Sword Art Online Alicization – Invading – Capítulo 15 – Parte 1.1

Arco: Sword Art Online Alicization Underword – Invading

Capítulo 15 -Nas terras do Norte – (10º mês do calendário do Mundo Humano do ano 380)

Sword Art Online Alicization Underworld - Alice e Selka - Volume 15Parte 1

Depositando no escorredor os pratos que havia acabado de lavar, Alice Synthesis Thirty secou suas mãos na barra de seu avental e depois esfregou o rosto.

As copas das árvores visíveis além da janela já haviam perdido muito de suas folhas, ficando a maioria em tons de vermelho e amarelo devido ao frio dos últimos dias.

O inverno parecia chegar mais cedo aqui do que na capital Centoria Central.

Ainda assim, os raios de Solus derramando-se dos céus, que se mostrava azul como não se via em dias, eram agradavelmente mornos. Um casal de coelhos, que haviam se refugiado sob uma enorme raiz na árvore bem em frente, surgiram para aproveitar aquele banho de sol.

Alice sorriu por um momento enquanto observava a cena e depois virou-se para trás e falou:

“Veja só! Parece que vamos ter um ótimo dia hoje, que tal almoçarmos no caminho das colinas do leste?”

Não houve resposta.

A pequena cabana de madeira só tinha dois habitantes e o local onde estavam servia tanto como sala de estar, jantar e cozinha, com uma mesa de madeira rústica no meio do cômodo.

Sentado em uma das cadeiras, estava um jovem de cabelos negros. Ele nem sequer levantou a cabeça quando Alice falou, permanecendo com o olhar vazio focado em algum lugar sobre a mesa.

Ele nunca teve muitos músculos, porém ainda assim, não era nem perto de como estava agora, tão magro e curvado.

Seu corpo mostrava ossos saltados aparentes com aquela simples túnica por cima. E para deixar a visão mais trágica, movendo-se com a brisa vinda da janela estava a manga direita vazia sem nenhum membro para preenchê-la até a altura do ombro.

A luz estava ausente de seus olhos negros como os cabelos. Suas órbitas refletiam a imagem de seu coração selado.

Reprimindo a dor em seu peito, a qual ainda se negava a acostumar-se, Alice continuou com a voz alegre.

“Mas acho que está um pouco ventoso, melhor levarmos um agasalho. Me dê só um instante que vou pegar.”

Depois de tirar seu avental e pendurá-lo em um gancho na parede, virou-se e caminhou até uma pequena prateleira. Pegou um laço sobre ela, amarrou seu longo cabelo loiro e colocou uma bolsa feita de algodão em volta de si. Logo após, ajustou a já descolorida venda negra sobre seu olho direito, pegou uns agasalhos que estavam pendurados na parede e retornou para o meio da sala com eles nos braços.

O jovem na cadeira ainda permanecia imóvel.

Depois de incliná-lo levemente para frente, empurrando suas magras costas, o colocou de pé.

Entretanto, mesmo levantando de maneira torpe, não esboçava nenhuma reação, não conseguindo dar um passo sequer. Com o garoto nessa posição, passou o agasalho em sua volta e o amarrou na cintura com uma cinta de couro.

“Falta pouco, aguente assim só mais um instante!”

Dizendo isso, ela olhou para um dos cantos da cabana.

Ali havia uma cadeira reforçada feita de madeira clara. E no lugar das quatro pernas normais, tinham dois pares de rodas de ferro unidas por um eixo, com as de trás três vezes maiores do que as da frente.

Esse objeto tinha sido criado por um ancião chamado Garitta que vivia sozinho na parte mais profunda da floresta.

Segurando as alças fixas no encosto da cadeira de rodas, ela a empurrou até posicioná-la atrás do jovem. Sentando-o no acento de couro, o ajeitou de maneira a evitar alguma queda e por fim, enrolou suas pernas com um pequeno cobertor.

“E então? Pronto para ir?”

Acariciou os ombros do rapaz, pegou as alças da cadeira e a direcionou para porta da rua da cabana.

Nesse instante o garoto girou seu rosto bruscamente e estendeu sua esquelética mão esquerda que tremia sem parar para a parede no lado leste.

“A-aah… Aah…!!”

Esse gemido rouco era totalmente ininteligível. Entretanto, Alice imediatamente adivinhou o que ele estava querendo.

“Ah, desculpe! Já pego para você.”

Três espadas juntas em suas bainhas descansavam naquela parede, justamente para onde o rapaz apontava desesperadamente.

A que estava na direita era a Fragrant Olive Sword de Alice.

A da esquerda era a espada negra como carvão que o jovem um dia levou orgulhosamente na cintura, a Night Sky Sword.

E no meio dessas duas, uma espada longa completamente branca que não mais possuía um mestre, a Blue Rose Sword.

Alice pegou primeiro a Night Sky, quase tão pesada quanto a sua e a segurou na mão esquerda. Levantando em seguida a Blue Rose, esta com apenas a sombra de seu peso original, já que a lâmina agora tinha menos da metade de seu tamanho normal.

Infelizmente, o dono dessa espada, o jovem de cabelos loiros, melhor amigo desse outro rapaz na cadeira, também não estava mais aqui…

Fechou seu olho por um instante enquanto juntava as duas espadas e regressava até a cadeira de rodas. Após baixá-las gentilmente em seu colo, o garoto colocou a mão esquerda sobre elas e cessou os movimentos e gemidos, derrubando sua cabeça outra vez.

Incrivelmente o único momento em que ele conseguia expressar suas intenções através de sua voz era quando procurava essas espadas negra e branca.

“Certifique-se de segurá-las bem forte para que não caiam!”

Alice disse enquanto segurava a dor crescente em seu peito que não havia diminuído em todos esses meses passados. Empurrando a agora pesada cadeira de rodas, eles atravessaram a porta, ganhando a rua.

Uma grande rampa feita de madeira cobria a distância entre a soleira da porta e o chão ao invés de uma escada. Depois de descer até o modesto jardim, uma suave brisa fresca juntamente com a gentil luz solar envolveu a dupla.

A cabana tinha sido construída na parte mais densa da floresta, onde agora tinha um descampado bem no centro. Alice pessoalmente cortou, talhou e trabalhou a madeira para montar a simples moradia.

Não era muito elaborada, porém, sua estrutura era extremamente resistente já que tinha sido feita de três árvores com as prioridades mais altas dali.

Mesmo tenho que tolerar os incontáveis comentários ranzinzas do velho Garitta, quem a ensinou a talhar, o mesmo ficou impressionado em ver uma garota com uma força tão absurda.

Aparentemente, esse local era o mesmo aonde sua outra existência Alice e Eugeo vinha brincar quando crianças, era seu local secreto. Infelizmente, ela não tinha recordações desse tempo. Todas as lembranças de antes de se tornar uma Integrity Knight foram subtraídas através do Synthesis Ritual.

Ela havia dito para Garitta e os demais aldeões que tinha perdido todas suas lembranças do passado, porém, não deu nenhum detalhe sobre isso.

Na realidade, o seu atual ‘eu’, Alice Synthesis Thirty, não era mais do que uma personalidade atemporal em um corpo originado e criado nessas terras, da simples garotinha Alice Schuberg.

Mesmo sabendo que poderia não ser uma boa ideia, sentia que tinha que vir até ali, para o local que estava impregnado de marcas deixadas nesse mundo por sua outra eu e Eugeo.

“Vamos então!”

Deixou sua voz fluir enquanto suspirava, movendo a pesada cadeira para fora do terreno da cabana.

A clareira circular media mais ou menos trinta mels de diâmetro e estava confortavelmente coberta for um tapete de gramas juntamente com várias ervas medicinais na parte leste.

Olhando rapidamente, esse lugar parecia ser o ninho de alguma criatura colossal… o que de fato, não deixava de ser verdade, entretanto, o dono desse ninho estava ausente.

Ela deu uma olhada para cima, cogitando onde poderia ter ido enquanto via uma pequena trilha na parte noroeste onde terminava a clareira e começava a floresta.

O caminho para sair dali se dividia entre ir para leste ou oeste e o acesso se dava há uns cinquenta mels para ambos os lados de onde estavam.

O que ficava a oeste era um lugar chamado vila Rulid, porém, evitava ir lá sem um propósito muito forte. Então, seguiu a direção contrária, leste, avançando enquanto eram banhados pelos raios do sol que se filtravam entre as folhas.

Foi caminhando, empurrando a cadeira lentamente pelo meio do caminho na floresta, passando por cima do colchão de folhas avermelhadas caídas pela ação do outono ao chegarem ao final do décimo mês.

“Está com frio?”

Novamente o jovem não respondeu. Ele não diria uma palavra mesmo sob intensas temperaturas.

Ela ficou olhando em volta de seus ombros e confirmou que o agasalho estava bem fechado.

É claro, poderia muito bem esquentar os dois facilmente gerando um elemento térmico ou dois, porém, havia aldeões que os viam com suspeitas, então, dessa forma, preferia não chamar a atenção para evitar que mais rumores se espalhassem sob o pretexto de estar abusando das artes sagradas, que era considerado um tabu.

Depois de caminhar por uns quinze minutos criando profundos sulcos no chão batido, a trilha a sua frente se abriu.

Uma subida que dava para uma colina pode ser vista depois de cruzar pela última árvore. O estreito caminho deu lugar a uma subida íngreme, porém, ainda assim, Alice empurrava a cadeira de rodas sem esforço algum, como se não pesasse nada.

A vista instantaneamente se ampliou quando chegaram ao alto da colina.

Olhando para o leste estava a superfície azul do lago Ruhr que em sequência, dava vida a um grande pântano.

Ao sul, a floresta ia até onde a vista podia alcançar.

No norte, a imensa cadeia de montanhas, a borda da serra, coberta de neve extremamente branca elevando-se tão alta como se quisesse perfurar os céus.

Os dias em que homens voavam sobre aquele cume montados em seus incríveis dragões pareciam tão distantes agora.

Ela tinha o desejo de contemplar novamente esse maravilhoso panorama com ambos os olhos. A energia abundante dessa terra e do sol deveria ser mais do que capaz de curar seu olho direito. Entretanto, ainda não tinha a intenção de se livrar dessa ferida, mesmo sendo possível o fazer com seu assustador domínio das artes sagradas.

E ignorando totalmente aquela paisagem magnífica, os olhos vazios do jovem continuavam a vagar sem demonstrar um rumo certo no ar do final de outono.

Sentando perto da cadeira, Alice apoiou-se na roda maior.

“Não acha que é uma visão maravilhosa? Muito mais do que qualquer obra de arte pendurada na parede da Catedral Central.”

Ela começou dizendo, formando um sorriso nos lábios ao dizer o nome do garoto.

“Esse é o mundo que você protegeu, Kirito.”

Uma ave solitária alçou voo da superfície do não tão distante lago.

Quanto tempo eles ficaram ali?

Solus já havia completado muito de sua progressão diária nos céus quando se deu conta. Já era hora de voltar para a cabana e preparar algo para comer.

Em seu estado atual, Kirito não podia deixar de se alimentar, já que uma refeição perdida diminuiria muito de sua limitada Vida máxima.

“Já está ficando tarde, vamos voltar?”

E no momento em que se pôs de pé e pegou as alças da cadeira de rodas… notou o som de passos bem leves na grama logo atrás, na subida da colina.

Alice se virou para ver quem estava se aproximando e…

Viu uma garotinha com uma túnica preta. Seu adorável rosto ainda mantinha certo vestígio infantil enquanto mostrava um grande sorriso e agitava alegremente a mão direita.

“Manaaaa!!”

A gentil brisa trouxe o som da alegre voz até Alice que sorria e abanava em resposta.

Saltitando os últimos dez mels que faltavam da praticamente escalada da colina, a garota demorou vários segundos para recobrar o fôlego e falar cheia de entusiasmo.

“Bom dia mana!”

Após isso, se aproximou mais e deu um grande cumprimento em Kirito, sentando no apoio de braço de sua cadeira de rodas.

“Muito bom dia para você também, Kirito!”

Seu enorme sorriso não mostrou nenhuma preocupação pela falta de resposta do rapaz, mas pode ser sentido uma ponta de tristeza quando baixou os olhos para as duas espadas no colo de Kirito e disse baixinho.

“Bom dia, Eugeo!”

Estendeu sua mão direita enquanto sussurrava, passando a ponta dos dedos suavemente sobre a bainha da Blue Rose Sword.

Se um desconhecido fizesse isso, Kirito se agitava imediatamente como tivesse assumindo uma posição defensiva, entretanto, nunca agiu assim com essa garota.

Tendo cumprimentado seus dois amigos, a menina se levantou e virou-se novamente para Alice.

A garota de pé sentia uma misteriosa ternura aquecendo seu peito.

“Bom dia, Selka! Como sabia que estávamos aqui?”

Tinha levado mais de um mês até que conseguisse parar de chamá-la de ‘senhorita Selka’.

Desde que soube de sua existência, através de Kirito na Catedral Central meio ano atrás, sempre alimentou o desejo de conhecê-la. Porém, agora que esse desejo foi concedido, que conseguiu enfim encontrar Selka, uma pergunta crescia dentro de si.

Se ela, uma ex-Integrity Knight com o nome de Alice Synthesis Thirty, que um dia foi Alice Schuberg, tinha o direito de ser sua irmão mais velha.

Selka talvez não tenha se dado conta do enorme conflito em seu interior, pois seguia falando alegremente sem sequer tocar nesse assunto.

“Não busquei com nenhuma arte sagrada nem nada parecido. Fui até a casa de vocês e não estavam, então pensei que já que estava uma manhã tão linda, que talvez tivessem vindo aqui em cima. Deixei leite fresco, maçãs e um pedaço de queijo em cima da sua mesa, pensei que seriam bons para o almoço.”

“Muito obrigada, com certeza vai ajudar. Estava justamente pensando no que fazer para comer.”

“Pois é, é melhor anotar tudo isso que está cozinhando, pois algum dia Kirito vai ter que recompensá-la por toda comida que prepara para ele, maninha!”

Selka riu e Alice respondeu em meio às risadas.

“E falando nisso, sabia que já consigo fazer pão sem queimar?”

“Mas também, você inicialmente ficou tentando fazer eles com elementos térmicos, não me admira que todos tenham virado cinzas.  Espero que esteja fazendo-os normalmente. Parece até o Kirito inventando maluquices para resolver as coisas.”

Alice foi dar um pequeno peteleco na testa de Selka com seu dedo indicador, mas a menina esquivou-se agilmente, saltando para frente de Alice.

Ela gentilmente abraçou as costas de sua irmãzinha menor enquanto essa recostava a cabeça em seu peito.

Sword Art Online Alicization Invading

Eram nesses momentos que ela desejava desesperadamente que pudesse escapar da imensa pressão pesando em seu coração.

Que alívio seria se pudesse esquecer-se da culpa por dar às costas aos deveres dos Integrity Knight e passar seus dias, tranquilamente, morando nas profundezas dessa floresta remota.

Ainda assim, Alice sabia que não podia esquecer-se disso. O conflito derradeiro estava se aproximando por trás dessa cadeia de montanhas, pouco a pouco, inclusive enquanto abraçava sua irmãzinha.

O final daquela batalha feroz na Catedral Central da Igreja Axiom…

Tendo sofrido danos suficiente para esgotar sua Vida, ela jazia no chão de mármore, imóvel, vagamente consciente do fluxo da luta.

O embate mortal entre a Alto Ministro, a Administrator e Kirito que brandia duas espadas de maneira esplêndida.

A aniquilação da governante do Mundo Humano pelas chamas implacáveis do Chefe Chudelkin.

A morte do melhor amigo de Kirito, Eugeo, cuja carne foi cortada junto com sua preciosa espada.

Kirito que estava acudindo o garoto enquanto gritava de maneira enlouquecida palavras estranhas para uma misteriosa plataforma de cristal que havia surgido na parte norte da sala.

O resultado final daquela conversação foi além da compreensão de Alice, pois o corpo inteiro de Kirito repentinamente endureceu e caiu no chão, submergindo o mundo em silêncio.

Quando Alice recuperou uma pequena quantidade de sua Vida e foi capaz de mover-se novamente, a luz de Solus a muito brilhava no céus.

Foi com essa luz que filtrava-se através da janela que conseguiu curar as feridas de Kirito caído.

Entretanto, sua consciência permanecia perdida. Depois de se certificar que ele estava estável, cuidou de si mesma com as artes sagradas e só então foi até a plataforma de cristal a qual Kirito estava conversando.

A superfície que antes brilhava em roxo claro, já tinha perdido toda sua luminosidade, não importando quantas vezes ela a tocasse.

Sentindo-se derrotada, Alice sentou no chão.

Ela acreditou nas palavras de Kirito e lutou contra a governante absoluta, a Administrator, com o intuito de proteger as pessoas do Mundo Humano e sua irmã menor que vivia em uma região remota.

Batalha essa que achou que não sairia com vida.

Primeiramente, quando o estranho soldado feito de espadas que a Alto Ministro invocou, o Sword Golem, atravessou seu corpo.

Quando ela usou a si mesma como escudo para conter os relâmpagos mortais disparados.

Ou no momento em que abandonou tudo e se lançou em auxílio no momento em que Kirito estava prestes a ser perfurado por uma lâmina…

Alice se preparou para morrer diversas vezes. Entretanto, os sacrifícios de Cardinal, a pequena sábia, a misteriosa aranha Charlotte, junto com a magnífica luta de Kirito, haviam garantido sua sobrevivência.

Você me salvou, de todas as maneiras possíveis. Então, agora se responsabilize por isso!

O que pensou agora, ela havia gritado incansavelmente para o inerte Kirito por várias vezes. Porém, o jovem de cabelos negros continuava sem reação.

Parecia que em seu silêncio, ele estava dizendo que ela deveria pensar por si só em um caminho a seguir…

Depois de abraçar seus próprios joelhos por um longo tempo naquela sala, finalmente se levantou.

Talvez devido a aniquilação do mestre daquele espaço, mas o disco de elevação tinha cessado completamente seu movimento, igual ao que aconteceu com a plataforma de cristal.

Dessa forma, ela teve que abrir um buraco no chão com sua espada e saltar para o nonagésimo nono andar com Kirito em suas costas.

Depois, desceu a enorme escadaria, passando pelos anciões que continuavam entoando artes sagradas alheios a tudo em sua volta até o local onde se encontrava o espadachim que tinha sido congelado e petrificado, seu mestre espadachim Integrity Knight Commander Bercouli Synthesis One.

A enorme quantidade de água congelada pelo Armament Full Control Art de Eugeo já tinha derretido quase que totalmente e o corpo tombado de Bercouli agora flutuava na piscina, livre da arte de petrificação de Chudelkin, felizmente.

Depois de arrastar seu corpanzil para fora da água e esbofetear suas bochechas enquanto gritava ‘-Meu Senhor!’, o gigante finalmente deu um grunhido alto e abriu os olhos.

Alice de alguma forma tinha que explicar tudo que aconteceu para seu mestre que se levantava sem demonstrar tensão nenhuma no rosto dizendo:

“Ora veja só! Mas já amanheceu?”

Como esperava, suas palavras fizeram a expressão de Bercouli mudar automaticamente, deixando-o com um semblante extremamente sério.

Após ouvir atentamente o relato, falou com sua voz possante.

“Você fez um ótimo trabalho, pequena senhorita.”

As ações seguintes do Knight Commander foram quase que instantâneas.

Reuniu todos os Integrity Knight que pode no Grand Cloister of Spiritual Light no décimo quinto piso da torre, a contar da Subcomandante Fanatio, que estava de alguma forma desconhecida adormecida e totalmente ilesa nos jardim de rosas depois de ter perdido de Eugeo e Kirito, com os outros que tinham também sido presos pela arte de petrificação, como Deusobert e Eldrie e explicou os pontos principais.

Disse que após uma batalha com os dois espadachins em treinamento da academia de maestria com a espada de Centoria do Norte, a Alto Ministro, a Administrator, tinha sido derrotada e eliminada.

Falou também que a governante que seguiam estava trabalhando em um terrível plano para transformar a metade das pessoas do Mundo Humano em armas monstruosas com esqueletos feitos de espadas.

Que a câmara dos anciões, a Ordem Superior, efetivamente era só o Chefe Chudelkin e que ele também tinha sido morto juntamente com a Alto Ministro.

Tudo que ocultaram foi a origem dos Integrity Knight, ou melhor dizendo, ‘suas concepções’.

Bercouli suportou o impacto da verdade, pois desde o princípio, ele nunca acreditou nas palavras da Alto Ministro sobre sua invocação do Mundo Celestial. Entretanto, decidiu que isso deveria ser comunicado para os demais cavaleiros de forma mais devagar, progressivamente.

Não obstante, Eldrie, Fanatio e os demais estavam visivelmente perturbados com tudo ali. O que era perfeitamente natural.

A Alto Ministro, com um poder comparável ao dos deuses, a governante absoluta que reinou durante centenas de anos, tinha sido morta. Realmente não era algo fácil de aceitar.

Ao final da discussão conturbada, os cavaleiros decidiram seguir as ordens de seu comandante por enquanto, muito graças à extrema popularidade e habilidade de Bercouli nas batalhas.

Independentemente de qualquer coisa, eles eram guerreiros servindo a Igreja Axiom e agora que a Administrator e Chudelkin haviam deixado esse mundo, era inegável que o Knight Commander Bercouli era o próximo na cadeia de comando de tudo ali.

E no momento em que lhe foi concedido esse direito à comandar, o grande guerreiro focou todos seus esforços para cumprir sua tarefa original, ‘proteger o Mundo Humano’.

Depois de se sentir perdido, entrando em conflito consigo mesmo, acabou sabendo que as recordações de todos aqueles a quem amou estavam ao alcance de suas mãos.

Ainda assim, decidiu selar as trinta espadas que formavam o Sword Golem e todos os mais de trezentos prismas de cristais no centésimo piso da catedral, escondendo temporariamente a morte da Alto Ministro de todos da Ordem.

Tudo isso para dar a maior prioridade possível a iminente e enorme invasão do Dark Territory que estava prestes a acontecer.

Essa foi a principal razão pela qual decidiu não recuperar as recordações dos demais Integrity Knights e isso também valia principalmente para as suas.

Com muita competência, Bercouli conseguiu recuperar a forma dos Integrity Knight que estavam parcialmente desfeitos e logo começou a organizar e preparar toda a guarda dos quatro grandes impérios do Mundo Humano, que até hoje tinham sido chamados de exército somente no nome. Naturalmente, Alice também ajudou.

Com seu tapa olho improvisado por Kirito, sobrevoou do norte ao sul de Centoria para ajudar na tarefa.

Entretanto, seu tempo na catedral era limitado. O traidor que voltou sua espada contra a Igreja Axiom, o inconsciente Kirito, deveria ser executado. Essa opinião foi expressada diversas vezes por vários Integrity Knight e até mesmo alguns alunos dos sacerdotes que não estavam totalmente enterados sobre as circunstâncias da morte da Alto Ministro.

Em uma determinada madrugada, quando o trabalho necessário tinha acalmado um pouco, o suficiente para poder tirar um momento para descansar, Alice se foi com Kirito montados em um dragão voador.

Faziam duas semanas desde o final daquelas sangrentas batalhas.

O tratamento se seguia dia após dia. Entretanto, os olhos de Kirito permaneciam fechados. Depois de diversas noites acampando, o sentido de necessidade de que precisariam de um teto digno com camas quentes para uma melhor recuperação se fazia cada vez mais presente.

Infelizmente, não tinha fundos para se manter nem nas piores e mais humildes das pousadas, pois, todavia, se recusava a usar de sua autoridade como uma Integrity Knight.

Foi nesse momento que lhe veio à mente Rulid, o nome da vila onde Kirito disse que morou quando estavam no lado de fora da catedral.

Conservando um raio de esperanças de que seus habitantes pudessem lhes dar boas-vindas, já que, apesar de ter perdido as recordações, ela e Eugeo nasceram lá, Alice girou as rédeas de seu dragão voador para o norte e partiu.

Voou enquanto cuidava ininterruptamente do corpo de Kirito. A viagem até os limites da cordilheira durou três dias inteiros.

Descendo em meio à floresta próxima à aldeia de maneira a evitar alarmar os moradores, ordenou que seu dragão ficasse escondido entre a vegetação protegendo seus pertences enquanto colocava Kirito em suas costas e se encaminhasse para o pequeno povoado.

Uma vez saindo da floresta, chegou a uma trilha que margeava uma plantação e trigo e começou a encontrar com vários aldeões. Entretanto, ao contrário do que pensou, eles a olharam cheios de desconfianças e surpresa.

Foi quanto enfim chegou à Rulid, construída em um terreno alto, e tentou atravessar o pequeno pórtico de entrada com um posto de vigilância, foi abordada por um jovem com uma grande constituição física que prontamente impediu seu avanço.

“Alto lá! Nenhum forasteiro tem permissão de passar para a aldeia!”

O jovem guarda gritou dessa forma colocando a mão sobre a empunhadura de sua espada presa ao cinto.

Instantes depois franziu a testa ao ver o rosto de Kirito que estava nas costa de Alice e sussurrou a contragosto:

“Ah!…Esse carinha…”

Após olhar novamente para a garota, de forma confusa, seus olhos arregalaram-se e sua boca se escancarou.

“Não pode… ser… você é…”

Alice sentiu um pequeno alívio quando ouviu essas palavras. Falou para o guarda que parecia se lembrar dela mesmo que tenham-se passados oito anos, de maneira cuidadosa.

“Sou a Alice. Você poderia por favor chamar o chefe da aldeia, Gasupht Schuberg?”

Talvez tivesse sido melhor ter se apresentado como Alice Schuberg, mas ainda estava com dificuldades de aceitar isso. Felizmente, parecia que o primeiro nome tinha sido o suficiente já que a cara do guarda imediatamente passou do vermelho para o azul enquanto sua boca abria e fechava repetidas vezes sem dizer nada e depois saiu correndo pela rua principal.

O guarda não falou nada sobre esperar na entrada, então, Alice prosseguiu seu avanço para dentro de Rulid, pegando o mesmo caminho que o sentinela tinha usado.

A aldeia se tornou tremendamente barulhenta em instantes, quase como uma colmeia de abelhas.

Dezenas de aldeões começaram a encher as ruas, gritando e falando desordenadamente conforme Alice passava.

Entretanto, percebeu que quase ninguém expressava uma cara muito amistosa pelo seu regresso. Decidiu tomar aquilo apenas como receio e cautela diante de alguém que surgiu em sua frente vestindo uma pesada armadura pouco feminina carregando um adormecido Kirito em suas costas.

O caminho acabava em uma grande praça redonda.

Havia uma fonte, com uma pequena igreja com uma cruz anelada em seu topo no lado norte e logo após, um pequeno poço.

Quando Alice parou na entrada da praça, os habitantes começaram a ficar inquietos, observando ela cada vez mais receosos.

Minutos depois, um homem se aproximou, irrompendo entre a multidão no lado leste. Alice reconheceu imediatamente que aquele homem de bigode grisalho farto na plenitude de sua vida deveria ser Gasupht Schuberg, o chefe da vila Rulid e… o mesmo que um dia fora seu pai.

Gasupht parou a certa distância e ficou observando Alice e Kirito sem modificar sua expressão em absoluto.

Aproximadamente dez segundos depois, falou com uma voz poderosa.

“Você é Alice?”

A garota respondeu com um simples ‘-Sim’. Entretanto, o chefe não se aproximou e não fez um sinal de que fosse talvez abraçá-la. Ao invés disso, fez outra pergunta em um tom mais severo do que antes.

“Porque estão aqui? Você foi perdoada de seu crime?”

Ela não respondeu imediatamente dessa vez. Nem mesmo sabia que tipo de crime tinha cometido ou se tinha sido perdoada.

Kirito mencionou a razão pela qual o Integrity Knight Deusobert tinha levado Alice Schuberg até a capital, ela havia quebrado o tabu de ‘Invasão ao Dark Territory’. Entretanto, como uma Integrity Knight, Alice não estava presa aos tabus. As ordens da Alto Ministro eram as únicas leis para um cavaleiro.

Porém, essa pessoa não mais existia. Dessa forma, não tinha mais como determinar o que eram crimes e também como ser perdoada, tudo que podia contar agora, era seu próprio senso…

A jovem olhou diretamente dentro dos olhos do chefe da aldeia enquanto respondia com esses pensamentos em mente.

“Eu perdi todas as minhas recordações de quando vivi nesse povoado como castigo pelo meu crime. Não sei se fui perdoada totalmente, entretanto, agora já não tenho mais lugar para ir além daqui.”

Aquelas eram palavras verdadeiras para Alice, seus sentimentos sinceros.

Gasupht piscou e manteve seus olhos fechados por um momento enquanto sua testa franzia e longas rugas surgiam nela.

Sua boca se torceu por um instante e assim que levantou o rosto, falou alto suficiente para sua voz ecoar por toda a praça.

O que anunciou com um profundo fogo em seus olhos foram de fato palavras amargas e sombrias.

“Vá embora! Essa aldeia não tem lugar para quem cometeu um tabu.”

O rosto de Selka surgiu em sua frente como se tivesse esperando aquele instante para retorná-la ao presente. O corpo de Alice estremeceu quando inclinou o pescoço para baixo e olhou a menina que a abraçava.

“Mana, você está bem…!?”

Um sorriso surgiu no rosto de Alice, respondendo ao sussurro ansioso de sua irmã mais nova.

“Está tudo bem. Temos que voltar para preparar o almoço…”

“C-Certo, mas…”

Depois de instantes de confusão, Selka concordou com a cabeça e a soltou do abraço. Entretanto, logo um sorriso brilhante chegou em seu rosto.

“Vou acompanhá-los até a bifurcação, que tal?”

Disse alegremente enquanto se colocava atrás da cadeira de rodas de Kirito e agarrava as alças com suas pequenas mãos.

A cadeira em si já era bastante pesada, sem mencionar o fato de que havia uma pessoa sobre ela, que mesmo que estivesse muito magra ainda assim pesava bastante, junto com isso, haviam uma espada e meia, que pesavam absurdamente por serem instrumentos sagrados.

Essa carga era demasiadamente grande para alguém eu tinha somente quatorze anos e que estudava para ser uma sacerdotisa, função que não implicava em momento algum, esforço físico.

Pelo menos foi isso que Alice tinha pensado, até ver que Selka fazendo uma alavanca com suas pernas, deixando-as em uma posição tal que moveu a cadeira de todas, mesmo que lentamente.

“Ei! Tenha cuidado, estamos ladeira abaixo.”

Embora sempre dissesse isso, até hoje Selka jamais tinha deixado cair a cadeira uma única vez.

Então, a pequena garota, ao ouvir esse tipo de conselho, respondia casualmente:

“Está tudo bem, eu consigo. Você sempre se preocupa demais, maninha.”

Ao que tudo indicava, a outra Alice quando morava em Rulid, sempre se mostrava preocupada com sua irmã menor, apesar de ter passado tantas aventuras com Eugeo.

Será que isso era sua personalidade básica? Preservada mesmo com a perda de memória ou era apenas coincidência? Ficou pensando nisso enquanto caminhava ao lado de Selka que empurrava a cadeira com uma expressão séria.

Ao chegarem ao pé da colina, a descida transformou-se em um caminho plano. Selka continuou empurrando a cadeira mesmo com o aumento de peso.

Enquanto olhava o semblante de sua irmãzinha, os pensamentos de Alice voltaram ao passado mais uma vez.

Foi Selka quem a chamou debaixo da sombra de uma árvore quando ela tinha acabado de sair de Rulid, expulsa, se sentindo perdida e derrotada.

Se não fosse a coragem dessa pequena garotinha, que aproximou-se dela independente do pensamento de seu pai e com toda boa vontade lhe apresentou ao velho Garitta. Ela ainda estaria vagando por aí sem rumo, sem poder cuidar direito de Kirito.

Embora tivesse certeza de que não tinha sido fácil para Selka aceitar uma história dessas também.

Sua irmã mais velha voltando à terra natal depois de ter perdido todas suas recordações.

E Kirito, que tinha lhe feito uma sincera promessa dois anos atrás, estava agora em estado catatônico.

Sem falar… de Eugeo, ao qual deveria ser como um irmão para ela… e que estava agora… morto.

E mesmo com tudo isso, Selka mostrou suas lágrimas somente uma vez, quando se deu conta de que Eugeo não mais regressaria. Após isso, seu sorriso jamais de desfez na frente de Alice.

Não podia evitar de sentir gratidão e admiração pela incrível força mental dessa menina. Sentia que essa força era mais poderosa e preciosa do que qualquer arte sagrada e até mesmo do que uma espada.

Ao mesmo tempo que sentia isso, se dava conta do quão impotente era quando estava longe da Igreja Axiom.

Merecia mesmo estar ali?

 

 

MINHAS PESSOAS QUERIDAS!!

MAIS UM POST CHEGANDO MAROTAMENTE NA CALADA DA MADRUGA.

SIM, DESCOBRI QUE ESSE É O MELHOR HORÁRIO, MESMO QUE EU ESTEJA MEIO QUE UM ZUMBI, MAS O CHIBI ESTÁ NO PRIMEIRO SONO E ME DÁ ESSA FOLGUINHA.

CONFESSO QUE O CAPÍTULO MERECIA SER UM POUCO MAIOR,MAS ESTOU PREPARANDO UMA SURPRESA PARA VOCÊS, ENTÃO AGUARDEM E CONFIEM.

FORTE ABRAÇO A TODOS!!

(Minha cama será tão doce.. ZZzz…)

Sword Art Online Alicization Underworld Invading

Não deixem de curtir Fan Page Sword Art Online Alicization Underworld – Light novel em Português

Também estamos no Tumblr e no Pinterest

A tender feeling…  quantos sentimentos… P-E-R-F-E-I-T-O para a ocasião…