Sword Art Online Alicization Rising em Português – Underworld – Capítulo 7 – Parte 1.1

Arco: Alicization – Rising

Capítulo 7 – Os dois supervisores (5º mês do calendário do Mundo Humano do ano 380)

Parte 1

Sword Art Online Alicization - Rising - Volume 12

Eu, Kirigaya Kazuto, finalizei minha sessão no VRMMO-RPG Sword Art Online em 7 de novembro de 2024.

Retornando para minha casa em meados de dezembro na cidade de Kawagoe em Saitama, enquanto continuava com minha fisioterapia de reabilitação.

Já tinha completado dezesseis anos há alguns meses, mas como havia passado todo esse tempo batalhando no quinquagésimo andar em Aincrad, acabei ficando para trás em relação aos meus amigos que continuaram estudando para os exames preparatórios, então, obviamente não tinha mais um lugar para estudar.

Mesmo não tendo completado meu ano letivo na escola secundária, recebi o certificado de graduação. O caminho natural seria dedicar meu tempo agora para tentar me recuperar do longo período sem estudos e dessa forma, ingressar para os exames aos quais meus amigos já tinham feito, porém, o governo adotou uma medida extraordinária.

Mais ou menos quinhentos estudantes das escolas secundárias e preparatórias, que sobreviveram dentre os seis mil jogadores que retornaram de SAO, foram convidados e realocados para morarem nas proximidades de Nishitokyo, situado em Tóquio, em abril de 2025 para fazerem um intensivo de estudos com intuito de se qualificarem para prestar exames nas universidades comuns.

O edifício utilizado foi o de uma escola preparatória metropolitana que tinha sido abandonada no ano anterior e que só aguardava a demolição.

A equipe de professores contratada era, em sua maioria, profissionais recontratados após suas aposentadorias e que se encontravam agora em empregos de meio período. Essa escola foi classificada como ‘Escola de Formação Profissional sob a lei de ensino escolar’.

Esse inesperado nível de esmero por parte do governo, que disponibilizou até uma rede completa de segurança para os alunos, sem dúvida me deixou com o pé atrás, mas ainda assim, decidi ingressar e ver no que iria dar. Claro, só fiz isso após perguntar para Asuna e pedir permissão para minha família. E desde então, nunca me arrependi dessa decisão.

Graças a isso, consegui planejar, criar e desenvolver os mais variados dispositivos com meus colegas do curso de mecatrônica. Realmente um tempo muito produtivo e acima de tudo, extremamente divertido. Sem contar que tive a oportunidade de estar com Asuna todos os dias, assim como com Lisbeth, Silica e os demais.

Por vários momentos pude acreditar que aquilo era uma vida estudantil comum, mesmo com aquelas sessões obrigatórias de acompanhamento psicológico social semanais.

Porém, mais uma vez fui incapaz de terminar esse etapa escolar…

Pois em 6 de junho de 2026, por alguma razão que ainda me é desconhecida, acordei em outro mundo, Underworld.

Logo após despertar na floresta ao redor da vila Rulid, no extremo norte do Mundo Humano, tentei por diversas vezes contatar a equipe de suporte da empresa que desenvolveu e deveria estar administrando este mundo, RATH, mas não consegui resposta nenhuma… e isso já fazem anos.

Mesmo que a contragosto e sem nenhum tipo de dados para trabalhar em um plano decente, decidi ir ao lugar com a maior probabilidade que houvesse um console para estabelecer contato com o mundo exterior… o centro do Mundo Humano, Centoria Central, com seu ponto principal sendo a altíssima Catedral Central da Igreja Axiom.

Felizmente, não fiz essa longa viagem de Rulid até a capital sozinho, pois tinha comigo o único companheiro que podia verdadeiramente chamar de amigo nesse mundo, Eugeo.

Ainda custo a acreditar que conseguimos chegar tão longe desde o dia em que colocamos o pé na estrada. De alguma forma nosso caminho se alinhou para enfim, conseguirmos chegar ao nosso objetivo.

Porém, nossa estada nunca foi uma linha reta. Não chegamos simplesmente e entramos na catedral.

Os portões da Igreja Axiom estavam permanentemente fechados, sendo que o único acesso ao seu interior, era restrito ao vencedor do Torneio da Unidade dos Quatro Impérios, que era celebrado na primavera de cada ano.

Portanto, a única chance que tínhamos de entrar nesse lugar era nos alistar na principal escola de esgrima da cidade, na Master Sword Academy a fim de obter qualificação necessária para participar desse importante torneio. Mesmo que tivéssemos intenções diferentes, nossos objetivos eram os mesmos.

Nessa altura, a minha carreira estudantil no mundo real era completamente irrelevante, já que nesse lugar, as principais atividades eram a esgrima e a magia (ou sendo mais exato, as artes sagradas). Era realmente um mundo à parte para mim, já que essa também era a primeira vez que ficava em um internato para estudar. Incrivelmente acabei me adaptando muito bem a esse estilo de vida… posso dizer com certeza que aproveitei ao máximo cada momento em que passei naquela academia.

Porém, um ano e um mês depois que havia me alistado lá, no quinto mês do ano 380 do calendário do Mundo Humano, mais uma vez ocorreu um acidente que acabou pela terceira vez na interrupção de minha vida escolar…

Uma dupla de nobres de alta classe tentaram violentar a minha kouhai, Ronye, ou valete como chamam aqui, assim como a kouhai de Eugeo, Tiezé, através de uma elaborada armadilha.

Ato que acabou levando Eugeo a romper com sua restrição de desobediência absoluta das leis, fazendo com que desembainhasse sua espada e cortasse o braço esquerdo do nobrezinho Wanbell, e eu, que chegando no último momento, decepei as duas mãos do outro nobre metido e também a pessoa que estava por trás do plano de encurralar as duas garotas.

Mesmo que aquelas feridas fossem graves, suas vidas ainda poderiam ser salvas se o fluxo sanguíneo tivesse sido tratado rapidamente pelas técnicas sagradas, mas nessa hora um estranho fenômeno ocorrera.

Ao ser pressionado a escolher entre romper com a maior lei do Mundo Humano, o Índice de Tabus e seu desejo de auto preservação, entrou em colapso e desabou no chão sem vida gritando coisas desconexas com uma voz completamente transformada…

A academia nos expulsou enviando um Integrity Knight vindo da Igreja Axiom para nos levar sob custódia e nos prender no calabouço subterrâneo da catedral.

Me recusando a se deixar abater por abandonar pela terceira vez a escola no meio do caminho, bolei um plano absurdamente idiota e conseguimos escapar para o jardim de rosas no terreno da torre branca.

Enquanto tentávamos procurar um caminho de entrada daquele imenso edifício, nos envolvemos em uma batalha mortal com um novo Integrity Knight. E só nos safamos dessa enrascada graças à providencial ajuda de última hora da…

Misteriosa garotinha que se auto intitulou como Cardinal.

Essa pequena menina vivia em uma gigantesca biblioteca situada em um espaço hermeticamente fechado, isolado de tudo e de todos.

Ela fez com que o meu ensopado amigo Eugeo, que havia caído na fonte de águas geladas do jardim durante a batalha, fosse se esquentar em um banho enquanto me levou para um outro ambiente para conversarmos. Nesse instante me fez revelações surpreendentes.

Me disse que esse mundo, Underworld, era uma imensa simulação de civilização que tinha sido formada a mais ou menos quatrocentos e cinquenta anos.

E que a pessoa que administrava a Igreja Axiom, e que também regia o mundo, fora uma vez uma linda jovem chamada Quinella e que era apenas uma habitante comum desse lugar.

Que ela havia conseguido por suas próprias forças, ainda que no leito de morte, acesso à todas as artes sagradas, ou em outras palavras, conseguiu a lista de todos os comandos do sistema, incluindo um em especial… algo que deveria ter sido apagado, um comando proibido.

Algo que a promoveria ao status de um deus, administrador e supervisor de todo o sistema.

Com autoridade absoluta para governar, Quinella agora estava provavelmente contemplando esse mundo do andar mais alto da Catedral Central. Será que estava apontando seus olhos para Eugeo e eu, correndo como ratos no labirinto sagrado de rosas?

Cardinal sentada no lado oposto da pequena mesa redonda, se virou para mim com um sorrisinho enquanto me observava tremer um pouco, com o recente calafrio que percorria meu corpo. Bebeu mais um gole de chá de sua fumegante xícara, depositou-a sobre a mesa, ajeitou seu óculos e disse:

“É muito tarde para sentir medo, meu rapaz.”

Contive meu arrepio e tentei responder da maneira mais tranquilo que consegui.

“Aah!… Creio que você esteja certa…, prossiga por favor!”

Tratei de beber o líquido da minha xícara, que ao contrário do que Cardinal estava bebendo, o meu tinha um gosto muito similar ao café do mundo real.

A menina apoiou seus cotovelos nos braços da cadeira e começou a falar em tom sereno.

“Voltando uns duzentos anos atrás…

Quinella, ao acessar com sucesso a lista de comandos, a primeira coisa que fez foi aumentar seu próprio nível de autoridade ao máximo, a um range tão alto que era capaz de interferir diretamente com o Cardinal System que controla esse mundo. Em seguida, conferiu a si mesma todas as autoridades que ele possuía.

Uma gama completa de comandos de manipulação de terreno e construções, geração de itens, incluindo a durabilidade de unidades dinâmicas, como os humanos… ou em outras palavras, a manipulação da vida… “

“A manipulação da vida?… Então, ela tinha agora o controle sobre o tempo da própria vida…”

A jovem sábia concordou tranquilamente, embora com uma expressão tímida.

“Significa que ela tinha em mãos o poder de transcender seu próprio limite. Se converteu no supervisor completo. Com isso, restaurou totalmente sua vida, que já estava passando dos oitenta anos e estava praticamente desaparecendo.

Deteve a degeneração natural, recuperando seu aspecto jovial, quando estava no ápice de sua beleza…

Quinella tinha tudo o que queria, sua deslumbrante beleza coroada com um poder ilimitado, era algo além da imaginação, porém…”

“Bom, até aí eu consigo entender, restaurar sua beleza perdida talvez seja o desejo de todas as mulheres.”

Cardinal deu um pequeno suspiro.

“Mesmo eu, que não possuo nenhuma emoção humana, posso afirmar que estou agradecida por manter essa forma externa estática. Apesar de ter um estranho desejo de crescer uns cinco ou seis anos a mais…

Mas voltando ao assunto. Completado todos os seus desejos iniciais, Quinella estava em êxtase. Depois de tudo que tinha passado, agora podia manipular livremente o vasto Mundo Humano. Tinha beleza, poder e tempo ilimitados… tanto, que não se importava mais em parecer gentil… e isso era um conjunto de fatores muito perigoso.”

Os grandes olhos de Cardinal focara novamente algo que não mais existia, como se tivesse se transportado para uma era longínqua. Como se estivesse apreciando a insensatez humana, ou quem sabe, se compadecendo dela.

“Teria sido tudo ótimo se ela tivesse se dado por satisfeita. Porém, ela era incapaz de aguentar a ideia de que houvesse uma existência que tivesse uma autoridade igual ou maior do que a dela.”

“Você está se referindo… ao próprio Cardinal System?”

“De fato. Ela também tentou eliminar um conjunto de programas que não tinha consciência. Mas… mesmo com tamanha competência nas artes sagradas, no final, Quinella não passa de uma habitante do Underworld, um resultado de uma experiência científica. Não tinha como ela compreender as complexas sintaxes dos comandos em uma só noite.

Ela tentou imprudentemente decifrar os relatórios dos engenheiros do RATH… e acabou cometendo um erro. Um simples, único e enorme erro. Pensou que estava transferindo o controle total do Cardinal System para dentro de seu próprio corpo enquanto recitava o extenso comando… que teve como resultado…”

A menina falou tão baixo que parecia um sussurro.

“Quinella gravou as instruções primárias do Cardinal System em seu próprio Fluctlight, com uma permissão de somente leitura. Tentou roubar o nível de autoridade, mas acabou fundindo o Cardinal em sua própria alma! ”

“Ma-Mas… o que isso… significa exatamente…!?”

Acabei perguntando sem pensar.

“O que você acha que são as instruções primárias do Cardinal…?

A ‘Preservação da ordem e equilíbrio’. Esse é o propósito por trás da existência do Cardinal System. Você provavelmente sabe que isso é verdade, já que teve contato com um outro mundo com um sistema bem similar a esse.

Cardinal está constantemente observando as ações dos jogadores como você. E se em um momento ele detectar qualquer fenômeno que ameace quebrar o equilíbrio do mundo, irá se ativar e corrigir imediatamente de maneira implacável.”

“Sim… você está certa. Passei dias e noites explorando as falhas do Cardinal, mas ele sempre dava um jeito de se ajustar no momento em que descobria o que estava fazendo…”

Quando murmurei essas palavras ao relembrar das várias táticas que utilizava para ‘farmar’ no antigo SAO, a menina Cardinal mostrou um sorriso brincalhão. E foi só nesse momento em que ela fez isso, que toda aquela atmosfera de ‘sábio ancião’ se desfez para dar lugar a jovem e inocente garotinha que aparentava.

“Sei que é desnecessário dizer, mas não importa quantos novatos se juntem, ainda assim não serão capazes de burlar o Cardinal System… Porém, Quinella foi muito mais além.

Ao gravar as instruções em seu Fluctlight, em sua alma, não aguentou tamanha carga e desmaiou, permanecendo desacordada um dia inteiro. Provavelmente ela estava considerando em não ser mais uma humana. Com as instruções de preservação do equilíbrio, ser uma unidade humana não era eficiente, para fazer todo o trabalho ela não deveria mais perder tempo comendo, dormindo, bebendo ou nada que a atrapalhasse… mas acima de tudo isso, um único desejo deveria ser mantido, o de governar o Mundo Humano, isso era algo que permanecia eternamente igual…”

“Eternamente… igual…”

Repeti as palavras enquanto refletia o que isso queria dizer.

Assim como todas as I.A. de supervisão comuns dos VRMMO existentes, o Cardinal System provavelmente desejaria que seu mundo de jogo se prolongasse eternamente. Ele podia regular o equilíbrio de todas as coisas, gerar itens e monstros. Tudo para assegurar a ordem e a continuidade. Porém, havia somente um fator que mesmo os melhores supervisores com poderes onipresentes como um deus não podiam controlar…

Os jogadores.

Então, isso também se aplica em Underworld…?

Como se tivesse lido meus pensamentos, Cardinal concordou com a cabeça e continuou sua narrativa.

“Antigamente, o Cardinal System controlava os animais, a vegetação, terreno, o clima e os demais objetos… em outras palavras, o fundamental para a existência do mundo, sem interferir com as ações de seus habitantes, os Fluctlight Artificiais… Porém, Quinella era diferente. Pensou até mesmo em restringir as ações e a vida dos humanos por toda a eternidade.”

“Restringir… você quer dizer que ela pensou em obrigar que os humanos vivessem em uma mesma rotina dia após dia, até que suas vidas acabassem, é isso…!?”

“Hum… bem, basicamente. Deixe-me continuar… fundida com o Cardinal System, Quinella modificou o próprio nome. Para… Alto Ministro da Igreja Axiom, Administrator.”

Interrompi novamente.

“Eu já ouvi esse nome. Aquele Integrity Knight Eldrie Synthesis… hã…”

“Thirty-One…”

“Isso, esse mesmo! Creio que ele disse ter recebido o convite do Alto Ministro, o Administrator para descer a terra vindo do Mundo Celestial ou algo assim….

Entendi, ele se referia à Quinella… não importa como eu veja isso, acho realmente que é um nome bem espalhafatoso, não?”

Para mim, a palavra em inglês Administrator, estava relacionada à uma super conta, um supervisor real, porém, não sabia qual significado isso tinha para Quinella quando se autonomeou dessa forma.

Cardinal sorriu de maneira irônica dessa vez, enquanto balançava a cabeça em afirmativo.

“Não é um nome do nível de um deus, como aqueles quatro funcionários do seu mundo criaram, mas algo bem similar e compatível com o nível de manipulação que tinha…

Independentemente, agora o supervisor Quinella tanto em nome quanto em poder, proclamou uma única ordem direcionada aos os quatros grandes nobres daquela época que ascenderam à posição de imperadores. Dizia que deveriam dividir o Mundo Humano em quatro impérios, norte, sul, leste e oeste.

Você deve ter notado os enormes muros que dividem Centoria Central, correto?”

Foi minha vez de concordar.

A academia em que vivia ficava no quinto distrito da capital do Império de Norlangarth do norte de Centoria. Era possível enxergar a incrível barreira de pedras brancas em todas as janela daquela escola. A construção era mais alto do que qualquer outra estrutura da cidade. E além dessa parede, chamada também de muros imortais, estavam as capitais dos outros impérios. Algo que me surpreendeu bastante quando soube.

“Devo informar que em sua construção, não ouve nenhum tipo de extração de mármore. Quinella … quero dizer, o Administrator apenas os fez surgirem em um instante com sua força divina.”

“I-Instantaneamente!? Toda aquela estrutura!? Mas isso está além dos limites das Artes Sagradas… Nem consigo imaginar como as pessoas desse mundo ficaram ao verem isso acontecer…”

“Naturalmente, estarrecer todo mundo era seu objetivo. Mostrar para todas as massas o poder do Cardinal System e com isso, consolidar definitivamente a admiração por ela. Usando isso como barreira psicológica e os muros imortais como barreira física, ela conseguiu o controle total da população.

Então, usou a Igreja Axiom para se apoderar de todos os canais de transmissões de notícias para que dessa forma, pudesse manipular os corações e mentes de todos. Mantendo o Mundo Humano devoto, ignorantes e ingênuos para todo o sempre…

Mas os muros imortais não foram as únicas barreiras que ela criou para impedir o avanço intelectual e físico das pessoas.

Para poder atingir os locais mais distantes onde seus olhos não podiam ir, o Administrator fez aparecer outros objetos gigantescos incríveis. Um rocha enorme e indestrutível que impedia qualquer remoção, um pântano ao qual as pessoas jamais poderiam chegar perto, um fluxo de água corrente absurdamente rápido e violento, impossibilitando qualquer navegação e uma gigantesca árvore que não podia ser derrubada…”

“E-Espere! Você disse… uma árvore que não podia ser derrubada?”

“Sim. Ela concedeu à essa árvore, um cedro de tamanho desproporcional, uma prioridade e durabilidade quase infinitas.”

Imediatamente lembrei da árvore demoníaca, o Giga Cedro, que possuía uma resistência absurda.

Em outras palavras, aquela árvore não havia brotado de forma natural na floresta ao sul de Rulid e sim que provavelmente foi criado pelo Administrator para impedir que os aldeões estendessem sua área habitável com sua imensa durabilidade e cruel habilidade de drenar todos os recursos.

Assim, dessa forma aquele povoado jamais cresceria como uma cidade e nunca evoluiria… realmente foi um terrível obstáculo artificial.

De acordo com esse relato, então deveria existir muitos desses objetos ao redor do mundo? E que muitos humanos estavam sendo contidos por centenas de anos, fazendo um esforço inútil para eliminá-los…?

Incrédulo, ergui minha cabeça em direção à Cardinal para dizer algo, mas parece que mais um vez a menina tinha lido meus pensamentos.

“…É isso mesmo. Graças a esse plano, uma era pacífica de inatividade continuou perdurando sob o reinado absoluto do Administrator.

Em vinte anos…. trinta talvez…, os poucos que ainda retinham alguma esperança de progresso, perderam sua disposição. Os nobres se contentaram em viver vidas ociosas. A esgrima aperfeiçoada pelos antigos espadachins, se degenerou e se transformou em mera atração, como já deve ter notado. Quarenta, cinquenta anos depois, o Administrator sentiu uma profunda satisfação ao contemplar a vida cotidiana do Mundo Humano, para ela era como estar em um longo e relaxante banho morno…”

Traçando uma paralelo simples, era como estar observando um aquário depois de finalizar o cenário com os toques finais de seu perfeito ecossistema.

Emoções complexas inundaram minha mente, lembrei da vez em que tinha ficado horas e horas observando uma maquete de um viveiro de formigas quando era pequeno, de como fiquei entretido…

Cardinal, que também estava em reflexão, com um semblante bastante desanimado falou:

“Porém, é impossível que um sistema assim permaneça imutável por toda a eternidade. Algo sempre acontece, cedo ou tarde. De maneira que setenta anos após Quinella ter se convertido em Administrator, ela percebeu uma anomalia em si mesma.

Ocorreriam incidentes que ela não podia simplesmente ignorar, tais como a perda de consciência por curtos períodos em que ela não estava dormindo, sendo incapaz de lembrar de coisas que tinha feito dias antes e por vezes esquecer comandos do sistema que já estava muito acostumada a recitar. Incomodada com isso, ela usou os comandos de supervisor e examinou minuciosamente seu próprio Fluctlight… e estremeceu com o resultado.

Depois de tudo, a capacidade do setor utilizado para preservar recordações havia alcançado o seu limite sem que ela tivesse se dado conta.”

“L-Limite!?”

Disse inesperadamente no meio da história. Era a primeira vez que escutava de um limite máximo para a capacidade de espaço da memória… ou sendo mais específico, a capacidade de dados da alma.

“Porque está surpreso? É lógico que isso é possível. Os tamanhos dos Lightcube que armazenam os Fluctlight e os cérebros reais, são limitados e como tais, também o número de bits quânticos que se podem armazenar.”

Vendo a calma de Cardinal em responder isso, tive outra dúvida.

“Um momento por favor. O… Ligthcube, essa palavra está aparecendo em nossa conversa há um tempo, é um meio onde se guarda os Fluctlight das pessoas de Underworld, é isso?”

“Sério que você não sabia disso ainda? De fato, ele é um cubo de luz não somente no nome, pois tem a forma realmente de um cubo com um comprimento de aproximadamente cinco centímetros, com a capacidade de armazenar perfeitamente o Fluctlight de um habitante de Underworld. E assim como o Ligthcube, o local de armazenamento, o Light Cube Cluster, tem a mesma forma, com um tamanho de aproximadamente três metros de cada lado. Tal coisa foi construída para acomodar todos os cubos de luzes juntos.”

“Hã!? … são armazenados todos juntos? Vejamos, cinco centímetros cada um… em um espaço de três metros…”

Enquanto calculava mentalmente o número total de Lightcube, Cardinal disse a resposta sem esforço.

“O valor lógico total é duzentos e dezesseis mil. Porém, devido a existência do visualizador principal, o armazenamento deve ser um pouco menor do que isso.”

“Duzentos e dezesseis mil… então… essa é a população máxima de Underworld…”

“Exato. Mas todavia, ainda há um considerável espaço sobrando, então não há necessidade de se preocupar com o número de Ligthcube vazios se estiver pensando em fazer um bebê com alguma mulher.”

“Sim, entendo… E-Ei! Do que diabos está falando!?”

A jovem sábia voltou ao tema principal depois de me ver desconcertado com seu comentário.

“…Porém, como mencionei antes, cada cubo acaba alcançando o limite de sua capacidade de memória. O Administrator já havia vivido por cento e cinquenta anos além do seu tempo normal que viveu como Quinella. O recipiente que continha suas recordações finalmente havia começado a transbordar, derramando tudo que tinha em seu interior por esse longo tempo, causado dificuldades na escrita, preservação e recuperação de suas recordações.”

Esse era um tema bem preocupante, principalmente para mim. Já havia acumulado mais de dois anos de lembranças desse mundo em um ritmo de tempo muito acelerado. Mesmo que fossem somente alguns meses ou dias transcorridos no mundo real, definitivamente estava consumindo o tempo de vida da minha alma.

“Pode ficar tranquilo, tem muitas folhas em branco dentro do seu Fluctlight, muito mais do que o necessário.”

Essa garota era incrível, me lia complemente enquanto sustentava um sorrisinho maroto, quase infantil para mim.

“Falando dessa forma, parece que está insinuando que não tenho nada na minha cabeça…”

“Se formos nos comparar, você é um livrinho de colorir, enquanto eu sou uma enciclopédia.”

Após dizer isso, Cardinal tranquilamente tomou um grande gole de seu chá.

“Bom, agora deixe de criancices e vamos continuar. Tal como se esperava, mesmo sendo o Administrator, ela entrou em pânico ante uma situação tão imprevista e perigosa que era a capacidade de sua memória.

Mas assim como se agarrou na esperança de aumentar e suplantar o controle sobre o numeral de sua vida, ela colocou todo seus esforço para resolver essa nova e preocupante questão. Não era alguém que simplesmente aceitava o seu destino.

E de forma parecida como fez antes, quando roubou o trono de deus, outra solução demoníaca lhe ocorreu…”

Mostrando uma expressão dolorosa, Cardinal colocou de volta a xícara de chá em volta de suas mãos e a depositou sobre a mesa.

“…Naquela época… isso é, duzentos anos atrás, havia uma jovem, com somente dez anos, que estudava artes sagradas nos andares inferiores da Catedral Central como uma aprendiz noviça da igreja. Seu nome era…, eu esqueci seu nome… Ela nasceu em uma família de artesões em Centoria e por meio das flutuações dos parâmetros aleatórios, possuía uma autoridade de acesso ao sistema um pouco maior do que a maioria. Como tal, lhe foi designada a tarefa sagrada de ser uma sacerdote. Era uma jovem pequena e esquálida com olhos marrons e cabelos ondulados da mesma cor…”

Involuntariamente pisquei enquanto olhava a aparência de Cardinal, no outro lado da mesa. Só podia imaginar que a descrição que havia dito era de si mesma.

“O Administrator a fez subir até a sala de estar no piso superior da Catedral e lhe deu um grande sorriso de boas-vindas, cheio de amabilidade como uma santa. Essa criatura lhe disse: ‘Você será a minha filha a partir de agora. Uma filha de deus que guiará o mundo.’… o que era verdade até certo ponto. No sentido de alguém que herdaria informações de sua alma. Mesmo que isso não tivesse um só traço de amor materno.

Ela então tentou sobrescrever o Fluctlight da pequena garotinha com o controle de seu pensamento e suas próprias recordações mais importantes. ”

“Qu…”

Um calafrio percorreu minha espinha mais uma vez. Sobrescrever a alma… somente em dizer essas palavras já era suficientemente apavorante e repulsivo. Enquanto esfregava minhas mãos que agora estavam frias e úmidas, obriguei minha boca a se mover.

“S-Se ela tinha um poder tão grande quanto o de manipular os Fluctlight, não podia simplesmente apagar as recordações que não precisava? ”

“Você editaria um arquivo importante sem uma preparação antes?”

“N-Não, eu faria um… backup antes.”

“Exatamente. O Administrator não havia esquecido do dia em que tinha perdido boa parte de conhecimento quando assumiu o controle do Cardinal System. Sabia agora o quão perigosa era a manipulação direta dos Fluctlight. Não iria correr o risco de danificar uma informação importante enquanto colocava em ordem suas próprias recordações… por isso ela planejou antes se apoderar da alma da garota que tinha um monte de capacidade restante de memória e assegurar que ela seria uma boa cópia. Depois, obviamente, iria se desfazer daquela alma que tinha sido usada até o seu limite.

Dessa vez, ela foi realmente foi meticulosa, muito prudente… porém, conseguiu emplacar outro grande erro como Administrator, melhor dizendo, como Quinella.”

“Que grande erro?”

“De fato, depois de tudo, foi somente um ínfimo deslize enquanto estava em poder daquela pequena garota, controlando sua existência que aconteceu… ela, que tinha agora a mesma autoridade que os deuses, ascendeu em duas partes. Uma cerimônia diabólica, minuciosamente planejada e preparada…

Ter sucesso nesse plano, significaria obter o poder de raptar um Fluctlight através do Synthesis Ritual. Esse nome queria dizer sobre a unificação entre a alma e as recordações.

E eu… eu estava esperando justamente por esse momento… por longos setenta anos!”

Eu fiquei observando o rosto de Cardinal, confuso, enquanto me esforçava para falar.

“Espere… espere um instante! Que é você exatamente…? Quem é essa Cardinal que está conversando comigo nesse momento?”

“Ainda não descobriu?”

A garota levantou seus olhos bem devagar enquanto sussurrava.

“Kirito, você conhece a minha versão original, não é? Diga para mim quais são as características do Cardinal System!”

“Humm… bem…”

Franzi a testa enquanto tratava de recordar dos meus dias em Aincrad. Esse programa de administração automático foi criado por Kayaba Akihiko para gerir o jogo da morte, SÃO, em outras palavras…

“…Realizar ajustes manuais, corrigir o que for necessário e ter a capacidade de operar por um infinito período de tempo…?”

“Sim, está certo. E para fazer isso era necessário…”

“Era necessário ter dois programas centrais… enquanto o processo principal realiza o equilíbrio dos ajustes, o subprocesso realiza a verificação dos erros do processo principal…”

Ao dizer isso, finalmente me dei conta do que a garota que estava com um sorrisinho estava querendo me mostrar.

Eu tinha todas as respostas, só não tinha feito as perguntas certas.

Sabia que o Cardinal System tinha instalado uma potente função de correção de erros. A I.A. Yui, que acabou sendo minha filha com Asuna, a qual fizemos download de seus dados do SAO, era originalmente um programa subordinado de Cardinal. A mesma existência que tentei salvar desesperadamente quando o sistema a reconheceu como sendo um vírus e tentou eliminá-la sem piedade.

Sendo específico, simplesmente acessei o espaço do programa de SAO através de um console do sistema, busquei todos os arquivos relacionados à Yui, os comprimi e os transformei em um objeto, levando poucas centenas de segundos antes que Cardinal detectasse minha intervenção e a colocasse de quarentena, porém, pensando nisso agora, realmente aconteceu um milagre.

Aquela enorme e implacável presença que enfrentei, com um único teclado holográfico como arma, era na realidade o verdadeiro processo de correção de erros de Cardinal… e que também é… essa linda menina sentada diante de mim.

Consciente ou não de meu estado perplexo, Cardinal falou com um leve suspiro.

“Então, …finalmente colocou esse cérebro para funcionar.

As diretrizes comportamentais que Quinella gravou em seu próprio Fluctlight não se resumiam apenas ao processo principal, o que se destina a preservação do mundo, e sim também a instrução dada ao subprocesso de correção de erros do processo principal. ”

“Correção… de erros…”

“Quando eu era somente um programa desprovido de consciência, minha função era examinar continuamente os dados alocados pelo processo principal. Porém… quando obtive a individualidade como uma ‘consciência sombra’ de Quinella, comecei julgar minha própria conduta sem a ajuda de um código redundante ou algo que pudesse me dar respaldos de soluções a serem tomadas. Para ser mais precisa… era algo parecido como uma dupla personalidade.”

“Alguns estudiosos dizem que dupla personalidade na real não existem, são somente doenças mentais, não outra consciência.”

“Você quer mesmo entrar nesse assunto agora? Acho que não iremos muito longe.

Bem, o fato é que eu estava desperta de minha função e esperando o momento certo para agir. E foi somente naquele instante em que a consciência principal de Quinella estava dispersa, que pude vir a superfície e tomar o controle dos seus pensamentos.

Quanto mais fazia isso, mais me dava conta da gravidade do erro que essa mulher estava cometendo… quero dizer, do Administrator.”

“Gran…de erro…?”

Perguntei instintivamente. Depois de tudo, se a preservação do mundo formou a base do processo principal de Cardinal, o que Quinella tinha feito estava de acordo com esse princípio, independentemente do quão radicais foram as ações tomadas.

Porém, a menina Cardinal em minha frente, me disse resoluta.

“Me permita fazer uma pergunta. O Cardinal System do outro mundo alguma vez prejudicou os jogadores por livre e espontânea vontade?”

“N-Não, nunca. Mesmo sendo o principal inimigo de todos os jogadores, nunca fez nenhum tipo de ataque irracional contra eles. Me desculpe se dei a entender o contrário.”

Quando me desculpei, Cardinal deu um breve suspiro e continuou.

“Certo, ao contrário do Cardinal System original, essa mulher impôs sua vontade cruel e causou dores e castigos muito piores do que a morte a todos aqueles aos quais ela tinha a mínima suspeita que estivessem se opondo ao Índice de Tabus que ela mesma havia estabelecido… Acredite quando eu digo isso, lhe darei os detalhes do que ela fez mais tarde.

Então, nas extremamente raras ocasiões em que ela estava ‘off-line’, por assim dizer, perdida em seus próprios sonhos, eu, o subprocesso do Cardinal System julguei que o Administrator era em si um erro gigantesco e era minha missão acabar com ele.

Sendo específica, tentei saltar do andar mais alto da torre por três vezes, apunhalar meu coração com uma adaga duas vezes, carbonizar o corpo com técnicas sagradas também duas vezes. Minha intenção era reduzir minha vida a zero com apenas um movimento, se conseguisse isso, a ministra máxima desse mundo estaria extinta e minha missão estaria cumprida.”

As palavras cadenciadas saídas da boca daquela doce jovem eram tão duras e inacreditáveis, que me deixaram sem fala.

“Infelizmente meus esforços eram verdadeiros fracassos. Em um dado momento liberei todo o poder em uma técnica sagrada, exaurindo os recursos etéreos que tinha à disposição afim de formar um ataque implacavelmente ofensivo em forma de chuvas de relâmpagos todos direcionados para mim mesma. E mesmo tendo êxito na execução, um ataque poderosíssimo desses conseguiu reduzir apenas um dígito de vida do Administrator…

Então, após essa tentativa, o processo principal acabou tomando o controle sobre o corpo, tratando todas as feridas mortais em segundos, fazendo com que minha tentativa de causar dano fosse completamente anulada em um abrir e fechar de olhos. E graças as inúmeras tentativas, em especial essa última que lhe relatei, finalmente o Administrator tomou conhecimento de mim… em outras palavras, reconheceu o subprocesso de seu subconsciente como um perigo.

Vale informar que todas as vezes em que consegui controle sobre o processo principal foram quando ocorriam algum conflito dentro de seu Fluctlight… como em momentos de extrema angústia. Ela sabendo desse fato, se aproveitou para tramar algo impensável com intuito de me deter.”

“Impensável?”

“Sim. Mesmo ela tendo sido conhecida como abençoada por Stacia desde o nascimento, a Administrator ainda era filha de um homem. Portanto, possuía emoções como qualquer pessoa comum. Se emocionaria ao ver uma flor desabrochando ou ouvir lindos acordes de uma música. Todo o sistema nervoso emocional ainda estava ativo e desenvolvido, mesmo que estivesse trancado no canto mais profundo de sua alma quando se tornou em um ser metade deus e metade humano.

Ela acreditava que essas emoções eram a fonte de seus problemas. Portanto, utilizou de seu privilégio como supervisor para manipular seu próprio Fluctlight dentro do Light Cube e congelou seu próprio sentido emocional.

“O-O quê!? Como assim congelar o seu sentido emocional? Você quer dizer que ela destruiu deliberadamente uma parte de sua alma?”

Cardinal assentiu com a cabeça em sinal de positivo.

“A-Algo assim soa até mais perigoso do que fazer uma cópia do seu Fluctlight!”

“Como eu falei, ela não fez esse tipo de coisa sem preparo. Essa mulher, o Administrator, foi muito meticulosa em seus atos. Ela tinha conhecimento de tudo o que acontecia com seu corpo. E falando nisso…, você alguma vez notou a presença de diversos parâmetros ocultos que estão contidos na janela de Stacia? Ou como provavelmente você deve chamar, a janela de status?”

“Ah…bem, para falar a verdade, vi sim. Muitos desses parâmetros são totalmente incompatíveis com os corpos dos humanos. Habilidades e forças físicas além do que um humano deveria ter…”

O que me vinha à mente enquanto respondia era a pessoa a qual servi por um ano como seu valete aprendiz, a senhorita Sortiliena. Seu corpo era bem esbelto, passando um ar de delicadeza e fragilidade, mas essa mesma pessoa me superou muitas vezes durante os treinamentos com a espada.

A jovem em minha frente que tinha uma aparência ainda mais frágil e inofensiva, retirou seu grande chapéu enquanto eu falava.

“Sim. Além disso, dentro dessa janela existe um parâmetro chamado Transgression Quotient, ou traduzindo, Coeficiente de Transgressão. Era um valor utilizado para analisar a obediência às leis e às regras de cada habitante através de sua maneira de falar e agir, tudo isso era convertido em números.

Provavelmente ele foi criado para facilitar o monitoramento dos observadores do mundo exterior.

O Administrator rapidamente se deu conta que esse parâmetro podia ser usado para revelar os humanos que não acreditavam no Índice de Tabus. Para esse poderoso ser, os humanos eram menos do que uma bactéria, portanto, sentia uma imensa necessidade de exterminá-los, porém, não podia quebrar esse único comando de não assassinar que havia sido passado de gerações em gerações e que por fim havia recebido diretamente de seus pais quando jovem.

Então, não podendo acabar com a vida desses seres com um alto índice do coeficiente de transgressão que tanto odiava, resolveu recorrer a outro procedimento igualmente horrível…”

“F-Foi o que disse antes, não é? Que as pessoas havia recebido um castigo pior do que a morte…”

“Exatamente. Ela usava esse humanos, que considerava criminosos, como objetos para seus experimentos nas artes de manipular o Fluctlight diretamente.

Qual parte da alma armazena as informações? Qual lugar pode ser manipulado para fazer com que as memória sejam perdidas ou alteradas sem que com isso perdesse o processo cognitivo…?  Entre outras coisas terríveis. Era uma verdadeira carnificina, algo que nem os pesquisadores do mundo exterior ousaram fazer quando estavam fazendo experimentos em humanos.”

Senti um ar gelado subindo lentamente pela ponta de meus dedos das mãos, alcançando os braços e subindo até a nuca conforme a garotinha continuava sua narrativa.

Cardinal fez uma expressão sombria enquanto dizia com uma voz séria e cheia de dor.

“Os humanos sacrificados para os experimentos iniciais perderam totalmente sua individualidade e acabaram reduzidos ao estado vegetativo. Ela congelou sua carne e vida e preservou-os na catedral.

Sua Fluctlight Manipulation Art foi se aprimorando exponencialmente conforme ia repetindo seus testes. E outro fator que a levou a congelar suas emoções, foi para conseguir me deter de vir à tona e tentar salvar aquelas pobres criaturas que eram atraídas para a torre branca.

E tudo isso ela fez quando tinha por volta de cem anos de idade…”

“…E qual foi o grau de êxito que ela obteve?”

“Posso dizer que foi bem alto. Embora ela tenha falhado em abandonar todas suas emoções, conseguiu ao menos acabar com todos aqueles sentimentos que mais a agitava: medo, terror e raiva.

Desde então, o coração da Administrator nunca mais vacilou, não importando em que tipo de situação se encontrasse. Era realmente um deus…não, era somente uma máquina. Uma consciência que existia somente para preservar, estabilizar e manter o mundo…

Graças a isso, fiquei presa em um canto de sua alma fragmentada, sem ter a chance de tomar novamente o controle.

Eis que voltamos ao ponto onde comecei a lhe contar, quando ela atingiu o limite da capacidade de seu Fluctlight, quando chegou aos cento e cinquenta anos e tentou usar a alma daquela inocente garotinha…”

 

POIS É! COMEÇANDO MAIS UM VOLUME!

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