Sword Art Online Alicization Running em Português – Underworld – Capítulo 2 – Parte 2.2

Arco: Alicization – Running

Underworld – Parte 2

Sword Art Online - Underworld
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“Sua percepção é realmente incrível. Não é para menos que você e o Kirito foram os heróis que conseguiram vencer Kayaba Akihiko e zeraram SAO. Mas suponho que esteja sendo uma falta de respeito minha dizer isso, não é?”

Kikuoka seguiu sorrindo enquanto mostrava uma expressão de admiração. Rinko sentiu uma pontada em seu coração ao ouvir o nome de Kayaba.

Depois de conhecer Asuna apenas poucos dias, Rinko já sentia muito apreço por ela. Sabia que a garota tinha todo o direito de maldizê-la e odiá-la, pois passou muito tempo escondendo coisas enquanto ajudou Kayaba Akihiko em seu terrível plano, causando sua prisão através da armadilha daquele cruel jogo durante dois anos.

Porém, nem Asuna, nem Kirigaya Kazuto, a quem conhecia um pouco mais de tempo, nunca a culparam de nada. Era como se dissessem que algo assim fosse inevitável de acontecer.

E agora nesse caso? Será que Asuna pensava que o ‘incidente do RATH’ era algo também inevitável? Rinko continuava olhando para ela, enquanto a valente garota avança mais em direção à Kikuoka.

“Pensa que… a Força de Autodefesa do país pode fazer o que bem entender, colocando suas prioridades acima dos demais?”

“O que está dizendo?”

Kikuoka parecia estar ofendido enquanto negava balançando fortemente a cabeça.

“Realmente me excedi quando resolvi sequestrar Kirito, mas até aquele momento eu não poderia contar todas nossas razões e segredos, nem a você Asuna e nem a família de Kazuto. Usamos nossas conexões no Centro de Estudos Médicos e Hospital da Defesa Nacional para transportá-lo o mais confortável e seguro até o Ocean Turtle. Inclusive utilizamos medidas extremas para que ele fosse colocado o mais rápido possível em tratamento no STL. Fiz isso pois admiro muito aquele garoto.”

O Tenente Coronel fez uma pausa, mostrando o que poderia ser um sorriso inocente, ajeitou seus óculos novamente e continuou:

“…Por outro lado, estou fazendo meu máximo esforço para manter a ordem, em comparação à muitas empresas de pesquisas no país e no mundo. Independente que você esteja de acordo ou não.

Para início de conversa, é claro que obtemos permissões dos pais dos recém-nascidos para utilizar o STL e escanear seus Fluctlight. E todos foram devida e ricamente agradecidos por isso. A filial em Roppongi já estava preparada para isso… trabalhando similar à uma clínica de obstetrícia.”

“Mas é certo que não explicaram tudo para os pais, não é verdade? Sobre exatamente o que é o STL.”

“Ah… bom, nós dissemos que era para recolher dados sobre as ondas cerebrais dos seus filhos… mas isso não pode ser considerado uma mentira. Afinal, os Fluctlight são realmente ondas elétricas que estão no cérebro…”

“Isso não é mais do que apenas desculpas muito bem mascaradas. É similar a extração de DNA dos bebês sem que seus pais saibam que o motivo real é cloná-los.”

Nesse momento, Higa, que estava em silêncio, de forma inesperada levantou os braços para fazer um grande sinal de tempo para Kikuoka.

“Isso é realmente um pouco demais, Kiku. Creio que há uma questão moral em clonar secretamente os Fluctlight dos recém-nascidos. Mas…senhorita Yuuki, sua compreensão está um pouco equivocada. Os Fluctlight não tem diferenças físicas entre eles como os genes, especialmente quando nascem.”

Higa arrumou a moldura de seus óculos, enquanto buscava uma resposta adequada.

“Vamos ver… como vou explicar isso? Por exemplo, um fabricante produz o mesmo tipo de computador, sua aparência, especificações, tudo igual e padronizado. Porém, uma vez que caia nas mãos dos usuários, pode-se dizer que viram algo completamente diferente em mais ou menos seis meses ou até um ano.

É a mesma coisa para o Fluctlight dos humanos. No final, conseguimos clonar doze bebes que depois de serem comparados, percebemos que suas capacidades cerebrais não diferiam muito um do outro. Dizendo em métricas, 99,98% das construções cerebrais eram exatamente iguais, sendo a única diferença de 0,02%, foi o que eles acumularam de conhecimento desde o breve nascimento. Em outras palavras, a capacidade de pensamento humano e personalidades já estão determinadas desde que se nasce. A teoria de que as habilidades e personalidades são herdade geneticamente está completamente repudiada.

Realmente tenho muita vontade de acabar com toda essa baboseira que os crentes da eugenia tem…”

“Conseguirá fazer isso, uma vez que o plano estiver completo. É só uma questão de tempo.”

Kikuoka disse isso com uma expressão um pouco cansada. Talvez já tenha ouvido essa queixa muitas e muitas vezes antes.

“De qualquer forma, é como Higa explicou. Em conclusão, um clone de Fluctlight recém-nascido não tem uma personalidade específica, não tem nada, é uma página completamente em branco. Para tanto, se eliminarmos a diferença de 0,02% com cautela das doze amostras, o que teremos é o que chamamos de…”

Kikuoka abriu os braços, preparando-se para dizer algo que considerava ser muito importante…

“O ‘Protótipo espiritual’…’Arquétipo da alma’.”

“…Realmente pensou em um termo bem exagerado… Em outras palavras, esse é o ‘EU’ da psicologia analítica junguiana, não é?”

O sorriso de Kikuoka sumiu ao ouvir a resposta de Rinko, então acabou apenas dando de ombros.

“Não, não, eu realmente não entrarei em detalhe. Isso é somente uma explicação do funcionamento.

Sim… o protótipo espiritual que todos os seres humanos tem, pode ser considerado como se fosse uma CPU, suponho que fica mais prático se eu disse dessa forma. Quando os seres humanos crescem, o núcleo terá todos os tipos de processos e memórias instaladas, de maneira que a estrutura toda mude seu estado inicial… Não é favorável para nós termos um ‘produto terminado’ como esse, quando se está buscando uma Inteligência Artificial Altamente Adaptável. Lhes mostramos o que acontece no exemplo de antes não é? Mas se clonarmos o protótipo espiritual no Ligthcube desde o início no mundo virtual e o deixarmos crescer, considere o que aconteceria.”

“Mas…”

Asuna não pareceu entender. Rinko colocou as mãos em seus ombros para intervir e fazê-la sentar.

“Deixá-lo crescer… Mesmo que diga dessa forma, é um processo bem diferente de uma planta e um mascote, não é? O mesmo vale para o protótipo espiritual dessas crianças humanas. Então suponho que necessite de um vasto e complexo mundo virtual, algo que imite a sociedade atual no mesmo nível, para que aja um real aprendizado… Eu te pergunto, existe algo assim?”

“Impossível…”

Kikuoka admitiu suspirando.

“É um mundo virtual criado pelo STL. Embora seja muito diferente dos mundos virtuais que existem hoje, pois esse não necessita de objetos em 3D, ainda sim é extremamente difícil utilizar uma sociedade moderna. Reproduzir algo exótico assim ainda é impossível.

Me diga Asuna, por acaso você se lembra de um filme que foi feito muito antes de você nascer. Sobre um personagem que viveu em um mundo de mentira desde que lhe foi dado a luz?

Tudo em sua vida era filmado. Vivia em um set de filmagens 24 horas por dia, simulando uma grande cidade com centenas de atores temporários, onde todos sabiam que era um filme, menos o seu protagonista. O local era um enorme domo imaculado e controlado sem interferências externas. Dessa forma, o homem cresceu, aprendeu tudo sobre esse seu mundo, encontrou diversas peculiaridades, até que finalmente descobriu a cruel, porém inevitável verdade…”

“…Sim, já vi esse filme. Gostei um pouco dele.”

Rinko respondeu e Asuna concordou. Então Kikuoka continuou.

“Em outras palavras… se queremos completar o processo do mundo, há informações que devemos incluir… o mundo é um enorme e redondo corpo, contendo muitos países. Devemos sempre tentar não criar um mal entendido no processo de crescimento dos humanos durante a simulação, pois isso causaria com que se sintam deslocados e entrariam em total colapso. Sem contar que o STL não é capaz ainda de reproduzir um mundo virtual completo, como esse a que se referiu, professora.”

“Então, qual é o nível da civilização em que essa simulação está situada? Seria no tempo em que os humanos descobriram a ciência e filosofia? Onde eles se focavam nos aprendizados da cultura humana desde o nascimento até sua morte? É um cenário assim que estão desenvolvendo os protótipo espirituais?”

“Humm, isso seria muito complexo e necessitaríamos de muito tempo para cuidar de tudo… Mas é quase como você disse, professora Koujiro. Tratamos de nutrir as bases da primeira geração de I.A. com certas regras e condições para que direcionassem as próximas. Especificamente, tentamos ambientar uma pequena vila japonesa por volta do século 16…”

Nesse momento, Kikuoka se deteve e encolheu os ombros, então Higa completou:

“Não é tão fácil quanto parece ser. Somos completos principiantes sobre a cultura e normas dessa era. Sabemos que uma grande quantidade de dados são necessários para construir um lugar desses. Então tivemos que juntar tudo isso e usarmos nossas cabeças para enfim montar algo aceitável. Chegamos à uma reposta bem simples até. De que não havia necessidade de criar os anos medievais em si. Entendemos que as localidades e costumes podem ser ajustados de diferentes maneiras de acordo com o que acharmos ideal e que todos os elementos problemáticos poderiam ser resolvidos com o termo ‘magia’. E um mundo com esse tipo de escopo, é semelhantes a muitos outros por aí que vemos em jogos, os quais Asuna e Kirigaya estão completamente familiarizados.”

“Um mundo VRMMO.”

Higa olhou para Asuna, quem havia sussurrado a resposta enquanto apertava seus dedos.

“De fato, trabalhei com essa ideia, porém não sei se esse recurso que utilizei é ilimitado. Pois não sei quem o criou realmente, porém, soube que tem muitos pacotes gratuitos para gerar novos tipos de cenário para jogos.”

“…”

Higa estava falando sobre o ‘The Seed’… o trabalho de Kayaba Akihiko, a versão final do núcleo do sistema Cardinal que Kirigaya Kazuto distribuiu pela rede. Rinko ao ouvir e compreender isso, teve dificuldade de puxar ar para seus pulmões. Higa e Kikuoka não se deram conta da origem do programa que haviam usado.

Imediatamente, Rinko se deu conta que ainda haviam segredos sobre o incidente e decidiu não falar mais nada sobre esse assunto enquanto tocava levemente os dedos nos ombros de Asuna, que pareceu compreender o recado abaixando sua cabeça e não dizendo mais nada.

Higa não se deu conta dessa silenciosa conversação entre as duas e continuou sua narrativa e explicação.

“Se criássemos um mundo virtual sem a estrutura principal do STL, não necessitaríamos de nenhum dado 3D. Mas nesse caso seria pouco interessantes para criar um modelo ideal e fazer toda a análise que havíamos planejado. Por isso nos apressamos e descarregamos o The Seed e utilizamos o editor, que veio no pacote, para criar a vila e todos os seus elementos ao redor e por fim, usamos a mnemotecnia visual do STL para transferi-lo.”

“Isso… em outras palavras, é um mundo que se tornou uma construção dupla, não é? Provavelmente os servidores de menor prioridades operam através do mundo VR com uma troca de dados em comum, enquanto que a estrutura principal de maior prioridade do STL opera através de um VR especialmente designado. Então, o que aconteceria se cruzassem os dois? …Qual seria o resultado?”

“Higa concordou com a cabeça e antes que pudesse responder, veio outra pergunta.”

“… E se não utilizar o STL para o servidor de menor prioridade mas fizer a imersão com o AmuSphere, funcionaria?”

“Erm… bem, teoricamente é possível, mas as frequências devem ser minimizadas em dobro… o mnemônico visual e os dados de polígonos não estariam juntos…e…”

Higa começou a gaguejar e Kikuoka esfregou as mãos e tratou de cortar o assunto dizendo:

“De qualquer forma, depois de muitos contratempos, finalmente conseguimos completar nosso primeiro objetivo.”

O oficial de autodefesa parecia lembrar do próprio passado conforme perdia seu olhar.

“A primeira vila que criamos tem dezesseis protótipos espirituais separados em duas famílias de fazendeiros… Em outras palavras, deixamos as crianças I.A. crescer até os dezoitos anos.”

“Deixaram cre…cre…crescer…??? Como assim? Onde estavam seus pais??”

“Falamos isso antes, não importa quantas habilidades e capacidades tenha a I.A., dentro do The Seed, é impossível utilizar para criar uma criança. A primeira geração de pais foram humanos, quatro homens e quatro mulheres. Todos técnicos aqui do RATH atuando como pais, passaram dezoito anos no STL. Ainda que as recordações tivessem sido seladas, não recebiam nenhum tipo de ajuda externa, pois isso também fazia parte do experimento, então só podíamos esperar.

O pagamento que receberam não foi equivalente à todos esses anos de trabalho mas…”

“Não, mas creio que foi bem razoável.”

Rinko ficou estupefata enquanto encarava fixamente os rostos de Kikuoka e Higa que estavam falando tranquilamente, até que finalmente conseguiu colocar seu sentimento em palavras.

“DEZOITO ANOS!? Até ouvi que o STL tinha uma função de aceleração de tempo flexível mas… Qual foi a taxa equivalente no mundo real?”

“Por volta de uma semana.”

A resposta imediata a pegou de surpresa novamente. Dezoito anos são aproximadamente novecentas e quarenta semanas, o que significa que a função de aceleração do tempo do STL é supreendentemente por volta das mil vezes à do mundo real.

“Essa velocidade não afeta o processamento cerebral quando aumentada mil vezes?”

“O STL não está conectado no cérebro humano, mas nas partículas quânticas da consciência. Nós enviamos sinais elétricos aos neurônios e seus neurotransmissores, resultando em vários fenômenos biológicos, dessa forma nos permitindo acelerá-los. Em outras palavras, teoricamente, podemos assumir o controle do tempo para acelerar ou diminuir, sem que isso cause algum dano no cérebro.”

“Resumindo…, não há um limite para a aceleração…?”

Rinko tinha simples conhecimentos prévio acerca da função de aceleração do tempo do Soul Translator, mas não sabia exatamente tudo, devido à isso, mal conseguia processar essas palavras.

Até agora, sempre pensou que a grande função do STL era copiar a alma humana, mas o impacto que teve em saber da função de aceleração do cérebro foi muito grande. Ela pensava na possibilidade teórica de incrementar a eficiência dos espaços virtuais, e só por isso já a deixava extremamente surpresa.

“De qualquer modo…, ainda há um grande problema que não conseguimos sanar. É quando atingimos velocidades acima de mil e quinhentas vezes.”

A mente de Rinko que estava viajando com uma quantidade absurda de ideias, parou ao ver a expressão deprimida de Higa Takeru.

“Problemas? Como assim?”

“Existem estudos que sugerem que a alma tem seu próprio tempo de vida, comparada ao cérebro e demais partes do corpo…”

Rinko não pode entender de imediato, então inclinou a cabeça um pouco para o lado enquanto pensava. Higa olhou para Kikuoka, como quem dissesse: ‘-Como vou dizer isso?’. O oficial imediatamente olhou para seu saquinho de balas e fez uma cara como se o doce em sua boca tivesse se tornado amargo e disse rapidamente:

“Bom, ainda estamos somente na etapa das hipóteses. Então falando de maneira bem simplista, o computador quântico que chamamos de Artificial Fluctlight, tem uma capacidade limitada, se excedermos o seu limite, a construção ruirá… Todavia não conseguimos provar, assim que não podemos dar uma explicação satisfatória. Devido à isso, colocamos um FLA máximo por razões de segurança.”

“Em outras palavras, o seu interior foi envelhecido muitos anos, embora seu exterior tenha passado apenas uma semana? Não acha que nesse caso, a função de aceleração torna-se inútil? Não existe uma forma de evitar que ocorra esse fenômeno?”

Rinko não contribuiu em nada com essa pergunta, mas não poderia deixar de fazê-la, dada a sua natureza investigativa de pesquisadora. Higa em resposta mostrou uma expressão um pouco triste.

“…Bem, teoricamente… viemos fantasiando esse tipo de coisa. Por isso, estamos tentando criar um dispositivo STL portátil e com isso armazenar as memórias durante a aceleração do Fluctlight, para minimizar o impacto. Porém, mesmo que conseguíssemos alcançar esse objetivo, ainda há a terrível possibilidade de perder totalmente suas memórias depois de remover o dispositivo. ”

“É realmente uma fantasia… Acelerar o cérebro sem usar uma memória externa… adoraria ter sucesso, já que sou um tester também.”

Rinko negou com a cabeça enquanto sussurrava para reorganizar seus pensamentos novamente.

“De qualquer forma, você quer dizer que atualmente ainda não há um método confiável para contornar esse problema…então, nesse caso… e-espere um momento! Kikuoka, você disse que seus técnicos passaram dezoito anos dentro do STL ajudando os protótipos espirituais!? E o que aconteceu com seus Fluctlight? Suas habilidades intelectuais foram suprimidas por todo esse tempo?”

“Não, não, não foi desse jeito…, talvez…”

“’Talvez…’ !? Mas que diabos…!”

Rinko atravessou Kikuoka com seu olhar, mas este apenas a ignorou e continuou falando.

“A respeito da capacidade do Fluctlight, estimamos que nossa ‘Vida Espiritual’ se esgota por volta de um século e meio. Então, se mantermos seus corpos perfeitamente saudáveis, o cérebro não terá nenhum tipo de dano. Resumindo, pode-se dizer que nosso intelecto pode ficar conservado intacto por no máximo cento e cinquenta anos. É claro, isso é impossível para nós, no momento, viver toda essa quantidade de anos. Portanto, se tomarmos todas as precauções necessárias, podemos dizer que ficaríamos perfeitamente bem uns trinta anos dentro do STL.”

“E pensando assim, contando um século a partir desse instante, não haverá nenhuma tecnologia inovadora desenvolvida que permita ampliar nossas esperanças de viver mais…”

Rinko disse essa frase em tom de sarcasmo, mas Kikuoka não pareceu se importar com o comentário.

“Inclusive se desenvolvêssemos tal tecnologia, suspeito que não teremos regalias dos outros civis.

Mas então, voltando ao assunto, conseguimos confirmar o tempo de vida de uma alma, assim que podemos continuar com o tema principal dessa nossa conversa.

Graças ao trabalho voluntário de quatro casais de nossos técnicos, tivemos êxito em criar e fazer crescer rapidamente dezesseis personas cuidadosamente orientadas… que vamos agora nos referir à elas como Fluctlight Artificiais, a partir desse ponto. Todos eles conseguiram habilidades de linguagem. E como falamos japonês, esse foi o idioma que eles também acabaram falando.

Também foi passado habilidades de cálculos básicos para que conseguissem manter seus próprios processos de raciocínio e os ambientamos em uma vida simples, porém emocionante no mundo virtual que criamos para eles.

Digo definitivamente que são ótimas crianças… muito obedientes com seus pais, despertando bem cedo para pegar água, cortar madeira, cultivar… Alguns são muito honestos, outros mostravam pouco de suas personalidades, mas no geral eram todos simpáticos e muito amáveis.”

Kikuoka sorria conforme ia relatando tudo isso, porém em algum momento sua expressão mudou para um semblante mais preocupado ou seria apenas imaginação dos seus espectadores?

“Enfim eles cresceram… ambas as famílias tinham quatro meninas e quatro meninos, irmãos e irmãs e todos por via de regra se apaixonaram. E quando determinamos que já eram suficientemente adultos para criar seus próprios filhos, a primeira fase do experimento terminou e os dezesseis jovens se tornaram oito casais e esses tiveram suas próprias famílias e cada um foi viver sua própria vida.

Os quatro técnicos que fizeram papeis de pais, ‘morreram’ por uma epidemia e um após o outro, fomos trazendo-os de volta do STL. Os dezoito anos de recordações dentro da simulação foram completamente bloqueados e voltaram a ser como eram uma semana antes de entrar no ST. Porém, mesmo com as memórias bloqueadas, eles acabaram chorando bastante quando viram pelo monitor externo, seus filhos sofrendo durante seus próprios funerais… “

“Realmente foi uma grande… comoção…”

Kikuoka e Higa concordaram juntos calmamente enquanto Rinko deu uma pequena tossida para que continuassem falando.

“Então…, depois que todos os técnicos já haviam saído, não havia mais razão para se preocupar com a velocidade FLA, assim, aumentamos o tempo no interior umas cinco mil vezes o tempo da nossa realidade.

Os oito casais tiveram dez filhos cada um. Todos protótipos espirituais, que cresceram sem nenhum problema. Esses garotos se tornaram adultos rapidamente e constituíram família e em pouco tempo já havíamos substituídos todos os NPC que atuavam como demais aldeões, deixando somente Fluctlight Artificiais. Enquanto as eras iam passando, seus descendentes continuaram se multiplicando… e em três semanas da nossa realidade, o mundo interior já tinha trezentos anos de evolução simulada, formando finalmente uma vasta sociedade com oitenta mil pessoas.”

“Oitenta…mil….!”

Rinko repetiu a última pare em voz alta. Depois de mover seus lábios sem conseguir dizer nada por um tempo, finalmente formulou a frase que queria.

“…Então…, isso é a maior simulação de civilização criada totalmente com Inteligência Artificial já vista até hoje…”

“Sim e já esperávamos que isso fosse acontecer. Pois os humanos são criaturas que tendem a viver em sociedades… e com isso são capazes de crescer e relacionar-se. Durante os trezentos anos, os Fluctlight Artificiais se expandiram desde aquela pequena vila até ocupar um vasto território, se adaptando completamente ao ambiente. Evoluíram ao ponto de criar uma estrutura de governo e tudo isso sem a necessidade de guerras, até iniciaram uma religião…

Nossa suposição é que usaram a religião para explicar todos os aspectos do sistema às crianças, pois não tinham o conhecimento da ciência. Então atribuíram o conceito de Deus. Higa, mostre-nos o mapa no monitor!”

Higa assentiu e imediatamente foi até o console. O grande monitor que tinha mostrado o desagradável experimento de antes, agora mostrada um mapa aéreo detalhado.

A primeira vista era óbvia a diferença do Japão com esse país.

Não existiam oceanos e as planícies arredondadas eram totalmente cercadas por uma alta cadeia montanhosa. Haviam muitos trechos de florestas e pastagens, assim como rios e lagos. Dando a impressão e ser uma terra muito fértil. Considerando a escala do mapa, o terreno mostrado deveria ter uns 1500 km de diâmetro, sendo o tamanho cerca de oito vezes o de Honshu, localizado no Japão.

“Somente oitenta mil pessoas em um espaço tão amplo como esse? Provavelmente a população está muito dispersa.”

“Ou vai ver que sua concepção de sociedade esteja baseada apenas no Japão hehehe…”

Higa deu uma pequena risada após o comentário em resposta à professora Rinko. Então usando o mouse do computador, selecionou o centro do mapa.

“A área da capital possui uma população de vinte mil pessoas. Podemos até dizer que não é muito, porém é uma sociedade excepcional. O instituto governamental que os Fluctlight criaram é chamado de ‘Igreja Axiom’, onde tudo é administrado por sacerdotes. Sua influência é impressionante, de modo que não existe nenhum tipo de guerra e até esse ponto achávamos que o experimento tinha sido um total sucesso…

Nesse mundo virtual, onde as Fluctlight Artificiais crescem com o mesmo nível intelectual que os humanos. Ficamos bastante empolgados para ir para a próxima fase e enfim cumprir nosso objetivo final, o crescimento total de uma inteligência artificial altamente adaptável, mas…”

“Finalmente nos deparamos com um sério problema…”

Kikuoka olhou o monitor e então disse:

“… Você não nos ouviram dizer que tenha ocorrido nenhum problema até agora, correto?”

“Está correto… a princípio nenhum tipo de mal ocorreu nesse mundo deveras pacífico. O motivo é que talvez sejam muito organizados e por isso tudo funciona perfeitamente. Devíamos ter nos dado conta que era estranho que as dezesseis crianças iniciais fossem tão obedientes e ordeiras com seus pais e entre si… e quando digo estranho, quero dizer que não havia neles a parte mais natural dos seres humanos, a natureza bélica, que os faz lutarem entre si. E justamente por isso, que não ocorreu nenhum tipo de guerra, assassinato ou outro conflito qualquer. E a taxa de crescimento da população é muito veloz, por assim dizer. Dessa forma como vivem, a possibilidade de morte e desastres naturais são praticamente nulas, sendo que só morrem por causa de velhice…”

“Isso é como uma sociedade ideal deveria ser….”

Higa ficou nitidamente irritado com o comentário de Rinko e respondeu friamente:

“Você realmente acha que existe uma utopia como essa?”

“Bom, sim. É por isso que sempre buscamos lendas como essa. Vocês mesmo não estavam achando que essa sociedade virtual é espetacular?”

“Mas é claro que não! Pois o que estamos almejando aqui é uma cópia natural de nossa própria realidade, não essa… coisa pacífica…”

O som de objetos da mesa de Higa caindo ao chão ecoou pela sala e Kikuoka apressou-se em ir até o monitor e começar a explicar uma vez mais.

“Os Fluctlight Artificiais devem ter os mesmos desejos que nós, mas porque eles não tem guerras? …

Investigamos a fundo seu estilo de vida atrás dessa resposta. Então descobrimos que nesse mundo existem regras muito restritas. Eles a chama de ‘Índice de Tabus’, no qual os sacerdotes investiram todos seus esforços para construir. Nele, entre tantas, há uma cláusula específica que proíbe matar. As mesmas leis existem no nosso mundo também, mas cada um a processa de maneira diferente e acabamos agindo com base nos nossos desejos. Porém, os Fluctlight Artificiais a obedecem efetivamente sem contestar… devido à obediência herdada desde o princípio. Em outras palavras… eles não podem romper com as suas leis. Pois essa é sua natureza inata.”

“…Mas isso não é algo bom?”

Rinko olhava horrorizada para o rosto de Kikuoka, que estava com uma expressão sombria.

“Pelo que vi até agora, eles são muito mais excepcionais do que nós, que vivemos de guerra.”

“Bem… vamos colocar de outra forma então. Higa, coloque imagem de Centoria!”

“Sim.”

“Higa digitou no teclado e o grande monitor mostrou a imagem da cidade do outro mundo. A mesma imagem que Rinko viu ao entrar na sala. Os edifícios de pedra branca rodeados por grandes árvores e as pessoas usando roupas semelhantes a túnicas, caminhado tranquilamente pelas ruas.”

Sword Art Online 10 - Projetc Alicization
Bem-vindo ao meu projeto Alicization!

“Ah! Então era isso?”

Rinko estava agora totalmente absorvida pela imagem. Higa fez uma expressão ligeiramente satisfeita.

“Sim, essa é a capital do mundo dos Fluctlight Artificiais, Centoria!”

Na verdade, ela é bem semelhante à essa que estamos vendo. Pois estamos utilizando a imagem dos polígonos do servidor secundário, então a qualidade digital é baixa. Sendo que a velocidade é somente uma milésima parte da verdadeira.

“Centoria… é um nome apropriado. E sobre esse mundo? Não tem um nome também?”

“Não tem… eu acho. Não é nomeado pelos Fluctlight Artificias, porém usamos um nome chave para identificá-lo nas primeiras fases do projeto. O nome desse mundo é Underworld.”

Under…world

Parece o nome vindo do conto de fadas Alice no País das Maravilhas. Rinko já tinha ouvido de Asuna, mas não esperava que esse fosse o nome interno desse mundo. Era bem possível que não tenha sido nomeado devido à obra original Underground World, mas que na realidade queriam dizer ‘O mundo com base na realidade’. E uma coisa não poderia se negada, a beleza fantástica daquela cidade era similar à visão do paraíso.

Kikuoka pareceu ler os pensamentos de Rinko e disse:

“É mesmo uma magnífica cidade. De fato, houve toda uma tecnologia envolvida para conseguir dar características campesinas para essas construções. Porém…, se fosse dizer algo, diria que essa rua é linda demais, organizada demais, perfeita demais…. Não há um sinal de lixo jogado no chão, sujeira ou desleixo e é claro, nenhum conflito, luta ou assassinato. Pois tudo isso faz parte das regras estritas da Igreja Axiom, que controla tudo à distância, cuidando para que as regras nunca sejam quebradas.”

“Ainda não vejo o que há de mal nisso! Qual é o problema?”

Ela franziu a testa e quando foi refazer sua pergunta, viu que Kikuoka se calou por alguma razão, ao que parece procurando uma resposta adequada. Higa olhou para o lado, nitidamente fugindo de responder.

Quem rompeu esse momento de silêncio na sala, foi Asuna. Que era a mais nova ali, sendo apenas uma estudante. Disse em voz baixa, porém audível para todos.

“Nesse caso, Kikuoka e os demais estão com sérios problemas, professora Rinko. Porque o objetivo final desse grande projeto não é somente criar uma inteligência artificial verdadeira e altamente adaptável… Mas sim criar uma I.A. capaz de matar soldados inimigos em uma guerra…”

ATÉ SEMANA QUE VEM COM A FINALIZAÇÃO DESSE CAPÍTULO. NÃO PERCAM!!!

 

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Até!

Bônus:

Escutem essa trilha e lembre da I.A. mais engraçadinha dessa obra, Yui! E boa leitura 😉