Sword Art Online Alicization – Invading – Capítulo 15 – Parte 2

Arco: Sword Art Online Alicization – Invading

Parte 2Sword Art Online Alicization Underworld - Alice e Amayori- Volume 15

O vigésimo segundo dia do décimo mês que veio, foi o mais frio de todos neste outono.

Cancelando o passeio usual, ela preferiu deixar Kirito em frente à lareira.

Para que não sofressem com a baixa temperatura nesse e nos próximos dias do inverno vindouro, ela pensou em estocar madeira como o velho Garitta havia lhe ensinado, entretanto, agora não parecia mais haver necessidade para isso.

Depois de levar o dia todo para escrever somente duas cartas, Alice ficou em dúvida em como iria assinar, se como Synthesis Thirty em língua sagrada ou Schuberg em língua comum.

Ela dobrou cuidadosamente uma delas direcionada para Selka em formato de pergaminho e deixou a outra sobre a mesa para o velho Garitta.

As cartas continham despedidas e desculpas. Não podia permanecer nessa casa agora que o Integrity Knight Eldrie sabia dela. O próximo a vir lhe visitar com toda a certeza seria o Knight Commander Bercouli, que ao contrário do seu pupilo, não teria nenhuma autoridade sobre ele, já que era seu mestre e benfeitor o que acarretaria em uma conversa muito difícil.

Portanto, tinha que ir embora o mais rápido possível.

Um pequeno, porém, longo suspiro saiu de Alice antes de erguer seu rosto e olhar para o jovem sentado no lado oposto da mesa.

“E então Kirito? Onde você quer ir? Ouvi que as montanhas ao sul tem vistas maravilhosas. Ou quem sabe as florestas de lá? Parece que o clima é bem tropical o ano todo e tem muitas frutas saborosas.”

Apesar da voz cheia de entusiasmo, Kirito como sempre, mostrava-se indiferente.

Seus olhos vazios continuaram perdidos em algum lugar sobre a mesa. Seu coração doía ao saber que tinha que forçá-lo em uma viagem difícil mais uma vez.

Entretanto, não podia deixá-lo em Rulid. E tampouco poderia sobrecarregar Selka, que ainda era uma aprendiz, com um fardo tão pesado como esse. Sem falar que cuidar de Kirito era a única razão que a mantinha lúcida e com vontade de viver.

“Entendi. Vamos deixar nosso destino com Amayori, iremos onde ela quiser ir. E agora, creio que é melhor você ir deitar, afinal, madrugaremos amanhã.”

Alice trocou Kirito e o colocou na cama e em seguida botou seu pijama também e foi-se aconchegar ao seu lado sob o cobertor.

Ficou atenta no ritmo de sua respiração e quando ele entrou em sono profundo, apoiou a cabeça em seu peito quase esquelético e ficou ouvindo seus batimentos cardíacos.

O coração do rapaz não estava mais ali, de maneira que esses batimentos não eram mais do que ecos do passado que se mexiam mecanicamente sem nenhuma ordem sobre seus movimentos. Entretanto, ela se negava a acreditar piamente que isso era verdade, pois sentia que havia algo mais profundo por trás de cada palpitar.

Sim, Kirito só havia perdido sua capacidade de se expressar. Certamente ainda se mantinha pensando em algum lugar, de outro modo, como justificar seu comportamento em face a muitas situações? Ainda devia existir algo preservado, selado dentro dele em algum lugar.

Alice afundou-se superficialmente em um sonho enquanto aparecia um pequeno sorriso em seus lábios.

Surpreendentemente, ela sentiu um leve tremor daquele corpo junto ao seu.

Rapidamente abriu sua pesada pálpebra esquerda sonolenta. Olhou o garoto imóvel e depois para a janela, porém, o céu continuava escuro. Achou que tivesse tido um sonho e que provavelmente, já estava adormecida há umas duas ou três horas.

Então, sussurrou para o garoto que estremeceu levemente uma vez mais.

“Ei, acalme-se! Ainda está noite… durma um pouco mais…!”

Ela moveu seu olhar para baixo e pensou em sair do peito de Kirito, achando que ele talvez estivesse se sentindo incômodo e por isso estava relutante em voltar a dormir. Porém, ela finalmente notou o comportamento anormal quando sua voz chegou aos ouvidos.

“Ah…! Aaah!…!!”

“Kirito…!?”

Em seu estado atual, o garoto não possuía nenhum requerimento adicional durante a noite. Nunca despertava ou reclamava, não importasse o quão frio ou quente estivesse fazendo ou se estava com fome, sede ou outra necessidade fisiológica. Mas ainda assim, o jovem estava agora apresentando um tremor nunca manifestado antes, ficando mais forte a cada instante, fazendo menção como se quisesse deixar a cama.

“O que houve? O que você tem…!?”

Alice se ergueu, ficando sobre ele, pensando que talvez ele estivesse, de algum modo, recuperado a consciência. Sem querer perder tempo levantando e acendendo a lamparina, gerou rapidamente um elemento luminoso.

Ela suspirou decepcionada ao ver somente o usual vazio negro dentro de seus olhos… porém… se ele estava sem alterações, o que eram esses tremo-…?

O som que Alice escutou antes de terminar seu pensamentos dessa vez veio do lado de fora da janela.

Eram gritos.

Gritos muito altos que vinham da garganta de Amayori, quem também deveria de estar dormindo no lado da cabana. Seus lamentos eram agudos e penetrantes como se estivesse tentando alertar sua mestra.

Saltando como um raio para o chão, Alice correu para a sala e escancarou a porta da frente. O ar frio da noite a atacou imediatamente.

Um estranho odor estava mesclado com o vento que normalmente se mostrava fresco e puro. Algo que atingia profundamente suas narinas… como se estivesse… queimando…

Mesmo descalça, saltou para o pátio da frente. Respirou fundo dando voltas, tentando rastrear algo no céu escuro.

Não precisou buscar muito pois logo percebeu que o céu do leste estava em chamas.

O resplendor luminoso de um vermelho alaranjado indicava algo semelhante às antigas histórias que retratavam a dimensão infernal. Aguçou a visão de seu único olho e captou diversos focos de nuvens pretas subirem em direção ao céu estrelado.

“Um incêndio florestal!?”

Alice perguntou em voz alta, porém, logo se corrigiu. Pois, além dos sinais de fogo, o vento carregava leves ruídos metálicos e… gritos.

Um ataque inimigo.

O que ela temia aconteceu, as forças do Dark Territory possivelmente estavam atacando a vila de Rulid.

“SELKA!!”

Gritou com a voz rouca enquanto voltava rapidamente para dentro da casa. Entretanto, ela congelou no instante em que ultrapassou o marco da porta de entrada.

Tinha que salvar sua irmã e seus pais…mas, o que iria acontecer com os outros habitantes?

Se usasse todas suas energias para salvar os aldeões, certamente teria que enfrentar os seres do Dark Territory cara a cara. Mas em seu atual estado, será que conseguiria?

A origem da força da Integrity Knight Alice era sua lealdade quase cega para Igreja Axiom e à Alto Ministro. Agora que havia perdido isso junto com seu olho direito, poderia ter confiança suficiente para brandir sua Fragrant Olive Sword e usar as artes sagradas?

Enquanto estava parada sem saber o que fazer, seus ouvidos captaram um som estranho dentro da cabana.

Seu olho esquerdo se abriu amplamente. Uma cadeira tinha acabado de cair no meio da sala escura e ao lado dela, um jovem de cabelos negros se arrastava pelo chão.

“K-Kirito…!”

Alice enfim conseguiu mover as pernas paralisadas e correu para o centro da sala.

A luz da determinação que outrora sempre esteve em seus olhos, realmente não estava lá. Porém, mesmo nesse estado, com movimentos lentos e um tanto perdido, Kirito estendia seu único braço até as três espadas na parede.

“Kirito… você…”

Algo quente que estava preso em seu peito e garganta fluiu e antes que se desse conta, sua visão ficou borrada de lágrimas.

“Ah… aah…!!”

Kirito se arrastava sem parar enquanto sua voz rouca e arranhada escapava desesperadamente em direção às espadas.

Alice limpou o rosto e correu até o jovem, levantando o frágil corpo do solo.

“Não tem com o que se preocupar… deixe tudo comigo! Irei salvar os aldeões por você. Por favor, sente-se e me espere, está bem?”

Sussurrando isso rapidamente, Alice abraçou-o.

Conseguiu ouvir alto e claro os fortes batimentos cardíacos do rapaz.

Uma inabalável força de vontade sem dúvida estava por trás de cada batida mesmo com seu coração selado. E ainda que restassem apenas brasas do que antes era uma fogueira de sentimentos ao qual todos se acercavam procurando abrigo, Alice foi aquecida por aquele corpo magro e debilitado.

Após sentá-lo, pegou suas bochechas entre suas mãos e olhou dentro de seus olhos.

“Estarei de volta tão logo os tenha salvado.”

Disse novamente para depois pegar sua armadura e o cinturão da espada de dentro do armário onde tinham estado guardados desde que havia chegado naquela casa. Colocou sua indumentária por cima do pijama e correu para o canto da parede, agarrando sua fiel companheira sem pestanejar.

A Fragrant Olive Sword pela primeira vez voltava para suas mãos depois de meio ano. Colocando o broche de metal, afivelando seu cinturão e pegando suas botas junto com uma manta, foi rapidamente para o jardim.

“Amayori!!”

Uma gigantesca silhueta surgiu voando da sua cama de palha, baixando a cabeça após ouvir o grito de sua mestra.

Alice ordenou com a voz poderosa logo após jogar a manta sobre si e saltar sobre a base de seu pescoço.

“Vamos!”

O par de asas prateadas bateu fortemente e o dragão voador se precipitou para os céus após curta caminhada.

Daquela altura, conseguia ver claramente a catástrofe que caiu sobre Rulid. Grandes chamas tomavam conta de todo o lado norte da aldeia.

Os agressores provavelmente vieram do Dark Territory atravessando a cordilheira.

Eldrie havia dito que não tinha nenhuma anormalidade na caverna do norte, após vistoriá-las a mando de Bercouli, noite passada. E segundo seu pupilo, o entulho na entrada da passagem era tarefa para no mínimo vinte guerreiros de grande força física trabalhando ininterruptamente. De maneira que se eles estão aqui, no lado humano, o contingente mobilizado para abrir a passagem deve ter sido muito grande.

Ou talvez, os relatos antigos se fizeram verdade, que várias pequenas unidades vinham se introduzindo silenciosamente noite após noite, aguardando calmamente no território inimigo o momento certo para agir.

Kirito e Eugeo haviam afirmado isso também, que tinham lutado com um grupo de goblins na caverna do norte muito antes de chegarem à capital.

Contudo, ela nunca tinha ouvido falar de um ataque tão ostensivo até agora. Isso por si só, já demonstra que os seres das terras escuras devem estar se sentindo confiantes com a iminência do grande ataque ao Mundo Humano a acontecer.

Amayori sobrevoou rapidamente a floresta, alcançando os campos de trigo em um piscar de olhos enquanto Alice pensava sobre tudo que estava acontecendo.

Ela não utilizava mais nenhuma arte de comando para sua criatura, porém, o dragão lhe atendia prontamente a qualquer ordem dita enquanto tocava suavemente sua nuca.

A garota inclinou seu corpo e analisou o estado da aldeia. A rua principal que cruzava de um lado ao outro em direção ao norte, brilhava em vermelho, inundada com as chamas, criando sombras dos seus atacantes.

Hábeis em espalhar o caos, os goblins corriam por toda a parte em frenesi com seus companheiros orcs gigantes avançando sobre tudo.

Um bloqueio improvisado fora construído com móveis e tocos de madeiras no norte da praça central, porém, a vanguarda dos goblins já havia chegado ali girando seus facões desembainhados, golpeando e varrendo partes da barreira para os lados sem problema algum.

Os que estavam oferecendo resistência era o corpo da guarda da aldeia. Entretanto, era certo que logo seriam superados pelos goblins, fosse em número ou em experiência em combate.

Naquele ritmo, levaria apenas alguns instantes até que a unidade dos orcs, que causavam tremores no chão como um estouro de boiada, chegasse até eles vinda por trás e os pulverizassem.

Contendo seu desejo de cair no meio da batalha, ela se limitou a averiguar toda a situação.

As chamas continuavam se alastrando, mas pelo visto, ainda não tinham chegado ao lado sul da praça. Fora os guardas, os outros aldeões, incluindo Selka, com certeza já deviam ter fugido pelo portão do sul e escapado para a floresta.

Alice voltou sua atenção novamente para o centro da praça com esse pensamento quando…

“Por que…!?”

Várias silhuetas estavam amontoadas rodeando a igreja. Devido às imensas chamas, não tinha notado a presença delas até aquele momento. Eram praticamente, senão todos, os habitantes de Rulid reunidos em um único lugar.

“Mas porque eles não escaparam!?”

Os guardas certamente seriam mortos em poucos instantes assim que a força principal do ataque atingisse o bloqueio. Mesmo com um pouco de resistência, a presença dos guardas possibilitariam a fuga dos civis. Independente de como via a situação, sabia que alguém tinha feito uma péssima escolha.

Em todo o caso, tinham que começar a se afastarem ou seria tarde demais.

Alice deu um pequeno tapinha no pescoço do dragão e falou outra vez, apontando para o centro da praça.

“Amayori, me espere aqui até que eu a chame!”

Sem ao menos pensar, saltou de uma altura de várias dezenas de mels. Seu vestido esvoaçava violentamente conforme caía, cortando o frio do ar noturno.

Os aldeões que somavam mais ou menos trezentos, se acomodaram em um círculo se preparando para lutar. Haviam homens do campo com seus machados, enxadas, foices e paus, todos em riste esperando o início do combate.

Alice aterrissou justamente ao lado de dois homens que disparavam ordens para todos os lados.

O pavimento de pedra rachou e afundou em um padrão radial produzindo um rugido absurdo.

O choque em seu corpo foi tão intenso, que sua Vida certamente tinha descido um bocado, porém, não se importou nenhum pouco.

Os dois homens, o rico fazendeiro Nygr Barbossa e o chefe da vila, Gasupht ficaram instantaneamente sem fala ao verem o que tinha acabado de acontecer.

Mesmo que em seu peito tenha se entristecido ao ver o rosto de seu pai, logo se recuperou para tomar vantagem do repentino silêncio que se assomou e gritar:

“Não serão capazes de detê-los aqui! Evacuem todos os aldeões pelo caminho ao sul! Rápido!!”

O choque aumentou nos rostos dos dois homens quando escutaram as instruções de Alice.

Porém, o que saiu da boca de Nygr logo em seguida, foi uma frase incompatível com o momento desesperador.

“Não seja estúpida!! Como poderemos abandonar a minha mansã-… digo.. essa vila?”

Alice respondeu com as veias em sua testa saltando de ira.

“Ainda há tempo de escapar dos goblins. O que é mais importante? Sua riqueza ou sua vida!?”

Respondendo no lugar de Nygr que limitou-se a grunhir, Gasupht falou de maneira tensa.

“Fortalecer nossas defesas em uma formação circular foi a instrução que recebemos do chefe da guarda, Jink. Em horas como essa, mesmo sendo o chefe da vila, tenho que acatar as ordens do corpo militar. Essa é a lei imperial!”

Alice foi a pessoa a ficar sem fala dessa vez.

Durante as emergências, a tarefa sagrada de chefe da guarda recebe temporariamente o maior poder dentro do povoado, com a autoridade de comandar todos seus habitantes no lugar do líder usual. Esse certamente era das principais leis do Império Norlangarth.

Contudo, o chefe da guarda, Jink, era um jovem que apenas recentemente tinha recebido sua tarefa sagrada de seu pai. Era muito improvável que pudesse manter a calma e assumir o comando diante circunstâncias tão anormais quanto essa.

A ansiedade estampada no rosto de Gasupht mostrava que ele também pensava isso, apesar de seu instinto de dever se sobrepor aos seus sentimentos.

Dito isso, as leis do império eram absolutas para os aldeões. Ela só podia tentar convencer Jink, que estava comandando a linha defensiva mais ao norte da praça, em emitir a ordem de retirada para que a evacuação efetivamente acontecesse, porém, estava mais do óbvio, que não dispunha de tanto tempo.

“Temos que fazer isso…!”

A voz decidida que foi imediatamente reconhecida por Alice, a fez congelar.

“Vamos fazer o que a maninha disse, papai!!”

Olhando com uma pontada no coração, viu sua irmã menor ajudando as pessoas que estavam queimadas usando artes curativas.

“Selka…!”

‘-Graças aos deuses ela está bem’, Alice pensou enquanto dava um passo adiante e era interceptada por sua irmã mais nova em um grande abraço.

Depois de mostrar um breve sorriso à Alice, a expressão de Selka ficou tensa ao virar e falar diretamente com Gasupht.

“Pai, alguma vez a minha irmã se enganou? Você, melhor do que ninguém deve saber disso. Vamos todos morrer se as coisas continuarem como estão!”

“Mas… mas ainda assim…”

Gasupht murmurou com uma expressão dolorida. Seu bigode, tingido de branco, estremeceu levemente e seu olhar se modificou de diversas maneiras até mergulhar no vazio.

Tomando o lugar do chefe da vila que tinha ficado sem palavras, Nygr Barbossa vociferou novamente cheio de raiva.

“Esse não é o lugar para uma menininha se intrometer!! Temos que proteger a vila!!”

Seus olhos esbugalhados fitavam de relance a mansão dos Barbossa construída ao lado da praça. Certamente o que se passava pela cabeça de Nygr era toda a farinha de trigo armazenada nesse outono e nas moedas de ouro acumuladas em todos esses anos.

Voltando sua vista para Alice e Selka, o fazendeiro, de maneira natural, gritou como de costume:

“Sim… Sim! Entendi tudo agora! Foi você quem invocou esses monstros do Dark Territory, não é, Alice? Você foi marcada pelo poder da escuridão desde aquela vez em que cruzou a borda da cordilheira! Sim, você é a culpada! Sua… sua bruxa…!! Ouçam todos! Essa garota é uma bruxa terrível!”

Alice ficou sem fala diante tamanho disparate. Aquelas palavras sendo jogadas para cima dela com o dedo em riste, em tom acusador, parecia um cenário surreal. Suplantando inclusive, o clamor dos aldeões, os choques das armas ressoando logo à frente na fraca linha defensiva e os gritos de guerra dos seres monstruosos se aproximando. Tudo parecia um coro, um cântico do próprio deus da escuridão, zombando da situação.

Desde que começou a viver nos arredores da vila, Alice tinha concluído diversas tarefas de limpeza de terreno, como a derrubada de árvores com grandes níveis de autoridade que ninguém era capaz de arrancar ou arrastar rochas que se viam como impossíveis de mover, tudo a pedido de Nygr.

Esse homem que sempre a pagava devidamente pelos serviços, que até mesmo a tentava para estender seus préstimos, era o mesmo que agora cuspia essas acusações, tudo para proteger sua fortuna e sua família, mesmo que isso acabasse por ceifar a vida de todos à volta…

Como ele era capaz de fazer iss-… !?

Alice desviou o olhar daquele homem desprezível, com desgosto igual ao que tinha a respeito dos orcs e goblins enquanto sussurrava em sua mente.

Que tal se eu deixar tudo por sua conta?

Rangeu os dentes.

Posso simplesmente fazer o que deseja. Pegarei Selka, o velho Garitta, meus pais e Kirito e abandonarei essa vila a sua própria sorte, indo morar em um lugar bem longe daqui.”

Enquanto remoía essa vontade, fazendo uma pressão imensa em seu punho, fechou os olhos por um instante.

Antes de ceder à ira, resolveu pensar sob outra ótica.

Contudo… não posso esquecer que a estupidez de Nygr Barbossa e os demais aldeões foi originada pelas leis idiotas da Igreja Axiom por centenas de anos.

O povo estava de mãos e pés amarrados pelos incontáveis princípios e leis do Índice de Tabus, que lhe concediam uma paz velada, mas que cobravam um preço altíssimo…

A total incapacidade de pensarem por si próprios para poderem lutar.

Onde esse poder imperceptível, roubado das massas por anos e anos intermináveis havia se acumulado?

A resposta? Provavelmente dentro de somente trinta e um Integrity Knight.

Depois de suspirar profundamente, abriu seu olho esquerdo com tamanha vontade, que o ar na volta pareceu crepitar.

O rosto de Nygr ficou pálido na hora. Se foi por medo ou outra coisa que viu no olhar da garota, ficou impossível de saber.

Enquanto isso, Alice começou a sentir uma energia misteriosa brotando em seu peito. Um poder como uma chama que queimava em branco e azul, muito mais abrasadora do que o fogo comum que tomava conta da aldeia.

Era o poder que achou ter perdido desde o final da batalha na torre da catedral, o mesmo poder que foi em auxílio a Eugeo e Kirito, a força que a fez se rebelar contra a governante mais poderosa do Mundo Humano.

Ao tomar ciência disso, inflou seus pulmões de ar e anunciou:

“Estou revogando a autoridade do chefe da guarda Jink! Ordeno que todos os aldeões reunidos nessa praça corram imediatamente para a floresta ao sul, com aqueles que tiverem algum tipo de armas seguindo à frente e também cuidando da retaguarda.”

Embora seu tom não tivesse nenhuma nota de raiva, temor ou outro sentimento difuso, foi potente o suficiente para fazer o corpo de Nygr, que estava parado em sua frente, dobrar-se imediatamente como se tivesse recebido um soco de uma mão invisível.

Entretanto, podia-se dizer que sua valentia era admirável, pois mesmo após isso, conseguiu responder em um tom consideravelmente alto.

“C-Como…? O que dá esse direito para uma garota que foi expulsa por-…!”

“A autoridade suprema de um Knight!”

“O-O q-que…!? Que diabos seria um Knight!? Essa vila não tem uma tarefa sagrada com esse título. Mesmo que consiga balançar uma espada, fique sabendo que se essa notícia chegar aos ouvidos dos estimados guerreiros sagrados na capital, você e todos aqui estarão em sérios apuros. Ou talvez você esteja insinuando que é um…?”

Alice respondeu friamente à Nygr em meio aos seus gritos com a boca cheia de saliva espumante, colocando a mão esquerda em seu ombro direito e lhe dando uma olhada penetrante.

“Sim eu sou! Meu nome é Alice! A terceira em comando na Ordem dos Integrity Knight da Igreja Axiom, supervisora responsável pela região de Centoria Central. Meu nome completo é Alice Synthesis Thirty!!”

Ela arrancou a manta que cobria seu corpo no momento em que gritava sua apresentação.

Quando o grosso tecido foi retirado, a pesada armadura dourada e a Fragrant Olive Sword resplandeceram intensamente refletindo as chamas ao redor.

“M-Ma-s… ! Um Integrity Knight…!!??”

Nygr caiu sentado enquanto olhava para cima com a voz esganiçada. Os olhos de Gasupht também estavam arregalados ao limite.

A proclamação do nome de Alice não poderia ser uma invenção. Depois de tudo que estavam vendo, não poderiam fazer nada para contestar um Integrity Knight, pois as regras não permitiam nenhuma desobediência para com eles, pois seria o mesmo que ir contra a própria Igreja Axiom.

Kirito e Alice provavelmente eram os únicos que eram capazes de fazer algo assim. Mesmo com Alice tendo guardado sua espada por todo esse tempo, nenhuma autoridade sobre sua posição fora perdida ou revogada, mesmo ela tendo ficado tanto tempo afastada da capital central.

Os aldeões, até então em polvorosa gritando ofensas, também caíram em silêncio. Até o sons das espadas colidindo nas linhas defensivas pareceu diminuir.

O que quebrou o momento foi o sussurro de Selka.

“…Ir… mã…?”

Levando seu olhar até sua irmã mais nova que estava com as duas mãos sobre o peito, Alice sorriu gentilmente.

Gotas de lágrimas surgiram nos olhos de Selka após ouvir aquela declaração.

“Minha irmã… eu sempre acreditei em você. Sabia que não era uma criminosa. Nunca que alguém tão bondosa e especial como você… iria… iria…”

Enquanto sua filha menor seguia falando, Gasupht se aproximou.

Ajoelhando-se no chão de pedra com um baque firme, o chefe da vila gritou com a voz arranhada enquanto mantinha o olhar para baixo.

“Que seja feita a sua vontade, estimada Integrity Knight!!”

Então, levantando-se rapidamente, virou para os moradores e começou a dar ordens claras.

“Todos vocês, de pé! Quem estiver portando algum tipo de arma guiará o caminho, ficando alguns para cobrir a retaguarda dos demais. Corram para o portão do sul!! Quando estiverem fora da vila, escapem para a floresta que fica além do terreno recém-aberto pelos Barbossa!!”

Em seguida a ordem, uma grande comoção pegou todos os aldeões de surpresa, paralisando-os. Entretanto, não durou mais do que poucos instantes.

Eles não tinham opção, não podiam desobedecer o que tinha mandado o chefe da vila, ainda mais quando a instrução veio de uma cadeia de comando acima, de um Integrity Knight.

Os homens mais fortes fisicamente começaram a se organizar, colocando mulheres, crianças e idosos juntos para poderem ser retirados primeiro.

Enquanto isso, Alice chamou Gasupht que já estava indo comandar a retirada para trocar algumas rápidas palavras sussurradas.

“Pai, por favor, cuide de todos… principalmente de Selka e de mamãe.”

A expressão dura de Gasupht estremeceu por meros instantes, porém, a resposta foi curta.

“Cuide-se também, estimada Knight.”

Esse pai provavelmente nunca mais chamaria Alice de sua filha outra vez. Isso também era parte do preço a ser pago pelo poder que havia aceitado novamente em receber. Marcando isso em seu coração, Alice empurrou gentilmente as costas de Selka para ir junto de Gasupht.

“Irmã… cuide-se por favor! Não vá fazer nada perigoso!”

Falou Selka.

Alice sorriu enquanto balançava a cabeça em afirmativo para sua irmã menor, cujos olhos ainda estavam cheio de lágrimas e depois virou-se para o norte.

Os aldeões, compreendendo completamente suas ordens, rapidamente foram sumindo da praça em um grande monobloco de pessoas.

“Ah… aah… m-minha mansão…!”

Esse patético gemido veio de Nygr Barbossa, cujo traseiro ainda estava no chão de pedra.

Seu olhar variava entre os aldeões correndo e sua luxuosa residência a qual já estava começando a pegar fogo.

Decidindo deixá-lo escolher sozinho seu rumo, Alice se concentrou na situação da vila.

Conseguiu colocar os moradores em movimento para salvar suas vidas, entretanto, eles eram mais ou menos trezentas pessoas. Uma evacuação completa iria ser demorada até que estivessem fora de risco. E a única linha de defesa já estava com os segundos contados para cair diante do avanço inimigo que vinham tanto do leste quanto do oeste.

O grito desesperado de um jovem soou do lado norte da praça.

“Já não podemos esperar mais. R-Retirada! Retiradaaaa!!”

A voz pertencia ao chefe da guarda Jink.

Ao ouvir isso, Nygr se colocou imediatamente de pé, totalmente recuperado de seu baque inicial, vindo tirar satisfações de Alice, totalmente descontrolado.

“Olhe…! Olhe só isso!! Devíamos ter permanecido na praça e defendê-la! Certa-… certamente eles não nos matarão! Sim, eles provavelmente não irão nos matar, não todo mundo pelo menos…!!”

Alice deu de ombros enquanto respondia calmamente.

“Não precise se preocupar. Agora tenho o espaço necessário para detê-los.”

“Como pode falar isso!? É claro que uma garota, independentemente se é ou não uma Integrity Knight, não irá conseguir fazer frente a tantos demônios!!!”

Nygr ainda continuava gritando ensandecidamente quando as silhuetas dos goblins surgiram nas duas direções, leste e oeste.

Ignorando o fazendeiro mais uma vez, Alice olhou para trás. Uns últimos moradores ainda estavam nos limites da praça deixando-a lentamente, talvez por estarem feridos ou sofrendo paralisia por medo. Porém, estavam longe o suficiente para ficarem fora do raio de ação da mulher cavaleiro.

Decidida a agir sem perder mais tempo, agarrou a nuca de Nygr de maneira firme arremessando-o para a saída ao sul da praça. E usando a mesma mão, apontou para os céus e gritou o nome de seu querido dragão.

“Amayori!!”

Um poderoso rugido ressoou como uma tempestade no ar.

Apontando sua mão direita primeiro para o leste e depois para oeste, gritou mais uma vez:

“Transforme-os em cinzas!!”

O ruído de asa batendo oscilou os ventos como um furacão, apavorando tanto Nygr que ficara imediatamente mudo de tanto pavor quanto as grotescas criaturas humanoide que escancaravam suas bocarras estupefatas com a visão inacreditável.

Um clarão branco azulado piscou no fundo de sua garganta…

“SSSHUBAAAAAAAAAAAAAA!!!!”

Uma explosão brilhante se fez nos céus. O raio de calor foi tão intenso, que ao tocar as pedras da rua, as derreteu como manteiga, transformando tudo em um inferno de fogo e magma diante dos olhos apavorados de Nygr.

O tempo pareceu desacelerar.

As terríveis chamas, inflaram-se e espalharam-se em uma linha muito larga. Os goblins que estavam em seu caminho foram completamente engolidos ou explodidos, lançados ao ar, guinchando de maneira horrenda.

O raio ardente massacrou instantaneamente mais de vinte inimigos enquanto vaporizava a fonte de águas cristalinas do centro da praça em um espesso, branco e escaldante nevoeiro.

Amayori pareceu entrar em frenesi, querendo continuar a queimar tudo, porém, Alice a fez esperar enquanto levava seu olhar para trás.

Nygr, que estava caído no chão crepitante, talvez não conseguindo aguentar o peso da própria pança, olhava para cima como os olhos esbugalhados ao limite.

“C-c-c-c-co-… co.. mo? U-u-um dragão!!??”

Alice estava quase ficando com pena em ver o homem ter quase um colapso nervoso, com suas sobrancelhas retorcendo-se juntamente com a boca quando ouviu passadas se aproximando rapidamente em meio à cortina de vapor.

Os que aparecerem logo em seguida, todos vestidos com armaduras de couro, foram os homens da guarda de Rulid. Ao que parecia, a decisão em bater em retirada naquele momento tinha sido acertada, de maneira que as várias dezenas de soldados estavam em boas condições, com apenas feridas leves.

Sword Art Online Alicization Underworld - Alice e Amayori- Volume 15
Transforme-os em cinzas!!

Um homem com uma grande constituição física, que correu admiravelmente a distância final da barreira até o canto da praça, era o chefe da guarda, Jink. Que ao chegar até o local onde estava Alice, começou a gritar em tom surpreso.

“O-Onde estão todos da aldeia? Eu lhes disse que ficassem aqui e fortalecessem nossas defesas!!”

“Eu os mandei fugir para a floresta ao sul.”

Alice respondeu para ele, que piscou em descrença, como se não tivesse notado a garota até aquele momento.

Começou a olhar em volta, estupefato enquanto gaguejava.

“V-Você… A-A-lice…!?? P-Porque… está…!!?”

“Não há tempo para explicações. Esses são todos os guardas a que dispõe? Não existem mais espalhados por aqui?”

“B-Bem… creio que são… todos… e…”

“Certo! Certo! Então pegue-os e sumam daqui! Fujam para a floresta e … Ah!! Leve Barbossa com você!”

“Mas… mas… eles estão atrás de nós e…!”

Antes que terminasse de falar…

“Giihiii!!!”

Um guincho estranho soou pela praça.

“Aonde!!?? Aonde foram aqueles iumsss brancos!!!???”

Agora, quem corria pelo meio da névoa na praça eram os goblins com suas armaduras compostas de placas grossas e penas longas em suas cabeças, sustentando machados, foices, facões e porretes metálicos em suas mãos.

Olhando rapidamente, Alice reparou que eles pareciam ser de outra tribo, pois tinham uma aparência ligeiramente diferente, com o físico sensivelmente menor dos que os que tinham sido incinerados por Amayori instantes atrás.

Ela olhou-os fixamente enquanto colocava a mão direita sobre a empunhadura de sua preciosa espada.

Os dragões voadores não podiam disparar seus raios sucessivamente. De maneira que tinha que enfrentar os inimigos por sua conta até Amayori acumular elementos térmicos dentro de si mesma para usar no próximo ataque.

Um dos goblins viu Alice que estava equipada com sua armadura dourada e as suas pupilas se dilataram cheio de desejo de sangue, com uma luxuria exacerbada estampada em seu terrível rosto enquanto gritava:

“Gigi!! Uma ium fêmeaaaaaaa!!! Matem-na!! Matem-na e depois a coma!!!”

Encarregando-se tranquilamente da criatura que se atirou em uma investida direta enlouquecida em pleno ar e enquanto ainda levantava seu facão, Alice pensou:

Que poder terrível que me deram. Minha existência em si já é um pecado.

Mas é disso que é feito o corpo de um Integrity Knight!

“Gyaaa!!”

O grande salto que o goblin fez sobre Alice, levando seu facão rapidamente para frente foi interceptado sem nenhum problema por sua mão esquerda. Ainda que ela tenha sentido o impacto imenso através de sua palma desprotegida, nenhum osso se quebrou ou pele fora cortada.

Apertando a lâmina manchada do goblin com seus cinco dedos da mão esquerda, Alice triturou-a como se não fosse nada, semelhante a uma camada de gelo fino.

E antes que os fragmentos dispersados da lâmina tocassem o solo, a Fragrant Olive Sword foi desembainhada por sua mão direita, fazendo praticamente no mesmo instante, um movimento na horizontal através do torso do goblin.

O fortíssimo deslocamento da espada dourada erradicou mais três goblins que vinham se aproximando logo atrás desse primeiro abrindo um vão no meio do vapor quente.

Os globos oculares amarelos dos quatro inimigos se abriram ao máximo enquanto a parte superior de seus corpos abandonavam as inferiores. Eles caíram ao chão sem conseguirem dizer uma só palavra.

Esquivando-se facilmente do sangue jorrado, pensou mais uma vez:

A alto Ministro, a Administrator, estava enganada depois de tudo…”

Suspirou e seguiu pensando.

Reuniu todo esse poder em somente trinta Integrity Knight e os fizeste ser suas marionetes sem vontades. Pensou em utilizar toda essa força, que originalmente deveria ter sido dividida para as pessoas do Mundo Humano, em proveito próprio. Entretanto, essa energia foi mal distribuída, servindo apenas para enganar e despistar seus donos por direito. Algo parecido com o que aconteceu como quando foi engolida por esse poder incrível e acabou por pagar um alto preço, que foi sua humanidade…

Esse tipo de engano estava além das capacidades da Administrator em retratá-lo agora.

Portanto, pelo menos ela iria gastar até a última gota dessa enorme energia em prol dos humanos desse mundo. Não como uma Integrity Knight a serviço da Igreja Axiom e sim como uma simples espadachim. Alguém que podia pensar e lutar por conta e vontade própria. Algo como aqueles dois valentes guerreiros fizeram.

Seu olho esquerdo, que estava fechado durante todo o movimento, abriu-se resoluto.

Ao mesmo tempo em que ouviu a barricada que tinha servido até agora como linha de defesa cair sobre a pesada marcha dos orcs.

A unidade principal dos invasores encheu as vias principais da vila. Os goblins somavam mais de cinquenta e estavam acompanhados, ainda que em menor número, de orcs cujas gigantescas e macilentas constituições estavam cobertas com armaduras de ferro muito grossas, cada qual com um tridente nas mãos.

Depois de ver aqueles olhos amarelos que brilhavam ao refletirem as chamas e ouvir os rugidos cheios de ódio, Jink olhou desesperado para os outros guardas e depois para Nygr Barbossa.

Porém, o coração de Alice estava calmo.

Ela não dependia de talento para batalhas, pois tinha poder de sobra como uma Integrity Knight. Nem sequer o melhor cavaleiro conseguiria escapar ileso depois de ser rodeado em uma situação dessas, entre lâminas de facões e tridentes.

O que de fato dava forças a Alice era uma nova compreensão.

Lutarei pelo que eu busco agora, pelo que eu não quero perder. Lutarei para proteger minha irmã e meus pais, juntos com as pessoas do Mundo Humanos as quais Kirito e Eugeo se empenharam tanto em salvar.”

Alice sentiu quase que fisicamente as dúvidas restantes e aquela sensação de inutilidade desaparecer em uma luz branca bem no fundo de seu coração. Essa luz fluiu através dela e finalmente se depositou em seu olho direito, até então coberto pela faixa de tecido negro, gerando um calor intenso.

“…!!”

Apertou os dentes enquanto suportava uma dor feroz que viajava da nuca até o interior de seu olho direito. Porém, essa dor trazia uma sensação um pouco nostálgica. Alice agarrou o tecido que envolvia sua cabeça com a mão esquerda e o retirou em um movimento.

Sua pálpebra direita, que havia estado fechada durante meio ano, finalmente foi-se abrindo lentamente. Uma luz vermelha se expandiu no centro de sua vista escurecida e eventualmente um cenário em chamas surgiu em foco. A visão de casas sendo incineradas, de destruição e caos espalhados por todos os lugares ficaram gravados em sua retina.

Alice viu o pano negro que segurava em sua mão esquerda com ambos os olhos.

Kirito que havia feito aquela proteção de suas próprias roupas.

Estava descolorida por ter sido lavada tantas vezes. Aquilo a tinha protegido por meses desde que seu olho direito tinha sido explodido junto com aquele selo, que agora não mais estava ativo, já havia derretido no ar, deixando-a livre.

Alice deu-se conta de algo enquanto olhava gentilmente àquele tecido.

Tinha pensado até agora que estava cuidando de Kirito, que havia perdido seu braço direito e seu coração nesses últimos seis meses, porém, na realidade era ele que estava a protegendo todo esse tempo.

“Muito obrigada, Kirito…”

Tocando o pano com seus lábios no momento em que a vida daquele objeto de desfazia, ela sussurrou suavemente.

“Agora estou bem. É provável que eu vá me perder outra vez, me preocupar e até me desanimar no futuro… entretanto, seguirei em frente. Tudo para poder alcançar os nossos objetivos.”

Sua cabeça girou quando não restava mais nenhum traço de existência do tecido negro.

Seus olhos viram quase cem goblins e orcs desembestando em sua direção gritando, bufando e arfando enlouquecidos.

Ao mesmo tempo, ouviu passos inseguros dos guardas e de Nygr se afastando em suas costas.

Não houve temor em seu coração enquanto enfrentava um exército sozinha, por sua conta.

Respirando fundo, com seu olfato capturando cada odor fétido e abrasador do lugar, ela gritou:

“Sou uma cavaleiro do Mundo Humano, Alice!! Nenhum massacre e derramamento de sangue acontecerá enquanto eu estiver aqui!! Voltem para o lugar que vocês vieram, retornem pelas cavernas, AGORA!!”

Como se tivessem sido pegos por uma forte ventania, as criaturas deram uma balançada, parando seu avanço momentaneamente no instante em que ouviram o grito poderoso.

Porém, um grande orc no meio do exército, talvez um general, brandiu seu machado de duas mãos e berrou com um brutal rugido.

“Graaaaahhh!!! Eu, Moricca!!! Farei essa pequena ium branca aprender a ajoelhar-se na minha frente!!!”

A voz deu força aos goblins.

Alice se moveu, colocando uma determinada distância entre ela e o exército que havia recomeçado seu avanço como uma onda negra e gritou:

“Amayori!!”

Uma enorme sombra submergiu velozmente dos céus no momento em que seu nome fora chamado. Ainda que os elementos térmicos acumulados não fosse o suficiente para disparar um raio de calor, o dragão voador intimidou as criaturas com sua presença, fazendo-os abaixar e proteger suas cabeças atônitos.

Não deixando escapar essa oportunidade, Alice levantou a Fragrant Olive Sword em sua mão direita e pronunciou aquelas palavras contundente que eram tão altas e graves quanto poderosas…

Enhance armament!!

Fazia meio ano que ela não recitava essas palavras do Armament Full Control Art assim como praticamente qualquer arte, entretanto, sua amada espada respondeu prontamente a sua vontade. A lâmina dourada se dividiu em incontáveis fragmentos pequenos com um ruído metálico e se elevou no céu noturno refletindo o esplendor das chamas.

“Rujam, minhas flores!!!”

A letal tempestade dourada recaiu sobre o exército inimigo implacavelmente.

O primeiro a ser envolvido e transformado em uma massa de carne triturada foi o general orc que se auto denominou Moricca. Sua vida foi instantaneamente zerada, caindo no chão com um baque úmido. Os orcs em sua volta, também foram pegos simultaneamente, caindo aos urros um após o outro.

A Fragrant Olive Sword era o maior instrumento sagrado dentre os seus pares, sendo criada da árvore mais antiga a que se teve notícias, a qual ficava no centro do Mundo Humano antes mesmo de existir qualquer coisa. Como seu nome alternativo implica, ‘Eternal Immortality’, quando ela se divide em centenas de milhares de pétalas por meio de seu Armament Full Control Art, cada um desses fragmentos tem a prioridade de um instrumento sagrado. Uma armadura de metal comum não podia se defender contra um ataque.

Os invasores ficaram confusos ao perderem sua força principal, incluindo a queda de seu general em um instante. O momento da investida se debilitou pouco depois do contra-ataque e eles acabaram parando cerca de dez mels do centro da praça.

Alice moveu agressivamente sua mão direita que segurava apenas a empunhadura de sua espada até as fileiras de goblins, que estavam aturdidos com tudo que aconteceu, cheios de medo e desconfianças.

As mortais pétalas dançaram pelo ar e formaram grandes riscos na vertical, separando a guerreira e o exército invasor.

A jovem falou duramente enquanto apunhalava-os com um olhar penetrante refletindo o brilho dourado de sua arte ofensiva mortal.

“Este é o muro que separa o Mundo Humano do Dark Territory. Mesmo que vocês escavem a rocha e atravessem pelas cavernas, não irão contaminar esse solo enquanto nós os Knight vivermos…

Escolham!!

Avancem agora e caiam mortos, afogados no mar de seu próprio sangue…

Ou retirem-se para sua terra maldita e nunca mais voltem!!”

Menos de cinco segundos depois, as hordas de goblins deram meia volta e fugiram correndo com todas as forças.

 

 

SEMANA ULTRA MEGA PUXADA NO SERVIÇO E EM CASA, ESTOU CAINDO DE SONO…

VOU DIRETO AO ASSUNTO: A SEÇÃO DE FILMES ESTARÁ ONLINE ATÉ DOMINGO, COM O ORDINAL SCALE PARA TODOS ASSISTIREM E TUDO MAIS. E SIM, AINDA É AQUELA VERSÃO DO CINEMA, ESTOU SÓ ESPERANDO SAIR NESSE MÊS O BLU-RAY.

NO MAIS, FINALMENTE A DONA ALICE RESOLVEU ARREGAÇAR UNS BICHOS \o/

 

UM FORTE ABRAÇO E ATÉ SEMANA QUE VEM NOVIDADES.

 

OBS.: PARA QUEM PEDIU,OS COMENTÁRIOS TAMBÉM PODEM SER FEITO DE MANEIRA ANÔNIMA, MUITO EMBORA EU FIQUE UM POUCO TRISTE, POIS GOSTO DE INTERAGIR COM VOCÊS, AINDA MAIS SABENDO QUEM SÃO.

AH! TEM UMA GALERA TENTANDO ENTRAR EM CONTATO COMIGO, EU NÃO RETORNEI NENHUM, MAS É O MOTIVO QUE LISTEI ACIMA, ESTOU SUPER SOBRECARREGADO ESSE MÊS, MAS COM TODA A CERTEZA FALAREMOS.

PROMESSA!

 

 

Sword Art Online Alicization Underworld Invading

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A trilha vai por conta da pequena batalha, que me pareceu aquelas mini quests de jrpg, toque ela no momento em que a Amayori iniciar o ataque.

https://www.youtube.com/watch?v=dkWkY81zsDE