Sword Art Online Alicization – Invading – Capítulo 15 – Parte 1.3

Arco: Sword Art Online Alicization – Invading

Sword Art Online Alicization Underworld - Alice e Eldrie - Volume 15

Parte 1

A mulher cavaleiro havia abandonado sua espada e se isolado nessa terra remota procurando respostas para suas dúvidas.

Entretanto, as forças militares da escuridão estavam acercando-se a cada instante do outro lado do Grande Portão do Leste no Império Eastabarieth. Era incerto dizer que o Exército de Defesa do Mundo Humano montado às pressas pelo comandante Bercouli poderia conter um ataque em massa da magnitude esperada.

E como Alice não estava isenta das tarefas cabíveis aos Integrity Knights, cedo ou tarde teria que se apresentar no fronte de batalha.

Contudo, o peso da Fragrant Olive Sword em sua cintura estava muito além do que poderia aguentar e não estava se referindo a medida física.

O maravilhoso e imaculado Mundo Celestial ao qual estava encalacrado em sua mente como sendo sua origem era na verdade uma farsa. A Igreja Axiom a qual jurou lealdade absoluta estava afundada em mentiras e traições, sem mencionar no crescente egoísmo, egocentrismo e vulgaridade dos habitantes do Mundo Humano aos quais estava rodeada, a fazia por em cheque todas suas crenças de que se valia mesmo a pena balançar sua espada destemidamente, arriscando a vida para fazer justiça como antigamente em prol de algo ao qual ela não acreditava.

O tempo em que rezava para os deuses, crendo que eles abençoavam seus atos, que agia de acordo com suas vontades… agora parecia um passado extremamente distante e distópico.

Aqueles aos quais queria proteger nesse momento, somavam poucos. Seus pais, Selka, o velho Garitta e Kirito. Se nada estava os ameaçando, porque deveria largar essa vida pacífica nessa terra distante e ir lutar uma batalha em defesa de quem não significavam nada para ela…?

Deixando o terreno de Barbossa, os pés de Alice se detiveram pouco antes de pegar o caminho que margeava os campos de trigo. Então, a garota abaixou-se e sussurrou no ouvido de Kirito.

“Já que estamos aqui, que tal irmos até a aldeia fazer compras? Prometo que não deixarei ninguém lhe importunar dessa vez.”

Não ouve resposta. Porém, a ausência de entusiasmo certamente foi tomada como consentimento, já que Alice começou a empurrar a cadeira em direção ao norte.

Os céus já começavam a apresentar algumas sombras quando terminaram de comprar mantimentos para a semana, graças à moeda de prata de cem Shear paga pelo seu trabalho e retornavam para a cabana na floresta.

Quando estavam próximos ao portão de sua humilde residência, notou um ruído muito forte aproximando-se. Então, parando o avanço da cadeira de maneira gentil, aguardou o motivo do ruído aparecer no centro da clareira.

Segundos depois, roçando o alto das árvores à volta, uma gigantesca besta prateada com duas asas enormes, um longo pescoço e grossa cauda apareceram, um dragão voador.

Era o companheiro de Alice, quem os trouxe até aqui voando desde a capital. Atendia pelo nome de Amayori.

A criatura circulou através dos céus por cima da clareira duas vezes antes de aterrissar na frente dos dois com impressionante leveza.

Assim que recolheu suas asas, esticou seu longo pescoço e tocou gentilmente o peito de Kirito com a ponta de seu nariz e depois esfregou sua cabeça contra Alice.

Ao fazer isso, um som como um ronronar de um poderoso motor saiu de sua garganta sob a grossa pele um pouco azulada.

“Ei mocinha, você está um pouco rechonchuda. Anda comendo muitos peixes do lago, não é?”

Depois da carinhosa chamada de atenção feita com um sorrisinho nos lábios de sua mestra, Amayori deu uma soprada com seu nariz como se estivesse um pouco contrariada, girou seu enorme corpo e foi alegremente caminhando até seu ninho no lado leste da cabana.

Enroscou-se sobre si mesma em cima da palha seca densamente amontoada e deitou sua cabeça sobre a enorme cauda.

Meio ano atrás, Alice retirou a cela de couro e os arreios presos em Amayori e a libertou da arte de obediência forçada que agia sobre ela no dia em que construiu a cabana nessa clareira.

Nesse momento, disse inclusive que ela poderia voltar para a região onde ficavam os outros dragões voadores no império do oeste, porém, ela se recusou a abandoná-la.

Fez um grande ninho de palha por sua própria conta com materiais que pegou na floresta e passou a viver ali.

Embora passasse a maior parte do tempo passeando, sempre retornava à noite. Um fato realmente incrível, já que a arte que forçava e restringia o orgulho daquela brutal criatura, fazendo-a obedecer seu cavaleiro sem hesitar não mais existia. Um mistério que até agora continuava sem explicação, já que o natural seria ela retornar para a convivência dos seus.

Entretanto, a jovem estava realmente feliz de Amayori ter permanecido junto com ela por sua própria vontade mesmo depois de estar livre. Os aldeões que a viam sobrevoando a floresta acabaram formando uma péssima reputação sobre Alice, sempre usando esse fato para falar mal dela, contudo, não faziam nada além disso, se tornando algo que ela não dava muita atenção.

Depois de desejar uma boa noite para a criatura que já havia começado um ronco cadenciado em seu ninho, Alice levou a cadeira de rodas para dentro da cabana.

Para a janta, ela fez um ensopado com legumes e verduras. Pois além de serem bem nutritivos, seriam de fácil deglutição, fazendo-se uma refeição bastante aceitável.

Naturalmente, não era como se Kirito pudesse reclamar por meio de palavras, já que ele sempre mastigava mecânica e lentamente qualquer coisa que lhe fosse levado à boca.

Embora sempre considerasse que seria muito bom saber quais eram os gostos do rapaz, não conseguia um nível de conversação apropriada para esse fim. Selka, que aparentemente conviveu com ele anos atrás, disse que não se recordava de nenhuma predileção em especial em Kirito, já que o pouco que lembrava, ele estava sempre comendo de tudo sem reclamar.

O que era algo perfeitamente plausível do pouco que pode conversar com ele, um jovem cheio de ímpeto e que não parecia se incomodar com nada.

O jantar transcorreu normalmente como sempre, entretanto, logo após terem comido, quando Kirito tinha sido posto perto de uma pequena lareira e Alice estava lavando a louça, aconteceu…

Amayori, quem geralmente dormia direto até a manhã seguinte sem acordar, deu um grito grave no lado de fora da janela da cabana.

As mãos da garota congelaram na hora enquanto aguçava seus sentidos. Um ruído incompatível com a estação se mesclou ao vento noturno, era uma onda eólica muito forte, como se o inverno estivesse chegado instantaneamente.

Após instantes, Alice reconheceu o que era… asas batendo.

“…!”

Saindo da frente da pia, confirmou que Kirito permanecia imóvel na cadeira e foi para a porta da frente. A julgar pelo som que seus ouvidos trinados captaram, sabia que algo se aproximava diretamente pelo jardim em frente à cabana.

“Será que é…!?”

Na hora em que foi pegar sua espada, pensando que poderia ser inclusive um Dark Knight do Dark Territory que havia cruzado a montanha, viu pela janela as escamas prateadas do dragão brilhar sob a luz da lua.

Imediatamente diminuiu sua tensão. Os Integrity Knights eram os únicos que montavam dragões voadores com escamas prateadas.

Aliviada momentaneamente por constatar isso, outro pensamento lhe veio a mente. Quem poderia ter voado até essa região remota e por qual razão?

Será que finalmente tinham tomado uma decisão sobre o que fazer com o traidor Kirito? Será que decidiram pela sua execução e enviaram um agente para cumprir essa ordem?

Talvez por sentir a tensão de Alice aumentar novamente, Amayori levantou rapidamente de seu ninho e começou a gritar mais alto. Entretanto, seu tom ameaçador logo se desvaneceu, sendo alterado para um ‘kyuun!’ agudo.

Alice, finalmente soube a identidade do visitante.

O dragão voador que aterrissou na parte da frente da clareira depois de circular o local duas vezes e que tinha a aparência muito similar ao que Amayori, se mostrou ao enrolar gentilmente seu pescoço ao do outro dragão.

Para fazer isso, não deveria ser outra criatura se não o irmão mais velho de Amayori, o dragão chamado Takiguri. Em outras palavras, quem estava montando ele era…

Alice falou em tom ríspido para o cavaleiro de armadura prateada ligeiramente púrpura que tocou o solo em um elegante movimento ao abrir a porta.

“Como achou esse lugar? Que assunto tens por aqui, Eldrie Synthesis Thirty-One?”

O único guerreiro que possuía um número maior do que Alice, não falou imediatamente, ao invés disso, aproximou-se e fez uma enorme reverência com a mão direita fechada em punho encostada ao peito.

Endireitando seu corpo, ele lentamente retirou o capacete. Revelando os bem cuidados cabelos púrpuras que foram levados gentilmente pelo vento noturno, mostrando os traços bem delineados de seu rosto.

Assim que olhou para frente, sua voz saiu alta e clara, porém, muito suave para um homem.

“Há quanto tempo, minha mestra, Alice! Sua beleza não diminuiu em momento algum, mesmo estando usando roupas tão humildes. Não pude evitar vir visitá-la o mais rápido possível, já que trago comigo uma garrafa da bebida mais rara que encontrei em minha adega particular. Imaginei que ela combina incrivelmente com você e seus lindos cabelos dourados se for sorvida sob a luz desse maravilhoso luar.”

Sua mão esquerda mantida oculta em suas costas até então, veio para frente e revelou uma grande garrafa de vinho.

Alice conteve um suspiro enquanto respondia ao homem que ainda a considerava como sendo sua mestra.

“Estou realmente muito feliz que suas feridas estejam curadas, entretanto, vejo que sua personalidade continua como sempre. Caso não tenha notado, você fala de maneira muito similar ao chefe Elder Chudelkin, sugiro que pare com isso.”

Girando sua espada diretamente para Eldrie, que engoliu em seco, a garota avançou para fora da cabana.

“E-eh!?… S-Senhora A-Alice!”

“Irei lhe escutar se for algo realmente importante. Caso não contrário, vá beber esse vinho bem longe daqui, lá na Catedral Central, de preferência!”

Alice viu de canto de olho os irmãos reunidos depois de meio ano, Takiguri e Amayori, que estavam se acariciando felizmente um a cabeça do outro. E depois fez sinal para o homem lhe seguir, entrando rapidamente para a cabana na sequência.

Eldrie gentilmente acompanhou sua mestra e entrou na pequena residência com olhos curiosos, quase infantis, antes de encontrar Kirito sentado no canto do cômodo olhando para baixo.

Entretanto, apesar de notá-lo, não teceu nenhum comentário sobre o rebelde com quem havia cruzado espadas tempos atrás. Apenas tratou de ir até a mesa e puxou uma cadeira para Alice sentar.

“…!”

A garota se sentiu ridícula quando foi agradecer, mas apenas suspirou e acenou positivamente com a cabeça.

Eldrie sentou-se à sua frente e logo colocou a garrafa de vinho sobre a mesa.

Seu rosto ruborizou quando seus olhos encontraram com o olhar de Alice, que permanecia muda e concentrada. Provavelmente seu pensamento foi direto para a venda de tecido negro que cobria o olho direito de sua mestra.

Expressão essa que ele tratou de sumir de seu rosto ao esfregar rapidamente suas duas mãos nele. E assim que retomou o raciocínio, falou:

“Sinto um delicioso aroma no ar, minha senhora Alice. Infelizmente com a pressa, acabei não comendo nada desde que viajei até aqui.”

’-Infelizmente’? ‘-Desde que viajou até aqui’? Em primeiro lugar, porque ao invés de trazer vinho, você não trouxe as provisões padrão das viagens de longa distância, já que sabia que viria para um lugar tão longe quanto esse?”

“Juro pelos três deuses que prefiro morrer bebendo um maravilhoso vinho a comer essas terríveis e nada saborosas provisões. São tão secas e sem graça… se duvidar, elas irão baixar mais a minha Vida…”

Alice levantou-se da cadeira depois de escutar aquelas palavras absurdas de Eldrie, foi até a pequena cozinha e lhe serviu as sobras do ensopado em um prato de madeira e voltou para a mesa.

Eldrie olhou fixamente para o recipiente colocado diante de seus olhos com uma mescla de deleite e suspeita.

“Perdão pela minha abrupta pergunta, mas… esse alimento por acaso foi produzido por suas mãos, minha senhora Alice…?”

“Sim, por quê? Tem algum problema com ele?”

“Não, de maneira alguma! É que… simplesmente estou me sentindo abençoado por poder saborear algo da culinária de minha mestra. Sinto-me feliz por não ter comido nada antes, pois assim, poderei saborear esse alimento de maneira plena.”

Segurando a colher com uma expressão nervosa, ele levou-a até sua boa após enchê-la com o ensopado.

Alice perguntou mais uma vez quando Eldrie começou a mastigar.

“E então? Ainda não respondeu como achou esse lugar? Nenhuma arte de localização poderia chegar tão longe desde a capital… e dificilmente creio que a Ordem dos Integrity Knight possam enviar dragões voadores para cada quadrante em minha busca na atual situação.”

Eldrie não deu uma resposta imediata, pois estava sussurrando algo como: ‘-Apesar da aparência, até que não está nada ruim!’.  Depois de girar a colher no prato algumas vezes, parou, levantou seu rosto, limpou a boca com um pedaço de pano limpo que Alice havia lhe alcançado e só depois falou olhando sua mestra diretamente.

“Foi o vinho e… os laços que nos une, minha senhora Alice… ou pelo menos era isso que gostaria de dizer, porém, confesso que foi uma total coincidência.”

Sua mão direita se abriu em um gesto pomposo.

“Recebemos notícias sobre os goblins e orcs que estavam roubando o vinho que os aldeões produziam e mandavam para os cavaleiros perto dos limites das montanhas. Todas as cavernas das outras regiões foram destruídas por ordem do Knight Commander, sobrando essa daqui que ficou sob minha responsabilidade em verificar se está sendo usada para algum tipo de invasão.”

“As cavernas…?”

Alice franziu a testa.

Das quatro passagens que atravessavam as montanhas, as cavernas do sul, oeste e esta que fica perto de Rulid, no norte, eram muito estreitas, dificultando tremendamente o acesso dos grandes orcs e gigantes, os quais formavam boa parte das forças da escuridão.

Entretanto, ela pensou que, antecipando qualquer movimento do exército inimigo, além de se juntarem no Grande Portal do Leste, o comandante Bercouli tratou de prevenir e mandar destruir essas possíveis entradas, para assim evitar um ataque combinado em várias direções, concentrando tudo em um único lugar, no caso o Leste, para um melhor controle.

Essa também foi precisamente a intenção de Alice ter construído essa casa secreta em um local tão afastado da civilização e tão próximo das montanhas, pois se o inimigo resolvesse escavar as cavernas para aumentar o tamanho da passagem, ela estaria ali os esperando. De outra forma, a vila de Rulid poderia ser a primeira a cair a se ver em meio à batalha mais sangrenta desse mundo.

“E então…? Confirmou as suspeitas do avanço das forças do Dark Territory?”

“Passei um dia inteiro sobrevoando a caverna e não vi um goblin ou orc sequer.”

Eldrie deu de ombros levemente e continuou.

“Na real, acho que os relatos de um exército se aproximando pelas cavernas tenham sido deveras exagerados, talvez tenham confundido um estouro de manada de algumas bestas que vivem por lá com forças militares.”

“Verificou o interior da caverna?”

“Naturalmente é o que faria, mas quando sobrevoei o lado do Dark Territory resolvi selar o acesso por lá, destruí a entrada, que ficou coberta de rochas até o topo. Eles necessitariam de um grande esforço para conseguir retirar tudo aquilo e como nada saiu do outro lado…

Então, sem ter mais o que fazer, puxei as rédeas de Takiguri mandando que retornasse para a capital e eis que ele começou a protestar de maneira muito estranha.

Curioso com seu comportamento deixei-o voar livre para ver aonde queria ir e ele veio direto para cá. Honestamente, estou estupefato. É uma enorme coincidência… não, talvez tenha sido mesmo os laços do destino.”

Após mais algumas colheradas de alimento e um pouco de conversação, Eldrie começou a deixar seu linguajar empolado de lado e falou sério:

“De fato, me sinto obrigado a dizer que essa é uma ótima oportunidade para poder falar seriamente sem ter nenhuma interferência. Então, peço que ouça atentamente o que tenho a dizer!

Minha mestra Alice… por favor retorne para a Ordem! Mais do que ajuda de mil homens, o que necessitamos nesse momento é de sua espada!!”

Alice baixou seu olho lentamente, como se toda sua energia tivesse sido drenada com as palavras do cavaleiro.

Ela sabia.

Tinha conhecimento da frágil sustentação que protegia o Mundo Humano de desmoronar. Sabia também de todas as dificuldades que o Knight Commander Bercouli estava passando para formar o tal Exército de Defesa e o quanto aquilo podia estar sendo um esforço inútil no fim das contas. Entendia perfeitamente o sofrimento que estava por vir e como estavam de mãos atadas.

Alice nunca pode pagar sua dívida com seu comandante por toda proteção e orientação. A mesma força que ainda mantinha coesa a Ordem dos Integrity Knight e é claro, esse esforço também era fruto do trabalho árduo de Eldrie.

A força de alguém consistia no poder da vontade do indivíduo. Alice percebeu essa verdade através da luta na Catedral Central. Se a força de vontade permitia derrubar por terra uma devastadora diferença de potencial bélico, como Kirito fez naquele momento, então, esse mesmo tipo de pensamento podia anular até mesmo a ferramenta mais poderosa.

“…Eu não posso.”

Alice respondeu suavemente.

Ao que Eldrie disse com uma voz aguda.

“Por quê?”

Sem esperar um motivo, o olhar apaixonado do cavaleiro ardeu como fogo enquanto girava para a pessoa sentada no canto da sala.

“É por causa dele? Ainda está deixando-se enganar por um homem que escapou da prisão e apontou sua traiçoeira lâmina para os Integrity Knight, para o Chefe Chudelkin e até mesmo para nossa estimada Alto Ministro? Se esse for o caso, cortarei esses laços agora mesmo!”

O único olho de Alice fixou-se em Eldrie enquanto ele tensionava seus músculos da mão direita dando um soco na mesa.

“Pare!”

Ainda que fosse apenas uma única palavra dita em um tom baixo, o cavaleiro parou seus movimentos para escutá-la.

“Ele também lutou inteiramente pela justiça em que acreditava. Do contrário, como pode derrotar a todos nós, os guerreiros mais fortes desse mundo? Como ele conseguiu vencer até mesmo o nosso comandante? Você mais do que ninguém deve conhecer o peso por trás da sua espada, já que lutou contra ele.”

Sword Art Online Alicization Underworld - Alice e Eldrie

Mesmo com rugas surgindo em sua testa, Eldrie lentamente liberou a tensão em seus ombros e baixou o olhar para cima da mesa sussurrando.

“Sim… você está certa. Entretanto, reluto em aceitar o plano da estimada Alto Ministro em transformar metade das pessoas desse mundo em soldados sem almas, com ossos feitos totalmente de lâminas. E se não fossem por esses jovens… Kirito e seu amigo Eugeo… provavelmente não teríamos como deter a execução de algo tão terrível até ser tarde demais.

Sem mencionar que é como o senhor Bercouli disse, que a pessoa que guiou essa dupla era na verdade a primeira Alto Ministro, a Administrator original, a estimada Cardinal. Em face disso, não vejo motivos para tratá-lo como um criminoso.

Porém, ainda assim, tem algo que se faz mais difícil de entender!”

E colocando em palavras um sentimento que esteve reprimindo até agora, Eldrie gritou:

“Se as habilidades desse rapaz chamado Kirito são tão grandes e fortes, capazes de derrotar até mesmo nós os Integrity Knight, como você mesmo afirmou agora, minha senhora Alice. Então… porque esse desgraçado não levanta sua espada e luta mais uma vez? Porque fez tudo isso e agora fica ali, sentado nesse estado deplorável lhe obrigando a cuidar dele nessa região remota!? Impedindo-a de nos liderar nessa guerra.

Se ele matou a estimada Administrator com o fim de proteger todas as pessoas como diz, porque não foi o primeiro a correr até o Grande Portal do Leste esperando a maldita batalha que está por começar!? Não seria essa a responsabilidade dele?? Por que!!??…”

As palavras de Eldrie, carregadas de sentimentos tão ardentes quanto fogo, tampouco foram capazes de chegar ao coração de Kirito. Seus olhos semicerrados não refletiam nenhuma luz que não fosse das brasas da pequena lareira.

O pesado silêncio persistiu por mais um tempo até ser quebrado pela voz calma de Alice.

“Eu sinto muito, Eldrie. Não posso ir com você nesse momento. E… não há nada que possa reverter o estado de Kirito…

E eu… simplesmente… não consigo mais brandir a minha espada. Nem se você quisesse lutar comigo aqui e agora, provavelmente não encontraria forças para revidar…”

Os olhos de Eldrie arregalaram-se como se tivesse levado um choque. O orgulhoso rosto do cavaleiro se retorceu como um garotinho que começa a fazer birra.

Mas então… um sorriso forçado de resignação surgiu.

“Entendo… então, não tenho mais nada o que dizer…”

Levando usa mão direita a frente, começou a recitar uma arte sagrada.

A rápida conjuração criou dois elementos cristalinos que mudaram suas formas para duas taças de vinho extremamente finas.

Pegando a garrafa sobre a mesa, golpeou suavemente a rolha com o dedão e a abriu. Após isso, serviu um pouco do fluído rubro em ambas as taças.

“Se soubesse que estaríamos brindando uma despedida com esse vinho, tinha trazido comigo um mais envelhecido, talvez o de duzentos anos que comprei no Império Leste.”

Eldrie levantou uma das taças até sua boca e depois a depositou gentilmente sobre a mesa. Fez uma grande reverência e levantou-se de forma rápida, fazendo sua grande capa branca esvoaçar junto com seus cabelos.

“Declaro aqui a minha despedida, minha mestra. Suas orientações com a espada e artes permanecerão incrustadas em meu ser enquanto o cavaleiro Eldrie viver.”

“Desejo-te o melhor. Rezarei por sua segurança.”

Assentindo levemente com a cabeça em reposta para Alice, o Integrity Knight bateu as solas de suas botas e girou de costas.

Alice admirou-o enquanto o orgulhoso cavaleiro se afastava.

A porta abriu e se fechou em um movimento quase contínuo. Um único grito estridente veio de Takiguri no jardim, seguido de sons possantes de asas batendo. A voz de Amayori saiu como um choramingo por estar se separando de seu irmão, som esse que machucou o peito de Alice como brasa.

Mesmo após o sons das asas terem sumido no ar, a mulher cavaleiro continuava imóvel.

E antes que a Vida das taças feitas pelos elementos de cristal expirassem, ela levantou gentilmente uma delas até seus lábios e sorveu o líquido.

Era o primeiro vinho que provava em quase meio ano e além de estar doce, também tinha notas amargas que ficaram por algum tempo em sua língua.

Instantes depois, os dois objetos usado para conter o vinho, se dispersaram no ar com uma luz pálida.

Ela devolveu a rolha para o bico da garrafa e a guardou no armário enquanto dirigia algumas palavras para Kirito que continuava na mesma posição em frente à lareira.

“Sinto muito, você deve estar cansado. Já passou da hora de dormir, vamos logo nos aprontar e deitar… foi um dia longo…”

Colocando suas mãos gentilmente sobre os ombros do rapaz, ela o guiou até o cômodo contíguo. Trocou sua túnica negra por uma roupa de dormir e o recostou na cama, perto da janela.

E mesmo depois de trazer uma manta e cobri-lo totalmente, os olhos de Kirito continuavam semiabertos, olhando para o teto sem piscar.

O quarto se encheu de escuridão quando apagou a lamparina na parede. Ela se sentou ao lado de Kirito e acariciou suavemente seu peito marcado e ombros ossudos por vários minutos até que o rapaz finalmente fechou os olhos.

Alice esperou até que sua respiração se estabilizasse, mostrando que havia pegado no sono profundo e deixou a cama para trocar suas roupas por um vestido branco para dormir.

Voltando para a sala, deu uma olhada em Amayori pela janela e depois apagou as demais lamparinas e retornou para o quarto.

Levantou a manta e se deitou ao lado de Kirito podendo sentir a tênue emanação de calor de seu corpo chegar até ela.

Mesmo que o ato de fechar o olho normalmente a fizesse escapar para um sonho aleatório e tranquilo, especialmente dessa vez, não conseguia dormir.

O branco deslumbrante da capa de Eldrie enquanto dava às costas permaneceu gravado em sua pálpebra.

Aquele mesmo tipo de orgulho uma vez também encheu suas costas. Aquela resolução inabalável que se manifestava em energia que usava para proteger o Mundo Humano com seus habitantes sob a autoridade da Igreja Axiom. Tudo isso que ela sempre usou para carregar sua espada.

Porém, esse tipo de força já havia a abandonado. Não restava mais nenhuma gota de poder…

Gostaria de ter perguntado ao seu discípulo…

Pelo que ele lutava agora, já que a Igreja Axiom e a Alto Ministro haviam se mostrado em toda sua falsidade?

Infelizmente, não pode perguntar. Nenhum dos Integrity Knight foram informados da totalidade do horripilante projeto da Alto Ministro além de Bercouli e ela. Nem sequer Eldrie conhecia o fato de que seu fragmento de memória sobre sua pessoa amada estava agora selado no piso mais alto da catedral em forma de parte do corpo do Sword Golem.

Mas mesmo sabendo de tudo isso, por algum motivo ainda mantinha o conceito que lhe foi gravado pela Igreja Axiom. Ainda esperava ansiosamente o dia em que as três deusas enviariam um novo Alto Ministro para a catedral para ser novamente seu guia supremo.

O que ela deveria fazer? Como tirar essa ideia que martelava em seu subconsciente? Era uma imagem tão forte e crível da existência do Mundo Celestial, que só o fato de tentar refutar isso, já demandava um tremendo esforço. Entretanto, não tinha mais como se enganar, mas isso era um alívio e ao mesmo tempo um tormento.

E o Knight Commander entendia o quão isso era difícil e perigoso, já que decidiu ocultar a verdade dos demais cavaleiros afim de não inutiliza-los para a batalha vindoura com pensamentos desnecessários para o momento, onde a menor hesitação certamente seria fatal para todos os humanos. E como ela era a única que sabia da verdade, havia um perigo que a informação vazasse e acabasse por ‘infectar’ os outros membros da Ordem.

Não tinha ideia se o Exército de Defesa montado às pressas podia realmente repelir um ataque combinado das forças da escuridão. Se eles atravessassem a grande passagem do leste, os monstros sedentos por sangue marchariam até essa aldeia remota uma hora ou outra.

Será que não havia algum método para que isso fosse evitado?

Uma voz surgiu no interior de sua mente enquanto Alice pensava.

Essas duas linhas vieram daquela misteriosa plataforma de cristal que a Alto Ministro chamou, antes que Kirito entrasse em colapso.

(…)-Vá até um lugar chamado World End Altar!(…)”.

(…)- O altar está em uma linha reta até o sul, passando pela grande porta do leste….

Ela não tinha lembranças desse nome ‘World End Altar’ na língua sagrada. Porém, sabia que poderia ser encontrado depois de passar pelo Grande Portal do Leste. Cruzando o desolado terreno do Dark Territory, com a terra completamente enegrecida como cinzas e os céus cor de sangue.

Nenhum sentimento bom ou esperança sobreviveria muito nesse lugar.

E mesmo que ela superasse as atrozes dificuldades para chegar a esse tal altar, o que esperava encontrar por lá? Haveria realmente alguém ou algo capaz de proteger os habitantes do Mundo Humano das forças da escuridão…?

Alice inclinou sua cabeça para frente, acima do travesseiro e olhou fixamente o jovem ao seu lado na cama.

Arrastando-se mais para frente, chegou mais perto de Kirito. Estendendo as mãos depois de um momento de hesitação e abraçou-o com firmeza como uma garotinha que tivesse recém acordado de um pesadelo.

Sem se importar com a rigidez de seu corpo magro colado ao seu, a jovem encostou sua cabeça na cabeça de Kirito, podendo sentir e ouvir inclusive o palpitar de seu coração que mesmo nessas circunstâncias, não demonstrava nenhuma reação.

Sua pulsação permaneceu inalterada e seus olhos continuaram fechados…

Ele… não…’isso’ talvez não passe de uma casca oca com a alma completamente incinerada.

Se estivesse com sua espada em sua mão agora…

Poderia apunhalar esses dois corações ao mesmo tempo, acabando com o sofrimento.

Com esses pensamentos sombrios e desesperados, lágrimas transbordaram do olho de Alice e caíram na nuca de Kirito

“Diga-me Kirito… o que eu devo fazer…!?”

Nenhuma resposta foi dada à sua pergunta.

“O… que… eu…-”

A luz da lua fluiu passando por entre um espaço da cortina e atingiu as gotas de suas lágrimas, fazendo-as parecerem maiores ainda, borrando totalmente sua visão.

 

 

 

CONTINUE A ‘UORCÁ’, CONTINUE A ‘UORCÁ’!

OLÁ PESSOAS!!

ESSA BELA SEMANA VAI TERMINAR COM UM GRANDE CAPÍTULO, TRISTE, ANGUSTIANTE, TUDO DO RUIM E DO PIOR SENTIMENTO QUE A DONA LOIROSA ALICE PODE LHE PROPORCIONAR…

ENFIM, TODOS SABEMOS COMO ESSAS INDECISÕES SÃO IRRITANTES, MAS QUANDO O BICHO REALMENTE PEGAR É QUE SE SEPARA OS HOMENS (MULHERES INCLUSAS OBVIAMENTE) DAS CRIANÇAS.

 

QUANTO AO SITE, CONSEGUI AJUSTAR O PROBLEMA DOS COMENTÁRIOS E AGORA SERÁ PELO DISQUS E DO ADSENSE, MAS ESSE ÚLTIMO AINDA ESTÁ ME SACANEANDO E APARECENDO PROPAGANDAS IRRITANTES ONDE NÃO DEVE, MAS CREIO QUE ATÉ SEMANA QUE VEM JÁ ESTARÁ AJUSTADO, ENTÃO, PEÇO QUE NÃO ME XINGUEM (muito) HEHEHE.

UM FORTE ABRAÇO E ATÉ SEMANA QUE VEM COM MAIS NOVIDADES.

 

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Fiquem com uma musiquinha que como o nome já diz, desespero total! Uma bad foda 😀

Bora tomar um vinho para quem bebe e um suquinho para quem não bebe (meu caso 😉 )

https://www.youtube.com/watch?v=OdmrEEAS–8