Sword Art Online Alicization – Exploding – Capítulo 19 – Parte 4 e 5

Arco: Sword Art Online Alicization Underword – Exploding
Capítulo 19

Sword Art Online Alicization Underworld - Exploding - Asuna - Alice - Ronye - Sortiliena

Parte 4

“Devo dizer que… estou bastante surpreso.”

No segundo andar da carruagem do trono imperial, ao lado de Gabriel uma voz soou em tom despreocupado no que se referia a enorme fenda recém-aberta no solo.

O regente girou para ver de onde vinha a voz e percebeu um homem de meia idade que acabava de desviar sua atenção de uma das escotilhas abertas do veículo.

Lembrou que seu nome era Lengyel, o líder da Guilda de Economia, responsável pela administração dos recursos do reino.

O senhor imediatamente ajustou as mangas de sua elegante veste e realizou uma grande reverência.

Embora fosse umas das poucas unidades com o status de general restante, aquele homem não parecia possuir nenhum tipo de poder de luta. Então, qual era seu trunfo para sobreviver nesse mundo? Gabriel, reconhecendo que aquilo de qualquer forma um feito de valor, ergueu uma sobrancelha enquanto scaneava aquela inteligência artificial com certo interesse momentâneo.

Lengyel parecia fazer a mesma coisa, observava Gabriel como se estivesse tomando algumas notas mentais. Em meio a sua atenta observação, constatou que Vassago não mais se encontrava, contudo, não teceu nenhum tipo de comentário sobre, apenas fez outra reverência e falou calmamente.

“Sua Majestade, a lua logo estará em seu pico máximo… se não há mais nenhuma ordem para executar por agora, solicito humildemente que seja permitido às tropas descansar e jantar.”

“Deixe-me ver…”

Gabriel olhou o enorme abismo negro outra vez.

Os exploradores que haviam sido enviados para reportar sobre seu tamanho e profundidade ainda não haviam regressado. Em outras palavras, aquilo certamente era muito extenso. Sem contar que por sua aparência, o enorme buraco não deveria ser algo que pudesse ser transposto sem o auxílio de algum tipo de construção ou outro mecanismo equivalente.

E seguindo sua predição de que o exército inimigo iria se infiltrar no Dark Territory indo para o sul, mandou Vassago e seus subordinados na frente para uma emboscada. Mas julgar pela demora em obter alguma informação, a probabilidade de que tenham sido totalmente eliminados era altíssima. Contudo, mesmo que Vassago morresse ali, despertaria tranquilamente no mundo real.

Era a hora de usar suas unidades voadoras. Porém, os Dark Knights só possuíam míseras dez bestas aladas. Não conseguia estimar quantas viagens teriam que serem feitas para transportar vinte mil soldados ao outro lado daquele buracão.

Utilizar magia também era uma opção, porém, de acordo com o que disseram algumas das feiticeiras restantes que tinha consultado, criar um ponto adequado para que todo o exército pudesse cruzar, não era algo possível no momento. Pois as que sobraram não possuíam nem um décimo do poder de sua líder D.I.L. …, Entretanto a possibilidade de que  tivessem mais sacrifícios… não estava totalmente descartada.

Porém, só a líder sabia os comandos de uma arte como aquela, e segundo os reportes, a mesma havia sido vaporizada na batalha anterior quando recebeu o contra ataque direto do cavaleiro inimigo.

Para alguém tão cheia de ambição, acabou deixando o campo de batalha muito rápido…

Gabriel sem notar, pensou isso com uma ponta de arrependimento. Pois, geralmente, encarava uma I.A. como meramente uma peça de xadrez, sendo que sua existência acabaria por desaparecer de sua mente no final do dia.

Sempre conseguiu o controle total de suas jogadas, se chegou ao ponto em que pensou isso, significava apenas uma coisa…

Um fator externo começara a agir.

Em outras palavras…

Aquele enorme abismo que havia sido criado estava afetando o equilíbrio do jogo desse mundo.

Nem a unidades do Dark Territory ou as do Mundo Humano deveriam ter o poder de causar tal destruição.

Levando tudo isso em conta, era mais do que prova que o mundo real estava de fato interferindo. Certamente alguém do RATH, um superior, alguém com acesso a uma super conta como a dele.

Inclusive, poderia estar com o mesmo objetivo. Recuperar a Alice antes, ejetando-a em algum console sobressalente do sistema no mundo real.

Contudo, mesmo que as coisas estivessem se tornando problemáticas, ele só podia seguir com a sequência do plano.

Afinal, antes de tudo, estava sendo divertido. Portanto, deveria fazer mais um movimento e deixar as coisas mais… interessante.

Os cantos dos lábios de Gabriel se elevaram em um meio sorriso totalmente enigmático, que desapareceu instantaneamente ao virar-se para Lengyel.

“Muito bem, defina o local do acampamento para esta noite. Alimente bem as tropas… pois amanhã será um dia… muito divertido.”

“Sim senhor! Estou realmente agradecido por sua benevolência, Sua Majestade.”

Demonstrando novamente seu respeito em forma de reverência, Lengyel se retirou com um ar cheio de ânimo.

***

“Do mesmo mundo que… o senhor Kirito?”

As duas garotas perguntaram em uníssono quando Asuna completou a frase, com seus olhos completamente arregalados.

“I-Isso significa… a morada dos deuses? Os três que criaram este mundo… o reino dos céus que governa todos os elementos, onde os anjos residem…!?”

“É… um pouco mais complicado do que isso…”

Asuna respondeu enquanto negava lentamente com a cabeça.

“É de fato um mundo à parte deste, porém, definitivamente não é a morada de nenhum deus. Se não acreditam, olhem para Kirito! Vocês conseguem crer que ele seja algum anjo ou deus?”

As duas olharam rapidamente para a cadeira de rodas, após um tempo, se encararam e sorrisos brincalhões surgiram em seus lábios, que logo trataram de borrar de seus rostos e assentir com a cabeça.

“Sim… sim… você está certa, não deve haver nenhum deus que escape no meio da noite de uma academia só para ir comprar salgadinhos e doces… não é?”

Asuna ficou escutando as palavras da garota ruiva totalmente surpresa. Percebeu que ele realmente não mudava seu jeito mesmo estando em outro mundo.

Sem palavras ao mesmo tempo em que se enchia de uma doce nostalgia, Asuna concordava com a cabeça enquanto sentia novamente lágrimas descer pelo rosto.

Ele é assim mesmo”.

Ela pensava sempre que comentavam algum fato ocorrido e seguia concordando.

Instantes depois, a garota de cabelos castanhos interrompeu a conversa e perguntou:

“Hã… bem… esse mundo exterior… como… ele é?”

Asuna pensou por um momento e respondeu:

“Bem… isso sim é uma longa história. Gostaria de contá-la para a pessoa que está no comando daqui. Vocês poderiam me levar até ela?”

“A-Ah sim! Claro, venha por aqui, por favor!”

As duas concordaram de maneira um tanto nervosa. Asuna se preparou para segui-las, mas antes de ir, se deteve para observar Kirito mais uma vez.

Em seu rosto inclinado, o caminho das lágrimas secas ainda eram visíveis.

Não se preocupe, tudo ficará bem, Kirito. Deixe o resto comigo…!

Asuna disse mentalmente em seu coração para logo depois, apoiando-se com a mão esquerda em uma das caixas, saltar vigorosamente para fora da carruagem.

E quando seus pés tocaram o chão…

Uma luz dourada surgiu instantaneamente em direção ao seu rosto.

O resplendor provinha da lâmina de uma espada.

Sem nem raciocinar, seu corpo agiu por puro instinto como um raio. A mão direita arremeteu automaticamente para a rapier do lado esquerdo de sua cintura.

Um clarão imediato.

KYARIIIN!!!

O som de metal contra metal explodiu no silêncio escuro daquele pequeno bosque.

Embora tenha habilmente desviado do ataque, o pesado impacto, mais poderoso do que esperava, havia intumescido todo seu braço.

O quão pesado era ela espada?

Faíscas provenientes da colisão bloqueavam sua visão, deixando Asuna somente com a predição da trajetória do segundo ataque, que fora disparado quase que ao mesmo tempo do primeiro.

Já tinha o conhecimento que somente bloquear não adiantaria.

Decidindo isso, Asuna avançou violentamente sobre seu oponente com uma sucessão de estocadas.

Sua terceira apunhalada finalmente deteve o segundo ataque daquela espada absurdamente pesada.

Ao trocar a defesa pelo ataque, Asuna finalmente conseguiu ver as características de seu atacante.

Imediatamente ficou desconcertada.

Era uma mulher, uma mulher cavaleiro surpreendentemente linda, com a pele tão branca quanto a neve, aparentando ter a sua mesma idade.

Estava impassível, olhando fixamente para Asuna. Seus olhos, como duas joias de um intenso azul, emitiam uma animosidade incrivelmente sufocante, eletrificando ao ar.

Seu cabelo dourado, como uma cascata, ondulava ao vento noturno. Sua vestimenta protetora, uma pesada armadura combinava com sua lâmina, ambas pareciam serem feitas do mesmo metal precioso, brilhando maravilhosamente.

De certa distância, as duas mulheres ficaram se estudando atentamente.

Durante o impasse, finalmente chegaram aos seus ouvidos, gritos angustiados.

“Se-Se-Senhora cavaleiro!!! Por favor, pare!!!!”

“Ela não é um inimigo, senhora Alice!!”

Alice!?

Asuna ficou atônita ao escutar aquele nome.

A elegante espadachim diante dela, brandindo uma espada tão pesada quanto uma rocha, era a primeira I.A. bottom-up verdadeira do mundo, a inteligência artificial altamente adaptável… A.L.I.C.E. ? Ela era o objetivo principal do Projeto Alicization, quem o RATH e os invasores tanto ansiavam… o centro de tudo.

Entretanto…

Mas mesmo com a rápida tentativa de esclarecimento por parte das duas meninas, porque Alice a seguia atacando?

Fazendo sua melhor performance para bloquear aquela espada dourada que novamente se arremetia para cima dela, no instante em que Asuna pensava no que dizer, uma voz extremamente melodiosa brotou dos lábios cor de cereja de Alice.

“Quem é você sua maldita? Porque estava perto do Kirito?”

E assim que escutou aquelas palavras…

Como um gatilho mental, Asuna desligou-se de tudo enquanto dava vazão a uma certa emoção que explodia como lava de seu peito.

Sua resposta foi expulsa como um projétil flamejante.

“Por que…?  Oras, porque o Kirito é MEU!?”

“O QUE DISSE?? Desgraçada!!!”

Gritou Alice, mostrando seus dentes brancos perolados como um predador raivoso.

As duas espadas se separaram produzindo uma chuva de faíscas em todas as direções, transformando aquela porção da noite em dia.

A espadachim de cabelos dourados , saltou habilmente para o lado, só para poder avançar outra vez, executando um corte de baixo para cima. Contudo, dessa vez Asuna manteve sua postura enquanto a mão direita lançava um ataque com um combo muito familiar.

Dentro da pequena área arborizada, algo como uma gigantesca lua pareceu se fazer presente quando as duas lâminas colidiram, emitindo um clarão cegante.

O impacto percorreu o antebraço de Asuna até seu ombro, fazendo com que expulsasse o ar dos pulmões. Só foi capaz de igualar o ataque da lâmina de sua oponente devido sua arma, a Radiant Light ser um item da super conta de Stacia, uma ferramente de GM, possuidora de uma prioridade mais alta do que a Fragrant Olive de Alice.

Suas espadas se encontraram outra vez, porém, um pequeno espaço entre as duas lâminas se formou.

Nesse instante uma profunda voz masculina soou como um trovão.

“Ah!! Mas que visão maravilhosa. Duas flores desabrochando diante de meus velhos olhos. Que visão incrível hehehe!”

Um par de fortes braços apareceu onde instantes atrás não havia nada, seus dedos seguravam gentilmente o fio de ambas espadas dando a impressão de não estar fazendo nenhum esforço.

“!!!???”

Como que estivesse presa a uma morsa mecânica, a rapier de Asuna não se movia um milímetro.

Os poderosos braços levantaram as espadas ao mesmo tempo juntamente com os corpos das emudecidas Asuna e Alice. Assim que estavam a certa distância, as largou gentilmente de volta ao solo.

Em pé, entre elas, havia um enorme homem que aparentava ter uns quarenta anos.

Usava algo que se assemelhava a um surrado kimono embaixo de algumas peças de defesa parecendo ser de material ainda mais fraco do que as que usavam as duas meninas aprendizes.

E enfiada displicentemente em seu cinto, uma espada longa de ferro bruto parecendo muito velha.  Era um visual muito peculiar e com seus braços estendidos era possível perceber uma imensidade inacreditável de cicatrizes. Fechando exatamente com a descrição de um herói antigo.

E no momento em que o homem a colocou no chão, Alice fechou a cara, bufando de maneira a fazer suas bochechas ficarem totalmente vermelhas, começou a protestar como uma garotinha.

“Porque me parou, meu Senhor? Essa mulher pode ser muito bem uma espiã inimiga e-…”

“Não, não acho isso. Essa jovem dama acaba de me ajudar a escapar das garras da morte. Creio que o mesmo aconteceu com vocês, não?”

A última pergunta foi direcionada para as duas meninas aprendizes que observavam tudo aquilo estupefatas.

Ambas assentiram veementemente e completaram com as vozes esganiçadas.

“S-…Sim, Sua Excelência Knight Commander. Essa mulher nos salvou.”

“Ela apenas agitou a mão no ar e jogou todos os soldados inimigos em um abismo… Foi um milagre, um ato divino!!”

O homem que tinha sido chamado de Knight Commander olhou fixamente a enorme fenda que Asuna havia criado e depois colocou a mão no ombro de Alice.

“Sim, eu também vi. Uma luz que continha todos os espectros de cores preencheu os céus e dividiu a terra em cem mels. Até mesmo os inimigos da Guilda dos Lutadores não conseguiram combater, deixando-os totalmente perdidos em pânico.

É um fato inegável de que essa jovem nos salvou no momento em que nosso exército estava para ser completamente derrotado. Entenda, não é a hora de lutar.”

“…!”

Com a espada dourada em sua mão direita, Alice seguia observando Asuna com um olhar cheio de suspeita.

“Então… o que meu Senhor quer dizer é que essa pessoa não é uma espiã do inimigo, nem uma imitação de um ser divino, que ela é de fato a verdadeira Deusa Stacia?”

Asuna mordeu seus lábios em silêncio. Se este Knight Commander, o homem que aparentemente está no comando, a considerasse como uma deusa, as coisas se tornariam muito confusas.

Felizmente para ela, a expressão do homem ficou menos tensa enquanto respondia de maneira simples.

“Não creio que seja isso também. Se ela fosse uma deusa, provavelmente seria uma existência muito fria e calculista, em um nível de crueldade ainda maior do que a Alto Ministro, não acha? Por exemplo, com toda a certeza exterminaria sem piedade com todas as vidas dos que guerreavam aqui. Afinal, aos olhos de um deus, não devemos passar de selvagens sanguinários, não acha?”

Alice não teve resposta para aquilo. Contudo, com a hostilidade persistente, mantinha o olhar flamejante para Asuna, que devolvia na mesma intensidade, mas decidiu embainhar sua pesada espada.

Asuna também tinha muitas perguntas, a que mais martelava em sua mente no momento era ‘Quem essa pensa que é para o Kirito?’, porém, respirou fundo para compor as prioridades e deixar esses assuntos de lado por enquanto.

A missão de Asuna era levar Alice até o World End Altar, a parte mais afastada ao sul de Underworld e ejetar seu Light Cube do Light Cube Cluster.

Em outras palavras, ela tinha que convencer aquela garota, a qual nitidamente não se dava bem, para abandonar as linhas de frente do Exército do Mundo Humano e seguir com ela.

O homem estava certo, definitivamente, não era a hora de lutar.

Embainhando sua arma também, Asuna falou com o comandante.

“Sim… é como você falou, não sou uma deusa. Sou uma humana como todos vocês. Contudo, tenho conhecimento dos fatos reais da situação atual. Digo isso, pois sou uma humana que veio do mundo exterior.”

“Exterior… hein!”

O comandante acariciou sua barbicha por alguns segundos e logo deu um largo sorriso.

Em contraste a isso, os olhos de Alice se abriram ao máximo enquanto falava com a voz dissonante.

“Do exterior…? Então… é de onde Kirito veio?”

Asuna estava surpresa. Parecia que Kirito também já havia explicado algumas coisas sobre Underworld para Alice.

Levando em conta a frequência de FLA entre esse mundo e o mundo real, Kirito esteve nesse mundo por três anos. Asuna não pode evitar se perguntar quanto tempo ele havia estado com Alice.

Era como se Alice estivesse pensando o mesmo. E antes que pudesse fazer mais perguntas, o Knight Commander a deteve agitando sua mão.

“O assunto que virá agora provavelmente é para que o resto dos Integrity Knights e os guardas ouçam. Melhor falar sobre isso com um bom chá. Além disso, o inimigo não irá fazer mais nenhum movimento nesta noite.”

“… Sim, entendo.”

Alice assentiu, com a expressão dura.

“Tudo bem então… vamos agilizar isso. As duas jovenzinhas ali podiam nos ajudar a preparar o chá e também, se tiver, um licor? E é claro, venham para a conversa, isso diz respeito a vocês também.”

Recebendo as ordens do Knight Commander, as aprendizes responderam afirmativamente com uma saudação respeitosa.

Asuna queria ver Kirito mais uma vez antes de deixar aquele local, porém, no instante em que ia se mover, a voz perfurante de Alice atingiu seus ouvidos.

“Vou deixar bem claro, a partir de agora, ninguém entra nesse vagão sem minha permissão. Garantir a segurança de Kirito é minha responsabilidade.”

Que garota irritante!!!

Asuna ficou tentando acalmar suas emoções borbulhantes, mas…

“… O mesmo devia valer para você, não devo permitir que fique chamando o meu Kirito diretamente pelo seu primeiro nome…”

“O que disse?”

“Gh… não, nada…”

Asuna devia priorizar a missão… a missão…

“Humph!!!”

Bufaram juntas.

Alice e Asuna se afastaram e começaram a seguir o comandante.

 

Ao sentir a enorme tensão no ar aos poucos se dissipar, as duas garotas que ficaram para trás, Tiezé e Ronye, suspiraram simultaneamente.

“Parece que… as coisas vão ficar mais tensas daqui para frente.”

Tiezé colocou as mãos nos ombros de sua amiga.

“Não temos muito que fazer sobre isso… Mas vamos, temos que colocar a água para ferver! E… ah sim! Qual dessas é a carruagem com licor…? Vamos Ronye!!”

Antes que começasse a seguir sua amiga ruiva, Ronye sussurrou algo que ninguém além dela pode escutar.

“Ainda penso que deveria o meu senhor Kirito…”

Parte 5

Asuna segurava uma taça de chá com uma mão enquanto observava a fogueira.

Que chamas tão reais.

Nem de longe se pareciam com os efeitos especiais de chamas reproduzidas pelos motores de processamento de SAO e ALO. Cada chama que dançava quando a madeira seca crepitava, o denso odor carbonizado flutuante no ar e até mesmo a sensação de calor que sentia em seu rosto e mãos… tudo estimulava os sentidos de Asuna de uma maneira mais realista do que a própria realidade.

Não somente o fogo, como a rigidez do assento da tosca bancada ou a sensação gostosa e morna da taça de chá, sem falar do aroma delicioso da bebida quente. O cenário era igualmente inacreditável, conseguia sentir e quantificar tudo do ambiente, as árvores ao redor, suas folhas farfalhando às evoluções do vento noturno.

Era uma quantidade inimaginável de dados para processar.

Desde que entrou em Underworld, tendo que lidar com o drama que parecia interminável, Asuna havia sido incapaz de experimentar completamente tudo que aquele mundo oferecia. Mas agora, prestando atenção aos seus sentidos, estava verdadeiramente impressionada com a capacidade Visual Mnemotécnica do STL.

Cogitou que Kirito, quem havia se conectado sem saber que esse era um mundo virtual, deve ter tido muitos problemas para dar-se conta que esse não era o mundo real. Ele deve ter tido ricas experiências sem precedentes, pois depois de tudo, apesar de ser uma simulação virtual, não existe um único NPC nesse mundo.

Asuna desviou a atenção da fogueira e olhou para as pessoas que se reuniram em uma clareia do pequeno bosque. Já havia trocado rápidas apresentações com vários ali.

Sentado em sua esquerda e abraçando o que devia de ser uma garrafa de licor, estava o Integrity Knight Commander Bercouli. Ao seu lado, a Integrity Knight Alice, vestida totalmente com sua armadura dourada.

Refletindo a iluminação alaranjada da fogueira, suas mechas douradas ficavam ainda mais acentuadas. Asuna não podia negar sua incrível beleza.

E na esquerda de Alice, sentava um jovem aparentando ter no máximo dezesseis anos, mas que por sua armadura, também era um Integrity Knight do Alto Escalão, seu nome era Renri.

Um pouco afastado, uma mulher cavaleiro muito esbelta sentava-se tranquilamente à sombra. Sua brilhante armadura parecia ser nova, contudo, não demonstrava estar adaptada a mesma, pois vez ou outra ajustava um cinto ou afrouxava outros. Lembrou um pouco os novatos que recém começavam a jogar um VRMMO.

Porém, quando se apresentou como Sheeta, nas frações de segundos em que seus olhos se cruzaram, uma indescritível ousadia e poder pareciam residir dentro dela.

Também à esquerda de Sheeta, do outro lado da fogueira, haviam cerca de dez pessoas entre líderes de guardas e seus subordinados que se ajeitavam em algumas fileiras de cadeiras improvisadas. Entre rostos endurecidos dos líderes, havia uma mulher muito bonita.

Na direita de Asuna, as jovens aprendizes estavam sentadinhas estrategicamente afastadas de todos. A menina ruiva que se apresentou como Tiezé e a de cabelos castanhos, Ronye, pareciam ser as estudantes mais novas da instituição de ensino onde Kirito esteve por meio ano.

Depois de ‘catalogar’ mentalmente cada um dos mais de dez espadachins, Asuna estava de fato emocionada.

Sem dúvida, eram humanos reais.

Suas aparências, ações e até respirações estavam desprovidas de artificialidade. E mesmo com tudo isso, era desconcertante pensar que somente um Fluctlight dentre tantos ali, Alice, foi capaz de superar a ‘incapacidade de desafiar a lei e a ordem primordial’.

Agora ela entendia completamente o desejo de Kirito em proteger todos ali.

Herdarei essa vontade!

Asuna reforçou sua determinação e depois de respirar fundo, começou a falar:

“Saúdo a todos. Creio que esta é a primeira vez que nos vemos. Meu nome é Asuna e venho do mundo exterior.”

 

Enquanto que somente oito dias haviam passado desde sua partida, Alice começava a sentir estranho o curto tempo tão sossegado ao qual passou vivendo isoladamente com Kirito na fronteira da aldeia de Rulid, quando o empurrava em sua cadeira de rodas até as fazendas próximas.

Rodeadas por cercas de madeira branca, as lanosas ovelhas que pastavam tranquilamente nos campos verdejantes enquanto pequenos e felizes cordeirinhos pulavam de lá para cá, cheio de energia.

Alice não podia evitar se maravilhar ao presenciar seres que viviam de um modo tão simples. Sem terem a necessidade de se preocuparem com coisas fora dos limites de suas cercas, vivendo pacificamente em cativeiro, provido por seu próprio… mundo.

Ela jamais imaginaria que…

As pessoas que viviam nesse mundo eram vidas geridas exatamente como as ovelhas.

As palavras dessa mulher extraordinária chamada Asuna haviam instaurado um choque sem precedente em todos os cavaleiros e guardas. Até mesmo o comandante Bercouli, enquanto mantinha sua habitual expressão relaxada, com toda a certeza deveria de estar completamente mexido por dentro.

Asuna havia chamado o mundo onde existia o Mundo Humano e o Dark Territory, usando a palavras sagrada ‘Underworld’.  Enquanto que lá fora, no sentido não geográfico e sim conceitual, existia um reino estranho chamado de ‘Mundo Real’.

É claro, os líderes da guarda crivaram-na de diversas perguntas sobre esse mundo, o qual parecia fugir completamente do conceito da terra dos deuses.

A visitante respondeu.

As pessoas que viviam no Mundo Real, igualmente como eles, eram humanos com emoções, desejos e possuidores de uma vida limitada.

E agora mesmo, em uma locação altamente específica no Mundo Real, dois poderes estavam se chocando, disputando pelo controle daquele lugar, o Underworld.

Asuna parecia a mensageira de um deles. Sua meta, aparentemente, era proteger Underworld.

Enquanto que o objetivo do outro lado era recuperar um único ser humano. Depois disso, empreenderiam um processo de destruição de todo o mundo, reduzindo tudo o que conheciam ao mais absoluto nada.

Escutando essas palavras, os líderes das companhias dos guardas foram ficando cada vez mais alarmados.

Quem acalmou o começo desse distúrbio fora mais uma vez a possante voz de Bercouli.

“Pensem bem, não dá na mesma!?”

O herói tricentenário sinalizou.

“Além do Mundo Humano encontra-se o interminável Dark Territory, com um exército de dezenas de milhares esperando uma oportunidade para nos invadir, mas que até hoje, nunca tinham conseguido. Esse tal Mundo Real, é igual, pois não havia nenhum indício de sua existência até o presente momento. Então, de fato não passa de outro mundo além do nosso, não concordam? Dá no mesmo, não é? Me digam, do que vocês tem medo?”

Depois de o argumento ser transmitido para todos através de sua voz firme, o foco do burburinho foi reduzindo, até todos concordarem e aceitarem a ideia.

Bercouli então virou para Asuna e perguntou:

“Quem é essa pessoa a quem seus inimigos estão buscando?”

Os olhos brilhantes da forasteira viajaram de Bercouli e pousaram sobre Alice.

A garota loira compreendeu o que havia por trás daquele olhar só depois de alguns segundos.

Sua expressão mudou de irritação para total incredulidade.

“E-… Eu?”

Não somente Renri, Tiezé, Ronye e até Sheeta revelaram expressão de choque, como todos os demais soldados. Somente Bercouli assentiu como se já tivesse esperando por aquela resposta.

“Entendo… então, de fato a princesa é a Sacerdotisa da Luz…”

Asuna não entendeu o significado daquilo. Ela piscou incerta para o comandante, contudo continuou:

“Não temos muito mais tempo. Para evitar que Underworld seja destruído, Alice tem que vir para o Mundo Real comigo. Se ela não estiver mais aqui, o inimigo deixará de intervir com essa realidade…”

“N-…!! Não me venha com essa!!!!”

Alice gritou, incapaz de conter-se mais. Saltou de sua cadeira, bateu em seu peito e disse em alto e bom som:

“Está pedindo que eu fuja!? Eu?? Abandonar esse mundo e todos que estão aqui? Deixar meus companheiros do Exército de Defesa… e ir para esse… esse… Mundo Real!? Impossível!!! Sou uma Integrity Knight!! Minha única e maior missão é proteger esse mundo, o Mundo Humano e nada mais!!!”

Quem levantou na sequência foi Asuna. Jogando seus cabelos para trás e respondendo com sua voz resoluta que pareceu entrar na mente de todos.

“Deixando bem claro!! Seu inimigo… não é o Dark Territory e sim um ladrão do Mundo Real. Se ele capturar você, irá te arrancar para fora desse lugar e todos aqui… não somente o Mundo Humano, como todo Underworld, a terra, os céus, tudo… tudo será destruído!!! A situação é crítica, e não temos como estimar quando será o ataque do inimigo!”

“Quanto a isso, creio que seu alerta tenha chegado um pouco tarde, Asuna.”

Bercouli falou tranquilamente.

“Pois o inimigo de que está falando já está aqui!”

“Uh…!”

Asuna perdeu a fala imediatamente enquanto o Knight Commander virava tranquilamente a caneca com o licor, respirava fundo e continuava a falar.

“Parece então que tudo foi revelado. A Sacerdotisa da Luz e o Deus da Escuridão Vector, é ele quem está tentado capturá-la. E esse Vector que está comandando as tropas do Dark Territory é provavelmente alguém do Mundo Real como você.”

“Deus… da Escuridão…”

Asuna sussurrou enquanto seu rosto adquiria a tonalidade pálida. Em seguida, disse mais uma porção de palavras incompreensíveis para todos ali.

“Na verdade não tinha pensado nisso… a super conta ativa do Dark Territory não foi bloqueada por um password nem nada do gênero…”

“B-Bem… hã… com licença.”

Rompendo o breve silêncio que se instaurou, o jovem cavaleiro Renri levantou timidamente sua mão.

Resistindo aos olhares de todos que o focaram nesse instante, o garoto perguntou com o rosto ruborizado:

“Sobre isso, o que é exatamente uma Sacerdotisa da Luz? E esses ladrões do Mundo… Real…, porque estão atrás da senhora Alice?”

Quem respondeu a pergunta foi alguém que ninguém esperava que se manifestasse naquela reunião, pois era conhecida como A Silenciosa.

Entretanto, a Integrity Knight Sheeta falou com sua voz soturna.

“Simples, porque ela rompeu o selo do olho direito.”

Alice foi pega totalmente de surpresa, sobressaltando-se de tal maneira que esqueceu que estava protestando sobre tudo aquilo. Sua mão moveu-se inconscientemente até o olho direito enquanto perguntava:

“Como…, como você sabe sobre isso, senhora Sheeta!?”

Um pequeno sorriso surgiu no rosto daquela mulher.

“Só de pensar nisso… meu olho direito chega a doer. A intensidade, o corte… ir contra a coisa mais poderosa desse mundo… a invencível Igreja Axiom… você deve ter se divertido muito… ”

“…!”

Os cavaleiros, líderes da guarda e demais soldados, todos caíram em um silêncio constrangedor, só quebrado por uma tossida de Bercouli.

“Ah sim, creio que todos aqui já passaram por experiências similares. No instante em que manifestaram o menor traço de insatisfação ou resistência para contra o poder da Alto Ministro ou a grande potência da Igreja Axiom, tiveram a desagradável sensação em seu globo ocular, que por consequência pode ter vindo a começar a brilhar em vermelho com uma terrível dor pulsante.

E como resultado, qualquer pensamento que estivesse tendo, acabava sendo forçadamente abandonado por causa da dor insuportável.  Pois se continuassem, ela  só aumentaria até a vista direita ser completamente tomada por uma profunda e quente luz vermelha e então… eventualmente…”

“Teria todo seu olho direito explodido.”

Alice sussurrou, recordando e revivendo aqueles momentos angustiantes aos quais passou.

“Então… a senhora Alice teve seu…”

A voz em tom horrorizado de Renri escapou de seus lábios enquanto Alice assentia lentamente e continuava a falar.

“Eu, enfrentei o Chefe Elder Chudelkin e a Alto Ministro, a Administrator. E para poder fazer isso, paguei minha determinação com a perda de meu olho direito, ao qual recuperei tempos depois, contudo, a dor não fora esquecida.”

“Erm… mas isso…”

Uma voz ainda mais fraca em intensidade começou a ser ouvida. Pertencia a menina chamada Ronye da equipe de suporte e que estava até agora escutando toda a conversa à distância.

“O senhor Eugeo também… ele o fez para proteger Tiezé e a mim…

Ergueu sua espada em nossa defesa e cometeu aquele grave crime…

Na ocasião, seu olho direito… ele… ele… tinha muito sangue…! ”

Deve ter sido a mesma coisa. Foi o que Alice pensou enquanto assentia com a cabeça.

Enfrentar incontáveis batalhas como um civil, derrotando inclusive o cavaleiro comandante, conseguido liberar uma Incarnation perfeita contra o ser mais poderoso do Mundo Humano.

Aquele jovem definitivamente foi capaz de superar com sucesso a restrição do Selo do Olho Direto.

Lembrando agora, durante a batalha no último andar da Catedral Central, a Administrator realmente tinha dito algo sobre o selo do olho de Alice…

Como era mesmo?… Codeeightseven…?

Sem esperar que Alice lembrasse das palavras da Administrator, Bercouli falou enquanto coçava sua barbicha.

“Hum… em outras palavras, esses ‘inimigos’ estão buscando todos aqueles que romperam o selo pelas próprias forças, senhorita Asuna?

Isso me deixa uma dúvida… vocês, pessoas do Mundo Real também possuem o mesmo selo?”

“Não.”

Depois de hesitar por um momento, ajeitou seus longos cabelos castanhos e prosseguiu.

“Não tenho nenhuma prova concreta. Mas posso dizer que a única diferença entre as pessoas do Mundo Real e as de Underworld, é o fato de que podemos romper as leis e as ordens quando desejarmos.”

“Isso significa que agora a princesa Alice é uma existência igual a sua? Não acha isso estranho? Se são iguais, porque tal demanda em capturá-la? Afinal, no Mundo Real devem existir milhares de pessoas lá, não é?”

“Bem, isso…”

Hesitando mais do que antes, Asuna seguiu em silêncio até que quando foi finalmente dizer algo, Alice a interrompeu.

“Lembrei!! Code eight seven one!”

Esfregando as mãos, disse freneticamente como se não estivesse acompanhando a conversa.

“A Alto Ministro chamou o Selo do Olho Direto de Code Eight Seven One. Ela disse que tinha sido ensinado por ‘aquela pessoa’! Mesmo que não saiba do que se trata… pelo menos creio que isso embora pareça, não deve ser algo em língua sagrada, não é? Por acaso está no idioma do Mundo Real?”

“Code… 8,7,1… ?”

Asuna repetiu, perplexa. Suas sobrancelhas se ergueram devido à surpresa.

“Alguém… uma pessoa do RATH ensinou o selo…? Mas isso não seria… interferir com o propósito de tudo…?”

Ela voltou a se sentar, pensando profundamente por um momento… até que…

Repentinamente se viu petrificada. Seus lábios empalideceram enquanto sentia que todo o ar de seus pulmões era expulso.

Sussurrou com a voz rouca, porém, Alice não conseguiu novamente entender.

“Droga…!! Há um espião dentro do RATH…! E no outro lado do eixo…!”

 

Asuna estava profundamente abalada.

A obediência cega sob o comando de um poder maior. Para remover essa única falha na joia que era o Fluctlight Artifical, Higa Takeru e os demais pesquisadores e técnicos do RATH haviam empregado um esforço imenso.

Tudo porque os Fluctlights Artificiais atuais eram incapazes de avaliar e discernir a moral ou a utilidade das ordens aos quais eram submetidos. Se fossem carregados como I.A.s em equipamentos de guerra e seu sistema fosse hackeado sendo ordenados que atacassem suas próprias tropas ou assassinar civis, não seriam capazes de decidir se as novas ordens eram certas ou não e as executariam sem pestanejar.

Isso era uma diferença crítica entre o efetivo dos exércitos ocidentais, os quais possuíam a capacidade de se opor a tais ordens.

Exatamente para eliminar essa possibilidade de reprogramação das inteligências artificiais, superando esse fator limitante, que RATH iniciou com os experimentos simulados em Underworld, criando um ambiente controlado que já duram centenas de anos.

Porém, se o Selo do Olho Direito, o tal Code 871 fosse um mecanismo para evitar que o experimento tivesse êxito, tinha sido inserido por alguém desconhecido infiltrado dentro do RATH.

E a tentativa de alteração provavelmente se originou de uma normativa oriunda dos atacantes do Ocean Turtle.

E agora, esse espião ainda era capaz de mover-se livremente no eixo superior da estação de pesquisa oceânica. Se fosse de sua vontade, poderia até mesmo enganar os técnicos e entrar na seção número 2 do STL, onde estavam Kirito e ela, indefesos.

Tentando ignorar o calafrio que percorria seu corpo, Asuna seguiu pensando.

Sua única opção era reduzir o HP da Deusa da Criação Stacia a zero, em outras palavras, até a morte. Porém, se fizesse isso, não seria capaz de conectar-se novamente com essa super conta. Já que os comandos de autoridade de administração do sistema estão atualmente bloqueados, não seriam capazes de resetar os dados da conta.

E levando em consideração que os atacantes estavam utilizando a do Deus da Escuridão Vector, uma conta do mesmo nível, ele seria invencível contra qualquer conta civil comum. Para proteger Alice e desconectá-la em segurança, necessitaria dessa super conta.

O que farei primeiro?

Depois de pensar por um tempo, Asuna respirou profundamente e decidiu.

Ela priorizaria Underworld. O mundo corria a uma velocidade dez vezes mais rápido do que a do Mundo Real. Antes de qualquer movimento fosse feito no seu mundo, tinha bastante tempo para agir ali.

Nesse período, ela teria que criar um plano para proteger Alice do exército do Dark Territory liderado pelo inimigo e levá-la para o Mundo Real.

Se fracassasse e Alice caísse nas mãos daquelas pessoas, destruiriam tudo ali, acabando com todos os outros Light Cubes sem nenhuma piedade, somente pela ganância de obter a primeira I.A. verdadeira.

Exterminariam Underworld, o mundo pelo qual Kirito havia lutado colocando sua própria vida em jogo.

***

Por todos os reportes que estava recebendo, parecia que a decisão de Yuuki Asuna estava correta.

Porém, nem ela, Higa Takeru ou Kikuoka Seijirou no Ocean Turtle haviam se dado conta de um fato extremamente importante.

Desde que Gabriel Miller e Vassago Casals tinham se conectado, a frequência FLA estava sendo decrescida lentamente. A operação estava sendo realizada por Critter, o invasor responsável pelo ataque cibernético e interferência tecnológica da equipe de assalto, contudo, essa ideia tinha partido da mente incrivelmente astuta de Gabriel.

Em vinte horas, a equipe militar armada da JSDF do Destrutor Aegis Nagato alcançaria o Ocean Turtle e o colocaria sob custódia, provavelmente exterminando seus invasores.

Então, dada à situação, era completamente incompreensível e impensável para o pessoal do RATH que uma equipe de invasores, que em um pensamento racional, se beneficiaria de uma quantidade maior de tempo de ação, reduzisse a frequência de aceleração da simulação de Underworld, pois isso seria quase como estrangular seus próprios companheiros.

Contudo, a razão dessa redução da aceleração estava muito além das mais loucas expectativa e imaginação de qualquer pessoa.

Porém…

Naquele exato instante, somente um ser havia visto através do obscuro motivo de Gabriel.

Escondida no terminal portátil de Yuuki Asuna, ela, a I.A. top down mais avançada do mundo, planejava sigilosamente uma medida enquanto voava pelas conexões da Internet.

***

“Aconteceu… algo!?”

Alice havia deixado todo e qualquer pronome de tratamento já há algum tempo.

Escutando suas palavras, Asuna ergueu rapidamente a cabeça e depois a sacudiu.

“Não… não é nada. Desculpe por interromper.”

“Mas não interrompeu nada, você é que estava falando e do nada ficou muda. Ainda estamos esperando a sua resposta!”

Alice disse em tom irritado.

“Então, tem alguma pista sobre esse termo Code Eight Seven One?”

“Sim, era justamente sobre isso que estava tentando achar uma maneira de explicar.”

Alice deu uma bufada de impaciência enquanto Asuna a observava um tanto quanto desconcertada com a atitude.

Asuna não conseguia lembrar quando tinha discutido com alguém assim. Sempre esteve em bons termos com suas amigas, Lisbeth, Silica, Leafa, Sinon e com todos seus colegas de escola.

E sobre isso, quando tinha sido a última vez que se sentiu competindo com uma pessoa dessa forma? Depois de pensar por um momento, quase deu um sorrisinho. Sim, sem dúvida tinha sido com o Kirito.

Desde que haviam se conhecido no primeiro andar de Aincrad até começarem uma relação interdependente para se ajudarem a completar aquele jogo mortal, Asuna tinha encarado e gritado com Kirito um sem número de vezes e em algumas ocasiões até recorreu a agressões físicas.

Talvez… pudesse haver um tempo em que ela se daria bem com aquela garota chamada Alice.

Contudo, isso não é nada provável…

Enquanto Asuna pensava sobre isso, abriu a boca e continuou.

“Então, a pessoa que colocou o que a ‘senhorita princesa Alice’ chamou de Code Eight Seven One, o Selo do Olho Direito, foi alguém do Mundo Real… que está agindo por baixo dos panos com o inimigo.”

Alice franziu a cara, talvez pela forma com que a forasteira se dirigiu a ela ou pela informação inesperada.

Ao ouvir o que Asuna falou, o comandante perguntou rapidamente.

“Humm… bem, e além de ter que destruir o olho direito, existe outra maneira de remover esse tal code?”

Diante da pergunta de Bercouli, a garota do mundo real sacudiu a cabeça em negativo, se desculpando.

“Sinto muito… não tenho informações sobre isso… Contudo, não creio que seja algo que se possa remover aqui dentro de Underworld de uma forma tranquila.”

Escutando a clara declaração de Asuna, Alice se mexeu visivelmente incomodada.

Era óbvio que sua primeira impressão tinha sido terrível. Pois Asuna tinha chegado de repente, sem nenhum aviso muito perto de Kirito e sem maiores explicações, começou a dizer coisas que a deixou tremendamente irritada.

Afinal, ela que esteve protegendo e cuidando de suas feridas por todo esse tempo.

E mais uma vez, essa garota chamada Asuna, assim como Kirito, dizia-se ser desse tal Mundo Real. E a julgar por suas palavras e ações, ela com certeza tinha ‘algo’ com ele lá. Então, já que o perseguiu até outro mundo, ao menos deveria dizer mais sobre esse assunto.

Contudo… porque ela estava tão irritada e ansiosa?

Ela havia pensado que era a única nesse mundo que estava empenhada em cuidar de Kirito, porém, agora vinha alguém de um lugar incerto desafiar essa sua responsabilidade, por quê?

O que era esse espírito competitivo intenso que emanava dela e porque tinha um manejo tão aterradoramente forte com a espada?

Aquela tinha sido a primeira vez que Alice tinha presenciado e sentido um ataque com uma velocidade tão absurda. Era tão forte e ágil que nem sequer a Integrity Knight mais veloz, a vice-comandante Fanatio, podia se igualar.

Não era meramente um ataque contínuo, era como se todas as estocadas daquela espada incrivelmente afiada estivesse sendo realizadas ao mesmo tempo.

Se suas espadas fossem jogadas para trás após o impacto, certamente a forasteira se recuperaria e começaria outro ataque muito mais rápido do que ela.

O que essa…

Porque Asuna era tão extraordinariamente bela, que a fazia suspirava só por olhá-la?

Um rosto exótico sem o menor traço de severidade, como se fosse a personificação da palavra beleza. O fogo iluminava sua pele branca que era acariciada por seu lindo cabelo castanho, o qual parecia ser feito dos fios da mais fina seda.

Os olhos dos líderes da guarda denunciavam suas subjeções, estavam todos compartilhando do mesmo olhar intoxicado de admiração. Se Asuna tivesse se autoproclamado como Deusa Stacia, não haveria nenhuma dúvida de que todos a aceitariam de imediato.

Acima de tudo, ela queria saber.

Não sobre o Mundo Real ou sobre o inimigo, e sim sobre ela, sobre Asuna. Qual era sua relação com Kirito?

E encontrando-se perdida em seus próprios pensamentos, Alice tentou recobrar a linha de raciocínio e concentrar-se na situação.

Enquanto isso, Asuna se aproximou de Bercouli.

“O inimigo tem receio de que os que romperam o selo aqui em Underworld, melhor dizendo, que a Sacerdotisa da Luz… seja levada por outras forças externas além das suas, pois esse tipo de existência é extremamente preciosa no Mundo Real.”

“É exatamente esse o ponto que não entendo.”

Bercouli resmungou enquanto bebia mais um gole.

“A princesa Alice, como Sacerdotisa da Luz, deveria ser uma existência igual à de uma pessoa do Mundo Real, não é? Se o que diz é verdade e essa afirmação seja de fato verdadeira, porque estão tão obstinados em capturá-la? E isso vale tanto para o inimigo quanto para você, Asuna, o que exatamente querem fazer com Alice no momento em que levá-la daqui?”

“Bem…”

Asuna mordeu levemente seus lábios.

Seus olhos se fecharam deixando transparecer uma expressão triste.

“Eu sinto muito, porém, não posso informá-los mais nada quanto a isso. Porque eu… eu acredito que a Alice deva julgar com seus próprios olhos.

O que posso adiantar é que o que ela verá não será o mundo dos deuses, a utopia que percebo muitos aqui acreditarem. Na verdade, é um mundo muito mais feio e sujo do que este, em partes por existirem diversas pessoas como essas que estão vindo atrás de Alice.

E devido a isso, é provável que ela jamais aceite ou perdoe as pessoas que lá vivem.

Contudo… afirmo que não existem somente coisas ruins. Há muitos que desejam proteger tanto aquele mundo quanto esse… exatamente como… como o Kirito.”

Alice escutou em completo silêncio a difícil declaração da forasteira.

Ao final do discurso, se surpreendeu de estar assentindo lentamente com a cabeça.

“Está bem, por hora isso basta. Deixarei para fazer mais perguntas depois.”

Ela enfim afrouxou as mãos da beirada da mesa e deu um longo suspiro.

“De qualquer maneira, daqui para frente só farei o que quero fazer. E isso não quer dizer que estou decidida a ir. Mesmo que tenha o desejo de conhecer esse mundo exterior, ainda não é hora para ficar discutindo sobre tal coisa, pois antes… temos que derrotar o Deus da Escuridão Vector e seu exército invasor e restabelecer a paz.”

Alice imaginou que Asuna fosse a repreender ou desafiá-la como instantes atrás, porém, ela apenas observou calada por um instante e depois falou calmamente:

“Sim, concordo! Uma vez que o exército do Dark Territory está sendo controlado por uma pessoa do Mundo Real, seria muito perigoso que a Alice e eu fôssemos embora e deixássemos todos a própria sorte. Certamente, o inimigo também deve ter pensado nisso. Eu… gostaria de tomar parte dessa luta contra Vector, então, me deixe ajudá-los, por favor!”

Diversos gritos de alegria vieram dos pelotões da guarda, com seus líderes em êxtase. Para eles, não importava nenhum pouco que Asuna tivesse negado ser uma deusa, pois em seus corações, ela era a própria deidade Stacia encarnada. E mesmo que não fosse, ao menos teriam alguém absurdamente poderoso ao seu lado. Dessa forma, estavam mais confiantes, não se importando que o inimigo tivesse vinte ou duzentos mil, iriam enfrentá-los até suas últimas forças.

O Knight Commander pareceu compartilhar desse sentimento.

Ele deixou o alvoroço diminuir, cruzando os braços e aguardando alguns instantes para então dizer:

“Muito bem, deixaremos o assunto sobre o Mundo Real de lado por hora e vamos nos concentrar no problema em questão…

Essa habilidade que usou há pouco, Asuna, existe a possibilidade de usá-la infinitamente?”

“Creio que não vai gostar muito da resposta.”

Asuna encolheu os ombros enquanto sacudia lentamente a cabeça.

“Esse tipo de poder coloca uma enorme sobrecarga mental sobre seu usuário. Seria capaz de suportá-lo se fosse apenas um incômodo temporário, contudo, se usá-la de modo indiscriminado, provavelmente serei jogada para fora desse mundo visando preservar minha integridade mental. E se isso ocorrer, nunca mais poderei retornar.

Então, respondendo a sua pergunta: infelizmente, só devo poder realizar comandos geográficos de grande escala uma ou duas vezes mais. ”

Recebendo esse ‘banho de água fria’, os rostos de todos ao redor da fogueira se petrificaram, voltando aos olhares temerosos de antes.

Ao ver isso, Alice levantou-se mais uma vez.

“Mas o que é isso? Que espécie de guerreiros seríamos se ficássemos dependendo de uma forasteira para proteger nosso próprio mundo? Ela já nos ajudou mais do que o suficiente. Agora é a nossa vez, nosso turno. Vamos agradecê-la mostrando do que somos capazes!”

Depois desse discurso inflamado, Alice sentiu um olhar surpreso vindo de Asuna, que ela fez questão de evitar devolver por achar que era constrangedor demais.

O primeiro a concordar com Alice foi Renri, o cavaleiro mais jovem presente ali.

“H-Hã… é.. é isso ai!! É como a senhora Alice disse! A senhora Asuna não é uma deusa, é uma humana como todos nós! Por isso, devemos lutar todos juntos!!”

E com palavras em um timbre fino que pareceu resonar com os instrumentos divinos em sua cintura, o jovem cavaleiro olhou em direção à garota ruiva que estava próximo de Asuna e corou.

Alice percebeu o olhar e começou a sorrir.

Aproveitando o momento, até mesmo Sheeta, A Silenciosa, sussurrou.

“Certo… também tomarei parte… desejo enfrentar aquela pessoa outra vez…”

Os líderes da guarda concordaram em coro enquanto trocavam olhares esperançosos entre si.

“Vamos todos trabalhar juntos para proteger os que amamos!”

Os gritos de alegria voltaram a se espalhar pela clareira novamente.

Coincidentemente ou não, até o fogo da fogueira pareceu crepitar com mais intensidade, como se tivesse sido contagiado com o otimismo do ambiente, lançando pequenas fagulhas brilhantes em direção ao céu noturno.

***

Isso… realmente vai dar certo?

Na simples barraca militar recém-montada que foi cedida para Asuna, a garota seguia imersa em seus pensamentos enquanto removia a armadura branco perolada.

De acordo com os conselhos de Higa e Kikuoka no mundo real, ela deveria levar Alice o mais rápido possível ao console do sistema de Underworld para poder extraí-la com segurança até a sala de controle auxiliar do Ocean Turtle.

E o que aconteceria depois? De acordo com Kikuoka, conseguindo o Fluctlight de Alice, este teria sua estrutura analisada e posteriormente, poderia ser carregado em qualquer tipo de arma automática, fazendo com que ficasse em funcionamento através do poder de processamento da I.A.

Contudo, isso acabaria por fazer com que os Fluctlights restantes perdessem a utilidade para a pesquisa. Então, seriam descartados para evitar mais desperdícios de energia e local de armazenamento.

Se o pior acontecesse, que tivessem êxito em retirar somente Alice e destruíssem o resto de Underworld, o que Kirito faria após despertar? Ou melhor… será que ele realmente conseguiria despertar…?

Não! Ela não deveria pensar nisso, se dando o luxo de entrar em desespero como da outra vez. Ela veio aqui para encontrá-lo, sendo assim, daria seu máximo para buscar alguma coisa que ajudasse a recuperar seus sentidos.

Seu único desejo agora deveria ser capaz de fazer de tudo para despertá-lo, falar com ele, tocá-lo.

Higa havia dito que somente um milagre poderia fazê-lo voltar ao normal, mas se tivesse que acontecer, que o caminho deveria ser por dentro de Underworld.

Agora mesmo, ela gostaria de estar na barraca de suprimentos onde o rapaz se encontrava, para poder abraçá-lo, conversar com ele. Queria aproveitar esse período de imersão para passar o máximo de tempo ao seu lado. Não queria abandoná-lo em momento algum. Sua intenção era permanecer com Kirito durante todo o caminho até o console do sistema no extremo sul daquele território.

Então… nessa noite eu…

Assim que tomou a decisão, Asuna terminou de retirar toda sua armadura e colocou uma espécie de túnica ou vestido e encaminhou-se para a saída da barraca aguçando os sentidos para escutar o que estava acontecendo no lado de fora.

Mesmo após suas recusas, o Knight Commander havia incumbido um soldado para servir-lhe como guarda. O jovem, nervoso com sua tarefa como segurança de sua ainda creditada Deusa Stacia, estava caminhando de um lado para o outro sem descanso, fazendo rondas sem cessar ao redor de sua barraca.

Quando os passos cruzaram por um arbusto na lateral, se direcionando para os fundos, Asuna deixou apressadamente o local. Em três silenciosos e enormes passos, ela ocultou-se dentro de uma sobra da árvore mais próxima, há mais ou menos dez metros de onde estava.

Olhando rapidamente para trás, constatou que o guarda não tinha notado sua fuga e seguia fazendo sua ronda.

Depois de se desculpar mentalmente com o rapaz, Asuna se aprofundou mais no pequeno bosque.

O Exército do Mundo Humano, cansado da longa batalha, tinha se retirado para o merecido descanso, deixando apenas poucos sentinelas. E estes, estavam tão preocupados com movimentações de fora do pequeno bosque, que sequer notaram Asuna escapulir por suas costas e ir em direção à carruagem e barraca que estavam os suprimentos.

Ok… feche os olhos e se concentre…!

Ela não conseguia discernir se era o poder de sua super conta ou intuição feminina, contudo, podia sentir todo o ambiente e saber a localização exata de onde estava seu amado.

Assim que o localizou, agora fora da carruagem e dentro de uma barraca, deu uns quantos passos na direção escolhida.

E ao chegar perto da entrada, segundos depois, notou de relance um flash de luz dourada.

Droga!!

Sem ter muito que fazer, parou e virou-se lentamente para o lado.

Uma silhueta estava em pé com sua espada em punho encostada na parede lateral da tenda.

Usava um vestido simples, parecido com sua túnica. A parte da frente de seus cabelos dourados esvoaçava pelo vento noturno e olhos de um azul tão profundo que pareciam duas joias preciosas, mas que no momento, desprendiam uma pressão avassaladora.

“Eu sabia que você viria!”

Alice disse calmamente enquanto ajeitava o rabo de cavalo e o jogava para trás.

Observando cara a cara sua oponente. Percebeu que tinham a mesma altura, mesmo porte físico corpo e provavelmente a mesma idade.

Alice estava pronta para dizer as palavras que tinha ensaiado momento antes dela aparecer.

Não falei que não era para ninguém se aproximar sem o meu consentimento? Volte bem quietinha para sua tenda!

Contudo, o ar trouxe um aroma que a fez congelar, sentindo alguns sentimentos difíceis de vocalizar. Ela viu bem dentro dos olhos daquela forasteira chamada Asuna, um conjunto de emoções que não podiam ser mais claras.

Saudades, dor e determinação.

Certamente a dor provinha da saudade e a determinação era devido à obstinação em não se curvar à dor.

Ao ver aquilo, Alice só conseguiu suspirar profundamente enquanto se perguntava:

Isso não significa que eu me rendi. Sou a pessoa que tem a responsabilidade de manter Kirito a salvo até que consiga despertar. Isso não mudará! Kirito lutou ao meu lado, se feriu e caiu junto comigo diante de meus olhos. É meu dever zelar por ele!

Sendo assim, farei de tudo para que ele volte a ser como era.

Após liberar o ar frio da noite de seus pulmões, falou:

“Façamos um trato!”

Escutando o curto comentário de Alice, Asuna piscou em confusão.

“Te deixarei ver Kirito. Também lhe direi tudo que sei.

Mas em troca, você deve me contar tudo que sabe sobre ele!”

Após a confusão sumir de seus olhos, Asuna sorriu gentilmente.

“Está certo, porém, é uma longa história. Creio que uma noite não será o bastante para contar.”

Mas que petulante!

Alice imediatamente se arrependeu do que disse, porém, já era tarde, o acordo estava selado.

Em vista disso, perguntou:

“Quanto tempo você tem estado com ele?”

Os olhos castanhos claros de Asuna se perderam no céu noturno e depois de um breve momento, enroscou seus dedos em alguns fios de cabelo e respondeu:

“Bom… fomos companheiros de batalhas por dois anos. Depois saímos por um ano e meio e também passamos duas semanas vivendo juntos.”

’Saímos’? Isso… significa uma relação amorosa… né? Não… eu creio que… bom… acho que vivi com ele bem mais tempo…”.

Alice titubeou ligeiramente, mas logo inflou o peito e se negou a admitir a derrota.

“Passei uma noite inteira lutando ao seu lado. Depois cuidei dele sob o mesmo teto por praticamente meio ano.”

Era a vez de Asuna se surpreender, contudo, como Alice, se recuperou rapidamente.

“Ah… é isso então…?”

Sussurrou.

As duas ficaram se encarando com a cara fechada por uns bons segundos, estando prestes a começar a batalhar outra vez.

O ar noturno pareceu ficar abafado e a se eletrificar, quando…

Entrando corajosamente entre a batalha de uma Integrity Knight e a Deusa da Criação, uma pequena figura com a voz bem fina e suave.

“Hã… com licença…!”

Alice e Asuna, surpreendidas, giraram ao mesmo tempo para a fonte daquela jovem voz.

Parada, muito próxima as duas, estava a jovem aprendiz da equipe de suprimentos, usando uma touca sobre seus cabelos castanhos escuros e uma camisola cinza.

Ronye.

Ela juntou as mãos em frente ao peito e falou outra vez.

“Na v-verdade, e-eu passei dois meses limpando o quarto do senhor Kirito e também… ele me ensinou várias habilidades com a espada e até nos presenteava com guloseimas que ele comprava às escondidas no mercado da cidade várias vezes! Parece muito pouco comparado com vocês duas, mas… também gostaria de compartilhar isso…”

Alice piscou umas quantas vezes antes de olhar para Asuna, que também estava igualmente desconcertada.

De suas bocas antes tensas, saíram sorrisos divertidos.

A tensão do ar imediatamente desapareceu, sendo preenchida com o som dos sorrisos.

“Certo, senhorita Ronye, bem vinda ao nosso clube.”

Alice deu de ombros enquanto sorria afirmativamente para a menina. Ela não podia deixar de admirar que a pequena aprendiz, que agora suspirava fortemente e sorria aliviada, tinha demonstrado muita valentia.

Contudo… ela não era a única rival.

Ronye mal havia acabado de falar em frente, quando nova voz surgia na entrada.

“Será que posso participar dessa troca de informação?”

Um tom mais poderoso, quase masculino, mas que sem dúvida era de uma mulher, ecoou na entrada da barraca.

Uma mulher muito alta havia surgido sem fazer ruído algum.

Ao ver seu rosto, com lindos traços, Asuna comentou:

“Você… é aquela de antes…”

Sem dúvida, ela era a única mulher dentre os líderes da guarda que tinha avistado momentos atrás durante a reunião.

A mulher, cujo cabelo era longo e escuro amarrado em um grande rabo de cavalo, assentiu gentilmente.

“Me chamo Sortiliena Serlut da Ordem dos Cavaleiros de Norlangarth. Embora eu tivesse planejado esperar até que essa batalha estivesse terminado… talvez não dê tempo, por isso estou aqui. Também tive um longo relacionamento com Kirito, por isso, peço para me juntar ao grupo.”

Alice suspirou de incredulidade enquanto falava para a enorme líder da guarda.

“E que tipo de relacionamento foi esse, senhora líder da guarda Serlut?”

“Caso não se importe, por favor, me chame apenas de Liena, minha senhora cavaleiro!”

Sortiliena, deu uma pequena tossida antes de tirar seu ‘ás’ da manga.

“Quando estive na Academia de Maestria com Espada do Império Norlangarth, Kirito serviu como meu aprendiz por um ano inteiro. Passei para ele alguns… ensinamentos… com espada.”

“…!”

As outras três ficaram em completo silêncio após a revelação.

Sword Art Online Alicization Underworld - Exploding - Asuna - Alice - Ronye - Sortiliena - Vol16

Asuna e Alice trocaram olhares que, simultaneamente, diziam algo como: ‘Sério mesmo!? Outra!?’, mas que por fim, assentiram.

“Sendo assim, creio que você deve ter muita informação, senhoria Liena. Por favor, entre! Junte-se a nós!”

Com uma atmosfera estranha, as quatro mulheres começaram a se mover silenciosamente em direção ao interior da tenda, sendo escoltadas por Alice.

Roupas de cama estavam dobradas sobre algumas almofadas juntamente com duas mantas de couro. E coberto com terceira, estava o jovem de cabelos negros com seus olhos fechados em um dos cantos da simples habitação. Em seu colo, enrolada sob a grossa manta era possível ver parte das empunhaduras de duas espadas.

Ao ver aquela cena, os lábios de Asuna tremeram com uma recordação que surgira em sua mente. Alice logo percebeu e perguntou:

“…O que foi?”

Diante da pergunta de Alice, a espadachim forasteira esqueceu-se totalmente da animosidade entre as duas e respondeu com um sorriso.

“Kirito das lâminas duplas… era assim que muitos o chamavam lá…”

“Hã…!?”

Agora que tinha mencionado, quando Kirito lutou na batalha decisiva contra a Administrator, ele tinha realmente empunhado sua espada negra e a espada branca de Eugeo como se aquilo fosse algo natural para ele. Sem dúvida alguma, fazer o que ele fez, não era algo que pudesse ser categorizado como comum.

Alice andou para perto do adormecido Kirito enquanto fazia sinal para que as outras três se sentassem à volta dizendo:

“Bom, então que tal começarmos com esse tal ‘lá’? ”

 

A noite mais escura a que pudessem lembrar pairava sobre todos como um manto negro tremendamente gelado, com somente uma lua em tom violeta brilhando silenciosamente sobre aquela terra negra.

Tanto no lado onde estavam os soldados do Exército de Defesa do Mundo Humano, quanto os Dark Knights e Lutadores no acampamento do outro lado da imensa fenda, estavam agora em sono profundo.

Contudo, em um ponto isolado na silenciosa noite, antes da batalha decisiva entre os dois lados, uma lamparina solitária seguia acesa dentro de uma tenda.

A luz bruxuleava embalada por sons de risadas tranquilas que acabavam por se filtrarem por trás da grossa cortina que servia de porta, ganhando o mundo exterior. Porém, os únicos que podiam escutá-las eram as árvores nodosas e pequenos arbustos na volta.

Após esgotarem até a última gota de óleo da lamparina, as quatro mulheres, exaustas de tanto falarem, dormiram ao lado de Kirito.

Momentos depois, na distante Centoria Central, capital do Mundo Humano, o som estrondoso de um campanário começou a tocar incessantemente exatamente à meia noite. Entretanto, era óbvio que o som não chegou até o acampamento do Dark Territory.

Ao mesmo tempo…

Uma sensação tão fraca que poderia ser descrita apenas como a ‘vibração do tempo’, chegou a cada uma das pessoas de Underworld. Essa era a sensação da taxa de FLA caindo para exatos 1:1, contudo, mesmo se alguém estivesse acordado, provavelmente não notaria maiores diferenças.

Calendário do Mundo Humano, oitavo dia de Novembro do ano 380, 00:00 horas.

Hora padrão do Japão, Mundo Real, 7 de Julho do ano 2026, 00:00 horas.

Nesse momento, as linhas temporais de ambos os mundos se sincronizaram completamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

OLÁ PESSOAS!

MAIS UMA QUARTA-FEIRA, MAIS UM CAPÍTULO, ATÉ PARECE QUE MINHA VIDA VOLTOU AO NORMAL… SQN 😀 😀

O QUE IMPORTA MESMO É QUE CHEGAMOS A INCRÍVEL MARCA DE 90% DE SWORD ART ONLINE ALICIZATION VOLUME 16 TOTALMENTE ADAPTADO PARA NOSSO PORTUGUÊS!!

QUASE CONCLUINDO O OITAVO NÚMERO… E PUXA VIDA! SE OLHAR PARA TRÁS, NEM ACREDITO QUE FIZ TANTA COISA.

MAS É ISSO! CÁ ESTOU ME PREPARANDO PARA A RETA FINAL PARA PARTIRMOS LOGO RUMO AO 17.

E SEM DEMORAS, BORA COMENTAR SOBRE O QUE ACONTECEU AQUI.

 

 

FOI TANTA COISA QUE CHEGUE A PERDER O FÔLEGO! 

LOGO DE CARA JÁ FOMOS BRINDADOS COM AQUILO QUE ESTÁVAMOS QUERENDO DESDE QUE ALICIZATION É ALICIZATION, O QUEBRA PAU ENTRE ASUNA E ALICE.

A LOIRA CHEGOU BOTANDO BANCA MAS NÃO CONTAVA COM A NOSSA QUERIDA ASUNA.

CERTO, FOI APENAS UM PEQUENO CONFRONTO AO QUAL NENHUMA DAS DUAS REALMENTE COLOCOU TODAS AS FORÇAS, MAS MESMO ASSIM FOI DEMAIS!

E AÍ ESTAVA TUDO BEM, TUDO TRANQUILO, UMA QUERENDO FATIAR E ESPETAR A OUTRA, AQUELA COISA QUE VEMOS TODO O DIA QUANDO… O CARA QUE ATÉ AGORA FOI 10/10 DENTRE AS FODEROSIDADES (patentearei essa palavra para ser minha) DE ALICIZATION… O SENHOR BERCOULÃO…

DO NADA, ASSIM, NA MAIOR GRATUIDADE. CHEGOU NO MEIO DISPUTA… DEIXA EU REPETIR… CHEGOU NO MEIO DA DISPUTA DAS DUAS MALUCAS FULL PUTAÇAS E PEGA AS LÂMINAS COM AS FUCKING MÃOS NUAS!!!!!!!!!!???

O CARA NÃO TEM LIMITES E AINDA SOLTA UMA PIADEX A LÁ TIOZÃO DO PAVÊ!! CARAMBA!! BERCOULÃO PARA PRESIDENTE!! TEM MEU VOTO!

 

E TAMBÉM O BLÁ BLÁ BLÁ BÁSICO RPGÍSTICO PARA SITUAR A GALERA SOBRE O QUE ACONTECEU ATÉ AQUI E PREPARAR PARA O QUE VIRÁ. CURTI ALGUMAS PONTAS SEREM AMARRADAS, ACHEI BACANA AS PEQUENAS TRAMAS PARALELAS QUE SURGIRAM (entenda aqui Renri se querendo para a Tiezé e a sádica/maluca/faca ginsu da Sheeta literalmente dizendo a que veio).

 

E FINALMENTE, O SEGUNDO PONTO ALTO DESSE VOLUME, O ENCONTRO DO HARÉM DO KIRITO!

A MULHERADA CAINDO EM CIMA DO ZUMBI COTOCO FOI HILÁRIO!! SÉRIO, ESSA CENA VAI SER MUITO ENGRAÇADA QUANDO ANIMADA, PARA COROAR ISSO COMO A MAIOR CONCENTRAÇÃO DE PEGUETES DO CARA SÓ SE ESTIVESSEM SINON, LEAFA E SILICA… UNDERWORLD NÃO COMPORTA TANTO CORAÇÃO PULSANTE HAHAHAHA.

LEMBREI AQUI DE UMA DAS ENTREVISTAS DO SENHOR REKI DIZENDO QUE SE ARREPENDE DE TER FEITO O KIRITOSO TÃO MULHERENGO. O CARA SIMPLESMENTE DÁ ESPERANÇAS PARA TODAS! AO MENOS SE MANTÉM FIEL A ASUNA, PORTANTO, ESTÁ DE BOAS.

 

MAS ENTÃO, A TRAMA INICIAL DE FATO FOI CONCLUÍDA AÍ, COM ESSE CLIMA MAIS AMENO. POIS O QUE VIRÁ A SEGUIR VAI DAR UMA REVIRAVOLTA INACREDITÁVEL, AFINAL, O PLANO DE GABRIEL E DA PEQUENA I.A. ADORADA POR TODOS ESTÃO PRESTES A SE CHOCAREM… O MUNDO VIRÁ ABAIXO!!!

SE SEGUREM MINHAS CARAS PESSOAS!!

FORTE ABRAÇO E ATÉ A PRÓXIMA!

 

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Música emocionalzinha para dar um up enquanto aproveitam a leitura. Preciso de dicas para um canal bom sobre soundtracks de SAO, help-me!!