Sword Art Online Alicization Running em Português – Underworld – Capítulo 2 – Parte 2.1

Arco: Alicization – Running

Underworld – Parte 2

Sword Art Online - Alicization Running - Volume 10
Bem-vinda ao Ocean Turtle!

O helicóptero modelo EC135 passou pela densa névoa sobre o mar, possibilitando visualizar todas sua esplendorosa extensão azul através da janela.

A diferença da vista se comparado à um avião, é que dessa altura, era possível ver as ondas e os raios do sol, refletindo multicoloridos na superfície líquida. A visão era realmente muito bonita, fazendo sua espectadora, Koujirou Rinko pensar:

Quantos anos haviam se passado desde a última vez que cruzei o mar?

Levaria apenas uma hora para Rinko sair de seu local atual de trabalho, no Instituto de Tecnologia da Califórnia, na Baía de São Francisco para ir até a praia e desfrutar de um bom banho de sol, porém, nunca tentou ir. Ficou durante anos somente em seu laboratório na universidade.

E não era porque detestasse sol ou algo do tipo, o motivo era outro. Supôs que ainda era necessário passar um bom tempo, para finalmente poder desfrutar de um descanso desses. Rinko calculou que provavelmente seria preciso algo em torno de dez ou vinte anos em um país estrangeiro para poder apagar o seu passado…

Havia decidido não pisar mais em sua terra natal, o Japão, porém agora estava voltando para esse local que era a conexão com seu passado que queria deixar para trás. Era isso que passava por sua mente enquanto admirava o mundo pela pequena janela.

Há quatro dias, tinha recebido um e-mail gigante de uma pessoa inesperada. Podia ter apagado imediatamente e o esquecido, mas por alguma razão, não o fez. Depois de ficar mais ou menos uma hora considerando-o, enviou uma resposta e fez uma reserva de voo.

Enquanto recordava os últimos dois anos, acabou reconhecendo que todos os seus pensamentos e ações desde então tinham se tornado frios e indiferentes e embora esse seu esforço agora possa ser inútil, ela resolveu ir…

Pegou um voo de Los Angeles para Tóquio, se hospedou em um hotel em Narita e depois ingressou nesse helicóptero, após toda uma série de contatos cautelosos. Rinko suspirou enquanto retornava às buscas desse mistério novamente, dizendo a si mesma:

Uma vez que veja o que necessito ver e escute o que necessito escutar, a resposta virá naturalmente…

De fato, a última vez que tinha ido ao mar nadar, foi mais ou menos dez anos atrás, durante seu primeiro ano na universidade, quando ela ainda não tinha consciência de nada. Havia convidado Kayaba Akihiko, um aluno do segundo ano. Alugou um carro veloz com dinheiro emprestado e foi até Enoshina. A ingênua garota de dezoitos anos mal sabia do destino que a aguardava…

E a mente de Rinko voltou a divagar sobre seu passado, quando o passageiro que estava ao seu lado gritou devido ao som alto do rotor do helicóptero:

“Lá está!”

Sob o longo cabelo loiro, os olhos atrás dos óculos de sol se estreitavam para focar em algo, ao mesmo tempo que apontava para o lado de fora da janela com vidro curvo do nosso transporte, um diminuto ponto negro em meio a imensidão de água.

Aquilo é o tal… Ocean Turtle…!?

Rinko sussurrou ao ver o resplandecente arco-íris que se formava devido ao reflexo dos negros painéis solares. O copiloto com um traje estilo militar azul escuro virou-se para trás e respondeu:

“Sim, ele mesmo. Chegaremos em dez minutos.”

O helicóptero voou aproximadamente 250 KM em uma viagem de Shinkiba, Tóquio, até a grande instalação Ocean Turtle e já se preparava para aterrissar.

Rinko estava supressa com a imensa construção. Chamá-lo de navio não fazia jus à seu aspecto e tamanho. A grande pirâmide que estava firmemente cravada em pleno mar era uma vez meia maior do que o maior barco já construído no mundo, o Nimitz.

A sua altura era equivalente à um edifício de vinte e cinco andares, ela já havia pesquisado isso previamente. Mas uma coisa era saber os dados, a outra era ver pessoalmente a majestosa instalação.

A pirâmide de quatro lados tinha quatrocentos metros de comprimento e duzentos e cinquenta de largura, com painéis captadores de luz, negros, cobrindo toda a estrutura, dando a aparência de uma concha. Cada um deles eram tão grande como o helicóptero em que estavam.

Quanto investiram nessa coisa?

Rinko não sabia dizer. Tinha ouvido um rumor que, nos últimos anos, estavam focados totalmente na procura de metais preciosos no leito marinho da baía da costa de Sagami e agora vendo essa enorme e fora do comum estrutura, parece que não eram apenas boatos.

A mega estação flutuante construída no oceano, parecia ter sido projetada para ser a próxima geração de plataformas de extração petrolífera, porém, não era isso que estava sendo feito ali no momento. Na verdade o que tinha ali era um incrível centro de pesquisas para a próxima geração de equipamentos FullDive, que se chamava Soul Translator, máquina capaz de ler a alma das pessoas. Ao menos foi isso que disseram para ela na semana passada. A própria Rinko duvidava que tudo isso fosse realmente verdade, mas teria que ver com seus próprios olhos. Não havendo outra opção, aqui está ela.

O que faz um centro de pesquisas da nova tecnologia FullDive no meio do oceano, tão longe da costa e das ilhas Izu? Porque se instalaram aqui?

Ela não fazia ideia qual era a razão por trás de tudo. Apenas o fato de que nessa pirâmide negra, havia uma máquina que combinava o Nerve Gear desenvolvido por Kayaba Akihiko e o Medicuboid que ela própria tinha refinado para auxiliar no tratamento médico, enquanto pensava nisso, se deu conta de algo…

Os dois anos que passou no exterior, colaboraram para que sua ‘ferida’ ficasse indolor, embora nunca tivesse sido curada completamente. Bom, no final, seja lá o que tenha nesse estranho barco, com certeza poderá curar essa ferida ou arregaçar mais ainda a ponto de fazer que todo seu sangue jorre por ela. É claro que essa é uma forma metafórica de pensar, já que essa ferida é psicológica e não física…

Diante desse pensamento, só restava suspirar profundamente a medida que o helicóptero já se preparava para pousar enquanto olhava fixamente para sua companheira de viagem, quem assentiu com a cabeça levemente por trás dos óculos de sol.

Ao que tudo indicava, o piloto era uma pessoa muito experiente, pois a máquina pousou suavemente no heliporto como se tivessem em terra firme e não em um veículo com forma de uma tartaruga bizarra que ficava flutuando sob o oceano.

Quando já era seguro sair, o homem de traje escuro, o qual era o seu guia, desceu agilmente do helicóptero e foi cumprimentar um outro homem com vestes similares que estava esperando no hangar e que veio correndo assim que os motores pararam.

Rinko saiu pela comporta e fez um sinal de cumprimento com a cabeça para o homem que estava ali aguardando. Nesse instante ela achou ótimo ter escolhido usar jeans quando levantou da cama ao saltar os 40 centímetros do helicóptero até o chão. A sola dos seus tênis aterrissaram confortavelmente no solo artificial.

Era muito difícil crer que tal embarcação tivesse tanta estabilidade e segurança.

Igualmente a Rinko, sua companheira de viagem, saiu pela mesma comporta, com seus longos cabelos loiros esvoaçantes para todos os lados. Rinko abriu bem seus braços para aproveitar o vento marinho.

O homem que estava ali parado, demonstrou certa irritação enquanto olhava as duas mulheres, então se aproximou e logo disse com a cara tremendamente bronzeada, porém fechada:

“Professora Koujirou. Seja bem-vinda ao Ocean Turtle! E ela quem é?…”

O homem olhava fixamente para a outra passageira enquanto Rinko a apresentava sem pressa alguma.

“Ah sim! Essa é minha assistente, Mayumi Reynolds.”

Nice to meet you!

O copiloto respondeu em também inglês fluído e levou sua mão para apertar a dela de uma maneira um tanto sem jeito. O homem se apresentou também.

“Sou o Primeiro Tenente Nakanishi, designado para conduzi-las. Os ajudantes levarão seus equipamentos e pertences mais tarde. Portanto, queiram me seguir por aqui!”

O homem fez um gesto com sua mão direita para alguns lances de escadas ao lado do heliporto e continuou:

“O Tenente Coronel Kikuoka está esperando. Por aqui!”

O ar no convés tinha o que muitos diriam o ‘sabor do verão’, com a maresia do Oceano Pacífico e todo seu frescor, porém depois de descer as escadas, adentrando mais no interior das grossas paredes do Ocean Turtle, o ar se tornou frio e seco, soprando no rosto de Rinko.

“Essas instalações tem ar condicionado?”

Não pode evitar de perguntar ao Primeiro Tenente Nakanishi que caminhava à sua frente. O jovem oficial de defesa se voltou e disse secamente.

“Sim. Existem muitas máquinas complicadas aqui, portanto há necessidade de manter a temperatura do ar constante em torno dos vinte graus e a umidade abaixo de cinquenta por cento.”

“A energia provém unicamente dos painéis solares?”

“Não, em absoluto. Os painéis solares não podem sequer satisfazer dez por cento da energia necessária. As máquinas principais utilizam um reator nuclear de água pressurizada para gerar a energia.”

“…Entendi…”

Rinko sacudiu levemente a cabeça enquanto pensava:

As coisas estão ficando cada vez mais complicadas…

Ao passar pelo local onde tinham paredes de vidros foscos, pode ver figuras humanas distorcidas. Calculou por cima que deveriam ter mais ou menos cem pesquisadores, ocupando tudo aquele espaço.

Dobraram à direita, esquerda e foram fazendo esse ziguezague por mais duzentos metros até pararem em frente à uma porta onde havia um outro homem vestido com aquele uniforme azul escuro. De primeira achou que se tratava do uniforme da empresa de segurança do local. Porém ao ver que o modo com o qual o homem à porta saudou o nosso guia, percebeu que não era algo que um civil faria.

O Primeiro Tenente respondeu a continência e disse em um tom direto:

“Solicito permissão para a pesquisadora Koujirou e sua assistente Reynolds para entrar na área S3.”

“Entendido. Venham até aqui!”

O guarda pegou um dispositivo metálico em sua mão, parecendo um celular, ligou e levou seu monitor até Rinko, escaneando o seu rosto. Assentiu com a cabeça e virou para a assistente. Retirou alguns fios de barba de sua boca e falou:

“Sinto muito, mas você deve retirar os óculos de sol!”

I see.”

A assistente de pesquisa levantou as grandes lentes de sol e seu brilhante cabelo loiro com sua alva pele clara foram totalmente revelados.

O guarda ficou encantado por alguns instantes antes de voltar a si e fazer a digitalização e confirmação do seu rosto.

“Confirmada!”

“Uau!”

Rinko sorriu de maneira sarcástica enquanto dizia ao Primeiro Tenente:

“A segurança é bastante severa, levando em conta que estamos no meio do oceano.”

“Já eliminamos a inspeção corporal e mais outros três procedimentos. Só vamos fazer agora a detecção de metais e explosivos em vocês três vezes.”

Enquanto dizia isso, o guarda retirou do bolso um pequeno disco e colocou na placa ao lado da porta, logo depois usou a mão direita para pressionar o sensor do painel. Segundos depois, ouviu-se um motor e a porta que conduzia à central do Ocean Turtle se abriu.

Ao atravessá-la, o ar gelado soprou, luzes alaranjadas brilharam e o leve zumbido de máquinas trabalhando ficou ressoando. Os passos faziam ecos enquanto os três caminhavam pelo corredor dentro do espaço daquele enorme barco. Até que o Primeiro Tenente Nakanishi parou de repente em frente a uma determinada porta.

Ao olhar para cima, Rinko viu uma placa luminosa que dizia: ‘Sala de controle principal’, e pensou:

Finalmente, agora estamos no último lugar que Kayaba Akihiko deixou para trás…

Conteve a respiração e olhou para as costas do oficial que fazia a inspeção de segurança final.

“É o princípio de um novo começo…”

Atrás da porta que deslizou para lado, uma profunda escuridão a rodeou como um manto, deixando Rinko incapaz de se mover por um momento. Sentia como se alguma força a impedisse de continuar, que a forçava a voltar.

“…Professora…”

A voz da assistente nas suas costas a fez recuperar a consciência.

O Primeiro Tenente Nakanishi entrou naquele espaço escuro sem pestanejar e começou a caminhar, após alguns passos parou e olhou para Rinko. Depois de se acostumar com a falta de luminosidade, percebeu que não estavam mergulhados na total escuridão, pois haviam pequenas luzes laranjas brilhando no chão, criando um caminho.

Rinko suspirou e moveu enfim seu o pé direito para frente de forma determinada com sua assistente logo atrás. E assim que passaram, a porta fechou em suas costas.

Foram seguindo a ‘estrada’ luminosa no piso por entre as enormes máquinas interligadas entre si por cabos e muitos servidores. E depois de andarem mais um pouco até sair daquele vale de tecnologia, Rinko arregalou seus olhos em choque.

“…O quê… !!!?”

Ficou sem ar ao ver uma gigantesca janela em sua frente, que mostrava algo realmente incrível.

Ruas…não, isso deveria ser uma cidade inteira. Porém, não parecia ser uma cidade do Japão. Os edifícios estavam todos construídos em pedra branca com estranhos tetos abobadados. Sem falar que todos não tinham mais do que dois andares de altura, o que era de fato estranho serem tão pequenos, era porque estavam rodeados por raízes de uma árvore gigante que havia ali.

Os caminhos também eram daquela pedra branca, inclusive formando uma pequena ponte em arco e alguns iam para uma floresta próxima. As pessoas que caminham pelo local, não pareciam ser dos dias modernos de hoje.

Todos estavam vestidos com trajes da idade média, como se fossem túnicas ou longos vestidos. Havia uma grande variação de cores de cabelos, loiros, morenos e pretos. Era difícil dizer se eram orientais ou ocidentais.

Onde fica esse lugar? Será que ao entrar nesse navio de pesquisas paramos em uma outra dimensão subterrânea?

Impressionada, Rinko olhou para o outro lado, no final das ruas, havia uma gigantesca torre do mais puro branco. A torre, que parecia ser o marco principal daquela cidade, tinha quatro laterais simétricas e se estendendo até o horizonte, estava um absurdamente céu azul que completava a visão daquela imensa janela.

Rinko deu alguns passos à frente para tentar ver o quão alta era aquela torre e só então se deu conta de que aquilo não era uma janela e sim uma imagem em um enorme monitor com uma qualidade que era impossível de distinguir uma visão real de uma imagem reproduzida.

De pronto, ao entrar, as luzes se acenderam no local.

“Seja bem-vinda ao Ocean Turtle!”

Uma voz inesperada surgiu do lado direito e Rinko imediatamente olhou para onde ela vinha.

Ali estavam as silhuetas de dois homens em frente a mais monitores e computadores e muitas outras aparelhagens.

Um deles estava sentado em uma cadeira de costas para todos digitando alguma coisa no teclado de modo bem relaxado. Porém, o outro homem que estava mais próximo, perto do gigantesco monitor, ajustou seus óculos enquanto fixava o olhar em Rinko.

Era um sorriso que ela havia visto muitas vezes, um sorriso fácil mas que era impossível de ler suas intenções. Esse era o Oficial de Autodefesa que foi enviado ao Ministério de Assuntos Internos e Comunicações, o Tenente Coronel Kikuoka Seijirou, porém…

“…Qual é a dessa roupa?”

Essa foi a resposta dada depois de um longo tempo sem se verem. O que causou um pequeno estranhamento por parte do homem de óculos, fazendo-o franzir a testa por alguns instantes.

O Primeiro Tenente Nakanishi, trocou continência com Kikuoka Seijirou enquanto esse se levantava e se aproximava. Ele estava vestido com um yukata azul, com uma estampa em riscas brancas, um kaku obi amarrado na cintura e sandálias de madeira em seus pés.

“Me retiro agora.”

O Primeiro Tenente cumprimentou Rinko e saiu. Uma vez mais era possível escutar os sons mecânicos das portas serem acionados.

Kikuoka, que estava de pé, se apoiou no console e explicou com uma voz tranquila.

“Como vou ficar aqui no oceano por mais um mês, não posso ficar usando sempre aquele uniforme, é muito desconfortável.”

Então, ao dizer isso, abriu os braços e sorriu.

“Professora Koujirou, senhorita Reynolds, fizeram uma longa viagem. Me alegra muito que vieram até o RATH e que nosso convite tenha finalmente surtido efeito.”

“Bom, já que estamos aqui, temos muito o que conversar com você, ainda não sabemos se poderemos ser úteis.”

Rinko e a assistente concordaram com a cabeça sem se olharem. As sobrancelhas de Kikuoka se torceram por alguns instantes ao fixarem naquele belíssimo cabelo loiro e então sorriu.

“Vocês serão excelentes para esse plano. E creio que a última pessoa que completará esse trio deve concordar. Finalmente os três estão juntos no ventre dessa tartaruga.”

“Ah, entendi… então essa terceira pessoa dever ser você…, Higa.”

Quando Rinko falou isso, o homem que estava sentado de costas para eles, parou sua digitação imediatamente e girou a cadeira.

Era quase tão alto como Kikuoka e seu cabelo já um pouco grisalho, estava todo espetado e usava um óculos com uma armação já bem ultrapassada. Usava uma camisa um tanto desbotada, jeans e uma sapatilha com as solas gastas, provavelmente as mesmas que usava quando estava na universidade.

Higa Takeru, alguém que não via pelo menos há uns cinco ou seis anos, mostrava um sorriso como de uma criança que tenha feito algo errado, contrastando com sua constituição, disse:

“Sim, este sou eu. Como o último estudante do laboratório Shigemura, se não herdar a vontade de meus mentores, quem o fará?”

“Realmente… o mesmo de sempre.”

O laboratório Shigemura na Universidade de Engenharia Elétrica e Eletrônica Touto teve dois prodígios, Kayaba Akihiko e Sugou Nobuyuki, enquanto que Higa estava na sombras desses como uma existência oculta.

Quando foi que se envolveu em um plano tão sigiloso e de larga escala como esse?

Rinko pensava isso enquanto abria a boca para perguntar:

“…E então? Quem é a terceira pessoa?”

Ao ouvir a pergunta, o Oficial de Autodefesa mostrou um enigmático sorriso que nunca tinha mostrado antes e sacudiu levemente a cabeça.

“Infelizmente, não posso lhe apresentar no momento. Mas não se preocupe, em poucos dias…”

“Então, deixe-me te ajudar a dizer seu nome em voz alta, Kikuoka!”

Quem falou não foi Rinko e sim a ‘assistente’ que havia estado de pé ao seu lado tranquilamente, como uma sombra.

“O Quê…!?”

Por fim, caiu na armadilha.”

Rinko dizia isso mentalmente e deixando transparecer nos seus olhos que estavam fixado nos de Kikuoka, que agora, perdia seu ar de serenidade e ficava em total choque. Ela deu um passo para trás, deixando espaço para sua acompanhante.

A assistente avançou majestosamente e usando usa mão direita para retirar a peruca e a mão esquerda para retirar os óculos de sol. Os olhos brilhantes miraram diretamente Kikuoka enquanto dizia bem alto:

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Então, deixe-me te ajudar a dizer seu nome em voz alta, Kikuoka!

“ONDE VOCÊS ESCONDERAM KIRITO??”

Um pânico e choque desconhecidos percorreram o corpo do Tenente Coronel enquanto sua desconcertada expressão passava por várias emoções, que o fez ficar abrindo e fechando a boca, balbuciando coisas desconexas, antes de finalmente conseguir sussurrar algo.

“Achei que a identidade da pesquisadora tinha sido completamente checada através da base de dados do Instituto Técnico da Califórnia…”

“A professora e eu temos investigado vocês faz algum tempo.”

Asuna, a Lightning Flash, Yuuki Asuna, que usou a identidade da assistente de Rinko, Mayumi Reynolds para se disfarçar e poder subir à bordo do Ocean Turtle ficou encarando Kikuoka sem desviar o olhar enquanto respondia.

“Simplesmente trocamos a foto da senhorita Mayumi no banco de dados à uma semana pela minha. Temos alguém muito habilidoso em passar por firewalls.

“Como nota adicional, a verdadeira Mayumi está desfrutando de um belo banho de sol em San Diego.”

Rinko respondeu enquanto sorria.

“Suponho que agora entendeu porque aceitei esse seu convite, Kikuoka?”

“…Ah…sim, entendi completamente.”

Kikuoka que sacudia a cabeça lentamente enquanto esfregava sua testa com os dedos, soltou um pequeno sorriso.

Higa que estava vendo essa cena sem compreender muito bem, acabou rindo também.

“Veja só! É por isso que eu te disse, Kiku. Esse garoto é a maior falha de segurança desse plano.”

Há quatro dias atrás, no dia primeiro de julho, a professora havia recebido um e-mail enviado por Yuuki Asuna. Seu conteúdo foi capaz de motivar Rinko novamente, esta que estava apenas vagando da sua casa para o campus da universidade como uma nômade, sem um objetivo concreto.

Asuna escreveu sobre a tecnologia Medicuboid que Rinko desenvolveu para o Ministério da Saúde e Bem Estar do Japão e como seu desenho básico foi usado para construir a monstruosa máquina chama Soul Translator que estava operando em uma misteriosa organização que se denominava RATH.

O principal objetivo para o desenvolvimento dessa máquina, que podia conectar nas almas humanas, era possivelmente para criar o primeiro protótipo de um mundo operando com uma verdadeira Inteligência Artificial. O garoto que estava colaborando com o experimento, o inconsciente Kirigaya Kazuto, fora sequestrado do hospital e que seu destino provável era o laboratório flutuante Ocean Turtle.

E que a suspeita da pessoa por trás disso tudo era alguém que estava muito próximo de Kazuto desde o incidente de SAO, Kikuoka Seijirou. Esse foi o resumo das incríveis informações que estavam no e-mail.

Encontrei seu endereço de e-mail particular, professora Koujiro, nas anotações de Kirito. Somente você poderá me dar a oportunidade de resgatá-lo. Por favor me ajude!

E assim terminava a mensagem.

Rinko ficou profundamente comovida com as palavras de Yuuki Asuna, sentindo a verdade em cada linha escrita. A razão também era porque um ano atrás, Kikuoka Seijirou usou seu posto de Tenente Coronel para convocá-la inúmeras vezes para desenvolver um projeto para a próxima geração de máquinas para fazer interface cerebral.

Rinko levantou sua cabeça do monitor, olhou a paisagem noturna da cidade de Pasadena através da janela de sua residência e lembrou do rosto do garoto chamado Kirigaya antes dela deixar o país.

Ele havia exposto publicamente o experimento ilegal que Sugou Nobuyiki estava fazendo e finalmente lançou alguma luz sobre o que Kayaba Akihiko quis dizer sobre um mundo ilusório real, bem como a aplicação secreta para a semente do Cardinal System para algum propósito desconhecido.

Depois de pensar nisso, se deu conta que o scanner cerebral de alta densidade e potência que Kayaba Akihiko usou para acabar com sua própria vida era o desenho original do Medicuboid e do Soul Translator.

Assim, que dessa forma tudo está relacionado entre si. Nada mudou. Suponho que já estivesse destinada a receber esse e-mail de Yuuki Asuna…

Uma noite depois, Rinko já havia tomado sua decisão e enviou a resposta, aceitando o pedido.

Era com toda certeza uma aposta perigosa, mas suponho que vir até aqui no Pacífico valeu a pena só para ver essa cara de espanto de Kikuoka Seijirou…

Rinko sorriu enquanto pensava isso.

Ela estava em vantagem sobre Kikuoka, quem esteve trabalhando secretamente nesse plano desde o incidente de SAO e que sempre pareceu ter o total controle sobre tudo, mas era muito cedo para relaxar a guarda.

“Então, já que estamos aqui, suponho que agora entendeu tudo… não é Kikuoka? Porque você, um Oficial da Força de Autodefesa, fingiu ter um cargo baixo no Ministério de Assuntos Internos e de Comunicações para se infiltrar no mundo de VR? O que está planejando fazer nesse imenso local? E… porque diabos sequestrou Kirigaya?”

Rinko disparou uma pergunta atrás da outra e Kikuoka apenas ficava sacudindo a cabeça enquanto suspirava com força com um sorriso totalmente estranho no rosto.

“Certo! Certo! Certo..!! Primero me deixe explicar esse mal entendido que nunca aconteceu de verdade… Está bem, admito que trouxe Kirito para o RATH com métodos um tanto… hã… enérgicos e que fique bem claro que agora estou realmente arrependido. Mas digo que só fiz isso com intuito de poder salvá-lo.”

“…Como assim? O que quer dizer com isso?”

Mesmo sem uma espada em sua cintura, Asuna mantinha a mão como se estivesse a ponto de sacar uma, agarrando uma empunhadura imaginária. Ela estava totalmente em modo de ataque, pronto para avançar a qualquer momento, sua aura de batalha estava no limite.

“…Kirito foi atacado por um fugitivo do caso do Death Gun e caiu em coma profundo. Soube desse acidente quase que imediato naquele dia. Seu cérebro sofreu um enorme dano pela falta de oxigenação e tenho plena certeza de que esse tipo de dano não pode ser tratado com a medicina moderna comum.”

O rosto de Asuna congelou repentinamente.

“Não pode… ser tratado…”

“Uma grande parte da rede de neurônios ativos estavam destruídas. Mesmo no hospital, nenhum médico podia dizer quando e se ele poderia despertar. Era bem provável que ele nunca mais abrisse os olhos novamente… Mas, bem… não precisa fazer essa cara Asuna. Não te disse que esse parecer era só da medicina tradicional? “

Kikuoka fez uma expressão muito mais séria e continuou a falar:

“Porém, em todo o mundo, somente o RATH tem a tecnologia para curar Kirito. E estou me referindo ao STL, o Soul Translator. As células cerebrais mortas não podem ser mais tratadas, mas ainda é possível potencializar a regeneração do resto da rede neural mediante a ativação do Fluctlight através do STL. E isso é só questão de tempo.”

Ele estendeu seu braço direito para fora da manga do yukata e apontou para cima.

“E neste exato momento, Kirito está conectado nesse conduto principal do STL. Não conseguiríamos fazer uma operação delicada dessas em nossa filial em Roppongi, assim, que foi necessário voltar para cá. Uma vez que o tratamento terminasse e ele recuperasse a consciência, iríamos contar tudo para sua família e para você, Asuna e depois o levaríamos de volta à Tóquio.”

Depois de escutar isso, Asuna tremeu e Rinko rapidamente levou sua mão para segurá-la.

A garota que tinha mostrado uma perspicácia incrível e uma força de vontade inabalável para seguir atrás de seu amado, agora havia fraquejado, sua tensão tinha se desvanecido em uma grande lágrima que rolava pelo seu rosto. Porém, ela não se deixou cair, secou essa lágrima de forma determinada e se colocou novamente de prontidão.

“Isso quer dizer que Kirito está bem? Ele vai conseguir despertar?”

“Ahh! Sim, isso eu garanto. Seu tratamento aqui não será inferior a qualquer hospital de grande porte. Inclusive temos um guardião especializado só para ele.”

O forte olhar de Asuna, que procurava identificar a verdadeira intenção de Kikuoka, relaxou depois de alguns segundos e assentiu com a cabeça.

“…Entendo. Vou confiar em você por hora…”

Kikuoka deixou escapar um suspiro de alívio e seu ombros caíram um pouco no momento que escutou a garota. Então foi a vez de Rinko, ela deu um passo à frente e perguntou:

“Mas porque Kirigaya é tão importante para o desenvolvimento do STL? Porque teve que sequestrar um simples estudante como ele para dar continuidade à esse plano tão secreto a ponto de ficar localizado no meio do nada, aqui no oceano?”

Kikuoka trocou olhares com Higa e encolheu os ombros.

“Humm, bem…”

“Para poder responder à isso, antes tenho um montão de coisas para explicar…”

“Sem problemas. Tenho um montão de tempo também, vai falando!”

“…Certo, mas já que terei que explicar tudo, em troca você terá que nos ajudar com o desenvolvimento também, professora Koujiro.”

“Isso EU decidirei quando escutar tudo que tem a dizer.”

O Oficial de Autodefesa pareceu um pouco mal humorado já que suspirou dramaticamente. Então demoradamente sacou da manga do yukata, um pequeno tubo, que por alguns instantes todos ficaram olhando para identificar o que era, porém, constataram que se tratava apenas de um saquinho de balas de limão.

Kikuoka colocou logo três balinhas na boca e ofereceu para as duas.

“Querem um pouco?”

“…Não, obrigada!”

“Muito bem…, então posso supor que sabem o básico sobre o STL, não?”

Asuna sacudiu a cabeça em afirmação.

“É uma máquina que lê a alma humana… Fluctlight e cria um mundo virtual que é praticamente idêntico ao mundo real.”

“Hummm… Então, qual é o objetivo desse plano?”

“O desenvolvimento de uma bottom-up… uma Inteligência Artificial altamente adaptável.”

Higa assobiou mostrando uma expressão de admiração ao mesmo tempo que sacudia a cabeça de incredulidade.

“Incrível, Kirito não deve ter entendido as coisas até esse ponto. Como conseguiram investigar tão profundamente?”

Asuna olhou para Higa como se tivesse o avaliando e disse em tom áspero:

“…Ouvi esse termo Inteligência Artificial Lábil de Kirito!”

“Hahaha, entendi, entendi. Parece que terá que dar uma conferida na segurança das informações lá em Roppongi, Kiku.”

Higa disse isso com uma expressão sorridente e Kikuoka apenas franziu a testa em resposta.

“Já estava preparado que uma certa quantidade de informação fosse vazada por ele. Considerei esse tipo de risco, porém sua contribuição era essencial. Você mesmo deveria ter compreendido isso… hum, onde estávamos mesmo? Ah! É verdade, na Inteligência Artificial altamente adaptável, não?”

Kikuoka deu uma pequena pausa para jogar mais alguns doces para cima e pegar com sua boca enquanto eles ainda estavam no ar. E então continuou em tom de conferência:

A bottom-up I.A. é uma construção replicada da nossa consciência humana que se pensou durante muito tempo ser apenas uma fantasia, uma quimera.

Mas mesmo que a chamemos de um construto de consciência, não temos ideia de que tipo de estrutura ela tem e nem como se formou…. Tudo que pudemos fazer foi utilizar os dados proporcionados por Koujiro e o altamente interpretativo e imaginativo Soul Translator que Higa inventou, de maneira que finalmente tivemos êxito em capturar uma alma humana, que é o campo quântico que denominamos Fluctlight, com sucesso.

E agora que temos como desenvolver uma bottom-up real, vocês conseguem imaginar qual é o caminho natural a seguir? O próximo passo?

“Se já podem ler uma alma humana, então o próximo passo seria cloná-la… certo?”

Rinko sentia um calafrio ao continuar o raciocínio.

“É claro que resta a questão de uma forma de armazenar essa cópia da alma. Achar ou criar um meio que a comporte.”

“Humm, pois então… Nesse caso, todos os elementos que foram utilizados no passado para os sistemas quânticos se mostraram completamente inúteis…

Porém, vejam isso! Finalmente criamos ‘A Porta de cristalização de partículas quânticas’. Fruto de pesadíssimos investimentos e comumente conhecida por aqui como: Lightcube. Esse pequeno objeto de apenas cinco centímetros está cheio de praseodymium, capaz de armazenar centenas de milhares de qubits. Em outras palavras… conseguimos clonar e armazenar a alma humana com total sucesso.”

Rinko levou suas mãos para dentro dos bolsos de sua calça jeans para tentar afastar o frio que tomava conta de seus dedos. Asuna que estava de pé ao seu lado, estava pálida.

“… Então, se a pesquisa foi bem sucedida, qual foi a necessidade de nos convocar até aqui?”

Nesse momento a professora Rinko exerceu na voz toda a autoridade que tinha. Kikuoka trocou olhares com Higa outra vez e depois mostrou um sorrisinho de canto de boca, assentindo levemente com a cabeça.

“…Bom, tivemos êxito sim em nossa clonagem da alma, mas não nos demos conta de nossa própria ignorância. Há uma grande lacuna de incompreensão entre clonar um humano e uma Inteligência Artificial verdadeira… Higa, mostre aquilo para elas…!”

“Beeemm…, espero que me desculpem por isso… Preparem-se! Pois isso vai ser um tanto complicado…”

Higa sacudiu a cabeça um pouco contrariado e então suspirou e começou a operar o console na sua frente com ar entediado.

De repente a janela que mostrava aquele país estrangeiro ficou escura, aparecendo os dizeres:

‘CARREGANDO CÓPIA MÓDULO HG 001’

Ouviu-se o som da tecla Enter que Higa pressionou fazendo um pequeno drama. Então surgiu brilhando exatamente no meio da tela uma luz fractal. Seu centro era praticamente branco e em sua borda de coloração avermelhada. Ela ficou ali, piscando irregularmente.

“…A amostra está visível e completa?

Uma inesperada voz ecoou dos alto-falantes da sala, pegando tanto Asuna quanto a professora Rinko desprevenida. A voz era do próprio Higa, mas havia um tom melancólico nela, meio metálica.

Higa, que estava sentado na cadeira, pegou o microfone do console e respondeu para a voz que era idêntica à sua.

“Ah… sim, a amostra está perfeita e completa, sem problemas.”

“Certo, entendi. Mas… me diga, o que está acontecendo? Porque está tudo escuro aqui? Não consigo sequer mover meu corpo. Creio que o STL não esteja funcionando bem. Deixe-me sair da máquina.”

“Não… infelizmente não posso fazer isso.”

“Ei! Ei! Mas que diabos está dizendo? Como assim? Quem é você afinal? Sua voz é estranha.”

Higa começou transpirar frio, ficou quieto por um instante mas logo respondeu bem lentamente.

“Bem…, sou Higa, Higa Takeru…”

A luz roxa crepitou mais intensamente e depois voltou à forma tremeluzente de novo. Após um momento de silêncio, as centelhas luminosas expandiram por todos os lados.

“O quê? Deixe de dizer bobagens seu maldito! Eu sou Higa! E me tire logo do STL, estou mandando!”

“Acalme-se, não se irrite. Esse não é o seu normal.”

Nessa hora, Rinko finalmente entendeu o significado daquela cena. Higa estava falando com o clone de sua própria alma.

“Então, pense a respeito com calma e trate de lembrar. A sua memória provavelmente vai até o momento em que você entrou no STL para extrair o clone artificial do Fluctlight, não?”

“…O quê? Mas é claro, pois eu fiquei inconsciente durante a passagem do scanner.”

“E lembra do que disse antes de entrar no STL? Se não sentir seu corpo quando acordar e se estiver em total escuridão, isso significa que você é um clone.”

A luz tremulou e diminuiu um pouco, parecia até o balé de alguma criatura marinha. O silêncio continuou ainda por algum tempo, até que a luz voltou a ficar com a aparência serrilhada novamente.

“…Mas isso… é impossível! Não pode ter acontecido tal coisa. Eu não posso ser um clone, sou o verdadeiro Higa Takeru… eu… eu… tenho minhas próprias recordações. Lembro de tudo desde o jardim de infância, a universidade e tudo mais até o momento em que vim para o Ocean Turtle…

“Isso é verdade e muito compreensivo. Já que clonamos as memórias completamente para o Fluctlight Artificial… então, como esperado, mesmo sendo um clone, você é idêntico ao Higa Takeru. E por essa mesma razão, deve ter um intelecto superior suficiente para analisar a atual situação. Se acalme e reveja tudo que sabe, vamos trabalhar juntos para alcançar nossos objetivos.”

“… Nossos… ?”

Havia um tom muito emocional na voz metálica do clone. Rinko mal conseguia acreditar no que estava presenciando, suas mãos tremiam. Nunca tinha visto um ‘experimento’ tão cruel e grotesco antes.

“…Não…não, não pode ser. Sou o verdadeiro. Que tipo de experimento é esse? Chega de brincadeira! Apenas me tire daqui. Kiku… sei que está aí. Me tire logo desse lugar!”

Ao ouvir isso, Kikuoka fez uma expressão melancólica e foi até o microfone.

“…Aqui estou, Higa. Não… creio que deveria lhe chamar de HG 001.

Infelizmente, a realidade é essa, você é realmente um clone. Você tem as mesmas instruções que o verdadeiro, então deveria lembrar das conversas comigo e com os demais técnicos. Tendo dito isso, você já deveria estar mentalmente preparado para emergir como um clone. Entrou no STL ciente dessa possibilidade.”

“Mas… mas… não…NINGUÉM ME DISSE QUE IRIA SER ASSIM!!!”

A voz aguda do clone ecoou por toda a sala.

“EU… EU SOU EU!! SE FOSSE UM CLONE, SABERIA… A DIFERENÇA… ESSA COISA JÁ FOI LONGE DEMAIS… DEIXE-ME SAIR!! DEIXE-ME SAIR DAQUIIIII!!”

“Acalme-se!! Mantenha a calma! A função de correção de erros do lightcube não é tão grande quanto à do cérebro. Você deve saber dos perigos que é perder a calma sendo um Fluctlight.

“EU SOU PERFEITO!! SOU HIGA TAKERU!!! HIGA TAKERU, OUVIU?? QUER UMA PROVA? VAMOS LÁ IMPOSTOR!! COMECE A RECITAR OS ALGARISMOS DO PI!! ME ACOMPANHE!! 3.1415926535897932…”

A luz totalmente vermelha se expandiu ao máximo, explodindo em vários pontinhos de luz até desaparecer de dentro do monitor. Um pequeno som ecoou no microfone e depois ficou no mais completo silêncio.

Higa Takeru suspirou profundamente, apertou uma tecla no console e declarou:

“Colapso em 4 minutos e 27 segundos…”

Depois de escutar esse quase sussurro, Rinko soltou suas próprias mãos que estava até agora apertando uma contra a outra, suas palmas suadas e frias como gelo.

Asuna cobriu sua boca com a mão direita quando viu o derradeiro fim daquela luz. Kikuoka prevendo a reação dela, deu um pequeno chute na cadeira de rodinhas que estava ao seu lado e a empurrou para perto de Asuna que a puxou e se sentou.

“Você está bem?”

Ao ouvir isso, a garota levantou a cabeça e assentiu com firmeza.

“Eh… sim, estou bem.”

“Não se esforce demais, feche os olhos por um tempo e tente relaxar.”

Rinko colocou suas mãos sobre os ombros de Asuna e conferiu que ela já havia se acalmado. Então virou o rosto para Kikuoka e disse:

“Isso foi sádico demais, até para o seu nível, Kikuoka.”

“Sinto muito, mas suponho que agora conseguem entender que não podia explicar isso sem que vocês vissem antes.”

Ele continuou falando:

“Este Higa é um gênio com um QI de quase cento e quarenta. Fizemos um clone seu, porém sua cópia não conseguiu tomar ciência de que era um clone. Com essa, já passamos de dez Fluctlight artificiais, incluindo uma minha, mas os resultados foram sempre os mesmos. Em um tempo médio de três minutos, a lógica e todos os pensamentos começam a se descontrolarem e descarrilarem como um trem.”

“Normalmente não os chamamos pelo pronome da primeira pessoa ‘eu’. Creio que me compreenderá à partir desse ponto, Rinko.”

Higa Takeru fez uma expressão relutante porém séria e continuou:

“A compreensão das capacidades e estado mental de um clone não apresenta um verdadeiro problema, mas sim os defeitos estruturais por usar um lightcube para clonar completamente um Fluctlight artificial. Acho que você conhece o termo ‘Ressonância cerebral’, não conhece, Koujiro?”

“Humm, me lembro que tem algo a ver com técnicas de clonagem, mas não sei detalhes…”

“Bem, é uma teoria fantástica, porém, completamente bizarra. Se pudermos criar um clone completamente idêntico ao original, os campos magnéticos criados pelos cérebros de ambos irão gerar uma ressonância que se amplificarão semelhante à uma microfonia e os dois irão se desestabilizar. Não consigo acreditar tão facilmente nisso, mas se nossa consciência humana não pode suportar o fato de que não somos existências únicas, essa possibilidade torna-se viável…

Ora vamos! Não fique tão nervosa. Não acha que isso é possível? Quer tentar provar, Rinko?”

“Definitivamente não!”

Rinko se sentiu intimidada quando se negou de imediato. Asuna, que estava sentada na cadeira com os olhos fechados, sussurrou quando os trio ficou calado:

“…Suponho que Kikuoka já a viu muitas vezes em ALO. O tipo top-down I.A. Yui, a qual tem uma construção totalmente diferente da consciência humana, disse que tem medo de ser clonada. Se algum acidente causasse a ativação de sua cópia de segurança, era provável que as duas iriam lutar entre si para se destruir…”

“Sério? Isso é bastante interessante. Muito interessante.”

Higa imediatamente ajustou seus óculos e se inclinou para frente.

Kiku foi o único que a viu? E nunca me disse nada. Por favor permita que a conheça em uma outra oportunidade.

Sim, entendi… como era de se esperar, é impossível clonar um intelecto totalmente desenvolvido… melhor dizendo, a única possibilidade é se a inteligência ainda não estiver desenvolvida.

“Mas isso é…”

Rinko pensou por um momento, abriu os braços e confrontou Kikuoka, dizendo:

“Deixando isso de lado por um momento, a clonagem de alma é realmente um feito incrível, mas pelo que pude perceber, a pesquisa não foi um sucesso, não é? Não sei a quantia que foi investida para esse projeto, mas provavelmente gastou uma boa parte dos fundos do país. E mesmo com tudo isso, só conseguiu produzir esse tipo de resultado?”

“Não, não, não.”

Kikuoka sorria amargamente enquanto negava com a cabeça.

“Se esse fosse o resultado final, minha cabeça já teria voado há muito tempo. E não somente a minha… mas de vários funcionários gordos do Departamento de Supervisão Integrada também, todos estaríamos mortos.”

Jogou mais um monte de balas na boca outra vez, pegando uma segunda caixa de pequenos doces de leite da outra manga enquanto continuava falando.

“De fato, se pode dizer que esse é só o início do projeto. É impossível clonar uma alma já desenvolvida, isso foi a conclusão a qual chegamos… O que acha que deveria ser feito, professora?”

Nesse instante ela levou sua mão para frente…

“…Pode me dar um desses?”

Ela pegou um doce de leite que Kikuoka ficou encantado em dar e colocou na sua boca. O sabor agridoce se espalhou pela sua língua. Não gostava dos doces americanos, mas o açúcar neles contido, fazia seu intelecto disparar, afiando seus pensamentos.

“…Que tal limitar suas recordações? Por exemplo… eliminar informações pessoais, como nomes e essas coisas. Se não sabem que são, não se pode criar a histeria dramática que aconteceu a pouco…”

“Como era de se esperar de você, para poder pensar em algo assim tão depressa.”

Higa utilizou seu velho tom dos tempos de universidade.

“Passamos praticamente uma semana tentando um monte de ideias até chegar à esse ponto. Na sequência, colocamos em prática, mas… os Fluctlight artificiais não são tão fáceis de manipular como arquivos de um sistema operacional. Em poucas palavras, a memória e as habilidade se comunicam entre si. Se pensarmos bem, é algo bem óbvio que nossas habilidades não sejam inerentes em nós no começo e sim que praticamente todas elas são aprendidas…”

Pegou um bloco de notas sobre a mesa e utilizou seus dedos para suspendê-lo….

“O aprendizado é também uma forma de memória. Uma vez que seja esquecida, a recordação de usar, por exemplo, uma tesoura para cortar os papeis desse bloco, será esquecida e o indivíduo não saberá como usá-la. Resumindo, eliminar as recordações que formam o processo de crescimento fará com que a capacidade relacionada desapareça. E o trágico final de um clone assim é ainda pior do que o de um clone desenvolvido. Quer ver?”

“Não… não há necessidade para isso.”

Rinko rapidamente sacudiu a cabeça para não o incentivar a fazer um novo teste.

“Então… as recordações e habilidades desapareceriam de qualquer forma não é? Que tal então fazê-lo aprender desde o início? …Não… mas isso fica inviável devido ao longo tempo que levaria…”

“Pois é, esse é o caso. Além do mais, aprender cálculos é mais difícil para nós os adultos que temos menos espaço para desenvolvimento cerebral. Venho tentando aprender coreano fazem alguns anos e o resultado é sofrível… Depois de tudo, o processo de aprendizagem é um desenvolvimento da rede neural como a de um ordenador quântico… em outras palavras, significa que a eficiência se reduzirá cada vez mais à medida que evoluímos para longe do estado de nosso nascimento. ”

“Então, as lembranças… não estão somente limitadas à quantidade de dados, como também aos pensamentos e a lógica? O STL pode fazer algo nesse nível…?”

“É só querer… Eu realmente acredito que não aja algo que não possa ser feito. Tudo é questão de querer. No nosso caso em especial, para entender tudo que precisamos, apenas necessitamos investir uma boa quantidade de tempo para realizarmos todas as análises possíveis nos Fluctlight artificiais, varrendo quibts por quibts individualmente, para saber exatamente qual a função de cada um, mesmo que tenham milhares de milhares deles… Creio que levaria alguns anos… décadas, ou sabe-se lá quanto tempo… Porém, há um método mais direto e simples que esse homem aí pensou. Uma ideia que nenhum de nós, pesquisadores, havia cogitado…”

Rinko piscou e deu uma olhada para Kikuoka, que estava apoiado no console e com uma expressão bastante tranquila, mas ainda impossível de ler sua intenção.

“…Um método mais simples…?”

Mesmo depois dela pensar muito, não conseguia descobrir qual era esse método. E justo quando estava prestes a desistir de procurar a resposta, Asuna se levantou da cadeira tão rápido e avançou tão longe que poderia até ter sido um salto.

“Não me diga que… vocês fizeram uma coisa tão abominável…”

Seu rosto estava um pouco pálido, mas seus olhos tinham recuperado o brilho de diamante. A beleza que superava uma japonesa normal, mostrava agora uma intensa raiva irradiando pelo seu olhar. E estava direcionando toda essa energia para o Oficial de Autodefesa.

“…Você… clonou a alma de recém nascidos para obter um Fluctlight perfeito??”

ATÉ SEMANA QUE VEM COM A CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO. NÃO PERCAM!!!

 

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Até!

Bônus:

Escutem essa trilha ao acompanhar a leitura 😉