Sword Art Online Alicization – Invading – Capítulo 16 – Parte 3 | Capítulo 17 – Parte 1

Arco: Sword Art Online Alicization – Invading

Capítulo 16

Sword Art Online Alicization Underworld - Ocean Turtle- Volume 15

Parte 3

Higa timidamente quebrou o sombrio silêncio que imperava na sala.

“Hã… bem… é como lhe disse, infelizmente esse é o real e desolador estado ao qual Kirigaya se encontra…”

Ao ver o delicado corpo de Asuna tremer mesmo que amparado pela professora Koujirou, tratou de tentar remediar a situação.

“M-Mas nem tudo está perdido! Embora pequena, ainda há esperanças!”

“Isso é verdade?”

Rinko perguntou com a voz carregada de fé.

“O fato do Kirito ainda estar conectado em Underworld é indício suficiente, além de ser algo surpreendente.”

Higa olhou para o monitor relativamente menor do que o da sala principal que encontrava-se sitiada. Ao mudar de janelas uma porção de vezes, mostrou o panorama completo de Underworld, com o Mundo Humano no formato circular com a área do Dark Territory em sua volta.

“O que eu quero dizer é que, mesmo dissociando a própria imagem de seu eu, o Fluctlight segue ativo, conectado e recebendo todos os estímulos ao redor. Portanto, há uma possibilidade de tratar sua alma diretamente lá em Underworld, já que ele está completamente selado desse lado. E se há alguém aqui que pode ajudá-lo a se perdoar, de dizer para ele parar de se culpar e se autoflagelar … essa pessoa seria… ”

Higa estava totalmente consciente de suas próprias palavras. Sabia que o que estava dizendo não tinha nenhum embasamento científico.

Porém, a frase vinha diretamente de seu coração.

Explicou que o Nerve Gear, o Medicuboid e depois a máquina de interface cerebral, o Soul Translator. Mesmo elas que conseguissem induzir, traduzir e até manipular a entidade quântica incorpórea, o Fluctlight existente em todos os seres humanos, ainda assim, essa energia continuava um enorme mistério.

Por mais que a incrível tecnologia que desenvolveu o possibilitasse estudar uma imensidade de informações vindo dessas entidades, seu conhecimento não chegava nem a um décimo de sua totalidade. Um fato que o fascinava ao mesmo tempo em que o apavorava.

O Fluctlight é um fenômeno físico?

Ou quem sabe era um fenômeno conceitual muito além das explicações da ciência moderna?

Caso fosse a última opção, a alma ferida e desgastada de Kazuto Kirigaya poderia sim ser curada por algum poder que superava qualquer processo científico conhecido.

E ele não conseguia apostar em outra coisa a não ser… pelo amor de um pessoa.

“Eu irei!”

Era como se ela estivesse desde o início sabendo o que Higa estava explicando, sincronizada com seus pensamentos.

Sua suave, porém, determinada voz reverberou pela segunda sala de controle.

As pessoas ali conseguiam sentir a pressão que emanava daquela aparentemente frágil garota.

Asuna virou-se para Rinko e moveu gentilmente a cabeça em sinal afirmativo antes de dar um passo à frente e repetir aquelas palavras.

“Eu irei para Underworld. Preciso dizer para Kirito lá do outro lado que ele fez o melhor que pode. Com toda certeza passou por coisas terríveis a ponto de anular-se a si mesmo de tanta tristeza. Vou dizer isso diretamente para sua alma.”

O semblante da garota dizendo aquelas palavras era quase uma pintura. Seus lindos olhos castanhos com pequenas gotas de lágrimas só a deixava ainda mais atraente.

A visão disso fez Higa ficar momentaneamente sem palavras. Ele viu alguém que verdadeiramente estava se entregando por uma causa, algo que ele achava que entendia, pois acreditava que fazia o mesmo quando começaram as pesquisas desse projeto. Sentiu uma enorme simpatia por aquele gesto.

Kikuoka observou Asuna por um tempo, claramente tentando não parecer afetado por sua comoção. Tratou de esconder seus sentimentos atrás de seus óculos conforme ajeitava a armação do mesmo e voltava seu olhar para porta adjacente da sala.

“Bem… temos outra estação do STL desocupada.”

Disse, recuperando seu usual modo tranquilo enquanto mostrava uma expressão enigmática.

“Entretanto, devo lhe assegurar que Underworld não está mais em uma situação estável. Ele está iniciando a última etapa de seu experimento, o teste de carga final em poucas horas, no tempo do mundo real.”

“Carga final…!? O que é isso e o que vai acontecer?”

Higa começou a gesticular com as mãos enquanto tentava explicar para a professora Rinko que franzia a testa.

“Hum… para simplificar, isso significa que a casca vai ser quebrada. A durabilidade do Grande Portal do Leste, que separa o Mundo Humano do Dark Territory chegará a zero e o exército de monstros vai invadir o território dos humanos. Se eles prepararam uma estrutura de defesa apropriada, serão capazes de sobreviver e prevalecer no final… ao menos esse era o esperado.

Entretanto, Kirito destruiu a metade da organização que deveria preparar a defesa, a Igreja Axiom. De maneira que não faço ideia do que irá acontecer…”

“Agora que pensei nisso, talvez a situação realmente necessite que tenhamos alguém daqui imerso naquele lado.”

Kikuoka sussurrou mais para si do que para os outros enquanto cruzava os braços.

“É possível que Alice, que está em algum lugar do Mundo Humano, seja assassinada no meio do caos da invasão. Essa foi a maior razão de bloquearmos o acesso na sala de controle principal afim de ganharmos um pouco de tempo…

Devemos entrar com uma super conta, resgatarmos Alice e a retirarmos pelo World End Altar, extraindo seu Lightcube para esta sala…”

“Aah…! Você pediu isso para Kirito, não é? No momento em que invadiram.”

Kikuoka concordou com a cabeça diante da pergunta de Rinko.

“Sim, garanto que ele iria completar essa tarefa caso permanecesse… seguro. Afinal, a Alice estava ao seu lado…”

“Então… quer dizer que há uma grande possibilidade de que eles ainda estejam juntos mesmo que tenham se passado meses em Underworld?”

Higa respondeu essa pergunta.

“Sim, creio que é algo a se considerar. Essa é mais uma das razões pela qual acredito que seja melhor que a Asuna se conecte…

Pois, nem preciso dizer que ela será perfeitamente capaz de falar com Kirito, além de proteger Alice, dadas as habilidades em combate que existem em Underworld. Dentre todos aqui, ela é quem tem mais condições de se adaptar ao mundo virtual.”

“Então, é melhor usar a conta com o maior nível possível, certo?”

Concordando com Kikuoka, Higa começou a percorrer agilmente com seus dedos pelo teclado.

“Bem, aqui está! É só escolher entre cavaleiros, generais, nobres… e todos os tipos de outras contas com altos níveis.”

“Ei! Espere um segundo!”

A voz de Rinko interrompeu.

“O que foi?”

“Existe a possibilidade dos invasores fazerem a mesma coisa que nós? Você disse isso, não é? Que é possível chegar até Alice pelo lado de dentro.”

“Aah… sim! Esses recursos também estão disponíveis para eles. O controle principal tem acesso direto aos demais STL. Porém, creio que eles não tenham tempo para quebrar todas as senhas que coloquei nos perfis de super contas. Tudo que podem usar são contas simples de cidadãos comuns de nível um. Eles não conseguirão fazer nada durante o caos do experimento de carga final com status tão baixos.”

A explicação de Higa foi acelerada no final.

Uma quase imperceptível inquietação surgiu na superfície de seu olhar como se tivesse lembrado de algo importante.

Contudo, se houve algum pensamento, logo desapareceu antes de tomar forma por causa de algo incrível que viu na listagem que estava percorrendo na tela.

Sword Art Online Alicization Underworld - Volume 15
A guerra de Underworld

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Arco: Sword Art Online Alicization – Invading

Capítulo 17 – Dark Territory – (11º mês do Calendário do Mundo Humano 380)

Parte 1

A Dark Knight Lipia Zankel saltou das costas de seu dragão voador e começou a correr a toda velocidade através da passagem na plataforma elevada de aterrissagem imperial.

Sentindo-se sufocada, parou por um breve momento para retirar o capacete que cobria todo seu rosto com a mão direita e ajeitar o cabelo azul acinzentado para trás com a mão esquerda. Após fazer isso, Lipia voltou a acelerar.

Tinha vontade de arrancar fora sua pesada armadura e capa, porém, não tinha intenção de que os criados e demais empregados do governo que viviam ali vissem sequer uma pequena parte de sua pele.

Correu cobrindo a distância da imensa curva entre as duas fileiras de colunas que cortavam o céu vermelho como sangue até avistar a gigantesca massa negra como carvão.

O Palácio Imperial Obsidiana foi construído escavando a mais alta, depois da maldita cordilheira da borda, montanha rochosa encontrada nos limites das terras escuras há mais de cem anos atrás.

Diziam que era possível avistar a cordilheira e o enorme portal esculpido em rocha sólida ao horizonte no lado esquerdo da magnifica sala do trono no último andar, embora de maneira pouco nítida.

Porém, ninguém podia realmente confirmar se isso era lenda ou não.

O trono do Dark Territory tem estado vazio desde que seu primeiro imperador, Vector o Deus da Escuridão, partiu, sendo tragado pela terra em tempos muito antigos. A grande porta que dava acesso ao último piso fora selada com correntes de Vida infinita e nunca mais se abriu.

Lipia tirou seu olhar do topo do palácio negro e chamou os guardas ogros que protegiam a porta da entrada principal do lugar.

“Sou a décima primeira Dark Knight, Zankel! Abram essa porta!!”

Os sentinelas com cabeças semelhantes aos lobos e corpos humanoides eram relativamente ignorantes, sendo quase inútil esperar algum raciocínio decente saindo de seus cérebros, bem ao contrário de seus poderosos músculos. Entretanto, eram perfeitamente funcionais para suas tarefas. Então, esperaram até que Lipia estivesse próxima o suficiente e começaram a mover a palanca de ferro fundido que abria a porta de mesmo metal.

A passagem abriu-se ruidosamente, enchendo o lugar de barulho conforme ia se movendo.

O palácio parecia saudar Lipia com seu ar rio quase tétrico após seus três meses de ausência.

Os corredores polidos diariamente por simples e honestos subordinados kobolds não tinham uma mancha sequer. Ela corria com seus sapatos fazendo barulho no chão feito de pedra obsidiana até avistar um par de mulheres extremamente sensuais vestidas com tecidos completamente reveladores, que pareciam deslizar-se silenciosamente no chão espelhado e sólido.

Os grandes chapéus pontiagudos apoiados em seus sedosos cabelos ondulados indicavam que eram usuárias de Dark Arts.

Na tentativa de passar pela dupla sem fazer contato visual, uma das mulheres falou com sua amiga deliberadamente com sua voz esganiçada.

“Veja só como a terra está tremendo! Fico me perguntando se seriam os orcs correndo em algum lugar por aqui!”

A resposta imediata veio da outra que a acompanhava na forma de uma gargalhada muito aguda.

“Hahahaha! Acho que não, querida! Isso parece mais o som de um gigante gordo correndo!”

Caso tivesse tempo e permissão para desembainhar uma espada no palácio, cortaria suas línguas fora sem pestanejar.

Foi o pensamento momentâneo de Lipia enquanto suspirava.

Muitas humanas nascida no Dark Territory acabavam entrando nas guildas dos usuários de magia negra após terminarem suas escolas preparatórias. Era de amplo conhecimento que aquele tipo de organização, notoriamente hedonistas, formava feiticeiros sem qualquer tipo de escrúpulos ou limites.

E provavelmente esse era um dos fatores que mais contribuíram para o grande aumento de seu grupo.

E a característica mais marcante era justamente o interesse em andarem praticamente desnudos e se preocuparem muito com suas aparências. Além disso, têm especial predileção em irritar e sempre ridicularizar as garotas que decidem por se tornarem cavaleiros.

Tempos atrás, quando ainda era jovem, Lipia se envolveu em uma disputa com sua colega de classe que estudava Dark Arts e à qual nutria um grande desafeto. Sua oponente tinha armado uma armadilha, com insetos venenosos tentando a amedrontar, fato que não deu muito certo, pois com sua espada, além de destruir os insetos, também cortou o longo e bem cuidado cabelo da outra garota, acabando totalmente com sua moral e atitude agressiva.

Como um todo, esse era um país onde viviam esse tipo de idiotas que mal enxergavam além dos próprios narizes.

Continuando dessa forma, o Dark Territory não tinha uma previsão muito boa de futuro, já que tanto o governo quanto seus habitantes, não conheciam outro sistema para resolver os problemas que não fosse submissão pela força.

Ainda que o Conselho dos Dez Lordes fosse a principal entidade mantenedora de um perigoso equilíbrio nesse mundo, era só questão de tempo até que o mesmo ruísse e tudo fosse jogado no mais completo caos.

Se algum de seus dez membros morrer na iminente guerra contra o Mundo Humano, lugar chamado de terra dos iums pelos orcs e goblins, esse pseudo-balanceamento iria desaparecer, jogando todo o território negro em um mar de sangue e vísceras.

Quem tinha previsto esse cenário para Lipia foi justamente um desses lordes, seu mentor direto, líder da Ordem dos Dark Knight e também… seu amante.

Por esse motivo, estava ansiosa por encontrá-lo e repassar as informações confidenciais que tinha em mãos. Era algo muito mais importante a se fazer do que parar para resolver desavenças com aquelas duas.

Então, atravessando o enorme salão em linha reta, foi subindo apressada a igualmente grande escadaria de dois em dois degraus, parando logo após chegar ao andar desejado um pouco apreensiva.

O Conselho dos Dez Lordes governava sobre todo o Dark Territory por meio de conferências. Sendo reservados cinco acentos para a raça humana, dois para os goblins e os três restantes para os líderes dos orcs, ogros e gigantes.

Tinham como principal acordo a decisão de que nenhuma das cinco raças era superiores às outras. Esse tratado estava sendo sustentado há mais de cem anos com pouquíssimas intercorrências.

Como tal, o décimo oitavo andar mais perto do último piso do Palácio Obsidiana, tinha quartos privados dedicados a cada um dos dez lordes.

Andando com o máximo de silêncio, cruzou o caminho até chegar à uma das portas, batendo cadenciadamente três vezes com as costas de sua mão direita.

“Entre!”

Uma voz rouca respondeu imediatamente.

Depois de olhar para os lados e confirmar que não estava sendo vigiada, Lipia deslizou rapidamente pela porta.

Enquanto sentia uma nostalgia inebriante pelo aroma do corpo masculino que sentia naquele quarto, maximizado pelos demais objetos de adornos da mobília, tratou de colocar um dos joelhos no chão e baixar sua cabeça.

“A Knight Lipia Zankel retornou da missão que Sua Excelência ordenou.”

“Bom trabalho. Vamos, sente-se!”

Ela levantou o rosto, consciente da pontada em seu peito ao ouvir a resposta com aquela voz profunda.

O homem que se jogou em um dos sofás e apoiou as pernas, cruzando-as sobre uma mesinha de centro era o Dark Knight Commander, também chamado de Dark General, Viksul Ur Shasta.

Embora fosse humano, era uma figura extremamente imponente. Naturalmente seu físico não podia ser comparado com um dos gigantes, por exemplo. Mas sua altura era tão grande quanto.

O cabelo negro era curto e o bigode em sua boca, bem aparado. Seu torso cheio de músculo estava coberto apenas por uma simples camisa de linho, com os botões parecendo prestes a se abrirem no peitoral.

Aos olhos de Lipia, era um corpo perfeito, como se tivesse sido esculpido pelos deuses. Quem o visse, jamais pensaria que estava na casa dos quarenta anos. Poderiam até achar que aquela constituição era algo natural, porém, poucos sabiam da excruciante carga de treinamento ao qual passava diariamente e que com a posição de liderança entre os cavaleiros finalmente alcançada, só o fez aumentar o ritmo.

Lutando contra o impulso de saltar sobre aquele peito o qual não o via desnudo há três meses, a mulher tranquilamente sentou no sofá diante de Shasta.

Endireitando sua postura, o homem pegou uma das duas taças sobre a pequena mesa e alcançou para Lipia, enquanto com a outra mão, rompia o lacre da garrafa de vinho que estava ao lado.

“Lancei mão de uma dessas garrafas da adega, quando soube que vinha. Esperei até que pudesse beber junto com você.”

Serviu o líquido escarlate enquanto dava uma piscadinha com um olho de maneira levemente brincalhona, como quase ninguém nunca o via.

“M-Muito… obrigada, Sua Excelência!”

“Quantas vezes já disse para não falar assim quando estamos só nós dois?”

“É que… ainda estou em missão e…”

Suspirando levemente, Shasta deu de ombros fazendo sinal com a cabeça para que ela prosseguisse.

Lipia virou a taça de uma só vez em sua boca, saboreando aquele maravilhosos vinho. Sentiu como se sua Vida, desgastada pela longa viagem, retornasse um pouco para seu corpo lentamente.

“E então?”

Girando a taça em seus dedos, o Knight Commander continuou sua pergunta suavemente.

“Que assunto tão sério é esse que a fez enviar informações sobre sua vinda através do seu familiar subordinado?”

“Bem…”

Lipia correu o olhar para à esquerda e depois ara direita antes de inclinar-se para frente.

Shasta era um homem de mente aberta, porém, ao mesmo tempo prudente. Múltiplas camadas de artes defensivas haviam sido ativadas naquele quarto e nem sequer a guilda dos usuários de Dark Arts, daquela bruxa, poderia escutar o que ali era proferido.

Entretanto, apesar de estar ciente disso, ela não pode evitar de sussurrar tal o nível de importância da informação que carregava.

Olhando fixamente os olhos negros de Shasta, Lipia fez seu reporte.

“A Alto Ministro da Igreja Axiom do Mundo Humano… morreu.”

Os olhos do Dark General arregalaram-se imediatamente.

Depois de um grande suspiro, o homem falou:

“Questionar a veracidade disso… seria um insulto para você, não é? De maneira que não duvido dessa informação, mas… ainda assim… só de imaginar que aquele ser imortal…”

“Sim, entendo seu espanto. Eu mesma custei a acreditar. Por isso fiquei uma semana confirmando se isso era verdade. Contudo, parece que não há erros. Escondi insetos espiões na Catedral Central e acabei descobrindo que era verdade.”

“Que atitude ousada, se tivessem rastreado sua arte, você seria despedaçada antes que pudesse escapar da capital com a evidência.”

“De fato. Porém, só pelo fato de não conseguirem detectar minha arte, já era mais um indício de que a informação era verdadeira.”

“Hmmm…”

Colocando na boca uma segunda dose de vinho, Shasta baixou o rosto.

“Quando aconteceu? E qual foi a causa da morte?”

“Aproximadamente meio ano e…”

“Meio ano? Exatamente o período em que a vigilância da cordilheira ficou menos rígida.”

“Sim e quanto a causa da morte da Alto Ministro… ainda que seja difícil acreditar, mas parece que foi por uma espada…”

“Uma espada…!? Alguém foi capaz de cortar aquela existência imortal com uma simples espada…!? Você tem MESMO certeza disso?”

“Também fiquei estupefata.”

Lipia sacudiu a cabeça diante do emudecido Shasta.

“De qualquer forma, talvez o boato de que ela fosse realmente imortal, deva ter sido superestimado. Um engodo para firmar a imagem de divindade da Alto Ministro diante seus inimigos. É provável que aquele ser estivesse no final de sua longa Vida…”

“Bem… vamos deixar esse assunto de lado por hora. É melhor focar no fato de que ela está morta. A Alto Ministro, a Administrator não mais existe…, não é?”

Shasta fechou os olhos e cruzou os braços antes de voltar a apoiar-se no sofá.

Um momento de silêncio imperou no quarto antes que suas pálpebras abrissem novamente.

“Então, essa é a nossa oportunidade.”

Lipia ficou imediatamente confusa e perguntou com a voz um pouco esganiçada.

“Oportunidade? De quê?”

A resposta foi praticamente automática.

“Da única coisa que realmente importa… da paz.”

Essa era uma frase muito perigosa, ainda mais sendo proferida dentro daquele palácio. Só com essa simples sentença, o ar à volta pareceu pesar, dando a impressão de ter ficado viscoso, difícil de respirar e se locomover. O som da voz do comandante que desencadeou essa sensação que só se dissipou quando a reverberação causada por suas potentes cordas vocais cessou.

“Você… crê realmente… que isso seja possível, Sua Excelência…?”

Shasta olhou para o líquido vermelho em sua taça e assentiu lenta e profundamente em resposta ao sussurro quase inaudível de Lipia.

“Se é possível ou não, isso é nós que decidiremos.”

Bebeu o vinho em um único movimento.

“A vida do Grande Portal, que tem separado o Mundo Humano do Dark Territory desde os primórdios da criação, finalmente está chegando ao fim. Os exércitos das cincos raças da escuridão são como uma enorme caldeira prestes a explodir dentro do mundo dos humanos. Querem invadir o lugar onde a luz do sol é abundante e a terra é fértil e saudável. O Conselho dos Dez Lordes é uma grande desordem. Estão apenas interessados em como vão dividir as terras, tesouros e quantos escravos irão fazer… tudo graças à incorrigível avareza que têm…”

Lipia também baixou o rosto diante das francas e duras palavras de Shasta.

A diferença do Mundo Humano era seu grande e complexo códigos de leis e conduta chamado de Índice de Tabus. Ao passo que o Dark Territory existia apenas o conceito de o mais forte prevalecer sobre tudo, ou seja, tudo limitava-se a saquear e matar.

Diante disso, a vontade de Shasta era algo extremamente raro. Promover a paz com o Mundo Humano era algo impensável para os outros nove lordes, cujas intenções não passavam de desejos cheios de luxúria, ódio, ganancia e guerra, procurando apenas uma chance de subir ainda mais ao poder.

Entretanto, a estranha peculiaridade desse homem era o fator que mais contribuía para a infinita atração que Lipia sentia. Ao contrário das mulheres dos outros lordes, ela não havia de forma alguma o seguido ou feito nada contra sua vontade.

Parecendo não estar consciente da imensa devoção de sua amante, Shasta continuou com suas palavras em tom solene.

“Contudo, os lordes pensam que os humanos são seres sem nenhum recurso, o que é bem ao contrário. Aí está a Ordem dos Integrity Knight que protegem o Mundo Humano por mais de trezentos anos.”

Lipia concordou com a cabeça ainda baixa.

“Sim… suas habilidades são… extraordinárias.”

“Cada um deles em combate podem cuidar tranquilamente de mais de mil de nossos guerreiros. É só contabilizar o número de baixas entre os Dark Knight em toda sua existência. O manejo com a espada, o poder de seus instrumentos sagrados não tem igual…

Nem sequer eu consegui vencer um deles até hoje. Por mais que tenha os encurralados diversas vezes… um deles em especial…”

“Mas isso é… por que eles usam aquela estranha habilidade que liberam chamas ou luzes de suas espadas…”

“Sim, o Armament Full Control Art… A divisão de pesquisa da nossa ordem ainda não conseguiu nenhuma informação útil a esse respeito, mesmo depois de tantos anos de investigação. Nem cem soldados goblins treinados podem enfrentar uma só invocação dessas artes…”

“E falando em números… nossas forças somam aproximadamente cinquenta mil, enquanto que eles mal passam dos trinta Integrity Knight. Será que a chave não está aí? Vencê-los em quantidade…?”

Shasta brincou com a ponta de seu bigode enquanto observava Lipia falar.

“Eu acabei de dizer que cada um deles dariam cabo de mil dos nossos, não é? Seguindo essa lógica, perderíamos trinta mil dos nossos…”

“Bem… eu não cheguei a pensar a fundo… nisso”

“É natural pensar assim. Ainda que não se deem muito bem comigo, mas uma estratégia com todos nós, da Ordem dos Dark Knight, com a retaguarda sendo constituída pelos ogros e gigantes, os flancos por conta dos usuários de Dark Arts, poderíamos realmente esgotar inclusive os poderosos Integrity Knight. Entretanto, as baixas que sofreríamos antes que o último guerreiro sagrado caia…

Trinta mil é um número muito elevado para se ignorar, se conseguíssemos garantir a metade disso, já poderia cogitar como sendo algo viável.”

A taça de cristal foi colocada sobre a pequena mesa produzindo um singelo tilintar.

Mostrando um sinal negativo com a mão para Lipia que fazia menção de encher sua taça novamente, Shasta voltou a se recostar no sofá.

“Caso um plano desses fosse posto em prática, o que se seguiria no pós-guerra seria um grande desequilíbrio entre as forças das cinco raças de nosso território. O Conselho dos Dez Lordes perderia todo seu propósito, jogando os acordos de paz e convivência pacífica no lixo.

E então, aquele período antigo, a era de Sangue e Ferro de cem anos atrás, voltaria a reinar. Não, será ainda pior, pois depois de tudo, a porta que protege o vasto campo de ‘nectar sem fim’, o Mundo Humano, estará escancarada, fazendo eclodir guerras e mais guerras para ver quem irá ser o detentor dos direitos sobre o território de lá… e algo assim dificilmente teria fim… nem mesmo em centenas de anos…”

Esse era o maior temor de Shasta, muito mais do que a disputa atual dos territórios, mais do que intrigas ou traições recorrentes. Evitar um cenário assim para o futuro de sua gente era o principal intuito desse homem.

Lipia ficou pensando de onde surgira um pensamento daqueles. Sempre que falava do futuro, vez ou outra Shasta repetia esse mesmo discurso. Ele era o único dentre os lordes do conselho a pensar que esse seria o pior dos futuros, na verdade, muitos deles pensavam que isso era o ideal.

Lipia ficou observando o brilho de sua pesada armadura negra que lhe fora concedida no momento de sua nomeação como cavaleira. Era seu motivo de orgulho, seu estandarte. Por isso, sempre a polia perfeitamente como se fosse um ato de reforçar seus próprios sentimentos.

Lipia provavelmente nunca teria chegado a ser um cavaleiro na era de Sangue e Ferro. Certamente seria vendida como escrava ou abandonada à própria sorte em algum lugar de sua cidade natal, sendo atacada, violentada e morta, terminando assim sua curta vida nesse mundo.

Contudo, graças ao tratado de paz entre as raças, ela pode entrar na escola de cadetes ao invés de ser vendida em um mercado de escravos e descobrir sua aptidão inata e até então adormecida com a espada, o que lhe rendeu uma alta posição na hierarquia dos guerreiros, mesmo sendo apenas uma humana.

Depois de se transformar em uma cavaleira, liderou de maneira incógnita algo similar à uma equipe especializada de proteção que cuidava de crianças abandonadas por seus pais, órfãs ou mesmo as que foram vendidas para pagar outras dividas e que estavam espalhadas em áreas remotas do Dark Territory onde o tráfico de escravos ainda era generalizado.

Ela nunca informou Shasta desse fato e muito menos aos seus colegas cavaleiros. Pois ela sequer conseguia explicar porque fazia aquilo.

Ainda assim…

No fundo de sua mente, sentia como se algo estivesse errado com essa terra por deixar que o sentido de força sobre os mais fracos fosse a palavra de ordem.

Infelizmente, não tinha sabedoria suficiente para colocar o que sentia em palavras, diferente de como Shasta fazia com seus sentimentos. Porém, sabia que deveria ter outra forma de encarar as coisas, uma maneira ideal e correta que se encaixaria perfeitamente no Dark Territory… não, melhor dizendo, algo que servisse para todo Underworld, incluindo o lado humano.

Por isso, tinha certeza de que esse ‘novo mundo’ só se tornaria realidade depois que Shasta conseguisse promover a sua paz. Para tanto, ela deveria se tornar o pilar de sustentação para esse homem como sua mulher.

Porém…

“Mas Sua Excelência, como planeja persuadir os outros lordes? E também… será que a Ordem dos Integrity Knight aceitará negociações de paz conosco?”

Lipia perguntou de maneira submissa.

“Humm…”

Shasta fechou os olhos por um momento e remexeu em seu bem aparado bigode com a mão direita. Pouco depois, uma voz um tanto amargurada saiu de seus lábios.

“Vejo potencial nos Integrity Knight, pois com a queda da Alto Ministro, quem tomará as rédeas da situação, certamente será o velho Bercouli. Embora ele seja uma raposa astuta, creio que me escutará o que tenho a dizer. O problema maior seria mesmo com… o Conselho dos Dez Lordes… ali, talvez o assunto se torne… contraditório…”

Levantando suas pálpebras, seus olhos ocultavam uma luz perigosa enquanto fitavam o ar.

“Creio que a solução será matar a todos… ou no mínimo quatro deles.”

Conseguindo falar em meio àquela densa atmosfera formada pela imensa pressão, Lipia conseguiu perguntar com a voz entrecortada.

“Quatro…!? Suponho que o senhor esteja se referindo aos dois chefes goblins, o chefe orc e…”

“A líder da guilda dos usuários das Dark Arts. A mulher que deseja obter o segredo da imortalidade da Administrator e eventualmente usar isso para ascender ao trono do imperador. Aquele tipinho nunca concordará com a paz.”

“M-Mas…!”

Lipia tentou formular uma frase em meio à angústia crescendo em seu peito.

“Isso é muito perigoso, Sua Excelência! Os chefe dos goblins e orcs não são rivais para você… mas nem consigo imaginar os tipos de truques que a usuária de Dark Arts pode utilizar!”

Shasta manteve o silêncio por um curto período de tempo após Lipia dizer essas palavras.

O que respondeu a seguir, foi completamente inesperado.

“Ei, Lipia! Por quanto tempo tem estado ao meu lado?”

“Hã?…Bem… erm… eu tinha vinte e um… então, creio que aproximadamente, quatro anos?”

“Já passou tudo isso…? Perdoe-me por mantê-la tanto tempo afastada em missões. Creio que tenho que me redimir e achar um tempo… só para nós.”

E fazendo uma leve carícia em sua cabeça, o Dark Knight Commander falou de maneira um pouco grosseira, porém, sincera.

“Ainda não te fiz minha esposa, não é? Só peço desculpas por já estar tão velho para você”

“S-Sua Excelência…!?”

Lipia ficou sem palavras e com seus olhos arregalados…

Sentiu uma espécie de dor que explodia dentro de seu coração, fazendo-o prestes a saltar de sua caixa torácica e cair no colo de seu amado do outro lado da mesa.

Nesse instante, uma voz aguda veio do lado de fora da grossa porta de entrada do quarto.

“É uma emergência!! Uma emergência!! Aah!! Como isso foi acontecer? Todos os lordes, venham depressa!! Rápido!!”

A voz vagamente familiar parecia vir de um dos dez lordes, o líder da guilda responsável pela economia do governo.

Os gritos roucos que não ajudavam em nada a imagem de um homem em sua posição elevada que residia nas lembranças de Lipia continuaram pelos corredores.

“É uma emergência séria!! A s-sala do trono!! As correntes que a selam… estão se quebrandooooo!!!”

 

 

 

 

 

 

OPA!! CHEGOU MAIS UMA GALERA DESSE NOVO MUNDO ABERTO CHAMADO DARK TERRITORY.

MAS E AÍ? JÁ OUVIRAM AQUELA: “DE BOAS INTENÇÕES O INFERNO ESTÁ CHEIO” ? POIS É, TEMOS AÍ UM CASO CLÁSSICO.

O EQUIVALENTE DE BERCOULI, O QUÃO FODÃO É ESSE CARA E SUA DEVOTADA AMANTE?

O BICHO VAI PEGAR LINDAMENTE!

 

BUENO, CONVERSINHA RÁPIDA.

PASSEI UM “MARAVILHOSO” FINAL DE SEMANA SEM LUZ DEVIDO AOS ESTRAGOS DO TEMPORAL QUE HOUVE AQUI… PRONTO! ERA ISSO!

JANTARES ROMÂNTICOS SOB A LUZ DE VELA, BANHOS GELADOS… UMA DILIÇA T_T…

VAMOS VER O QUE A RODA DAS SACANAGENS DESSA SEMANA ME RESERVA, JÁ CHEGA DE TIRAR 1 NESSE DADO… QUERO MINHA MÃE…

 

ATÉ MAIS!

 

OBS.: DEI UMA ARRUMADINHA NA IMAGEM DA TORTUGUITA DO OCEANO ONDE ESTÃO ASUNA, KIRITO (quem estou? onde sou?) E SENHOR GABRIEL.

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Musiquinha diferenteca para os novos participantes, me lembra muito quando abre o mapa mundial dos antigos Final Fantasy!!

  • Thiago Passos

    “Janteres românticos sob a luz de velas e banhos gelados”, Kkkkkk, rachei. No meu caso foi só banho gelado mesmo.

  • Leonardo Borba

    Aposto que tu é de poa também! Foi feia a coisa por aqui, já eu, no caso, nem banho tomei