Sword Art Online Alicization Rising em Português – Underworld – Capítulo 7 – Parte 2.2

Arco: Alicization – Rising

Parte 2

Sword Art Online Alicization Rising - Vol. 12 - Eugeo e Kirito
Vamos lá! Vamos pegar nossas espadas!

“Como é que é? Mais uma…!?”

“Suas espadas são realmente poderosas, mais ainda assim não são capazes de derrotar os Integrity Knight no seu atual estado. Isso porque eles possuem domínio de uma técnica mortal que amplifica imensamente a capacidade de suas armas.”

“Ah…! Você está se referindo ao Armament Full Control Art?”

Cardinal assentiu lentamente com a cabeça para Eugeo.

“As armas do tipo instrumentos sagrados herdaram claramente as propriedades do objeto que serviu de matriz para sua construção. O Frost Scale Whip do cavaleiro Eldrie, contra quem vocês lutaram, era o senhor do maior lago do Império do Leste, uma enorme serpente branca de duas cabeças que a Adminsitrator capturou ainda viva e a transformou em uma arma. Porém, conservou seus parâmetros, a agilidade de uma serpente, a durabilidade de suas escamas e a incrível precisão de seus ataques. Tudo isso foi adicionado naquele chicote. A técnica de controle total libera todas as memórias da arma, produzindo um poder ofensivo absurdamente alto e muitas vezes maior do que o do objeto original.”

“Então… isso significa que quando o chicote se transformou em uma serpente, não era mesmo uma ilusão…?”

Fiquei lembrando do quão forte era o golpe enquanto passava a mão no peito, no local onde tinha sido acertado. Agradeci que o veneno não tinha sido um dos atributos herdados, do contrário, eu não estaria mais aqui.

Cardinal prosseguiu com a explicação.

“Cada um dos Integrity Knight domina essa técnica mortal relacionada às suas armas entregues pela Administrator e isso também inclui um incrível treinamento para garantir uma alta velocidade a fim de evitar serem pegos em uma armadilha enquanto estão entoando o ritual de evocação. Portanto, para aumentar a chances de vitória, vocês têm que ao menos aprender a controlar esse tipo de técnica de suas espadas.”

“Mas… minha espada era somente um árvore enorme, não um animal…, que tipo de memória eu poderia liberar? ”

“Você irá se surpreender com o quanto de poder poderá retirar, mesmo não sendo um animal.

Acabei não falando antes, mas essas duas adagas obedecem o mesmo princípio do Armament Full Control Art, pois através da liberação de suas memória, sou capaz de criar um canal direto entre eu e o alvo que for apunhalado, justamente porque ela se lembra que era o meu cabelo. Então, não vá depreciando a existência prévia de sua espada em ter sido uma árvore ou mesmo a forma original da Blue Rose Sword em ser um bloco de gelo eterno. Pois esses objetos tem muito o que contar e lembrar…”

“Era… um bloco de gelo?”

Era a vez de Eugeo ficar surpreso. E eu o entendia, já que era difícil pensar em outra qualidade além de ser muito… gelado.

Quebramos um pouco a cabeça tentando entender que tipo de super técnica proveriam nossas espadas que não tinham, pelo menos não à primeira vista, uma grande origem além de ser um cubo de gelo e uma moita super nutrida.

Mas decidimos ao menos tentar. Com isso em mente, falei.

“Bom… se você está nos garantindo que tem como, que seja. Então…, nos mostre que tipo de movimento secreto teremos que aprender?”

E outra vez a resposta de Cardinal me pegou desprevenido.

“Você está novamente agindo como uma criança mimada. Tudo que irei fazer é descrever como funciona o Armament Full Control Art, o que irão fazer com essa informação, é vocês que devem decidir.”

“M-Mas porque !??”

“De nada irá adiantar apenas conjurar o ritual para libertar as memórias. A essência dessa técnica está na capacidade de seu mestre em criar uma forte imagem mental com a forma liberada de sua arma querida… de maneira que vocês devem conhecê-las profundamente, senti-las como se fossem extensões de seus próprios corpos, devem guiá-las para que consigam recordar quem eram…

Esse processo todo se chama recolection, ele é o catalisador de origem do poder. E a síntese de tudo está no poder da imaginação…, ou como foi nomeado, Incarnation.

Basicamente, esse é o caminho a se seguir para conseguir fazer uso total de suas forças…”

Não consegui entender nem a metade do que ela acabara de dizer. Em especial essa palavra, ‘incarnation’, fiquei em dúvida se estava em inglês ou na língua comum desse mundo, mas quando fui perguntar, tive um estalo, uma memória distante me veio à mente.

Foi no momento onde estava desesperado segurando os pedaços das flores de Zephyria que haviam sido arrancadas nos jardins perto dos dormitórios dos alunos na academia, quando alguém… não, quando a familiar de Cardinal e minha querida parceira de viagem, Charlotte, a pequena aranha negra me disse que todas as artes desse mundo são nada mais produto de nossa imaginação, que a chave estava no poder dos desejos que depositávamos nas coisas. Então, ela estava se referindo à… encarnação…?

Visualizei a imagem guiada por suas palavras. Para que a energia das quatro grandes flores sagradas fluíssem partes de suas vidas para os pequenos brotos de Zephyria que tinham sido cortados. Mesmo não pronunciando nenhuma linha de ritual, uma luz esverdeada envolveu as plantas danificadas e as restauraram ao seu estado inicial.

Sim, aquilo foi realmente o processo de recolection que Cardinal acabou de falar. Mas ainda custava a acreditar que eu pudesse reproduzir o fenômeno dentro de uma arte sagrada.

Talvez lendo meus pensamentos, Cardinal concordou com a cabeça e se voltou para Eugeo.

“Bom, creio que vocês irão aprender melhor se fizerem na prática. Sigam-me, vocês devem descansar um pouco para poderem aprender a executar esse ritual.”

Depois de descer por diversos níveis por entre os corredores abarrotados de livros, voltamos para o quarto circular do primeiro andar da Grande Biblioteca, onde estivemos na primeira vez.

Lá estava a mesa cheia de comida fresca, como se Cardinal acabasse de servir. Talvez tenha utilizado algum comando para restaurar a vida daqueles alimentos.

Meu apetite foi atiçado imediatamente, estava a ponto de atacar tudo, porém algo me segurou, talvez fosse que agora eu sabia o preço que estava sendo pago por aquela mesa farta.

Preciosos livros tinham sido sacrificados para que conseguíssemos um lanche. Olhei para Eugeo e percebi que pela sua expressão, estava pensando o mesmo do que eu.

Cardinal disse friamente.

Se esse alimento está lhes causando algum mal, terei que jogar tudo fora.

“E-Ei! Espere! Sim, está difícil comê-los agora mas…, se você os colocar em algum pote, poderemos comer durante nossa escalada da torre, já que ele ajuda a recuperar as feridas…”

A garota fez uma cara de incredulidade, mas depois balançou seu cajado e tocou na borda da mesa que se fundiu com todo aquele alimento, sumindo como se tivesse sendo sugado por um buraco negro desaparecendo de vista. Em seu lugar sugiram três cadeiras.

Cardinal fez um gesto com a mão, indicando para que sentássemos. Atendemos sua solicitação e sentamos à beira de uma nova mesa totalmente vazia.

Fiquei observando a superfície da mesa e pensando se seria capaz de evocar a minha querida espada, chamada temporariamente de ‘a espada negra’. Mas mesmo puxando pela memória, provavelmente não conseguiria replicá-la em todos os detalhes, já que a havia tido em meu poder por muito pouco tempo. Era mais fácil imaginar a Elucidator ou a Dark Repulser, as quais estive mais em contato…

Compartilhando de minha angustia, Eugeo, sentado ao meu lado falou com uma expressão preocupada.

“…Senhorita Cardinal, isso é realmente possível? Visualizar a forma liberada da espada, mesmo sem tê-la por perto…?”

Cardinal, que estava sentada no lado oposto, respondeu estranhamente.

“Para falar a verdade, é mais fácil se ela estiver longe. Pois se estiver ao alcance de seus olhos, sua imagem mental ficaria presa. Você não necessita de suas mãos e muito menos de seus olhos para poder sentir, chegar até ela e liberar todas as memórias perdidas da espada. Tudo o que precisa é imaginá-la com os olhos de sua mente.”

“Olhos… da mente…!?”

Recordando novamente aquela ocasião, realmente eu não tinha tocado as outras flores para que elas começassem a doar parte de suas energias para as Zephyrias.

Somente acreditei em meus pensamentos, focalizando em uma imagem. A visão da energia da vida fluindo para os brotos arrancados.

Ao que tudo indicava, Eugeo tinha, de alguma forma, conseguido entender também, já que estava sinalizando com a cabeça em positivo.

Então a pequena sábia deu um sorrisinho e disse:

“Perfeito, vejo que entenderam. Agora, visualizem cada um a sua espada sobre essa mesa. Não deixem que nada atrapalhe sua concentração, deem tudo de si.”

“…Entendido!”

“Farei o meu melhor.”

Respondemos tranquilamente, nos endireitamos na cadeira e olhamos para a superfície da mesa.

Antes de começar, decidi que não precisava me apressar, tinha tempo. Então, tratei de limpar minha mente.

A espada negra… se for pensar, é lamentável que até agora não a tenha nomeado decentemente.

Só faz três meses desde que aquele pedaço do Giga Cedro foi transformado em uma espada depois de um ano inteiro de trabalho do artesão Satore. Excluindo os dias de treinamento, só a tinha desembainhado uma única vez em um duelo contra o melhor espadachim, Uolo Levanteinn e no fatídico encontro que se tornou em uma batalha real contra Raios Antinous. Isso foi tudo que passei com ela até então.

E mesmo com tão pouco uso, ela sempre me ajudou exibindo seu enorme poder que só posso classificar como sendo sua própria vontade. Apesar de ter sido eu quem a cortou de sua forma anterior, a árvore demoníaca, nossa relação tem sido bem superficial. Porém, o sentimento de unidade e resolução que tínhamos cada vez que executávamos uma habilidade, não deixava a desejar para nenhuma das minhas queridas espadas no passado.

Mas a principal razão pela demora em nomeá-la, era por sentir que deveria ter algo que contrastasse com a espada Blue Rose Sword de Eugeo… sentia que elas tinham uma íntima relação…

Branco e negro, flor e árvore. Duas espadas iguais, porém diferentes.

Não tinha provas do que sentia, mas sempre sou assaltado por uma premonição desde quando saí de Rulid há dois anos. Que a Blue Rose e a espada negra estão destinadas a se enfrentarem em algum momento.

Minha mente me dizia que não deveria esquecer jamais disso. Mesmo que os donos dessas espadas, Eugeo e eu, não tenhamos uma razão sequer para lutar contra o outro, o mesmo não se aplica à essas armas. O motivo talvez seja porque a Blue Rose Sword tenha sido quem cortou o tronco do Giga Cedro e se for seguir o raciocínio de Cardinal, cada objeto tem sua própria memória…

Continuei tentado visualizar a forma da espada negra sobre a mesa enquanto minha mente se enchia de ansiedade e expectativa, do contrário do vazio que era o intento inicial.

Porém, persisti e imaginei… o pomo em forma cônica, uma empunhadura envolta de couro negro… era difícil de acreditar que um pedaço de madeira poderia demonstrar tamanha translucidez em sua lâmina, era como um cristal escuro… só que originado de uma árvore. Tinha uma luminosidade em seu interior que brilhava lindamente.

Cada parte da minha espada ilusória foi-se formando pouco a pouco em minha mente conforme abandonava qualquer outro tipo de pensamentos.

A resistência… certo, era incrivelmente dura e firme, seu peso e seu calor…

À medida que ia me lembrando de suas formas, fui sentindo uma densa aura sobre a mesa.

Foquei meus olhos mais ainda em um determinado local do tablado enquanto ouvia uma voz de algum lugar.

“Mais profundo. Veja mais a fundo em suas características e sentimentos. Vasculhe tudo e encontre as memórias escondidas dessa espada, a essência de sua existência.”

A sombra da espada surgiu e se estendeu pela mesa, cobrindo o piso e tudo mais ao redor sem sequer fazer um som, tudo foi engolido pelas trevas. Antes que me desse por conta, somente eu e a espada estávamos nesse espaço infinito de total escuridão.

Então, a espada negra se elevou silenciosamente, com sua empunhadura para baixo e sua ponta em riste e parou de se mover bem na minha frente.

A forma do meu corpo tremeu e se dissolveu, minha consciência foi absorvida pela espada.

Quando recuperei a consciência, estava transformado em uma árvore de cedro, com as raízes fincadas na terra fria.

Uma grande floresta me rodeava. Mas por alguma razão, não havia uma só árvore crescendo perto de mim. Todas paravam bem antes de chegar perto, formando um grande círculo vazio no caminho entre nós. Tentei falar com elas e com os musgos que estavam mais perto, porém não consegui nenhuma resposta.

…Solidão…

Desolação, o sentimento de estar só começa a me inundar. Querendo tocar os galhos das outras árvores, me movo ansiosamente cada vez que o vento sopra, porém não consigo alcançá-las.

Talvez eu consiga se me esticar um pouco mais. Pensando assim, absorvo mais energia da terra através de minhas raízes e a energia solar pelas minhas folhas com máximo de esforço e urgência. Instantaneamente, meu tronco se expande em largura e comprimento e minhas raízes e galhos avançam exponencialmente.

Finalmente, minhas afiadíssimas folhas brilhantes se aproximam da copa da árvore mais próxima. Era uma incrível semelhante de cor verde claro.

Porém… infelizmente a minha amiga murchou pouco antes que pudesse tocá-la, caindo ao chão e se desfazendo em pedaços. Inclusive suas raízes perderam totalmente a umidade e apodreceram, saltando para fora do solo como ossos de um animal extinto. E não foi somente ela, como todas as outras a sua volta. A única coisa que cresceu foi o musgo que cobriu todas que tinham caído.

Entristeço-me enquanto noto a terra vazia aumentando a meu redor conforme vou absorvendo a energia do solo involuntariamente mais uma vez.

Meu tronco fica mais groso e nodoso, com meus galhos se expandindo por todos os lados. É mais uma chance de alcançar minhas amigas… mas… novamente eles murcharam e caíram.

Essa ação se repete uma, duas, três… incontáveis vezes…

Tudo cai conforme eu cresço e me expando.

Enfim, entendi que eu era a razão por trás disso, que estava absorvendo, mesmo contra a minha vontade, tudo que deveria ir para eles.

Assim, depois de muito tentar, desisti de entrar em contato com as outras árvores. E desde aquele dia, cresci milhares de vezes mais enquanto a vegetação a minha volta caia uma após a outra, em conformidade com o aumento de minha solidão.

A equação era simples, não adiantava o quanto eu crescia, nunca conseguiria tocar as outras árvores. Também não podia reverter esse processo de crescimento e extinção.

O tempo passou…

Quanto tempo? Já não sei mais.

Agora, minha copa com as folhas pontiagudas como agulhas já ultrapassavam o topo de todos ali, monopolizando também a luz solar. Um gigantesco guarda-chuva impedindo a evolução da floresta.

Minha força também era minha fraqueza, quanto mais forte ficava, mais isolado me tornava. Nunca pedi para fazer tal coisa com meus amigos, mas infelizmente, não podia fazer nada.

Dessa forma, continuei absorvendo quantidades massivas de bênçãos da terra e do sol enquanto o círculo de morte e desolação à minha volta aumentava. Já estava conformado com isso, pois quanto mais se assiste algo que lhe machuca, menos você sente, até um ponto de você não poder sentir mais nada…

“Isso é o suficiente.”

De repente ouvi uma voz e fui liberto dessa forma arbórea.

Pisquei uma vez e tudo voltou ao que era antes. Estava novamente na biblioteca, com intermináveis estantes cheias de livros, tudo iluminado pelas luzes alaranjadas de lamparinas presas às paredes. O chão de pedra polida, uma mesa redonda e sobre ela… duas espadas.

A minha espada negra e a Blue Rose Sword de Eugeo.

Pareciam exatamente com as reais, mas isso deveria ser impossível. Pois elas tinham sido confiscadas no momento em que fomos capturados.

Enquanto ficava olhando de forma confusa, uma pequena mão pegou a empunhadura da espada negra que se desfez ao menor toque.

Igualmente com a Blue Rose Sword, ambas sumindo sem fazer ruído algum.

“Sim, certamente vocês alcançaram as memórias de suas armas.”

Levantei lentamente minha cabeça em direção àquela voz, meus olhos encontraram com os da pequena garota de túnica negra sentada em minha frente, a sábia, Cardinal.

Dei-me conta que tinha caído em uma espécie de transe. Ao me virar para Eugeo, vi que seus olhos ainda se reviravam em suas órbitas, sem rumo e logo depois seu corpo tremeu e ele piscou algumas vezes, pelo visto, também tinha voltado de seu transe.

“…Eu… estava no cume da montanha mais alta da borda da cordilheira…e… e…”

Automaticamente perguntei para ele:

“E o que você estava fazendo nesse lugar?”

“Bem eu… eu estava completamente sozinho em um lugar extremamente frio…”

“Chega, teremos tempo para conversa depois, ainda temos trabalho pela frente.”

Cardinal interrompeu nossa conversa com essa ordem, então, tratamos de nos endireitar na cadeira e esperar a próxima instrução.

A garota havia fechado seus olhos e estava com a cabeça ligeiramente abaixada, como se tivesse pensando em algo. Logo depois a balançou em sinal afirmativo e disse:

“Hum… ao invés de ir para a técnica direto, creio que seja melhor priorizar o ritual da forma mais simples possível. Certo, Kirito, você começa.”

Ela bateu levemente com aponta de seus dedos da mão esquerda na mesa fazendo surgir um pergaminho em sua superfície.  Então, passou suavemente os dedos da mão direita sobre toda a extensão da folha.

Apareceram letras naquele pergaminho. Era um ritual relativamente pequeno, cerca de dez linhas. Ela girou o pergaminho e o deslizou até mim. Repetiu essas mesmas ações com Eugeo, entregando-lhe outro pergaminho.

Eugeo e eu nos olhamos por alguns instantes e em um movimento combinado, pegamos as folhas.

Os caracteres, escritos em tinta azul escura e com uma excelente caligrafia, estavam totalmente em língua sagrada, ou seja, em inglês. Seguia o padrão normal dos rituais sagrados desse mundo e sempre obedecendo a escrita inglesa, frases na horizontal, da esquerda para a direita.

Procurei o início, e como era de se esperar, a frase começava com ‘System Call’ e terminava com ‘enhance armament’. Contei também o número de palavras, cheguei a um total de vinte e cinco palavras a serem recitadas.

Percebi que era realmente mais curto do que o armament full control art que Eldrie usou para o Frost Scale Whip, mas ainda assim, memorizar tudo isso seria consideravelmente complicado.

“Ehm… será que posso levar isso comigo…?”

“…Devo mesmo considerar responder essa pergunta? Por acaso na academia que vocês frequentaram, os instrutores deixavam os alunos levarem seus livros para realizarem as provas?”

Depois de me censurar dessa forma, Cardinal continuou com a explicação.

Primeiro de tudo, se um objeto criado nessa sala cai nas mãos do inimigo, ele pode conseguir informações valiosas para poder ultrapassar a segurança desse lugar isolado.

“Isso quer dizer que se as adagas que estamos carregando cair nas mãos dos inimigos…”

“Exatamente! Estou me arriscando por dar itens que tem ligação direta com meu corpo. Se você têm consciência disso, deixe de falar besteiras e trate de memorizar o que está no papel! O seu amigo Eugeo já começou.”

Olhei para o lado e vi todo o poder do melhor estudante da academia em matéria de memorização em plena ação. Ele olhava fixamente para o pergaminho como se estivesse consumindo-o enquanto movia seus lábios sem emitir um som.

Não tendo mais o que fazer, comecei a estudar o conteúdo que havia no meu papel.

E para colocar um pouco mais de pressão na situação, Cardinal disse:

“Vocês têm um limite de trinta minutos para memorizar tudo.”

“M-Mas como assim? Você deve de estar brincando não é? Trinta minutos é muito pouco.”

Saber que tínhamos um limite só piorava a situação, então, acabei entrando no modo de reclamação.

“Imbecil! Porque acha que estou dando um limite para vocês? Esqueceu que foram presos e tiveram suas espadas confiscadas por volta das onze da manhã? E que os seus direitos de propriedade de itens logo irá se desfazer? Se isso acontecer, não conseguirão mais ter um vínculo com suas armas, perdendo também a capacidade de utilizar o armament full control art.”

“Ah…s-sim, é verdade. E falando nisso, que horas são?”

“Sete horas em ponto. Não temos muito tempo para conseguir recuperar suas espadas. Portanto, apressem-se!”

“E-Entendido…!”

Como disse, a pressão só aumentava, mas agora eu sabia que não era por mero capricho de Cardinal. Então, não podia perder mais tempo, comecei a esquadrinhar todos os comandos seriamente.

Por sorte, as artes sagradas de Underworld, escritas e faladas em inglês, eram bem similares às magias de Alfheim Online, eu diria, praticamente iguais. Sem contar que as sintaxes das frases eram bem parecidas com comandos de programação, o que me ajudava muito, já que venho trabalhando com isso há bastante tempo.

O ritual escrito por Cardinal tinha uma estrutura assim:

① Declarava uma referência à informação contida em um objeto (por exemplo, a memória da arma) guardada dentro da memória principal;

② Selecionava somente as partes requeridas e as modificava;

③Os atribuía para a espada, ou seja, os utilizava para ampliar suas habilidades ofensivas.

Com isso, entendi que os comandos desse ritual são compostos de três processos. Um pouco semelhante com o experimento de sobrescrita de buffer de imagem que usei no caso das flores de Zephyria.

Mas conforme lia, percebi que esses comandos tinham vários termos que não apareciam em nenhum livro da academia, o que provavelmente o tornaria impossível de ser executado sem o conhecimento prévio de Cardinal.

Me senti novamente fazendo cheats em um jogo…

Mantive uma parte de minha mente trabalhando sobre esse tema enquanto memorizava as dez linhas do ritual.

Os pesquisadores do RATH que criaram Underworld chamaram toda a informação que documentavam dos objetos desse mundo de mnemotecnia visual. Cheguei a explicar esse tipo de estrutura para Asuna e Sinon no bar do Agil há dois anos, pelo menos esse foi o tempo que passou para mim. Porém, desde que entrei nesse mundo, meu entendimento em relação a tudo, ficou muito maior.

Todas as existências aqui não eram simples modelos em polígonos como os VRMMOs comuns. As memórias das pedras, árvores, cães, gatos, ferramentas, construções e tudo mais, eram guardadas em um depósito principal, o Visualizador principal, assim como a consciência das pessoas que aqui se conectam… ou devo dizer, que aqui vivem.

Tudo estava relacionado com o poder da memória. Pressenti que era algo fundamental durante meu pequeno experimento com as flores de Zephyrias, quando as fiz brotar no Império do Norte, onde se supunha, não ser possível. Eu só consegui tal feito porque fui capaz de sobrescrever a informação que dizia ‘incapaz de florescer’ para ‘capaz de florescer’.

Isso é o que significa a memória dos objetos desse mundo.

E se isso era possível, então o contrário, modificar uma memória em um objeto era plausível também? Se não for assim, a cena que presenciei uma vez, ainda continuará sem explicação.

Há pouco mais de dois anos, logo após acordar na floresta ao sul de Rulid, quando me aproximei do leito do rio que cruzava o lugar, me deparei com uma cena, que apesar de ter certeza que era produto de minha mente, ainda assim parecia muito real. Era a vista pelas costas de três garotos, um de cabelo loiro e curto, uma menina de cabelos longos e dourados e… um outro que destoava dos dois, pois tinha cabelos negros e curtos. Os três caminhavam alegremente rumo ao pôr do sol.

Tão rapidamente quanto essa imagem veio, ela se foi, mas tinha certeza de que não se tratava de uma ilusão. Mesmo agora, quando me lembro dela, sei que aquilo, em algum momento foi real.

O sol se pondo, o vento levando os cabelos longos da garota pelo ar, os sons das passadas sobre a grama…

Só posso concluir que essas memórias que invoquei, provinham desse corpo. Então, creio que essas três crianças de minhas recordações eram… Eugeo, o de cabelos loiros e curtos, Alice, a garotinha de cabelos longos e dourados e o de cabelos negros só podia ser…

“Os trinta minutos estão se esgotando! E então?”

Interrompi meus pensamentos quando ouvi a voz de Cardinal.

Retomando a visão para o pergaminho que estava sobre a mesa, tentei recitar mentalmente o ritual desde o começo. Felizmente, consegui reproduzi-lo facilmente, mesmo não tendo muita concentração na hora de decorá-lo.

“Creio que consegui, …eu acho.”

“Essa é uma resposta totalmente contraditória… E você, Eugeo?”

“Eu acho que cons… digo, sim, tudo bem!”

“Certo então.”

Depois de falar isso contendo um sorrisinho, Cardinal prosseguiu.

“Preciso que falar algo primeiro. Tenham em mente… que vocês não devem usar o armament full control art de qualquer jeito, pois seu efeito colateral poderá se tornar sua derrota. As espadas perdem boa parte de suas vidas com somente uma invocação. Então, muito cuidado para não destruírem suas próprias armas por usar uma habilidade de modo inconsequente. Só lancem mão desse recurso em último caso e assim que o fizerem, tratem de devolverem as espadas para suas bainhas para auxiliar em sua recuperação.”

“Me parece ser bem… arriscado…”

Suspirei enquanto dava mais uma olhada no pergaminho. Tinha que levar essas palavras muito a sério. Então, ao checar sua estrutura mais uma vez, notei algo…

“Hum? Esse comando termina com a frase enhance armament, correto?”

“Sim, porque a pergunta?”

“Bem…, se não me engano, o armament full control art que o Integrity Knight Eldrie usou terminava com outras palavras… era re… re-re…”

Eugeo completou:

Realease recollection! E no momento em que ele disse isso, o chicote virou uma serpente de verdade. Aquilo foi… assustador!”

“Pois é! Cardinal, porque os nossos comandos não terminam com esse realease recollection?”

“Humm…”

A garotinha vestida de negro levou alguns instantes para me responder e levando em conta a sua expressão séria, parecia que estava prestes a dizer algo problemático novamente.

“Veja bem, o comando armament full control art tem duas etapas. O enhance  e o realease.

O primeiro, enhance, diz respeito ao despertar parcial das memórias da arma e manifestar uma nova capacidade ofensiva. Já o segundo, realease, é exatamente o que o termo sugere, é a recuperação total das memórias, liberando violentamente de uma só vez todo o poder contido na arma.”

“Liberando violentamente… todo o poder?… Entendi… Por isso o Frost Scale Whip de Eldrie pode estender absurdamente seu raio de alcance e se dividir daquela forma quando se transformou em serpente, atacando automaticamente tudo o que se mexia…”

Confirmando com um único mover de cabeça, Cardinal falou:

“Está correto. Porém, serei franca com vocês…

No estado atual em que se encontram, ainda não são capazes de usar o realease art…”

“Mas… porque?”

Ela se virou para Eugeo no momento em que perguntou, piscou algumas vezes e respondeu severamente.

“Eu mencionei que a liberação do poder era tremendamente violenta, não é? Suas habilidades ofensivas de agora está em um nível de um espadachim principiante que acabou de aprender o ritual. Porém, ainda assim você estará utilizando um instrumento sagrado de alta prioridade… como ainda não o controla corretamente, a chance de receber um dano juntamente com seu inimigo é muito alta, inclusive, o mínimo erro poderá lhe custar a vida. Compreendeu agora?”

“S-Sim…”

Eugeo concordou com a cabeça, percebendo o real perigo. Nada além do esperado do melhor estudante da academia nas matérias teóricas. Porém, eu não consegui aceitar aquela explicação.

Cardinal provavelmente percebeu o meu descontentamento pois suspirou e falou balançando a cabeça de uma lado para o outro.

“Certo! Não desanimem, eu disse que no estado atual ainda não tem como competir com os outros guerreiros, mas vocês conseguirão fazer a liberação de maneira perfeita com um pouco de prática… provavelmente…

As suas espadas irão lhe ensinar o caminho… mas antes, vocês devem recuperá-las.”

“Isso foi para nos incentivar!?”

Cardinal franziu o rosto, se irritando um pouco com minha pergunta. Então, golpeou o cajado no chão fazendo os pergaminhos que estavam em nossas mãos se transformarem em dois pastéis.

“Como vocês estão reclamando sem parar, devem estar com fome. Usar os pequenos cérebros de vocês deve custar muito esforço…”

“Então… podemos mesmo fazer isso? Não iremos esquecer o que estava escrito se comê-los?”

“Façam um favor para vocês mesmos, ocupem mais a boca com a comida e menos o cérebro!! Como conseguem pensar em tantas idiotices!?”

“Er… bem… está certo!”

Depois de trocarmos olhares, Eugeo e eu atacamos a comida. Pensei inicialmente que eram simples pastéis, iguais aos que comprava no mercado de Centoria, porém, quando o mordi, minha boca foi inundada com um sabor delicioso, uma doçura incrível que me encheu de nostalgia e energia.

Nós não dissemos uma palavra enquanto devorávamos aquele maravilhoso lanche. Comemos tão rápido que mal dava tempo de respirar enquanto Cardinal nos observava com um olhar gentil.

A jovem moveu a cabeça e disse lentamente.

“Muito bem… chegou a hora de nos despedirmos.”

Havia um enorme peso nessas curtas palavras.

Levantei imediatamente a cabeça e falei.

“Assim que conseguirmos cumprir nossa missão, você poderá sair daqui, não é? Então, é melhor não falar em despedidas… eu tal um ‘até logo’?”

“Bem, se tudo sair como o planejado, talvez você tenha razão…”

“…”

Ela estava certa, se formos derrotados por um dos Integrity Knight no meio do caminho, Cardinal teria que esperar novamente uma incontável quantidade de anos para talvez ter outra chance de sair dessa biblioteca.

Mas também tinha toda a questão da fase de experimento de carga…

Que provavelmente em uma situação dessas, ela entre em combate em favor de um dos lados, o dos humanos ou os do seres do Dark Territory, em todo o caso, o resultado seria um derramamento absurdo de sangue em meio à um inferno de chamas…

Mas para alguém que tem um terrível panorama desses pela frente, Cardinal sorria docemente. Ela emanava uma aura que enchia meu peito e acalmava minha alma. Então, a sábia se inclinou um pouco para frente e depois se virou suavemente de costas.

“Vamos, não temos mais tempo. Sigam-me… os enviarei para a porta mais perto do depósito onde estão suas espadas, no terceiro piso da catedral.”

O caminho por entre as milhares de estantes, passagens e escadas, por algum motivo, agora parecia muito mais curto do que antes.

Não fiz mais nada além de seguir em silêncio aquela pequena figura em nossa frente, com Eugeo logo ao meu lado ainda recitando o comando que havia aprendido.

Acabamos voltando para a primeira sala que tínhamos chegado, mas dessa vez tinha outra passagem à direita. Era um corredor com uma única porta em seu final.

Cardinal foi até ela, parou e se virou para nós.

Tinha um sorriso quase infantil em seus lábios rosados, era tão gentil que em nada lembrava a grande administradora que um dia controlou o sistema de Underworld.

Sua expressão era quase de satisfação enquanto dizia:

“Eugeo… e você, Kirito. O destino desse mundo está confiado a vocês dois agora. Devem escolher se tudo irá se transformar em um inferno…, retornar ao nada, ou talvez…”

Olhando fixamente em meus olhos, continuou.

“Bem… deixarei que vocês descubram o terceiro caminho. Ensinei-lhes tudo que pude nesse curto espaço de tempo.  E fiquem certos, não importa o caminho que decidirem seguir, eu os apoiarei naquilo em que creem.”

“…Muito obrigado, senhorita Cardinal. Definitivamente chegaremos no topo da catedral… e faremos Alice voltar ao que era.”

Eugeo disse isso com uma certeza em sua voz que beirava à ingenuidade total.

Havia muitas coisas para dizer, porém, não conseguia colocar em palavras. Decidi então apenas me inclinar e agradecer silenciosamente.

Depois de concordar com a cabeça, Cardinal desfez seu sorriso, pegou seu molho de chaves e direcionou para a porta.

“Bom, agora… vão!”

Girou algumas vezes a chave na fechadura e a porta se abriu. Uma grande lufada de vento seco e gelado nos atingiu imediatamente.

Saltamos para fora logo após.

Caminhamos uns quatro ou cinco passos e ouvimos um pequeno som vindo de nossas costas. Olhei sobre meu ombro e só vi uma sólida parede de mármore branco e brilhante onde antes estava a porta que nos conectava com a biblioteca.

Novamente estávamos sozinhos, mas carregando a esperança de muitos…

 

ACABOU A BRINCADEIRA!! HORA DA AÇÃO!!!

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