Sword Art Online Alicization Turning em Português – Underworld – Capítulo 5 – Parte 2.2

Arco: Alicization – Turning

Parte 2

Sword Art Online - Alicization - Turning - Volume 11 - Tiezé e Ronye
Vingança… é assim que se diz? Ele está agindo por vingança?

Depois de toda dor e desespero pelo qual passou, Eugeo estava disposto a não reviver aquilo novamente.

Admirava e lamentava pelos nobres que iriam ter que batalhar contra os tantos outros goblins, orcs ou quem sabe o tipo de criaturas maiores e mais ferozes que existam lá.

Por outro lado, mais de trezentos e oitenta anos haviam se passado desde que o Deus da criação, Stacia, deu vida aos humanos. E em todo esse tempo, o exército escuro jamais invadiu uma única vez. Apenas algumas esporádicas incursões de pequenos grupos que eram erradicados o mais rápido possível.

Em outras palavras, os quatro impérios, especialmente a alta cúpula da nobreza, tem estado relaxadamente vivendo em seus palácios espaçosos, exercendo sua proclamada autoridade de julgamento das classes mais baixas e deixando o trabalho sagrado de proteger o mundo de lado, pois segundo eles, de que adiantaria uma rígida preparação para algo que nunca viram na vida e talvez que nunca cheguem a ver…

Como se pudesse ver o que se passava no coração de Eugeo, Tiezé suspirou ao seu lado e disse:

“…Portanto, meu pai gostaria que pelo menos seu filho mais velho conseguisse o título de nobreza de quarta classe, e assim garantir imunidade contra esses julgamentos antes de suceder o comando da família. Foi com esse objetivo que ingressei nessa academia. Caso eu fosse escolhida como a representante da escola e tivesse uma boa colocação no torneio dos espadachins dos quatro impérios, não seria algo impossível de acontecer… porém, para alguém como eu que obtive a décima primeira posição na classificação, realmente não tem como.”

Eugeo percebeu que a jovem ao seu lado estava pensando em algo que não conseguia definir. Logo depois deu um sorriso radiante enquanto fechava seus olhos.

Sua motivação, se fosse comparar, era completamente diferente da que ele tinha. Pois a razão que o levou a entrar na academia tinha sido para conseguir reencontrar sua amiga de infância. Enquanto que a de Tiezé tinha o nobre motivo de trazer honra para sua família e poder aumentar sua própria autoestima como alguém de classe elevada.

“Não se recrimine por isso, Tiezé. Você é muito competente. Para ajudar seu pai, trabalhou duro e isso não se pode negar. E a prova é você ter conseguido ficar entre os doze melhores estudantes novatos, o que por si só já é um grande feito.”

Após Eugeo dizer essas palavras, a garota corou e respondeu um pouco atrapalhada.

“D-De m-maneira alguma!!…E-eu só tive sorte porque o tema sobre o qual tive que descrever era um estilo que sou boa, se não fosse assim, com toda certeza não teria conseguido. E só estou aqui pois tive lições diárias de esgrima com meu pai três anos antes de fazer os exames da academia. Não tenho nem como comparar com o senhor que conseguiu com esforço próprio uma incrível recomendação da guarda de Zakkaria. Não é de se surpreender que tal feito o tenha levado a se classificar como o quinto melhor espadachim de elite em treinamento. Imagino que tenha sido muito fácil, já que tens uma esgrima perfeita. Realmente é uma honra lhe servir como ajudante, senhor Eugeo.”

“N-Não diga isso…”

Eugeo se deu conta que estava fazendo os mesmos gestos que Kirito, quando ficava constrangido, balançando uma das mãos e coçando a cabeça com a outra.

Tiezé estava dizendo que era uma honra, mas na verdade, a única razão pela qual acabou sendo sua valete e Ronye a de Kirito, era por pura coincidência. Daria para dizer que era obra de Stacia.

Os ajudantes foram selecionados usando o sistema onde os doze estudantes que subiram para a posição de aprendizes de espadachins de elite tinham o direito de escolher quem queriam como valetes. A ordem de escolha era de acordo com sua colocação final.

Em outras palavras, nesse ano, o primeiro que começaria escolhendo era Raios, seguido de Wanbell, com Eugeo e Kirito sendo os quinto e sexto a decidirem, respectivamente.

Porém, depois de conversar entre si, os dois garotos decidiram ficar por último na escolha para evitar qualquer tipo de conflito com os outros dez com o direito de escolha.

Como resultado, as insígnias de madeiras foram entregues à Eugeo e Kirito com os nomes de Tiezé e Ronye. Ficaram espantados por perceberem que eram duas meninas, uma das únicas que tinham classificação suficiente para se tornarem elegíveis. A reação mais estranha ficou à parte de Kirito, que fazia umas expressões bem engraçadas enquanto lia o nome de sua ajudante.

Eugeo não soube dizer o porquê, mas deduziu que não era nada grave.

Ficaram sabendo depois que a causa das duas garotas não terem sido escolhidas por ninguém antes, era devido as suas classes familiares serem as mais baixas entre a nobreza, ou seja, ambas nascidas na sexta.

Obviamente, esse fato nunca chegou aos ouvidos das duas meninas e seus dois superiores decidiram que não havia necessidade de contar também.

Eugeo achou melhor encarar isso como um golpe de sorte das duas terem sido escolhidas como suas ajudantes e provavelmente Kirito concordava com ele nesse ponto…

Eugeo, após ouvir a declaração sincera de Tiezé, pensou que seria uma boa falar abertamente das suas experiências.

“…Bem, para dizer a verdade os exames que prestei para entrar na academia, não foram nada fáceis para mim também. Sendo sincero, estava tremendamente nervoso. Só consegui passar e depois me tornar um espadachim de elite em treinamento graças à Kirito que me ensinou tudo que sei…”

Depois de ouvir isso, Tiezé arregalou seus olhos em total descrença e disse:

“O QUÊ!!?? Então o senhor Kirito é mais forte do que o senhor Eugeo?”

“…Humm, digamos que sim…”

Enquanto Tiezé ria da expressão embaraçada de Eugeo, ele olhou para trás. Estava curioso em saber como seu amigo estava tratando sua ajudante. Conseguiu ouvir parte da conversa que era sobre coisas relacionadas às técnicas de esgrima. E contrariando suas suposições, Kirito estava bem tranquilo conversando com ela.

“…E é claro, creio que só existem duas formas que temos que ter preparado para receber um golpe desses quando vem de cima, como aquele do estilo Norlangarth. O importante é antecipar o movimento e decidir com qual vai contra-atacar, se com um golpe vertical vindo de baixo para cima ou com um diagonal indo também para cima e para direita… qualquer outro tipo irá necessitar de outro movimento e você perderá tempo de resposta. Porém, se fizer um desses dois que mencionei, terá a chance de decidir o que fazer após o encontro das lâminas, se seu ataque será outra diagonal, mas agora para baixo ou…”

Que bom, creio que estão se dando bem e Ronye parece realmente interessada e entusiasmada.”

Voltando sua atenção para frente novamente, Eugeo teve um pensamento curioso.

Ele tinha o objetivo de treinar sua espada para poder reencontrar sua amiga Alice, enquanto Tiezé e possivelmente Ronye, provavelmente queriam levar honra para suas famílias, mas e Kirito? Uma vez ele disse que seu objetivo era o mesmo que o dele.

É claro que não tinha nenhum motivo para duvidar de seu amigo, mas ele tinha um pressentimento estranho toda vez que pensava nisso. Ele sentia que o objetivo de Kirito não era usar sua espada para alcançar algo e sim, que ele queria era dominar a forma da espada em si. Uma forma estranha de dizer, mas que ele realmente sentia que havia algo muito forte em relação ao humano Kirito e aquele estranho modo de esgrima que era o Estilo Aincrad. Se fosse dizer isso em poucas palavras, diria que ambos eram a mesma existência.

Até agora, Eugeo só havia imagina Raios e Wanbell como sendo seus principais rivais que deveriam ser derrotados no mês que vem. Porém, se pensar melhor, dependendo de como as coisas serão nos exames, é perfeitamente possível que seu companheiro e mestre Kirito acabe se tornando seu oponente.

É claro, não tinha esperanças de ganhar. Mas antes disso, não conseguia sequer imaginar uma situação onde teria que cruzar espadas com Kirito seriamente. Ou ainda, que tipo de coisas teria que acontecer que o levaria a utilizar sua espada e técnicas contra seu amigo…

“Ah! Acho que ali é um bom lugar, não acha?”

Tiezé apontava para um lugar um pouco mais para frente, fazendo Eugeo abandonar seus pensamentos.

O local indicado por ela era uma clareira com gramado curto à beira de uma lagoa, perfeito para um piquenique.

“Sim, é um ótimo lugar. Ei Kirito e Ronye! Vamos almoçar ali!”

Eugeo confirmou que seu amigo continuava em seu estado normal enquanto lhe respondia com seu usual e despreocupado sorriso e levemente levantava a mão em afirmação.

Estenderam a grande toalha no chão, se sentaram em um círculo.

“Ah! Estou faminto…”

Kirito fez um gesto exagerado apertando sua barriga enquanto as duas garotas sorriam. Então, rapidamente elas tiraram da cesta uma grande quantidade de comida e começaram a distribuir.

“Dessa vez, não compramos nada pronto, fomos nós mesmas que preparamos, só espero que vocês gostem…”

Praticamente nenhuma daquela tensão inicial podia ser sentida da aprendiz Ronye Arabel enquanto dizia isso com seu rosto um pouco corado ao posicionar os pratos. Se com esse inesperado passeio ela conseguisse se entender melhor com seu mentor, a situação embaraçosa entre eles estaria resolvida.

O cardápio que as duas prepararam era realmente surpreendente, com carnes vermelhas e peixe, pão branco, bolos, pastéis, frutas e algumas bebidas.

Tiezé se certificava das vidas dos alimentos enquanto Ronye dizia as orações. Ao término, Kirito foi o primeiro a começar a comer, lançando um grande pedaço de carne em sua boca e depois dizendo:

“Está muito deliciosa. O sabor não perde em nada para o melhor restaurante daqui, Ronye e Tiezé.”

“Sério? Que bom!”

Os rostos das duas garotas se iluminaram imediatamente. Eugeo tratou de comer também, queria aproveitar o máximo daquela comida.

Lembrou dos lanches que Alice trazia há muito tempo atrás enquanto trabalhava na floresta. Porém, o sabor da comida era completamente diferente. Não estava acostumado com a culinária de alta classe da nobreza, mas até agora estava achando tudo maravilhoso.

Enquanto saboreava, perguntou para Tiezé.

“Sim, está realmente magnífica. Mas me diga, não foi difícil conseguir os ingredientes?”

“Ah…bem, na verdade…”

Tiezé se virou para Ronye e respondeu:

“Como vocês sabem, os alunos novatos não podem sair se não for em dia de descanso, então, pedimos para o senhor Kirito nos ajudar a comprar no mercado central ontem depois das aulas, já que o senhor Eugeo estava na biblioteca…”

“Hein!?…Então… foi isso…”

Atônito, olhou para Kirito, que estava dedicando toda sua atenção em devorar a comida em sua frente.

“Eu teria ido junto se tivesse me pedido… e outra, se está tudo bem contigo agora, não havia razão para a minha ajuda em aproximar vocês… Me diga, qual era o problema de suas fugas…?”

Eugeo estava um pouco irritado enquanto enfiava o maior pedaço de pão que cabia em sua boca.

“Ah! Nada em especial… e outra, estava preocupado com você, não queria lhe incomodar enquanto estava estudando profundamente, caro espadachim de elite em treinamento, senhor Eugeo.”

“Porque sinto que está me zombando de mim?”

Depois de ver que Kirito não parava de rir se virou para Ronye e Tiezé que estavam surpresas vendo a cena dos dois e disse:

“Esse cara aqui sempre faz esses tipos de brincadeiras. Foi a mesma coisa quando entramos na guarda de Zakkaria e na viagem para Centoria. Todos sempre olham para ele a primeira vez com suspeita, mas depois… se tomam de amores e começam a enchê-lo de comida. Cuidado! Não se enganem com essa carinha risonha dele, Ronye!”

Porém, já era tarde, pois o rosto da aprendiz novata estava totalmente corado quando olhava para seu mentor.

“N-Na verdade, é como você disse, à primeira vista o senhor Kirito parece um pouco assustador, mas nos demos conta que ele é uma ótima pessoa…”

“Ah! E é claro, o senhor também.”

Tiezé lhe dava um grande sorriso enquanto dizia isso.

Não tendo outra opção, Eugeo suspirou e comeu mais um pedaço de pão.

Ficou olhando mais uma vez seu esfomeado amigo devorando tudo e se perguntando como ele tinha o dom de cativar as pessoas.

Nesse momento, Tiezé e Ronye se endireitaram e falaram de maneira solene:

“Senhor Eugeo, senhor Kirito. Na verdade nós temos um pedido que gostaríamos de fazer aos dois…”

“S-Sim… o que é?”

Quando Eugeo focou em sua ajudante, ela se encurvou, colocando sua testa praticamente no chão.

“Sentimos muito em pedir isso à vocês, mas… é sobre a solicitação de troca de mentor que o senhor mencionou outro dia, espadachim de elite em treinamento, Eugeo. Gostaríamos que um de vocês falem na direção da academia em nosso nome…”

“C-Como é que é?”

Estava sem palavras enquanto tentava recordar que realmente tinha dito algo do tipo para Ronye, sobre que ela era livre para pedir por outro mentor ao invés de Kirito.

“Então… esse magnífico e luxuoso lanche é na verdade uma despedida?”

Eugeo tentava confirmar isso com as duas garotas enquanto sentia uma pontada em seu peito. Então complementou:

“Me deixe entender… isso significa que você quer deixar de ser minha valete…? Ou de Kirito? Ou ambos? É isso…?”

Ao ouvirem isso, Tiezé e Ronye levantaram seus rostos com expressões confusas antes de começarem a balançar as mãos e as cabeças em negativo ao mesmo tempo.

Tiezé foi quem começou a explicar para Eugeo em pânico.

“N-Não é isso!! Não se trata de nós, isso nunca!! Muito pelo contrário, há muitos aprendizes que querem nossos lugares para servi-los como ajudante. Estamos querendo dizer que existe outra garota em nosso dormitório e essa sim deseja trocar de mentor.

Seu nome é Frenica, uma garota muito gentil e que sempre se esforça ao máximo em seus afazeres. Muito habilidosa com a espada e acima de tudo, humilde. Porém…”

A voz de Tiezé falhou e Ronye assumiu.

“…O que acontece é, o espadachim que a elegeu como valete é uma pessoa muito…hã… rígida. Sobre tudo nesses últimos dias, ela está sempre sofrendo longos castigos, mesmo sendo pelos menores erros, ela acaba sendo ordenada a prestar os piores e mais horríveis serviços. Mesmo aqueles considerados inadequados na academia. Isso está acabando com ela…”

A duas garotas levaram suas mãos no peito e olharam para os dois com os olhos marejados.

Eugeo perdeu o apetite na mesma hora, devolvendo sua carne no prato. Estava completamente incrédulo em relação ao que acabara de ouvir.

“I-Isso não deveria ser possível. Mesmo sendo um aprendiz de espadachim de elite, ordenar coisas que vão além do que está regulamentado na academia…”

“Sim, exatamente… não se pode mandar fazer coisas que rompam com as normas dessa escola. Por exemplo, existem diversas restrições de coisas que as estudantes mulheres não podem fazer, coisas degradantes. E isso é senso comum…”

Eugeo percebeu que era exatamente esse o caso, ao ver a cor sumir dos olhos de sua aprendiz.

“Certo, entendi a situação dessa garota chamada Frenica, não é necessário que fale mais. Desejo oferecer minha ajuda mas… senão me engano…”

Continuou a falar enquanto recordava do regulamento da academia que havia memorizado.

“Vejamos…

Para assegurar o máximo de apoio, é dado a todo espadachim de elite em treinamento um aprendiz pessoal que irá velar por seu mentor. O dever desse aprendiz, que é eleito pelo mentor entre os doze melhores estudantes novatos é zelar por tudo que diz respeito ao treinamento e manutenção da boa conduta dos estudos.

A dispensa desse aprendiz deve ser feita pelo próprio espadachim de elite em treinamento e instrutor encarregado, para que desse modo seja escolhido outro novato entre os alunos.

Creio que é isso que diz as normas.

Dessa forma, não somente a decisão do instrutor deve ser levada em consideração, como também é necessário que o seu mentor também o faça e só assim que a senhorita Frenica poderá ser dispensada de sua função.

Bem, podemos sempre conversar com o mestre dela e tentar dissuadi-lo… Qual é o nome dessa pessoal em questão?”

Ao perguntar isso, Eugeo acabou franzindo sua testa, pois teve um péssimo pressentimento.

Tiezé demorou um pouco para responder, mas o fez com uma voz quase inaudível, como se o próprio nome fosse difícil de ser pronunciado.

“Ele… é o segundo classificado como espadachim de elite em treinamento, o senhor Wanbell Zizek…”

No instante em que escutou o nome, Kirito que estava em silêncio até agora, grunhiu irritado.

“Mesmo com tudo que aconteceu até agora tenha sido ele mesmo que provocou, se acha no direito de continuar fazendo essas coisas desagradáveis com os outros. Creio que terei que tomar algumas medidas mais drásticas da próxima vez…

…Não que eu já tenha feito algo parecido…”

Eugeo franziu o rosto novamente e começou a explicar a situação para as duas garotas.

“É provável que não saibam, mas tive recentemente um duelo com Wanbell na arena de práticas. O resultado, segundo Raios, foi um empate. Provavelmente Wanbell não tenha ficado satisfeito com isso… E talvez essa seja a razão por trás desse horrível comportamento com sua amiga Frenica…”.

“E esse desgraçado agora está descontando em sua aprendiz só porque não pode ganhar de Eugeo. Realmente não é uma atitude que um espadachim deve ter.”

Mesmo que algumas palavras tenham sido incompreensíveis para as duas meninas, puderam perceber a indignação na voz de Kirito e com isso tiveram certeza que seus mentores entenderam a situação. Então, levantando seus olhos, Tiezé murmurou:

“Isso quer dizer… que o motivo dessa reação do espadachim de elite em treinamento, o senhor Zizek, foi porque empatou com o senhor Eugeo…? Mas isso é…”.

Tentou procurar a palavra que queria dizer e Ronye continuou.

“Vingança… é assim que se diz? Ele está agindo por vingança?”

“Sim, essa é a palavra. Como vingança por não ter conseguido ganhar, utilizou a autoridade de castigo em Frenica e a ordenou que fizesse atos humilhantes…”

Mesmo sendo nobres como Wanbell e Raios, mas que nasceram em famílias de sexta classe, elas estavam mais perto dos plebeus do que o contrário, então, não deve ter sido fácil entender esse tipo de comportamento irracional do segundo melhor espadachim classificado naquela renomada academia. Nem sequer conseguiam encontrar palavras que expressassem bem seus sentimentos, tal era a diferença de pensamentos entre elas e os dois garotos em sua frente.

Para Eugeo que nasceu e se criou em um povoado menos favorecido e afastado, conseguia perceber perfeitamente a mentalidade de Wanbell e não tinha simpatia alguma por ela.

Quando era pequeno, o filho do chefe da guarda, Jink, fazia diversas coisas ruins com ele, mas seu motivo era por pura infantilidade. Pois Jink gostava de Alice que por sua vez gostava de Eugeo e para chamar sua atenção acabava fazendo todo o tipo de travessuras malcriadas como, por exemplo, esconder os sapatos de Eugeo.

Porém, aqui era diferente, Wanbell direcionou toda sua raiva e frustração por não ter conseguido ganhar o duelo e passou para alguém sem culpa alguma e que nem estava relacionada com o caso.

Uma menina que deveria estar recebendo o máximo de orientação e cuidado estava sendo humilhada e coagida a fazer coisas terríveis.

Eugeo sabia da existência da palavra ‘vingança’, assim como a ‘ressentimento’. Pois ele mesmo havia experimentado um pouco disso quando jovem.

Em uma ocasião onde seu irmão tinha ganhado uma linda espada de madeira que seu pai havia comprado e ele não. Isso gerou um sentimento horrível dentro de si. Tanto que pegou sua velha espada feita a mão, também por seu pai e bateu com ela nas pedras até quebrar.

Seu pai, sabendo o motivo, o repreendeu dizendo que aquilo era um ato vergonhoso, conhecido como ressentimento. Eugeo aprendeu a lição e nunca mais fez isso novamente.

O mesmo pensamento que naquela época o fez quebrar sua espada, estava fazendo o aprendiz de espadachim de elite ser extremamente rigoroso com sua ajudante. Infelizmente aquilo não estava contra as normas do Índice de Tabus, a lei fundamental do império e muito menos contra as regras internas da academia.

Mas, aquilo era realmente certo? Nesse mundo, além de todas as leis existentes, não deveria ter algo mais importante que deveríamos seguir…?

Nesse momento, Tiezé, que parecia estar pensando a mesma coisa, disse em voz muito baixa.

“Eu… eu não entendo.”

Levantando o rosto para olhar diretamente para Eugeo, a menina que em breve seria a sucessora de sua família nobre de sexta classe, com uma expressão cheia de dúvidas e súplicas, condizente com sua pouca idade, falou:

“Meu pai sempre diz:

-Nós, a família Shtolienen, somos nobres, graças a herança de nossos antepassados que conseguiram com muito esforço o reconhecimento do imperador através de serviços militares. Portanto, devemos agradecer que temos essa grande residência, algumas posses e privilégios que os plebeus não tem. E como retribuição, devemos fazer de tudo para assegurar que os que não possuem o que nós temos, possam viver felizes e em paz. Por esse motivo, empunharemos nossas espadas e seguiremos orgulhosos de nossa nobreza, e enfrentando de cabeça erguida todo o tipo de perigo e morte que possa vir a nos aguardar. ’”.

Tiezé parou de falar por alguns instantes enquanto olhava em direção ao sul, até o centro de Centoria. Ficou admirando a administração imperial, que se assomava por cima das copas da árvores e então voltou-se para Eugeo novamente.

“…E sobre os Zizek, eles são uma ilustre família que construíram uma enorme mansão no quarto distrito e que, inclusive, tem muito mais terras fora dos limites de Centoria.

Penso que, não deveria alguém como ele, com tudo que tem, se esforçar ao máximo para garantir a felicidade de todas as pessoas menos favorecidas? Mesmo que isso não esteja escrito no Índice de Tabus, os nobres deveriam ter em mente que suas ações não podem causar desgraças aos demais… isso também é outra coisa que meu pai sempre fala.

As ações do senhor Wanbell até podem não estar contra as regras do Índice de Tabus ou da academia mas… mas ainda assim, Frenica segue sofrendo e chorando noite após noite. Como pode acontecer tal coisa…!? Isso é imperdoável…”

Tiezé terminou seu discurso, expressando tudo que tinha em seu coração em palavras e por fim, terminou com lágrimas rolando pelo seu jovem rosto.

Porém, Eugeo que tinha as mesmas dúvidas que a garota, não conseguia dar uma resposta imediata.

Ronye alcançou um lenço branco para secar o rosto de Tiezé e nesse momento…

“Tens um pai maravilhoso. Adoraria conhecê-lo algum dia.”

Por instantes, Eugeo não conseguia acreditar que aquela voz tão tranquila estava saindo da boca de seu amigo Kirito.

Esse espadachim vestido totalmente de preto, que inspira temor, medo e desconfiança nas pessoas em sua volta, com o brilho intimidante de seus olhos e comportamento explosivo. Conduta essa que levou a se tornar uma lenda na academia ao confrontar o líder anterior dos aprendizes de espadachins de elite, olhava agora para a pequena Tiezé com um semblante calmo e reconfortante. Falava com suavidade, palavra por palavra.

Sword Art Online - Alicization - Turning- Volume 11

“O que seu pai vem lhe ensinando tem um nome, se chama ‘Noble obligation’, em ingl… digo, em língua sagrada. É a forma como o espírito deve ser. Os nobres, ou em outras palavras, aqueles que possuem poder, devem usá-lo sempre para o bem daqueles que nada tem… você deve ter muito orgulho desse seu legado.”

Fora a primeira vez que Eugeo tinha escutado aquelas palavras, apesar de estar estudando durante mais de um ano a língua sagrada, mas seu significado foi absorvido imediatamente pela sua mente e assentiu com a cabeça profundamente. A voz de Kirito fluía como o vento suave nos ouvidos deles, como um encantamento dito por alguém…

“Esse orgulho é mais importante do que qualquer tipo de lei ou regulamento. Mesmo se não estiver proibido, todavia há coisas que não se devem fazer e o inverso também é igual, podem-se fazer coisas que em tese não se devem fazer, inclusive se estiverem proibidas por lei.”

Essa declaração, que em certo sentido, refutava todo o Índice de Tabus e os preceitos da Igreja Axiom, fez com que Tiezé e Ronye ficassem sem palavras, estupefatas. Porém, Kirito olhou as jovens garotas e continuou a falar sem vacilar uma vez sequer em suas palavras.

“Fazem muito, muito tempo, um grande homem chamado San Augustinus disse o seguinte:

-Se uma lei for injusta, então não é uma lei’. Independente do quão magnífico ela possa ser ou autoridade possa ter, não devemos aceitar cegamente.

Mesmo se não estiver violando as proibições ou regulamentações, a conduta de Wanbell está definitivamente errada. Não há desculpas para fazer qualquer coisa contra uma inocente menina a ponto de fazê-la chorar. Algo terá que ser feito e só existe uma pessoa para fazer isso…”

“Ah…! Creio que sei a quem está se referindo.”

Eugeo concordou com a cabeça, mas as dúvidas sobre seu companheiro só aumentaram.

“Mas Kirito… quem é que decide quem está certo e quem está errado? Se todos fizerem como você disse, não haveria mais nenhuma ordem, não é? Se não houver a Igreja Axiom, quem estaria em posição de julgar em nome da paz?”

De fato o Índice de Tabu não descrevia o que deveria ser o certo e o que deveria ser o errado sobre cada ação que um ser humano deveria tomar. Portanto, acabou permitindo que alguém como Wanbell fizesse o que fez.

Porém, igual ao que a Irmã Azariya fazia, repreendendo Jink por suas travessuras, Kirito e Eugeo fariam com Wanbell e seu companheiro. Mas isso era uma questão totalmente diferente de duvidar da autoridade da igreja.

Aquele que criou o mundo tinha sido Deus e a igreja era a representante desse Deus. A igreja que geriu muito bem o mundo dos humanos durante centenas de anos, não poderia estar errada. Essa torrente de pensamentos transbordava por todo seu ser sem que ele chegasse a uma resposta definitiva.

Quem respondeu a pergunta de Eugeo foi Ronye ao invés de Kirito, que agora estava novamente em silêncio.

O discurso claro expressado pela menina geralmente dócil e gentil, chocou Eugeo, pelo seu teor.

“Bom, sinto que entendi um pouco sobre o que o senhor Kirito disse. Algo que se deve sempre de ter em mente, apesar do que está registrado no Índice de Tabus… é basicamente, o sentido de justiça igualitária, seja o momento que for. Não simplesmente obedecer à lei, sem contestar porque ela existe e se essa lei está sendo justa com todos… E que pensar através dela também é muito importante.”

“Exatamente, Ronye. Ser capaz de pensar é a maior capacidade do ser humano. É mais forte do que qualquer espada famosa e mais forte do que qualquer movimento secreto.”

Kirito disse isso com um sorriso em seus lábios. Sua aprovação era visível pelo brilho em seu olhar.

Frente a esse cada vez mais misterioso companheiro, Eugeo fez uma última pergunta…

“Kirito, você mencionou esse tal de Augus… sei-lá-o-quê… Afinal, quem é esse exatamente? Algum Integrity Knight por acaso?”

“Humm…, um padre eu acho. Mas que já morreu há muito tempo…”

Com essa resposta, Kirito deu um grande sorriso para seu amigo.

Ao final do passeio, com os dois rapazes se despedindo com um breve tchau das duas meninas que levavam as cestas de piquenique enquanto se encaminhavam para o dormitório dos novatos, Eugeo olhou para seu amigo e disse:

“Kirito, já pensou em algo para fazer em relação à Wanbell?”

Kirito franziu a cara e resmungou:

“Bem… mesmo se dissermos para ele parar de intimidar sua valete, certamente irá nos ignorar… Mas se…”

“Mas se…!?”

“Deixando Wanbell de lado, vamos focar por um momento no chefe desse cara, Raios. Ele sempre age pelas sombras, quietinho, mas ainda assim não é um idiota. Para ele ter se tornado o melhor aprendiz de espadachim de elite, não deve ter sido somente pela sua habilidade e sim pela sua pontuação em artes sagradas, leis e história também.”

“Isso é verdade, melhor do que certa pessoa que conseguiu a sexta colocação na base da força física unicamente.”

“A história conta que na verdade eram dois estudantes…”

Estavam a ponto de começar suas usuais conversas, com um alfinetando o outro, mas Eugeo se deu conta que não era o momento para isso.

“Certo. E então? O que faremos…?”

“…Raios está na mesma ala que Wanbell não é? Não te parece estranho que ele esteja quieto sobre tudo isso que seu companheiro anda fazendo com sua ajudante? Mesmo não existindo um castigo formal, boatos iriam se espalhar pelo menos e então a reputação de Raios irá pelo ralo também, o que para uma montanha de orgulho como ele, seria pior do que um castigo físico.”

“Mas… o fato é que Wanbell continua abusando de Frenica e o outro está conivente. Só o que fico intrigado é que não sei por que Raios estaria acobertando esse tipo de coisa. Ou talvez ele esteja irritado com Wanbell e esse tipinho acaba descontando na menina. Não importa realmente o que é, tenho mesmo que ter uma conversa séria com ele…”

“É exatamente nesse ponto que quero chegar.”

Kirito seguiu falando de maneira bem aborrecida.

“Talvez haja um terceiro motivo escondido. Imagino que tudo isso faça parte de um plano, uma armadilha elaborada pelos dois especialmente feita para você, Eugeo. Nesse cenário você se oporia às ações de Wanbell, entram um uma discussão e como resultado, acaba violando algum regulamento da academia… dando toda a vantagem para eles… e se for esse o caso…”

“O quê!?”

Eugeo devia estar acostumado com as linhas de raciocínio de seu amigo irem para um lado caótico, mas sempre acabava por ficar surpreso com as suas suposições.

“Mas isso… é praticamente… impossível… Mesmo não tendo o mesmo status social, Wanbell e eu somos aprendizes de espadachins de elite, temos uma postura a manter. De maneira que sempre tomo cuidado para que não use nenhuma palavra que possa insultá-lo, não importando quantas vezes ele me instigue a fazer isso. Quanto a esse tipo de comportamento, eu temo muito mais por você, Kirito.”

“Bem… acho que tem razão. Aí está a vez que joguei barro no uniforme do líder anterior que não te deixa mentir…”

Eugeo deu um breve suspiro. Kirito realmente tinha cometido um ato que ia contra as regras da academia no ano anterior e pagou por isso através de um absurdamente violento duelo com espadas reais, em uma competição de primeiro golpe.

“Façamos o seguinte então. Quando formos até o quarto de Wanbell, deixe que eu fale e você pode fazer o que faz de melhor, fique atrás de mim com sua habitual cara amarrada para intimidá-lo.”

“Certo, creio que sou bom nesse ponto mesmo, hehehe.”

“Conto com você. Daremos a ele uma advertência verbal hoje e caso não surta efeito, vamos ajudar na petição de substituição de mentor de Frenica. Mas creio que antes de recorrer a uma ação dessas, temos que tentar conversar e escutar o que ele tem a dizer pelo menos. Acho que mesmo uma conversa pode remediar a situação.”

“Humm… certo, …Eugeo. Vamos fazer do seu jeito… por enquanto.”

“Como?”

“Ah! Nada…, vamos lá!”

Kirito deu uma palmada de leve nas costas de Eugeo, com uma expressão insatisfeita e começou a caminhar em direção ao dormitório dos aprendizes de elite. A indignação que sentiu ao ouvir o relato de Tiezé ainda não tinha desaparecido, o que fez seu passo acelerar.

Há um ano, a pessoa que seria o mentor de Eugeo, o recém nomeado aprendiz de espadachim de elite era um homem chamado Golgosso Valto, com sua gigantesca constituição o deixava com a aparência de um adulto.

Facilmente ele era duas vezes maior e mais forte do que Eugeo. Com seus braços tremendamente musculosos e sua cabeleira, dava a impressão à Eugeo dele ser membro da família dos grandes leões do império sul, mesmo que só os tenha visto por gravuras em livros.

Quando o viu pela primeira vez, Golgosso recebeu um paralisado e constrangido Eugeo parado na porta do dormitório com uma única frase de sua voz grave:

-Tire a roupa!”.

Eugeo ficou horrorizado, porém, não podia desobedecê-lo. Sem outra opção, fez o que havia ordenado, retirou seu uniforme cinza e o colocou sobre uma cômoda do quarto de seu recém nomeado mentor.

Ele foi examinado dos pés à cabeça várias vezes e por fim, Golgosso deu um grande sorriso e disse:

“-Mas que beleza! Vejo que está bem treinado. Isso é bom, muito bom!

Sentiu-se aliviado do fundo do coração enquanto recolocava o uniforme.

Golgosso lhe contou que não era um nobre, que era apenas um antigo guarda plebeu e essa era definitivamente razão pela qual tinha escolhido Eugeo que tinha uma história incrivelmente parecida com a sua.

Durante o ano que se seguiu, seu comportamento espalhafatoso e enérgico causou alguns embaraços à Eugeo mas nada realmente problemático. Jamais o forçou a fazer coisas irracionais, muito pelo contrário, era extremamente gentil e atencioso quando lhe passava instruções de esgrima.

Tanto cuidado fez com que Eugeo simpatizasse muito com Estilo Valto de seu mentor, sempre acreditou que unindo-o com o Estilo Aincrad de Kirito o transformaria em uma poderosa ferramenta em batalha. Seu apreço por esses estilos estavam em pé de igualdade.

No dia em que Golgosso se graduou na academia e foi para a Central, Eugeo fez uma pergunta que estava guardando o ano inteiro.

Era o porquê tinha o nomeado e não Kirito, que tinha muito mais aptidão e inclusive tinha ingressado com notas melhores na academia como seu ajudante.

Enquanto remexia em seus cabelos desgrenhados, Golgosso respondeu:

-Sim, me dei conta que a capacidade daquele rapaz era maior do que a sua, percebi isso na demonstração que fizeram para o exame de ingresso. Mas veja bem, essa é exatamente a razão pela qual lhe escolhi. Senti que você era o tipo de pessoa que era mais parecida comigo, alguém que está sempre pronto a lutar olhando a frente, com um objetivo e coragem inabaláveis, disposto inclusive a dar a vida em prol das pessoas…

Já o seu amigo… bem, ele tem algo do qual não consigo definir e além do mais, já havia uma certa garota de olho nele, você sabe de quem eu falo, da senhorita Sortiliena, que por estar em segundo lugar, escolhia antes de mim.

Gahahahaa!

Enquanto ria amplamente, Golgosso esfregou a cabeça de Eugeo com sua enorme mão e completou que ele tinha que se tornar um incrível espadachim de elite em treinamento, que essa a última ordem como seu mentor.

Eugeo assentiu sem parar, com lágrimas rolando em seu rosto. E foi dessa maneira que se despediu do terceiro melhor aprendiz de espadachim de elite daquele ano e seu querido amigo.

Aquele home havia lhe ensinado que os estudantes espadachins de elite e seus ajudantes tem uma relação que vai além do protocolo de mentor e servo. Eugeo pensou nesse momento que possivelmente nunca seria tão bom como Golgosso foi, mas ainda assim, tinha a intenção de fazer o seu melhor para orientar Tiezé, passando nem que fosse uma fração do que passaram para ele. Certamente isso era o que Kirito havia se referido anteriormente: ‘algo mais importante do que qualquer outra coisa, mesmo que não esteja registrado no regulamento.’.

Wanbell e Raios obviamente não entendiam isso. Já que se seguraram entre os 30 melhores colocados no exame de ingresso na academia unicamente para não ter que servir a ninguém. Eram coisas assim que precisavam ser ditas nesse momento e não dava mais para adiar.

Abrindo a porta adiante com suas duas mãos e entrando no dormitório dos aprendizes de elite, Eugeo subiu a grande escada com passos fortes e decididos.

 

FIM DA PARTE 2.

SEMANA QUE VEM TEM MAIS!!!

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