Sword Art Online Alicization – Exploding – Capítulo 18 – Parte 1.1

Arco: Sword Art Online Alicization Underword – Exploding

Capítulo 18 – A Grande Guerra de Underworld (7º dia do 11º mês do calendário do Mundo Humano do ano 380)

Sword Art Online Alicization Underworld - Exploding

18 horas.

A luz do entardecer de Solus tingia a porta que separava ambos os mundos com uma cor vermelha como sangue.

O Grande Portal do Leste.

Construído pelas mãos dos deuses há mais de trezentos anos, a gigantesca estrutura que separava o Mundo Humano do Dark Territory estava a ponto de entrar em colapso.

Enquanto os cinco mil soldados do Exército de Defesa do Mundo Humano e os cinquenta mil do exército invasor concentravam toda sua atenção na passagem, imensos tremores trovejaram como se uma gigantesca criatura abissal estivesse rugindo em agonia de dentro da porta. O último dígito de sua absolutamente titânica Vida estava enfim desaparecendo.

O som era alto suficiente para ser ouvido até Centoria, a capital do Mundo Humano, assim como em seu equivalente político, o castelo Obsidiana no Dark Territory. Os sinistros abalos pareciam sacudir tudo, dando a impressão que o próprio céu estivesse a ponto de desabar sobre todos.

Os segundos se passaram.

Uma enorme rachadura apareceu no meio da porta há mais de trezentos mels de altura. Em seguida, raios de luz branca muito brilhantes surgiram em seu interior, parecendo lâminas incandescentes atingindo os soldados que estavam alinhados nos dois flancos da estrutura.

A fenda cresceu rapidamente, percorrendo toda a extensão, ligando um extremo ao outro em um piscar de olhos, com a luz acompanhando seu avanço. Era como uma enorme janela de duas folhas sendo aberta.

As sagradas palavras colossais esculpidas em sua superfície piscaram em meio às chamas de ambos os lados da porta. Só havia duas pessoas em todo campo de batalha que entendiam o real significado daquelas três palavras, sua tradução direta era [Experimento de Carga Final].

Tudo aconteceu ao mesmo tempo em que essas palavras crepitavam.

O Grande Portal do Leste desabou verticalmente sobre seu próprio peso, liberando clarões de luz que se estendiam além das nuvens.

Parte 1

“Uooooh….!!!”

Vassago Casals deixou escapar um grito quase infantil enquanto projetava a parte superior do corpo para acima do teto do veículo de comando.

“Então esse é o tal Experimento de Carga Final? Deixa no chinelo inclusive as melhores produções de Hollywood. Será que não deveríamos estar roubando essa tecnologia para usar em filmes ao invés de ir atrás de uma I.A., aniki? Ficaríamos milionários se montássemos um estúdio de efeitos especiais usando isso.”

Apesar de não tirar os olhos do grande espetáculo a frente, Gabriel Miller respondeu friamente, em um tom mais alto para se fazer ouvir em meio aos estrondosos abalos.

“Infelizmente, algo assim não pode ser gravado por nenhum meio existente. Depois de tudo, não são polígonos que produzem as formas dos objetos nesse mundo. É visível somente para aqueles estão conectados ao STL.”

A metade do Grande Portal do Leste já havia se desfeito em inúmeros pedaços. Ainda que o ruído e tremores fossem imensos, todas as massivas porções de rochas acabavam fundindo-se em um único e gigantesco clarão instantes antes de colidirem com o chão.

A julgar por esse comportamento, ao que parecia, os restos da porta não iriam se transformar em uma barricada.

Gabriel levantou-se do trono instalado no teto do veículo agitando seu manto negro feito de peles e caminhou até um grande crânio criado por um dos dez generais do Dark Territory, mais precisamente, criado pela líder da guilda dos usuários de Dark Arts, D.I.L. .

A cabeça óssea colocada sobre uma pequena mesa que parecia ser mais um púlpito era um artefato capaz de transmitir o som.

Lhe foi dito que se falasse nesse objeto, sua voz seria enviada para outros crânios que estavam em posse de seus lordes do conselho. Mesmo que fosse inferior ao sistema de comunicação multicanal de seu veículo de comando do mundo real, Striker, era muito mais efetivo do que enviar mensageiros para cada um dos exércitos com suas ordens.

Olhando para baixo, para o espaço vazio das órbitas daquele crânio, Gabriel deixou sua voz fluir de maneira sombria, em um tom adequado ao seu personagem, o Imperador do Dark Territory e Deus da escuridão, Vector.

“Guerreiros dessa terra feita de trevas! O momento que estiveram esperando por tantos anos, finalmente chegou! Matem tudo que estiver vivo! Saqueiem tudo que virem pela frente!! Façam o que fazem de melhor… DESTRUIÇÃO!!!”

Gritos de guerra brotaram de todas as partes entre as formações de batalha. Seus urros eram tão poderosos que suplantaram até mesmo o som da queda da grande porta. Incontáveis espadas, lanças, machados, martelos e facões ergueram-se para o céu tingido de sangue sob o sol poente.

O primeiro grupo do exército do Dark Territory, composto por cinco mil goblins das montanhas, cinco mil goblins das planícies, dois mil orcs e mil gigantes, formando treze mil unidades, seriam os responsáveis que encabeçariam a primeira carga para testar a reação do exército inimigo.

Balançando rapidamente sua mão direita levantada à frente, Gabriel deu sua primeira ordem como um jogador desse jogo de guerra.

“Primeiro grupo, iniciar o ataque!!”

***

Quem assumiu o comando dos cinco mil goblins das montanhas no flanco direito do exército que constituía o primeiro esquadrão dos cinquenta mil efetivos da força invasora, era o líder de sua raça, Kosogi. Um dos sete filhos do chefe anterior, Hagashi, que morreu ao ser pego acidentalmente durante o ato de rebelião do Dark General Shasta.

Hagashi sempre foi tido como o mais cruel e impiedoso de todos os chefes de sua espécie. Portanto, era natural de se esperar que Kosogi herdasse essa terrível tendência. Porém, ao contrário do que sua aparência bestial podia sugerir, ele possuía uma inteligência ainda mais avançada do que seu progenitor, algo realmente incomum entre os goblins.

Depois de completar vinte anos, Kosogi começou a procurar um motivo que explicasse porque os goblins eram considerados os piores entre as cinco raças do Dark Territory – os humanos, os gigantes, orcs, ogros e os goblins.  Levou certo tempo, mais cinco anos, tentado uma forma de mudar esse panorama.

Certamente, os goblins eram os que tinham menor estatura das cinco raças, os que acabavam por fazer deles os mais fracos fisicamente. Contudo, isso era compensado em quantidade, um fator que os levou a ficar em pé de igualdade nas batalhas que travaram contra os orcs e humanos na antiga Era de Ferro e Sangue.

Quando todas as espécies finalmente decidiram parar de guerrear entre si, o chefe goblin da época também ganhou um assento à mesa do Conselho dos Dez Lordes, considerado o maior escalão de poder em todo o Dark Territory, e com isso assinou o tratado de paz entre as raças.

Entretanto, o tratado em si não era nada justo. Tanto os goblins das montanhas quando os das planícies ganharam quando muito terrenos áridos e rochosos bem afastados ao norte, onde era praticamente impossível praticar qualquer tipo de cultivo para preservarem suas Vidas, por causa disso, seus filhos acabavam morrendo de fome e sede constantemente e mal tinham anciões, pois sua longevidade não era de fato, longeva.

Resumindo, isso com toda certeza era um plano dos chefes das outras raças.

Com o objetivo de frear o principal ponto forte dos goblins, ou seja, seu número elevado de indivíduos, os forçaram a viver em terras inférteis e totalmente afastadas. Devido a isso, eles acabavam usando todas suas energias apenas para continuar sobrevivendo, negando qualquer chance de prosperidade.

Oportunidades de estudo como práticas de esgrimas e outras profissões como as que os filhos dos iums negros recebiam lhes eram impossíveis, já que viviam isolados nessa dura batalha constante pela sobrevivência. A situação acabava por forçá-los a lançar muitos de seus filhos em rios e despenhadeiros para matá-los a fim de reduzir o número de bocas para alimentar.  E os que sobreviviam e alcançavam o território das outras raças, só o que lhes restavam eram uma vida de escravidão, que podia ser muito pior do que a própria morte.

Todos sabiam desse cenário trágico e ninguém se mobilizava para mudar. Estavam fadados a matar sua própria espécie por toda a eternidade enquanto as outras raças continuariam prosperando.

Se tivessem terras férteis e recursos suficientes para viver, seus soldados agora não estariam erguendo facões toscos e armaduras de ferro oxidado sem nenhum tratamento. Teriam um traje completo, aço temperado, platina, espadas e toda gama de perícias em armas.

Estariam fortes e bem alimentados, afiando suas técnicas ao limite. Podiam inclusive dominar as Dark Arts que os iums negros monopolizavam.

Se conseguisse mudar para essa realidade, ninguém mais poderia dizer que os goblins eram uma raça inferior e burra.

O cadáver de seu pai, Hagashi, outrora vivo, era constantemente alvo de perseguições entre os outros lordes.  Os iums negros diziam que ele carecia de um cérebro, que era tão burro que não merecia o respeito de ninguém. Embora soubesse no seu íntimo que era uma verdade, não tinha meios de fazer nada a respeito. Ele realmente estava apostando em se destacar militarmente durante a guerra iniciada pelo Imperador Vector.

Mas que loucura seu pai estava pensando em fazer? Como ele esperava em conseguir visibilidade nessa batalha? Estava mais do que óbvio o que tinha sido armado somente olhando para a disposição do exército.

Algo tão vil assim só podia ter sido sugerido pela líder da guilda dos usuários de Dark Arts. Aquela mulher deve ter vindo com uma história de algo como: “honra em combate” para conseguir colocar as duas raças dos goblins como cabeça de lança nessa primeira investida.

Sua intenção certamente era posicionar os goblins na vanguarda somente para serem estraçalhados por aqueles demônios lendários, os Integrity Knights do Mundo Humano, ou usá-los como escudos para poder lançar suas magias bizarras sem se preocupar em incinerar as duas raças e de presente, ficar ainda com os louros da vitória.

Seriam mortos e provavelmente esquecidos…

Não tem como eu deixá-la fazer isso!!

Porém, mesmo sabendo desse fato, não podia simplesmente desobedecer. O recém-surgido Imperador Vector nem sequer fora arranhado por aquele ataque aterrorizante do Dark General Shasta, o mesmo golpe que aniquilou tudo à volta, como os dois chefes goblins e o líder da guilda dos assassinos como se não fossem nada.

O imperador tinha o poder absoluto e nessa terra desgraçada e podre, a ordem é clara: O fraco submete-se ao forte!

Entretanto, essa maldita ium negra era diferente. Kosogi, que finalmente subiu para o cargo mais alto, um dos Dez Lordes, estava em pé de igualdade com ela. Não tinha obrigação alguma de acatar suas ordens obedientemente, não iria corroborar com seus estratagemas infernais.

A ordem dada aos goblins era simples. Deveriam penetrar nas terras inimigas a toda carga, atacando como um único e coeso corpo com a finalidade de aniquilar o exército inimigo o mais rápido possível.

Isso era tudo. Não havia nada a respeito em manter-se na dianteira da batalha até serem incinerados pelas chamas dos feiticeiros que estariam logo atrás deles.

Essa seria a hora de virar o jogo contra aquela mulher.

Kosogi, secretamente tinha passado essa ordem aos seus oficiais de confiança instantes antes da grande porta começar a desabar.

No momento em que lhe fora entregue aquele crânio falante, começou a se mover para repassar as ordens do imperador. Meteu a mão por baixo de sua tosca armadura e pegou uma pequena esfera que havia preparado de antemão. Sabia que seus oficiais estavam fazendo o mesmo naquele instante.

O gigantesco agrupamento de rochas que despencavam do Grande Portal do Leste desabou completamente com um rugido estrondoso, desaparecendo em meio a um mar de luz cegante.

Viu múltiplas fogueiras e o brilho das armas e armaduras deslumbrantemente polidas além do vale aberto à frente.

Era o exército de defesa dos iums brancos.

Atrás deles haviam terras suficientemente amplas com abundância de recursos e é claro, mão de obra. Aquilo seria o ideal para que os goblins das montanhas recuperassem seus dias de glória.

Como evitar que aquele solo tão rico virasse uma terra desolada? Será que os goblins das planícies estavam pensando a mesma coisa ou eles tiveram novamente o azar de receber um novo chefe estúpido? Bom, da parte dos orcs era pouco provável esperar algo, já que eram ainda mais idiotas.

Kosogi agarrou firmemente a esfera com sua mão esquerda enquanto levantava um enorme facão em sua mão direita, gritando com todas as forças:

“Todos vocês, permaneçam junto e venham comigo!! Avançaaaaaarrrrrr!!!!!!”

***

“Primeiro esquadrão, ergam suas espadas e preparem para o combate! Os sacerdotes, preparem suas artes de cura e encantamentos de proteção!”

Com o posto de vice comandante dos Integrity Knights a serviço dos Exército de Defesa do Mundo Humano, a orgulhosa voz de Fanatio Synthesis Two ecoou no crepúsculo.

JYARIIINN!!

O som do coral de espadas deslizando-se de suas bainhas preencheu o vale. As fogueiras ali existentes deram um tom avermelhado na iluminação refletida das lâminas.

O estrondoso ruído do Grande Portal do Leste dando seus últimos suspiros de existência parecia criar uma trilha sonora para o início do combate.

Somando-se a isso, o ritmo com curtos espaçamentos do avanço dos goblins, o mais balanceados dos orcs juntamente com os grandes baques do avanço dos gigantes soavam como imensos tambores de guerras ou martelos de guerra socando o chão, dando o toque final àquela assustadora sinfonia de morte.

Todos esses sons de percussão eram mesclados aos gritos de guerra. Vozes bestiais que muitos humanos nem cogitavam que podiam existir, estavam ficando cada vez mais altas e próximas.

Era um prelúdio pavoroso do que estava por vir.

Os trezentos soldados alinhados na linha frontal, usaram tudo que tinham de coragem e determinação para manterem-se calmos e em posição à duzentos mels de distância da grande porta.

Entretanto, não seria estranho ver que alguns colapsariam muito antes de sequer cruzar espadas. Essa era a primeira vez em que essas pessoas estavam tendo uma batalha real onde suas vidas estariam em risco, sem falar que também era a sua primeira guerra.

O que os mantinham em pé eram a visão das costas dos três Integrity Knights mais avançados das linhas de frente.

Encarregado de dar suporte ao flanco esquerdo, estava o Frost Scale Whip, Eldrie Synthesis Thirty-One.

No meio da formação, estava a Heaven Piercing Sword, que também exercia a função de comandante das forças, Fanatio Synthesis Two.

Enquanto que no flanco direito, seu protetor era o Conflagrant Flame Bow, Deusobert Synthesis Seven.

Os três cavaleiros vestidos com suas armaduras completas, brilhando maravilhosamente mesmo à penumbra do vale à frente, mantinham-se firmes esperando as tropas inimigas avançarem sem demonstrar um único sinal de hesitação.

Era certo que o medo e incerteza estavam no peito de cada um deles, porém, ao contrário dos demais soldados, eles tinham experiências prévia em batalhas reais, embora a maioria delas sempre se deram em combates corporais um contra um com os Dark Knights.

Ninguém ali havia experimentado uma luta dessa magnitude, nem mesmo a vice comandante Fanatio e o guerreiro mais antigo deles, o Knight Commander Bercouli Synthesis One que estava liderando o esquadrão da retaguarda.

E para completar o cenário catastrófico, o governante do Mundo Humano, a Alto Ministro da Igreja Axiom, já não existia mais.

A justiça absoluta que servia como símbolo da igreja também havia sumido.

Os cavaleiros que estavam nesse campo de batalha, confiavam tudo, ironicamente, em uma única emoção que deveria ter sido destruída durante o Synthesis Ritual.

Deusobert Synthesis Seven esperava o exército inimigo calmamente de forma valente enquanto acariciava de forma suave o antigo anel em seu dedo anelar da mão esquerda ao segurar seu arco flamejante com os dedos da outra mão.

Estando entre os Integrity Knights mais antigos, havia mantido a ordem na região do norte do Mundo Humano por mais de cem anos.

Frustrando todas as tentativas dos invasores do Dark Territory em cruzar a cordilheira da borda, exterminando bestas mágicas em seus covis e ocasionalmente capturando criminosos que quebravam os tabus impostos. E crendo piamente que era um legítimo cavaleiro invocado do Mundo Celestial, jamais havia mostrado um pingo de interesse nas atividades mundanas dos habitantes dessa terra.

A única coisa que o confundia as vezes era aqueles sonhos misteriosos que o assaltava momentos antes de cada alvorecer.

Sempre uma pequena mão, tão suave e alva que parecia quase translúcida, levando consigo um brilhante anel em seu dedo anelar.

Essa mão acariciava seus cabelos, tocava suas sobrancelhas e descia lentamente até os ombros seguindo de um sussurro muito amoroso.

“-Vamos querido, hora de acordar… já é dia…

Deusobert jamais falou desses sonhos. Ele imaginou que se falasse, o Chefe Chudelkin acabaria por apagá-lo através de encantamentos. Estranhamente, não queria que o sonho se perdesse.

O anel que via naquele sonho tinha o mesmo formato do que ele usava em sua mão esquerda desde o dia em que despertou como um Integrity Knight.

Será que eram recordações do Mundo Celestial? Se cumprisse sua missão como um cavaleiro nessa terra inferior e ganhasse permissão para retornar ao plano celestial, iria rever a pessoa a qual pertencia aquela mão?

O guerreiro ocultou a pergunta e/ou esperança no lugar mais profundo de seu coração por um longo tempo.

Entretanto, algo aconteceu durante o duro combate na Catedral Central meio anos atrás.

Deusobert, que tinha lutado contra dois jovens que haviam se rebelado contra a igreja, acabou perdendo mesmo depois de recorrer ao seu golpe mais poderoso, o Armament Full Control Art. Onde aquele estranho garoto de cabelos negros que havia conseguido superar seu arco flamejante com uma técnica de espadas que jamais havia visto, falou algo ainda mais inacreditável.

Que os Integrity Knights não tinham sido invocados do Mundo Celestial. Que eram somente pessoas normais nascidas no Mundo Humano, que haviam sido treinadas para transformar-se em cavaleiros sagrados com suas memórias seladas.

Que a Alto Ministro, a Administrator, o bem supremo, a ordem primordial, a personificação da justiça perfeita esteve enganando todos os cavaleiros desde sempre. Era algo realmente impossível de acreditar, porém, aqueles mesmos jovens sustentaram suas palavras, derrotando a vice comandante Fanatio, o líder Bercouli, o chefe dos anciões Chudelkin, chegando ao último andar da Catedral Central, vencendo até mesmo a Administrator.

Se fosse apenas uma bravata, um grupo de rebeldes tão diminuto, jamais teria a força necessária em suas espadas para concluir tal feito.

Falando francamente, aqueles dois nem precisavam provar mais nada, pois ele havia sentido que falavam a verdade já em sua luta. Os golpes que desferiam de suas espadas retas não possuíam mentiras ou enganações. Eram golpes verdadeiros.

Sendo assim, significava que a pessoa dona da pequena mão em seus sonhos não era do mítico Mundo Celestial e sim alguém dessa mesma terra onde se encontrava.

Deusobert, ao se dar conta disso, fez um movimento pela primeira vez desde que havia se tornado um cavaleiro sagrado. Ele abraçou o anel em sua mão esquerda, juntando-o ao seu peito e chorou.

Depois de tudo, existia uma grande diferença entre os Integrity Knights e as vidas das pessoas que viviam no Mundo Humano. Essas desapareceriam em mais ou menos setenta anos, enquanto que os guerreiros sagrados…

Em outras palavras, Deusobert entendeu que jamais veria aquela pessoa que o chamava de ‘querido’.

Mesmo tendo ciência disso, respondeu ao pedido do comandante Bercouli para tomar parte dessa batalha decisiva.

O fez para proteger o mundo onde viveu junto daquela pessoa sem se importar com o que possa vir a lhe acontecer.

Era isso que dava forças ao Integrity Knight Deusobert Synthesis Seven para manter-se em pé, firmemente como uma grande força em oposição ao gigantesco exército do Dark Territory. Era a força daquele sentimento que, em princípio, deveria ter perdido, o amor.

E ainda que desconhecesse, os cavaleiros Fanatio e Eldrie também estavam ali para lutar junto com ele, com seus respectivos entes queridos em mente.

O valente guerreiro tirou sua atenção do anel e agarrou quatro flechas de aço de uma só vez da gigantesca aljava ao seu lado.

Após isso, as colocou cuidadosamente em seu instrumento divino, o Conflagrant Flame Bow que estava segurando horizontalmente.

Já estava nas palavras finais de seu encantamento de Full Control Art. Fanatio e Eldrie seguiriam valentemente sem ter noção do que ele estaria fazendo. Sua técnica não deveria ser ativada em meio à confusão, portanto, decidiu usar logo no primeiro instante, gastando a metade da Vida de seu querido arco.

O resoluto Integrity Knight respirou fundo e pronunciou a frase final:

Enhance Armament!

Rubro.

As chamas absolutamente gigantescas do grande arco cor de cobre subiram há mais de duzentos mels, engolindo a visão dos invasores em um mar de chamas tão brilhante e ardente como os raios alaranjados do alvorecer do próprio Solus.

As quatro flechas incandescentes pareceram crescer à medida que o brilho aumentava.

“Sou o Integrity Knight Deusobert Synthesis Seven! Todos que estão diante de mim, serão carbonizados! Não irá sobrar nem os ossos!!”

Apesar de não se lembrar, uma vez fez a mesma apresentação pública na ocasião em que levou sob custódia uma garotinha que vivia em um pequeno povoado no extremo norte da região de Norlangarth, aproximadamente oito anos atrás.

Entretanto, dessa vez o fez sem a máscara em seu rosto, sendo que a voz que reverberou não tinha tom metálico, contudo, era ainda mais poderosa e acentuada.

Os dedos do cavaleiro liberaram a tensão da corda do arco que estava em seu limite.

“ZUDDOOOOO!!!”

Quatro rastros flamejantes saíram em disparadas em uma formação radial com um rugido ensurdecedor.

As primeiras vítimas da que seria conhecida como a Guerra de Underworld, foram os soldados goblins da planície que estavam avançando pelo lado esquerdo do vale, instantes depois da grande porta desabar.

O novo chefe dos goblins das planícies, Shibori, não tinha nem inteligência ou planos do nível do novo chefe dos goblins das montanhas, Kosogi. Ele era um jovem inexperiente que só podia contar com sua forte constituição e força.

Restando somente esse recurso, enfrentou um solitário Integrity Knight, com uma força descomunal, absolutamente sem preparo, somente ordenando que o restante de seus cinco mil soldados avançasse em carga total agitando suas lâminas atabalhoadamente.

As quatro flechas de Deusobert atravessaram o aglomerado de goblins das planícies como se não fossem nada, aproveitando o máximo de seu potencial destrutivo. Os quarenta goblins da infantaria inicial desapareceram instantaneamente, o que causou desordem e mais caos nos soldados a volta.

Porém, já que a carga de ataque era, desde o princípio, desordenada e indisciplinada, a maior parte dos guerreiros armados com seus facões e uma sede absurda de sangue, circundaram seus parceiros incinerados e calcinados, continuando com seu ataque caótico, empurrando seus companheiros que haviam parado com o medo instaurado devido ao ataque flamejante do inimigo.

Em resposta, Deusobert colocou mais quatro flechas em seu arco.

Dessa vez, ao invés de separá-las, disparou todas uma na cola da outra.

Transformou o ataque em uma grande lança incandescente que impactou diretamente no meio das fileiras inimigas, criando uma imensa explosão concentrada. Muitos soldados ao redor foram engolidos pela explosão, enquanto outros começaram a dispersar com gritos estridentes. As baixas superaram as cinco dezenas facilmente, porém, ainda havia muitos goblins que insistiam em continuar avançando enlouquecidamente.

Era um padrão natural, portanto, já esperado. Dois mil orcs e mil gigantes seguiam as duas raças goblins, que continuaram mantendo o ritmo de ataque. Se eles parassem para recuar, acabariam sendo esmagados pelos seus próprios companheiros de batalha, que, em virtude da óbvia diferença física, no mínimo duas vezes maiores, os triturariam sem ao menos reduzir a marcha.

Enquanto que os goblins das planícies careciam de um plano tangível de contingência como o que tinha o chefe dos goblins das montanhas, eles usavam a ira e ressentimento contra sua raça para lançarem-se ao ataque.

Canalizavam todo o desprezo que recebiam por serem considerados uma raça inútil e fraca e o direcionavam para as pessoas do Mundo Humano, ou como chamavam em sua língua, os iums brancos, a quem tinham intenções de transformá-los em escravos.

Levantando agressivamente seu machado de batalha, o qual sustentava com os dois braços, o goblin super musculoso que era o novo chefe e atendia pelo nome de Shibori, soltou um grito extremamente grave e selvagem.

“TODOS VOCÊS!! MATEM ESSE ARQUEIRO DE MERDA!! CERQUEM-NO!! CORTE-O!! DESTRUAM-NOOOO!!!”

“AAARGHHH!!!! MATAR! MATAR! MATAAARR!!”

O grito de guerra virou uma única voz naquela multidão raivosa de, atualizados, quase cinco mil soldados.

Deusobert absorveu aquela ira e sede de sangue totalmente impassível, sem nenhuma palavra. Apenas sacou sua terceira leva de flechas mais uma vez. O número dos goblins carbonizados saltou para quase cem unidades dessa vez, porém, a força inimiga seguiu avançando cada vez mais raivosa.

O cavaleiro suspendeu os ataques de chamas do Conflagrant Flame Bow quando a distância entre ele e os inimigos caiu para mais ou menos cinquenta mels, assumindo um ataque mais rápido, porém, com flechas normais.

Sem conjurações, a velocidade de seus disparos foi elevada muitas fezes, criando uma chuva assassina de flechas de maneira extremamente feroz.

Com a velocidade, aumentava também o impacto. Um só projétil disparado atravessava no mínimo três goblins de uma só vez.

Os guardas correram adiante com suas espadas em riste para formar uma linha protetora ao cavaleiro Deusobert.

“Protejam-no o senhor cavaleiro! Não deixem que o inimigo chegue até ele!!”

Quem gritou foi um jovem comandante da guarda que devia ter não mais do que vinte anos. Ele segurou firme sua espada de duas mãos, a qual havia passado por um treinamento intensivo nesses últimos tempos. Porém, embora sua voz soasse forte, ainda era possível notar certa tremedeira em sua lâmina.

Deusobert percebeu aquilo e quis falar para que ele se retirasse. Não tinha certeza de que aqueles jovens pudessem suportar uma batalha real que iria se transformar facilmente em um mar de sangue e vísceras tão terrível que iria certamente acabar com seu espírito e seu corpo. Mesmo que eles tivessem passado por treinamentos dados pelos próprios Integrity Knights.

Contudo, respirou fundo e resolveu mudar seu discurso.

“Desculpe-me! Deixarei a proteção da esquerda e direita com vocês!”

“Pode deixar conosco!!”

O comandante da guarda respondeu com um grande sorriso.

Passaram-se os segundos.

E o ruído estridente dos facões dos soldados goblins se fizeram ouvir no momento em que entraram em contato com as espadas longas da guarda do Mundo Humano pela primeira vez.

***

Vários segundos antes disso.

No meio do vale, a mulher cavaleiro e vice comandante Fanatio Synthesis Two esperava o inimigo com uma postura que só podia ser classificada como estranha.

Estava com os pés muito afastados, uma a frente do outro, enquanto o lado esquerdo de seu corpo permanecia projetado para frente. Sua mão direita, alinhada na altura do ombro direito, agarrava fortemente a empunhadura de seu instrumento divino, a Heaven Piercing Sword.

Porém, sua espada estava disposta com a empunhadura horizontalmente com o agarre invertido, com seu ponto extremo inferior apoiado em sua ombreira.

Enquanto isso, sua mão esquerda ficava estendida para frente, com a palma para cima, sustentando a ponta da lâmina adiante.

Se Gabriel ou Vassago vissem essa cena, provavelmente chegariam a mesma conclusão.

De que aquele posicionamento era igual a um sniper, com um rifle de longo alcance.

De certa forma, podia-se dizer que era verdade. Fanatio havia ficado observando e analisando o exército inimigo o máximo de tempo possível enquanto começava a procurar um ponto mais adequado para começar seu ataque.

Em comparação a Deusobert que com seu arco podia ajustar a amplitude de suas flechas de fogo, a sua Heaven Piercing só conseguia disparar um único feixe de luz concentrada.

Como tal, disparar a esmo em meio à multidão inimiga seria um desperdício de força.

Ela decidiu que devia por um objetivo, portanto, começou a procurar algum comandante do outro lado, um dos Dez Lordes do Dark Territory seria o ideal.

A terra tomada pela escuridão construiu sua força através do medo e opressão. Os soldados mais fracos juram fidelidade e obediência absoluta a seus comandantes, e lutam independentemente de qual seja a batalha ou situação. Porém, olhando por outra ótica, isso significava que perderiam seus objetivos caso perdessem seus comandantes.

Nós também já fomos assim.

Fanatio absorveu esse intenso, porém, fugaz sentimento.

A notícia de que a alto Ministro, a Administrator, havia falecido destruiu a ordem dos Integrity Knight em uma só noite. Foram as palavras de Bercouli que permitiram que os cavaleiros recuperassem suas mentes que estavam imersas em dúvidas e caos.

Era nossa missão, nosso propósito de existência, obedecer às ordens de Chudelkin e da Alto Ministro?

Não! Nós existimos para proteger aqueles que vivem no Mundo Humano.

Enquanto tivermos o forte desejo de protegê-los, permaneceremos como os cavaleiros sagrados até que chegue a hora de nossa morte.

Na verdade, nem todos os Integrity Knights entenderam e acataram as palavras do comandante. Prova disso eram os cavaleiros aqui reunidos nesse campo de batalha que não chegavam sequer a vinte.

Entretanto, todos aqueles que levavam consigo a vontade genuína de lutar até o final pela sobrevivência, vieram para cá. O mesmo havia sido para os cinco mil guardas que se reuniram nesse lugar de morte. E sim, essa era definitivamente a diferença decisiva entre as forças dos Dark Territory e eles.

Fanatio fixou seu olhar com o rosto descoberto, despojado da máscara prateada, na superfície de sua querida espada enquanto a apontava para o exército inimigo, focando toda sua atenção.

O grupo dos goblins correndo desordenadamente fazia o solo tremer enquanto se posicionavam agora a menos de cem mels. Deusobert já havia começado seu ataque no flanco direito com seu Armament Full Control Art, usando suas chamas explosivas umas duas ou três vezes, tingindo o crepúsculo de vermelho e laranja.

E foi nesse breve resplendor que ela viu…

Fanatio encontrou seu objetivo.

Enormes sombras perseguiam a força goblin em pleno avanço. Eram os gigantes, indiscutivelmente discerníveis pelos seus corpos várias e várias vezes maiores dos que os dos humanos. E o que liderava o ataque daquela raça, era ainda maior, muito mais alto e corpulento. Sem dúvida alguma era um dos Dez Lordes, o que chamavam de Sigrosig. Era o chefe que havia visto antes.

Os gigantes eram uma orgulhosa, ou melhor dizendo, uma terrivelmente arrogante raça. Eles mediam suas superioridades baseando-se exclusivamente no tamanho de seus corpos. Se autodenominando por esse motivo, os próprios governantes por direito do Dark Territory, declarando que os seres dessa terra, principalmente os humanos de pele escura que lá vivem, estavam entre as criaturas mais fracas de todas.

Portanto, derrubar o líder daquela tribo com um só golpe desferido por um humano, antes mesmo da guerra começar de verdade, seria de fato um grande abalo em sua moral.

Fanatio respirou fundo, soltou o ar e sussurrou:

Enhance Armament!

A luz branca, como se o próprio Solus se manifestasse, envolveu a Heaven Piercing Sword com um leve ruído e vibração.

Ela segurou a empunhadura com precisão e ajustando a trajetória até Sigrosig que corria diretamente para ela em um ponto muito afastado, gritou:

“Perfure! Travessia da luz!!!”

O ar sacudiu quando um raio de calor extremo e deslumbrante que canalizava todo o poder de Solus percorreu o campo de batalha.

Sword Art Online Alicization - Fanatio x Sigrosig - vol16

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


OLÁ PESSOAS!!

COMEÇANDO MAIS UM VOLUME NESSE FINALZINHO DE 2017.

ALGUNS DE VOCÊS IRÃO RECLAMAR QUE NÃO TRADUZI AS IMAGENS DE CAPA E TAL. PARA ESSAS COISAS QUERIDAS, SÓ TENHO A DIZER QUE FAREI ISSO AO SEU TEMPO, VOU PRIORIZAR AS TRADUÇÕES DOS CAPÍTULOS, MESMO PORQUE, O QUE ESTÁ ESCRITO NAS IMAGENS SÃO TRANSCRIÇÕES DO QUE EU TRADUZO NOS CAPÍTULOS.

BOM, ESPERO QUE COMPREENDAM, VOU FAZER O ESQUEMA, MAS NÃO AGORA.

 

SEGUNDO RECADO: ESTÁ CHEGANDO A ÉPOCA DO RECESSO DO GUERREIRO, AQUELE MOMENTO QUE AGONIZANTEMENTE IREI ME ARRASTAR PARA O CANTO DA CAMA (já perdi o resto dela para o chibi) E DORMIREI COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ, RENOVANDO AS ENERGIAS PARA O PRÓXIMO ANO.

ENTÃO, CREIO QUE FAREI UMA ÚLTIMA POSTAGEM E DEPOIS SÓ NA SEGUNDA QUINZENA DE JANEIRO (quem me acompanha desde o início sabe que sempre faço isso).

CERTO QUE TRAREI COISAS BOAS E TALVEZ ATÉ UM GRANDE AVANÇO NA ESTÓRIA (coloque aqui um gigantescamente bizarro talvez aqui).

AGORA, SE ESTÃO ACHANDO AS COISAS QUE ESCREVO AQUI EM UM TOM DE ‘SACO CHEIO’, POR FAVOR NÃO ENTENDAM MAL, ESTOU MESMO CANSADO E MINHA SAÚDE NÃO ESTÁ NADA RECUPERADA DESDE AQUELA CRISE UNS MESES ATRÁS, MAS JAMAIS COM A TRADUÇÃO AQUI, JÁ QUE ESSA É MINHA FORMA DE DESCANSO, PORTANTO, RELAXEM, VOU TERMINAR ALICIZATION BEM DE BOAS E CAPRICHADINHO.

 

CHEGA DE CONVERSA, QUERO COMENTAR ESSE CAPÍTULO:

FI

NAL

MEN

TE!!!

A LUTA COMEÇOU COM TUDO!!

 

DEUSOBERTINHO TACANDO FLECHA NOS BICHOS, OS GUARDINHAS SE BORRANDO DE MEDO E DONA FANATIO QUERENDO O LUGAR DA SINON COMO SNIPER DA HISTÓRIA.

DEVO CONFESSAR QUE ENQUANTO DESCREVIA A POSE QUE ELA ESTAVA FAZENDO, TIVE QUE IR PARA FRENTE DE UM ESPELHO E VER SE ESTAVA CERTO. O SENHOR REKI ESTAVA MEIO LOUCÃO QUANDO ESCREVEU AQUILO. FUI NO VOLUME JAPONÊS E TIRANDO ALGUMAS COISINHAS QUE NÃO COMPREENDI, É AQUILO ALI MESMO.

AO MENOS ABEC SALVOU A PÁTRIA E DESENHOU PARA ENTENDERMOS MELHOR HEHEHE.

BOM, O BICHO ESTÁ PEGANDO E ISSO VAI O VOLUME INTEIRO \o/

AGORA, SÓ ESPERAR PARA A DEUSOBERTA … DIGO, DEUSASUNA CHEGAR NESSA JOÇA!! (nossa! de onde saiu esse trocadilho? deve ter sido meu gêmeo do mal canhoto, sorry T_T )

UM FORTE ABRAÇO A TODOS E BORA COMENTAR AÍ!

 

 

 

 

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É absolutamente incrível como a trilha de Aincrad funciona em Alicization. Essa Confront Battle me transporta lá para dentro do conflito com os goblins, orcs, gigantes, Fanatio/Sinon. Parece que vejo o Deusobert fazendo espetinho bem passado de goblins. Aaah!! Que venha essa animação pelo amor de Stacia e que seja boa, com planos abertos, câmera sobre os exércitos… (sonhar não custa né?) 😉