Sword Art Online Alicization – Invading – Capítulo 15 – Parte 1.2

Arco: Sword Art Online Alicization Underword – Invading

Sword Art Online Alicization Underworld - Alice e Kirito- Volume 15

Parte 1

Depois de ter construído a pequena, porém, resistente cabana a tão somente dois mil mels de Rulid, na parte mais profunda da floresta com a ajuda do velho Garitta, Alice dedicou-se inteiramente em uma enorme arte curativa no inconsciente Kirito.

Dentro daquela imensa floresta, onde as bênçãos de Terraria eram mais abundantes, ela escolheu um dia que não houvesse uma única nuvem no céu que pudesse obstruir a luz de Solus e fundiu dez elementos luminosos com a enorme energia sagrada cedida pelos deuses da terra e do sol naquela clareira e os converteu em uma arte curativa do mais alto nível e a derramou sobre o corpo do rapaz.

A técnica a qual Alice aplicou dando tudo de si, tinha o potencial de curar inclusive uma grande parcela de Vida de um dragão voador, a criatura que mais vitalidade tinha nesse mundo, acima dos humanos ou de qualquer outro ser.

Estava confiante de que, independentemente do nível de dano que Kirito tinha sofrido, ele se recuperaria de imediato, junto com seu braço direito cortado e abriria os olhos como se nada tivesse acontecido.

Apesar do otimismo…

Após a cegante luz espiritual ir embora, indicando o final da arte, os olhos de Kirito se abriram, porém, seu olhar estava vazio, carecendo de brilho por alguma razão.

Ainda que Alice tenha gritado repetidas vezes seu nome, sacudido seus ombros e até o esbofeteando no rosto, ele se limitava a olhar para o nada de maneira totalmente inexpressiva.

Abraçando-o fortemente, lamentou por muito tempo o fracasso, pois acima de tudo, nem sequer tinha conseguido regenerar seu braço perdido.

Haviam se passados quatro meses até então e desde aquele dia, Kirito não havia dado nenhum sinal de que sua mente estivesse retornando ao que era.

Selka continuava com seu apoio incondicional, insistindo que Kirito definitivamente recuperaria sua antiga forma, que ela tinha que se esforçar ao máximo para cuidar dele até esse dia chegar.

Todas aquelas palavras de incentivo eram bonitas e cheias de sincera esperança, entretanto, lá no fundo Alice temia que isso fosse um papel impossível para ela desempenhar.

Pois apesar de tudo, não passava de uma existência vazia criada pela Alto Ministro, a Administrator.

Selka, que esteve empurrando a cadeira de rodas em silêncio até o momento, de repente parou como se dissesse: ‘-Preciso tomar um fôlego!’, despertando Alice outra vez de seus pensamentos.

Sua mão esquerda tocou suavemente as costas de sua irmã, enquanto esta limpava o suor da testa.

“Muito obrigada, Selka! Pode deixar que assumo daqui.”

“Eu quero empurrar pelo menos até… a bifurcação…”

“Você já conseguiu empurrar por uns cem mels a mais do que da última vez, não é? Não se preocupe, você já ajudou muito mesmo. Descanse agora!”

Ela tinha aprendido pelos hábitos dos moradores da vila que um serviço como esse deveria ser pago. Isso também valia para irmãos mais velhos, que era justamente o caso. Infelizmente, ela não possuía uma moeda sequer consigo. Como estava em uma situação financeira precária, onde perder um único centavo seria um enorme problema, só saia de casa carregando algum dinheiro quando ia exclusivamente fazer compras.

Sem ter como recompensá-la de outro jeito, só conseguiu fazer um carinho na cabeça de sua irmã menor, enquanto ela sorria enormemente, acalmando sua respiração.

Entretanto, Alice ainda captava um leve toque de tristeza na expressão de Selka.

“Ei! O que houve? Tem algo lhe incomodando?”

Perguntou enquanto segurava as alças da cadeira, esperando Selka pensar por um breve momento e responder um pouco vacilante.

“Bem… é que… tem outra solicitação de serviço para ajudar com as árvores nas terras do senhor Barbossa para você, maninha…”

“É só isso mesmo? Se for, não precisa se preocupar, fico muito agradecia pelo recado.”

Alice respondeu com um sorriso no rosto, porém, a expressão carregada de sua irmã ainda permanecia.

A pequena garota levantou o rosto e disse em tom aborrecido.

“Mas… é que essas pessoas só se preocupam com elas mesmas. Não acha isso também, Kirito?”

Se virou para o garoto na cadeira, porém, ele continuava com seu olhar perdido, naturalmente não respondendo. Ainda assim, Selka apertou os olhos com intensidade como se ele tivesse concordado com sua pergunta.

“E não é? Nem o senhor Barbossa e nem o senhor Redack fazem nada para ajudar ao que diz respeito de que vocês voltem a morar na aldeia. Entretanto, sempre que precisam de sua ajuda no serviço deles, acabam recorrendo a ti. Não acha isso injusto?

Me irrita o fato deles virem fazer esse pedido tão descarado através de mim. Por favor maninha, você não tem que ajudar se não quiser, ele não merecem seu esforço. Se precisar de dinheiro para comprar comida, darei um jeito de trazer alimentos de casa para vocês.”

Depois de dar um pequeno sorriso diante às palavras preocupadas de Selka, Alice esfregou gentilmente a cabeça de sua amuada irmãzinha.

“Mesmo que seus sentimentos sinceros me deixem feliz, realmente não há necessidade de se preocupar com isso Selka. Gosto de morar naquela pequena cabana, na verdade, me sinto abençoada de poder viver lá. Sem contar que é bem perto da aldeia, onde sempre poderei lhe ver.

Irei até eles assim que servir o almoço para o Kirito. Me diga, para que lado eles estão agora?”

“Fica no terreno aberto ao sul.”

Selka respondeu suavemente enquanto iniciavam nova caminhada, com ela dessa vez acompanhando ao lado da cadeira.

E quando faltavam poucos mels até a bifurcação do caminho que separava a cabana de madeira com a entrada da vila, parou repentinamente e falou em tom firme:

“Irmã, meu tempo como aprendiz na igreja da vila terminará ano que vem e começarei a receber pelo meu trabalho. E quando esse momento chegar, mesmo que não seja muito, quero que fique com tudo, só assim não precisará ajudar essas pessoas horríveis. Você me deixaria fazer isso? Quero fazer algo por ti, minha querida irmã e por Kirito… pois eu sempre… eu… eu sempre…”

Alice abraçou suavemente Selka enquanto sua voz sumia.

Sentiu os cabelos de sua irmã menor roçar em seu rosto, com uma sensação muito similar de ser o seu próprio cabelo. Uma confusão que logo se desfaz na primeira olhada, pois a cor dos de Selka eram ligeiramente mais escuros do que o loiro dourado seu.

Afagou-a por um instante e sussurrou:

“Muito obrigada…! Mas não precisa fazer nada disso, pois só o fato de estar perto de mim, já me sinto abençoada…”

Após despedir-se de Selka, que foi embora sem parar de acenar um instante até onde a vista alcançava, Alice regressou para a cabana de madeira com Kirito, onde rapidamente começou a preparar o almoço.

Só recentemente tinha começado a praticar os afazeres domésticos, dessa forma, sua habilidade na cozinha era praticamente nula.

Em comparação com a Fragrant Olive Sword, a faca para cortar os alimentos, comprada na pequena tenda de utensílios da aldeia, parecia pouco confiável como uma arma, no mais, a considerava um brinquedo, servindo somente para cortar a comida. Ação essa que demorou praticamente trinta minutos para executar de maneira nervosa e sem prática alguma.

Felizmente, Selka tinha lhe trazido alguma coisa pronta, que ela dividiu em porções menores para que Kirito pudesse engolir sem muitas dificuldades.

Levando o pedaço de bolo até a boca com uma colher, esperou pacientemente que os lábios dele abrissem para que ela agilmente, empurrasse para dentro.

O rapaz mastigava de maneira lenta e praticamente mecânica, quase como se estivesse a ponto de esquecer da ação de comer.

Enquanto a boca de Kirito se movia, ela aproveitava para se alimentar com o outro pedaço de bolo que acompanhou da maçã e o queijo, saboreando cada mordia.

Seu corpo devia se lembrar do sabor daquela comida, já que mesmo sendo Selka quem a fez, por trás, tinha a ‘mão’ de Sadina Schuberg, a esposa do chefe da vila e por consequência, mãe das duas garotas.

Quando ela vivia na Catedral Central, podia comer qualquer tipo de comida do Mundo Humano, das simples às mais raras no enorme salão do refeitório da torre branca.

O bolo caseiro de Sadina era de fato muito humilde em comparação à todas essas comidas elaboradas, porém, hoje ele parecia muito mais delicioso.

O que de fato a deixava um pouco chateada, pois esse simples preparado parecia fazer mais efeito em Kirito do que as refeições preparadas por ela.

Depois de terem terminado de comer e fazer a limpeza de tudo, colocou Kirito novamente em sua cadeira de rodas, com as duas espadas em seu colo e se direcionaram para a saída.

O jardim em frente brilhava em dourado com a luz do sol da tarde no momento em que saíam da cabana. Os dias estavam ficando mais curtos ultimamente, com o entardecer chegando bem mais cedo a cada vez. Com isso em mente, apressou sua marcha.

Ao chegar na bifurcação, dobrou para o sul rapidamente e seguiu acelerado.

A floresta logo foi deixada para trás, dando espaço aos campos de trigo que iam até o horizonte. A densamente povoada Rulid podia ser vista no alto da paisagem, mais além das espigas de trigo, que se balançavam cadenciadamente ao sabor do vento. Era possível visualizar a construção mais alta, sobressaindo-se em meio aos tetos das demais moradias, com seus ladrilhos roxos. Era a igreja onde Selka vivia.

Nem sua irmã, nem Azariya, a encarregada da igreja local sabiam que a organização Axiom, que administrava a Catedral Central e os quatro impérios do Mundo Humano não passavam agora de uma ilusão, um grande palco sem o seu ator principal.

Ainda assim, a pequena igreja que também servia de orfanato permanecia funcionando sem problemas.

Mesmo a Catedral Central caindo no caos com a morte da Administrator, não havia causado impacto algum na vida das massas. O Índice de Tabus funcionava com sempre funcionou, limitando a consciência de cada indivíduo. Será que desse jeito eles realmente conseguiriam pegar em armas e lutar para proteger seu próprio mundo?

O mais provável é que acabem obedecendo se assim forem ordenados, tanto pela Igreja Axiom quanto pelos imperadores. Entretanto, só isso não seria o suficiente para lutar contra as forças do Dark Territory. E com toda a certeza, o comandante Bercouli estava a par dessa situação.

O que decidiria o curso da batalha final não era o nível de prioridade das armas e nem da autoridade das artes e sim a força de vontade de cada um. As batalhas de Kirito demonstraram isso quando venceu inesperadamente uma tarefa que se via como impossível. Com sua confiança inabalável, derrotou vários Integrity Knight, o chefe Chudelkin e até mesmo a Alto Ministro, a Administrator. Só isso já era prova mais do que suficiente.

Enfrentando os olhares acusadores dos aldeões, cheios de ansiedade e desconfiança, Alice passou por eles no caminho de maneira destemida, de peito aberto enquanto sussurrava em seu coração para seu mestre.

“Meu senhor, para as massas que vivem no Mundo Humano, a paz não pode ser algo para se proteger e sim algo de direito garantido para toda a eternidade.

E quem nutriu isso neles até agora, foram a Igreja Axiom, o Índice de Tabus e nós… os Integrity Knight. Eles não estão preparados para nada…”

Inclusive agora, o comandante dos guerreiros sagrados, Bercouli, deveria estar trabalhando duro para treinar as forças dos quatro impérios em Centoria Central para formar uma equipe apta para o combate, sem que fosse necessário o envolvimento dos civis.

E na melhor das hipóteses, ele já estaria indo em direção ao Grande Portão do Leste, a fronteira do Império de latitude de mesmo nome, travando uma batalha feroz.

E se esse for o caso, provavelmente esteja ou estará precisando muito em breve de uma ajuda adicional de um cavaleiro que está próximo…

“Sei o que tenho que fazer, porém, nesse momento…”

Continuou caminhando pela trilha, margeando a plantação de trigo enquanto permanecia imersa em pensamentos, atravessando-a e entrando em um enorme terreno recém-aberto que se estendia até o sul da aldeia.

Parou a cadeira de rodas pouco antes de tocar no rico solo escuro e bem arado. Ficou contemplando por breves momentos aquela imensidão aberta.

Ouviu dizer que ali era uma grande floresta, tão grande quanto a que está morando com Kirito há tão somente dois anos atrás.

Entretanto, graças a Kirito e Eugeo terem derrubado o Giga Cedro, a árvore demoníaca, que se elevava acima de tudo, com um governante primordial de toda a vegetação, absorvendo infinitamente o poder sagrado da terra e do sol, agora os homens da aldeia podiam dedicar-se à expansão dos campos, ou pelo menos foi isso que Selka lhe contou com uma expressão irritada.

Um gigantesco tronco negro como o carvão ainda permanecia no meio do terreno limpo e mesmo à distância, conseguia ouvir vigorosos ruídos de cortes de machados ressoando pelo ar, vindo de dezenas de aldeões que estavam na volta da parte tombada de árvore.

Enquanto os demais se esforçavam, um único homem com a barriga saliente, em um dos cantos do terreno dava ordens levantando e baixando as mãos rapidamente. Era o dono da maior fazenda de Rulid, Nygr Barbossa.

Mesmo um pouco a contragosto, Alice prosseguiu empurrando a cadeira de rodas acompanhando um estreito caminho, aberto certamente pelas dezenas de pessoas que dia após dia andavam por ali.

Kirito não demonstrou nenhuma reação mesmo quando estavam passando ao lado do troco, o gigantesco vestígio da árvore titânica que uma vez derrubou. O rapaz apenas continuou com a cabeça abaixada segurando suas duas espadas.

Os primeiros a se darem conta da dupla que se aproximava foram três rapazes membros da família de Barbossa, que estavam nesse momento descansando sobre o tronco.

O trio, que aparentavam não terem mais do que quinze ou dezesseis anos, ficaram encarando Alice, que estava com um lenço envolvendo seus cabelos loiros antes de concentrarem atenção sobre o rapaz sendo carregado na cadeira.

Logo, começaram as chacotas e risadinhas desdenhosas. Atos que Alice tratou de ignorar, passando rapidamente por eles, porém, no instante em que ela fez isso, os três gritaram ao mesmo tempo como uma corrente de latidos:

“Tioooo!! Ela está aqui!”

Nygr Barbossa, que estava vociferando enlouquecidamente para seus empregados, mexendo com as mãos ora para cima, ora colocando-as na cintura, virou rapidamente ao ser chamado, mostrando um sorriso seboso com sua cara redonda e amassada. Sua boca era tão desproporcionalmente grande em relação aos olhos, que chegava a recordar parcialmente o chefe da câmara dos anciões, o palhaço Chudelkin.

Mesmo com a repulsa inicial, Alice se forçou a lhe devolver um sorriso, fazendo uma ligeira inclinação com a cabeça.

“Boa tarde, senhor Barbossa! Ouvi que tens trabalho para mim…”

“Ooh! Oho! Mas se não é a Alice? Fico muito contente que tenha vindo.”

Moveu seus braços, alisou a grande pança e depois os abriu amplamente. Alice chegou a estremecer, convencida de que aquele gesto significava que ele queria lhe abraçar, porém, ela tratou de empurrar ligeiramente a cadeira de rodas para a frente, desviando o olhar para o lado, até que felizmente, o rechonchudo e oleoso fazendeiro desistiu daquela ideia.

Em troca do abraço, o Nygr se aproximou extremamente de seu rosto e depois de alguns instantes, girou-se para o lado do enorme tronco caído e disse:

“Veja! Consegue ver, não é? Estamos gastando todo nosso tempo em um esforço praticamente inútil. Levamos a manhã inteira, quebramos uma quantidade absurda de machados para fazer esse simples corte. E olha que estamos fazendo turnos com dez homens de cada vez para cortar e só conseguimos esse patético progresso.”

O dedo indicador e o polegar de sua mão direita formaram um pequeno vão entre eles, como uma pinça, indicando o tamanho do ínfimo corte que tinham feito.

Em sua frente, uma árvore branca e marrom com um tronco de um mel e meio havia crescido, irrompendo através das raízes da árvore negra, surgindo das profundezas da terra, rechaçando todos os esforços obstinados dos lenhadores. Barbossa e os demais o chamaram de Carvalho de Platina.

Nesse exato instante, dois homens balançavam seus enormes machados, porém, mesmo com tamanha força, era visível que o resultado estava muito aquém do esperado, o corte não chegava a sequer dez cen.

O suor escorria pelas costas descobertas dos dois trabalhadores como cascatas. Ambos possuíam peitorais e músculos dos braços bem trabalhados, entretanto, o manejo com a ferramenta estava muito rígido, provavelmente pela falta de prática e necessidade de ficarem movendo um machado incessantemente em suas atividades normais diárias.

Ela observou a técnica de um dos homens, que deslizava a perna um pouco para o lado e golpeava, infelizmente, atingindo um lugar errado em um ângulo pior ainda. O machado quebrou-se imediatamente ao meio, causando uma algazarra de seus companheiros, que riam e faziam graça com seu azarado colega estatelando-se de bunda no chão.

“Pelos deuses!! Mas o que esses idiotas estão fazendo…!?”

Nygr olhou desconsolado para Alice.

“Nesse ritmo, não conseguirei planejar nada, pois não saberei quantos dias ainda levarei para acabar com essa nova árvore que começou a nascer. Sem falar que enquanto ficamos às voltas com isso, os homens de Redack já terão expandido seu terreno uns vinte mels em todas as direções!”

Depois de pronunciar o nome da outra família de agricultores mais influentes depois deles próprios, Nygr Barbossa chutou uma pedra. Sua respiração começou a ficar aflita, porém, outro grande sorriso surgiu em seu rosto enquanto deixava escapar uma voz toda melosa.

“E é isso! Sei que nosso acordo era para trabalhar apenas uma vez ao mês, porém, será que poderia abrir uma exceção? Você poderia me emprestar sua força só mais uma vez, Alice?

Provavelmente você não se lembre, mas quando era pequena, eu sempre te vendi-… digo, te dava muitos doces. Você era uma garotinha tão adorável naquele tempo que… n-não, não, não que agora esteja diferente, mas é que agora atrai de outr-… ah! Você entendeu né? ”

Alice interrompeu o papo furado de Nygr com um suspiro.

“Certo, eu compreendi, senhor Barbossa. Vou tratar esse trabalho em particular como uma exceção.”

Derrubar árvores e carregar pedras que obstruíam o caminho era como se fosse a tarefa sagrada de Alice agora. Não, para falar a verdade, esse era seu modo de sobrevivência no momento.

Naturalmente, aquilo não era um trabalho a qual fora nomeada formalmente. Entretanto, no mês passado um incidente ocorreu, causando um alvoroço na vida pacífica dos moradores quando uma enorme rocha rolou da parte alta da estrada, interrompendo o caminho para a passagem do oeste. Nesse caso em específico, Alice, sem pensar muito, atirou a pedra para longe. Esse ato causou vários rumores em Rulid e antes que se desse conta, começou a receber diversos pedidos de ajuda em tarefas desse tipo.

Era de fato um dinheiro necessário para continuar vivendo e cuidando de Kirito, então, se sentiu agradecida pelas ofertas.

Ainda assim, Selka ficava incomodada com esse tipo de pedidos cada vez mais recorrentes e pesados que sua irmã fazia sem reclamar do quão extenuante era. Dessa forma, conseguiu ao menos que esta o fizesse apenas uma vez ao mês, o que de fato teve que concordar que era um bom acordo.

Nygr devia estar preso pelas normas do Índice de Tabus, as leis fundamentais do Império de Norlangarth e da aldeia, porém, não estava realmente surpresa que ele tivesse lhe mandado dois pedidos de ajuda em um mesmo mês. Sendo que isso caracterizaria uma quebra de acordo, coisa que estava terminantemente proibida nas regras.

E como ele não tinha rompido o selo do olho direito, aquela restrição Código 871, segundo as palavras da Alto Ministro, igual ao que aconteceu com ela mesma e Eugeo, só podia supor que o homem estava se achando superior à Alice. Tinha a plena convicção de que não havia a necessidade de ater-se aos protocolos gerais de regras com alguém tão inferior, um ex-condenado que vivia às margens da vila, no meio de uma cabana na floresta.

Era uma brecha, quase como o que acontecia com os nobres de alta classe, que faziam o que bem entendiam, por ter a certeza de que estavam sobre os demais.

Mesmo com isso em mente, Alice concordou em ajudar Nygr.

Ela afastou a cadeira de rodas de Kirito, para que nada acontecesse com ele. Porém, o rapaz continuava indiferente com o que acontecia à volta e depois de dizer-lhe baixinho que já voltava, virou-se para o Carvalho de Platina.

Vários homens ficaram olhando Alice com ares de superioridade. Ainda havia alguns ali que desconheciam sua força, porém, os que já a tinham visto em ação, ficaram em silêncio e se afastaram.

Chegando até a árvore, a garota rapidamente fez um selo de letras sagradas no ar com um dedo de sua mão direita e abriu a Janela de Stacia. Sua quantidade de Vida era realmente bem grande como era de se esperar de algo que estava vencendo todos aqueles homens. Usar um machado dali como normalmente fazia, resultaria em uma ação ineficaz, como já fora provada. Precisava de algo com mais prioridade.

Voltando até a cadeira de rodas, ela inclinou-se e sussurrou suavemente.

“Me desculpe, Kirito. Será que você poderia me emprestar sua espada por um instante?”

Ela tocou gentilmente a bainha de couro negro com sua mão direita e sentiu o braço esquerdo do rapaz se tensionar levemente enquanto levantava um pouco a espada.

“Aah…!”

Esse era provavelmente um fragmento de recordações ao invés de pensamentos cognitivos lógicos. Agora, tudo que controlava Kirito eram sentimentos que estavam em seu peito, não mais sua mente.

“Muito obrigada!”

Sussurrando isso, ela lentamente extraiu a espada da mão do rapaz. Depois de confirmar que ele estava calmo, voltou para a árvore outra vez.

Sem dúvida alguma, era um ser esplêndido. Não podia ser comparado com nenhuma das árvores que cresciam ao redor da capital Centoria Central. Parecia que tinha centenas de anos.

Alice pediu desculpas em seu coração e se posicionou.

Com sua perna direita à frente e a esquerda dando sustentação atrás, colocou sua mão destra na empunhadura envolta em couro negro da Night Sky Sword que segurava em diagonal com sua outra mão.

Calculou a distância com seu olho esquerdo e…

“Ei! Ei! Acha que vai cortar esse maldito carvalho com uma espadinha tão fina quanto essa?”

Um dos homens gritou, sendo acompanhado dos demais em frenesi instantâneo, vociferando palavras misturadas com risadas e assobios.

Diziam: ‘-É essa coisinha que vai se partir, isso sim!’ e ‘-O sol vai embora umas quatro vezes e voltar antes que consiga fazer alguma coisa’.

Enquanto os insultos e chacotas voavam para todos os lados, uma voz se sobrepôs ao vozerio, era de Nygr Barbossa.

“Hã… Alice, se possível, gostaria que você conseguisse cortar em… digamos… uma hora…pode ser?”

Ela já havia derrubados árvores parecida com essa nas outras ocasiões e sempre demorava mais ou menos meia hora. A razão de manter esse tempo era porque ficava controlando sua força de maneira a não quebrar os machados comuns que pegava emprestado com o impacto de sua força absurda, pois se quebrasse, não tinha dinheiro para repor.

Entretanto, hoje isso não seria um problema. A Night Sky era um instrumento sagrado com um nível de prioridade igual ao de sua Fragrant Olive.

“Não se preocupe, não irei precisar de tanto tempo dessa vez.”

Respondendo quase como um murmúrio, Alice apertou a empunhadura.

“Haa!!!”

Um grito curto. Uma nuvem de pó girou debaixo de seu pé direito, cravando-o firmemente no solo, com uma pequena explosão.

Já havia se passado certo tempo desde que tinha manejado uma espada pela última vez, porém, felizmente, suas técnicas continuavam afiadíssimas. O corte horizontal vindo da esquerda sendo ativado ao mesmo tempo em que avançava desembainhando a lâmina produziu um relâmpago negro no ar.

Os homens que estavam zombando até agora, ficaram pálidos instantaneamente. Pareciam não entender ou sequer acompanhar o que tinha acabado de acontecer. Mesmo com Alice já terminando o golpe, com a espada totalmente esticada ao máximo de sua envergadura, eles continuavam atônitos.

Olhavam de maneira confusa para o carvalho que não apresentava nenhum dano além do que eles tinham feito até agora com os machados ou pelo menos foi isso que acabaram supondo depois de alguns momentos.

Eventualmente, alguém no meio da multidão gritou:

“Viu o que disse? Nada!”

Alice olhou fixamente para a pessoa que disse aquilo e respondeu enquanto embainhava a espada.

“Olhe novamente então!”

“Como é que é…!? Mas o que voc-…!?”

Os olhos de todos se arregalaram em choque. O que viram foi o tronco do Carvalho Platina lentamente inclinar para o lado e sem nenhum som, a grande árvore explodiu no chão, caindo em direção aos homens que não tinham se afastado anteriormente e que quase foram esmagados com a surpresa, saindo correndo no último instante para salvar suas peles.

Alice caminhou lentamente para frente espanando com sua mão direita a nuvem de pó que foi erguida do solo.

Viu que uma das três seções do tronco que brilhavam como metal polido, estava com alguns filamentos que claramente não se cortaram com o golpe, vindo a romper somente pelo peso do caule.

Imediatamente pensou que suas habilidades tinham decaído um pouco ou quem sabe a falta de seu olho direito a tenha feito errar os cálculos de profundidade do golpe.

Enquanto estava pensativa, viu a parte superior do corpo de Nygr Barbossa se aproximar remexendo-se de maneira estranha. Inconscientemente, olhou para frente e viu que o fazendeiro estava com um sorriso estampado no rosto, rindo com pesadas gargalhadas enquanto batia em sua pança e abria novamente os braços para ela.

A garota automaticamente sem pensar, apontou a espada em sua mão esquerda e o homem congelou na hora.

Mesmo com isso, seu sorriso não desapareceu, só que agora suas mãos foram para sua cintura enquanto falava bem alto de modo nervoso.

“I-In… Incrível!!! Que habilidade maravilhosa!! Jink, o chefe da guarda, nem sequer pode igualar-se a isso. Foi um movimento praticamente divino!!”

Enquanto falava palavras cheia de admiração e com um toque de avareza, se aproximou mais um mel da garota.

“O-O q-que acha disso, Alice? Te pagarei o dobro… ou melhor… ao invés de vir uma vez no mês, trabalhe comigo uma vez por semana… não, uma vez por dia…! Será ótimo, o que acha?”

Alice sacudiu levemente a cabeça em negativa para um empolgado Nygr que ficava levantando os braços desordenadamente.

“Não, agradeço mas… o pagamento que recebo agora é mais do que suficiente.”

Se ela começasse a brandir sua Fragrant Olive Sword, usando seu Armament Full Control Art, não somente daria conta de uma árvore por dia, como poderia botar abaixo toda uma floresta em questão de segundos. Porém, se ela fizer isso, os pedidos iriam aumentar de maneira exponencial. Seria chamada para lavrar a terra, mover colinas e manipular o clima, como fazer chover nos momentos oportunos ou criar uma estiagem. Fazendo as pessoas ficarem ainda mais dependentes e vulneráveis.

Nygr se mordeu em agonia diante da negativa da garota. Bufou e piscou mais um pouco com o seco e direto pedido: ‘-Meu pagamento, por favor!’.

Entretanto, diante da situação, ele não podia fazer nada além de cumprir com o que tinha acordado, respondendo com um: ‘-O-Oh…! C-Certo, está certo!

Enfiando a mão no bolso, pegou uma bolsa que soava pesada e retirou uma única moeda de prata. Ao depositá-la na palma da mão de Alice, não se sofreu e tentou obstinadamente as últimas palavras na tentativa de convencê-la.

“O que acha disso então, Alice? Posso lhe pagar outra moeda se você negar ajudar os Redacks nesse próximo mês…”

Foi no momento em que a paciência dela acabou, quando respirou fundo para dar a negativa definitiva para Nygr, que um pesado som chegou aos seus ouvidos.

Ela rapidamente se virou e viu a cadeira de rodas tombada para frente, com Kirito estirado no chão.

“Kirito!!”

Alice gritou em pânico.

Ela podia sentir à distância o desespero de Kirito enquanto esticava seu único braço para frente, arrastando seu peito no chão tentando erguer-se. Diante do rapaz, estavam os três jovens que estavam descansando logo no início quando eles tinham chegado no terreno. Estavam tentando segurar a espada embainhada em couro branco que estava praticamente se cravando no solo enquanto gritavam.

“Uohh!!! Mas que diabos é isso?? Essa coisa é pesada demais!!!”

“Será que por isso que essa garota conseguiu derrubar aquela maldita árvore?”

“Calem a boca e me ajudem a levantá-la!!”

O terceiro rapaz gritou isso enquanto segurava a empunhadura da Blue Rose com as duas mãos na tentativa de desembainhá-la.

Alice escutou os próprios dentes rangendo de raiva. Sentimento que liberou em forma de um poderoso grito, digno de um Integrity Knight que se fazia ouvir à longas distâncias.

“Seus malditos desgraçados…!!!”

A boca dos três garotos se escancararam no momento em que viram Alice.

Para eles, a garota pareceu ter se teleportado em um instante, cobrindo os vinte mels que os separavam, criando uma onda de pó no caminho percorrido.

Instintivamente, os três retrocederam com medo diante do agressivo avanço.

Segurando de alguma maneira as emoções ardentes explodindo eu seu peito, Alice respirou fundo, abaixou-se e primeiro ajudou Kirito.

Enquanto o colocava sentado novamente na cadeira de rodas, seguiu falando com a voz carregada.

“Essa espada pertence a esse homem. Devolva-a agora!”

Após o susto, as expressões desafiantes voltaram a aparecer nos rostos do trio.

O que tinha a maior constituição física, o mesmo que estava tentando desembainhar a espada azul, apontou para Kirito.

“Fique sabendo que a gente pediu emprestado antes, sabia?”

De volta na cadeira de rodas, o rapaz de cabelos negros ainda se debatia com seu braço à frente em direção à espada em poder dos três.

Um dos dois que puxavam a bainha para ajudar o outro a sacar a lâmina completou com um sorriso torcido.

“Exatamente! E ele nos emprestou gentilmente. Lembro direitinho que ele disse: ‘-Aah! Aaahh…!’. Que, obviamente, é um ‘-Sim, pode pegar!’.”

O último garoto acompanhou com uma risadinha contida.

Alice agarrou com força a alça direita da cadeira, fazendo-a estalar sob a pressão monstruosa. Essa mão instintivamente estava buscando desembainhar a Night Sky Sword em sua mão esquerda.

Meio ano atrás, ela teria decepado essas seis mãos tocando na Blue Rose sem pestanejar. Os Integrity Knight estavam acima das regras do Índice de Tabus no tocando a infringir dano físico aos outros. Isso sem falar do selo não mais presente em seu olho direito, fazendo com que nada à segurasse se realmente quisesse dar vazão as suas emoções.

Alice apertou tanto seus dentes que seu maxilar protestava com uma dor intensa, fazendo aparecer filetes de sangue no canto de suas gengivas.

Ela permaneceu em silêncio, sem se mover por vários segundos. Entretanto, provavelmente falhou em suprimir a sede de sangue emanando de sua mão esquerda, pois o trio imediatamente parou de rir e desviaram seus olhares assustados.

“E-Ei! Ei!… Não há necessidade de nos olhar… dessa forma…”

O maior deles fez uma expressão irritada e depois largou a empunhadura da espada. Os outros dois deixaram a bainha cair com expressões aliviadas, provavelmente estavam no limite de suas forças por somente tentar segurá-la.

A Blue Rose caiu imediatamente no chão, criando um considerável afundamento no solo.

Alice se aproximou sem dizer nada, parou em frente aos três e usando propositalmente dois dedos de sua mão direita, levantou a bainha de couro branco. Olhou de maneira ameaçadora mais uma vez para eles e enfim, lhes deu as costas, voltando para a cadeira de rodas.

Ela limpou a terra que havia na espada e a colocou no colo de Kirito, juntamente com sua companheira negra, as quais o rapaz abraçou imediatamente, acalmando-se.

Então, a garota deu uma olhada para Nygr Barbossa, que aparentemente não tinha prestado atenção no que tinha acabado de ocorrer pois já estava novamente absorvido em seus afazeres, com os gritos e acenos para seus trabalhadores e começou a empurrar a cadeira de volta para a trilha que dava para o norte.

A fúria que estava queimando em seu peito, em pouco tempo tornou-se em uma sensação de inutilidade.

Não era a primeira vez que se pegava pensando nisso desde que começou a viver na floresta perto de Rulid. A maioria dos aldeões evitavam falar com ela quanto mais com Kirito, que não tinha o mínimo de nível de conversação, eles sequer eram tratados como seres humanos.

Entretanto, não podia condená-los, pois para eles, Alice era uma criminosa que violou o Índice de Tabus. Deveria dar-se por satisfeita por pelo menos eles darem o consentimento de viver próximo à aldeia, não lhe negando a venda de comida e outros artigos de necessidades diárias.

Ainda assim, aquela ideia lhe vinha a mente… ‘-Para que tudo isso?’.

Para que serviu lutar tanto, sofrer tanto contra a Alto Ministro? Do que adiantou a antiga Alto Ministro, Cardinal, a destemida aranha Charlotte e Eugeo perderem suas preciosas vidas? E Kirito virando uma casca vazia sem emoções? O que exatamente eles protegeram depois de tudo?

Essa linha de pensamentos sempre terminava na pergunta que até agora jamais tinha sido pronunciada.

“Há realmente necessidade de proteger pessoas como esses da família Barbossa?”

Esse questionamento que fez Alice tomar uma importante decisão…

 

 

 

INAUGURANDO A CASA NOVA!!

SEI QUE TEM UMA CACETADA DE COISAS PARA ARRUMAR AQUI NO SITE, ELE ESTÁ COM UM CACHÊ VIOLENTO, MEIO PESADÃO, MAS TUDO A SEU TEMPO.

ESTOU ACABADO, MAS EM BREVE TEREMOS SEÇÃO COM OS FILMES, RESUMOS DOS ARCOS, RESENHAS DE PERSONAGENS, ILUSTRAÇÕES TRADUZIDAS, O VOLUME 17 EM INGLÊS ENTRE OUTRAS COISINHAS.

 

NO MAIS, A DONA ALICE QUER FATIAR GERAL E FICA NESSE MIMIMI AÍ… GOSTAVA MAIS QUANDO PASSAVA A LÂMINA NA GALERA.

 

FORTE ABRAÇO A TODOS!!

 

Sword Art Online Alicization Underworld Invading

Não deixem de curtir Fan Page Sword Art Online Alicization Underworld – Light novel em Português

Também estamos no Tumblr e no Pinterest

 

E será que temos o momento loirinha carente procura em Alicization?