram.

Renri assentiu e posicionou seu braço direito para frente gritando:

“Todas as unidades, avancem!!”

O jovem cavaleiro liderou as tropas seguindo à frente em seu próprio dragão, Kazenui.

Logo atrás, seguiam quatrocentos soldados a cavalo e a pé, com as oito carruagens com os suprimentos sendo guarnecidas por trezentos membros do exército.

Todos juntos, moviam-se ordenada e cadenciadamente como um único e grande corpo.

Somente um dragão, o que pertencia a Integrity Knight Sheeta, ficou para trás, não fazendo a menor menção em seguir os demais.

Com suas escamas das mesmas cores dos cabelos de sua dona, o dragão limitou-se a apenas grunhir enquanto agitava suas enormes asas e se dirigia para o norte, até o campo de batalha onde sua companheira deveria estar.

Em frente aos vagões, Asuna seguia pensativa em seu cavalo, sendo escoltada por Sortiliena.

O inimigo final é o Imperador Vector…

Sua verdadeira identidade era de uma pessoa do mundo real, que aqui assumia a forma de uma deidade virtual. Essa era a maior razão pela qual ela deveria ir atrás dele. Tinha que ser derrotado por suas mãos.

Isso era o mínimo que poderia fazer para honrar os que pereceram e os que ficaram para trás lutando com os soldados vermelhos como a Integrity Knight Sheeta e seu capitão de um olho só com seus quatro mil guerreiros.

Minutos após, as tropas emergiram dos limites do pequeno bosque em formação cônica como uma grande ogiva de um míssil.

Um caminho estreito como um sulco na terra se filtrava em meio ao solo castigado e árido na forma de uma enorme cratera em direção ao extremo sul.

De acordo com a convenção de um RPG clássico, no final de um caminho como esse deveria estar um local especial. Algo como uma cidade, ruínas ou coisa parecida.

Contudo, ela havia escutado dos batedores que essa área ao sul do Dark Territory era completamente desocupada pelos meio-humanos. Em outras palavras, provavelmente a viagem seria uma linha reta que terminaria no World End Altar e nele, em algum lugar certamente estaria Vector com a Integrity Knight Alice.

O dragão do Imperador e os de Bercouli estavam disputando uma corrida contra o tempo de maneira intensa. Porém, essa perseguição acirrada ainda estava fora do alcance visual.

Mas mesmo nessas condições nada otimista, os setecentos soldados do Mundo Humano seguiam avançando pelo caminho tortuoso tão rápido quanto podiam, fazendo com que o solo retumbasse a cada passada ritmada.

E quando as tropas estavam quase chegando no meio daquilo que parecia ser de fato uma cratera…

Algo pareceu vibrar.

“VVVVVVvvvvvvvv!!!!”

Uma pressão semelhante ao bater de asas de insetos.

“…!?”

Asuna olhou para cima, para esquerda, direita e atrás dela.

E quando foi olhar novamente para frente, finalmente descobriu a causa daquele estranho zumbido.

Linhas finas e vermelhas.

Centenas de linhas acompanhadas de textos em inglês, brilhando aleatoriamente enquanto caíam dos céus diretamente ao solo.

Os lábios de Asuna tremeram deixando sua voz sair falhada.

“…Im… possível…!!!”

Sua mente parecia sofrer de um leve torpor.

Não pode ser! Mais deles? Não… por favor, pare!

E então…

“ZAAAAAAA….!!!”

O rugido de uma explosão semelhante a uma enorme chuva torrencial se fez presente, cobrindo todo o local com o som.

As linhas caíam dividindo-se à esquerda e à direita, exatamente como o ápice de uma chuva forte de verão.

Estas formaram algo semelhante a um gigantesco monitor fora de sintonia e cheio de estática ao longo do caminho nos limites da cratera, bloqueando totalmente o avanço das tropas do exército do Mundo Humano.

Apesar de ter dito para si mesma instantes atrás que não os temeria mais, Asuna instintivamente se sentiu perdida, como se sua força tivesse se reduzido a menos da metade.

No local de cada linha que aterrissava, aparecia um soldado brutal e feroz vestido com uma daquelas armaduras vermelha sangue… eram realmente os jogadores de VRMMO invocados diretamente do mundo real.

“Todas… todas as unidade, não se detenham!! Ataquem!! ATAQUEM…!!!”

O Integrity Knight Renri ordenou da linha de frente.

Instantaneamente, o estupefato efetivo do exército do Mundo Humano recuperou-se do susto e com um grito em uníssono, partiram para a luta.

“UUOOOHHHH!!!”

Correram a toda carga no terreno hostil em direção ao aclive da cratera.

Porém, como se tivessem antecipado a manobra, rapidamente os soldados recém-surgidos no lado sul daquela depressão, fizeram uma formação em círculo, circundando e bloqueando o avanço de exército de defesa do Mundo Humano com uma barreira composta de aproximadamente dois mil componentes.

Será que uso novamente o comando especial de Stacia, o Geographical Manipulation, e conduzo o terreno com o risco de ser desconectada?

Se ela fizesse algo descuidado, poderia por a perder todo o avanço do exército do Mundo Humano, os colocando em uma situação ainda pior.

Enquanto Asuna tentava decidir como deveria agir, seus pensamentos foram interrompidos por um rugido de dragão.

Na vanguarda da formação de batalha, Kazenui, o dragão de Renri, sem perder tempo expulsava com toda a titânica força de seus pulmões, baforadas crepitantes de puro fogo, abrasando tanto o solo quanto qualquer coisa que tocasse.

Todo o esforço empreendido em prol de conseguir uma brecha para prosseguir.

Sem olhar para trás, a enorme besta foi avançando feroz e bravamente.

“Não!!!… O senhor Renri vai acabar se sacrificando para abrir caminho para nós…!”

Conseguindo escutar o lamento de Sortiliena, que permanecia ao lado de Asuna, Renri, que já estava em posição de ataque sob as costas de seu companheiro alado, deu um pequeno giro para trás.

Por favor, cuidem do resto…!

Sussurrou os lábios do rapaz.

Após esse breve instante que pareceu correr em câmera lenta, o cavaleiro levou suas mãos à cintura como um raio e retirou as lâminas sagradas de suas bainhas e as ergueu paralelamente às asas do dragão, preparando-se para o primeiro ataque.

Contudo, momentos antes de lançá-las adiante…

A cor do céu sobre a cratera mudou de repente.

Uma enorme fenda em forma de cruz rasgou aquele tecido vermelho sangue que cobria toda a porção aérea do Dark Territory, ao qual Asuna por ter a superconta de Stacia, automaticamente percebeu um rastro de luz extremamente azul, tão claro como o cobalto surgir de absolutamente lugar nenhum.

Fossem os numerosos soldados vermelhos que estavam prontos para o ataque ou os guardas do Mundo Humano prestes a fazer uma investida suicida, com seu maior guerreiro, o Integrity Knight em sua dianteira, todos sem exceção ergueram suas cabeças e fitaram os céus, acompanhando e tentando descobrir o que Asuna já tinha conhecimento do que se tratava.

Uma visão tão límpida de um céu aterradoramente azul tendendo ao infinito foi se manifestando de maneira crescente, como se pudesse se estender até os confins do universo.

E no meio de tudo aquilo, uma luz magnífica como a de uma estrela surgiu em trajetória descendente.

Não, não era uma simples luz, era de fato uma pessoa.

Estava vestida com uma armadura da mesma cor cobalto que havia tingido os céus, com algo semelhante a uma camiseta tão branca como as nuvens de verão. Complementando aquilo tudo, seus lindos cabelos azuis como a água, em constante evolução acompanhando o ritmo suave do vento das alturas.

A fonte daquela estupenda luz branca ficava a cargo do grande arco composto que carregava em sua mão esquerda, criando um esplendor tão poderoso que ficava difícil de captar as feições de seu rosto.

Quem…? Quem é ?

Como que respondendo a pergunta silenciosa de Asuna, a pessoa flutuando nos céus apontou o arco para cima.

Sua mão direita puxou a corda tão deslumbrante quanto o resto da incrível arma e sem nenhum esforço a tencionou para trás de si.

Com um surpreendente clarão, uma flecha de luz pura se solidificou entre o arco e a corda.

Tanto o exército do Mundo Humano quanto os soldados vermelhos, que haviam cessado toda a movimentação, pareceram esquecer o propósito de estarem ali, pois ficaram no mais completo silêncio observando à inusitada e esplêndida cena se desenvolvendo acima de suas cabeças.

A única a quebrar esse momento, foi a pessoa ao lado de Asuna, Sortiliena, que com a voz embargada de pura admiração, falou:

“… Deusa Solus….!?”

E novamente como que correspondendo à prece da líder da guarda, a flecha de luz foi disparada para o alto.

Ao atingir uma altitude extrema, dividiu-se e espalhou-se por todas as direções.

Enquanto retornavam para baixo, nos mais variados e precisos ângulos, se transformavam em algo parecido com lasers de luz ardente, aumentando a velocidade em centenas de milhares de vezes.

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As palavras de Sortiliena Serlut estavam cinquenta por cento corretas.

Sobre a cratera, mais uma pessoa do mundo real surgiu, ou melhor, logou com a superconta número 2, a Deusa do Sol, Solus.

E como característica dessas contas especiais, também contava com uma habilidade aterradora pré-determinada, um ataque absurdamente potente e de longa distância que atendia pelo comando de Wide-Ranged Annihilatory Attack.

***

Sinon/Asada Shino enquanto observava a imensa destruição que causava, recordou a breve explicação técnica que recebeu de um homem chamado Higa através do comunicador.

“- Bem, senhorita Sinon, apesar das supercontas serem extremamente fortes, elas não fazem milagres. Embora elas estejam preparadas para manipular livremente eventos em grande escala de Underworld, fizemos o máximo para mantê-las dentro de níveis compatíveis com a realidade conhecida pelos seus habitantes.”

“- Então, o que está me dizendo é que não são contas de administradores e sim apenas personagens com níveis elevados?

Sinon perguntava ao microfone enquanto se escorava no console da máquina conhecida como STL, um aparato experimental da primeira geração dessa nova tecnologia localizado na filial de Ropongi de propriedade da misteriosa organização RATH.

O que recebeu como resposta foi um som semelhante a um ‘click’, mas que logo percebeu vir do estalar de dedos do seu interlocutor.

Sim, exatamente. Você tem muita perspicácia.

Então, dito isso, a conta que vai usar, Solus, não poderá exceder os limites de recursos disponíveis de Underworld. Qualquer ataque realizado com seu arco deve gastar uma quantidade astronômica das energias espaciais. Contudo, a arma tem uma função de recarga automática, quase como os painéis solares do mundo real, não ficando esgotada durante o dia. Entretanto, mesmo com essa facilidade, você não poderá fazer uso contínuo e ininterruptos de seus disparos.

E como Higa havia dito, a luz do arco composto, um esplendor de pura luz branca que segurava em sua mão esquerda, havia se debilitado sensivelmente após o ataque de longa distância.

Muito embora a arma tenha começado sua função de recarga, era nítido que não conseguiria repetir aquele ataque tão potente tão logo outra vez. Pelos dados fornecidos por sua conta, ela tinha algo em torno de três minutos até poder fazer a próxima investida.

Sem combos então? Humm… que ‘beleza’…!

Se for comparar essa coisa com uma arma automática, creio que esteja no meio do caminho, algo como os rifles manuais, contudo, sempre me dei melhor com esse tipo de mecanismo mesmo…

Sinon continuava concentrada em sua análise enquanto observava as chamas explosivas que causou sobre o terreno se dissipando aos poucos.

Ao longo da borda da cratera, com mais ou menos um quilômetro de diâmetro, corpos carbonizados desapareciam um atrás do outro produzindo um efeito luminoso.

Com somente um disparo, havia eliminado aproximadamente cinco mil soldados estadunidenses que tinham logado quase ao mesmo tempo do que ela.

Os jogadores, que acreditavam estarem participando de um teste beta fechado, nesse exato momento tinham sido desconectados de maneira brutal, contudo, não antes de experimentarem na pele e alma a nítida sensação de serem completamente torrados.

Enquanto que no centro da cratera, as tropas em inferioridade numérica que fazia frente ao exército vermelho, começavam a avançar novamente.

Embora o inimigo ainda contasse com mais de dez mil, a maioria tinha permanecido imóvel pelo temor de um segundo disparo, ou melhor, uma segunda saraivada de disparos explosivos e desse modo, acabaram deixando uma brecha para a guarda do Mundo Humano cruzar o caminho.

Sinon, agora focava à distância a sua atenção para a formação das tropas cruzando a barreira dos jogadores estadunidense.

Com sua visão aguçada, notou em meio à multidão uma garota de cabelos castanhos sobre um cavalo branco que devolvia o olhar para ela.

A garota recém-chegada não conseguiu evitar sorrir enquanto ativava outra habilidade de sua conta Solus, o Unlimited Flight, ou Voo Ilimitado em sua tradução literal.

Embora ainda estivesse um pouco incrédula a respeito do que tinha escutado de Higa quando disse: ‘-Voe com sua imaginação!’, assim que ativou o comando, sentiu que aquilo não era muito diferente do voo livre de ALO. Dessa forma, após se acostumar com os controles, algo que o fez rapidamente, olhou em direção à carruagem que estava logo atrás da garota a cavalo e mergulhou em linha reta até ela.

Quando a ponta de sua bota ricamente adornada tocou a superfície da borda do veículo, virou-se e gentilmente ergueu sua mão direita dizendo:

“Desculpe por fazê-la esperar, Asuna!”

Enquanto via o suave sorriso de Sinon, lágrimas cobriram os olhos da garota tida como a deusa da criação.

Asuna, imediatamente levantou-se do lombo do cavalo e saltou também para cima do dossel da carruagem.

“Sinonon!!”

Abraçou-a fortemente enquanto gritava de alegria.

Sinon deu pequenos tapinhas em suas costas enquanto dizia em voz baixa:

“Você tem se esforçado bastante, não é? Está tudo bem… deixe tudo comigo agora!”

Enquanto ainda seguia sendo abraçada por Asuna, que era ligeiramente mais alta do que ela, rápida e mecanicamente apontou seu arco que sentia estar 20% carregado e o apontou para frente, puxando sua corda para trás com sua mão direita.

O equipamento destinado à superconta de Solus, o arco longo composto Annihilate Ray, ajustava seu poder de acordo com a força empregada à corda, assim como controlava e aferia o raio de ataque conforme o ângulo escolhido.

Desse jeito, uma flecha de luz bem mais fina do que a anterior surgiu quando a corda tinha sido puxada para trás por mais ou menos dez centímetros. Sinon a apontou para as tropas inimigas que bloqueavam o caminho logo à frente e…

VISHUU!!!

Um som limpo saiu do disparo realizado.

Inclinado mais ou menos vinte graus para a direita, o arco expulsou o projétil de luz que se dividiu e caiu em uma área que compreendia um raio de dez metros, produzindo uma explosão semelhante a um míssil BGM-71 TOW, armamento antitanque utilizado e desenvolvido pelos Estados Unidos em meados dos anos 70 e ainda considerado uma das armas mais poderosas de sua categoria mesmo nos dias de hoje.

Devido à violência das explosões, as armaduras vermelhas eram jogadas aos pedaços pelos ares, desaparecendo logo em seguida.

Tomando a iniciativa ao se aproveitar desse ataque, as centenas de soldados do Mundo Humano avançaram o mais rápido que puderam, usando seus poucos animais de guerra para compor a investida, que se tratava de pequenos dragões sem asas para pisotearem os inimigos que por ventura ainda se mantinham vivos ou feridos e assim abrirem caminho.

E a essa altura dos acontecimentos, os soldados vermelhos começaram a perceber, ao se recobrarem do susto inicial do ataque daquilo que supunham serem disparos de lasers, e constataram que sua presa estava em plena fuga.

Com isso, sua fúria foi alimentada na forma de xingamentos carregados de teor obsceno enquanto se lançavam para cima da guarda em disparada, aproveitando-se da inclinação do terreno ao seu favor.

A cratera parecia ter se transformado em um tsunami vermelho de puro ódio.

Sinon girou o arco sobre o ombro e o encaixou em suas costas enquanto usava suas duas mãos para gentilmente se afastar de sua amiga.

“Asuna, eu vi algo que parecia ser ruínas de alguma cidade logo à frente, mais ou menos cinco quilômetros ao sul daqui. A trilha que estão seguindo passa diretamente através dela. Não tem como errar, é uma construção com várias estátuas de pedra alinhadas em ambos os lados da construção maior.

Se formos para lá, não vamos ter com que nos preocupar de ficarmos cercados pelo inimigo e inclusive podemos utilizar esse lugar como campo de batalha a nosso favor.

Creio ser a melhor estratégia para conseguir repelir esses caras.”

Asuna também era uma guerreira experiente em batalhas. Então, ao ouvir as palavras de Sinon, seus olhos recobraram imediatamente o brilho afiado.

Desse modo, limpou as lágrimas e disse:

“Entendido, Sinono-… digo, Sinon. Não importa quantos jogadores de  VRMMO dos Estados Unidos hajam, não creio que eles consigam repor seu contingente com muita agilidade. Se conseguirmos repelir essas dezenas de milhares de pessoas, o inimigo principal ficará indefeso… pelo menos é o que eu espero.”

“Sim, deixe-os para mim! Então, acho que agora eu vou…”

Depois de dar uma última conferida para ver se o as tropas do Mundo Humano havia conseguido escapar do cerco inimigo, Sinon retornou a atenção para sua melhor amiga e perguntou:

“…Hã… e o Kirito? Ele está entre as tropas?”

Asuna não conseguiu evitar mostrar um sorriso triste nos lábios.

“Não é necessário se conter, sei que está muito preocupada com ele. E sim, Kirito está bem aqui conosco.”

Asuna moveu o dedo indicador direito até a carruagem sob seus pés.

“Aqui!? Então… bem, vou dar um oi para ele.”

Limpando sua garganta, Sinon foi para a parte traseira da lona do teto sobre a carruagem e deslizou para seu interior utilizando sua habilidade de voo.

Esperou que Asuna a seguisse e assim que a garota entrou, virou e olhou para o interior do veículo de suprimentos abarrotado de caixas e barris de madeira.

A primeira coisa que notou foi duas inusitadas meninas que utilizavam roupas cinza muito parecidas com os uniformes escolar japoneses, com a única diferença é que sobre eles, também usavam armaduras leves.

Seus olhos e cérebro custaram alguns instantes para entender a situação até que uma delas rompeu o silêncio ao pronunciar suavemente:

“S…. Solus? Você é a Deusa… Solus…!?”

Sinon olhou seu próprio equipamento e respondeu dando de ombros:

“Olá, prazer em conhecê-las! E embora me pareça muito com a sua Deusa Solus, não sou ela. Me chamo Sinon!”

Fez todo o possível para dar-lhes um sorriso amigável, contudo, parece que apenas as deixou ainda mais confusas.

Contudo, quando viram Asuna logo atrás, pareceram compreender.

“Isso mesmo, sou uma pessoa do Mundo Real como a Asuna. E… também sou amiga de… Kirito.”

“En… tendi.”

Enquanto a menina de cabelos vermelhos se mostrava surpresa, a de cabelos castanhos escuro mostrava uma expressão estranha ao sussurrar algo quase inaudível:

“Porque tinha que ser todas mulheres?”

Sinon conseguiu ouvir e respondeu mentalmente:

Você ainda não viu nada, tem mais por vir.

Enquanto sorria pela inusitada cena, a garota recém-chegada deu alguns passos em direção à brecha que as meninas criaram.

Ela viu um rapaz de negro, sentando a uma cadeira de rodas tosca se mantendo abraçado com seu único braço à duas espadas depositadas em seu colo.

Apesar de saber previamente do estado de Kirito através da advertência de Higa Takeru, quando o viu pessoalmente, ferido e praticamente pele e ossos, Sinon sentiu seu coração doer ao mesmo tempo em que as lágrimas brotaram e rolaram por seu rosto.

“…Ah…!”

Embora aqueles olhos vazios não vissem os seus, de sua garganta um pequeno som escapou.

Sinon caiu suavemente sobre os joelhos em frente ao seu antigo oponente, companheiro e salvador.

Apoiado ao encosto da cadeira, o braço, assim como o resto do corpo do espadachim havia ficado em um estado tão deplorável de fragilidade e desnutrição, que teve até receio de tocá-lo. Contudo, a garota depositou seu arco em um dos cantos da carruagem e sem demora envolveu o rapaz em seus braços, puxando para si aquele corpo magro e esquálido.

Ela havia escutado que a alma de Kirito, seu Fluctlight, o corpo principal conhecido como o núcleo interior, a imagem de si mesmo, havia sofrido danos severos.

Higa havia lhe dito com uma voz sombria que atualmente não existia nenhum método de recuperação para um caso tão atípico quanto esse.

Porém, Sinon fechou os olhos com força, deixando as lágrimas correrem enquanto gritava em seu coração: “-Pode parecer difícil, mas para tudo se tem um jeito!

Muitas pessoas compartilhavam incontáveis recordações de Kirito e nutriam poderosos sentimentos para com ele. Só era necessário juntar um pouco de cada um e recolocar tudo de volta ao coração de Kirito.

Ei! Consegue sentir? Sentiu o ‘você’ que mora dentro de mim? Sarcástico, um pouco atrevido, tão ingênuo quanto idiota, mas também… tão forte quanto bondoso. Sim, esse é você, você mesmo!

Sinon esqueceu-se completamente que Asuna continuava ali, observando tudo às suas costas enquanto ladeava a cabeça e beijava bem forte o rosto de Kirito.

E nesse momento…

Asada Shino não estava analisando friamente a situação devido ao turbilhão de pensamentos e emoções para perceber que sem querer, havia arranhado a superfície da única maneira possível de reviver a alma de Kirigaya Kazuto.

Se fosse detentora de um profundo conhecimento sobre Underworld e das estruturas de um Fluctlight, poderia resolver esse problema com toda a certeza. Porém, a explicação que recebeu instantes antes de fazer a imersão, continha apenas informação da situação atual e de como usar os comandos de Solus.

Foi por essa razão que Sinon não se ateve ao fato de considerar a razão por trás do ligeiro tremor que Kazuto sofreu e o aumento sutil de sua temperatura corporal que se fez presente quando seus lábios tocaram a pele do rapaz.

Instantes após o beijo, a garota retornou o corpo de Kirito a posição normal em sua cadeira e virou para olhar as três pessoas atrás de si.

“Não se preocupem, Kirito terá uma rápida recuperação, definitivamente. Ele virá no momento em que mais precisarmos, disso tenho certeza.”

Asuna e as duas garotas assentiram com os olhos cheios de lágrimas.

“Bem… voarei até as ruínas ao sul para confirmar o terreno. Deixo Kirito em suas mãos.”

Depois de dizer isso, Sinon se dirigiu rapidamente para a parte traseira da carruagem.

E ao fazer isso, repentinamente, Asuna a segurou com firmeza pelo ombro.

Ao ver o brilho de urgência em seus olhos, Sinon engoliu em seco.

“A… Asuna… o que…!?”

Ela pensou que a garota a repreenderia por ter roubado um beijo de Kirito, porém, naturalmente, não era esse o caso.

“E-Ei Sinon… você disse que pode… voar?… É isso mesmo?”

Diante da pergunta inusitada, Sinon assentiu um pouco confusa.

“S-Sim, me disseram que era uma habilidade específica da conta de Solus. E parece que não há uma limitação e tempo para o voo.”

“Se esse é o caso, não somos nós que necessitamos de sua ajuda. Alice…. vá atrás de Alice! Ela foi capturada pelo Imperador!”

A situação que Asuna explicou de maneira ultra-acelerada, superou todas as expectativas de Sinon.

A Integrity Knight Alice, a chave de tudo, havia sido raptada pelo Imperador Vector, a pessoa que assim como elas havia feito a imersão com uma superconta e estava voando nesse momento para o extremo sul do território em um dragão.

E que o único realizando uma perseguição era o maior espadachim desse mundo, um humano chamado Bercouli, o Knight Commander da Ordem dos cavaleiros sagrados.

“Bater de frente com um usuário com uma superconta, mesmo para o comandante, provavelmente é um fardo pesado demais. Se não conseguirmos salvar Alice antes que o Imperador alcance o World End Altar tudo estará perdido e esse mundo será destruído. Por favor, Sinon, ajude o senhor Bercouli!”

Depois que tudo foi explicado e ela gravado em sua memória os relatos de como era a aparência do Knight Commander, Sinon saiu voando da carruagem se lançando como um projétil em direção aos céus.

O exército de setecentos valentes soldados do Mundo Humano seguiu avançando para o sul sem parar, erguendo uma enorme nuvem de poeira em seu caminho.

Do norte, perseguindo-os furiosamente, vinha o exército vermelho que nitidamente contava com vinte vezes o contingente da guarda.

Voltarei tão logo tenha Alice em mãos. Por favor, fique bem, Asuna!

Desejando o melhor para sua amiga do fundo do coração, Sinon estimulou ainda mais sua imaginação para acelerar seu corpo. Após breve concentração, a garota pareceu se tornar um meteoro com uma longa cauda branca, rasgando os céus rubros como sangue.

Olhando para baixo, onde não existia nada mais do que o árido deserto enegrecido que parecia se estender ao infinito, Sinon pensou:

Agora que me toquei…

Onde estaria Leafa que deveria ter se conectado com ela ao mesmo tempo e ido para o mesmo lugar?

 

 

 

 

 

 

 

OLÁ PESSOAS!

ESSE SEM DÚVIDA É O ANO DE SAO.

E CÁ ESTOU CONTRIBUINDO PARA ISSO. TRAGO AGORA MAIS UM CAPÍTULO CHEIO DE SURPRESAS E MATANÇAS.

IA POSTAR NO FIM DE SEMANA, MAS DIA DOS PAIS E A VIVO ME DEIXANDO SEM SINAL NÃO PERMITIU. CONTUDO, BORA PARA MAIS UMA PARTE.

E VEJAM SÓ! EIS QUE SURGE MAIS UMA DEUSA, A NOSSA QUERIDA SINONON CHEGOU CHEGANDO, EXPLODINDO UMA GALERA E TAMBÉM LIGANDO O BOTÃO DE DESESPERO DA POBRE RONYE!

CREIO QUE JÁ CONSEGUIRAM SACAR O QUE TERÃO QUE FAZER PARA ACORDAR O KIRITOSO NÃO É?

QUANDO O HARÉM DESSE CARA FICAR COMPLETO E NO MESMO LUGAR… VAI SER UMA LOUCURA, AGORA ENTENDO O QUE O REKI QUIS DIZER EM UMA CONVENÇÃO EM QUE O CARA PEDIU DESCULPAS POR DEIXAR O KIRITO TÃO MULHERENGO, ESSA LISTA NÃO PARA DE CRESCER HEHEHE.

OUTRA COISA BACANA QUE CURTI MUITO FOI A DEFINIÇÃO DE QUE MESMO SENDO SUPER FORTES, AS CONTAS NÃO SÃO DE NÍVEL ADM, DO CONTRÁRIO, PARA VENCER O GABRIEL SÓ NA BASE DO HACK, AÍ SERIA MUITA MAMATA NÉ?

E POR ÚLTIMO MAS NÃO MENOS IMPORTANTE…

CHEGOU O MOMENTO AO QUAL MENCIONEI LÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ ATRÁS QUANDO DISSE PARA FICAREM DE OLHO EM UM VELHO INIMIGO CONHECIDO. SACARAM O VASSAGO? POIS É! O LEGADO DE AINCRAD JAMAIS MORRE…

ESSE CARA VAI DAR MUITA DOR DE CABEÇA MESMO!

 

E ERA ISSO PESSOAS, FUI.

ATÉ A PRÓXIMA E UM FORTÍSSIMO ABRAÇO!

 

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