Sword Art Online Alicization Running em Português – Underworld – Capítulo 4 – Parte 1

Arco: Alicization – Running

Parte 1

Master Sword Academy (3º mês do Calendário do Mundo Humano do ano 380)

Sword Art Online - Alicization - Running - Volume 10 - Sortiliena Serlut
Quero ver esse poder que está escondendo!”

Se for possível, realmente quero evitar de lutar contra mulheres, pelo menos até o Torneio dos Quatro Impérios.

Tinha dito isso à Eugeo anteriormente durante o torneio de Zakkaria. Desde então, já haviam se passado um ano e meio e quase dois anos depois de conseguir cortar a árvore demoníaca, o Giga Cedro, em Rulid.

Após nos livrarmos da Tarefa Sagrada, entramos para a guarda de Zakkaria e outro meio ano depois, conseguimos finalmente chegar à Central. E agora, está fazendo um ano que ingressamos na academia real.

Parecia realmente muito tempo, mas parando para pensar, é realmente incrível. Exatamente dois anos, foi o quanto fiquei preso na cidade flutuante de Aincrad.

Felizmente, este mundo virtual, Underworld, o qual entrei em circunstâncias desconhecidas, era operado por uma super tecnologia que estava muito além da minha imaginação.

A Função de Aceleração de Fluctlight, amplifica a percepção do tempo e acelera a mente e alma da pessoa que estiver em imersão. Em teoria, poderia acelerar mil vezes o tempo da realidade. Em outras palavras, o corpo físico de Kirigaya Kazuto que estava descansando no mundo real, estava imerso por somente dezoito horas desde que veio para cá.

Fico tonto só de pensar que levei dois anos inteiros apenas para chegar na academia de espadachins do Império de Norlangarth desde aquele bosque perto de Rulid, porém, me sinto um pouco aliviado. No pior cenário possível, eu estava ausente no mundo real, mas não tempo suficiente para que causasse algum tipo de transtorno para alguém.

Não queria que meus pais, Suguha, meus amigos e é claro, Yui e Asuna, se preocupassem. Tenho certeza que se Asuna e os demais soubessem, não iriam ficar parados. E era justamente isso que mais me deixava apreensivo.

De qualquer maneira, para evitar que a situação atual possa causar algum mal estar em Asuna, como já quase aconteceu algumas vezes, tratei dessa vez de fazer o ‘eu’ desse mundo não interagir muito com as mulheres daqui.

Tomei essa decisão logo após sair de Rulid.

E era ótimo que Eugeo fosse um garoto, pois dessa forma a minha promessa ainda estava de pé. E foi por isso que acabei dizendo aquelas coisas para ele em Zakkaria, porém…

Não tinha como prever que teria duelos diários, justo contra uma mulher espadachim durante todo o ano passado aqui.

“Estou aqui para te ajudar a progredir para o próximo ano.”

A voz clara e decidida, em tom de ordem, vinha de uma estudante do último ano, que vestia um uniforme púrpura e usava o cabelo preso em um rabo de cavalo ladeado com algumas tranças e com uma franja repartida em duas. Era a minha superiora, ou como diria no Japão, minha senpai.

“Entendido, senhorita Liena.”

Lhe respondi de maneira afirmativa enquanto segurava a empunhadura da espada em sua bainha no lado esquerdo da minha cintura. Era uma espada de madeira, usada para treinamento apenas, porém era feita de carvalho da mais alta qualidade e polida de tal forma que emanava um brilho prateado que qualquer um poderia jurar em se tratar de metal verdadeiro. Não tinha uma lâmina, portanto não poderia cortar nada, o que também evitava a diminuição da vida das roupas, caso essa as tocassem.

Em comparação, era muito maior e mais pesada que a tosca espada que peguei emprestado no torneio de Zakkaria. Nesse quesito eu até gosto.

A espadachim aguardou que eu tomasse posição, desembainhando a espada e também puxou a sua com elegância e fluidez. A postura que tomou era um pouco diferente, um pouco inclinada para a direita de seu corpo, de maneira a bloquear a visão de seu braço esquerdo.

Essa era a posição básica do estilo que usava, o Serlut Fluid Combate Skills, herdado de sua família.

“…Essa será a última vez. Agora que não tem mais problemas comigo usando a mão esquerda.”

Me disse isso com um sorriso e logo depois me deu uma severa encarada.

Que seja! Venha!”.

Então colocou sua mão esquerda para trás, logo abaixo de seu cinto.

A espadachim que estava a dez mel de distância, melhor dizendo, dez metros de distância, começou a mudar pouco a pouco sua postura, demonstrando uma força e determinação que a deixava realmente incrível.

Em termos de altura, era três centímetros mais alta do que eu, com 1,70m. Seu cabelo castanho escuro sempre bem amarrado, combinava muito bem com seu estilo de luta. A ferocidade de um guerreiro e a elegância de um nobre se mesclavam com seu belo rosto e olhos de um intenso azul marinho. Realmente uma combinação perigosa em uma batalha.

Era incrível como seus movimentos eram suaves, mesmo que usasse uma saia longa e uma jaqueta com mangas compridas, que compunha o seu limpo uniforme e que se supõem ser um fator limitante de mobilidade, mas não parecia afetá-la.

A cor púrpura não é de fato muito chamativa, porém a deixava muito atraente, mesmo que cobrisse totalmente seu esbelto corpo. Todas essas características, somada à sua vontade de aço, fazia de minha senpai, alguém digna de ser admirada. Pude constatar isso devido a todo esse tempo em que treinamos juntos.

“…Essa será a última vez.”

Ela, Sortiliena Serlut, a quem prefere ser chamada de Liena, filha da família real de Norlangarth e a segunda em comando na Master Sword Academy, permaneceu em posição enquanto sussurrava algo.

Eu, um Aprendiz principiante da mesma academia, Kirito, era seu ajudante subordinado, ou como eles chamam aqui, um valete.

Assenti com a cabeça e baixei o centro de gravidade de meu corpo.

Todos os dias, as lições e treinamentos práticos duravam das nove da manhã até às três da tarde e depois disso, eu tinha o trabalho de ser seu valete pessoal por uma hora inteira.

Geralmente ficava esgotado física e mentalmente, mas todo o cansaço tinha passado nesse momento quando estou prestes a lutar contra Sortiliena. Já eram cinco da tarde e somente nós dois ainda permaneciam no campo de treinamento construído no dormitório dos espadachins de elite, localizado em um terreno mais elevado do campus da academia.

Eugeo provavelmente deve estar se exclamando lá no dormitórios dos aprendizes porque ainda não retornei, mas como ele também é um valete de outro veterano, deve entender.

Pensei isso e então me concentrei na espada em minha mão direita. Os olhos de Liena se tornaram repentinamente sombrios enquanto um raio de luz surgia no ar. Isso foi o suficiente para me deixar tenso.

As lâmpadas que iluminavam o amplo campo de treino vibraram um pouco devido a tensão que se formou.

Mesmo sem um juiz para controlar a partida, ambos começaram seus movimentos ao mesmo tempo.

Pequenos truques não teriam efeito contra ela, a quem chamavam de a ‘garota das táticas ambulante’, devido a sua imensa facilidade de improvisação e antecipação de movimentos durante as lutas.

Então me apressei, dando um passo adiante, reduzindo nossas distâncias e imediatamente a atacando com um inesperado corte vertical.

Os instrutores com toda a certeza me repreenderiam se usasse essa habilidade em um combate real, mas seria totalmente derrotado caso resolvesse utilizar o lento estilo Norlangarth nessa situação.

De tudo que presenciei até agora, o estilo Serlut de Sortiliena, era o mais prático que conheci em Underworld.

Porém, mesmo sendo um ataque super rápido, este foi bloqueado pela espada de madeira dela. E por incrível que pareça, não pareceu impactar muito. Ela o recebeu em um ângulo que conseguiu dispersar todo o impacto, de uma maneira muito suave. E fez isso apenas usando um breve giro com seu ombro e cintura, fazendo com que o golpe deslizasse para o lado.

Essa era a Arte Secreta do estilo Serlut, Active Water. O mesmo movimento que ela veio me ensinando desde o ano passado, mas ainda não consigo executá-lo totalmente, mesmo tendo aprendido como realizá-lo.

Como curiosidade, o idioma usado para escrever e falar nesse mundo é realmente o japonês, com algumas palavras estrangeiras apenas, porém não tinha quase nenhum kanji.

O mais provável é que era equivalente aos trinta por cento do JIS, ou Japanese Industrial Standards, de nível um. Que nada mais era do que normas de escritas utilizadas para codificar o idioma japonês para a informática. E se isso fosse verdade, justificaria a pouca quantidade de kanji, mas mesmo com todas essas restrições, eles ainda conseguiram bolar vários ótimos nomes para as habilidades com as espadas.

A imaginação das pessoas em Underworld era algo espantoso. Ainda nessa época, existem diversas histórias que eles utilizam para contar para as crianças. Prevejo que daqui uns cem anos, provavelmente não será raro encontrar pessoas que ganham a vida a escrever livros de contos e novelas. E se essas histórias pudessem ser transportadas para o Japão no mundo real, certamente seria um grande sucesso, a comunicação entre os mundos, realmente seria algo surpreendente…

Mas eu deveria me concentrar na luta.

Saltei então para a direita, tentando não pensar em nada que pudesse atrapalhar meus movimentos e decisões. Isso também foi algo que aprendi em uma das lições com minha senpai, justo quando esta quebrou minha postura com o Active Water e contra-atacou aproveitando a brecha que deixei.

Dei uma volta no ar e aterrissei perto do muro do campo de treinamento. Pisei com meu pé direito na parede negra brilhante e me impulsionei para o próximo ataque.

Enquanto fazia isso, a mão esquerda de Liena entrou em ação…

Se moveu de trás da cintura para frente de seu corpo, traçando um elegante arco de luz branca deslizando da ponta de seus dedos.

É claro, ela não estava usando uma Arte Sagrada, como a Light Element. Na verdade, era a verdadeira forma do seu chicote feito de um fino couro branco, a arma com que ela era mais hábil, até mesmo do que a espada.

O prático chicote feito de peles de cabra Wilde, não reduzia a vida, mesmo com um golpe direto, porém, se fosse acertado com uma chicotada, a dor era indescritível, fazendo qualquer grandalhão chorar.

Instintivamente queria empunhar minha espada para adquirir uma posição defensiva, mas a lâmina poderia ser envolvida pelo chicote e assim ser anulada. Porém, se não fizesse nada para sair do raio de ação do chicote, seria acertado por, um, dois e possivelmente um terceiro golpe.

Desesperadamente, girei meu corpo para a esquerda, tentando esquivar lateralmente dos golpes. Apenas a ponta do chicote acabou roçando a minha bochecha direita. Então, quando a arma retrocedeu, aproveitei a chance e ataquei novamente.

Como normalmente acontece com um chicote, ao estalar com um som extremamente agudo no ar, retrocede e se enrola no próprio corpo como uma serpente. Tinha que usar esse tempo para chegar até ela, antes que o próximo golpe viesse. Decidi que seria impossível para mim alcançá-la somente correndo. Então coloquei a espada de madeira paralela com minha perna direita e a retirei rapidamente.

Mantive meu corpo agachado, inclinando para frente e nesse momento consegui a posição que queria, com a lâmina revelando um brilho azul.

Liena prontamente cerrou seus olhos e abriu a mão esquerda. Soltou com decisão o couro do chicote e pegou a empunhadura da espada que estava na mão direita.

Imediatamente depois que a minha espada brilhou, meu corpo acelerou como se fosse empurrado por uma mão invisível. Isso era o que eu comecei a chamar de Estilo Aincrad, mas na verdade era apenas uma habilidade de espada que existia desde o antigo SAO, o golpe em um ângulo extremamente baixo, utilizando apenas uma mão, o Rage Spike.

Continuei reduzindo a distância, que agora era pouco mais de sete metros como se fosse um com o vento.

Em contraste, Liena inclinou a espada que brandia com as duas mãos até o lado posterior direito.

“DON!!!”

Também avançou, colocando seu pé esquerdo à frente com sua espada começando a soltar um brilho esmeralda. Era a Arte Secreta de Serlut, Linker.

Minha espada de madeira cortou para cima, girando e descendo para lado direito, se chocando fortemente com a espada de Sortiliena, que acabou passando por cima em uma linha horizontal.

As duas espadas emitiram um som metálico quando se cruzaram, jogando faíscas verdes e azuis para todos os lados do campo de treinamento.

A encarei quando nossas espadas se encontraram. O rosto de Liena estava a pouco mais de dez centímetros do meu. Sua expressão era tão fria e tranquila como sempre, contrastando com sua pele branca como a neve. Não demonstrava o menor sinal de suor ou cansaço. Mesmo enfrentando a enorme pressão que exercia com a minha espada.

Um pensamento rápido me ocorreu naquele instante, se não me cuidasse, seria golpeado por ela.

Nesse mundo, as capacidades dos seres humanos, estavam todas ligadas diretamente com o caráter e força de vontade e isso era um tanto complicado de lidar.

E isso era algo que não poderia ser detectado ou medido, mesmo se abrir o que chamam de Janela de Stacia, o máximo que mostraria era o valor atual e máximo de seus pontos de ataque e indicadores dos níveis de Autoridade de Controle de Objetos e Sistema.

Dentre esses, a Autoridade de Controle de Objetos fica responsável pelo uso de armas e armaduras, enquanto a Autoridade de Controle de Sistema fica encarregada de administrar o uso das Artes Sagradas. Em outras palavras, seria algo como a força STR, enquanto o último seria equivalente ao status de inteligência INT. Essa era apenas uma simples dedução que fiz.

Porém, haviam outros fatores como a idade, constituição física, saúde, experiência, treinamento e diversos outros parâmetros.

Já tinha pensado sobre isso. Se o nível de Autoridade de Controle de Objetos de um garotinho fosse elevado ao máximo por alguma razão e se a sua força fosse decidida somente por esse valor, esse mesmo garoto teria uma força monstruosa. Desde o início, tive o objetivo de sobreviver nesse mundo, então me deparar com coisas tão incertas como essas, me deixa um pouco apreensivo.

Ainda não consegui comprovar totalmente, mas se comparar somente as Autoridades de Controle de Objetos, a minha é muito mais alta do que a dela. Se esse fosse o único fator, então seria muito improvável que ela conseguisse se manter em uma luta contra mim. Porém, esse não era o que acontecia, pois estávamos em pé de igualdade. Devo dar o crédito para a absurda rotina de treinamento pela qual vem passando todos os dias, durante anos.

Eugeo e eu temos treinado bastante nesses últimos dois anos, mas nada parecido com essa força monstruosa que ela demonstra. O que me leva a pensar que tipo de treinamento Sortiliena vem fazendo desde que conseguiu segurar uma espada.

Estou quase certo que esse é o fator que aumentou tanto sua força e também esse outro ’poder’ do qual não é possível medir pela Janela de Stacia.

E a coisa mais incrível é que, mesmo que não hajam outros como ela, ainda assim estava em segundo lugar entre os doze melhores espadachins de elite. Indicando que existe outra pessoa a qual está níveis acima de sua capacidade.

Eugeo e eu estamos fazendo vários testes para ver se conseguimos ser promovidos a espadachins de elite no próximo mês.  Os doze melhores qualificados, ganharão o título de ‘espadachins especialistas’, que é o pré-requisito para se tornar um espadachim de elite. Não obstante a isso, ainda teremos que ficar entre os dois primeiros colocados, para termos a chance de participar do aclamado ‘Torneio de espadachins de Norlangarth’.

Nesse curso de dois anos da academia, tinham cento e vinte e oito estudantes. Em outras palavras, Eugeo e eu teríamos que no mínimo, vencer todos os outros cento e dezoito alunos. Para se honesto, se for pensar que a senhorita Liena não era a ‘Número um’, mesmo sendo tão forte, me deixava muito ansioso pelo que estava por vir…

“Mas você melhorou bastante, Kirito.”

Foi o que ela disse, a pouca distância, como se estivesse lendo meus pensamentos. Sacudi minha cabeça levemente, mantendo a pressão para que ela não se distanciasse.

“Não… ainda tenho muito caminho a percorrer.”

“Não precisa ser tão humilde. Você já quase consegue lidar com meu chicote de maneira aceitável.”

“Mas isso é só porque você nunca se segura e vem com tudo quando está com ele.”

Ao escutar essa resposta, os lábios da garota mostraram um leve sorriso.

“Faço isso pois não preciso pegar leve contra você, Kirito.  Principalmente com esse tal… Estilo Aincrad… sei que ainda não me mostrou todos seus movimentos. ”

“Uhh…”

Não consegui parar para responder. Minha espada foi empurrada cinco centímetros para trás, talvez devido ao que ela tinha acabado de dizer, tenha me feito duvidar por alguns instantes. E Liena sentindo isso, começou a me pressionar mais e mais.

Seus grandes olhos azuis me encararam, tinham uma sombra neles enquanto ela falava.

“Faz um ano, desde que te tornei meu valete e desde aquele tempo, senti algo diferente no manejo de sua espada. Completamente diferente do Estilo Norlangarth que exige essa academia… também senti que não era um estilo qualquer que possa ser utilizado para exibições ou algo do gênero, é para algo mais… definitivo, para conseguir uma vitória completa… No meu caso, estou tentando desenvolver o Estilo Serlut para que se torne mais prático, de maneira a oferecer diversos recursos na hora de uma luta, mas ainda assim, ele é muito mais rígido e limitado quando comparado ao seu, Kirito. Compreendi isso durante o ano que passou.”

Fiquei surpreso ao ouvir esse tipo de confissão, porém só consegui arregalar meus olhos e não disse nada.

A maneira com que uso a minha espada, certamente era diferente, isso ela tinha razão. Pois não sou nativo de Underworld. Minha habilidade, a qual batizei de Estilo Aincrad, é fruto de tudo que aprendi na cidade flutuante, no mundo daquele jogo mortal, onde arrisquei a minha vida e a de meus amigos em incontáveis batalhas.

Em contraste, basicamente não haviam batalhas reais em Underworld. Todas que aconteciam eram decorrente de algum campeonato. Onde as regras eram muito limitadas e simples, bastando por exemplo, encurralar seu oponente de alguma forma ou em concursos com mais prestígio, como os que acontecem na Central, atingir uma única vez seu oponente. Bastando apenas isso para que a batalha fosse encerrada.

Nunca há uma situação onde a vida é colocada em risco, então era óbvio que as habilidades com as espadas fossem todas voltadas para a estética.

Porém, isso não significava que os espadachins de Underworld fossem fracos. Aprendi isso nos dois anos em que estive nesse mundo. Devido ao tempo absurdo em que passavam treinando, refinando e aperfeiçoando seus estilos, o poder de cada golpe aumentava em muito, compensando um pouco a falta de experiência de um combate direto.

Esse era o fator que me referi antes, tudo isso era possível pelo poder da ‘Imaginação’.

Underworld era um mundo virtual, mas a construção era completamente diferente de Aincrad. Nesse mundo, a força da imaginação criada pelas almas, os Fluctlight, podiam afetar fisicamente os resultados diretamente.

Quão forte alguém poderia se tornar usando a imaginação de um espadachim para praticar a mesma habilidade todos os dias durante dez ou vinte anos…? Por outro lado, eu, que mesmo com vantagem na Autoridade de Controle de Objetos, era contra-atacado e rechaçado pela senhorita Liena, como a pouco. Tudo isso provava que esse poder da imaginação, realmente existia.

Essa força não poderia ser expressada em valores numéricos, mas era um poder real que estava oculto em toda a parte desse mundo. Era algo que nem eu, que simplesmente despertei aqui a dois anos atrás, nem Eugeo, que começou a treinar como um espadachim nesse mesmo tempo, podíamos entender facilmente.

Os estudantes da academia que haviam nascido em sua maioria nas casas de elite, com sangue da nobreza correndo em suas veias, começaram a treinar esgrima desde os três ou quatro anos de idade. Ainda assim, somente um pequeno grupo passava tempo se esforçando em praticar realmente.

Mesmo assim, essas poucas, porém extremamente resistentes espadas dessas pessoas que encabeçavam iniciativas para subir de posto  no próximo ano, deveriam ser todos derrotados por mim e Eugeo. Era uma tarefa terrível que tínhamos pela frente.

Exatamente por isso, que a única arma pela qual podíamos confiar contra esses oponentes, era o Estilo Aincrad.

E quanto ao porquê desse tipo de habilidades existirem em Underworld, ainda não consegui descobrir.

Um ano atrás, durante o torneio em Zakkaria, o aprendiz da guarda, Egome, usou o golpe Azure Wind Slash do Estilo Zakkalight. Em termos de habilidades com a espada em SAO, aquele golpe na diagonal com uma mão seria chamado de Slant. Assim como o movimento do Estilo Serlut que Liena usou agora, o tal do Linker, era o corte giratório de espadas de duas mãos, denominado Cyclone.

Outros movimentos que vi, foram do Estilo Norlangarth, o Lightning Slash, habilidade de espada com uma mão equivalente ao Vertical e o golpe de mais alto nível desse mesmo estilo, o Heavens and Montains Break, um corte vertical de duas mãos, que antes era chamado de Avalanche.

Esses eram todos movimentos secretos de cada escola e parecia que não havia realmente um super movimento o qual eu pudesse classificar como um ataque final definitivo.

Justamente por isso, os dois ou três golpes consecutivos que dominei, podem ser uma arma muito boa para ganhar de todos esses estilos. Infelizmente, admito que é uma tática bem deplorável e que irei prejudicar os outros.

Pois o nosso intuito não é tomar o lugar de prestígio de ser o mais forte desse mundo. O que queremos realmente é atravessar as portas da Cadedral de Centoria, a Igreja Axiom, que ficava a muitos quilômetros de distância dessa academia, e que no momento, estava absolutamente fora do nosso alcance.

Tudo isso para ajudar Eugeo reencontrar a menina que há muito tempo foi levada, Alice.

Já comigo o assunto era outro. Quero encontrar com o ‘governador’ desse mundo.

Se conseguirmos realizar nossos objetivos, não me importo de ser taxado como alguém depreciável. Embora, no fundo eu adoraria participar de todos esses torneios, principalmente no dos quatro impérios, para ter a oportunidade de lutar contra um Integrity Knight.

E essa era uma das razões pela qual não mostrei meus movimentos mais complexos, nada do que fiz foi além de dois golpes consecutivos em todo esse tempo em que permaneci aqui nessa academia. Tudo que fiz, foi mostrar alguns golpes bem básicos, como a habilidade de carga Rage Spike.

Mas ao que tudo indica, essa minha linda senpai conseguiu ler através de meus movimentos e descobriu meus reais interesses e capacidades.

Liena novamente aproximou mais seu rosto e sussurrou com uma voz suave, como se contasse um segredo.

“Os ancestrais da família Serlut ofenderam o Imperador no passado e desde então, lhes foi proibido herdar o tradicional Estilo Norlangarth de alto nível. Por essa razão, que começamos a utilizar armas pouco ortodoxas como chicotes e adagas. E por isso também que passamos um bom tempo aprimorando o uso de espadas leves. Com isso nasceu o Estilo Serlut… mas não se engane, não estou triste com isso. Tenho muito orgulho de ser a única herdeira desse estilo e ter podido treinar até hoje…”

As brancas e finas mãos tremeram ligeiramente, parecendo contradizer o que acabara de falar. As espadas de madeira que ainda se chocavam começaram a ranger. Mesmo tendo a oportunidade de retirar a minha espada, não o fiz, queria ouvir as suas próximas palavras.

“E meu pai espera que assim que me gradue como a melhor aluna dessa academia, vá e ganhe o torneio Imperial para dessa forma, recuperar o prestígio da família Serlut. Porém, isso é bem irônico, não acha? Se correspondo com as expectativas de meu pai e consigo que o Imperador revogue a proibição de uso do Estilo Norlangarth de alto nível… nossa família abandonará por completo o Estilo Serlut… E se isso acontecer…, para onde irão toda honra e esforço que sempre admirei desse estilo? É justo isso?”

Não conseguia dar uma resposta imediata.

Recentemente me peguei pensando em como sou fraco. Senti que essa garota na minha frente, meu importante amigo Eugeo e todos os demais estudantes e professores dessa academia… não, todas as pessoas que vivem em Underworld, eram algum tipo de humanos diferentes de mim em certo ponto. Dando um novo sentido na designação ‘Unidades Humanas’ que lhes é atribuído nesse mundo virtual.

Mesmo sendo originários de um mundo criado de forma digital, eram diferentes dos NPCs em um VRMMO atual. Elas eram Fluctlight Artificiais, copiadas a partir de Fluctlight de almas humanas e conservadas em um meio especial. Eles eram, provavelmente, os modelos mais novos de Inteligências Artificiais criadas pela enigmática empresa RATH.

Porém, suas demonstrações de emoções podiam muitas vezes superar as das pessoas da vida real. Eles realmente sentem. Sentem dor, aceitam, assumem seus destinos, enfrentam todos os obstáculos que esse mundo coloca em sua frente. Ao vê-los assim, é impossível ficar impassível. Suas existências…não, nesse momento, a existência da senhorita Sortiliena que me enfrentava com toda sua força, era basicamente um milagre…

“…Liena…”

Ao me ouvir, ela mostrou um sorriso divertido.

“Sempre carreguei essa dúvida em meu coração antes de entrar nessa academia. Durante esses dois anos, nunca fui capaz de vencer aquela pessoa e isso talvez seja o motivo de me sentir tão perdida.”

‘Aquela pessoa’ a quem se referia era o espadachim de elite de alto nível, que nunca perdeu seu posto até agora, um homem chamado Uolo Levanteinn. Ele pertencia a família nobre de segunda classe que herdou a tradição de ser treinado pelos cavaleiros imperiais de Norlangarth, um exímio guerreiro com uma poderosa espada. A imaginação e poder de carga de sua lâmina eram da mais alta categoria. Uma vez o vi usar uma simples espada de madeira para cortar uma árvore pela metade.

Os espadachins de elite, os melhores dessa academia, eram todos classificados acima do décimo segundo posto. Essa categoria podia mudar durante os exames de aptidão que realizavam quatro vezes no ano.

É claro, eu estava apenas assistindo esses testes da arquibancada próxima nos últimos três torneios.

Utilizaram nessas competições, regras parecidas com o de Zakkaria e reduziram os número de participantes de doze para apenas três em somente duas etapas. E como todos esperavam, a mesma pessoa continuou a figurar em primeiro lugar. Durante as três lutas finais, Liena lutou com esse poderoso oponente, o presidente Uolo e acabou perdendo todas as vezes.

Pelo que pude observar nessas ocasiões, suas habilidades eram completamente diferentes. Liena usava seu suave e adaptável estilo cortante para bloquear os ataques extremamente poderosos e contundentes com o Still Water e ocasionalmente conseguia acertá-lo, mas sempre quando ela estava prestes a conseguir virar a luta, Uolo usava o ataque de alto nível de Norlangarth, com sua lâmina totalmente carregada. Isso aconteceu nas três vezes em que se enfrentaram. Liena não foi capaz de suportar, sendo que em duas vezes sua espada voou longe e na última, acabou quebrando.

Por consequência, os juízes nem precisaram deliberar para decidir o vencedor nesses embates. Então, como nas outras vezes, Uolo permaneceu como o presidente e Liena como sua vice.

Isso também ocorreu para o terceiro lugar. Golgosso Valto, um homem corpulento, que sempre acabava perdendo para Liena nas semifinais e mantinha seu posto inalterado.

E esse impressionante guerreiro elegeu como seu valete, meu bom amigo Eugeo.

Foi isso que Liena se referiu quando disse que era a ‘última vez’ quando começamos essa sessão de treinamento. Falava da quarta luta de graduação que se realizaria daqui a dois dias. E essa seria a classificação final. Então, dois dias depois os aprendizes de alto nível subiriam como os doze espadachins de elites.

Em outras palavras, os torneio seguinte seria a última oportunidade de Liena superar Uolo. Para ser exato, os dois primeiros teriam o direito de participar no Torneio Imperial de Espadachins. E novamente, ela poderia enfrentar Uolo nessa competição. Mas sinto no fundo de meu coração que se ela não conseguir vencer daqui a dois dias, também não conseguirá vencer lá.

“…Serei honesta.”

Ela começou a falar tom baixo, enquanto ainda mantinha a pressão de sua espada contra a minha.

“Cada vez que vejo o Splitting Wave of Heavens and Mountains do Uolo… sempre acabo me assustando. Não importa quantas vezes eu treinasse, chegava na hora, acabava perdendo a convicção de que se eu poderia realmente suportar um golpe daqueles. Isso vem desde a época em que éramos novatos aprendizes… Não, desde quando o vi no exame de admissão, há dois anos… sempre foi assim…”

Essa era a primeira vez que a via dessa forma, tanto que fiquei sem reação por alguns instantes, mas assenti honestamente.

Como era de se esperar, não havia diferença alguma entre as habilidades dela e de Uolo. Era somente o poder da imaginação… a força de acreditar em si mesmo, esse era o elemento que faltava nela.

Como deduzi antes, se Underworld era um mundo virtual formado pela ‘Informação Visual Mnemotécnica’, o poder da imaginação poderia se converter em um fator de extrema importância na hora de decidir os resultados dos eventos. Fazendo com que tudo o que Liena e eu vemos e tocamos, na verdade não seja polígonos e sim a ‘memória imaginativa’ das coisas, obtida através dos Fluctlight.

Cada pessoa deve de ter seus únicos e ligeiramente diferentes dados de imaginação, certo…? É apenas um palpite mas…quem sabe se os dados de múltiplos Fluctlight possam estar localizados como um ‘suporte da memória principal’ e que permitam ser acessados quando certos requisitos forem completados…

Então se um Fluctlight Artificial, aprimorasse o poder de sua imaginação, poderia até mesmo afetar os dados do sistema apenas com sua própria vontade, de maneira que nesse ponto eu já não consigo imaginar que tipo de eventos poderiam ser desencadeados.

Usando o exemplo de Uolo Levanteinn, a razão da tremenda força que possuía, era justamente por esse motivo. Ele tinha confiança absoluta em suas habilidades com a espada e estilo. Sua imaginação foi condicionada desde sempre por essa firme força de vontade e era graças à imaginação que ele era capaz de mostrar aquele ataque aterrador.

Em contrapartida, Sortiliena sempre se sentia perdida sobre suas próprias habilidades com a espada. A razão era o que ela tinha contado antes, sobre a forma como nasceu o Estilo Serlut.

O uso do Estilo Norlangarth de alto nível estava completamente proibido em sua família, de forma que acabou criando um estilo apenas como forma de compensação. Esse tipo de situação acabou gerando um sentimento de ‘inferioridade’ em seu coração.

E esse era o ponto crucial, o motivo pelo qual nunca conseguia vencer Uolo, quem tinha total fé em sua espada…

Mas como disse antes, isso é apenas um palpite…

Mesmo assim, eu queria muito que ela ganhasse dessa vez. Isso não tinha nada a ver com o destino desse mundo, de regras e deveres os quais eu tinha que sempre tomar cuidado para não alterar. Era somente pelo simples fato de que eu gostaria de vê-la se erguer vitoriosa e com orgulho ao se graduar nessa academia.

Se tinha alguém nesse lugar que merecia isso, seria ela. Pois dentre todos os doze espadachins de elite desse ano, ela foi a única que incansavelmente…

“…Senhorita Liena, você foi a que mais treinou e se dedicou rigorosamente nesse anos. Superando nesse quesito, inclusive, o presidente estudantil Uolo. Não acha que isso já não é o suficiente para que consiga ganhar confiança em sua espada…? ”

Ao escutar minhas palavras, Liena ficou em silêncio por um breve momento e depois moveu suavemente a cabeça.

“Sim… parece que ainda não é o suficiente. Quanto mais pratico o Estilo Serlut, mas me pego pensando. O que aconteceria se não fosse um combate com espadas de madeira e sim de aço? O que aconteceria se os chicotes e adagas pudessem ser utilizados? Se fossem permitidos, talvez eu não estivesse tão preocupada ao enfrentar o implacável Estilo Norlangarth. Mas essa são apenas desculpas. Nesse mundo, o combate real é… as batalhas reais definitivamente são inexistentes. Até o momento em que parar de procurar desculpas por meus fracassos, nunca serei capaz de receber diretamente um ataque da espada de Uolo…”

Antes que pudesse responder, ela sorriu para mim e disse:

“Mas você é diferente, Kirito. Não consegui encontrar nenhum sentimento de inferioridade em você, mesmo que esteja usando um estilo estranho e sem tradição.

Estive sempre lhe observando nesse ano até que finalmente entendi a razão. Foi o que quis dizer antes quando falei… ‘sei que ainda não me mostrou todos seus movimentos’.

Sinto que você ainda guarda muitas habilidades incríveis, por isso seu coração nunca duvida. Você é como aquela árvore de sua terra natal da qual me contou, o Giga Cedro.”

Inconscientemente nossos braços relaxaram, embora as espadas ainda continuassem se tocando. Porém, Liena não se moveu, continuou com seu corpo projetado para frente, usando seu peso como forma de me pressionar. Enquanto fazia isso, disse com uma voz fluída e resoluta.

“Você plantou aquela árvore em seu coração, não é? Não importa o quão fortes sejam os ventos, não se dobrará e continuará em direção à Solus no céu….

Kirito…, lhe peço agora, quero ver esse poder que está escondendo!”

“…!”

“O que peço não tem nada a ver com minha luta contra Uolo. É somente porquê…, quero ver…, quero conhecê-lo. Quero saber mais sobre você, sobre o incrível espadachim que se esconde atrás dessa expressão calma, antes de me graduar  na academia.”

No fundo de seus olhos azuis, pequenas faíscas como estrelas brilhavam diante de mim.

Aquele magnífico rosto, capaz de arrebatar a alma de qualquer um, somente à centímetros de mim. Nesse momento, senti algo estranho, uma pequena dor, parecida com uma picada bem na parte da frente de minha cabeça, o que me fez acordar daquele transe. Pisquei e comecei a pensar em uma resposta apropriada.

Sword Art Online - Running - Volume 10 - PT-BR
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Na verdade, nunca mostrei para ela os incríveis movimentos do Estilo Aincrad, as aqui chamadas de habilidades de alto nível com a espada, não por uma razão mesquinha, como a que estava planejando na competição, usando como arma secreta e sim porque na atual situação, não tinha como.

As nossas espadas eram todas de nível quinze e por essa razão, não suportariam esse tipo de movimentos. Por isso o máximo que dava para fazer eram dois ou três ataques consecutivos, como o Snake Bite e o Arco Vertical. Vinha tentando uma forma de realizar mais movimentos, mas inclusive com espadas de aço de mesmo nível, não era possível.

A única forma de completar os combos de ataques com habilidades consecutivas mais de quatro vezes, era equipando um certo Armamento Divino de nível quarenta e cinco, a Blue Rose Sword, a mesma que foi capaz de cortar o Giga Cedro. Todavia ainda não sabia o porquê isso acontecia, pois não tinha esse tipo de restrição no antigo SAO.

Mas de toda a forma, já que minha senpai queria me ver dar tudo de mim, eu não podia simplesmente blefar e mostrar truques, tinham que ser ataques consecutivos reais. Assim, só existia um caminho a seguir.

Tenho que pedir a Blue Rose emprestada para Eugeo. E essa forma, mostrar todas as habilidades mais fortes que consigo executar com essa espada.

Se eu for pedir para Eugeo, certamente ele não irá se opor, porém, estou um pouco indeciso quanto a isso. A Blue Rose Sword pertence a ele, ou seja, ela partilha a alma com seu espadachim. Essa crença sempre esteve gravada em minha mente, desde o tempo das minhas amadas espadas no antigo SAO. Por isso não conseguia me imaginar usando minhas melhores habilidades enquanto tivesse esse tipo de restrição. Não me moveria livremente com um item emprestado.

Também não poderia pedir as espadas de alta prioridade da armeria da academia, já que novamente, não eram minhas.

Bom, parece que não vai ter outra solução, terei mesmo que pegar emprestado a espada de Eugeo…

“Entendo. Mas me desculpe, por agora não tem como. Por favor, me dê um dia. Amanhã, nessa mesmo hora, definitivamente lhe mostrarei… as melhores habilidades com a espada que puder executar.”

Quando respondi, apareceu um pequeno sorriso nos lábio de Liena, porém, quando se deu conta disso, rapidamente franziu o rosto.

“Mas amanhã é dia de descanso. Está proibido qualquer tipo de treinamento. Então não podemos usar essa área.”

“…Não será um treinamento.”

Assim que falei. Por alguma razão, ela fez uma expressão um tanto quanto intrigada.

“Então… o que será?”

“Humm, para falar a verdade…”

Organizei minhas palavras antes de falar.

“Será um presente. Você me ensinou muitas coisas durante esse ano. Escutei que tem uma tradição na academia, que o valete sempre tem que dar um presente para seu superior um dia antes da graduação. Então, lhe darei uma habilidade com a espada. E como é um presente, estará tudo bem, inclusive se for em um dia de descanso.”

Minhas palavras pareceram desarmá-la, pois deu um sorriso irônico.

“Realmente, você não muda, sempre inventando uma maluquice. Nunca ouvi que uma habilidade com espada pudesse ser usada como um presente… Bem, então acho que também tenho que dizer algo…”

“Hein…!?”

“Na verdade, o fato de lhe nomear como meu valete, foi tomado com uma quebra de uma tradição. Apesar de ser bem idiota, existe e praticamente todos a seguem, ela diz o seguinte: ‘Os filhos de nobres tem que sempre nomear outros nobres de classe inferior como valete’. Quando lhe nomeei, muitos representantes dos nobres vieram até o dormitórios dos espadachins para protestar a minha decisão.

Foi uma bela bagunça, eles ficaram bem irritados hehehe…”

Liena deixou escapar um pequeno riso, enquanto eu estava sem reação, por ser a primeira vez a escutar tal coisa…

Ela se referia as classes especiais da nobreza de Norlangarth, todas classificadas desde ‘Nobreza de primeira classe’ à ‘Nobreza de sexta classe’ e localizada acima de todas, estava a família real.

A família Levanteinn, do presidente estudantil Uolo, pertencia a Nobreza de segunda classe, enquanto a família Serlut era da terceira. Em outras palavras, estavam algumas posições mais altas do que a família do líder de Zakkaria, que era de quinta classe.

Em contraste com tudo isso, o eu desse mundo e também o do mundo real, era um ninguém, apenas um cidadão comum entre os demais cidadãos. Se tivesse uma classe, seria da mais baixa entre a população. Mal tinha posses, só uma moto ultrapassada que não valia quase nada. Porém tinham aqueles que mesmo não sendo nobres, eram bem famosos entre a sociedade e muitos deles, possuidores de terras. Como era o caso do chefe da vila Rulid, Gasupht Schuberg e Banou Wolde, cuja casa, Eugeo e eu vivemos por um tempo. Eles tinham sobrenome ou alcunhas pelas quais eram frequentemente reconhecidos, diferentemente das pessoas mais humildes que só eram permitido ter um único nome.

Foi só depois que Eugeo e eu conseguimos ingressar na Academia Imperial de Maestria com Espada que me dei por conta disso. Já que ali, a maior parte dos estudantes eram nobres e filhos de ricos comerciantes. Os de origem comum formavam um diminuto grupo, que contavam com aproximadamente vinte por cento do total dos estudantes.

Tudo para nós eram como uma tarefa dupla, ou tripla.

Eugeo e eu tivemos que passar meio ano de trabalhos e testes forçados para enfim conseguir a carta de recomendação do capitão de Zakkaria para poder prestar o exame de admissão. Mas quando me dei conta que os nobres podiam participar sem condição alguma, fiquei realmente frustrado e com vontade de escrever uma carta bem desaforada, reclamando para o departamento responsável da academia… sentimento esse que guardei para mim…

De todos os modos, uma vez que consegui me alistar, percebi que em termos gerais das regras escolares, os nobres até que não eram tratados de maneira diferente dos que tinham origens comum… Mas se parasse para observar, era possível perceber que tinha sim uma diferença invisível, quase tangível. Eu e Eugeo, que era praticamente a mesma coisa, passamos um ano ignorando os rumores que os outros espalhavam sobre nós, porém nunca tinha pensado no motivo pelo qual Liena tinha me escolhido como seu valete e nem que ela tinha comprado briga com várias pessoas por causa disso.

“Mas… já que tinha um costume assim… porque resolveu me escolher? Se fosse pelo ranking no manejo de espada, naquele momento tinham seis acima de mim. Todos eles nobres. Se tivesse elegido algum, não teria se incomodado tanto…”

“Mas aqueles seis ganharam seus pontos somente pelas suas lindas atuações não é? Bem, eu não estava procurando beleza. Para mim, a sua apresentação foi muito mais emocionante dos que as que os avaliadores escolheram… Não, em lugar de emocionante, seria melhor dizer que te escolhi porquê…”

Liena riu novamente e disse:

“…Melhor parar nesse ponto. Vou manter esse mistério por enquanto. Deixe eu me graduar primeiro. Falaremos mais amanhã e se o presente que for me dar for uma amostra dos movimentos secretos do Estilo Aincrad, eu os aceitarei de bom grado, Kirito.”

“Ah! S-Sim. Que bom que gostou da ideia.”

“…Porém, estou um pouco confusa. Segundo sua explicação, parece que só decidiu dar esse presente pois se lembrou de última hora da tal tradição. Suponho que devo estar errada sobre isso, não?”

“A-Ah! S-Sim, quero dizer… não! Hã… na verdade eu já havia pensado nisso desde o princípio…. É sério!”

Liena ficou me olhado com uma expressão fria enquanto eu ficava balançando a cabeça sem saber muito o que fazer. Até que ela continuou falando:

“Está bem, continuaremos com isso depois. É tempo de decidir essa nossa luta.”

“O quê!?”

Tinha até esquecido que estávamos em meio à uma luta. Porém, antes de que me aprontasse para dar uma resposta adequada, as espada de madeira que estavam se forçando uma contra a outra de repente se repeliram. Não era uma habilidade de ataque de espada propriamente dita, mas um dos poucos movimentos evasivos do Estilo Serlut, o Still Water, que geralmente era usado para arremessar o oponente para trás enquanto as espadas estavam em contato uma com a outra.

Por puro instinto saltei para trás para receber melhor o golpe. A diferença entre o movimento Active Water de antes, é que o Still Water lhe dava um carga muito forte no impulso das pernas mas depois de seu uso, tinha uma pequena pausa que eu poderia aproveitar. Além do mais, ela já não tinha o chicote em sua mão esquerda.

Terminaremos isso com um salto

Aterrissei e levantei minha espada para o alto.

Nesse instante, senti um calafrio na espinha.

Liena estava definitivamente brandindo a espada com as duas mãos. Mas o chicote que se supunha estar atrás dela, tinha desaparecido.

Quando ela o fez desaparecer?

Arregalei os olhos, mas não consegui deter a minha habilidade que já tinha carregado. O ataque com uma mão, Sonic Leap já estava em ação, soltando um brilho azulado…

No mesmo tempo em que a habilidade com a espada foi ativada, a mão esquerda de Liena se separou da espada de madeira e se estendeu para cima. Como se tivesse esperando por algo. Então, uma coisas como uma serpente branca veio voando diretamente para a palma de sua mão erguida e depois veio rapidamente em minha direção, envolvendo meu corpo que estava em carga total.

O chicote que pensei ter voado para longe, na verdade havia sido jogado para cima durante nosso reinicio do embate com as espadas.

Quando me dei conta, cai para trás e a minha nuca encontrou violentamente o solo.

Fiquei ali, estendido no chão apreciando as estrelas que surgiram em minha vista enquanto parecia sentir um profundo suspiro ‘-Aaahhh!’ que vinha da parte da frente de minha cabeça. Creio que até a minha consciência esteja me chamando de burro…

 

ATÉ A PRÓXIMA SEMANA !!!

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