Sword Art Online Alicization Turning em Português – Underworld – Capítulo 6 – Parte 2.1

Arco: Alicization – Turning

Parte 2

Sword Art Online - Alicization - Volume 11 - Eldrie Synthesis Thirty-one
Eldrie Synthesis Thirty-one

A subida da escada em caracol era realmente interminável, nos tomando bastante tempo para percorrê-la até a saída.

O cheiro de umidade e mofo ia desaparecendo gradualmente no ar juntamente com as paredes escuras e sem cuidado dando passagem para um mármore brilhante e um ar mais limpo.

Mais alguns minutos se passaram e finalmente avistamos uma tênue luz surgindo em nosso caminho, vindo de uma porta retangular acima. Eugeo e eu, após nos assegurarmos que não tinha dispositivo de segurança, começamos então a correr desesperadamente para ela. Saltávamos de dois em dois degraus por vez em direção ao ar fresco que vinha da porta, a sensação era algo indescritível, como se tivéssemos ficado anos em uma caverna. Enfim, colocamos nossos pés para fora daquele lugar.

“Uff!”

Enquanto nos restabelecíamos, demos uma olhada ao redor. O céu ainda estava escuro, porém, ainda nos concedia um pouco de iluminação das estrelas.

A Igreja Axiom, que governava todo o Mundo Humano, tinha sua sede encravada nessa grande área quadrada no centro da cidade de Centoria Central.

Pelo que pude ver durante o ‘passeio de dragão voador’, é que a porta principal se encontrava ao leste  de onde estávamos agora(talvez porque captasse melhor os raios de Solus), com um caminho que se seguia por uma grande estrada até a igreja.

A igreja era na realidade a própria torre branca, a Catedral Central. Pela sua face, era possível dizer que se tratava também de uma construção quadrada, como se fosse um obelisco desproporcionalmente grande, com suas paredes incrivelmente polidas, como se fosse faces do maior espelho já construído e seu pico era impossível de se enxergar, pois se fundia com as nuvens.

Desde o início, o meu palpite é que exista alguém controlando esse mundo na parte mais alta dessa catedral, provavelmente com acesso a um console de comunicação com o mundo exterior, ou em outras palavras, com RATH.

Se conseguisse chegar tão longe, finalmente depois desses dois anos e dois meses poderia voltar ao mundo real…

Enquanto pensava sobre isso, me dei conta que já estávamos na rua, que não tinha mais tempo para divagar.

Fora daquela passagem que nos deixava ao lado de um grande muro e de frente a imensa parede branca polida, olhei para a esquerda e depois para a direita, porém com o ambiente já caindo na penumbra da noite, não era capaz de ver muito além, seja na direção que fosse.

Mas sabia que esse muro, que seguia em linha reta à nossa esquerda, nos levaria diretamente à Catedral Central, isso é, se não houvesse obstáculos.

Eugeo deve ter pensado a mesma coisa, pois já havia começado a andar em minha frente indo naquela direção.

Ambos levantamos as mãos esquerdas e tocamos suavemente a superfície também branca daquela parede. Somente com esse toque era possível notar o quão resistente e frio era aquele material.

“Sei que é muito tarde para dizer isso mas… é difícil de acreditar que estamos aqui, tocando parte da catedral. Chegando até a torre que ninguém ousou profanar até hoje… incluindo os nobres… não, melhor dizendo, nem mesmo os imperadores… Toda essa gente que só se limita a olhar para essa colossal construção.”

“Bem, acho que não nos encaixamos em nenhuma dessas categorias, também não somos Integrity Knights e agora, nem mesmo prisioneiros hehehe.”

Eugeo deu um sorriso tenso diante da minha reposta, mas falou em tom sério.

“Parando para pensar, creio que talvez essa tenha sido a melhor forma de acabarmos aqui. Caso tivéssemos nos tornado Integrity Knights, talvez tivéssemos passado pelo mesmo que Alice passou.”

“Realmente essa era uma possibilidade. Mas será que todos os Integrity Knights estão sem suas recordações? Se for assim, como eles conseguem aguentar? Por exemplo, será que nunca se perguntam quem eles são?”

Eugeo coçou a cabeça por um momento, tentando compreender minhas perguntas. Enquanto continuei falando.

“Quero dizer que, se todas as lembranças deles estão seladas, perguntas como: ‘-Quem são meus pais?’ ou ‘Onde nasci?’ não deveriam causar-lhes algum tipo de problema? Afinal, eles não são objetos, são pessoas com sentimentos. Essas simples perguntas compõem a base de todos os seres vivos pensantes. É por isso que acho realmente difícil que consigam fabricar tais conhecimentos perfeitamente. Algum tipo de ‘gatilho’ pode ser ativado e talvez…”

“Estou entendendo aonde quer chegar… quem sabe seja por isso que os cavaleiros acabam sendo existências que vivem à margem do mundo, sempre distantes de tudo, voando fora do alcance com seus dragões. Pois se o que diz é verdade, talvez se os expuser a algum lugar, pessoa ou situação que ative suas lembranças seladas, toda a farsa as quais estão amarrados, finalmente cairá por terra… e enfim, suas memórias serão libertadas. E… creio que sei por que você tocou nesse assunto…, isso talvez liberte também as memórias que dizem respeito aos seus lugares de origem, não é…?”

De repente, Eugeo respirou fundo e me olhou diretamente nos olhos com um semblante tenso, o que me deixou meio confuso. Depois de alguns instantes me encarando, finalmente entendi o que ele estava perguntando.

“Entendo… está pensando que talvez também iremos encontrar nessa torre uma maneira de resgatar minhas memórias, não é?”

“Ah… é… bem… eu…!”

Eugeo vacilou o olhar enquanto baixava a cabeça. Dei um passo adiante e coloquei a mão direita com firmeza em sua cabeça.

“Como sempre, você se preocupa demais comigo, não é? Já te disse várias vezes, não importa se recuperar minha memória, irei te acompanhar até o fim dessa aventura.”

Eugeo levantou o rosto um pouco avermelhado enquanto dizia para eu parar de tratá-lo como um garotinho. Embora fizesse isso como realmente um menino e não pedindo em momento algum para que eu retirasse a mão.

“… Não é que esteja duvidando de você, Kirito. Mas… quando penso que nossos caminhos podem se separar algum dia, eu…”

Ao escutar esse sussurro, senti um grande aperto no peito.

Esfreguei sua cabeça um pouco mais.

A majestosidade da Catedral Central, que se elevava mais do que qualquer outra construção nesse mundo, era realmente digna de receber o título de centro do mundo. Não seria fácil a sua subida, mesmo que não houvessem obstáculos. Porém, isso era tudo o que nos restava agora. Não importa quantos milhares de degraus teríamos que escalar, nossa grande aventura estava prestes a terminar e com um ano antes do previsto.

Porém, isso não seria uma despedida por toda a eternidade. Adoraria retornar aqui depois que tudo isso acabar e visitar Eugeo, Liena, Ronye, Tiezé e muitas outras pessoas.

“Adoraria que nossa viagem continuasse, mas um dia a festa tem que acabar, meu amigo. Mas isso não significa que tem que ser algo ruim… ao menos, você conseguirá devolver as recordações de Alice e voltarão juntos para Rulid. Se bem que você terá que escolher outra Tarefa Sagrada, não é? E é bom pensar bem, pois ela provavelmente será para o resto de sua vida.”

Eugeo me olhou mais uma vez, porém com um sorriso no rosto.

“É muito cedo para pensar nessas coisas. Mas uma coisa é certa, estou cansado de cortar árvores.”

“Hahahaha, eu acredito, eu acredito.”

Retirei a mão de sua cabeça e dei um tapinha em suas costas ao mesmo tempo que o campanário tocava. Pela melodia alta e clara, nos indicava que eram 4 horas da madrugada. Já estava prestes a amanhecer.

“Bom, temos que nos apressar…”

“Sim, vamos!”

Como sempre fazíamos antes de encarar um serviço, batemos nossos punhos firmes enquanto sorríamos. Silenciosamente concordamos que mais palavras eram desnecessárias, portanto, seguimos o caminho.

Não sabia ao certo a nossa localização, apenas que a porta de acesso à Catedral Central ficava no leste. E que o muro que ladeávamos certamente nos direcionaria para lá, mas…

De fato, encontramos a parede da catedral e uma bifurcação. O objetivo atual era nos infiltrarmos na igreja, assim que seria muito conveniente se tivesse uma entrada nessa gigantesca parede. Porém, não havia sequer uma janela, nem no que se supunha ser o primeiro andar e nem nos seus muitos metros acima. E mesmo que tivesse, a sua face era tão lisa e escorregadia que era impossível escalar.

Nesse caso, o próximo plano era continuar avançando pelo lado norte ou sul. Porém, depois de alguns metros nos deparamos com uma imensa cerca metálica que se conectava perpendicularmente a parede.

A altura era perfeitamente escalável, mas havia um problema. Não era certo que houvessem outras cercas escaláveis como essa.

A cerca mais à frente, feita, o que deduzi pelo seu brilho, de bronze, parecia ser bem forte tanto quanto as grades da nossa cela e além dela tinha um número infinito de outras cercas que rodeavam toda a área.

Em outras palavras, aquilo se tratava de um jardim que compunha um imenso labirinto. Provavelmente criado para confundir e atrasar os presos que pudessem vir a fugir, mesmo que as chances fossem de uma em um milhão, do cárcere subterrâneo. Por isso, provavelmente escalá-las não deveria ser uma tarefa fácil.

O cenário era esse: o leste, sul e norte estavam completamente obstruídos pela parede lisa, sem acesso e pelas cercas. Já no oeste, tinha um só portão com um trajeto que dava passagem para uma pequena praça, que se ligava a entrada do labirinto em um dos lados. Exatamente onde o dragão voador aterrissou conosco.

Fiquei tentando planejar a nossa rota de fuga, enquanto puxava da memória o caminho que fizemos ao vir para cá. Porém, esse exercício mental não estava ajudando em nada, muito pela complexidade do labirinto. Porém, parecia que não tínhamos outra alternativa.

“… Creio que teremos que tentar a sorte nesse labirinto e ver se saímos no norte ou no sul da catedral.”

Eugeo acabou concordando.

“Conto com a sua intuição, Kirito.”

“Deixe comigo, sempre fui muito bom com labirintos.”

Meu companheiro fez uma expressão estranha quando disse isso. Então, comecei a caminhar.

Sem opções, fomos para o oeste. Paramos em frente ao portão também feito de bronze. Checamos sua prioridade, na janela de Stacia aparecia 35, como já esperava, não era um bronze comum. Podia ser destruído depois de diversos golpes de nossas correntes, se encontrássemos um desses fechados, porém o tempo que levaríamos fazendo isso e o barulho seria como acender um holofote indicando para os inimigos o nosso paradeiro. Certamente seríamos pego pelos guardas imperiais ou até mesmo pelos próprios Integrity Knights.

Quando estava prestes a reiniciar a caminhada, Eugeo me puxou para trás e disse:

“O-O que foi, Eugeo? Viu algo na cerca?”

“N-Não na cerca… mas o que tem nela. Olhe isso, s-são ro-rosa…!”

Com os olhos arregalados, Eugeo apontava para um emaranhado de folhas que cresciam ao redor da cerca, se mesclando como um organismo simbionte.

“É a primeira que as vejo, mas não há dúvidas de que essas são… rosas, Kirito.”

Fiz uma cara de ‘-E daí?’ de início, mas lembrei de que as rosas nesse mundo são algo muito além de simples flores bonitas, elas estavam em uma posição mais alta do que as quatro grandes flores sagradas, que seus bulbos são os que armazenavam o tipo mais puro de energia sagrada e em maior quantidade do que as Anêmonas, Calêndulas, Dálias e Cattleyas juntas.

Ouvi que era totalmente proibido o seu cultivo, inclusive para os nobres e as famílias imperiais. Plebeus então, nem pensar. Dessa maneira, elas só eram encontradas em raríssimas ocasiões e em lugares remotos nas colinas e campos. Cada exemplar que é encontrado à venda no mercado de Centoria, não sai por menos de uma pequena fortuna.

Mas aqui, na nossa frente, criando uma barreira natural no labirinto, haviam milhares, não, dezenas de milhares dessas plantas ridiculamente raras… Quando me dei conta de sua utilidade, me veio um impulso de pegar e guardar algumas, porém lembrei que nesse mundo existia algo chamado de armazenamento de itens e por causa disso, elas não sobreviveriam muito tempo.

Em contraste com minha frustração, Eugeo estava bem calmo. Puxava alguns ramos, tentando evitar seus afiadíssimos espinhos e admirando as magníficas plantas.

“Ainda não estão totalmente florescidas, mas seus botões estão quase no ponto. Mesmo assim, já contém uma quantidade enorme de energia sagrada sendo dispersa no ar, está sentindo?“

Agora que tinha mencionado, realmente o ar nesse local era muito doce e puro, sentia como se meu corpo estivesse sendo purificado a cada lufada de ar que aspirava. Então, inspirei bem fundo, tentando absorver todas as bênçãos ali contidas, enquanto Eugeo franzia a testa.

“Não é nada disso que estou falando! O que quero dizer é podemos utilizar um monte de artes sagradas de alto nível aqui.”

“…Mas isso de nada adianta, pois não estamos lutando e muito menos feridos… ainda.”

“Porém, dá para fazer outra coisa, não concorda? Que tal usar algo para encontrar as nossas…”

“Aah, sim… você está certo, as nossas espadas!”

Finalmente compreendi o que Eugeo queria fazer.

As correntes de classe 38 enroladas em nossos braços até podia nos dar uma certa segurança, ainda mais para mim. Porém, para Eugeo, que não estava acostumado a manejar um chicote e somente tinha perícia com a espada, não era mais do que um peso morto.

Tínhamos mesmo que recuperar a Blue Rose e a minha espada negra o mais rápido possível, ou melhor dizendo, esse deveria ser o nosso objetivo principal no momento.

As espadas, todavia, estavam em um lugar incerto e não sabido, talvez ainda na cintura da Integrity Knight Alice. Porém, com o estoque de energia que tínhamos à disposição, pelo menos conseguiríamos ter uma ideia de sua localização, lançando mão das artes sagradas.

Respirei fundo, estiquei a mão direta e …

System Call!

Falei as palavras em voz moderada, considerada por Eugeo como linhas de um encantamento sagrado, porém, para mim, era somente um comando de ativação para se obter autoridade de manipular o sistema desse mundo. As pontas de meus dedos em minha mão direita foram cobertas com uma fraca luz violeta, assinalando que a conexão com o sistema estava em stand by, ou seja, esperando as instruções necessárias para prosseguir. Levando meu dedo indicador direito à frente, concentrei tudo nele, seguindo com o próximo comando.

Generate umbra element.”

Enquanto dizia essas palavras, imaginava uma joia negra, uma minúscula esfera com uma leve fosforescência púrpura na ponta do dedo. O grau de dificuldade dessa arte era um pouco alto, porém, de algo valeram aquelas aulas e intermináveis provas práticas as quais passei nos últimos anos.

O elemento umbra era o oposto do elemento luminoso, que a supervisora Azurika tinha utilizado para curar o olho de Eugeo. E também era um dos elementos mais perigosos a se manipular, podendo facilmente rasgar o espaço ao redor sem o menor esforço e se assim o ordenassem, porém, sua função atrativa podia ser usada de muitas formas interessantes.

Adhere possession. Object ID, WLSS102382. Discharge.

Ao terminar a invocação da arte sagrada, o elemento umbra estava flutuando na ponta do meu dedo, tal e qual tinha imaginado. Então, começou a se mover como se estivesse sendo atraído por alguma coisa. Foi na direção leste a toda velocidade e desapareceu ao entrar em contato com o muro da catedral. Contudo, o rastro de cor púrpura permaneceu no ar por vários segundos.

Rapidamente acompanhei com os olhos o traçado feito pela esfera. Eugeo, que havia feito o mesmo, disse com a voz em tom de decepção.

“Pois é… ao que tudo indica, as nossas espadas estão realmente dentro da catedral. Tinha a esperança de que pudessem estar fora dela, em algum depósito ou algo assim, mas…”

“Mas você notou uma coisa? Não parece que elas estejam em um lugar muito alto, estimo que no segundo ou talvez… terceiro andar. Já é algo a nosso favor.”

“Tem razão… acho. Então, façamos de nosso primeiro objetivo entrar escondido por algum lugar que não seja a entrada principal e procurarmos nossas armas nesse terceiro piso.”

Apesar de ainda estar preocupado com o fragilizado estado mental de Eugeo, ao ouvir ele dizer sem dúvidas na voz que quer entrar e recuperar nossas espadas, me trazia um pouco mais de segurança.

Independente de saber a localização aproximada das espadas, a necessidade de cruzar o labirinto não tinha mudado. Busquei na mente se tinha alguma arte sagrada que pudesse nos ajudar a achar a saída dali, mas infelizmente se existia um comando conveniente desses, eu não sabia…

Sem mais o que fazer parado ali, cruzamos o portão de bronze e fomos em direção a pequena praça a frente. Se as rosas estivessem floridas, o cenário seria quase uma obra de arte viva, com seus botões desabrochados na esquerda e na direita sob a luz do amanhecer. Mas felizmente para nós, a escuridão atual era tudo que precisávamos para continuarmos incógnitos aos possíveis sentinelas.

Com muito cuidado fomos avançando aquele corredor vivo, ajustando nossa visão em tudo que pudesse representar uma ameaça, sendo guiados apenas pela parca luz das estrelas.

Estávamos quase alcançando o próximo portão que já era a entrada para a praça que servia como plataforma de aterrissagem para os dragões voadores.

Recordo de ter visto um banco em frente a uma pequena fonte, mas não sabia exatamente em qual dos lados.

E no momento em que estávamos prestes a entrar de vez na praça, senti uma pequena, porém familiar pontada no alto de minha cabeça que me fez parar e analisar a situação. Imediatamente, Eugeo, que estava logo atrás de mim sussurrou:

“O-O q-que foi?”

“…Tem alguém ali!”

“O que!? Onde?”

Foquei o máximo de atenção em nossa frente.

A praça tinha o formato retangular, mas largo a oeste e a leste, com a porta onde precisaríamos ir, em nosso outro extremo. A estátua do Deus Terraria, erigida no meio da fonte, com quatro bancos feitos do mesmo material que as cercas em sua volta, distanciados uniformemente.

E exatamente como tinha dito, havia a silhueta de uma pessoa sentada no banco à nossa direita, no lado norte da praça.

Mesmo que o rosto não pudesse ser visto, pois estava oculto por um vasto cabelo ondulado, a figura, um pouco magra, estava coberta com uma incrivelmente polida armadura prateada com um leve tom púrpura, com uma espada parcialmente curva no lado esquerdo de sua cintura. E preso em suas ombreiras, uma grande capa que simulava uma grande sombra em sua volta. Mas mesmo com a pouca luz do local e o ângulo que estava, ainda era possível notar o símbolo da cruz atravessando um círculo bordada em sua superfície.Parecia segurar um estranho objeto em uma das mãos.

Eugeo engolimos em seco e sussurramos as mesmas palavras…

Integrity… Knight…!

Não havia erro. A julgar pelo físico, o corte de cabelo e a cor de seu equipamento, não era Alice, mas podia facilmente adivinhar que esse cavaleiro era tão forte quanto ela. Não tinha uma espada comigo… e mesmo que tivesse, duvido que saísse ileso em uma lutar com ele.

Será que deveria voltar e tentar a sorte nas entradas do norte ou do sul e arriscar a não ficar preso sem possibilidade de retorno? Ou talvez…

Mas antes de terminar de cogitar um plano para seguir, uma voz masculina em um tom calmo e familiar ecoou através da praça.

“Não há necessidade de ficarem aí encolhidos, meus caros prisioneiros. Vamos! Aproximem-se!”

Para nossa surpresa, o que tinha em suas mãos era uma taça de vinho. Ao notar isso, vi também uma garrafa logo ao seu lado sobre o banco.

Já farto desse tipo de tratamento e gestos empolados típicos da nobreza, mesmo ele sendo um cavaleiro que está no topo de todos os guerreiros desse mundo, meu mau hábito de falar mais do que a boca veio à tona e acabei respondendo:

“E o que você quer conosco? Oferecer um pouco desse vinho, é?”

Sem uma resposta imediata, o Integrity Knight virou-se lentamente, pegou e levantou a garrafa em nossa direção.

“Lamentavelmente, tenho que dizer que esse vinho não é apropriados para crianças… ou devo dizer, para criminosos, como vocês dois. Ele foi feito no império oeste, tem 150 anos de idade. Porém, creio que posso compartilhar o cheiro delicioso com vocês.”

Sorria tranquilamente enquanto girava graciosamente sua taça, iluminada com o brilho das estrelas.

Sua aparência tinha um equilíbrio esquisito, entre o rústico e o refinado. Tinha um grande nariz e orelhas, mas suas sobrancelhas eram longas e finas, contrastando com um par de olhos penetrantes e um brilho mortalmente afiado neles.

Enquanto Eugeo e eu estávamos por um momento sem ação e em total silêncio, o cavaleiro se moveu e levantou tranquilamente, fazendo o ruído de sua armadura ecoar no local.

De fato, ele era bastante alto, uns trinta ou quarenta centímetros mais alto do que eu. Seu manto azulado se agitava com o vento noturno conforme se movimentava.

Então, esvaziou sua taça com um só gole e disse umas palavras inesperadas.

“Como era de se esperar da senhorita Alice, minha amada mestra. Realmente ela tem uma percepção incrível. Foi capaz de prever, inclusive, uma situação como essa, de uma possível fuga de prisioneiros.”

“Se-Senhorita… Alice? Mi-Minha mestra?”

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Vamos! Aproximem-se, meus caros prisioneiros.

Repeti confuso.

O Integrity Knight assentiu serenamente e continuou com suas pomposas palavras.

“Para ser honesto, eu nunca pensei que fosse possível, apesar de suas ordens de que eu deveria passar a noite aqui, cuidando da provável fuga. Estava planejando passar essa vigília admirando as rosas, tendo como acompanhante essa magnífica garrafa de vinho, mas quem, além dela, iria imaginar que realmente haveria uma tentativa de fuga?

Essas coisas enroladas em seus braços são as correntes de ferro-espiritual forjadas nos vulcões do império sul. Não faço ideia de como as cortaram, mas creio que se foram amarrados por elas, é porque seus crimes envolvem alta traição.”

O cavaleiro colocou delicadamente a taça de vinho no banco, ainda mantendo seu sorriso. Então, com suas mãos, tocou os cabelos para trás e disse com ênfase em sua voz:

“Certamente, vocês entendem que terei que jogá-los de volta à prisão subterrânea, mas creio que um castigo um pouco severo faz necessário. Então… estão preparados?”

O sorriso ainda continuava, porém, uma hostilidade aterradora começou a fluir daquele homem, tão forte era a pressão, que me forçou a dar um passo para trás.

Retomando minhas ações, fiz força para voltar ao meu normal e responder:

“Se o caso for esse, acha mesmo que iremos ficar quietos sem lutar?”

“Hahahaha, mas que valentia! Ouvi dizer que eram apenas garotinhos que não tinham se formado na academia, mas vejam só, que espetáculo estão me mostrando.

Em virtude dessa bravura, permitam-me dizer meu nome antes que lhe reduza a vida ao ponto de ficarem totalmente desacordados.

Sou o Integrity Knight Eldrie Synthesis Thirty-one. Peço desculpas pelos meus modos, afinal, fui invocado a menos de um mês e ainda não tenho um território sob meus cuidados, então talvez eu passe um pouco do ponto com vocês.”

Eugeo deixou escapar um leve murmúrio ao escutar as palavras do cavaleiro, mas não desviei a atenção do inimigo. Despois de tudo, esse discurso provocativo, dito com uma voz suave e calma, tinha informações valiosas.

Primeiramente, o fato de que havia um ponto em comum nos nomes dos cavaleiros. Considerando que o nome completo da Integrity Knight Alice era Alice Synthesis Thirty, o início, Alice e Eldrie, deveriam ser seus nomes pessoais e principais. O seguinte, seria o nome que tinham em comum, talvez uma classe ou algo assim e depois, não era um nome por si só e sim um número. Estava em inglês, assim, Eugeo não tinha como compreender, mas tudo indicava que Alice era a trigésima Integrity Knight e o Eldrie o trigésimo primeiro.

E além disso, ele acabou de dizer: ‘invocado a menos de um mês’. As implicações da palavra invocar, não eram claras, mas se Eldrie era o último humano a ser designado como cavaleiro, isso significa que havia um total de 31 Integrity Knights. Sem falar que a maioria desses cavaleiros parecem estar espalhados por toda a parte do Mundo Humano, salvaguardando as fronteiras, sendo assim, provavelmente haviam menos dez cavaleiros nessa torre.

Mas esse palpite estava sujeito a todo o tipo de falha, ainda mais se não formos capazes de passar ao menos pelo cavaleiro novato em nossa frente.

Virei parcialmente para Eugeo e sussurrei:

“Vamos lutar! Eu atacarei primeiro, você fica aguardando o meu sinal, Eugeo!”

“S-Sim. Mas… Kirito, eu…”

“Eu disse antes não é? Não há tempo para dúvidas. Se não derrotarmos esse cara, não iremos conseguir entrar na catedral.”

“Não, não estou duvidando, só que o nome desse cara… Ah! Deixa assim, falaremos sobre isso depois. Entendido, mas vá com cuidado, Kirito.”

Ao ouvir a frase de Eugeo, me perguntei se ele realmente entendia a luta que iríamos enfrentar, mas não tínhamos mais tempo para conversas.

Senti mais uma vez como se fosse um suspiro vindo do alto de minha cabeça. Aprendi que isso era uma coisa boa, até nomeei essa estranha sensação de meu ‘anjo da guarda’.

Procurei então focar no mais importante, descobrir a verdadeira capacidade do inimigo, para depois pensar em como lutar e escapar com vida desse duelo.

Avançando mais para o centro da praça, desenrolei o pedaço de corrente de meu braço direito e agarrei sua ponta suavemente. Vendo isso, o cavaleiro levantou as sobrancelhas.

“Entendi. Estava mesmo me perguntando o que iriam fazer sem uma espada, suponho que irá usar essa corrente partida como arma, não é? Se for assim, então devo esperar uma batalha quase real? Será?”

Era irritante, mas sua voz e expressão continuavam cheias de calma. Enquanto eu, estava suando frio. Mas não tinha outra alternativa, a não ser me aproximar lentamente.

A corrente tinha a desvantagem de não ativar nenhum tipo de movimento secreto, nenhuma habilidade de espada, mas podia golpear de uma distância muito maior.

Teria que usar a tática mais bizarra de todas, o ‘famoso’ bater e correr. Se usar tudo que tenho nas pernas para poder atacar e depois fugir, talvez consiga acumular pouco a pouco, dano suficiente para ter uma chance de vitória.

Enfim, esse era meu plano, tinha confiança nele, tanta confiança que… só demorou alguns segundos para desmoronar bem na minha cara.

O cavaleiro Eldrie moveu sua mão direita, mas não para sua espada e sim para algo que estava atrás dela, coberto até então pela longa capa.

“Bem, então não usarei uma espada também, em seu lugar, utilizarei isto.”

O objeto que ele trouxe para frente, guardado ao lado de sua espada, quase em suas costas, era sua arma secundária, um objeto com um intenso brilho prateado, um grande chicote.

Ali estava eu, provavelmente com a expressão mais patética registrada em Underworld, olhando para o chicote sendo desenrolado e estalando ao atingir o pavimento de pedra como uma serpente.

Contrastando com minha nada refinada corrente, aquele chicote possuía maravilhosos anéis de prata, com diversos espinhos que se encaixavam por entre as espirais, quase como os galhos de uma roseira, mostrando que ser acertado com qualquer parte de sua superfície, era ter boa parte de sua carne esfolada, talvez até ossos arrancados.

Olhando rapidamente, estimei que seu alcance era de mais ou menos quatro metros, contra a minha corrente que tinha um raio aproximado de um metro e vinte centímetros. A diferença era praticamente o triplo. Minha tática de bater e correr foi jogada no lixo imediatamente.

Enquanto permanecia suando frio e em silêncio, Eldrie pareceu ler meus pensamentos ao agitar sua mão direita, fazendo seu chicote estalar no chão.

“Então… com respeito a sua intenção de ignorar a Igreja Axiom e o Índice de Tabus e escapar da prisão, permita-me ser seu oponente e ir com toda a minha força desde o início.”

Sem me dar tempo para raciocinar, Eldrie segurou firme seu chicote e gritou extremamente alto:

SYSTEM CALL!

Não podia discernir a maioria da extremamente complexa cerimônia depois disso.

Era algo parecido com a magia utilizada no nostálgico Alfheim Online, cânticos em alta velocidade, em outras palavras, dizer rapidamente um comando de forma ritmada e continuada, basicamente era isso as artes sagradas de Underworld.

Porém, conforme a velocidade dos cânticos aumentava, a possibilidade de errar a cerimônia também crescia.

Até então, a segunda melhor pessoa que conhecia e que era capaz de fazer essas cerimônias em alta velocidade era a senhorita Sortiliena, enquanto que a primeira era a supervisora Azurika.

Mas para meu espanto, Eldrie era muito mais rápido do que as duas juntas. Recitando um longo comando em menos de sete ou oito segundos. Quando terminou, disse umas palavras que eu conhecia.

Enhance Armament!

Enhance’, era reforçar, melhorar e ‘armament’ era…

Sem tempo para ‘acessar’ meu dicionário mental de inglês-japonês, Eldrie apontava sua mão direita, com algo se movendo diretamente para mim.

A nossa distância atual era de mais ou menos quinze metros. Mesmo que o chicote fosse extremamente comprido, não deveria me alcançar… e…

O chicote de Eldrie riscou um rastro prateado no ar e se estendeu diversas vezes mais do que seu tamanho original, como se fosse um elástico. Em confusão e por puro instinto, levantei a corrente sobre minha cabeça segurando com ambas as mãos, traçando uma linha defensiva.

Quase ao mesmo tempo, um violento impacto me acertou, fazendo com que uma grande quantidade de faíscas brancas azuladas fossem dispersadas no ar.

“Khuuh!!”

Se tentasse parar o ataque, simplesmente tentando conter a força do golpe, a corrente seria cortada. Sabendo disso, dobrei meus joelhos e torci meu corpo para o lado direito, fazendo o chicote escorregar pelos elos e bater no solo, criando uma enorme cratera no pavimento de pedra antes de regressar para as mãos do cavaleiro.

Enquanto sentia o suor escorrer por todo o meu corpo, fui verificar o estado que se encontrava a minha corrente.

“Guh!!”

Esse negócio detonou com boa parte desse objeto de classe 38, uma corrente feita de ferro-espiritual, os elos quase se partiram…

Olhando para seu petrificado oponente, o Integrity Knight deu um leve sorriso enquanto falava.

“Oh… pensei que iria conseguir arrancar pelo menos uma orelha sua, mas parece que conseguiu evitar o ataque de minha arma sagrada, o Frost Scale Whip, mesmo sendo a primeira vez que nos enfrentamos. Isso merece um pedido de desculpas de minha parte por lhe tomar como somente um estudante.”

Mesmo que quisesse dizer algo para retrucar as palavras ditas com tanta tranquilidade, minha boca estava paralisada.

Era realmente um oponente formidável. Na verdade, quem não o levou a sério desde o começo tinha sido eu em pensar que poderia esperar um ataque para formular um plano.

O trigésimo primeiro Integrity Knight era um tipo de inimigo que nunca havia tido como oponente antes, entendi isso agora, ainda que fosse tarde demais.

O mundo virtual, Underworld, era um campo de pesquisa para o RATH e nesse momento, considerando essa batalha, minha vida, não a do espadachim Kirito e sim a do estudante Kirigaya Kazuto, não estava em risco. E mesmo que meu pescoço fosse cortado fora pelo chicote de Eldrie e minha vida chegasse a zero, meu verdadeiro corpo feito de carne, sangue e ossos, não sofreria nenhum dano real.

Dessa forma, não poderia comparar de maneira alguma com o jogo mortal de SAO em matéria de perigo e medo de uma batalha. Aquele medo de quando enfrentava os gigantescos chefes dos andares, monstros e até os outros jogadores PK que se entregavam à loucura. A sensação como se um poço sem fundo se abrisse sob seu pés, caminhando sobre o fio de uma espada. Isso era algo que talvez nunca mais tivesse a oportunidade de experimentar e tampouco tenho o desejo de que volte a estar nessa posição.

Porém, mesmo que fosse chamado de jogo da morte, a maioria dos jogadores desse mundo eram simples pessoas sem nenhuma tradição com espadas, incluindo a mim.

Essas pessoas usavam apenas dados estatísticos e assistências de movimentos dadas pelo sistema e também a escassa velocidade de reação treinada por apenas um ou dois anos. Era como um simples jogo de cartas.

Mas Eldrie era diferente. Ele acumulou prática com a espada e estudo as artes sagradas provavelmente por mais de dez anos nesse mundo, elevando seu próprio potencial até o limite. Era um verdadeiro espadachim, física e mentalmente. Diferente dos jogadores de SAO e seus monstros comandados pelo sistema.

Se tiver que colocar isso em palavras, era como a verdadeira encarnação de um cavaleiro que aparecia nos livros de fantasia.

Possuindo habilidade e artes sagradas muito mais refinadas do que os goblins da cordilheira e demonstrando muito mais força de vontade que inclusive os melhores espadachins de elite em treinamento, Raios Antinous e Uolo Levanteinn, Eldrie supera todos em cada um de seus aspectos, comigo incluso. Se continuar lutando somente com essa corrente como minha arma, terei cem por cento de probabilidade de derrota.

Então… se existe uma maneira concreta de sair dessa situação, essa maneira seria…

Que eu não estou só.”

Senti como se alguém tivesse falado isso por mim, meu anjo da guarda talvez?

Olhei para trás e vi meu companheiro me olhando fixamente enquanto sussurrei:

“Eugeo. A única possibilidade que temos de vitória é o fato de que somos duas pessoas. Deterei seu chicote de alguma maneira e você terá que dar o golpe final.”

Não consegui escutar sua resposta. Então, quando olhei seu rosto, não vi medo ou dúvida, apenas admiração e sua boca se movendo…

As palavras que saíram em seguida foram:

“… Você viu aquela técnica, Kirito? Foi demais!!! Só tinha lido sobre ela nos livros antigos da biblioteca. Posso estar errado mas, essa técnica se chama Armament Full Control Art… é uma arte sagrada de super categoria para conectar a verdadeira essência da arma através de um cântico cerimonial, fazendo seu poder ofensivo ser comparado a um milagre de Deus. Realmente, como era de se esperar de um Integrity Knight, hehehe! ”

E esse era meu companheiro…

“Como se estivéssemos em posição de ficar admirando isso… Mas agora que falou, será que não poderíamos utilizar isso nessas correntes também?”

“Impossível, completamente impossível! Isso é uma arte secreta do maior grau específica da igreja. Parece que esse tipo de arte só pode ser utilizada em armas da classe ferramentas divinas.”

“Se é assim, então é melhor esquecer disso. Temos que nos virar com essas aqui mesmo. Olhe só! Quando eu segurar aquele chicote será a sua vez de atacar, certo? Mesmo que não esteja acostumado a usar uma corrente, provavelmente conseguirá dar um golpe efetivo pelo menos, é só girar e bater nele com tudo que tiver.”

Confirmei uma segunda vez com Eugeo que finalmente mostrou uma expressão decidida.

“Prepare-se! Vamos vencer a maior força da Igreja Axiom, um Integrity Knight e… com dois pedaços de correntes.”

“Eu sei, eu sei, já disse que não tenho mais dúvidas.’

Assentindo, Eugeo agarrou a ponta da corrente enroscada em seu braço, a desenrolou e disse:

“Vamos lá!”

 

NOS VEMOS SEMANA QUE VEM COM A SEGUNDA PARTE!!!

QUEM AÍ PERCEBEU UMA HOMENAGEM A UMA CERTA OBRA DO SR. YOSHIHIRO TOGASHI?

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