Sword Art Online Alicization – Exploding – Capítulo 18 – Parte 2.1

Arco: Sword Art Online Alicization Underword – Exploding

Capítulo 18

Sword Art Online Alicization Underworld - Exploding - Linel - Fizel - Sheeta

Parte 2

“Então, me parece que a esquerda está uma bagunça.”

Enquanto que sua companheira Fizel reportava em um tom despreocupado, Linel concordava com a cabeça, sacudindo suas tranças.

Contudo, não houve resposta do comandante. Apenas ficou pensando em como ela poderia estar falando tão casualmente em uma situação como aquela. Quando a garota terminou seu curto relato, ele desviou seu olhar para as linhas de frente.
As aprendizes de Integrity Knight Fizel Synthesis Twenty-Eight e Linel Twenty-Nine estavam paradas calmamente em frente ao segundo esquadrão no flanco direito do pelotão do Exército de Defesa do Mundo Humano.
Apesar da grande confusão na parte da direita do primeiro esquadrão, situado uns cem mels à frente, nenhum inimigo havia penetrado a primeira linha de defesa. Ao que tudo indicava, o cavaleiro veterano do alto escalão, Deusobert, tinha feito um enorme esforço, mas cumprira sua missão.

Igualmente no centro das primeiras fileiras de resistência, onde estava a Integrity Knight e também vice comandante Fanatio.

Mesmo que para Linel e Fizel, Fanatio fosse anteriormente como um inimigo natural, em contrapartida, agora era como se fosse uma irmã mais velha. De maneira que mesmo que tentassem, não podiam negar sua tremenda força. Tudo isso tinha mudado no momento em que aquela mulher havia deixado de usar a máscara de metal que cobria seu rosto.

Mesmo com certas dificuldades, ambos haviam conseguido manter suas posições ante a iniciativa inimiga.

Então, como era de se esperar, o que realmente preocupava era o flanco esquerdo do primeiro esquadrão.

Eldrie Synthesis Thirty-One, um novato que havia despertado apenas sete meses atrás, embora suas habilidades tivessem melhorado bastante, acabou recebendo uma responsabilidade que talvez fosse um fardo demasiadamente pesado para sua posição.

De fato, ele era um cavaleiro do alto escalão, contudo, seria mais indicado que alguém mais experiente tivesse assumido o comando do pelotão das linhas de frente.

O comandando ficou deliberando sobre essas questões enquanto visualizava mentalmente os postos de cada cavaleiro em campo.

Os guerreiros do alto escalão reunidos nessa batalha somavam apenas sete.

O primeiro esquadrão tinha Eldrie na esquerda, a vice comandante Fanatio no centro e Deusobert na direita.

No segundo, tinha o jovem Renri na esquerda, ele próprio, o comandante Bercouli no centro e a cavaleira silenciosa na direita.

Enquanto que a retaguarda, nos céus, estava aos cuidados de Alice Synthesis Thirty.

“…Não importa como se olhe, a nossa esquerda é realmente a mais vulnerável…”

Dessa vez quem falou em uma voz quase sussurrante foi Linel, enquanto foi a vez de Fizel concordar com a cabeça.

De fato, a situação no flanco esquerdo tinha se tornado muito estranha. Não havia sinais de feridos, porém, era possível ouvir uma quantidade absurda de gritos bestiais em meio às tropas de defesa.

Focando a visão, era possível ver que a densa neblina formada naquela parte, era tão escura quando a própria noite, ainda mais aproveitando a pouca luminosidade do vale aos pés da montanha.

Na remota chance que passassem por Eldrie, ainda havia o segundo esquadrão sob o comando de Renri que estavam encarregados de detê-los… ao menos era assim que deveria ser.

“Será que o rapazinho está bem?”

Concordando mais uma vez com as palavras de Fizel, Linel aproximou sua cabeça ao ouvido de sua companheira e sussurrou:

“Pensei que o senhor Bercouli tinha algo em mente e acabei não te falando nada, mas creio que o flanco esquerdo da primeira e segunda linha deveriam ser trocados. Não consigo confiar na defesa daquele Eldrie e muito menos de Renrizinho.”

Fizel sussurrou de volta.

“Pois é, estava pensando na mesma coisa, creio que nosso querido ‘tiozão’ aí provavelmente esteja pensando em nos deixar fora da diversão, não acha?”

“…Aah…”

Enquanto Linel processava a ideia, observou uma esguia figura que estava em pé, a pouca distância.

A fina proteção era acinzentada, uma opção de cor pouco usual entre os Integrity Knights. Seus cabelos no mesmo espectro, cinza escuro, estavam metodicamente separados bem ao meio de sua pálida testa, amarrados em um rabo de cavalo.

Aparentava ter entre vinte anos, com seus olhos semicerrados parada em uma pose elegante, sem nenhum tipo de maquiagem.

Se chamava Sheeta Synthesis Twelve. Seu apelido era Sheeta, a Silenciosa. Entretanto, a origem dessa alcunha era de fonte desconhecida.

Em todo o caso, Fizel e Linel sabiam muito bem que aquela mulher, apesar do que sua frágil aparência demonstrava, não era de maneira alguma inofensiva. Ao contrário, era uma guerreira muito perigosa.

Tal era sua fama, que nem as duas garotas, acostumadas com matanças, gostariam de permanecer ao lado daquela pessoa quando estivesse com seu florete desembainhado.

As duas pensaram que o motivo pelo qual Sheeta e elas estavam na segunda fileira, eram os mesmos. Que Bercouli estava tentando evitar que entrassem em batalha.

Pois, colocando-as atrás de Deusobert, ao invés do jovem Eldrie, o cavaleiro veterano daria conta do recado e elas não tomariam parte da ação.

Por causa disso, tinha que fazer algo, nem que fosse…

“Desculpe-me, com licença, minha senhora Sheeta.”

Linel falou com a introvertida líder, que apenas limitou-se a olhar para as duas garotas sem dizer uma palavra.

“Será que podemos fazer uma ronda na retaguarda dos pelotões?”

A fina sobrancelha direita da mulher cavaleiro moveu apenas dois milice ao ouvir aquela pergunta, como se perguntasse o porquê daquilo.

Percebendo a reação, a garota se apressou em dizer:

“Bem, é que estamos um pouco preocupadas…”

Novamente outro movimento em sua sobrancelha, como que perguntando o motivo da preocupação. Em resposta, recebeu algo que a fez vacilar por alguns instantes se realmente deveria responder.

A menina prosseguiu.

“Bem… é sobre a pessoa que está junto do esquadrão de suporte, o rebelde… Kirito.”

Fizel ficou concordando com a cabeça ao seu lado.

Na grande confusão meio ano atrás, as duas meninas haviam lutado contra os invasores Kirito e Eugeo em sua subida desesperada pelas escadarias da Catedral Central. Sendo mais preciso, elas haviam paralisado os dois rapazes com o veneno oculto em suas pequenas espadas através de um ataque surpresa, capturando-os e os arrastando até o local onde se encontravam a vice comandante Fanatio e seus subordinados para que os vissem decapitando.

Mas o que deveria ser um serviço fácil acabou não saindo como o esperado. Pois o rebelde Kirito conseguiu recitar uma arte sagrada para combater o veneno de um modo que elas não puderam perceber e, dessa forma, acabou desarmando as duas, fazendo-as provarem do seu próprio veneno, deixando-as paralisadas.

Quando Kirito brandiu as espadas venenosas em direção a Fizel e Linel, que estavam jogadas no chão imóveis, não sentiram de fato nenhum medo em particular. Simplesmente suspiraram ao mesmo tempo em que sentiam um leve pesar. Pois morrendo daquela forma, não conseguiriam mais avançar em seus objetivos, que era transformarem-se de aprendizes para reais Integrity Knights.

Em todo o caso, percebendo que Kirito era um oponente hábil, Linel ficou esperando que ele lhe desse pelo menos uma morte rápida e limpa. De forma que apenas aguardou o momento em que sua Vida acabasse.

Contudo, o rapaz não as matou. Somente cravou as espadas no solo perto de seus rostos e lhes deu as costas, indo enfrentar Fanatio. E o mais impressionante é que ele acabou vencendo também aquela que acreditava ser uma luta impossível, muito embora aquilo tenha lhe custado boa parte de sua Vida, pois ganhou terríveis feridas por todo o corpo no processo.

Fizel e Linel ainda agora podiam lembrar das palavras do companheiro de Kirito, o rebelde chamado Eugeo antes de deixar o lugar.

…Linel e Fizel, escutem! Vocês devem de estar pensando que Fanatio e Kirito são fortes porque possuem instrumentos sagrados e fazem uso do Armament Full Control Art… porém, isso não é verdade. Aqueles dois são muito, muito mais fortes do que pensam… inclusive, poderiam lutar feridos ou desarmados de maneira esplêndida que ainda assim, seriam poderosos, pois suas forças não vem de armas ou técnicas mas do coração e mente.

Isso pode se assemelhar e talvez superar muitas das artes sagradas existentes. Não vou mentir, na verdade eles são especialistas em assassinar pessoas, mas… matar e ganhar são coisas completamente diferentes.

Inclusive eu, só me dei conta disso hoje também…

Sendo honestas, não haviam entendido o significado por trás daquelas palavras mesmo depois de ter passado todos esses meses.

Porém, a realidade é que os rebeldes Kirito e Eugeo venceram inclusive a Alto Ministro, a Administrator. Recebendo em troca a perda da vida por parte de Eugeo e Kirito o coração e seu braço.

O que buscavam aqueles dois durante aquela batalha? Que tipo de força eles tiravam de suas mentes e corações?

Foi em busca da solução para esses questionamentos que Fizel e Linel resolveram participar do Exército de Defesa do Mundo Humano, chegando até essa parte isolada do território no antigo Grande Portal do Leste.

Sword Art Online Alicization Underworld - Exploding - Linel - Fizel - Sheeta - Vol16

 

Contudo, as repostas ainda continuavam na escuridão. Uma sensação desconhecida atravessou o peito de Linel quando viu Kirito sentado em uma cadeira de rodas, sendo empurrado pela Integrity Knight Alice quando apareceu no campo de batalha. Não podia determinar o que estava sentindo ou que estava pensando, pois aquilo era a primeira vez que acontecia.

As aprendizes, Linel Synthesis Twenty-Eight e Fizel Synthesis Twenty-Nine haviam nascido e crescido dentro da Catedral Central. Embora tivessem ouvido que seus pais estavam entre os sacerdotes da Igreja Axiom, elas jamais os procuraram, pois sequer lembravam-se de seus nomes ou rostos.

A Alto Ministro, a Administrator tinha ordenado a diversos pais que procriassem e enviassem todos os bebês a um certo local na torre e lá os deixassem.

De um total de trinta crianças, hoje, apenas Fizel e Linel permaneciam vivas. Todas as outras vinte e oito não suportaram os experimentos do ritual de ressurreição que a soberana do Mundo Humano estava praticando e acabaram morrendo.

As duas garotas só se mantiveram coesas, pois de um modo inusitado, acabaram abraçando a loucura, investigando melhores métodos para se ter uma ‘boa morte’, com o intuito de danificar o mínimo possível seus corpos e mentes.

A dupla praticou inúmeras atrocidades, sempre apunhalando o coração uma da outra conforme eram ordenadas. Nesse ciclo, eram constantemente mortas e ressuscitadas pelas artes sagradas.

E quando a Alto Ministro encerrou seus experimentos, elas já eram possuidoras de técnicas impressionantes de matar sem causar dor.

Para ambas, a força era medida na capacidade efetiva de cometerem assassinatos. Se o oponente fosse mais forte do que dupla, então, fugiriam. Escapariam e treinariam para superar seus limites e voltariam para assassiná-lo para assim partir para o próximo desafio.

Seguindo esse pensamento, não tinham motivos para dar-se ao luxo de ferirem-se contra alguém superior. Era algo lógico, desprovido de orgulho ou soberba, apenas decisão de quem vive e quem morre.

Os dois rebeldes na ocasião, pareciam ter habilidades equiparadas aos cavaleiros de baixo escalão, julgando por suas capacidades em combate. Porém, ambos lutaram contra a Administrator, e mesmo ao custo de um braço e uma vida, conseguiram vencer.

Porque fizeram aquilo?

O que ambos ganharam?

Queriam perguntar para Kirito assim que o vissem novamente, contudo, a Integrity Knight Alice estava sempre ao seu lado e até então, não tiveram a oportunidade de conversarem a sós. Apesar de que não sabiam nem se conseguiriam manter algum nível de conversação com ele em seu estado atual, entretanto, seria muito ruim se morressem sem antes tentar.

Os pelotões de suporte na retaguarda estariam tão seguros quanto às linhas de frente aguentassem, porém, com o caos instaurado no flanco esquerdo, essa segurança estava seriamente ameaçada, gerando dúvidas e preocupação.

E já que não podiam explicar isso para Sheeta, a comandante desse pelotão, ambos apelaram para a lógica da guerreira, esperando uma resposta satisfatória.

A mulher silenciosa olhou o flanco esquerdo com seus olhos cinzas opacos e após alguns instantes, fez um leve sinal com a mão esquerda em direção a parte traseira.

“E-En…tão…, podemos ir?”

Quando Sheeta assentiu com a cabeça sem dizer uma palavra, as duas garotas trataram de realizar uma saudação para a mulher cavaleiro.

“Muito obrigado! Voltaremos imediatamente após confirmar que tudo está seguro!”

Dando meia volta, começaram a correr para a parte traseira do pelotão.

“ ‘-Muito obrigado, nunca disse algo assim, nem mesmo para a Alto Ministro.

Os olhos de Linel encontraram os de sua companheira. Ambas sorriram de maneira cínica antes de acelerarem ainda mais o passo.

***

Na tenda de suprimentos o Integrity Knight Renri Synthesis Twenty-Seven estava mais uma vez agarrando suas pernas enquanto ouvia uma onda de gritos chegando de muito longe.

Não podia ser. Era inacreditável que o inimigo tivesse atravessado as linhas de frente assim tão rápido. Só haviam se passado poucas dezenas de minutos desde que a batalha tivera início.

Renri tentou convencer a si mesmo que estava tudo bem, que a situação estava sob controle e que o que ouvia era fruto de seu nervosismo crescente.

Entretanto, a reação das duas garotas que haviam se refugiado ali, lhe mostraram que não estava ouvindo mal, que realmente estavam se aproximando.

“Será possível… que tenham chegado até aqui?”

A aprendiz de cabelos vermelhos chamada Tiezé Shtolienen levantou a cabeça e correu até a entrada da tenda. Levantou as cortinas e verificou o exterior. Um pequeno murmúrio chegou aos ouvidos dos demais dentro do abrigo.

“…É… fumaça…!”

Ao ouvir isso, a voz da outra aprendiz, Ronye Arabel, também ficou tensa.

“Como!?… Tem fogo também, Tiezé?”

“Não, somente uma densa camada de fumaça… com uma cor muito estranha e… e… acho que tem… pessoas no meio disso…!!”

As palavras de Tiezé ficaram entrecortadas enquanto seu olhar se perdia ao observar o lado de fora através de um vão entre a cortina de entrada.

Renri aguçou os ouvidos em seu tenso silêncio enquanto levantava lentamente.

Os gritos haviam desaparecido misteriosamente. Porém, sentia como se alguém estivesse se aproximando por trás daquela quietude.

Focando mais sua atenção, percebeu algo… passos em um ritmo gradual, parecendo que estava pisando em… lama.

Sem aviso prévio, Tiezé recurou até o meio da tenda com passos incertos. Sua mão direita trêmula foi em direção à cintura na parte da esquerda.

Aconteceu exatamente nesse momento.

Renri se deu conta que a garota tinha visto algo e que estava tentando puxar sua espada.

RRIIIIP!!!

As cortinas que serviam de porta da tenda foram rasgadas sem esforço, sendo cortadas de maneira rápida.

O exterior estava afundado em uma escuridão tão grande que engolia até mesmo a luz das tochas.

Uma silhueta humanoide estava parada em silêncio em frente a esse cenário. Apesar de sua pequena estatura com as costas encurvadas, seus braços eram anormalmente musculosos, segurando um facão muito grande, com a aparência de que podia partir uma chapa de metal ao meio sem fazer muito esforço.

O fedor mesclado no ar invadia a tenda e ardia o nariz de Renri.

A aprendiz Shtolienen finalmente brandiu sua espada enquanto a bainha caia no chão ao mesmo tempo em que a outra aprendiz, Arabel, gritava ao lado da cadeira de rodas.

“Um goblin!?”

Ao ouvir o grito da garota, o estranho intruso respondeu com a voz rouca e cheia de malícia:

“Ohoh… pequenas iums brancas… que sorte! Serão belos troféus…”

Tiezé recuou lentamente diante da pressão cruel daquelas palavras.

Mesmo que fosse um Integrity Knight do alto escalão, essa era a primeira vez que Renri via um meio humano do Dark Territory. Ficou congelado antes de receber qualquer ordem de patrulha em seu dragão pelos limites da Serra da Borda.

‘Aquilo’ era algo completamente… surreal.

Renri pensou casualmente.

Achava que havia aprendido o suficiente sobre os aspectos das quatro raças de meio humanos durante as reuniões dos cavaleiros veteranos e nos livros da Catedral Central. Porém, a imagem do goblin que sempre permeou sua mente, era quase infantil, algo retirado de contos de fadas. Em nada parecia com o organismo vivo e repulsivo que estava a tão somente oito mels de distância dele.

O invasor deu um passo estrondoso adiante, indo em direção à Renri, que estava paralisado com suas mãos trêmulas. Sua armadura era a única coisa esplendorosa dentro do recinto, brilhando como escamas, refletindo a pouca luz das lamparinas.

Tiezé apontou a espada que sustentava com as duas mãos para o goblin, porém, a ponta tremia incontrolavelmente, acompanhando o ritmo de seus joelhos e dentes batendo uns nos outros.

“Ti… Tiezé…”

Uma voz bem fraca filtrou-se através da garganta de Ronye, que protegia a cadeira de rodas onde estava sentado Kirito agora às suas costas ao mesmo tempo em que também puxava sua espada com a mão direita de maneira errática.

Tinha que se levantar.

Deveria erguer-se, ativar a Twin Edged Wings em sua cintura e lutar contra esse soldado goblin.

Apesar desses pensamentos, Renri sentia como se seu corpo estivesse preso, petrificado somente por ter essa ideia. O inimigo não era mais do que um simples guerreiro meio humano, enquanto que os Integrity Knights do alto escalão eram capazes de enfrentar mil dessas criaturas.

“Gufufu…. você me parece bem gostosinha…”

O goblin lambeu os lábios enquanto uma baba viscosa escorria do canto da bocarra cheia de dentes pontiagudos.

“A-Afaste-se!! Ou eu… eu…”

A advertência que Tiezé disparou de maneira desesperada não serviu de nada mais do que combustível para alimentar o apetite do goblin, que com um sorriso torto, deu outro passo adiante levantando seu facão.

Então…

ZHINN!

Um som seco preencheu o interior da tenda.

Os olhos amarelados do goblin ficaram esbugalhados enquanto olhava para o próprio peito.

Um metal fino e afiado saia da grossa placa metálica que servia como armadura. Estava molhada com poucas gotas de um líquido grosso e fresco. Era seu próprio sangue que escorria da ponta daquela espada.

Alguém o havia apunhalado pelas costas precisamente em seu coração.

“…M-Mas.. o qu-!?”

Essas foi a última tentativa de formular sua frase derradeira. A força abandonou seu atarracado, porém, musculoso corpo que se derrubou ao chão da tenda.

Em pé, às costas do soldado goblin, uma pequena silhueta feminina, mais baixa ainda do que as duas aprendizes estava parada. Seus cabelos castanhos escuros estavam trançados, caindo em um diminuto peitoral feito de prata que se encaixava sob uma túnica negra de sacerdote.

A espada que segurava em sua mão era praticamente uma faca de tão curta. E mesmo que a primeira vista pudesse ser classificada como apenas uma menininha, tinha acabado de matar aquele horrível meio humano sem ao menos demonstrar um pingo de medo em seu singelo rostinho jovem.

Depois de presenciar essa cena desconcertante, Renri finalmente se deu conta.

Aquela garota não era uma simples espadachim e muito menos uma sacerdotisa.

Ela era um cavaleiro. Melhor dizendo, uma aprendiz de Integrity Knight, com o nome de Linel Synthesis Twenty-Eight. Fora ela que assassinou o vigésimo oitavo cavaleiro sagrado anterior e tomou sua posição, era uma das duas gêmeas demoníacas.

A expressão de Linel não se alterou ao presenciar a estúpida cena de vê-lo covardemente jogado ao chão.

Depois de confirmar que as duas aprendizes e Kirito, ainda sentado na cadeira, estavam seguros, apenas deu meia volta.

Nesse instante, a outra aprendiz de Integrity Knight surgiu na entrada da tenda. O tom de seus curtos cabelos era praticamente idêntico ao de sua irmã e atendia pelo nome de Fizel Synthesis Twenty-Nine. Sem dar atenção às pessoas dentro do abrigo, aproximou-se de Linel e sussurrou suavemente:

“Nel, acabei com todos os lixos da volta, porém, vem vindo mais deles aí, creio que seria melhor darmos o fora.”

“Hum, entendido, Zel.”

Concordando, Linel chegou perto do cadáver do goblin recém morto que estava obstruindo a passagem e com a ponta de seu pé direito, chutou-o para longe da vista como se fosse uma bola de plástico sem nenhum peso.

A praticamente ausência de sangue do guerreiro caído era devido a velocidade insana e precisão que o golpe mortal fora desferido.

Ao afastar o estorvo, virou-se para a duas espadachins aprendizes que ainda estavam mudas de estupefação e disse:

“Olá! Sou Linel e essa é Fizel. Somos Integrity Knights aprendizes, muito prazer!”

“S-Sim… as vimos durante os treinamentos e… e… bem, nós somos espadachins em treinamento da academia de Centoria Central. Sou Tiezé Shtolienen e ela é Ronye Arabel. Muito… muito obrigado por nos salvar.”

Tiezé falou enquanto sua voz ainda tremia e Ronye concordava com a cabeça, fazendo uma pequena reverência.

Parecendo não dar muita importância, Linel logo cortou as demais apresentações, dando de ombros e dizendo:

“Ainda é cedo para ficarem aliviadas, façam isso se conseguirem sobreviver. Ao que parecem, algumas centenas de goblins se esgueiraram junto com essa nuvem de fumaça através das linhas de defesas do flanco esquerdo, passando tanto pelo primeiro quanto pelo segundo esquadrão.”

Linel ficou em silêncio por um instante até que finalmente fixou o olhar em Renri.

Seus olhos cinzas, agora tingido por uma luz violeta estreitaram-se.

“Capitão do flanco esquerdo do segundo esquadrão, senhor cavaleiro do alto escalão, o que faz em um lugar como este? Sabia que seus subordinados estão afogados em caos sob essa fumaça?”

Desviando o olhar como se quisesse escapar do olhar inquisitivo da garota, Renri respondeu com a voz quase inaudível.

“…Não tenho nada a que falar com vocês duas, mas por favor, peguem essas meninas e esse moribundo e os levem a algum lugar seguro…”

Nesse instante Renri sentiu claramente a presença de Linel aumentar brutalmente.

Uma aura fria e assassina, imprópria para uma garotinha, pareceu explodir bem na sua cara. Sentiu a sensação do metal gelado tocar sua bochecha antes mesmo que ele de fato o tocasse. A espada manchada de sangue do goblin brilhava em laranja refletindo a luz das lamparinas.

Será que estaria pensando em matá-lo exatamente como fez com seu antecessor, o vigésimo oitavo Integrity Knight?

Então era isso. Tudo não passou de um tremendo erro. Colocar um cavaleiro falho, que deveria permanecer congelado para sempre, em um campo de batalha real.

Não podia mais regressar ao segundo esquadrão e pelo visto, também não tinha mais lugar para ele na Catedral Central.

Mesmo sendo para uma aprendiz, uma execução pelas mãos dessa menina chamada Linel, que possuía um número de Integrity Knight, era até alentador, um final mais do que apropriado para alguém tão covarde.

Renri baixou o rosto, dando-se por vencido e esperando a lâmina da espada.

Contudo, ela não veio. Em troca, recebeu um sussurro:

“…Você é um lixo e um covarde patético, porém, deve de ter alguma força aí dentro já que conseguiu se tornar um cavaleiro do alto escalão. Agradeça a esse espadachim que você chamou de moribundo.”

O que ela quis dizer com aquilo? Foi o pensamento imediato que assaltou sua mente enquanto erguia o olhar para apenas ver Linel dando-lhe às costas.

“Aprendizes, venham e tragam Kirito!”

E após Linel dar essa ordem…

“Nel, eles vieram! São oito… hum… não, dez!”

E antes que Linel respondesse, vários sons de passos tomaram conta do local, se aproximando rapidamente.

Girando de volta, Linel instruiu Tiezé e Ronye de maneira automática e calma.

“Ignorem minha última ordem, esperem aqui por mais algum tempo. Vamos limpar o lugar e já voltamos.”

“S-Sim… senhora cavaleiro!”

Tiezé obedeceu enquanto Linel já estava abandonando a tenda juntamente com Fizel, deslizando para fora como se fossem dois espectros, sem fazer nenhum som.

Instantes depois se ouviram gritos de um dos goblins.

“Ali estão!! Pirralhas iums!”

Mas que logo foi silenciado.

Pelo visto, eles planejavam capturar ao invés de apenas assassinar. Se tivessem tempo, provavelmente se arrependeriam dessa decisão.

Opor-se a dez goblins sem medo requeria uma coragem imensa, muito além do esperado de simples aprendizes. Contudo, aquelas duas não se encaixavam na classificação ‘simples’.

Força.

Linel julgou Renri o chamando de covarde, porém, disse que ele deveria ter “alguma força” guardada dentro de si e que deveria agradecer ao rebelde Kirito, quem originalmente era seu inimigo.

Não conseguia entender o significado daquelas palavras e duvidava que houvesse qualquer resquício de força em seu interior. Pois depois de tudo, nem conseguir manter-se em pé frente a um simples soldado inimigo ele conseguia.

Renri olhou para baixo, incapaz de ver o que as expressões de Ronye e Tiezé revelavam sobre ele.

Entretanto, não tardou muito para que uma linha reta surgisse na lateral da tenda, rasgando a grossa proteção justamente à esquerda de Renri. Isso foi razão suficiente para que conseguisse se levantar e saltar para trás o mais rápido possível.

Em pé, no outro lado da tenda, na parte rasgada havia um outro goblin, pouco mais baixo do que o anterior, porém, parecia vestir uma armadura mais bem trabalhada. Era feita de couro, trançada com muita qualidade com uma placa peitoral tingida de negro.

A julgar em como conseguiu despistar Fizel e Linel, aparentemente essa criatura deveria ser uma espécie de batedor, especialista em operações furtivas.

Renri inconscientemente alcançou as duas lâminas em sua cintura, porém, não conseguia brandi-las. Foi exatamente o que aconteceu com o primeiro goblin. Um medo irracional tomando conta de seu ser, parecendo vir de seu estômago se espalhando por suas extremidades adormecendo seus dedos.

Renri não era consciente da origem, mas a fonte daquele medo certamente não era pela visão de um soldado meio humano pela primeira vez e sim de outra coisa…

Tinha medo de lutar.

Sendo mais específico, o medo de entrar em uma luta até a morte com um goblin.

Ele temia perder a vida, contudo, temia muito mais em matar.

O som de passos chegou até os ouvidos de Renri. Eram diferentes dos passos praticamente inaudíveis de Linel e Fizel. Para falar a verdade, provavelmente tinha muito mais do que somente dez goblins, talvez superassem até as duas dezenas de inimigos.

Quantos haviam ultrapassado as linhas de frente?

Talvez fosse pela expressão de medo de Renri que permanecia congelado no canto da tenda, mas o fato é que o invasor abriu um longo sorriso no momento em que avistou Tiezé e Ronye.

As duas espadachins aprendizes esconderam Kirito em sua cadeira de rodas com suas costas enquanto brandiam as espadas firmemente uma vez mais.

Porém, o desespero continuava estampado em seus rostos, pois numerosas sombras seguiam aparecendo do meio da densa fumaça às costas do goblin batedor.

O invasor furtivo levantou sua arma, semelhante à uma foice, na mão direita e encaminhou-se para as duas garotas.

“Pa-pare! Se você se aproximar, iremos te machucar!”

A garota de cabelos vermelhos gritou tentando passar valentia, entretanto, a voz saiu rouca e trêmula.

“…!”

O goblin diminuiu a distância em total silêncio. A falta de conversação inútil, ausência de bravatas, diferentemente do soldado anterior, indicava que aquele ali tinha uma posição mais alta do que os outros soldados.

Ainda assim, Tiezé manteve-se firme e sustentou sua espada no alto com uma expressão que demonstrava que estava disposta a morrer se fosse necessário.

Isso é impossível, fuja!!

É o que queria dizer para a garotinha, mas sua boca não se moveu. Seu corpo, não, sua alma mantinha-se negando a opção de lutar mesmo naquela situação.

E nesse instante…

Renri ouviu um leve ruído.

E ao olhar para a direita…

Viu o jovem de cabelos negros que continuava com seu olhar perdido em uma expressão vazia e sentado à cadeira de rodas no canto escuro da tenda.

Contudo, o ruído provinha de sua mão esquerda que estava com as veias de seu punho à mostra, dilatadas ao segurar as duas espadas, ativando suas articulações e mostrando o tremendo poder que continha.

“Você…!!!”

Renri sussurrou para si.

Quer protegê-las? Mesmo incapaz de se levantar e brandir essas espadas ou até mesmo falar?

Foi então que compreendeu.

A força que mencionaram. Não se referiram nem a habilidade com a espada, nem as artes, os instrumentos divinos ou até mesmo ao Armament Full Control Art.

Estavam falando desse pequeno poder que qualquer um, tanto os Integrity Knights ou as pessoas comuns têm, mas que acabavam por perder facilmente…

Coragem.

A mão direita de Renri começou a se mover lentamente. As pontas de seus dedos roçaram os fios das Twin Edged Wings em sua cintura.

A sensação de tato retornou às mãos instantaneamente. Seu instrumento divino parecia falar com ele.

O goblin, ignorante ao que ocorreu nesse curtíssimo espaço de tempo, avançou para cima de Tiezé, balançando sua foice.

Então…

Um som agudo cortou o ar, fazendo um eco de doer os ouvidos ao mesmo tempo em que uma luz branca engolia todo o interior da tenda.

A luz seguiu para cima e depois traçou um arco que foi desde a mão de Renri até roçar o teto para depois descer novamente. Nesse trajeto, passou através do corpo do goblin sem tomar conhecimento se havia alguma matéria ali e terminou entre os dedos indicadores e polegar da mão direita estendida do cavaleiro.

“…Gu…hi… !?”

O goblin gemeu como se duvidasse do que tinha acabado de acontecer enquanto uma linha horizontal fina e vermelha surgia no meio de seu rosto sem fazer nenhum som.

Imediatamente, a metade superior da cabeça da criatura deslizou para o lado e caiu no chão com um barulho úmido.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


OLÁ PESSOAS!!

 

SENTIRAM MINHA FALTA? POIS É, EU TAMBÉM. O SERVIÇO ESTÁ EM MOMENTOS FINAIS DE ENTREGA DE PROJETO E O BICHO ESTÁ PEGANDO, MAS BORA TOCAR O CAPÍTULO.

—–

SE FOSSE UM SISTEMA DE FATO, ESSES INTEGRITY KNIGHTS SERIAM UM BANDO DE GAMBIARRA MALUCA DA PROGRAMADORA QUINELLA, A ‘ADMINISTRATOR’. SÉRIO, QUE BIZARRO ESSES GUERREIROS CHEIOS DE BUGS. 

ELA PROGRAMOU NO EXTREME GO HORSE CERTAMENTE (conhecimento de causa hehehe). O CHEFE DEVE TER DITO QUE O PRAZO ESTOUROU PELA 5X E QUE ELA DEVERIA TERMINAR OS GUERREIROS E QUE HAVERIA MELHORIAS EM PRODUÇÃO DEPOIS, FICANDO O FAMOSO ‘PROVISÓRIO PERMANENTE’. AÍ, COMO ACONTECE EM QUALQUER FÁBRICA DE SOFTWARE, ELA FOI DEMITIDA E NINGUÉM MAIS SABE RESOLVER.

TRAÇO ESSE PARALELO SÓ PARA ILUSTRAR ESSE BANDO DE DOIDOS SE ACHANDO OS CAVALEIROS E FAZENDO ESSA PORCARIAS AÍ.

TEM MAIS É RESETAR ESSE MUNDO HEHEHE.

BEM, O PONTO ALTO VAI PARA AS IRMÃS DEMÔNIAS, CURTO PERSONAGENS ASSIM, QUE ESTÃO ‘FORA’ DA CAIXA E VOCÊS?

 

FORTE ABRAÇO!

 

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Momento crítico para o pessoal da retaguarda.

 

  • Mackel

    Nossssssaaa que tensão!!!! Esse Renri deu ódio, ainda bem que ele sentiu a intenção do Kiritão e acordou para realidade.

    Realmente personagens como a Linel e Fizel são muito bons, eu adoro o jeito de elas agir.

  • Gabriel

    Finalmente um capítulo novo :D. Dessa vez estou lendo pra revisão já que não aguentei e li em inglês. Dó esperando a tradução do volume 18 em espanhol que sai esse mês, mas gostei de não ter perdido nada da história, até porque meu inglês é basico/intermediário.

    • André Brandão

      Aos poucos tentando voltar a periodicidade normal 😉

  • Josuk Albuquerque

    senti sdds d+, valeu pelo cap.

    • André Brandão

      Lá e de volta outra vez!
      Num buraco do chão vivia um hobbit e… opa! História errada 😀
      Então, cá estou novamente para retomar os trabalhos.
      Obrigado por não desistir daqui, forte abraço!

  • Pedro

    Aeeeeeeeeeeeee nossa que felicidade! Achei q vc tinha se cansado de traduzir ;-; ;-; ;-; uoito obrigado pelo MEGA capítulo! Um forte abraço!

    • Pedro

      Muito ******

    • André Brandão

      Pois é cara, cansar eu não cansei, a falta de tempo por causa do meu filho é que falou muito mais alto. O pequeno precisa de muita atenção no seus primeiros meses de vida, sem contar que minha saúde resolveu me dar umas rasteiras aí. Mas estou retomando os trabalhos na tranquilidade, espero que aproveite.
      Forte abraço!

  • Jean Carlos Galarça Estevo

    Linel e Fizel = melhores knigth, só perdem em fodelância pro Bercouli(que por sinal ‘não fez nada’ nessa luta até agr)

    • André Brandão

      Concordo, garotas do demônio. Bercoulão é o típico personagem que zerou o jogo trocentas vezes e agora está entediado e com um puta poder. Deu uma chance para Eugeo com certeza para ver o circo pegar fogo e ele poder lutar.