Sword Art Online Alicization Rising em Português – Underworld – Capítulo 8 – Parte 3.1

Arco: Alicization – Rising

Parte 3

Sword Art Online Alicization - Rising - Vol.12 - Elevator Operator
…Eu gostaria de voar livremente nesse disco… por esse lindo céu azul…

O que havia atrás da grande porta era uma sala quase tão espaçosa quanto o salão pelo qual Eugeo e Kirito tinham vindo. Seu formato também era idêntico, quase como uma construção gêmea com suas esquálidas janelas alinhadas, iluminando parcialmente o caminho a seguir.

A única diferença era que esse local possuía um piso coberto por azulejos muito bem ornados nas cores azuis e pretos no lugar de onde deveria estar a escada de acesso ao quinquagésimo primeiro andar.

Não importava quantas vezes olhassem em volta, não tinha nenhuma construção que pudesse se assemelhar a um caminho que levasse para cima. A sala era apenas uma imensa caixa retangular sem saída. Tudo proporcionalmente simétrico, onde a única coisa que parecia destoar ali era um grande sulco circular no chão.

“Não… não tem escadas…”

Murmurou Eugeo surpreso enquanto caminhava de um lado para o outro na penumbra atrás de Kirito.

Depois de andarem um pouco, Eugeo sentiu uma brisa gelada passar por ele. Ao que tudo indicava Kirito também havia sentido. Instintivamente a dupla olhou para cima ao mesmo tempo, procurando a origem do vento.

“Mas o quê…!?”

“Nossa…!!”

Ficaram estupefatos.

Não havia teto. O que tinha em seu lugar era um buraco do mesmo tamanho da sala, com uma altura absurda até onde a vista alcançava, o que não era muito naquele breu.

Mas não era apenas um espaço vazio, pois na mesma posição da porta de onde vieram, logo acima onde deveria haver o próximo piso, também tinha uma porta e assim sucessivamente nos outros andares.

A construção seguia para cima exatamente igual a sala onde estavam. Não teria nenhum erro se descontasse que os andares acima não tinham um piso e consequentemente, não havia um teto.

Conseguiam ver que no próximo andar, se conseguissem alcançar a porta logo acima, havia chão na outra parte, correspondente a outra sala igual à que eles tinham vindo.

Então, em outras palavras, era possível sim subir para os próximos níveis, mas para isso teriam que ir escalando e pulando para acessar os andares superiores.

Algo certamente perigoso e extenuante.

Sem dizerem nada, concordaram apenas com os olhares que essa era a única maneira.

Eugeo estendeu sua mão direita e tentou saltar sem raciocinar muito.

“Sozinho eu não consigo saltar uma altura dessas…”

Disse isso com um suspiro, afinal, estava mais do que óbvio, já que a outra porta, que estava no nível superior, era mais alta do que o teto da outra sala, ou seja, uns vinte mels aproximadamente, que só foi alcançado com o corpo de Fanatio quando essa foi jogada para cima ao receber o forte impacto do golpe de Kirito.

Um pouco mais afastado, estava seu misterioso amigo olhando para cima pensativo.

“Escute Eugeo… só confirmando mas… não tem nenhuma arte sagrada que sirva para voar, não é?”

“Hum, não, definitivamente não.”

Foi uma resposta imediata.

“O que quero dizer é que voar sempre foi um privilégio somente dos Integrity Knight e mesmo eles necessitam dos dragões alados para isso…”

“Certo mas… então como os humanos normais que vivem aqui, conseguem subir nos andares superiores?”

“Vai saber…”

A dupla ficou em silêncio enquanto pensava. Estavam quase desistindo e retornando para a sala ao lado e perguntando para algum dos subordinados de Fanatio uma maneira de continuar prosseguindo quando…

“Ei! Algo está vindo.”

Sussurrou Kirito.

“Como!?”

Olharam para cima.

Realmente perceberam que algo estava se aproximando. Vinha descendo lentamente, emergindo da escuridão na direção deles.

A tensão crescia de acordo com a demora em se mostrar totalmente. Kirito e Eugeo automaticamente colocaram as mãos sobre as empunhaduras de suas respectivas espadas.

O objeto tinha a forma de um círculo perfeito, com um diâmetro de mais ou menos dois mels.

Parecia ser um disco metálico, já que toda vez que passava por um dos andares em sua descida, a luz que entrava das estreitas janelas refletia em sua borda dando essa impressão.

Mas o mais impressionante era como aquela coisa podia estar flutuando sem nenhum tipo de suporte.

Instantes depois, os ouvidos de Eugeo captaram um estranho som, se ele fosse do mundo real, provavelmente acharia parecido com um maçarico ou algo assim, como não era, não soube dizer a que tipo de instrumento ou máquina aquele som se assemelhava.

Quando estava a poucos andares acima, sentiu que a brisa ficava cada vez mais fria.

A curiosidade era tanta, que o garoto não correu e muito menos sacou sua espada, simplesmente ficou ali, parado, estupefato, olhando o grande objeto chegar perto do andar onde estavam.

Quando o disco voador chegou a mais ou menos um mel do nível dos dois garotos, eis que abriu-se em seu centro na parte inferior, um pequeno buraco, que Eugeo percebeu ser a causa do estranho som e também a origem da brisa gelada.

Porém, como um disco de metal daqueles poderia flutuar com somente o poder do vento?

Enquanto se perguntava isso, o som só aumentava, assim como a velocidade de descida do disco diminuía, freando sua aproximação e enfim se encaixando perfeitamente no sulco que havia no piso daquele andar com um pequeno tremor.

A superfície superior do disco estava polida como um espelho. Com detalhes artesanalmente entalhados nas grades de proteção instaladas na lateral circular do objeto. E bem no centro, estava um tubo de cristal que media aproximadamente um mel de cumprimento e cinquenta cens de largura, ao lado de uma garota parada silenciosamente com suas duas mãos sobre o tubo, que tinha o topo arredondado, como um pequeno domo.

“…!?”

Eugeo deu um passo para trás, apertando mais a empunhadura de sua espada, levantando sua guarda para o possível ataque do próximo Integrity Knight.

Porém, se deu conta imediatamente que a garota não porta nenhum tipo de equipamento.

Estava apenas vestida com um vestido negro liso, com um avental por cima. O que parecia ser bem impróprio para o combate. O único sinal de algo mais, era alguns botões na gola de seu vestido e perto de seus joelhos que poderiam indicar que pudesse talvez estar com algo embaixo de suas vestes.

Seu cabelo era castanho acinzentado, cortados na altura dos ombros, com nenhum traço marcante aliado a sua pele pálida.

Apesar de estar encarando os dois, não possuía nenhum tipo de emoção. Eugeo supôs que ela era um pouco mais nova do que eles, mas com aquela aparência tão sem expressividade, poderia facilmente estar errado.

Quem era exatamente aquela menina? Tentou ver dentro de seus olhos, mas devido a iluminação e pelo fato dela parecer não estar olhando para lado algum em especial, não conseguiu discernir nada.

Segundos após aterrissar, a garota se moveu, retirando as mãos do tubo de cristal e colocando diante de seu avental, inclinando-se um pouco para a frente e fazendo sua voz ser ouvida pela primeira vez.

“Agradeço por sua paciência. A qual andar vocês desejam se dirigir, cavaleiros?”

A voz era quase mecânica, não possuindo nenhum tipo de emoção. Eugeo sequer pode perceber algum traço de hostilidade ou gentileza. Devido a isso, acabou tirando a mão de sua espada enquanto as palavras da garota reverberavam em sua cabeça.

“Qual andar…? Bem… então, quer dizer que… você irá nos levar para qualquer lugar que pedirmos?”

Ao fazer a pergunta incrédulo e desconcertado, a garota baixou sua cabeça novamente e disse.

“Exatamente. Apenas me ordenem o andar que eu os levarei.”

“Certo… já que é assim…”

Reforçando a ideia de que qualquer pessoa que encontrassem dentro da catedral deveria ser considerada um inimigo, Eugeo ficou na dúvida sobre o que dizer.

Então, Kirito que havia ficado calado até agora, disse em um tom normal.

“Vejamos… está ciente que somos os invasores procurados por todos aqui na catedral, não é? E mesmo sabendo disso, não irá causar problemas para você em nos levar nesse elevad… digo, disco…?”

A garota inclinou sua cabeça um pouco para o lado e depois disse.

“Minha única função aqui é operar esse disco. Não recebi nenhum outro tipo de ordem que não seja essa.

“Entendi. Então, aceitarei a sua oferta, obrigado!”

Despreocupadamente, Kirito começou a caminhar até o disco, enquanto Eugeo entrava em pânico.

“Está maluco!? Vamos entrar nessa assim?”

“Você tem alguma outra ideia para subir? Mesmo que seja uma armadilha, ao menos estaremos subindo.”

“Bem… olhando por esse lado…”

Eugeo estava completamente apavorado em ter que subir em um estranho objeto como aquele, com uma garota mais estranha ainda. E mesmo estando curioso sobre como aquele disco funcionava, seu alarme de perigo interno estava apitando como louco, ainda mais depois de serem atacados por duas crianças que eram Integrity Knight. Ao menos, pensou que se fosse uma armadilha, tinham as sacadas com acesso às outras salas dos andares para pular.

Com isso em mente, seguiu seu amigo.

Depois que ambos subiram no disco através de uma abertura nas grades de proteção, Kirito ficou olhando o tubo de cristal enquanto informava seu desejo para a garota.

“Hum, gostaríamos de ir até o andar mais alto que puder nos levar.”

“Muito bem. Então iremos até o octogésimo andar, o Cloudtop Garden. Por favor, permaneçam dentro dos limites do disco.”

Após dizer isso, a garota colocou suas mãos sobre o cristal no centro, respirou fundo e…

System call. Generate air element.”

As linhas desse comando deixou Eugeo nervoso, interpretando aquilo como algum tipo de ataque, porém, não foi o caso.

Depois que ela terminou a frase, diversos elementos do tipo ar apareceram dentro do tubo de cristal, brilhando em tons verde.

Eugeo se surpreendeu mais ainda quando constatou a quantidade que havia ali dentro, uma dezena para ser mais exato. Aquela garota deveria ser uma usuária de alta categoria para poder gerar tantos elementos de uma só vez.

Então, a menina apontou seu polegar, juntamente com o indicador e o dedo médio da mão direita para o domo transparente enquanto mantinha o outros dedos da mão dobrados e murmurou:

Burst element.”

Três dos elementos aéreos dispararam com uma faísca verde, produzindo um rugido na parte debaixo do objeto metálico. Então, o disco carregando três humanos, instantaneamente começou a subir como se tivesse sendo levantado por uma mão invisível.

“Então é assim que funciona…!”

Eugeo finalmente entendeu a base por trás do funcionamento do disco. Os elementos do tipo ar eram liberados dentro do cristal e corriam em alta velocidade através do objeto circular, permitindo elevar-se do chão, carregando três humanos enquanto empurrava o ar para fora do buraco em seu centro.

Agora que compreendia, o mecanismo era realmente bem simples. Mas era impressionante o tipo de controle que se tinha em um objeto assim, já que ele deslizava tão suave que mal trepidava. Só o que se sentia era a impulso inicial da subida.

O quinquagésimo andar logo desapareceu de vista enquanto Eugeo se imaginava chegando no octogésimo nível, o que para ele era tão alto quanto tocar as nuvens. Pensando nisso, logo veio um pouco de medo, mas tratou de limpar suas mãos suadas na barra da calça e agarrar com toda a força o corrimão da lateral do disco.

Em contrapartida, ao seu lado, Kirito permanecia calmo enquanto admirava a paisagem e o disco flutuante, como se já estivesse acostumado a andar naquele incrível objeto. Se perguntou se alguma vez seu amigo já teve essa experiência em seu passado nebuloso.

E nesse momento, Kirito resolveu virar-se para a garota que controlava a viagem e perguntar:

“Há quanto tempo está nesse trabalho?”

A menina respondeu laconicamente, sem encará-lo.

“Já fazem cento e sete anos desde que me foi concedida essa tarefa sagrada.”

“Cent…”

Esquecendo-se do medo do vazio embaixo de seus pés, Eugeo arregalou os olhos e entrou na conversa.

“Ce-Cento… e sete anos…!? Você esteve operando esse disco por todo esse tempo?”

“Não o opero por todo o tempo…

Eles me dão um descanso para comer no início da tarde e, é claro, tenho permissão de descansar também a noite.”

“Certo, mas… não me referi a isso e…”

De fato, aquela garota deve ter tido sua vida congelada como a dos Integrity Knight e dessa forma poderia passar até a eternidade sobre esse disco de metal sem fazer mais nada além de dirigi-lo.

Eugeo não disse nada, mas achou que aquele era um destino muito mais cruel do que os dos Integrity Knight, que apesar de dedicarem suas vidas às eternas batalhas, ao menos podiam ir e vir para onde quisessem.

O disco subia lentamente, porém, de forma constante. A garota continuava ocultando qualquer tipo de emoção enquanto seguia o caminho com seus grandes olhos fechados, sempre renovando os elementos do tipo ar dentro do tubo de cristal.

O garoto loiro se perguntou quantas vezes ela já tinha recitado o comando burst em sua longa vida, provavelmente muito mais do que ele poderia contar em um dia…

“E… como você se chama?”

Kirito perguntou de repente.

A garota moveu um pouco a cabeça para o lado e sussurrou.

“Não… consigo lembrar de meu nome. Mas todos os senhores e senhoras que por aqui passam, me chamam de Elevator Operator.

Sim… Elevator Operator… esse deve ser meu nome.”

Parecia que nem Kirito, que sempre teve uma fala afiada, conseguiu rebater isso.

Eugeo, que estava contando quantos andares já haviam subidos sem um motivo particular, mas que já haviam se passado mais de vinte, se sentiu na obrigação de mudar de assunto.

“Be-Bem…, como deve saber, estamos aqui para derrotar as pessoas mais importantes dentro da Igreja Axiom, as mesmas que lhe deram essa tarefa.”

“Sim, estou ciente.”

Mais um resposta imediata e sem nenhum sentimento. Porém, Eugeo continuou.

“M-Mas se… a Igreja Axiom deixar de existir, todas as pessoas que receberam tarefas sagradas deixariam de terem as obrigações as quais lhes foram impostas. Se isso acontecer… o que você fará?”

“…Se… eu for liberada da tarefa…?”

Depois de repetir isso vacilante, a garota que se chamou de Elevator Operator ficou em silêncio por mais ou menos uns cinco andares.

Enquanto esperava a resposta, Eugeo olhou para cima e notou que um teto escuro estava surgindo em sua visão. Provavelmente era o octogésimo andar.

Passou por sua mente que finalmente iria colocar os pés no verdadeiro núcleo da Igreja Axiom.

“Eu… não conheço nada do mundo além desse disco.”

Falou a garota.

“Portanto… não poderia decidir por uma nova tarefa sagrada mesmo que insistam… Mas se sua pergunta for no sentido do que gostaria de fazer…, bem, eu…”

Seu rosto que até agora estava abaixado na direção do cristal finalmente se levantou, contemplando as grandes janelas do andar pelo qual cruzavam no momento, com o límpido céu do norte surgindo em suas costas.

“…Eu gostaria de voar livremente nesse disco… por esse lindo céu azul…”

Finalmente foi possível ver bem de perto os olhos da garota, eram de um profundo azul índigo, como o céu.

Nesse exato instante, o último elemento de ar deixou de existir, fazendo o disco prateado aterrissar suavemente depois de atravessar trinta andares.

A garota Elevator Operator, tirou suas mãos do tubo de cristal, colocou-as na frente de seu avental e fez uma grande reverência.

“Muito obrigado por sua paciência, chegamos ao octogésimo andar, Cloudtop Garden.”

“…Muito obrigado.”

Ambos, Kirito e Eugeo abaixaram suas cabeças e se dirigiram até o acesso de entrada do andar.

A garota não ergueu mais sua cabeça, apenas fez mais uma pequena reverência e começou o procedimento de descida do disco através da liberação dos elementos de ar.

O cadenciado som, como o vento frio de inverno, foi desaparecendo gradativamente conforme ganhava distância até desvanecer completamente na escuridão. E lá se foi a garota em seu pequeno mundo feito de metal, fadada a viver nele por toda a eternidade.

Sword Art Online - Rising - Alicization - Volume 12 - PT-BR

Eugeo suspirou profundamente.

“…E eu achando que tinha a pior das tarefas sagradas… e só pelo fato de que era inacabável…”

Kirito ficou observando o amigo enquanto ele continuava.

“…Mas comparada à dessa garota, não me parece agora tão ruim ficar a vida toda balançando um machado…

Pois de uma forma ou de outra, eu iria acabar passando para outra pessoa, já ela…”

“Cardinal disse que congelar a vida de uma pessoa, a qual deveria se reduzir lentamente de modo natural, através do uso de artes sagradas, não evita o envelhecimento da alma. E que aos poucos as memórias acabam entrando em colapso e com isso o corpo…”

Respondeu Kirito com uma voz triste enquanto balançava a cabeça e virava de costas procurando terminar o assunto.

“O que a Igreja Axiom está fazendo é algo terrível e é por isso que temos que derrotar a Administrator. Porém, isso não será tudo, Eugeo. Os verdadeiros desafios virão depois…”

“Como é que é…!? Mas Cardinal disse que iria cuidar de tudo após conseguirmos acabar com a Administrator… por acaso ele disse mais alguma coisa?”

Kirito moveu seus lábios para responder, mas não tinha certeza do que poderia dizer. Então, para evitar que sua expressão indecisa acabasse preocupando seu companheiro, decidiu virar o rosto.

“Kirito…?”

“…Não é nada com que devemos nos preocupar agora. Tudo que temos que fazer é focar em recuperar Alice.”

“…Bem… está certo, mas mesmo assim…”

Kirito começou a caminhar, avançando a passos largos para escapar daquela conversa.

Eugeo, sem ter mais o que fazer o seguiu com um pressentimento estranho crescendo em seu peito, mas sabia que se Kirito disse que não era para se preocupar, então, deveria confiar em sua palavra.

Decidindo isso, sabia que o momento para ficar perdido em pensamentos já havia se passado, pois logo à frente estava outra imponente porta dupla que dava acesso ao próximo aposento da Catedral.

Lembrando que da outra vez, tinham aparecido cinco Integrity Knight no quinquagésimo andar, a pessoa que coordenava a defesa contra os intrusos, o tal chefe Elder, que Fanatio tinha comentado, provavelmente não estava poupando esforço para pará-los.

E terem sobrevivido até aqui podia ser considerado até um milagre se for analisar tudo pelo o que passaram. Agora, nem queria pensar no que poderia estar os esperando pela frente.

Se já estava difícil antes, só o fato de terem conseguido subir tão alto certamente tinha conseguido irritar esse chefe Elder ao ponto dele querer usar seu melhor guerreiro.

O Knight Commander com todos os Integrity Knight restantes, assim como os melhores usuários de artes sagradas, os altos sacerdotes, poderiam estar perfeitamente aguardando por eles do outro lado dessa porta, esperando somente o momento em que ela seja aberta…

A possibilidade era real, porém, não havia outro caminho a não ser seguir em frente e atravessar essa barreira.

Embora todo seu corpo dissesse que aquilo era loucura, Eugeo sentia que podia conseguir, pois seu amigo Kirito estava ali.

O garoto olhou para seu companheiro parado ao lado. Ambos se encararam por um breve instante e depois assentiram com a cabeça. Estenderam as mãos para frente ao mesmo tempo e empurraram as enormes folhas da porta.

A maciça barreira se moveu com um som estrondoso.

“…!”

Seus cinco sentidos foram imediatamente tomados de assaltos.

Diante de seus olhos, enchendo suas vistas de inúmeros e inesperados detalhes, o murmúrio de água corrente entrando em seus ouvidos, a fragrância de marinha invadindo seu olfato, levando um breve arrepio a percorrer a pele.

Não havia erro, ainda estavam dentro da catedral. Pois parte do mesmo piso de mármore branco ainda podia ser vista na outra ponta da enorme sala.

Mas esse era somente um indício de que ainda continuavam dentro da torre, pois a maior porção do chão estava coberta com uma espessa camada de grama verdejante e nela, diversas flores sagradas de todas as cores e aromas possíveis, florescendo preguiçosamente.

Completando o cenário, um pequeno, porém, surpreendente curso d’água pura e cristalina, fluía tranquilamente logo adiante.

Os dois garotos sem ação, ficaram em um pequeno caminho que seguia pela sala por entre as flores e o gramado até uma pequena ponte que cruzava o estreito leito de água corrente.

Mas adiante, além do córrego, o caminho ia serpenteando até uma diminuta colina coberta de flores onde tinha uma única árvore crescendo.

Eugeo ficou admirando aquela árvore sem dizer uma palavra. Não era de fato muito grande, tinhas as folhas em um verde escuro com pequenas flores alaranjadas em forma de cruz unidas por finos galhos.

A luz de Solus entrava pela grande janela quase na altura do teto, derramando seu esplendor sobre aquele pequeno bosque, fazendo tudo brilhar como se fossem de ouro puro.

O tronco lustroso e fino se banhava inteiramente com as bênçãos do deus da luz, acompanhando suas folhas como se também fosse feito do precioso metal.

“Uah….!”

Eugeo exclamou sem mesmo notar.

Porém, essa exclamação ia muito além da admiração por aquele lugar tão esplendoroso.

Seus pensamentos travaram totalmente mesmo quando notou que sentada em frente à árvore, havia uma garota com os olhos fechados.

Era como se a própria luz solar tivesse se tornado tangível ao golpear a superfície daquela árvore, formando a figura daquela garota totalmente imersa ao brilho luminoso de Solus.

A magnífica armadura, que cobria boa parte de seu corpo, era branca ornamentada com detalhes dourados. Embaixo dessa proteção, usava um vestido longo também branco, bordado com fios de ouro. Inclusive suas botas de couro alvo como a neve, tinha um brilho imaculadamente puro enquanto absorvia a luz filtrada pela grande janela.

Porém, o maior resplendor vinha de seus longos e ondulados cabelos. Cada fio parecia ser feito de ouro fundido, fazendo um arco perfeito que fluía de sua cabeça até a cintura como uma cascata.

Era o mesmo brilho que ele sempre via no passado. Onde por tantas vezes durantes as brincadeira de outrora, colocou besouros ou o amarrou em galhos, geralmente apanhando por causa disso…

Para Eugeo, aquela luz foi uma representação de amizade, inspiração e um intenso afeto, mas hoje, acabou se transformando, em apenas um dia, também no símbolo de sua fraqueza e covardia.

Seja como for, ali estava ele mais uma vez a seu alcance.

“A-… Ali… ce…”

Sua voz saiu rouca, completamente irreconhecível enquanto se movia com dificuldades para frente.

Seguiu pelo caminho sinuoso, onde nem o refrescante aroma das flores sagradas e o som relaxante da água corrente chegavam até sua consciência. Apenas sentia o calor crescente em seu peito aumentar a medida que suas mãos trêmulas começavam a suar e seu coração palpitar mais forte.

No momento, esses eram os únicos indícios que mostravam que Eugeo estava acorrentado a esse mundo.

Cruzou a ponte, chegando mais e mais perto. Agora estava a menos de vinte mels, ao pé da pequena colina…

Então, parou e olhou para cima para visualizar melhor o rosto da garota que estava levemente inclinado para baixo.

Nenhuma emoção.

Não havia nada estampado em seu pálido rosto, praticamente translúcido. Ela permanecia em silêncio com seus olhos fechados e a mente aparentemente à deriva, embalada ao som das águas, aromas das flores e a luz de Solus.

Será que está… dormindo!?

Eugeo pensou que se chegasse perto agora, talvez conseguisse cravar a adaga de Cardinal em uma de suas mãos que estavam cruzadas em seu colo.

Se conseguir… tudo terá acabado…

E na mesma velocidade em que esse pensamento passou por Eugeo, a mão direita de Alice levantou sem produzir ruído algum, fazendo o coração de Eugeo disparar violentamente enquanto paralisava no lugar.

Então, seus encantadores lábios se moveram e uma voz nostálgica foi ouvida.

“Só mais cinco minutinhos, tudo bem?! Faz tempo que não tenho tempo para tomar um sol tão gostoso como esse.”

Seus olhos cobertos pelas grandes pálpebras, suavemente foram abrindo.

Então, aqueles grandes olhos azuis inigualáveis nesse mundo, focaram Eugeo diretamente.

Por alguns instantes, o garoto foi alvo daquele olhar penetrante enquanto Alice sorria.

Porém, o azul de suas pupilas não demonstravam mais a gentileza de um céu de verão como normalmente era. Agora, eram como duas esferas de gelo. Tão frias como se estivessem congeladas por uns dez mil anos.

Empalado por aquela expressão afiada, digna dos maiores predadores, Eugeo não conseguia se mover.

Como temia, uma luta era inevitável…

 

OLÁ PESSOAS!! SEMANA QUE VEM O DERRADEIRO CAPÍTULO DO VOLUME.

MAIS UM QUE CHEGA AO FIM E COINCIDINDO COM O FINAL DO ANO.

QUE BELEZA NÃO?

QUEM APOSTA NO EUGEO PERDER NO MÍNIMO UNS 3 DENTES NESSA LUTA?

 

Sword Art Online – Alicization Rising

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