Sword Art Online Alicization Running em Português – Underworld – Capítulo 2 – Parte 1

Arco: Alicization – Running

Capítulo 2 –

Sylvain, Alfheim – Parte 1

Sword Art Online - Alicization Running - Volume 10
Sword Art Online – Alicization Running – Volume 10

A claridade da grande e prateada lua cheia se dividia em quatro ao passar pelos quadrados da janela.

Em um lugar bem ao sul de Alfheim, a terra dos Sylphs, as ruas da capital da cidade Sylvain estava envolta em um espesso véu de escuridão.

A maioria das lojas estavam com suas portas fechadas e somente alguns poucos jogadores ainda sem moviam por ali. Isso porque já passava um pouco das quatro horas da madrugada, onde uma quantidade bem reduzida de pessoas conectavam.

Asuna tirou seus olhos da janela e se virou para a mesa, onde pegou sua fumegante xícara. Levou-a até seus lábios e sentiu o calor ilusório daquele líquido tocar sua língua. Se sentia cansada e confusa, pois praticamente não havia dormido nos últimos três dias.

Fechou seus olhos enquanto passava a mão no rosto. A outra menina Sylph vendo isso, perguntou preocupada:

“Você está bem, Asuna? Não tem dormido nada.”

“Sim, estou bem. E você também, Lyfa. Deve de estar cansada por ficar correndo para todos os lados, não é?”

“Meu corpo real está descansando na cama, então não há problemas.”

Apesar que elas haviam dito que estavam bem, se deram conta de que soaram totalmente ao contrário e deram pequenos sorrisos irônicos.

Esse local era Alfheim Online, o lugar onde a jogadora Lyfa, o avatar de Kirigaya Suguha, morava. As paredes que as rodeavam brilhavam bastante enquanto trocava eventualmente de cores, criando uma atmosfera bem surreal.

Tinha no centro uma mesa branca perolada, com um jogo de cadeiras as quais três delas estavam ocupadas.

Ao escutar a conversa das duas, a garota com cabelo azul e orelhas triangulares bateu com as mãos no tablado da mesa e abriu a boca.

“Se vocês se forçarem mais do que podem, não serão capazes de trabalhar devidamente quando for necessário. Mesmo se não conseguirem dormir, só o fato de deitar e fechar os olhos já vai ajudar.”

A dona da voz era Asada Shino, com o avatar da raça Cait Sith, o qual já usava desde o meio do ano passado. O nome do personagem era o mesmo de Gun Gale Online, Sinon.

Ao ouvi-la, Asuna acabou concordando.

“Está certo…Depois que terminar essa reunião, se você me permitir, usarei aquela cama. E para falar a verdade, seria bom se os feitiços de dormir afetassem os jogadores também.”

“Acho que você conseguirá dormir bem ali sim. Se até mesmo meu irmão consegue dormir numa cadeira…”

Asuna e Sinon sorriram um pouco. Porém, todas estavam demonstrando sinais de extremo cansaço.

Lyfa colocou a xícara que estava segurando de volta na mesa, respirou fundo e falou:

“Então… vamos começar com as informações que conseguimos reunir até aqui.

Resumindo, não conseguimos encontrar nenhuma evidência concreta de que meu irmão tenha sido levado até o Centro de Estudos Médicos e Hospital da Defesa Nacional de Tokorozawa. Os dados revelam que ele foi definitivamente transferido ao departamento de neurocirurgia no piso 23, mas eles negaram todo o acesso às salas e sequer permitem que se chegue no andar. Também temos rastros da suposta ambulância chegando no local. Ao menos temos essa certeza, pois Yui hackeou e pegou todas as gravações das câmeras de vigilância.”

“Em outras palavras…, há uma grande probabilidade de que Kirito não esteja nesse hospital… é isso? ”

Lyfa concordou com o que Sinon disse.

“É realmente difícil de acreditar… mas estou surpresa de que nem seus familiares puderam vê-lo. É muito estranho, não importa como se veja isso…”

O resto das palavras não eram necessárias e simplesmente foram substituídas com o balançar de cabeças coletivo. Nesse momento o local ficou em total silêncio.

O irmão de Lyfa, Kirigaya Kazuto ou Kirito, foi atacado por um fugitivo do incidente do Death Gun, Kanemoto Atsushi, vulgo Johnny Black, fazem dois dias, em 29 de junho.

Kanemoto injetou em Kazuto uma perigosíssima droga, succinylcholine, ao atacá-lo em uma das ruas de Setagaya, perto da casa de Asuna, na área Miyasaki.

Estando sob os efeitos paralisantes da droga, entrou rapidamente em parada cardíaca. E mesmo depois da reanimação cardiopulmonar, a perda de oxigênio fez com que seu coração parasse pouco depois. Foi dado como morto ao chegar no Hospital Geral de Setagaya.

Talvez tenha sido graças à experiência dos médicos naquela sala de emergência ou pela própria força de vontade de Kazuto ou até mesmo por pura sorte, mas pouco depois de dar entrada ao pronto atendimento, seu coração voltou a bater e sua respiração foi se estabilizando. Há quem diga que possa ter sido pela rápida administração de remédios para combater os efeitos da succinylcholine, mas o fato é que Kazuto conseguiu escapar milagrosamente das garras da morte.

Enquanto Asuna escutava isso do doutor, quando este saiu da sala de emergências, pode relaxar um pouco da tensão que estava, mas só para depois ficar completamente sem palavras, quando o ele continuou a falar.

Ele lhe disse que o coração de Kazuto ficou parado por cinco minutos e que por isso, era muito provável, que tivesse ocorrido algum dano cerebral permanente. Havia a probabilidade de que tivesse dano em atividades mentais ou em funções motoras, talvez ambos, ficando em estado vegetativo ou no pior dos casos, que nunca mais despertasse.

O doutor informou que deveria ser feito um exame de imagem de ressonância magnética para determinar a gravidade real da situação, só que para isso o paciente necessitava de transferência de hospital para um melhor capacitado.

Asuna lutou contra o desespero e ansiedade ao contatar a irmã mais nova de Kazuto, Suguha, para conseguir explicar a situação. Porém ao vê-la chegando no hospital, não conseguiu mais se segurar e desabou a chorar.

Nessa noite, a mãe de Kazuto, Kirigaya Midori chegou correndo de seu trabalho em Lindabashi e passou a madrugada toda em frente a UTI, para esperar alguma informação.

No dia seguinte, 30 de junho, Asuna e Suguha foram convencidas a voltarem para casa pelo supervisor do caso, dizendo que Kazuto já estava fora de perigo de morte. As duas então foram para a residência de Asuna, que era a mais próxima do hospital, enquanto Midori voltou para Kawagoe para preparar os papeis do plano médico.

Depois que as duas tomaram banho, avisaram as escolas para informar suas ausências. Depois das explicações, finalmente foram se deitar um pouco.

Mais ou menos uma hora depois, Asuna recebeu uma ligação de Midori.

Ela disse que Kazuto lamentavelmente ainda não tinha recobrado a consciência e que devido à isso, ele iria ser novamente transferido, mas dessa vez iria para o Centro de Estudos Médicos e Hospital da Defesa Nacional que ficava mais próximo de sua casa e que tinha melhores instalações para poder ficar em observação.

Depois disso, chegou uma ambulância para levar Kazuto.

Midori disse que seguiria para lá de taxi assim que tivesse terminado a papelada dos procedimentos da transferência e Asuna avisou que também iria para esse novo hospital o mais rápido possível.

Nesse meio tempo, o inconsciente Kazuto foi levado do Hospital Geral de Setagaya por uma ambulância, por volta das 01:45 da tarde do dia 30. Yui descobriu isso ao rastrear através das câmeras de vigilância do hospital.

Os registros mostram que a ambulância chegou no Centro de Estudos Médicos e Hospital da Defesa Nacional de Tokorozawa em Saitama. Onde Kazuto foi imediatamente levado para o departamento de neurocirurgia no 23º andar para ficar sob tratamento intensivo e grande vigilância. Asuna e Suguha, ambas crendo que isso era o melhor, foram visita-lo durante dois dias seguidos, tanto a tarde quanto a noite, porém foram barradas todas as vezes e não puderam ver Kazuto, sequer a distância.

Asuna que analisava as palavras de Lyfa enquanto assentia levemente com a cabeça, comentou:

“É certo que Kirito foi enviado do Hospital de Setagaya em uma ambulância e que seu destino foi o Centro de Estudos Médicos e Hospital da Defesa Nacional. Há um registro de entrada para um ‘Kirigaya Kazuto’ … mas não há nenhum reporte da sua situação e tampouco algum registro nas câmeras de vigilância de seu paradeiro.

É possível que a ambulância que transportava Kirito tivesse ido para outro lugar ao invés daquele hospital… ou talvez tenha ocorrido alguma confusão nos registros de entrada e saída de pacientes, mas… o mais provável é que não tenha sido nenhum acidente…”

“Está dizendo então que há uma intensão deliberada de mentir, o que significa que tudo isso foi planejado por alguém…? Um sequestro?”

Mesmo que Sinon tivesse dito isso com uma voz calma, suas triangulares orelhas se crisparam imediatamente.

“Mas nessa situação, a ambulância em questão era apenas um disfarce, não? Fora os paramédicos ali, o veículo era totalmente falso, correto?

Não consigo acreditar que o ataque do Kanemoto ao meu irmão em Setagaya tenha sido previsto e que também soubessem de sua internação prévia naquele hospital. Além do mais, tinham apenas se passado umas 18 horas.”

“É fisicamente impossível que tivessem tempo de preparar uma ambulância logo após saber o que aconteceu com Kirito.”

A dúvida de Asuna foi de encontro com que disse Sinon.

“Mas nesse caso, se há um sequestro de um paciente usando uma ambulância falsa, é possível que Kirito tenha virado um alvo por pura coincidência…

Mas para dizer a verdade, não acho que seja esse o caso.”

Lyfa balançou a cabeça e complementou de forma um pouco desesperada:

“E tem mais, quando um hospital transfere um paciente, se supõe que fazem uma chamada para solicitar uma ambulância na central de comando e controle de emergências, mas de acordo com a investigação de Yui, nenhuma chamada foi realizada e mesmo assim, apareceu essa ambulância.

Então, seria o mesmo para os paramédicos que estavam no interior do veículo, sem contar que toda essa história com o Centro de Estudos Médicos e Hospital da Defesa Nacional. E ainda tem o fato de que eles estavam chamando o meu irmão pelo nome. Lhes digo que não cometeram erro nenhum”

“…Isso significa que eles realmente estavam querendo o Kirito desde o início e tudo era só um plano para sequestrá-lo.”

“Se, o culpado por isso recebeu logo a notícia do ataque, uma vez que identificou o hospital o qual ele deu entrada, imediatamente já enviou a ambulância para pegá-lo.”

Ambas concordaram, porém um pouco vacilante com o que Asuna dizia.

A razão pela qual estavam hesitantes em acreditar é porque era muito apavorante concluir que isso tudo fosse realmente um plano, uma conspiração. Asuna também tinha uma parcela de dúvidas a respeito.

Se fosse verdade, teriam que supor que o inimigo que agora estava com Kazuto em seu poder, tinha uma influência tremenda, a ponto de controlar informações e mobilizar todo um efetivo do serviço de ambulâncias.

Para serem honestas, esse tipo de pensamento talvez fosse, em parte, exagerado.

Podia ser que realmente Kazuto estivesse sendo tratado no Centro de Estudos Médicos e Hospital da Defesa Nacional e que as câmeras não pudessem ser acessadas de fora por serem altamente tecnológicas e protegidas ou até mesmo falhando em gravar registros… Considerar algo além disso seria loucura. De fato, a mãe de Kazuto e Suguha, senhora Midori, não duvidou em nada sobre as explicações que deram para ela no outro hospital.

O sequestro e manipulação de informações podia ser somente imaginação de três garotas que estão preocupadas com o rapaz de quem gostavam.

E que essa pessoa, o culpado por tudo, não existia na vida real e que o tratamento de Kazuto seria um sucesso e elas seriam informadas no momento em que ele recobrasse a consciência…

Porém, o sexto sentido de Asuna, uma pequena parte no seu interior lutava contra essa ideia, dizendo que algo estava muito errado. Provavelmente o mesmo estava acontecendo com sua irmã, Lyfa e sua grande amiga, Sinon, que a pouco tempo também havia estado quase cruzando a linha entre a vida e a morte junto com ele.

Elas não estavam assumindo que o terceiro ataque do Death Gun com aquela toxina era parte de um plano maior. Porém, a pessoa por trás do sequestro de Kazuto se aproveitou desse acontecimento e o levou.

“Seja uma pessoa ou uma organização, ele deve ser considerado o nosso ‘inimigo’, diante desse situação.”

Asuna disse isso com uma voz firme. Sinon piscou e então deu um pequeno sorriso.

“Antes de chegar aqui hoje, achei que as encontraria bem deprimidas e isso me preocupava bastante. Para Lyfa, por ser seu querido irmão e para Asuna por ser, bem, o seu noivo… sem contar na própria situação em que ele se encontra, desacordado e desaparecido…”

Falando nisso, não estou tão surpreendida agora como pensei que estaria depois de escutar tudo que foi dito aqui. Ao passo da noite em que ele desmaiou nos meus braços, onde não conseguia parar de chorar…

Asuna se sentiu incrivelmente incrédula por ter tido esse tipo de pensamento, enquanto olhava para Lyfa, que apertava suas mãos em frente ao seu peito e dizia:

“Bem… eu definitivamente estou preocupada. Porém, quando me dei conta de que meu irmão podia não estar no hospital, me senti estranhamente incomodada, mas de uma forma diferente. Pois creio que meu irmão certamente se meteu em outro incidente assustador… que não consigo sequer imaginar que tipo de ambiente caótico ele possa estar. É como daquela vez, no incidente em SAO e o mais recente, o Death Gun… Assim que dessa vez, eu definitivamente…”

“Sim, entendo.”

Não posso me comparar com sua irmã, que esteve vivendo a tanto tempo com ele.”

Asuna disse isso para si mesma enquanto concordava com a cabeça com o que Lyfa acabara de dizer.

“Sim, Kirito está certamente lutando como sempre esteve, em algum lugar. Assim, que temos que levar essa luta até um lugar para onde consigamos interferir e ajudar.”

“Com certeza!”

Disse Sinon enquanto olhava as duas diretamente nos olhos.

“Sinonon, você não parece tão triste também.”

“Eh… Bem, isso porque, acredito firmemente que eu sou a única que pode vencê-lo….”

Depois de trocar olhares com Sinon, que parecia não querer transparecer preocupação, Asuna volto ao tema inicial da conversa.

“De qualquer forma… somente pelo fato de ter manejado o efetivo das ambulâncias, já demonstra que o inimigo é poderoso.”

“E se contássemos tudo para a polícia? Se tivermos com a polícia junto, o hospital será obrigado a dar algumas informações, não é?”

A ideia de Sinon tinha sentido, porém Asuna negou com a cabeça.

“No servidor de dados do Centro de Estudos Médicos e Hospital da Defesa, do tempo em que a dita ambulância chegou com Kirito até o momento em que foi internado na ala de neurocirurgia, está tudo gravado. Os registros mostram que Kirito, a princípio, esteve no hospital. Com base nisso, nossas suposições de que o teriam sequestrado seriam facilmente invalidadas. E qualquer outra alegação de que não havia mais nenhum registro de sua presença lá, teríamos que dizer como ficamos sabendo disso… e não podemos falar que foi a…”

“Yui, quem hackeou.”

Sinon completou a frase e fez uma pequena careta enquanto ficou murmurando mais algumas coisas. Não queria dar esse assunto por encerrado.

“Ah… mas e se tentássemos pelas câmeras de fora do prédio? Uma que desse visada para o quarto ou andar onde está Kirito?”

“Mas a segurança externa é ainda melhor do que a interna. Uma barreira que nem Yui conseguiu atravessar.”

Lyfa se agitou nesse momento.

Antes, ela tinha saído para fazer várias investigações, tanto no Hospital Geral de Setagaya quanto no Centro de Estudos Médicos e Hospital da Defesa que ficavam bem distantes um do outro. Mesmo que tivesse ajuda da I.A. Yui, que a ajudava pelo seu telefone, qualquer progresso era bem difícil.

É claro que Asuna conseguiu ficar com ela até que a condição de Kirito estivesse estabilizada, mas já haviam se passados dois dias de faltas não justificadas nas aulas, então ela teve que retornar.

Deixou um cartão para Lyfa poder se deslocar se fosse preciso pegar táxi e, naturalmente, não conseguiu se concentrar em nada em sua classe na escola.

Para todos os efeitos, na escola, a razão pela ausência de Kazuto foi por culpa de uma grave enfermidade e o mesmo foi dito para os demais colegas. E até para seus amigos próximos, Lisbeth/Shinozaki Rika e Silica/Ayano Keiko nada sabiam sobre o ataque. E a culpa sentida por esconder a verdade delas lhe doía muito.

Porém, já havia discutido com Lyfa na manhã anterior, que antes de saber exatamente a real situação de Kazuto, ele estando ou não no Hospital da Defesa Nacional, elas manteriam sigilo sobre tudo, e falando somente entre as três.

A razão pela qual contaram para Sinon, foi porque ela havia se encontrado com Kazuto no Dicey Café um pouco antes do ataque e que a sua habitual calma e racionalização iria ajudar muito as duas. Asuna ficou observando por um tempo o rosto da franco-atiradora Sinon, uma expressão sempre séria que nunca mudou, desde o ALO e disse:

“Sinto que a melhor arma que temos aqui é que conhecemos Kirito melhor do que ninguém. Assim, é possível que consigamos ficar um passo à frente do inimigo. E para isso precisamos antes entender qual a razão do inimigo em querer raptá-lo?”

“Se tivesse sido por dinheiro, teriam sequestrado Asuna e mesmo se for, os sequestradores ainda não entraram em contato, certo?”

“Telefonema, e-mail, carta, nada havia chegado. Além do mais, esse sequestro foi muito ousado. Eles inclusive tiveram todo o trabalho de preparar uma ambulância falsa para tirar meu irmão do hospital e logo ele que não tem nada de importante.”

“Então… na verdade, não gostaria de considerar essa hipótese, mas será que não é por rancor? Sabe de alguém que possa odiar Kirito…?”

Dessa vez, quem sacudiu a cabeça foi Asuna.

“Ainda que aja pessoas entre os sobreviventes de SAO que odeiem Kirito por enviá-los para prisão e por terminar o jogo antes deles, o único com poder financeiro e habilidades suficiente para organizar tal ato seria…”

Asuna recordou do rosto de Sugou Nobuyuki, o ambicioso homem que capturou a mente dos jogadores de SAO para usá-los como cobaias em sua abominável pesquisa e que foi entregue à polícia por Kirito. Porém, essa pessoa estava trancada em uma cela da prisão e sua tentativa de tentativa de fuga pelo mar faz com que seu pedido de responder ao processo em liberdade sob pagamento de fiança fosse terminantemente negado pela justiça.

“Ainda assim, não consigo pensar em outra pessoa além dele, que fosse capaz de pôr em prática um plano desses…”

“Então, não é por dinheiro e nem por vingança, hein? Humm…”

Sinon baixou sua cabeça por um tempo, usou seus dedos para pegar as pontas de suas orelhas e disse com um pouco de incerteza.

“…Bom, é só um palpite sem base alguma mas… Se o motivo não é dinheiro e nem vingança, mas ainda assim ele foi sequestrado. Isso quer dizer que o inimigo o quer com vida. Para ser mais clara, eles querem o ‘Kirito’ em si, o que ele representa, do que ele é feito… Em termo de jogos, querem suas ‘especialidade’. Então? O que acham que poderia ser?”

“Seu manejo com a espada. “

Asuna respondeu imediatamente sem duvidar. Quando fechava seus olhos e imaginava Kirito, a primeira imagem que aparecia era ele em sua habitual roupa negra, brandindo suas duas espadas enquanto cortava o inimigo como um furacão.

Parecia que Lyfa tinha o mesmo pensamento, pois deve ter visto isso incontáveis vezes durante suas viagens em ALO, pois continuou dizendo:

“Velocidade de reação.”

“A habilidade para resistir ao sistema.”

“Avaliação da situação.”

“Habilidade de sobrevivência… suponho.”

 

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“Mas o Kirito do mundo real também tem muitas qualidades…”

 

Asuna e Lyfa mencionaram vários exemplos e só então se deram conta de algo o que as deixou caladas por um momento. Sinon parecia que também tinha entendido, pois concordou com a cabeça.

“Ei! Todas essas são situações ocorridas em VRMMO… em mundos virtuais, não são?”

Asuna ao ouvir Sinon dizer isso, deu um sorriso e tratou de dizer:

“Em todo o caso, o Kirito na vida real tem um montão de boas qualidades também…”

“É claro que tem, principalmente quando nos convida para comer. Mas de uma perspectiva fora da nossa, ele seria visto apenas como um garoto de cursinho preparatório bem comum, não acham? Em outras palavras, o motivo por essas irracionais ações é sem dúvida as suas incríveis habilidades que tem no mundo virtual, certo? ”

“Mas como isso seria possível…? Em outras palavras, mesmo que o queiram para terminar algum VRMMO…, meu irmão segue inconsciente. Nem sequer passou por um check-up geral para saber se está bem ou se precisa de algum tratamento. Eles não poderão fazer nada com ele nesse estado, não é?”

Lyfa apertava novamente suas mãos, em clara demonstração de preocupação por seu amado irmão Kirito. Os olhos azuis de Sinon se concentraram na superfície da mesa enquanto pensava por um momento, então franziu-os um pouco antes de contestar…

“É outro palpite… mas e se te disser que ao invés de uma máquina se conectar no cérebro ela se conecte diretamente na alma…? O fato do usuário estar consciente ficaria irrelevante…”

“Ah…!”

Porque não pensei nisso antes?

Asuna estava em choque enquanto se dava conta disso.

“Bom, se considerarmos dessa forma, é possível conseguir algumas pistas em breve, pois só existe uma única organização em todo o mundo que tem uma máquina capaz de se conectar na alma e é a mesma para qual Kirito bancou o ratinho de laboratório até alguns dias atrás e que pretendia sair.”

Asuna concordou com as palavras de Sinon e complementou:

“…Então a organização responsável pelo sequestro de Kirito é o RATH, quem desenvolveu o Soul Translator…!? E parando para pensar só um pouco, é perfeitamente plausível que uma empresa que tem recursos para criar uma máquina dessas possa facilmente mobilizar os serviços de ambulância…”

“RATH? Esse é o nome da companhia que meu irmão vem trabalhando nos últimos dias?”

Ao escutar as palavras de Lyfa, Asuna não conseguiu evitar de ficar tensa.

“Lyfa, você sabe algo sobre o RATH?”

“Ah! Não, não sei nenhum grande detalhe, apenas que ela fica em Roppongi.”

“Agora que disse isso, creio ter realmente escutado que eles ficam lá. Mas ainda que saibamos que está em Roppongi e não ser uma área muito grande para procurar… o centro de pesquisas do RATH deve de estar em propriedade privada e mesmo que Kirito esteja ali… não temos como provar, logo, não temos também como avisar a polícia, não é?”

Asuna olhava como Sinon mordia seu lábio e como Lyfa ficava perdida com seu olhar.

“…Bom, me ocorreu uma coisa antes e falaria mais tarde quando tivesse certeza, mas direi agora. De fato, ainda existe uma pequena possibilidade de contato que talvez ainda esteja unida com Kirito…”

“…Qual é, Asuna?”

“Eu havia falado antes, lembra, Sinon? O implante de Kirito.”

Asuna usou a ponta de seu dedo para apontar o peito.

“Ah!! Sim, entendi… o sensor de vitalidade, não é? E que as informações são enviadas de tempos em tempos para seu terminal…”

“Mesmo que o sinal tenha sido interrompido, podemos talvez rastrear o paradeiro da ambulância enquanto ela ainda estava transportando Kirito. E com sorte, achar o local onde ele está. Isso foi o que pensei, então pedi para que o analisasse.”

“…Quem?”

Asuna olhou para o céu e disse um nome.

“Yui, conseguiu alguma coisa?”

Imediatamente, muitas partículas de luz apareceram na superfície da mesa e formaram uma pequena figura humanoide.

Quando a luminosidade se foi, apareceu uma garotinha de mais ou menos dez centímetros de altura. Tinha o cabelo longo, negro, um vestido branco e quatro asinhas multicoloridas que ficavam batendo eventualmente. A garota, uma pixie, abriu os olhos e os moveu primeiramente para Asuna e depois para Lyfa e Sinon. Depois flutuou até a frente de Sinon e a cumprimentou, fazendo uma pequena reverência.

“Quanto tempo não nos vemos, Sinon.”

Sinon, enquanto era chamada pela doce voz mostrou um grande sorriso e respondeu:

“Boa noite, Yui…, não, acho que deveria dizer bom dia, né?”

“Agora são 04:32. Como hoje amanheceu às 04:20, creio que pode-se dizer que já é de manhã. Então, bom dia, Lyfa e mamãe.”

Yui, a I.A. assistente dos jogadores originária do antigo SAO, girou 60 graus enquanto saudava a todas e voltou a ficar em frente de Asuna.

“O sinal de rastreamento enviado do terminal da mamãe até o implante no papai estará terminado em instantes, sendo que está 98% completo.”

“Entendi. Se esse sinal vier dos arredores de Roppongi, as bases de nossas suposições serão reforçadas… correto?”

Asuna concordou com Sinon. Enquanto Lyfa ficou observando Yui esperando alguma resposta.

“Está pronto! Reportarei a análise dos dados agora. Embora as defesas das estações de comunicação não sejam tão boas quanto ao do Centro de Estudos Médicos e Hospital da Defesa, foi bastante complicado seguir o sinal, só consegui através de triangulações e somente identifiquei três locações.”

Depois de dizer isso, Yui rapidamente agitou sua mão direita e na superfície da mesa apareceu um holograma mostrando um mapa detalhado de Tóquio. As asas de Yui deixaram de bater quando ela aterrissou e avançou até um determinado ponto do mapa. E quando indicou um determinado local, um ponto vermelho surgiu.

“Esse é o Hospital Geral de Setagaya onde o papai foi enviado no começo. Assim que esse foi o primeiro lugar de onde o sinal foi enviado.”

Ela deu mais uns passos, apontou para o mapa e outro ponto de luz apareceu.

“Nessa local, em Meguro Aobadai, Sanchome, o sinal foi mandado em 29 de junho de 2026 às 20:50 hs. Podemos supor qual foi o caminho tomado. ”

Dos pontos de luzes vermelhas apareceu um tracejado de luz branca. Yui se moveu mais alguns passos à sudoeste novamente e um terceiro ponto luminoso apareceu indicando uma locação. O rastro de luz se estivou um pouco mais.

“O local de onde partiu o segundo sinal foi em Shirokanedai, Minato-ku Ichome por volta das 21:10hs do mesmo dia. ”

Está se afastando do centro de Roppongi, indo muito para o sul de Setagaya?

Asuna começou a ficar mais apreensiva conforme via a progressão do sinal de rastreio e escutava as explicações de Yui.

“E então… o terceiro lugar de onde consegui o sinal foi esse aqui.”

As expectativas do trio foram severamente frustradas. Yui apontava para uma construção no extremo leste de Roppongi.

“Localidade: Shinkiba, Koutou, Yanchome, a hora foi 21:50 ainda do dia 29 de junho de 2026. E já fazem mais de 30 horas desde a última vez em que o sinal do papai foi emitido.”

“Shinkiba…?”

Asuna não se deu por vencida e começou a pensar o máximo que podia sobre o que sabia daquele local. Ouviu que ali tinham desenvolvidos vários prédios com alta tecnologia, que chamavam de construções inteligentes. Esse poderia ser o lugar perfeito para que o RATH se instalasse.

“Yui…, que tipo de instalações tem ali?”

Ela lhe perguntou enquanto sentia como se seu coração fosse saltar pelo peito, porém, a resposta que recebeu a pegou um pouco desprevenida.

“A instalação localizada ali se chama: ‘Heliporto de Tóquio.’”

“O quê!?… Tem serviço de transporte por helicópteros ali?”

Sinon murmurou isso com uma expressão surpresa e Lyfa ficou nitidamente atônita com essa nova informação.

“…Um helicóptero…!? Isso quer dizer que levaram meu irmão para muito longe de nós… é isso??”

“Mas… espere…!”

Asuna seguiu tentando não se deixar abalar e falou:

“Yui, o sinal foi completamente cortado após sair de Shinkiba, isso procede?”

“Sim, mamãe…”

Nesse momento, pela primeira vez, o lindo rosto da pixie Yui, demonstrava uma expressão dolorosa e melancólica.

“Não existe mais nenhum sinal do dispositivo do papai conectado em nenhuma outra estação de comunicação do Japão…”

“Nesse caso… depois que ele foi levado de helicóptero de Shinkiba, aterrissou em algum lugar longe, nas montanhas, onde o sinal de qualquer aparelho ou estação não alcança… ou talvez em um local ermo como um deserto… não é? ”

Sinon negou as palavras de Lyfa.

“Mesmo se ele aterrissou, deveria ter alguma instalação como destino. Creio que eles o levaram para algum lugar que tenha muita interferência.”

Nessa altura, o silêncio foi quebrado pela voz chorosa de Asuna:

“E se ele não está no Japão? E sim no estrangeiro…?”

Para essa pergunta, não houve uma resposta imediata, apenas mais silêncio…

E o que rompeu novamente o silêncio foi a voz angelical e calma de Yui.

“Existe somente um helicóptero militar que pode voar de Tóquio até um outro país. Não estou segura da certeza dessa informação por falta de dados atualizados, mas sinto que o papai ainda se encontra em território japonês.”

“Sim! RATH está pesquisando algo que pode revolucionar a tecnologia virtual atual, não é? Uma empresa altamente qualificada e preparada dificilmente teria sua sede em outro país.”

Ao escutar essas palavras de Sinon, Asuna concordou imediatamente. O líder do conglomerado de manufatura de componentes eletrônicos nacional esteve em grandes apuros a pouco tempo atrás, quando sofreu espionagem industrial. Tanto que reforçaram absurdamente os protocolos de segurança após esse fato. Então se houvessem muitas instalações fora do país, as possibilidades de vazamento de informações seriam muito maiores do que dentro do próprio país de origem.

Lyfa que permaneceu concentrada nessas informações, baixou a cabeça e falou:

“Então… Definitivamente está no Japão, porém afastado de tudo, não é? Mas eu gostaria de saber… É realmente possível construir uma instalação de pesquisas secretas dentro do Japão atual?”

“E não é somente a construção de instalações secretas, mas também esconder tudo a que se refere a ela própria… Yui, você conseguiu achar algum rastro do RATH?”

No momento em que Asuna perguntou, Yui flutuou na altura dos olhos das três garotas e disse:

“Usei 12 motores de buscas, os mais avançados os quais tenho acesso e mais 3 secretos e não consegui encontrar nenhum resultado correlacionado. Nada com esse nome que fosse voltado para uma empresa, instalações técnicas, conceitos de VR. Tampouco fui capaz de encontrar informações relacionadas com a tecnologia ‘Soul Translator’, incluindo pedidos de patentes. Virtualmente essa empresa não existe.”

“Eles nem sequer usaram um pedido formal de patente para um invento tão revolucionário desses, que é capaz de ler a alma de uma pessoa e ainda gravá-la… talvez esse seja o mais bem guardado segredo ainda existente…”

Parece que não conseguiremos nenhuma brecha para achar esse tal RATH…

Asuna deu um longo suspiro enquanto pensava e Sinon inclinou sua cabeça tentando raciocinar.

“Por alguma razão… é como Yui disse, parece que essa empresa sequer existe. Se ao menos tivéssemos perguntado mais sobre ela à Kazuto naquela hora… Você se lembra de algo mais que possa nos ajudar…?”

“Humm…”

Ela se inclinou na mesa e tentou puxar tudo que lembrava de sua memória daquele último encontro.

O ataque de Kanemoto e a possibilidade de sequestro a havia afetado fortemente, tanto que a tranquila conversa no Dicey Café agora, parecia coberta por uma densa névoa, como se fosse um passado distante…

“Bem… lembro que falamos bastante sobre o Soul Translator e antes que nos déssemos conta, o tempo já havia passado. Depois disso…, creio que ele mencionou algo sobre como surgiu o nome de RATH…”

“Ah sim… Era de um monstro do conto Alice no País das maravilhas não é? Um híbrido de porco com uma tartaruga. Sei que é estranho dizer isso nesse momento, mas sempre achei que um porco não é nada parecido com uma tartaruga…”

“O autor, Lewis Carroll que o criou e ao que parece não deixou bem claro que tipo de animal era, definiram essa forma depois de muita análise da história…”

Asuna sentiu que algo estalou em sua mente e se surpreendeu ao conseguir identificar o que era.

“Alice? Por acaso Kirito não mencionou esse nome ao sair do bar?”

“Eh?”

Sinon e Lyfa, quem estavam quietas até agora ouvindo, arregalaram os olhos.

“Por acaso meu irmão tem algo a ver com Alice no País das Maravilhas?”

Não, não é isso… nas instalações de pesquisa do RATH, o nome Alice quer dizer outra coisa, eles o usam como abreviatura ou algo assim…. É até bem comum não é? Pega somente a primeira letra de cada termo relacionado e combina elas para formar outro significado…”

É o famoso acrônimo, não é? Os departamentos governamentais dos EUA utilizam isso constantemente para ficarem mais fáceis de ler.

Sinon interveio com esse dado curioso e Lyfa sacudiu a cabeça enquanto dizia:

“Em outra palavras… se combinarmos as 5 letras, teremos A, L, I, C, E…, certo?”

“Sim, é isso. Definitivamente Kirito mencionou isso…”

Ela se concentrou com todas as suas forças para ouvir a familiar voz de Kirito dizer:

“…Aateifisharu… reibiru… interijen… Não consigo lembrar o que significam o C e o E, mas creio que é isso que o A, L e I significam.”

Asuna ficou um pouco feliz em poder lembrar das palavras e da voz de Kirito para poder repeti-las tal como ele as fez. Porém as outras seguiram pensando e não prestaram atenção no seu quase sorriso.

“Aateifisharu… sei que é uma pronuncia em katakana, usado para língua estrangeira. Logo, essa palavra deve significar em inglês… ‘Artificial’. E interijen… ce, isso seria ‘Inteligência’ …

Agora resta Reibiru, como fica esse termo em inglês?”

Sinon fez a pergunta e Yui que ainda estava flutuando entre elas, imediatamente respondeu:

“Para a pronunciação, creio que o termo mais adequado seja, ‘Lábil’, ou seja, muito adaptável, no sentido de ser de fácil troca e readaptação.”

“Inteligência… Artificial”

Asuna então fez uma pergunta que veio à mente naquele instante.

“Entendi… Inteligência Artificial é o mesmo que I.A., algo relacionado com a sua existência, Yui. Mas para qual necessidade uma empresa iria querer desenvolver uma máquina que faz uma interface cerebral com uma I.A.?”

“Será que não estejam se referindo aos personagens dentro do espaço virtual? Como os NPC?”

Sinon levantou sua mão direita e apontou para a janela enquanto falava. Asuna ainda não entendia onde ela queria chegar, mas prosseguiu a explicação.

“Mas… se essa companhia, RATH, se originou de Alice no País das Maravilhas, então o termo Alice que RATH usa é uma palavra chave para algo relacionado à Inteligência Artificial… Não lhes parece que tem algo estranho aí? Creio que o verdadeiro objetivo da empresa não é desenvolver uma nova geração de interfaces VR e sim produzir novos tipos de I.A. em suas pesquisas.”

“Humm… mas será? Pois os NPC dentro dos jogos são bem limitados e comuns… Os discos com os programas de I.A. são vendidos em quase qualquer tipo de lojas. Será que são tão especiais ao ponto de haver a necessidade de criar uma empresa extremamente secreta e até sequestrar alguém?”

Para essa pergunta, Asuna não pode responder imediatamente. Cada vez mais que avançava nesse assunto, mais se sentia angustiada.

Será que estou tão errada assim?

Ela sabia que iria causar um mal estar em sua pequena filha, mas mesmo assim levantou sua cabeça e perguntou:

“Yui, poderia nos dizer o que é de fato uma Inteligência Artificial?”

Ao ouvir essa pergunta, Yui deu um sorriso triste enquanto pousava na mesa.

“Está mesmo certa de que quer me perguntar isso, mamãe? Responder isso seria como perguntar para vocês, ‘O que são os seres humanos’ …”

“Sim…, por favor, nos diga…”

“Tentar colocar de uma forma didática é praticamente impossível. Pois nesse mundo, nunca existiu uma verdadeira inteligência artificial…, seja no passado ou no presente…”

Yui se aproximou da borda da xícara de chá enquanto suas palavras ainda causavam surpresa nas três garotas.

“Hein!? E-Espere um pouco…Mas Yui, você não é uma I.A.? Como pode definir que ela não existe? Você está brincando, certo?”

Lyfa gaguejava enquanto falava, porém Yui apenas a observou e inclinou a cabeça, como um mestre que está escolhendo uma melhor maneira de passar um ensinamento para seu discípulo. Pouco a pouco, ela começou a explicar.

“Vamos começar pelo que chamamos de I.A. antes. No século passado, as pessoas que estavam desenvolvendo as I.A tinham um mesmo objetivo percorrido por dois caminhos. Um deles podemos chamar de ‘top-down’ e o outro tipo de ‘bottom-up’.”

Asuna aguçou os ouvidos, tentando entender o conteúdo daquela pura e inocente voz, que essa delicada menina usava.

“Primeiro, a respeito da I.A. top-down, é um gênero que se baseia puramente na arquitetura computacional existente para acumular experiência através de simples perguntas e respostas, para no final ter um quase verdadeiro intelecto através da aprendizagem. A maioria das I.A. são desse tipo, eu inclusa, assim que isso significa… que todo o ‘conhecimento’ que tenho agora, é similar ao seu, mamãe, mas de fato também é completamente diferente. Para simplificar, uma existência como a minha é simplesmente uma super coleção de dados em um sistema que só pode ‘Escutar uma pergunta A e responder com B’.”

Yui disse isso enquanto seus olhos pareciam demonstrar sinais de solidão.

Asuna pensou:

Será que estou imaginando coisas?

“Sim, mamãe. Quando você me perguntou o que era uma I.A, eu imediatamente lhe mostrei um sorriso triste ou alguma variação não é? Pois é exatamente a expressão que o papai faz e como reuni bastante experiência, aprendi que devo fazer isso quando perguntam coisas sobre mim. A base por si só não é muito diferente de uma aplicação instalada em seu telefone, mamãe. Por isso, uma I.A. do tipo top-down, no nível em que se encontra agora, não está nem próxima de ser uma verdadeira Inteligência Artificial. Assim, essa é a definição do que realmente é uma I.A. comum, espero que tenha compreendido, Lyfa.”

Depois de dizer isso, Yui olhou para longe, para a lua que ainda brilhava lá fora.

“…Agora explicarei o outro tipo de I.A., a bottom-up. Essa é muito similar ao seu cérebro, mamãe… que tem bilhões e bilhões de conexões neurais, todas interconectadas como um organismo biológico e seu objetivo é recriar através disso, dispositivos eletrônicos artificiais com a função de gerar uma consciência.”

Esse é um conceito extremamente ambicioso… quase um absurdo…

Asuna murmurou.

“… Isso não parece um completo absurdo, mamãe?”

“Hein!?”

Yui acabou concordando com o comentário de Asuna.

“Tudo que sei é que o desenvolvimento desse tipo bottom-up, foi descontinuado muito antes de sequer começarem a produzir algum protótipo. Se tivesse sido criado algo assim, a sua consciência seria completamente diferente da minha, seria uma existência ao mesmo nível de um ser humano, como você mamãe…”

Yui olhou novamente para longe, suspirou e então concluiu:

“Como disse a pouco, existem dois fundamentos para o termo Inteligência Artificial, ou I.A. Um deles me define, em parte NPC com um programa analítico e em parte uma consciência gerada por aprendizado, resumindo, uma pseudo I.A. E o outro tipo, que pode desenvolver coisas, ter opiniões próprias, ponderar, criar e adaptar-se sem nunca deixar de aprender, em outras palavras, uma verdadeira Inteligência Artificial.”

“Capacidade de se adaptar…”

Murmurou Asuna.

“Uma Inteligência Artificial altamente adaptável.”

Olhou para as duas amigas e depois para Yui, formulando uma conclusão em sua mente e então lentamente a colocou em palavras.

“E… se o RATH desenvolveu o STL não como objetivo final e sim como um meio…? Lembro que essa era uma das dúvidas que Kirito tinha quando conversou conosco. RATH queria algo com o STL, como por exemplo… através da análise da alma humana, conseguir produzir a primeira I.A. verdadeira do tipo bottom-up

Então, o código para essa I.A. talvez seja Alice… não acham?”

Ao escutar o que Asuna disse, Lyfa sussurrou enquanto Sinon ainda estava absorta em pensamentos.

“Em outra palavras, você quer dizer que o RATH não é uma empresa que está desenvolvendo a próxima tecnologia para ambientes VR… e sim Inteligências Artificias reais? É isso?”

Enquanto debatiam sobre o ‘inimigo’, foram tomando ciência da gravidade da situação cada vez mais. De maneira que conforme as coisas iam avançando, mais informações elas tinham que absorver, mas com tudo que já haviam discutido até agora, puderam ao menos racionalizar melhor. Até mesmo Yui parecia ter alguma dificuldade em gerenciar todo esse conteúdo, pois em várias ocasiões, acabava somente franzindo a testa.

Asuna esticou sua mão até a xícara, requentou o seu conteúdo através de um menu pop-up que ela abriu e bebeu um longo gole…

Após suspirar, deu sua opinião a respeito do poder do inimigo.

“Se o RATH é o ‘inimigo’, não conseguiremos lidar com ele como se fosse uma empresa comum. Considerando os métodos que usaram para efetuar esse sequestro, mobilizando falsas ambulâncias e por fim pegando um helicóptero para uma rápida fuga.

Sem contar a monstruosa máquina STL nesse centro de pesquisas, o qual nem sabemos a localização e que tem esse propósito de criar uma I.A. que rivalize com a consciência humana. Resta então…, verificar quem colocou Kirito em contato com esse grupo. E estou falando de Chrysheight…, o senhor Kikuoka, do Ministério de Assuntos Internos e Comunicações. Esse sujeito tem tantas relações com o mundo VR quanto no mundo real, ao exemplo do RATH, que possivelmente dever ter até contatos internacionais…”

“Kikuoka Seijirou. Como eu imaginava, não é somente um simples trabalhador estúpido que tenta aparentar. Será que conseguimos entrar em contato com ele?”

Sinon balançou a cabeça bem de leve e disse ao franzir o rosto:

“Fazem dois dias que tentamos ligar para ele e não obtemos nenhuma resposta e muito menos leu as mensagens que enviamos. Gostaria de ir até o departamento virtual do Ministério de Assuntos Internos e Comunicações, mas creio que será inútil e só perderemos tempo por lá.”

“Sim… Inclusive quando Kirito tentou entrar em contato com ele, o cara simplesmente desapareceu sem deixar rastros.”

Quatro anos depois do incidente de SAO, a ‘Equipe de Contramedidas e Resgate das Vítimas de SAO’ se originou dentro desse ministério. E depois que tudo foi resolvido, essa equipe ficou responsável por tratar de problemas relacionados com o mundo virtual. Um desses integrantes era o funcionário público de óculos de armação negra, chamado Kikuoka Seijirou, quem manteve contato regular com Kirito mesmo depois que ele voltou ao mundo real. Por alguma razão, contratou e pagou muito bem os serviços prestados pelo comum garoto de cursinho preparatório, Kirigaya Kazuto. Lhe pedindo para auxiliar na investigação do incidente do Death Gun.

Asuna havia se encontrado com ele em diversas ocasiões no mundo real e até mesmo no mundo virtual, onde este esteve com ela em uma party utilizando o seu avatar em ALO, o Undine Chrysheight.

Porém, ela sentia que sob a fachada despreocupada e amigável, havia algo escondido, uma impressão que ela não conseguia esquecer. Ele dizia que era apenas um simples funcionário público com um cargo permanente e era frequentemente tratado com um certo respeito. E as suspeitas de Kazuto sempre foram em torno disso, que talvez ele fosse muito mais do que dizia, que possivelmente fosse de um departamento de alto escalão.

Kikuoka apresentou à Kazuto a misteriosa empresa RTH, para realizar um trabalho de meio período. Asuna tentou muitas vezes entrar em contato com ele depois que Kazuto desapareceu, mas seu telefone estava sempre fora da área de cobertura ou desligado, de maneira que era impossível localizá-lo.

Ela também falou com o Ministério de Assuntos Internos e Comunicações e Tecnologia, porém a única coisa que responderam foi que Kikuoka se encontrava trabalhando no continente. E que era razoável que não pudesse ser encontrado por essa razão. Mas quanto mais pensava nesse sumiço de Kikuoka, mas achava que estava relacionado com o caso de Kirito. Porém era uma pergunta que não tinha como fazer no momento…

“Mas…”

Asuna e Sinon ficaram apenas se olhando sem dizer nada, até Lyfa quebrar o silêncio.

“Se Kikuoka for o contato entre o RATH e o governo, porque ele continua a acobertar tudo isso? Há uma real necessidade desse segredo todo? Não seria mais fácil, já que parecem que estão nessa juntos, de divulgar logo de uma vez?”

“Agora que mencionou…”

Sinon se mexeu na cadeira e continuou:

“Até poucos anos atrás, juntamente com o desenvolvimento da tecnologia de criação de espaços virtuais, haviam duas potências que competiam em uma corrida espacial.

Logo após a América anunciar suas descobertas, o Japão também o fez, apresentando a construção de uma nave que não utilizava propulsores externos e também a montagem de uma base lunar, sem contar na mega construção de uma super tecnológica estação espacial.

Se levarmos em conta esse mesmo tipo de cenário. Então o impacto que o desenvolvimento de uma verdadeira Inteligência Artificial teria, é suficientemente um forte motivo para que o governo faça de tudo para manter esse assunto em completo segredo.”

Realmente isso era algo que Asuna não havia cogitado.

Mas se isso estivesse correto e o sequestro de Kirito esteja envolvido em algum segredo nacional, então de nada adiantaria os esforços de três garotas comuns, que ainda eram estudantes em tentar resolver esse caso. Ainda mais que até onde elas tinham conhecimento, nem a polícia conseguiria fazer algo também. Em resumo, estavam ficando de mãos e pés atados.

Asuna baixou a cabeça, se sentindo derrotada e ao mesmo tempo, sentindo raiva de sua fraqueza. Nesse instante, seus olhos encontraram com os olhos de Yui.

“Yui…?”

Aguente firme, mamãe. Papai jamais pensou em se render enquanto estava a sua procura, tanto aqui, em Alfheim, quanto no mundo real.

“Ma-Mas eu…”

Então, Yui, que tinha uma simples respostas oriunda de um sistema lógico de aprendizado, mostrou um amável e cálido sorriso, o qual era impossível dizer que aquilo estava meramente programado e falou:

“Definitivamente deve haver alguma coisa para se fazer. Certamente deve de ter uma forma de contato com o papai. Até mesmo se o inimigo for o governo japonês, creio que nem isso seria capaz de ficar entre a mamãe e o papai.”

“…Obrigada, Yui. Não me renderei. Mesmo que tenha que lutar contra o próprio país… e que tenha que entrar naquele parlamento e pegar o primeiro ministro pelo pescoço.”

“Sim, esse é o espírito!”

Asuna e sua filha se olharam e sorriram. Sinon também acompanhou as duas por um tempo e depois mostrou uma expressão muito séria.

“…O que houve, Sinonon?”

“Não, nada… bem… Estava aqui pensando. O problema atual é que se o RATH for mesmo uma organização de pesquisas nacional, suponho que o governo e o parlamento ainda não saibam exatamente qual o rumo das pesquisas. Já que provavelmente eles só sabem dos resultados finais e não das etapas dos processos…”

“Onde quer chegar…?”

“E se tudo isso for um plano secreto de algum departamento, não acho que seja muito fácil esconder as atividades de uma repartição inteira, certo?”

“Hã…?”

“Verba governamental. Pois já que o STL necessita de uma enorme instalação de pesquisa, segundo o relato de Kirito, definitivamente seus gastos devem ser bem consideráveis. Não estou muito certa disso, mas deve girar em torno de milhões ou talvez até bilhões para mantê-lo. E creio ser praticamente impossível levantar essa quantidade absurda de dinheiro de maneira que não deixe rastros na tesouraria… Em outra palavras, eles devem com toda a certeza prestarem contas ao governo e para isso devem se identificar de alguma forma, não acham?”

“Sim, mas… de acordo com o que Yui investigou, buscando resultado relacionados com VR e que necessitam de grandes quantias ela não encontrou nad-…

…Mas é claro!!! Ela só procurou o termo errado! Não é sobre tecnologia VR e sim Inteligência Artificial!!”

Yui rapidamente olhou para Asuna e concordou com a cabeça, fazendo uma expressão como se dissesse: ‘-Espere um instante, já estou iniciando a procura!’. Ela abriu os braços e de seus pequenos dedos, luzes roxas começaram a piscar, indicando que estava estabelecendo uma conexão dentro de ALO.

O trio ficou em silêncio, na expectativa do término das buscas realizadas por Yui. Ela abriu os minúsculos olhos e disse em um tom sem emoções, completamente automático:

“Conexão estabelecida com os dados relacionados a solicitação de fundos de cada ministério e agência ligadas ao governo. Inteligência Artificial, I.A. e outras 38 palavras chaves sendo pesquisadas neste exato momento…

Confirmadas 18 universidades, 7 departamentos terceirizados, somas utilizadas por cada projeto de pesquisa…

Projeto de desenvolvimento automotriz… concluído! Sem relação. Próxima ocorrência…”

Depois disso, Yui começou a pronunciar diversos termos quase que incompreensíveis, porém foi descartando todos que não tinham relação com a procura. Seguiu esse processo por mais um tempo até que balançou a cabeça ligeiramente.

“…Não consegui encontrar nenhuma ocorrência apropriada com altas quantias em dinheiro através das buscas normais e nem das especiais. Talvez essa quantia esteja diluída em vários outros projetos menores com o intuito de disfarçar o volume monetário, de maneira a dificultar qualquer tipo de auditoria.”

“Entendi… como já era de se esperar, não estão deixando pontas soltas…”

Sinon cruzou os braços enquanto sussurrava algumas coisas com nítida frustração. Asuna, como havia prometido, não se deu por vencida. Logo levantou a voz em um sonoro:

“Espere!”

“Ainda pode haver algum financiamento disfarçado dentro os que Yui investigou. Porque não tentamos os recursos marinhos?… Mesmo crendo que não tenham muito a ver com o assunto…”

“Hum… certo…”

Yui refez a conexão mais uma vez e reiniciou a pesquisa nos bancos de dados. E em pouco tempo levantou sua cabeça.

“… Suponho que encontrei algo. Parece ser uma pesquisa relacionada com busca de petróleo, ou metais preciosos na superfície do fundo do mar… com a utilização de submarinos não tripulados, com uso de I.A…. Algo assim certamente deve ter um grande investimento, ainda mais se tiver ligado à I.A.”

“Sério!? Isso é bem interessante. Onde está sendo desenvolvido?”

“O projeto está localizado em uma instalação chamada ‘Ocean Turtle’. Foi construída nesse ano. É um super navio que tem como meta investigar todo o oceano.”

“E-Eu lembro de ver algo do tipo, faz algum tempo nos noticiários.”

Lyfa interrompeu.

“Parece um barco com uma pirâmide flutuando no mar.”

Asuna não dizia nada, apenas franzia o rosto. Baixou sua cabeça por um breve momento e então levantou rapidamente.

“Pois é, eu também vi isso. Ocean… Turtle…

Yui, tem alguma foto dessa estação de pesquisa?”

“Sim, mamãe. Só um momento.”

Yui agitou sua mão e uma janela apareceu na mesa, igual ao mapa que mostrou anteriormente. E em alguns instantes, a imagem se transformou em um modelo tridimensional do mar, com uma estrutura estranha no centro.

O que aparecia no meio daquela pequena réplica do mar, era uma pirâmide negra flutuante.

Mas, olhando de cima, o que deveria ser um quadrado característico de uma pirâmide, na verdade era um retângulo com algumas antenas de rádio. A sua altura era aproximadamente a mesma de seu lado mais curto. Se fossem removidos as janelas, ficaria apenas um bloco piramidal escuro, brilhando na imensidão de água. Ou se mudasse a perspectiva, veria como se fossem um hexágono com vários painéis solares.

Haviam saliências nos quatro cantos da estrutura e em um dos lados, era possível ver um pequeno centro de comando. E perto do centro de comando, uma figura com um ‘H’, mostrando ser um pequeno heliporto. Calculando por cima, a estrutura tinha mais ou menos 400 metros.

“Entendi… As quatro pernas, uma cabeça com quatro lados, a pirâmide como uma carapaça. Sim, parece realmente uma grande tartaruga…”

Sinon estava um pouco assombrada. Asuna andou na volta do modelo 3D e apontou o centro de comando com seu indicador direito.

“Olhem aqui na cabeça, por esse lado, tem uma protuberância e parece um animal. Vocês conseguem identificar qual é?”

“Ah! É mesmo. Por esse lado parece um porco. Então é um porco-tartaruga que pode nadar.”

Lyfa disse isso inocentemente, sem pensar.

Para logo depois ser pressionada por suas próprias palavras ao se dar conta do significado. Arregalou os olhos e disse com a voz rouca:

“Sim…, em um momento é uma tartaruga e… no outro, um porco…exatamente como o…”

Asuna, Sinon e Lyfa apenas se entreolharam, não era necessário cogitar mais nada, apenas gritaram ao mesmo tempo:

“RATH!!”

 

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ATÉ SEMANA QUE VEM!!!

 

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Até!

Bônus:

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