Sword Art Online Alicization – Invading – Capítulo 17 – Parte 3

Arco: Sword Art Online Alicization – Invading

Capítulo 17

Sword Art Online Alicization Underworld - Integrity Knights- Volume 15

Parte 3

Do extremo norte do Mundo Humano até a região ao extremo sul.

Esta seria a primeira vez que a Integrity Knight Alice e Amayori, nascida na parte ocidental, visitavam a parte oriental, Eastabarieth, o território mais misterioso dos quatro impérios.

Rios de um profundo azul serpenteavam por entre o terreno rochoso sob seus olhos. As aldeias e povoados que viviam às suas margens pareciam, em grande parte, serem construídos quase que totalmente de madeira, ao contrário do norte que as construções eram predominantemente de pedra.

Muitos dos que olhavam para o céu e apontavam espantados com a visão do enorme animal alado, possuíam os cabelos em tons escuros. Recordou da subcomandante Fanatio, com quem não se dava muito bem e que era oriunda dessa região.

Regressando seu olhar para frente, Alice observou Kirito, que parecia contemplar o céu no horizonte enquanto apoiava-se nela que o segurava entre seus braços juntamente com as rédeas de couro negro. E pensou que talvez ele tivesse nascido por aqui e que se isso fosse verdade, havia a possibilidade de recobrar suas memórias ao voltar para sua terra natal e entrar em contato com sua própria gente. Ponderou por alguns instantes se devia descer em um desses povoados para ver se conseguia alguma informação, porém atualmente, chegar ao seu destino era mais urgente.

Era o terceiro dia de sua apressada viagem, acampando nos lugares mais ermos e o longe da população possível, aproveitando-se da caça e pesca de Amayori, junto com a colheita de frutas silvestres, tudo para evitar se demorar em um único lugar.

“Consegue ver, Kirito? ”

Alice sussurrou enquanto acariciava gentilmente a nuca de seu amado dragão a quem estava forçando ao máximo nessa longa viagem com uma carga tão pesada.

Ainda que os dragões voadores possuíssem a maior taxa de Vida entre todos os seres vivos, muitos deles não mais existiam nesse mundo. Fazer com que esse magnífico ser ficasse sobrecarregado com o peso de dois humanos e seus instrumentos sagrados era algo que doía profundamente em seu peito.

Não era preciso analisar muito para ver que toda aquela energia que havia armazenada no período em que ficou nos arredores de Rulid tinha se ido, retornando sua silhueta a velha forma.

Entretanto, depois de saborear um belo cordeiro selvagem que tinha capturado no último acampamento, Amayori parecia contente com a empreitada, respondendo à sua maneira para Alice em forma de um possante ‘ronronar’, fazendo parecer que estava passeando ao invés de uma missão. Esse comportamento também era refletido no modo com que batia fortemente suas asas.

Ainda que o desfiladeiro por onde estavam passando parecesse apenas um estreito caminho, sabia ao nível do chão, deveria ser uma trilha terrível de ser cruzada.

Essa sensação se devia a altitude que Amayori agora alcançava, mais de cem mels. Tudo para que fosse mais fácil localizar uma possível aproximação do exército de orcs e ogros que por ventura começassem a marchar sobre o território humano.

As planícies se estendiam por quilômetros, como um enorme tapete verdejante até o vale ao pé da montanha. Lá, era possível avistar diversas tendas alinhadas sistematicamente, formando um grande acampamento.

Fumaça das cozinhas saíam das aberturas e ganhavam os céus com vários soldados treinando em grupos nos arredores.

O resplendor das espadas balançando e o espírito que parecia emanar dos movimentos chegavam inclusive àquela altura.

Mesmo que a moral não parecesse estar em baixa, ainda assim, o número de tropas era desesperadoramente baixo.

Em uma breve olhada, podia contar aproximadamente três mil homens. Por outro lado, o exército invasor do Dark Territory, não seria inferior à cinquenta mil.

Mas isso já era esperado, pois era o reflexo da minúscula porcentagem dos que se tornavam soldados ou guardas ao receberem suas tarefas sagradas no Mundo Humano. E provavelmente, ali já se encontravam todas as pessoas além dessas que estivessem em condições de lutar, independentemente de seu gênero ou idade. Esse… era o triste retrato dos soldados que estavam prestes a lutar além da cordilheira.

Alice duvidava que essa situação fosse mudar com sua adição nas fileiras dos combatentes. A única coisa que se perguntava era: ‘Diante disso, que tipo de estratégia o Comandante Bercouli iria traçar…? ’

A mulher circundou voando o acampamento enquanto imersa em pensamentos, guiando seu dragão até a parte do desfiladeiro que estava parcialmente às sombras.

“Sinto muito Amayori, vamos voar só mais um pouquinho, está bem? ”

Ao dizer isso, o dragão fez um breve ronco e foi para onde a luz de Solus era obstruída pela imensa massa montanhosa.

O frio imediato a fez tremer enquanto encarava o desfiladeiro à frente. Paredões de rocha à esquerda e à direita elevavam-se tão verticalmente e de maneira tão simétrica, que acreditou por alguns instantes que somente os deuses poderiam ter criado aquilo de fato.

Não era possível ver nenhum tipo de vegetação ou sinal de fauna em absoluto.

Então, depois de seguir voando por mais alguns minutos…

Uma estrutura ridiculamente grande finalmente se mostrou em meio à névoa repentina.

“Esse é… o Grande Portal do Leste…!?”

A enorme porta acinzentada em pedra lisa elevava-se tão verticalmente quanto os paredões de ambos os lados, medindo aproximadamente trezentos mels. Entretanto, parecia ser menor do que a própria Catedral Central da Igreja Axiom que alcançava inacreditáveis quinhentos mels. Contudo, não deixava de ser menos intimidante.

O mais apavorante disso tudo era o fato de ter sido esculpida em um único bloco de pedra, sem apresentar nenhum espaço que pudesse mostrar uma junção ou encaixe em toda sua superfície.

Ela pensava que tal façanha deveria ser impossível de produzir mesmo com o uso de artes sagradas, nem que fosse utilizado todas as forças dos humanos ao mesmo tempo.

Até mesmo as maiores construções realizadas pela Alto Ministro, a Administrator, que tinha feito os Muros Imortais dividindo a Capital Central Centoria em quatro, parecia empalidecer diante desse portal.

Essa porta deve ter sido colocada aqui quando os deuses criaram o mundo.

Tudo com o intuito de dividir o Mundo Humano do Dark Territory, adiando uma tragédia que iria se dar trezentos e tantos anos mais tarde.

“Pare Amayori!”

O dragão voador se deteve em pleno ar enquanto Alice encarava a estrutura mais uma vez.

Algo estava escrito em letra sagrada cerca de duzentos mels acima do solo, no exato local onde as duas folhas do portal juntavam-se.

Traduziu:

“Destruir… na… última… etapa…”

Tinha outras linhas de dizeres, porém, não conseguiu entender o significado.

Foi quando inclinou a cabeça, que um ruído aterrador sacudiu o ar, surpreendendo Alice e Amayori.

Ao puxar automaticamente as rédeas do seu dragão para trás, olhou fixamente para um determinado local da estrutura pouco acima de onde estavam e viu…

Uma fina rachadura tornar-se uma grande cicatriz na velocidade de um relâmpago na superfície até instantes atrás intacta.

A fenda estendeu-se por dezenas de mels até ser engolida pela escuridão abaixo, onde o som cessou.

Levantou a cabeça outra vez e observou a gigantesca porta. Só aí se deu conta de que haviam incontáveis outras rachaduras espalhadas em toda a superfície rochosa.

Balançando levemente as rédeas, Alice foi o mais próximo que conseguiu da porta com seu dragão.

Estendendo a mão esquerda e fazendo rapidamente o selo de Stacia no ar, tocou suavemente a rocha.

A Vida máxima e atual do Grande Portal do Leste estava registrada na janela púrpura que surgiu instantes depois.

O número à esquerda era mais extenso do que todos os valores que já havia visto de Vida, uma enorme cifra acima dos três milhões. Entretanto, o número mostrado à direita não era sequer uma milésima parcela dela, 2985.

Ficou observando estupefata enquanto percebia o quão acelerado estava o decréscimo diante de seus olhos.

Alice calculou o tempo entre a troca de digito com um suor escorrendo em sua testa. Assim que entendeu o padrão, conseguiu estimar quanto faltava para que a Vida daquela construção se esgotasse completamente.

“Não pode ser…!”

Incapaz de crer no que seus cálculos mentais lhe disseram, o terror de Alice só aumentou enquanto murmurava:

“Cinco dias…? Só temos cinco dias…!?”

A imensa barreira que dividia os dois mundos por mais de trezentos anos ruiria em meras 120 horas…  isso realmente estava acontecendo?

O brilhante sorriso de Selka, o enrugado rosto do velho Garitta e o rabugento modo de ser de seu pai cruzaram sua mente em forma de visões.

Faziam apenas poucos dias desde que sofreram o ataque dos goblins e desde que selou em definitivo a passagem pela caverna do norte. Tinha acreditado que Rulid iria permanecer pacífica por mais tempo do que simples dias…

Quando esse portal caísse, o exército de defesa do Mundo Humano seria incapaz de deter a onda sedenta por sangue dos monstros do Dark Territory. Em pouco tempo eles poderiam chegar aos recantos mais ermos dessas terras, incluído Rulid, que seria engolida de maneira impiedosa.

“Tenho… tenho que fazer algo…!”

Alice apertou instintivamente as rédeas de Amayori enquanto sussurrava essas palavras.

Afastando-se da porta em colapso, o dragão ascendeu aos céus com um suave bater de asas.

Depois de alcançar a parte de cima do portal, subindo imponentes trezentos mels de altura, sua surpresa só aumentou.

O espaço entre as montanhas, o desfiladeiro que a acompanhou até aqui, prosseguia para além do Mundo Humano. Entretanto, não era um céu azul e pastos verdes que tinha daquele lado e sim uma massa de nuvens tingidas em tons vermelhos sangue cobrindo tudo como um manto com seu solo castigado em cinza escuro.

Desviando os olhos dessa paisagem desoladora abaixo, Alice focou algo mais à frente.

Ela viu uma luz bruxuleante ao longe daquelas terras enegrecidas.

Fazendo com que Amayori subisse um pouco mais, aguçou sua visão.

Havia muito mais do que um só ponto luminoso. Ainda que estivessem organizadas de forma irregulares, se estendiam até onde conseguia enxergar.

Era uma imensidão de fogueiras.

Um acampamento.

As linhas de frente da escuridão, a vanguarda dos monstros estava abarrotando a paisagem, esperando apenas que fosse dado início a matança desenfreada.

E esse início seria no momento em que essa porta caísse, deixando o caminho livre para invadirem o Mundo Humano…

“Mais… cinco dias…”

Sussurrou outra vez.

Seu dragão voador começou a regressar instantes depois.

Imaginou que se continuasse ali, poderia ser vista por alguma unidade batedora, acabando por iniciar o conflito antecipadamente.

Feliz ou infelizmente, ela tinha confiança de que era perfeitamente capaz de massacrar cem ou duzentos de sua infantaria composta de goblins e orcs. Entretanto, não seria uma batalha muito fácil caso os usuários de Dark Arts estivessem nesse pelotão inicial.

Mesmo os Integrity Knights estando à altura de derrotarem mil unidades inimigas, isso se aplicava apenas em combates à curta distância, derrubando o inimigo um por um. De forma que não sairiam ilesos se seus atacantes estivessem fazendo investidas de longa distância e de modo concentrado como era o caso das Dark Arts que poderiam alcançá-los antes de suas espadas, atacando pontos cegos, explorando fraquezas individuais ou de campo, podendo roubar uma grande quantidade ou até mesmo toda a Vida em danos sucessivos e cumulativos.

Essa era de fato a maior debilidade da Ordem dos Integrity Knights e, consequentemente, da defesa do Mundo Humano. Algo que o comandante Bercouli havia temendo desde muitos anos.

A Alto Ministro, a Administrator, o ser com o maior potencial bélico do lado humano, já estava morta e a montanha de equipamentos guardados na catedral havia sido distribuída ao exército de defesa. Entretanto, restava muito pouco tempo. Se ao menos tivessem umas dez mil tropas… ou um ano de preparação…

Mas… deixando de lado esses pensamentos inúteis com um suspiro, Alice deu a ordem para Amayori voltar e descer.

A clareira no meio do acampamento do exército de defesa estava limpa para o pouso. Vendo o tamanho da tenda ao lado desse espaço, entendeu que ali possivelmente deveria ser o lugar para descanso dos dragões voadores.

Depois de pousar, fazendo um arco descendente, Amayori girou, curvando seu longo pescoço até a tenda de lona enquanto fazia um simpático, porém, possante ronco na parte mais profunda de sua garganta.

Uma voz parecida, mas com um tom muito mais gutural, respondeu. Provavelmente pertencene ao seu irmão mais velho, Takiguri.

Alice saltou para o solo carregando Kirito consigo e logo após, esperando seu dragão abaixar mais, descarregou sua pesada bagagem, com seus equipamentos sagrados e seu querido amigo aos seus pés.

Assim que ficou livre, Amayori foi caminhando alegremente para dentro da enorme tenda, onde encontrou seu irmão, comemorando com roçadas carinhosas de cabeças.

Ainda que ver isso a fizesse involuntariamente sorrir, Alice logo desfez a expressão ao escutar pesadas passadas se aproximando em suas costas.

Então, endireitando sua postura, arrumando seu equipamento e amarrando seus cabelos, virou-se.

A voz masculina familiar ecoou pelo campo de aterrissagem antes mesmo de terminar de se virar.

“Mestra!! Minha mestra, Alice!!! Eu sabia que você viria, sempre soube!!!”

Correndo rapidamente em sua direção e derrapando ao chegar bem em sua frente, estava o Integrity Knight com quem compartilhou um drinque de despedida a tão somente dez dias, Eldrie Synthesis Thirty One. Que, mesmo estando em um acampamento de guerra, seguia sem uma mancha em sua pele ou mecha do cabelo ondulado fora do penteado, assim como sua armadura prateada com tons púrpura extremamente bem polida e brilhante.

“Vejo que está muito bem!”

Eldrie estava completamente emocionado que sequer conseguia responder direito a óbvia ironia de sua mestra. Entretanto, sua emoção logo desvaneceu, dando lugar a uma expressão de desprezo com seus lábios curvando-se para baixo.

Ele acabara de notar o jovem magro e de cabelos negros sendo apoiado pelo braço de Alice.

Com um quê de decepção, franzindo a testa, o jovem cavaleiro enfim falou, embora sua voz estivesse cheia de incredulidade.

“Você o trouxe…? Certo… mas, por quê?”

Alice, mantendo sua cabeça erguida em puro sinal de resolução inabalável, respondeu:

“Naturalmente o trouxe, afinal, jurei protegê-lo!”

“M-Mesmo assim… nós, os Integrity Knights devemos estar na vanguarda, liderando as linhas de frente quando a batalha começar. O que pensa em fazer com ele quando cruzar espadas com o inimigo? Creio que não esteja pensando em carregá-lo em suas costas, não é?”

“Se precisar… é o que farei!”

Alice disfarçadamente moveu um pouco seu ponto de equilíbrio, puxando Kirito um pouco para suas costas, como se quisesse esconder o corpo demarcado e frágil do rapaz dos olhos acusadores de Eldrie.

Entretanto, um pequeno grupo de soldados por ali juntamente de outros Integrity Knights de baixa categoria, que estavam perto do campo de aterrissagem pouco a pouco reuniram-se à volta, dando olhadas desconfiadas, carregadas de suspeitas para com Alice e o homem de cabelos negros.

Eldrie não aguentando, deu vazão a sua indignação.

“Você não pode fazer isso, mestra! Como todo respeito que merece, permita-me dizer que lutar nessas condições, levando essa carga inútil, reduziria à metade suas habilidades com a espada, expondo-a a um perigo desnecessário! Por favor, ouça-me! A batalha já irá começar e…!”

Interrompendo suas palavras por alguns instantes, olhou para os soldados na volta apontando-os com sua mão coberta com uma brilhante luva metálica.

“…Você tem a responsabilidade de liderá-los! Deve estar pronta para mostrar todo seu poder!”

Foi uma frase impactante, entretanto, ela não poderia simplesmente aceitar.

Alice rangeu os dentes enquanto buscava palavras para explicar como era importante para ela lutar tanto pelo Mundo Humano quanto proteger Kirito.

Ao mesmo tempo, percebeu algo surpreendente nas palavras de seu pupilo.

Ele havia demonstrado uma mudança clara de comportamento desde quando Alice tinha lhe ensinado esgrima na Catedral Central. Por esse motivo, Eldrie sempre a venerou e nunca a respondia, não importa o que ela dissesse, jamais a contestou.

Os ‘misteriosos deuses do mundo exterior’ haviam inserido um selo no olho direito de todos os humanos desse mundo, os fazendo completamente incapazes de se oporem a qualquer ordem ou lei superiores. Os únicos cientes desse fato foram os que conseguiram quebrar essa limitação, o falecido espadachim da Blue Rose, Eugeo e ela própria.

Um feito tão extraordinário, que nem sequer os que gozavam de autoridades iguais aos dos deuses, a Alto Ministro e a pequena sábia Cardinal, foram capazes de conseguir.

Com certeza Eldrie ainda deveria estar sob à influência desse selo. E mesmo assim, já conseguia escapar de seu modo de obediência cega anterior. Contudo, não estava muito claro os motivos pelos quais estava opondo-se às palavras dela.

Ele sempre agiu com base em seus sentimentos, expressando suas opiniões de maneira peculiar.

Mas uma coisa era certa, a alma de Eldrie deve ter sido agitada em grande parte por causa dos dois rebeldes, os maiores criminosos desse mundo e também os espadachins mais poderosos naquele breve encontro.

Agora que pensou nisso, sua irmã menor, Selka, que vivia na distante Rulid, mostrou-se igualmente incomodada com as leis imutáveis da vila, assim como quem as regiam. Sem falar nas duas estudantes que correram em auxílio quando Alice estava levando sob custódia Kirito e Eugeo da academia de Centoria do Norte.

Normalmente, deveria ter sido impossível que duas simples garotas tivessem o ímpeto de tentar fazer parar um Integrity Knight em seu pleno cumprimento de dever.

E é claro, Alice estava na mesma situação.

Até o momento em que cruzou espada com Kirito e acabou caindo fora das paredes da catedral com ele, não tinha nenhuma dúvida em relação à estrutura do mundo, a maneira de governo da igreja e nem sobre a divindade da Alto Ministro.

Entretanto, durante todo o acerto de cooperação para escapar daquela crise, a trégua em si e escalada do paredão externo, Kirito continuamente foi gravando suas palavras e pensamentos em Alice. Fez isso com sua voz, espada e pelo penetrante olhar sendo irradiado através de seus intensos olhos negros. Tudo isso culminou com ela rompendo o selo em seu olho direito…

Sim… Kirito era como um martelo que oscilava nesse mundo cheio de falsa paz. Agitando e sacudindo tudo com o poder oculto em sua alma. Finalmente arrancando esse antigo prego cravado no coração do Mundo Humano conhecido como Igreja Axiom. Contudo… conseguiu isso às custas das vidas de seu melhor amigo, Eugeo e de Cardinal… assim como a perda de sua própria mente…

Alice abraçou o frágil corpo apoiado no seu com seu braço esquerdo enquanto olhava diretamente os olhos de Eldrie.

Ela queria falar. Dizer que ele só estava como estava agora porque lutou com aquele homem. Porém, sabia que ele jamais a compreenderia. Para a Ordem dos Integrity Knights, Kirito ainda continuava sendo um traidor miserável.

Com uma expressão dolorosa, Eldrie estava a ponto de continuar a lançar palavras afiadas à Alice que permanecia imóvel e em silêncio.

Foi quando ocorreu. Uma parte da multidão que já havia se formado abriu, sendo afastada por uma mão gigante.

A voz que chegou aos ouvidos de Alice, vindo de suas costas, era o suficientemente nostálgica ao ponto de levá-la quase às lágrimas, criando uma sensação angustiante em seu peito.

“Agora já é tarde para ficar reclamando, Eldrie. ”

Tirando o olhar do jovem cavaleiro que tratava de endireitar sua postura, Alice virou-se lentamente para o dono daquela voz.

As roupas soltas no estilo da região oriental, cruzada na frente. Com uma larga faixa amarrada em sua cintura, com a tosca espada longa enfiada nela pelo lado esquerdo, juntamente com aqueles estranhos calçados de tiras em seus pés.

Seu equipamento era muito mais leve do que os demais cavaleiros e soldados ao redor. Entretanto, a pressão exercida por seu corpo, forjada ao limite, era mais densa e pesada do que qualquer armadura.

Passando a mão por seu cabelo azulado e curto, combinando com seu visual rústico, o dono da voz formou um largo sorriso em seus lábios.

“Olá, princesa! Me parece muito mais animada do que achei que estaria, isso me deixa aliviado. ”

“Meu senhor! Há quanto tempo!”

Tentando conter as lágrimas, Alice reverenciou o espadachim mais antigo e forte do mundo, o Integrity Knight Commander Bercouli Synthesis One.

Nos seis anos em que ela viveu como uma Integrity Knight, ele fora a única pessoa que ela havia aceitado em seu coração, respeitando-o como mestre e adorando-o como a um pai. Ao mesmo tempo, foi o único espadachim, além de Kirito, que ela nunca conseguiu derrotar em combate.

Por causa disso, ela não queria mostrar um rosto choroso para esse homem.

Se Bercouli negasse que ela pudesse permanecer com Kirito aqui, deveria obedecer. É claro, a Alice de agora tinha a capacidade de se rebelar contra suas ordens, porém, opor-se a ele na frente de todos, iria manchar a imagem de líder da Ordem dos cavaleiros e do exército de defesa.

Com a batalha decisiva começando em meros cinco dias, não deveria colocar uma sombra sequer sobre a fina autoridade de Bercouli.

Como se visse o conflito através dos olhos de Alice, Bercouli aproximou-se lentamente enquanto sorria com sua característica gentileza rústica.

Primeiro, observou os olhos de Alice e assentiu com a cabeça animadamente.

E depois, deu um olhar sério para Eldrie, que pareceu querer chorar, para enfim, encarar Kirito, ainda sustentado pelo braço de Alice.

Seus lábios tencionaram-se. Uma luz semelhante às chamas brancas e azuladas pareceram habitar seus olhos.

Bercouli deu um grande suspiro enquanto Alice pareceu sentir que o ar ao redor congelasse, pouco a pouco.

“M-Meu senhor…”

Alice tentou dizer com a voz quase inaudível.

Bercouli estava aguçando seus sentidos, seu espírito de espadachim ao máximo. Estava parecendo pronto para liberar aquela técnica que usava a Incarnation, habilidade características dos Integrity Knights… a que superava inclusive a Incarnation Arm, capaz de mover objetos com a força da mente… a Incarnation Blade.

Em outras palavras, Bercouli estava tentando cortar Kirito.

Ela jamais permitiria isso e se fosse necessário, protegeria Kirito mesmo que tivesse que desembainhar sua espada contra seu mestre.

Apavorados pelo intenso espírito do Knight Commander, os soldados na volta, Eldrie e até mesmo os dragões voadores dentro da tenda silenciaram imediatamente.

Sentindo sua respiração pesada com aquele ar que parecia condensado, Alice começou desesperadamente tentar mover os dedos de sua mão direita.

Entretanto, instantes antes de tocar sua preciosa espada, a boca de Bercouli se moveu levemente e ela ouviu palavras que pareciam ressoar em sua mente.

“Acalme-se, princesa! ”

“…!?”

E no instante em que Alice tentou entender aquelas palavras, aconteceu…

Sem mover-se o mínimo sequer, os dois olhos de Bercouli desprenderam uma luz agressivamente terrível.

Ao mesmo tempo, o corpo de Kirito sacudiu violentamente no braço de Alice.

KIIINNN!!!

Um ruído extremamente agudo tomou conta de tudo, seguido de um flash prateado crepitando no ar na distância entre Bercouli e Kirito.

“O que foi isso !!??”

Alice ainda tentou reagir, mas Bercouli já havia conseguido seu intento e mostrava um amplo sorriso, fazendo parecer como que sua terrível pressão não tivesse passado de uma ilusão.

“M-Meu… senhor… !?”

O Knight Commander acariciou o cavanhaque e respondeu para a estupefata Alice que ainda estava tentando processar o que tinha acabado de ocorrer.

“Conseguiu ver isso, princesa? ”

“S-Sim… ainda que somente por um breve instante… mas tenho certeza que vi o pesado clarão do choque de duas espadas… foi isso mesmo? ”

“Exato! Executei um ataque do tipo Incarnation Blade na forma de uma adaga em sua direção, princesa. Se acertasse, teria lhe cortado a bochecha. ”

“Se… acertasse!? Você quer dizer que…”

“Isso mesmo! Ele a defendeu de maneira esplêndida hehehe. Esse jovem interceptou o golpe, que não foi de maneira alguma fraco, com sua própria força de vontade. ”

Alice olhou rapidamente para o rosto de Kirito que continuava sendo sustentado por seu braço esquerdo.

Contudo, suas esperanças foram imediatamente frustradas. Ela não viu nada mais do que uma escuridão vazia em seus vacilantes olhos negros e parcialmente abertos. Sua expressão estava ausente como vinha sendo por todos esses meses.

Mas eu realmente senti seu corpo vibrar naquela hora.

Alice acariciou os cabelos de Kirito com sua mão direita enquanto voltava o olhar para Bercouli. Ainda movendo a cabeça em afirmativo, o Knight Commander deu seu veredito em palavras muito claras.

“Embora pareça que seu coração não esteja aqui… todavia não está morto. Escute, esse rapazinho a protegeu de receber um golpe direto meu, usando todas suas forças, princesa. De maneira que agora acredito que quando mais precisarmos, ele voltará a si. ”

Alice, que havia lutado até agora, não conseguiu mais conter suas lágrimas.

Sim… ele voltará, sei que voltará!

Depois de tudo, Kirito… Kirito é verdadeiramente o espadachim mais forte desse mundo. Foi capaz de derrotar ela, a pessoa que era mais próxima dos deuses. E ele o fez manipulando essas duas espadas, com sua própria força de vontade, naquela magnífica forma, como um borrão negro…

Não pedirei, contudo… que retorne por mim, mas por todas as pessoas que vivem nesse mundo… por favor, volte!

Sem se importar com mais nada, Alice abraçou fortemente Kirito com ambos os braços, envolvendo e o aconchegando ao peito.

Enquanto isso, a poderosa, mas assertiva voz do comandante decretou:

“Conseguiu compreender agora, jovem Eldrie? Podemos até não estar nas melhores formas, entretanto, ainda somos capazes de cuidar de uma pessoa pelo menos. ”

“Mas… mais ainda assim…”

Mostrando uma desilusão palpável em suas palavras, o Integrity Knight Eldrie tentou argumentar mais uma vez com o Bercouli.

“Entendo que ele conseguiu incorporar de alguma maneira misteriosa nosso potencial bélico… porém, no estado em que ele se encontra, mesmo que recobre os sentidos… ainda não passará de um estudante, aspirante a espadachim com sérios problemas físicos… como ele irá manejar uma esp-… ”

“Mas o que está dizendo? ”

A voz de Bercouli estava carregada como um fio impiedoso de espada, mesmo enquanto mantinha um sorriso gentil.

“Por acaso esqueceu? O companheiro desse garoto ganhou de mim em um duelo justo. Logo eu, o Integrity Knight Commander Bercouli Synthesis One. E ao que tudo indica, esse cara aqui era seu mestre.”

Os demais espectadores se calaram.

“Aquele rapaz chamado Eugeo… era muito forte, absurdamente forte. Usei inclusive meu Full Control Art da Time Piercing Sword e perdi. Perdi assim como você perdeu, como Deusobert e Fanatio também.”

Parecia que Eldrie tinha perdido o dom da fala para poder responder.

O raciocínio era lógico, não poderia haver ninguém forte o suficiente, nem aqui e nem no outro lado do Grande Portal, no Dark Territory que pudesse vencer Bercouli em um duelo um contra um, pelo menos era isso que todos acreditavam na Igreja Axiom.

Contudo, aquela declaração não era demasiadamente nociva?

O Knight Commander Bercouli havia construído às pressas o Exército de Defesa por meio de sua dignidade e fama de ser o homem mais forte do mundo. Se todos soubessem da existência de Eugeu, como o espadachim que o derrotou, tão poderoso quanto o garoto de cabelos negros a sua frente… isso poderia…

Enquanto Alice pensava isso, notou que Bercouli estava concentrado, olhando para um ponto que ninguém mais via.

O comandante estava olhando para os céus como se algo muito relevante estivesse clamando por sua atenção.

“Meu senhor…?”

O Knight Commander respondeu à pergunta de Alice com palavras além de sua compreensão.

“Em um lugar muito, muito distante… o imenso espírito de um magnífico espadachim se intensificou ao máximo e… logo depois desapareceu…

Alguém incrível que eu conhecia… acaba de morrer…”

 

 

 

 

 

IOU PESSOAS!!

DUAS SEMANAS INTEIRAS SEM CAPÍTULOS!

SIM, FOI MAL, MEU PC PRECISOU DE UM CARINHO PARA VOLTAR A FUNCIONAR MAS CÁ ESTOU DE VOLTA. SERÁ UM CAPÍTULO DUPLO, COM DUAS POSTAGENS, ENTÃO, NÃO SE PERCAM HEHEHE

 

CAPÍTULO DO DIA:

DONA ALICE TODA TODA COM A PROTEÇÃO DO KIRITO, O QUE DEVE TER ROLADO NA CABANA PERTO RULID HEIN? FICA AÍ O QUESTIONAMENTO ( ͡° ͜ʖ ͡°)

 

BOM, MAIORES CONVERSAS NO PRÓXIMO POST, SÓ CLICAR ALI E PARTIR PARA A DIVERSÃO!

 

OBS.: ALÉM DE ALICIZATION, AGORA RETOMAMOS A TRADUÇÃO DE SWORD ART ONLINE PROGRESSIVE E COMEÇAMOS A TRADUZIR OS VOLUMES DOS ARCOS ANTIGOS. PRATICAMENTE TODA SEMANA ESTAREMOS COM NOVIDADES, NÃO DEIXEM DE SE INFORMAR LÁ NO FACEBOOK.

 

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  • Luiz Miguel YLOVEASUNA

    Me ajuda André,não sei se shipo o romance com a Alice ou fico puto com ela de estar roubando o kiritinho da minha deusa Asuna kkkk

    • André Brandão

      Hahahahaa! Ih cara, não posso te ajudar não, pois sou time Asuna e não abro mão. Mas aguarde só o capítulo desse sábado… (Parte 5) 😉

      • Luiz Miguel YLOVEASUNA

        Realmente André não sei onde estava com a cabeça, a Alice é legal,mas ,Asuna e minha Deusa.Asuna Wins

        • André Brandão

          Hhehehe isso aí! 😀