Sword Art Online Alicization – Exploding – Capítulo 19 – Parte 1.1

Arco: Sword Art Online Alicization Underword – Exploding
Capítulo 19 – A Sacerdotisa da Luz (7º dia do 11º mês do calendário do Mundo Humano do ano 380, 20:00 horas)

Sword Art Online Alicization Underworld - Exploding - Sheeta Synthesis Twelve

Parte 1

O exército da escuridão havia começado a se mover, levantando em seu encalço uma enorme massa de pó. Tão grande a comoção que a poeira parecia tingir o céu do Dark Territory já dotado de uma cor vermelho sangue e que agora, recebia também um toque acinzentado.

Olhando através de uma simples luneta gerada através de elementos cristalinos, o Knight Commander Bercouli assistia a movimentação soltando um pequeno assobio.

“Isso é surpreendente…! Parece que o tal Vector, o Deus da Escuridão, de fato está obsecado por você, princesa. Pois não somente uma parte, como todo o exército está vindo atrás de ti.”

“Bom… melhor que venham, seria terrível ser ignorada. Não se deve deixar uma garota esperando.”

Alice tentou parecer relaxada ao fazer um comentário sarcástico para ocultar seu nervosismo enquanto bebia um gole de água Siral de um recipiente semelhante a um cantil rústico.

No inexplorado, pelo menos para as pessoas do Mundo Humano, domínio do Dark Territory, em uma pequena colina situada a quase cinco kilol ao sul da entrada do vale, o pequeno destacamento do Exército de Defesa que servia de isca, estava conseguindo seu primeiro avanço com sucesso sem maiores problemas enquanto os cavaleiros sagrados aterrissavam sobre uma pequena elevação.

Os guardas estavam muito nervosos, porém, emocionados por conseguirem atravessar com segurança.

Contudo, por terem testemunhado a bravura de um Integrity Knight se sacrificando para anular os efeitos de uma Dark Art tão poderosa quanto aquela, os salvando da morte certa, fez com que os sentimentos de determinação de todos irem completamente às alturas. Continuaram seguindo com o plano acreditando que não poderiam desperdiçar essa nova oportunidade a qual lhes foi oferecida.

Porém, Alice ainda era incapaz de aceitar totalmente a morte de seu discípulo.

Embora tivessem tido pouco tempo juntos desde que se viram pela primeira vez na Catedral Central, muita coisa havia ocorrido entre eles. Além das diversas missões e treinamento que cumpriam, os raros momentos de calmaria serviam para solidificar sua relação. Entre um lanche e outro, degustando saborosos vinhos e até quando seu subordinado ficava contando bravatas sobre seus combates, não havia se passado um só dia monótono ao lado de Eldrie.

Ela frequentemente se perguntava do por que aquele jovem decidir segui-la, alegando ter a oportunidade de aprender esgrima e artes sagradas consigo. Porém agora, conseguia entender. Só agora compreendeu que Eldrie acima de tudo, era alguém gentil, uma pessoa que sem perceber, acabou ocupando boa parte de seu coração.

Aquelas coisas pareciam tão corriqueiras, que sua presença havia se tornado praticamente um fato normal da minha vida. Ele era como um membro de minha família…

Porque só agora que ele se foi, me dei por conta disso?

Enquanto olhava para a borda da cordilheira que preenchia toda visão do céu a noroeste, ela tocou levemente o chicote de Eldrie ao qual havia enrolado em sua cintura. Compreendia também o motivo do porque Kirito não se desvencilhar da espada quebrada de Eugeo.

Como que estivesse dando um tempo para Alice se recompor, o comandante que estava parado sob uma grande rocha ao seu lado falou:

“Em relação à estratégia atual a seguir… basicamente, até que todos os quatro Integrity Knights dessa divisão caiam, vamos continuar atraindo os inimigos para a parte mais profunda de seu território, acabando com eles pouco a pouco conforme forem nos alcançando. Está de acordo com isso?”

Alice assentiu levemente a cabeça para seu mestre e prosseguiu.

“Estou de acordo. E a meu ver, estamos assim: eliminamos praticamente a metade do exército invasor, que é de cinquenta mil, e também quase varremos o mapa com as existências daquelas usuárias de Dark Arts. Resta-nos agora acabar com o que der de sua força principal a qual compreende a Ordem dos Dark Knights e dos tais Lutadores… sem contar, é claro, em derrotar o Deus da Escuridão Vector.

Uma vez conseguido isso, é provável que o resto do efetivo inimigo aceite um tratado de paz.

O que acha disso?”

“Humm… o único problema será ver quem seria a pessoa a comandar a parte do Dark Territory. Se Shasta ainda estivesse entre eles…”

“Então, o Dark General realmente está… Você tem certeza disso, meu senhor?”

“Ele não estava na formação dos cavaleiros enquanto observava. E não somente Shasta, como também sua discípula, a mulher que já te enfrentou, não estavam lá, princesa.”

Deixando escapar um suspiro, Alice compreendeu que Bercouli provavelmente tinha esperanças de que as coisas se resolvessem caso dialogasse com o Dark General e sua aprendiz.

Sacudindo levemente a cabeça, o comandante sussurrou.

“Só podemos esperar e ver se o novo Dark Knight que ocupou a posição de Shasta tenha herdado a vontade de seu antecessor… embora ache que a probabilidade disso seja… muito baixa…”

“Como assim?”

“Bem, as pessoas que vivem no Dark Territory não tem nenhuma lei escrita como o Índice de Tabus. Existe somente uma regra que rege seus caminhos, a que devem sempre obedecer ao mais forte.

E, infelizmente, a encarnação do Deus da Escuridão Vector é… aterradora… Um jovem e ainda por cima novato, obviamente, não será capaz de resistir a uma influência tão poderosa quando aquela…”

De fato, quando ela assumiu a identidade da pessoa que procuram, por um breve instante, uma energia negra como um buraco sem fundo terrivelmente frio pareceu se abrir aos seus pés, preenchendo todo o campo de batalha, tentando tragá-la para seu interior.

Tinha sido a primeira vez que sentia aquilo desde que havia despertado como uma Integrity Knight. Se fosse tentar traçar um paralelo, podia dizer que a presença da Alto Ministro, a Administrator, seria algo como raios de luz, enquanto que aquela energia, seria um completo vazio… negro e sem tamanho.

Só de pensar nisso, Alice sentiu calafrios, algo que tratou de tirar de sua mente, ao prestar atenção no que disse seu comandante.

“Enfim… de qualquer forma, não espero também que ajam muitas pessoas lá que obedeçam cegamente as ordens de um deus, algo interessante há de acontecer…”

Logo após dizer essas palavras, Bercouli, o Knight Commander mostrou uma risadinha estranha e deu um leve tapinha em suas costas.

“É é isso, princesa. Gosto de pensar dessa forma, afinal, aí estão pessoas como você, Kirito e Eugeo, que surgiram no Mundo Humano que não me deixam mentir. Provável que ajam mais companheiros que nos ajude aqui desse lado também.”

Nesse instante, os dois guerreiros escutaram o bater vigoroso de asas que vinha logo acima de suas cabeças.

Era o dragão de Renri, Kazenui, que estava pousando no solo perto deles. O jovem saltou habilmente antes ainda do seu companheiro alado realmente tocar as garras no chão.

Correu até Bercouli disparando de maneira urgente diversas palavras.

“Suas Excelência, reporte atual! Há uma área arborizada a quase um kilol mais ao sul de onde estamos, seria adequado irmos para lá e prepararmos uma emboscada para o inimigo.”

O comandante deu um largo sorriso.

“Brilhante! Bom trabalho com sua exploração. Irei guiar a divisão do solo enquanto você, leve seu dragão para descansar e recupere-o dando bastante comida e água! ”

“Entendido!”

Bercouli ficou observando Renri o saudar de maneira exemplar com uma expressão um pouco vazia. Assim que o pequeno guerreiro se afastou, Alice notou um pequeno sorriso nos lábios do comandante.

“O que houve, meu senhor?”

Diante da pergunta, Bercouli roçou sua barbicha por um momento, como se ficasse um pouco indeciso e depois deu de ombros.

“Bem é que… o Synthesis Ritual cria os Integrity Knight roubando-lhes suas recordações e congelando sua Vida, e isso é algo imperdoável. Porém, ao mesmo tempo e observando agora, penso que é um pouco triste que não existam mais cavaleiros tão empolgados e comprometidos como esse jovem… se um dia ele se ir, temo que…”

Alice fiou pensativa por alguns instantes e logo um sorriso surgiu em seu rosto.

“Dizer que um Integrity Knight é criado somente quando suas recordações são seladas e a Vida é congelada é um tanto errado. Tenho outra visão, meu senhor.”

Sua mão direita acariciou o Frost Scale Whip outra vez.

“Mesmo se nós formos derrotados, estou certa de que nossas almas… inclusive nossas vontades serão transmitidas para as outras pessoas… portanto, estaremos sempre aqui, lutando por todos.”

***

“É isso aí! Finalmente chegou a nossa vez!!!”

Golpeando o punho direito na palma da mão esquerda, o jovem líder da Guilda dos Lutadores, Iskhan, gritou cheio de vigor na voz.

Fiquei sentado aqui esperando por muito tempo que achei que a batalha iria terminar antes que eu pudesse entrar nela.

O incrível pilar de luz havia destruído uma boa parte das tropas dos meio humanos, assim como as usuárias de Dark Arts, que haviam criado aquele repugnante enxame de vermes, e fritado mais uma bela parcela do efetivo da escuridão. Até o Imperador Vector se pronunciou com uma ordem misteriosa.

Contudo, nada disso teve efeito no espírito de luta de Iskhan.

Seu mundo era divido em dois: seu próprio corpo e todo o resto. Ele não se importava com nada mais do que treinar a sim mesmo ininterruptamente.

Tinha a pura convicção em sua mente de que mesmo que tivesse que lutar contra artes de longa distância, como as que havia visto poucos instantes atrás, que poderia repelir cada uma delas utilizando somente seus punhos e espírito.

O guerreiro apertou as tiras de couro em seu musculoso torso desnudo e bronzeado como se fosse uma estátua de bronze, bateu as sandálias ao chão enquanto ajustava a única peça que o cobria, o shorts.

Girou em direção aos seus cinco mil homens e mulheres tão poderosamente constituídos quanto ele, enquanto observava os Dark Knights que vinham logo atrás. Esses, já haviam começado seu avanço há cinco minutos, porém, ainda estavam há mil mels de distância.

“Os cavaleiros estão montados em cavalos, contudo, ainda assim continuam lentos!”

Um homem corpulento ao lado de Iskhan, mais alto do que ele em aproximadamente uma cabeça, logo após escutar o desdém de seu líder, moveu o rosto tão rústico quanto uma rocha, mostrando o que seria um sorriso sarcástico.

“Isso é inevitável, Champion.”

Dirigindo-se ao guerreiro mais forte atualmente na língua escura, o enorme homem continuou.

“Eles e seus cavalos estão usando armaduras com quase o dobro de seu peso.”

“São uns inúteis!”

Concluindo dessa forma, Iskhan olhou novamente para frente. Moldando sua mão direita como se tivesse segurando um cilindro e a colocou sobre o olho do mesmo lado.

Pressionando o centro de sua íris, que parecia agora entrar em chamas, sua pupila se dilatou.

“Hum, o pessoal do Mundo Humano também começou a se mover, ou melhor dizendo… creio que estão é fugindo!”

Fez um som de desaprovação com a língua.

“Tsc!”

Mesmo que a luz das estrelas fossem praticamente nulas nesse território, Iskhan tinha a incrível capacidade de captar a atividade do inimigo há mais de cinco mil mels perfeitamente.

Ele pensou por alguns instantes e então disse:

“Certo, Dampe! A ordem do Imperador era perseguir e capturar aquela mulher, certo?”

“É o que ele disse.”

“Muito bem…”

Deu uma leve roçadinha com o dedo indicador direito no nariz e sorriu com confiança.

“Vamos acelerar o passo um pouquinho… Equipe Hare, à frente!!”

Gritos ferozes e alto cheio de tensão responderam imediatamente a convocação.

“OOOOHHHH!!!!”

Cem guerreiros, membros da dita equipe saíram da formação e avançaram com seus corpos totalmente torneados, porém, mais esguios em comparação aos outros. Os músculos eram tão firmes e esticados quanto tiras de um chicote, completamente bem balanceados. Em suas cabeças, levavam faixas brancas adornadas e bem amaradas.

“Vamos dar um olá para esses tais Integrity Knights!! Preparem-se!!!”

“OOOHHHH!!!!”

“Dança marcial! Movimento dezessete, agora!!!”

A mão direita de Iskhan golpeou o ar ao mesmo tempo em que batia seu pé violentamente no chão e gritava a ordem.

Seu confiável ajudante Dampe e os cem homens da equipe Hare realizavam a mesma ação em perfeita sincronia.

“ZUN, ZAT, ZUN, ZAT!!

OOH, RAH, OOH, RAH!!”

Enquanto prosseguiam ao som ritmado dos passos e gritos, gotas de suor começaram a surgir em seus cabelos acobreados e desgrenhados, enquanto sua pele escura assumia uma matiz avermelhada. O mesmo acontecia com seus subordinados.

Continuaram com essa espécie de dança por aproximadamente um minuto, até que os cem guerreiros pararam repentinamente, sobrando apenas o movimento do vapor que expeliam de seus corpos.

E não era apenas isso, a superfícies de suas peles também emitiam um leve brilho vermelho escuro.

Lutadores.

Uma tribo que, por centenas de anos, havia explorado a verdadeira natureza física do corpo.

Os espadachins e as feiticeiras consideravam que o ápice de todas as artes era interromper o curso normal das coisas através da Incarnation. Em outras palavras, sobrescrever eventos externos com a imaginação.

Porém, os Lutadores pensavam ligeiramente diferente, usar justamente a Incarnation para fortalecer sua própria constituição. Dessa forma, superariam os limites originais da matéria e fortaleceriam seus corpos desnudos com força defensiva muito mais poderosa do que o aço, brandindo seus punhos com poder ofensivo capaz de destruir rochas sem nenhum problema.

E é claro, treinar suas pernas para correrem mais rápido do que qualquer animal de carga como os cavalos.

“OOOOOHHHHHHH, RAAAAAHH!!!”

Com um poderoso rugido, Iskhan pisou o solo e disparou como um projétil. Dampe o seguiu juntamente com os outros cem guerreiros deixando uma trilha ardente para trás.

O ar parecia ter sido dividido enquanto o solo tremia furiosamente.

***

“!?”

Mantendo-se perto dos guardas para ajudá-los a se mesclarem com os arbustos com o intuito de obterem melhores condições de emboscada, Alice ficou em solo, caminhando à volta e certificando-se que estava tudo correndo como o planejado. Eis que de repente, sentiu algo estranho.

Alguma coisa está vindo e muito rápido.

Quando olhou para frente, viu o que parecia ser um grupo de aproximadamente cem pessoas, que certamente eram do exército inimigo, se aproximando, cobrindo a distância entre eles a uma velocidade inacreditável. Muito mais rápidos do que qualquer cavaleiro que já vira até então. Por um segundo, ela pensou tratar-se dos cavaleiros dragões, porém, logo se deu conta que havia muito mais do que o efetivo conhecido desses guerreiros e também, estavam se aproximando pelo solo e não pelo ar.

“Hummm, então serão os Lutadores dessa vez.”

Bercouli sussurrou tranquilamente ao seu lado.

“Então são eles…?”

Alice já havia escutado esse nome antes, porém, essa era a primeira vez que os via com seus próprios olhos. Isto porque os que normalmente apareciam nos limites da Cordilheira da Borda eram os goblins, orcs e raramente algum Dark Knight. Os lutadores jamais haviam tentado invadir o Mundo Humano.

Ainda assim, por ter tido uma vida extremamente longa, parecia que o Integrity Knight mais antigo já havia tido a experiência de enfrentá-los, pois sua expressão mostrava uma mescla de excitação e nervosismo.

“São um tanto complicado de lidar. Normalmente uma espada acabaria com qualquer que esteja de mãos nuas, porém, isso não se aplica a eles. Se recusam a serem feridos.”

“Hã…!? Se recusam…!?”

-Não existe uma maneira de alguém se recusar em ser cortado”. Foram as palavras que vieram à mente de Alice. Contudo, Bercouli deu de ombros e disse:

“Descobrirá o que quero dizer assim que enfrentá-los, será… divertido. Entretanto, é melhor que os controlemos juntos, princesa.”

“…!”

Alice engoliu em seco. Bercouli tinha acabado de declarar que teria dificuldade em contê-los sozinho, portanto, deveriam ser de fato muito poderosos.

Enquanto sua apreensão aumentava, o comandante disse algo desconcertante, que a tirou imediatamente daquele redemoinho crescente de preocupação.

“Então, princesa… não gostaria de se despir?”

“HÃÃ !!??”

Instintivamente, cruzou os braços em frente ao peito enquanto arregalava os olhos e dizia com uma voz totalmente dissonante.

“D-Do que está falando!? É c-claro que não quero tirar a roupa!!!”

“Hahaha! Relaxe! Não estou me referindo a isso… bem, quero dizer, sim, estou realmente dizendo isso… mas no sentido de explicar que usar uma armadura pesada e roupas contra aqueles punhos, será inútil… elas só irão atrapalhar, portanto…”

Depois de dizer essas palavras tão sem sentido enquanto acariciava sua barbicha casualmente, o Knight Commander a olhou de canto e sacudiu a cabeça como quem estivesse pensando em algo inapropriado.

“Certo, faça como quiser, mas em todo o caso, prepare seu Armament Full Control Art imediatamente!”

“T-Tudo bem…!”

A ansiedade tomou conta de seu corpo novamente. Como tinha previsto, o efetivo inimigo contava com cem homens. Se lhe fora ordenado que utilizasse todo o poder de sua Fragrant Olive Sword contra uma equipe tão pequena, definitivamente não eram oponentes fáceis de lidar.

Contudo, havia um problema.

Ela já havia manifestado seu Armament Full Control Art duas vezes. Quando lançou a arte Reflection-Concealed Beam, o pilar de luz e durante a batalha contra as usuárias de Dark Arts. Isso consumiu uma enorme porção de Vida de sua amada espada.

Em face disso, não conseguiria cortar o inimigo com cem por cento de chances de acerto, pois não tinha como mensurar quanto tempo ainda poderia manter o ataque em sua forma mais poderosa.

O mesmo se aplicava a Time Piercing Sword do Knight Commander. Alice havia testemunhado quando seu mestre executou o incrível ataque que eliminou instantaneamente as centenas de subordinates do inimigo. Tinha sido um esforço muito grande e para que sua espada pudesse voltar à força total, deveria ficar descansando em sua bainha por pelo menos uma noite inteira.

Contudo, nesses breves segundos de conversação, os membros da Guilda dos Lutadores já haviam se aproximado o suficiente para que possibilitasse Alice de perceber detalhes de seus físicos extremamente musculosos.

Ela não poderia deixar que chegassem perto dos guardas, que ainda estavam em vias de preparo da emboscada.

Alice mordeu seu lábio e assentiu para o comandante. E no momento em que já se encaminhava por uma trilha entre duas rochas à frente…

Uma voz feminina em tom muito baixo os chamou.

“Eu irei!”

Alice girou rapidamente cheia de surpresa enquanto Bercouli arregalava os olhos.

A pessoa que estava para ali, sem que tivesse sido notada até então, era uma das quatro Integrity Knights que havia se unido à divisão de avanço além de Bercouli, Alice e Renri.

Era alta e muito esguia, vestindo uma armadura acinzentada sem muito adorno. Seu cabelo, também cinza, estava metodicamente dividido ao meio, terminando em um bem alinhado rabo de cavalo. Seu rosto, completamente limpo, sem maquiagem ou qualquer outro adereço, contudo, não demonstrava possuir nenhum tipo de emoção.

Muito provavelmente sua idade era semelhante à de Alice, estando na casa dos vinte anos.

Seu nome era Sheeta Synethesis Twelve e o Instrumento Divino preso em sua cintura se chamava Black Lily Sword.

Contudo, poucos se referiam a ela dessa forma. Geralmente, quando mencionada, os demais cavaleiros usavam outra alcunha.

‘A silenciosa’.

Alice não se surpreendeu por ela ter se oferecido para enfrentar os Lutadores e sim porque aquela era literalmente a primeira vez que escutava sua voz.

***

Saltando sobre valas e pequenos córregos com facilidade, espalhando pedras e poeira no ar com o impacto de suas passadas, Iskhan, Dampe e os outros cem guerreiros seguiram sua feroz carreira.

Até que enfim, finalmente poderei enfrentar esses demônios chamados Integrity Knights.

Vibrando por antecipação, os jovens Lutadores revelaram sorrisos cheios de empolgação.

De fato, Iskhan tinha se mantido completamente imparcial quanto à questão dos Integrity Knights do Mundo Humano. Continuou assim até a hora que recebeu o chamado para a luta. Sempre os vira com desprezo, sob o preconceito de que eram apenas idiotas medrosos que se escondiam embaixo de suas grossas armaduras e atrás de suas ridículas espadas. Em todo o Dark Territory, havia somente um guerreiro que respeitava como sendo um valoroso e verdadeiro lutador, mesmo usando uma armadura e uma espada e este era o falecido Dark General Shasta.

Porém, enquanto estava meditando à espera da ordem de ataque, havia sentido o espírito de luta e a energia extremamente agressiva dos Integrity Knights, de maneira que não podia mais considerá-los como estúpidos.

“- Ao que parece, pelo menos não são dependentes unicamente de suas armas de alta classe!”, foi seu pensamento.

Deve haver corpos impressionantemente treinados sob aquelas armaduras e espadas.

Com essa elevada expectativa, Iskhan não poderia estar mais emocionado de enfim poder enfrentá-los cara a cara, punho a punho.

Assim…

Quando finalmente avistou um cavaleiro em frente da colina onde o exército inimigo havia sido visto minutos atrás, a boca do líder dos Lutadores se escancarou estupefato pela forma da figura para ali.

Mas que coisa magricela!

Parecia ser uma mulher, então talvez isso explicasse a falta de constituição muscular. Contudo, ainda assim, era uma pessoa muito magra. E embora estivesse vestindo uma armadura, sua aparência seguia sendo de uma fragilidade extrema, ficando uma presença insignificante ao lado de qualquer de uma de suas Lutadoras.

Provavelmente, seu corpo era mais esguio do que uma usuária de Dark Arts. Inclusive a espada que carregava na cintura, parecia um espeto, o que fechava aquele estranho conjunto.

Sinalizando com a mão direita para que seus subordinados se detivessem, Iskhan também interrompeu o avanço, alçando uma nuvem de pó com sua travada no solo.

Com um ar incrédulo, levantando suas sobrancelhas finas como um filete de fogo abriu sua boca.

“Quem é você? E que diabos está fazendo aqui?”

Movimentando levemente seus cabelos cinza, a mulher cavaleiro inclinou um pouco a cabeça. Parecia estar pensando no que diria, ou melhor, se realmente era necessário dizer alguma coisa.

Todos seus traços, sobrancelhas, olhos, boca, nariz, formato do queixo pareciam ter sidos esculpidos com uma lâmina bem afiada e precisa. Contudo, nenhuma emoção se mostrava naquele rosto tão simétrico e limpo.

Nesse estado, a mulher finalmente respondeu de forma tranquila.

“Estou aqui para detê-los.”

Iskhan deixou escapar uma grande porção de ar por suas narinas, tentando não gargalhar, porém, no final deu de ombro e disse:

“Você não conseguiria segurar nem sequer uma de nossas crianças. Mas enfim,… você deve ser do tipo invocadora, né?”

Houve outro silêncio constrangedoramente longo antes que ela respondesse da mesma forma lacônica.

“As artes sagradas não são minha força.”

Já irritado com aquela atitude, Iskhan bufou enquanto soltava um ‘-Que seja, dane-se!’ e chamava uma de suas Lutadoras.

“Yotte, acabe com ela!”

“Certo!!!”

Uma guerreira bastante diminuta em relação aos seus companheiros de guilda saltou à frente, após a resposta vigorosa. Apesar desse fato, ainda continuava sendo várias vezes mais robusta do que a Integrity Knight.

Flexionando seus músculos, alongando-os enquanto dava pequenos saltos para frente e para trás, com uma expressão de quem estivesse se divertindo casualmente, a guerreira prosseguiu por alguns segundos até que parou e deu um olhar completamente selvagem para sua oponente.

Então…

“Haaaaa!!!”

Há cinco mels de distância, a lutadora golpeou o ar, gerando um deslocamento de vento tão forte que atingiu o rosto da mulher cavaleiro, jogando seus cabelos para trás.

Mesmo com essa declaração explícita de guerra, não houve nenhum traço de animosidade no rosto da guerreira solitária. Ao invés disso, seu rosto mostrou certo desapontamento enquanto sussurrava suavemente.

“Só uma…?”

“Esse é meu alcance, esqueletinho!”

Movendo os grossos lábios, Yotte gritou:

“Depois que te ensinar uma lição, vou entulhar essa sua boquinha insignificante de muita carne seca, te engordar bastante antes de te matar! Portanto, saque logo essa coisinha que chama de espada!!”

Como quem desiste de qualquer diálogo, a mulher cavaleiro deu de ombros e segurou a empunhadura de sua espada presa à cintura.

“Shiyuriiin!”

A espada foi desembainhada sem esforço.

“Mas o quê!!?”

Iskhan, que tinha retrocedido alguns passos e estava assistindo de braços cruzados, gritou instintivamente.

‘Fina’ era uma descrição deveras insignificante. Na bainha, a espada já parecia apenas um espeto, porém, fora dela, era ridículo. A lâmina não tinha mais do que um cen de largura, tão pequena quanto o dedo de uma criança.

A lâmina era negra e tão fina quanto papel. Ver ela durante a noite sob um céu estrelado provavelmente se tornaria algo impossível.

E acima de tudo…

Frágil!

O rosto de Yotte passou por algumas transformações, indo da estupefação, à incredulidade e divertimento ao mesmo tempo.

“Só pode estar brincando…!”

De qualquer forma, levando ao fim seus movimentos, o que chamava de dança marcial, e golpeando a terra com seus pés, a Lutadora avançou em linha reta, cobrindo a distância entre ela e a mulher cavaleiro em frações de segundos.

Mesmo para Iskhan, aquele impulso era bastante impressionante. A equipe Hare da Guilda dos Lutadores eram, em concordância com seu nome, um esquadrão de elite especializado em agilidade, além de claro, serem hábeis lutadores.

“Dinvaah!!”

O ar explodiu com a arremetida de Yotte.

Incapaz de evadir-se de um ataque a curta distância, a mulher cavaleiro defendeu-se com sua espada fina como papel.

O ruído produzido foi inacreditavelmente alto, como se dois imensos objetos feitos inteiramente de metal tivessem colidido.

Logo em seguida…

A espada que parecia ser mais uma agulha negra foi dobrada facilmente.

Iskhan sorriu amplamente. Nenhuma espada cortaria a pele de um de seus Lutadores.

As crianças nascidas como Lutadores eram imersas completamente em duros treinamentos a partir do quinto ano de vida. E sua primeira tarefa era partir facões de ferro fundido usando apenas as mãos.

Enquanto amadureciam, o ferro fundido era complementado até virar ferro forjado e os facões se transformados em espadas. E nesse caso, não somente tinham que parti-los como também suportar os cortes das mais variadas armas em seus corpos sem usar nenhuma proteção. Por meio desse treinamento extremo, os adolescentes aprendiam que não precisavam temer nenhum tipo de lâmina.

-Sou invulnerável às espadas!’, essa era a crença gravada em suas almas, em outras palavras, a Incarnation convertia seus corpos em um material mais sólido do que o aço.

Como o líder da Guilda, Iskhan podia deter um projétil, agulha ou faca de aproximadamente dois cens com seu globo ocular sem sofrer dano algum.

Mesmo Yotte, uma lutadora normal que não havia treinado sua Incarnation até esse extremo, ainda era membro da equipe Hare, portanto, seu punho jamais perderia para uma espada.

Especialmente para uma tão ridícula.

Todos os guerreiros mantinham uma imagem em suas mentes, a agulha negra completamente esmagada, se partindo com um vergonhoso ruído sob a força do golpe de sua companheira, e o punho dessa, esmagando o rosto daquela mulher cavaleiro.

“PIIIIN!!!”

Um som tão estranho quanto agudo, parecendo o estalo final de um chicote explodiu no ar.

Com seu punho torcendo-se no ar, Yotte congelou. A mão apenas roçou levemente a sobrancelha esquerda da estranha mulher no momento em que ela erguia seu braço.

Iskhan não pode ver claramente a espada negra da posição onde estava.

Mas que merda foi essa? É uma missão muito grande para haver falhas.

O líder ficou se maldizendo.

Assim que Yotte ganhar essa luta, vai direto recomeçar seu treinamento, vou jogar ela na última sala da terceira turma de arena. Não me importa o quão duro seja seu punho, se ele não acertar o oponent-…

O punho cerrado de Yotte se partiu silenciosamente entre o dedo médio e anelar.

“QU-…!!!”

Diante do anestesiado Iskhan, a fissura seguiu o curso implacavelmente desde o pulso de Yotte até seu codo, passando por toda a extensão do braço até atravessar o ombro.

Realizando perfeitamente uma seção transversal precisa até o osso, músculos, tendões e os mais finos vasos sanguíneos, a parte do braço direito de Yotte caiu ao solo.

E só depois o sangue emergiu em jorros múltiplos, formando uma neblina rubra.

“AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH!!!!”

Com um grito ensurdecedor, Yotte desabou no solo, agarrando o que sobrou de seu braço direito.

A mulher cavaleiro baixou seu braço enquanto suspirava com nítido aborrecimento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


OLÁ PESSOAS!!

CAPÍTULO CURTINHO MAS MUITO BACANA.

LÁ VEM A INTEGRITY KNIGHT QUE CHEGA QUIETINHA E SAI CALADA. NA VERDADE ESSA MALUCA É O CÃO, CURTO MUITO ELA. 

ESSA METÁFORA DA ESPADA SER IGUAL A PAPEL E CORTAR O MEIO DOS DEDOS, QUEM NUNCA? DÓI PACAS NÉ? SENHOR REKI, SENHOR REKI, MAL POSSO VER SEUS MOVIMENTOS XD.

UM FATO INTERESSANTE DO SEU NOME E QUE ME DEU CERTA DOR DE CABEÇA. SAQUEM SÓ: ‘SCHETA’, ‘SHIETA’, ‘SHEYTA’. OS TRADUTORES GRINGOS FAZEM UMA SALADA DE FRUTA, CADA VEZ A CHAMAM POR ALGO DIFERENTE. NO MEU CASO, PEGUEI O VOLUME JAPA E FUI PELO SOM MESMO E ESCOLHI: SHEETA [シェータ] (leiam sem o som de i, e sim dobrando o e). POSSO ESTAR ERRADO? BOM, SIM, MAS É O  QUE EU ESCOLHI HEHEHE

NO MAIS, O SENHOR BERCOULI É UM VELHO MESMO, PERDEU TOTALMENTE OS CRITÉRIOS, DIZENDO PARA A DONA 3O TIRAR A ROUPA HJUHAUHAUAHA. MAS AÍ, TEM UM FANDOM GIGANTE QUERENDO VER ESSA CENA, ESTOU ERRADO?

 


SAO ALTERNATIVE: COMEÇOU A FICAR INTERESSANTE COM A PEQUENA SENDO EXTREMAMENTE RÁPIDA, MAS AINDA NÃO ME PEGOU, PRECISO DE MAIS CAPÍTULOS. 

ERA ISSO, ATÉ A PRÓXIMA E FORTE ABRAÇO!

 

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Meu canal preferido de músicas de Sword Art Online infelizmente fechou e com isso, possivelmente todos meus posts com as trilhas foram afetados, terei que ir em cada um e alterar :(. Bem, ao menos achei outro, espero que fique pelo menos até o final, senão terei que eu mesmo abrir um canal para ficar alimentando com as BGMs.

Fiquem então com uma trilha boa do filme.