Sword Art Online Alicization Running em Português – Underworld – Capítulo 4 – Parte 2.1

Arco: Alicization – Running

Parte 2

Sword Art Online Alicization - Running - Vol 10
…mas parece que certas pessoas acham que é apenas entrar tranquilamente e pegar sua comida que está tudo bem…

A maior cidade do Mundo Humano, Centoria, era fortificada por um grande muro circular de dez quilômetros de diâmetros… ou em unidades desse mundo, dez kilolu.

Lembro que o primeiro nível da cidade flutuante de Aincrad era também um círculo com esse mesmo tamanho. Para ser mais exato, essas duas enormes áreas eram exatamente iguais em formato e dimensões. E outra coisa que era bem impressionante para um lugar virtual, é que a população que vivia ali, ultrapassava facilmente a casa dos vinte mil.

Além do mais, contava com uma estrutura bastante peculiar. As robustas muralhas dessa cidade se unem em uma intersecção em forma de X que dividem as ruas em quatro grandes áreas. Colocando de outra maneira, essas quatro paredes que se cruzam em ângulos extremamente retos, parecem pás de um gigantesco ventilador. Cada uma dessas ‘pás’ tinha um nome específico: Centoria Norte, Centoria Leste, Centoria Oeste e Centoria Sul, sendo também o nome das capitais dos quatro impérios que governavam o grande mundo dos humanos.

E isso era mais uma coisa impressionante, esses impérios eram separados simplesmente por um muro.

Fiquei bem surpreso quando soube. O rei e o exército principal, o quartel dos cavaleiros, sem dúvida estariam ali na capital, então se estourasse uma guerra, eles seriam imediatamente arrastado para dentro do conflito sem opções e nem tempo para preparar uma medida preventiva. Quase comentei isso com Eugeo, mas consegui me conter. Por alguns instantes esqueci de onde estava, em um mundo onde o conceito de roubo e assassinatos não existiam, portanto, impossível que guerras entre impérios acontecessem.

Apesar de necessitar de um documento de identificação para atravessar de um lado do muro para o outro, que pareciam se chamar de ‘Muro Imortal’, nada mais era exigido.

Percebi que em Centoria Norte, onde estávamos, haviam diversas pessoas com cabelos negros do império ocidental e pessoas com peles mais bronzeadas, originárias do império do sul, assim como uma grande quantidade de comerciantes instalados nas laterais dos muros e turistas. Todos eles eram estrangeiros, mas devido à língua em comum, parecia não haver disputas.

Nem sequer podia sentir animosidade contra os outros países, muito menos a iminência de um conflito como uma guerra. A razão disso sem dúvida era uma altíssima construção localizada à vista de todos, uma torre totalmente branca, cravada bem no centro do mundo dos humanos.

A Catedral de Centoria, a Igreja Axiom.

A parte superior parecia se mesclar com o céu, devido à sua altura descomunal, era impossível ver seu fim e nem quantificar quantos metros tinha.

Provavelmente seria muito mais impactante a vista de sua base, porém, o terreno da igreja também estava rodeado por altos muros, criando um campo isolado quadrangular, uma barreira que evitava qualquer vista de sua entrada.

O Muro Imortal que separava as ruas estava conectado firmemente as quatro esquinas das tremendamente brancas paredes da catedral… acho que seria mais correto dizer que as paredes que se estendiam para fora da igreja.

E mais, esse muro não se limitava às ruas de Centoria, ele ia muito mais além, através dos campos, florestas, desertos chegando até a incrível barreira natural, a borda da cadeia montanhosa que separava o Mundo Humano, ou seja, percorrendo os 750 quilômetros de distância em uma linha absurdamente reta.

Naturalmente, esse mundo não possuía nenhum tipo de maquinário avançado de construção, então é apavorante imaginar quanto tempo levaram para construir essa obra descomunal.

Isso só mostra o quão poderosa e absoluta é a autoridade da Igreja Axiom com sua magnífica torre. Este ‘castelo’, local onde era possível observar de cima os quatro impérios com seus quatro reis.

Estranhamente tive a sensação que essa separação em Underworld, era semelhante às províncias do Japão.  Limites sem ter limites…

Me faz pensar, se não tem conflitos ou barreiras, que tipo de necessidade ocorreu para dividir o Mundo Humano em quatro? Ainda não tinha resposta para essa pergunta. Ao mesmo tempo, também não sabia o porquê da Igreja Axiom se colocar sobre todos os países.

Haviam funcionários civis que trabalhavam ali. Eram conhecidos como sacerdotes e anciões. Assim como uma força militar, os Integrity Knight, porém em número bem reduzido se for comparado a qualquer exército do mundo real. Seu total parece ser por volta de cem. Enquanto que nos quatro impérios, a força bélica deles girava em torno de mil soldados e cavaleiros. E mesmo com essa disparidade numérica, nenhum rei havia se rebelado contra a igreja até hoje. Será que era devido ao Índice de Tabus? Ou será que o poder desses poucos Integrity Knight eram muito superior aos exércitos imperiais? Talvez uma combinação de ambos?

Não tenho como saber disso por hora. A única coisa que posso comprovar no momento é a majestosidade da catedral de Centoria que se alçava e ultrapassava as nuvens no céu e que podia ser vista de qualquer lugar da academia.

Uma vez que terminei de praticar com Liena, saí do dormitório dos espadachins de elite rapidamente, atravessando o local naquela noite de primavera um pouco fria, enquanto admirava a grande torre branca tingida com uma luz laranja e azul do fim da tarde.

Será que lá no topo dessa torre, olhando aqui para baixo, estará um humano do mundo real como eu? Ou será que também é alguém originário de Underworld, um Fluctlight Artificial? Bom, ainda necessito de mais um ano e meio até que consiga concluir meu plano e encontrar a resposta para essa pergunta.

É claro que também estou contando que a aceleração esteja em torno das mil vezes, pois dessa forma, eu estarei imerso só por mais dez horas na minha realidade, mas ainda assim será muito tempo na atual perspectiva…

E ao mesmo tempo em que fico empolgado, também tenho um pouco de medo de encontrar a saída no último andar da catedral… Pois uma vez que eu desconecte desse mundo, significa que estarei dando adeus a todas as pessoas que vivem aqui. De certa forma, será a morte de meu avatar, uma separação definitiva.

Selka e os garotos que não vejo a tanto tempo, os poucos amigos que fiz na escola, Sortiliena que esteve cuidando de mim e me treinou como seu valete nesse ano e é claro, meu primeiro amigo e companheiro, Eugeo…

Já faz bastante tempo desde que parei de tratá-los somente como unidades humanas. Tirando o fato de que suas almas estão armazenadas em um meio diferente do meu, eram seres humanos completos iguais a mim.

Passamos dois anos, vindo de Rulid, Zakkaria e finalmente Centoria. E todo esse tempo só serviu para aumentar minha convicção.

Não, não era uma simples amizade com Eugeo e os demais habitantes com que me relacionei. É algo maior, para esse mundo inexplicavelmente grande e maravilhoso eu…

Interrompi meu pensamentos, respirei fundo e enterrei esse sentimento no fundo de meu ser.

Olhei para onde estava indo, um edifício de aspecto antigo. Era uma construção de pedra de dois andares, com azulejos com motivos verdes até o teto. Essa era a residência dos cento e vinte alunos da Academia de Maestria com Espada de Centoria.

Se fosse permitido, queria logo saltar pelas sacadas, escalar as paredes e ir direto para o segundo andar onde estava meu quarto, mas de acordo com as regras, não poderia fazer isso, tinha que entrar normalmente pela porta e arriscar ser pego chegando tarde.

A diferença da residência dos espadachins de elite com o dormitório dos novatos e dos aprendizes medianos é que as regras eram bem mais incisivas e rígidas, similar com as dos Blood Knights do antigo SAO.

Como não podia entrar pela janela, só me restava então ir pela entrada normal o mais sorrateiramente possível. Abri a porta principal do dormitório bem devagar. Comecei a caminhar, pé por pé até que de repente… senti uma presença no lado direito. Plano arruinado…, virei de lado para ver quem estava ali e dei de cara com uma mulher me encarando com uma expressão muito séria.

O cabelo castanho claro, perfeitamente amarrado dando a impressão como se fosse a própria encarnação da palavra ‘severo’. Provavelmente sua idade era por volta dos vinte e cinco anos.

Imediatamente coloquei meu braço esquerdo esticado e colado ao corpo enquanto colocava meu punho direito no lado esquerdo do meu peito e lhe dei a saudação de um cavaleiro em voz alta:

“APRENDIZ NOVATO KIRITO REGRESSANDO AO DORMITÓRIO!”

“…Porém chegaste depois da hora especificada, aprendiz Kirito. Exatamente trinta e oito minutos”

Os relógios não existem nesse mundo, então os seres humanos daqui só conseguem saber as horas através dos campanários construídos pela Igreja Axiom espalhados em todas as cidades e que anunciam a passagem de tempo a cada trinta minutos.

Normalmente, se requer um feitiço bem específico de alto nível para saber com precisão as horas, mas por alguma razão, a senhorita Azurika, supervisora do dormitório, parecia usar alguma outra habilidade além dessa para saber uma hora tão exata quanto 17:38 hs. O que era bastante intrigante e assustador.

Segui com a pose de saudação, porém respondi em voz moderada.

“Isso é porque recebi uma tarefa muito demorada e complicada de minha mentora, a esgrimista de elite Serlut.”

Ao ouvir essas palavras, a irmã Azurika olhou bem dentro de meu olhos, com suas grandes íris azuis. Aquele tipo de aura que ela emanava me recordava muito uma certa pessoa.

Pensei em perguntar diversas vezes se ela tinha algum parente no norte chamada Azariya, porém nunca conseguia uma boa oportunidade de fazer isso. Geralmente quando conversava com ela era sempre para algum tipo de sermão, como agora.

“…Então não há nada a se fazer, já que foi uma tarefa dada à um ajudante aprendiz por seu mestre espadachim. Seu único dever é aceitá-la e cumprir com o ordenado.

Porém, espadachim aprendiz Kirito, não sei porque, quando você diz isso faz parecer mais uma desculpa esfarrapada do que uma justificativa. Sinto que é apenas para chegar mais tarde no dormitório… estranhamente isso sempre acontece, mesmo depois de tanto tempo… Você diria que isso é apenas impressão minha?”

Ao escutar isso, deixei a pose de saudação de lado e coloquei a mão direita atrás da cabeça e forçando um sorriso respondi:

“Bem… senhorita Azurika, creio que só posso dizer que isso é impressão sua. Realmente meu único objetivo aqui é melhorar minhas habilidades. Se acabo voltando tarde é por um efeito colateral. Jamais tive a intenção que pareça ser por outro motivo. Peço desculpas se lhe causei esse mal estar.”

“Entendo… já que está tão empenhado em melhorar suas habilidades, visto que tem rompido o toque de recolher quase todos os dias, então quer dizer que seu nível deve ter aumentado muito, não é? De maneira que ficaria muito feliz em ver esse seu incrível progresso. Que tal se eu for a sua companheira de treinamento?”

“Uhg!!”

Fiquei momentaneamente congelado ao ouvir essas palavras.

A tarefa sagrada da senhorita Azurika era ser supervisora dos dormitórios da academia do norte de Centoria e não uma instrutora de esgrima. Porém, os adultos dessa escola eram basicamente todos formados aqui, em outras palavras, as habilidades deles eram fora do comum. Cada estudante desse lugar sabia que não podiam romper com as regras, senão acabavam recebendo um castigo especialmente terrível das mãos dela, uma incrível usuária do Estilo Nolgea.

Mas era mais provável que esse tipo de coisas não aconteciam muito seguidamente. Pois as pessoas que vivem nesse mundo, os Fluctlight Artificias, tinham um traço muito singular que os deixavam incapazes de quebrar uma regra. Só havia uma exceção, que no caso era eu, um Fluctlight armazenado em um meio natural, livre dessas ‘amarras’ e por consequência, com uma alta tendência para arrumar encrenca.

Pensando nisso, realmente era um milagre que nunca tivesse quebrado as regras nessa escola em todo esse tempo por aqui. Mas tratei de tirar esse pensamento de minha cabeça o mais rápido possível e falei:

“Não, não é necessário se incomodar, senhorita Azurika. Além do mais, ainda estou no primeiro ano, não chego nem aos seu pés.”

“Mesmo? Mas você acabou de dizer que chega tarde pois sempre fica treinando com sua mentora. Deixe-me ver esses resultados então assim que terminar o segundo ano.”

“Err… bem, tudo bem então…”

Baixei a cabeça e rezei para que ela se esquecer disso até o ano que vem enquanto dava um passo para trás.

A supervisora Azurika olhou então para uns documentos que estavam em suas mão e disse:

“Bem, já está chegando a hora de jantar, em dezessete minutos. Vá de uma vez se limpar e não se atrase dessa vez!”

“S-Sim, sim, já estou indo. Desculpe!”

Me inclinei brevemente e subi correndo as grandes escadas. Eugeo e eu vivemos no bloco duzentos e seis no segundo andar. Haviam no total, dez garotos morando ali e os outros oito eram todos bons garotos. Os da habitação cento e seis eram onde viviam as garotas. E ali onde eu ficava, era o local dos sem descendência nobre, apenas garotos normais.

O restante eram todos meninos e meninas filhos da nobreza e ricos comerciantes. Esses ficavam em outras instalações separadas para evitar uma convivência social difícil… entre outros possível conflitos. Embora todos acabassem interagindo na hora da refeição.

Eu decididamente evitava esses garotos nobres que viviam rindo e falando alto sempre que podia, quando me encaminhava para o refeitório.

Dessa vez, indo em direção ao meu quarto, fiz o mesmo, me esquivei de todos até chegar no meu destino. E quando empurrei a porta…

“Está atrasado novamente, Kirito!”

Essa foi a saudação que recebi.

Naturalmente, quem havia falado era meu amigo e companheiro de viagem, que estava sentado na penúltima cama à direita, Eugeo.

O rapaz que se colocava de pé à medida que eu entrava no quarto, já havia crescido uns três centímetros nesses últimos dois anos, assim como seu físico também tinha se tornado maior. Isso era de se esperar, já que estava para completar dezenove anos, porém, o rosto ainda continuava com aquela expressão amável de sempre.

Desde o momento em que o conheci até agora, aconteceram muitas situações desagradáveis, mas sua maneira de ser jamais mudou. Mesmo agora, com as extenuantes rotinas de treinos nessa academia e com ele tendo contato com outras pessoas com diferentes pontos de vista, continuava a mesma alma firme e resoluta nos seus objetivos.

E algo semelhante aconteceu comigo. Meus pensamentos e ações continuam as mesmas de quando entrei aqui, porém o que me dá um pouco de medo é que meu corpo teve um desenvolvimento parecido com o de Eugeo.

Estou mais alto e meus músculos mais resistentes em comparação ao que era quando fiz a imersão nesse mundo, com dezessete anos. Isso significa que estou sofrendo influência da passagem de tempo aqui do Underworld e não da do mundo real.

Quando saí dos dois anos de prisão no antigo SAO, passei por algo parecido mas ao mesmo tempo na ordem inversa, envelhecendo fora e não dentro do jogo. Enquanto pensava nisso, fui em direção ao meu amigo e o cumprimentei com a mão direita.

“Foi mal pelo o atraso. O treinamento com a senhorita Liena de hoje foi muito mais puxado do que nos outros dias…mas, como esse foi o último treino, creio que é compreensivo, não é?”

Eu me olhou e disse com um sorriso:

“Bom, de fato, eu também cheguei doze minutos atrasado. Perdi a hora conversando com o senhor Golgosso.”

“O quê? Então também acabou de chegar? … Nossa! ISSO sim é que é surpresa. E mais, achei que o senhor Golgosso fosse alguém que preferisse ‘falar’ utilizando sua espada ao invés de ser alguém que senta e conversa, passando instruções… realmente surpreendente.”

Caminhei junto com Eugeo até a última cama, encostada na parede, com uma pequena escrivaninha, onde guardei minhas luvas, cotoveleiras e joelheiras na gaveta. Se fosse no mundo real, esse equipamento que acabei de tirar estaria com um fedor incrível, mas aqui nesse mundo não havia necessidade de se preocupar, pois não existiam bactérias para se proliferarem. O uniforme que estava empapado em suor devido à intensa prática de exercício, já havia secado quase que totalmente. Outro fator que me fez lembrar, a senhorita Liena praticamente não suava enquanto trenávamos, realmente um feito admirável.

Depois de me livrar do peso dos equipamentos, levantei a cabeça em direção à Eugeo esperando ele responder a minha provocação enquanto sorria ironicamente:

“Você não deve realmente achar isso do meu superior não é? Provavelmente sabe que ele também foca muito na estratégia e não somente na força. Que preza muito os aspectos mentais e estéticos… e todas essas coisas…”

“Sim é verdade, mas é até bem compreensivo que o vejam dessa maneira. Já que o Estilo Valto que ele utiliza, se baseia em golpear apenas uma única vez, usando toda a força e concentração para acabar com a luta com somente um hit, diferentemente do Estilo Nolgea da senhorita Azurika.”

“Exatamente e contrastando também com nosso Estilo Aincrad, que se baseia em responder automaticamente e consecutivamente a cada golpe recebido e desferido. Porém Golgosso me disse isso:

‘- Às vezes, os espadachins tem que depositar toda sua força de vontade, de maneira que ele vire uma grande onda inquebrável, para enfim desferir um poderoso golpe!’. Para falar a verdade, isso foi a última coisa que ele me ensinou hoje.”

“Entendo. Ele não deixa de ter uma certa razão. E falando nisso, nos últimos tempos eu sinto que sua espada se tornou mais pesadas, seus golpes estão bem mais contundentes… Me passou algo pela cabeça agora, já pensou se eu pudesse combinar o Estilo Aincrad, que me dá recursos de repostas praticamente instantâneas com a maleabilidade do Estilo Serlut? As possibilidades são interessantes, não acha? Se adicionar o peso do estilo Valto então…”

Os dois saíram caminhando do quarto envolvidos na conversa e foram para o corredor.

Ao que parecia, as outras oito pessoas do nosso quarto já haviam ido para o refeitório, já que não os vimos desde que chegamos. Nesse dormitório, a única regra que tínhamos era que deveríamos terminar nossa refeição antes das sete, devido a isso era permitido chegar um pouquinho depois das seis, mas entraríamos em uma séria encrenca caso perdêssemos a oração antes da janta.

Para os outros estudantes nobres, nós éramos apenas ‘garotos arrogantes de nascimento comum’, que deveríamos estar agradecidos por ter tido a incrível sorte de sermos escolhidos como um dos doze ajudantes aprendizes.

Ao lembrar que a oração estava para começar, aceleramos a toda velocidade em direção ao refeitório indo pelo longo caminho do portão leste. Não era mera coincidência que a habitação dos alunos comuns ficasse mais afastada do refeitório. Dessa forma os nobres poderiam chegar antes e pegar as melhores comidas e lugares.

Porém, o dormitório dos aprendizes de espadachins de elite era ainda mais perto do que o dos nobres. De maneira, que nesse momento, só me restava esperar abril chegar, para enfim assumirmos o posto entre os doze melhores alunos e nunca mais termos que fazer um caminho tão longo para ir comer. Foquei ainda mais a vontade de conseguir passar nos testes de promoção.

Quando olhei para Eugeo, percebi que ele estava pensando na mesma coisa. Tanto era, que disse em voz baixa:

“… Não ficaremos caminhando essa distância por muito mais tempo, logo estaremos vindo de lá, da entrada do dormitório dos espadachins aprendizes de elite.”

“Com certeza! Ser um aprendiz de espadachim de elite aqui, significa ter total liberdade para fazer quase tudo o que quiser… E falando nisso, só tem uma coisa que provavelmente não me acostumarei…”

“Eu sei, não precisa nem dizer o que é. Se trata de ser obrigado a ter um ajudante aprendiz, não é?”

“Acertou! Fico muito feliz em poder ajudar a senhorita Liena a treinar e até mesmo em receber suas instruções… Mas se eu estiver no lugar dela como superior de alguém…”

“Sim… fico só imaginando o que aconteceria se um desses garotos da nobreza vira um de nossos ajudantes.”

Ambos deixamos sair um suspiro.

Nesse momento, finalmente terminamos de caminhar pelo longo corredor que dava para a entrada leste. Empurramos a porta da frente e entramos em um animado e cheiroso ambiente.

O refeitório ocupa o primeiro e o segundo nível e essa era a única instalação onde os garotos e garotas usavam juntos. Os garotos, que formavam a maioria dos cento e vinte estudantes, estavam praticamente todos sentados juntos nas mesas, o mesmo acontecia com as garotas. Porém, no meio de todos estavam os mais habilidosos de ambos os sexos, conversando e rindo muito alto. Olhando assim, não tinha muita diferença de um refeitório comum do mundo real.

Eugeo e eu apressamos o passo nas escadarias, pegamos nossas bandejas que já estavam servidas em um balcão e fomos procurar uma mesa mais afastada.

Nesse instante a badalada das seis soou, indicando que não tínhamos chegado atrasado. Soltei um suspiro aliviado.

Um garoto, obviamente um nobre de alta patente, quem era o mestre do dormitório se levantou e ofereceu uma oração para a Igreja Axiom. Todos os estudantes disseram em uníssono ‘Awai Ardmina’. Não fazia a menor ideia do significado daquelas palavras.

Mas fiquei feliz, pois finalmente podíamos comer.

O cardápio estava bem gostoso, peixe grelhado, com temperos, verduras, salada, sopa de legumes e dois pães. Não era muito diferente da comida preparada na igreja de Rulid e na fazenda em Zakkaria. Só achei interessante ver os nobres comendo alimentos tão comuns sem fazer nenhum tipo de recusa, coisa que no mundo real seria bem diferente…

Isso era porque apesar de pertencerem à nobreza, seus estilos de vida eram inesperadamente simples nesse quesito. Creio que isso se devia ao único espaço em seus ‘inventários’ para armazenarem recursos. Isso significava que eles tinham uma quantidade determinada para cultivos, gado, animais selvagens e outros bens e que só podiam ter esses produtos por um limite de tempo que não se podia ultrapassar.

E também, se os nobres acumulassem uma grande quantidade de alimentos, iria faltar para as demais pessoas comuns e com isso haveria redução em suas vidas. Que por consequência, romperia com uma cláusula do Índice de Tabus que proibia qualquer tipo de ato que desgastasse a vida de uma pessoa sem um motivo válido.

E essa era uma lei que nem os nobres poderiam ir contra. Portanto, ações dessa natureza estavam totalmente descartadas, visto que o acúmulo de alimentos também entrava nas regras… ou ao menos assim eu imaginava.

Mas mesmo que não estivessem exigindo uma comida mais sofisticada, isso não fazia deles boas pessoas. Justo que nessa hora…

“Isso é realmente invejável, Lorde Raios!”

Ao ouvirmos o começo dessa conversa atrás de nós, já sabíamos o que vinha depois. Então tratamos de fechar a cara e começamos a comer mais rapidamente.

Sword Art Online Aclicization - Volume 10 - Runnning

“A total despreocupação com o trabalho alheio. Veja só! Gastamos nosso precioso tempo nos esforçando à exaustão para limpar o refeitório, mas parece que certas pessoas acham que é apenas entrar tranquilamente e pegar sua comida que está tudo bem. Não acha que essa capacidade de ignorar o esforço dos outros é invejável?”

A outra voz respondeu em um tom bem elevado, claramente para que todos na volta escutassem.

“Oras! Não diga isso, Wanbell. Os alunos ajudantes devem ter trabalhado muito duro em algum lugar… um lugar bem escondido, pois nunca os vemos fazendo algo, mas seja lá o que for, deve ser importante e ‘muuuito’ cansativo…”

“Huhuhu, com certeza, você deve estar certo, Lorde Raios. Ouvi dizer que esses alunos ajudantes tem que fazer tudo que seus mestres mandam, como um bichinho de estimação.”

“Pois então, imagine só, ouvi também que tem um mentor de origem comum e tem outro de origem proibida. Isso soa tão estranho, não? Nem quero saber o que deveríamos fazer caso encontrássemos um desses pela frente…”

Seremos presos nessas provocações acaso um de nós revidar. Por isso apenas continuei de costas e me concentrei em mastigar. Embora tenha conseguido conter meus atos, a raiva em meu interior queimava absurdamente.

Se fosse apenas Eugeo e eu, conseguiria digerir melhor os insultos, porém, ao falarem ‘dos de origem comum e origem proibida’, eles ofenderam também o mentor de Eugeo, Golgosso e minha mentora, Sortiliena, respectivamente.

Seus níveis de implicância começaram a se estender, agora não se limitavam à nós e sim também aos nossos mentores e isso aconteceu desde o momento quando falaram ‘- certas pessoas acham que é apenas entrar tranquilamente e pegar sua comida’.

E mais, não tinha como ser um engano, mesmo havendo outros alunos de origem comum no refeitório, nós tínhamos sido os únicos que haviam acabado de chegar. Em outras palavras, essa história toda já tinha se tornado pessoal e eu deveria acabar com isso de alguma maneira.

AINDA NÃO ACABOU, ESSE CAPÍTULO É DIVIDO EM 2 PARTES, ENTÃO ATÉ A PRÓXIMA SEMANA !!!

Não deixem de curtir Fan Page Sword Art Online Alicization – Light novel em Português

Também estamos no Tumblr e no Pinterest

Bônus:

https://www.youtube.com/watch?v=-G3rqyZvCRI