Sword Art Online Alicization Beginning em Português – Underworld – Parte 4.1

Arco: Alicization

Underworld – Parte 4

Kirito e Eugeo encontram os goblins na caverna
“O QUE FAZEMOS? É CLARO QUE VAMOS PEGÁ-LOS TAMBÉM !!”

O sino das cinco e meia da manhã tocou. Me levantei da confortável cama decidido de que deveria usar qualquer meio para atingir meus objetivos.

Abri a janela, me espreguicei inspirando o ar frio da manhã. Ao fazer isso, me pus totalmente desperto.

Escutei barulho no quarto ao lado e percebi que as crianças também já haviam despertado. Rapidamente troquei de roupa para poder me lavar antes deles.

Coloquei meu “equipamento inicial”, calças e túnica de algodão, que mais uma vez não mostravam sinais de manchas de suor, sujeira ou qualquer outra coisa, mas Eugeo disse que suas vidas seriam rapidamente reduzidas caso eu não as lava-se. Antes que isso aconteça, tenho que considerar mudá-las. Vou conversar com Eugeo a respeito disso mais tarde, saí pela porta enquanto seguia pensando em direção ao poço.

Tomei alguns goles de água do balde e derramei o restante na bacia e quando eu me inclinei para lavar o rosto, alguém rapidamente se aproximou de mim por trás.

Era provável que fosse Selka, pensei isso enquanto me virava secando as mãos e…

“A-Ahh… bom dia, Irmã.”

Quem estava ali era Irmã Azariya, vestida com o hábito totalmente alinhado. Eu apressadamente abaixei a cabeça e ela assentiu respondendo a saudação:

“Bom dia!”.

Fiquei um tanto alarmado ao ver que sua expressão estava mais severa do que o normal.

“Então … Irmã, aconteceu alguma coisa…?”

Perguntei um pouco sem jeito. A Irmã piscou e disse secamente:

“Selka sumiu.”

“Eh …!”

“Kirito, você sabe de alguma coisa? Selka parecia estar ficando muito próxima de você… “

Será que ela estava suspeitando que tenha feito algo com Selka? Me senti muito mal por um momento, mas logo percebi que não era o caso.

Nesse mundo existia a lei absoluta, o Índice de Tabus que ninguém poderia quebrar, a Irmã, provavelmente, nem sequer cogitou em um crime como sequestro de uma menina. Em outras palavras, ela sentiu que Selka apenas desapareceu por conta própria e simplesmente estava perguntando se eu sabia onde ela tinha ido.

“Bem… não, não soube de nada… mas hoje é dia de descanso, certo? Será que ela não foi para casa? “

Enquanto dizia isso, percebi que estava com o raciocínio lento por recém ter acordado. Pois a Irmã respondeu imediatamente sacudindo a cabeça:

“Selka nunca voltou para casa desde que veio para esta igreja há dois anos. E mesmo que ela fosse, teria me dito isso sem esconder nada. Saiu muito antes de começar o culto da manhã. Embora não aja nenhuma regra que a proíbe de fazê-lo… é estranho”

“Então… talvez tenha saído para comprar alguma coisa? Como os ingredientes do café da manhã?”

“Nós já compramos alimentos suficiente para dois dias, pois as lojas da vila estarão todas fechadas em recesso.”

“Ahh… entendo.”

Nesse momento, minhas ideias acabaram.

“…Ela deve ter tido algo urgente para resolver. Provavelmente voltará logo.”

“…Assim espero…”

Irmã Azariya continuou com a expressão preocupada, mas apenas suspirou.

“Então, esperaremos até o meio-dia. Se ela ainda não tiver voltado, irei procurar as pessoas do conselho da aldeia e discutir isso. Desculpe por incomodá-lo. Ainda tenho que preparar o culto, então vou me retirar.”

“Bem… eu vou dar uma volta para procurar também.”

Depois que a Irmã se foi, terminei de me lavar, porém tive um mal pressentimento. Lembrei que fiquei um pouco preocupado quando falei com Selka ontem, mas não me lembro bem o que era. O que levaria ela a sumir?

Quando o culto terminou eu já estava completamente ansioso, dei uma desculpa qualquer para as crianças que ficavam perguntando onde estava Selka, terminei o café da manhã mas nada dela voltar. Rapidamente lavei a louça do café e sai pela correndo pela porta da frente da igreja.

Não tinha combinado com Eugeo de encontrá-lo aqui, mas quando o sino tocou às oito horas, eu podia ver o rapaz com cabelo cor de linho andando na praça. Fui em direção à ele.

“Opa, Kirito. Bom dia!”

“Bom dia, Eugeo.”

Meu tom era de urgência.

Vi que Eugeo continuava sorrindo para mim como ontem e continuei.

“Você está com o dia todo de folga também, Eugeo?”

“Sim, isso mesmo. É por isso que eu quero levá-lo para conhecer toda a aldeia, Kirito.”

“Isso é ótimo, mas antes, preciso de sua ajuda. Selka está desaparecida desde cedo da manhã … gostaria de ir procurá-la…”

“Ehh!?”

Eugeo arregalou os olhos e então franziu a testa, preocupado.

“Mas ela deixou a igreja sem dizer nada para a irmã Azariya?”

“Parece que sim. A Irmã me disse que essa é a primeira vez que tal coisa acontece. Eugeo, você tem alguma ideia de onde Selka possa ter ido?”

“Humm, onde ela poderia estar? Mesmo que me pergunte isso, eu não…”

“Ontem à noite, acabei falando algumas coisas sobre Alice com ela. Quero saber se tem recordação de algum lugar que tenha ligação com Alice e…”

Neste momento percebi o tamanho erro que havia cometido, a verdade por trás da ansiedade dentro do meu coração.

“Ahh …”

“O que foi? O que há de errado, Kirito?”

“Não me diga que ela… Eugeo, você nunca falou para Selka qual tinha sido a razão que Alice foi levada pelo Integrity Knight, não é? Por quê?”

Eugeo piscou algumas vezes e após instantes balançou a cabeça lentamente.

“Ahh…! Sim…, ela havia me perguntado sobre como tudo aconteceu. E eu acabei não falando porquê … na verdade… eu não tenho muita certeza sobre o motivo …mas talvez eu estivesse preocupado de que Selka pudesse tentar seguir os passos de Alice…”

“É exatamente isso…”

Sussurrei.

“Eu contei para Selka noite passada sobre Alice tocar a terra da escuridão…e creio que ela deve ter ido para… os limites da borda da montanha.”

“O QUÊÊÊ!!”

O rosto de Eugeo imediatamente empalideceu.

“Não! Isso é muito ruim. Nós temos que trazê-la de volta antes que os moradores descubram e vão atrás dela…. Quando foi que Selka saiu?”

“Eu não sei. Ela já tinha ido embora quando eu acordei às cinco e meia…”

“Nesta estação do ano, o amanhecer começa só depois das cinco horas. É impossível andar na floresta antes disso. Nesse caso, ela tem cerca de três horas de dianteira…”

Eugeo olhou para o céu e continuou:

“Quando Alice e eu fomos para a caverna, gastamos muito menos de cinco horas a pé. Levando em conta que éramos apenas crianças. É mais provável que Selka esteja a meio caminho de lá. Não sei se podemos alcançá-la se formos atrás dela agora…”

“Não importa! Temos que ser rápidos. Vamos lá! “

Eugeo concordou sem contestar.

“Não há tempo de nos prepararmos. Felizmente, vamos estar nos movendo ao longo do rio, por isso não há necessidade de se preocupar com a água. Tudo bem… por aqui. “

Eugeo e eu andamos em direção ao norte a uma velocidade que não causaria estranheza às pessoas ao redor.

As lojas foram se tornando escassas e quando vimos que não haviam mais pedestres, corremos pelos degraus de pedra a uma velocidade em que quase caímos. Depois de cinco minutos a pé em direção à ponte sobre o rio, passamos despercebidos pelo guarda no posto de sentinela e saímos da aldeia.

Ao contrário dos campos de trigo que se estendiam até o horizonte no sul, o norte da aldeia tinha uma densa floresta. O rio circulava ao redor da colina onde estava a aldeia Rulid e avançava através das árvores na floresta, estendendo-se tanto ao norte e ao sul da vila. Havia um pequeno caminho com grama fina crescendo na margem do rio.

Eugeo mantinha os olhos atentos no caminho que ia para a margem do rio, caminhamos uns dez passos e paramos. Ele usou a mão esquerda para me parar e ajoelhou-se, usando a mão direita para tocar a grama ligeiramente alta.

“É aqui … existem alguns sinais de que alguém passou por este lugar recentemente.”

Ele sussurrou e rapidamente desenhou uma marca e abriu a janela de status da grama.

“A Vida diminuiu um pouco. Se fosse um adulto, teria diminuído muito mais. Foi definitivamente uma criança que passou por aqui. Vamos nos apressar, temos muito pouco tempo. “

“Ah …ahh.”

Concordei com a cabeça e segui Eugeo, que estava cada vez mais apressando seus passos.

Não importa o quão longe nós fôssemos, a paisagem à direita do rio e a floresta à esquerda nunca mudava. Ao longo do caminho, passamos por um lago e uma região ligeiramente inclinada. Isso só me fez sentir como se estivesse entrado em um loop de paisagem, armadilha bem comum que a maioria dos RPG tem. Já não se podia mais ouvir o som do sino na torre e a única forma de deduzir o tempo era pelo sol que se levantava pouco a pouco.

Eugeo e eu continuamos a correr rio abaixo. Se fosse o eu do mundo real, estaria completamente sem fôlego em menos de 30 minutos. Felizmente, os homens neste mundo pareciam ter uma média bastante elevada vigor e tenacidade. Senti que era mais reconfortante do que cansativo movimentar o corpo. Acabei sugerindo a Eugeo ir um pouco mais rápido, mas ele me disse que se nos movermos muito rápido, nossa vida iria cair depressa e não seríamos capazes de nos mover por um tempo caso não parássemos e descansássemos.

Dessa forma, mantivemos o ritmo e continuamos correndo por umas duas horas, mas ainda não havia nenhum sinal da menina à nossa frente. Falando nisso, com base no tempo agora, Selka pode muito bem já ter chegado na caverna. A inquietação e ansiedade se espalhou pela minha boca com um gosto ligeiramente metálico.

“…Eugeo…”

Fui falando enquanto cuidava para não atrapalhar a respiração e manter a velocidade. Eugeo, que estava correndo ao meu lado, virou-se para olhar.

“O que houve?”

“Estou apenas me certificando… mas se Selka entrar no Dark Territory, ela será levada imediatamente pelos Integrity Knight? “

Neste momento, Eugeo que parecia estar vasculhando sua memória, negou com a cabeça.

“Não… creio que os Integrity Knight provavelmente irão sobrevoar a aldeia amanhã de manhã. Foi o que aconteceu há seis anos pelo menos.”

“Entendi… então, mesmo que seja a pior das hipóteses, ainda há uma chance de salvar Selka. “

“…O que você está pensando em fazer, Kirito?”

“Simples. Hoje, se nós levarmos Selka para longe da aldeia, poderíamos ser capaz de nos esconder das buscas dos Integrity Knight.

“…”

Eugeo se virou para frente, permaneceu em silêncio e então sussurrou:

“Como isso seria… possível? E a tarefa sagrada…? “

“Eu nunca disse que você teria que vir junto, Eugeo.”

Eu deliberadamente disse isso com um tom brincalhão, para tentar amenizar a situação.

“Vou levar Selka distância que for necessária. A culpa foi minha por falar demais, então irei assumir a responsabilidade por isso.”

“… Kirito…”

Ao ver a lateral do rosto de Eugeo demonstrando uma expressão de tristeza, senti uma dor profunda como uma pontada direto no coração. No entanto, tinha dito aquilo somente para testar o quão resistente era sua diretriz de ‘obediência’. Mesmo que esteja me recriminando por dentro por usar a crise de Selka, eu tinha que ter certeza neste exato momento se o Índice de Tabu era apenas uma lei filosófica ou uma ordem absoluta para governar os povos que vivem nesse mundo.

Depois disso, Eugeo balançou a cabeça lentamente, alguns segundos depois.

“Não … é impossível, Kirito. Selka também tem uma tarefa sagrada. Mesmo se eu soubesse que os Integrity Knights não irão conseguir capturá-la, não posso deixar você ir com ela. E sinceramente não acho que as coisas irão chegar a tal ponto. Selka não pode cometer tal crime.”

“Mas Alice fez isso.”

Eu simplesmente dei um exemplo. Com isso, Eugeo mordeu os lábios com força e balançou a cabeça negando novamente.

“Alice … Alice era especial. Ela era diferente de todos os outros na aldeia. De mim… e, claro, diferente de Selka também “.

Depois de dizer isso, ele acelerou o passo, como se não quisesse mais continuar a falar desse assunto. Segui-o, sussurrando mentalmente para aquela menina a qual eu só sabia o nome.

Alice… qual sua importância nesse mundo?

Para os moradores, incluindo Eugeo e Selka, o Índice de Tabus não era algo que poderia ser quebrado, mesmo se quisessem. É como pessoas na vida real sendo incapaz de quebrar as leis da física como as que determinam que não podiam voar. Isso era o que baseava minha observação de que ‘eles eram diferentes de mim como seres humanos, embora tenham Fluctlight reais’.

No entanto, romper um tabu poderoso… que tipo de existência é esta menina chamada Alice que poderia fazer tal coisa, quando todos os outros não conseguem? Seria ela um jogador como eu usando o STL? Ou…

Meus pés se mexiam por conta própria enquanto eu tentava resolver esse quebra-cabeça. Neste momento, Eugeo quebrou o silêncio.

“Veja, Kirito!”

Levantei o rosto e vi que entre as árvores da floresta, rochas branco-acinzentadas se alinhando.

Corremos as poucas centenas de metros restantes à esquerda e paramos no caminho gramado que se tornou cascalho. Comecei a respirar de forma ligeiramente ofegante e olhei para a cena na minha frente completamente atônito.

Até para um mundo virtual a mudança na área era completamente abrupta. Algo que me fez pensar sobre o que aquilo significava. Estávamos em uma área arborizada, com o solo e tudo mais condizente com um local de floresta e de repente aquilo tudo mudava, o solo cheio de grama, terra e raízes era interrompido, dividido e se tornava um paredão rochoso que subia praticamente na vertical.

O surpreendente era que se eu levantasse a mão, os lugares que eu podia tocar estavam cobertos com uma fina camada de neve. Não sabia o quão alto era, mas conseguia ver uma luz branca piscando nas proximidades.

As montanhas nevadas se estendiam para ambos os lados de onde eu estava, até onde a vista podia alcançar. Parecia que eles queriam dividir entre ‘este lado’ e o ‘outro lado’ deste mundo perfeitamente. Se esse mundo realmente tinha uma pessoa responsável pelo designer, eu realmente queria reclamar que o projeto para a fronteira era absurdamente simples.

“É isso? … O limite da borda montanhosa é essa coisa? E do outro lado é o Dark Territory, a terra da escuridão…?”

Eu sussurrei em descrença enquanto Eugeo assentia.

Cara, tem algo muito errado nesse lugar…

“Fiquei chocado também quando vim aqui pela primeira vez. Essa é a borda da montanha…”

“…E é incrível do quão perto isso está de nós.”

Suspirei enquanto continuava a pensar. Era uma estrada que não tinha obstáculos, nem caminhos divididos e com uma distância que poderia ser coberta em duas horas e meia de uma caminhada rápida. Era como se estivesse nos atraindo, atraindo os moradores para a área de tabu. Ou pode ser o contrário também, convidando as pessoas da terra das trevas para invadir esse lado…

Eugeo virou-se para mim, que tinha perdido o objetivo por alguns instantes e disse ansiosamente:

“Então, vamos nos apressar! É possível que haja ainda uma distância de mais ou menos trinta minutos entre nós e Selka. Se conseguirmos encontrá-la rápido, talvez sejamos capazes de voltar para a aldeia, enquanto ainda é dia.”

“Ah, sim, … você está certo.”

Olhei para onde ele estava apontando e pude ver que o rio o qual margeávamos, era sugado ou melhor, fluía para dentro de um buraco na parede logo mais adiante.

“Para lá? …”

Entramos correndo. A altura e largura das paredes não eram tão pequenas quanto pareciam e no lado esquerdo da trilha de água que estava fluindo, havia um caminho de pedra largo o suficiente para duas pessoas caminharem lado a lado. O buraco era completamente escuro e lá de vez em quando um vento frio soprava.

“Ei, Eugeo … como é que vamos enxergar aqui dentro?”

Tinha esquecido completamente dos elementos necessários para explorar uma caverna e entrei em pânico quando disse isso. Eugeo assentiu com uma expressão indicando para deixar com ele e levantou um pequeno graveto que eu não sabia quando ele tinha apanhado.

Pensei comigo:

O que você vai fazer com um gravetinho desses?

Enquanto olhava incrédulo para ele, Eugeo disse com uma expressão séria:

System Call! Light small rod!

System Call? Ao ouvir isso fiquei alarmado.

A ponta do pequeno galho na mão de Eugeo soltou uma luz branco-azulada produzindo um som estranho mas seu brilho foi suficiente para iluminar vários metros de escuridão. Meu surpreendente amigo levantou-o e caminhou mais para o interior da caverna.

Mas a surpresa ainda não tinha desaparecido. O segui apressadamente e chegando ao seu lado, perguntei:

“E-Eugeo… o que foi aquilo?”

Eugeo fez uma expressão muito séria, mas logo depois demonstrou satisfação ao me responder.

“Essa é uma arte sagrada, mas é uma bem simples. Aprendi isso praticando muito, com intuito de conseguir carregar a Blue Rose Sword no ano passado.”

“A arte sagrada … você por acaso… sabe exatamente o que a palavra system significa? Digo, além de chamar a função de iluminar…?”

“Humm… significado…? Bem, não totalmente. Mas sei que é algo bem corriqueiro. Geralmente compõe uma oração que é usada para chamarmos Deus e rezar por um milagre. As artes sagradas de nível superior parecem ser muito mais demoradas do que a que fiz agora.”

Entendo, então ele está apenas tratando isso como um feitiço, sem pensar nas palavras como uma forma de linguagem. Isso fez com que eu ficasse pensativo por um tempo. Compreendi que essa dita magia realmente exigia efeitos imediatos. O designer desse mundo era, sem dúvida alguma, uma pessoa realista.

“Será que… eu posso usá-la também?”

Sabia que não era o melhor momento, mas ainda sim perguntei. Eugeo começou ponderando um tanto incerto do que dizer.

“Eu praticava essa magia sempre que tinha um tempo livre e levei um mês para aprendê-la. Porém, Alice disse que pessoas com aptidão natural poderiam aprender em um dia e aqueles que não tem vontade nunca serão capazes de usá-las, mesmo que treine durante toda sua vida. Eu não sei o grau da sua aptidão, Kirito, mas pode ser impossível que consiga aprender imediatamente…”

Em outras palavras, se eu quisesse usar magia… artes sagradas, teria que praticá-la inúmeras vezes para aumentar meu nível de habilidade. Isso não era algo que poderia ser dominado instantaneamente. Mas desistirei por hora em virtude da situação e focarei o olhar para a escuridão na minha frente.

O caminho de pedra úmida cinza seguia sinuosamente para frente. Ventos gélidos de cortar a pele sopraram sobre nós. Tinha um aliado comigo, mas nem sequer tinha um pedaço de madeira e muito menos uma espada e isso era algo que realmente me preocupava.

“… Será que Selka realmente iria entrar em um lugar como esse…?”

Não conseguia evitar de resmungar. Eugeo silenciosamente usou o graveto para iluminar o chão.

“Ah…”

A esfera de luz mostrou a superfície de uma poça congelada. O centro dessa poça tinha sido pisado, criando rachaduras em toda sua extensão.

Pisei nele também e o gelo se quebrou completamente deixando a rachadura maior. Em outras palavras, alguém mais leve do que eu acabara de pisar ali e pelo jeito não fazia muito tempo.

“Tudo bem… Então estamos no caminho certo. Francamente … não sei se ela é apenas imprudente ou se não conhece o medo… “

Acabei resmungando novamente. Ao ouvir isso, Eugeo inclinou a cabeça de forma confusa.

“Na verdade, não há muito do que se ter medo. Não há mais nenhum dragão branco dentro desta caverna, nem mesmo um rato ou um morcego aqui.”

“E-Entendo…”

Fui outra vez lembrado de que, embora houvesse inimigos declarados, não haviam monstros atacando. Mas ainda sim tenho o pressentimento de que o local em que estamos, na borda da montanha, esteja dentro de uma área de campo, onde podemos ser atacados a qualquer momento, como em um VRMMO clássico.

Porém, quando escutei as palavras de Eugeo, minhas costas que estavam tensas, relaxaram um pouco.

Ouvimos então um som estranho que vinha com o vento, oriundo da escuridão `a nossa frente. Eugeo e eu nos entreolhamos.

“*Gii, Gii!!”

Parecia ser algum grito de uma ave ou fera.

“Ei! … O que foi isso agora?”

“…Bem … É a primeira vez que estou ouvindo este som também e… Ah!”

“O-O que foi dessa vez?”

“Você… não está sentindo, Kirito …?”

Depois que ele falou, tentei sentir o ar.

“Ahh … sim! Alguma coisa…, está queimando… e …”

O cheiro de resina queimada tinha uma mistura como se fossem de animais. Minha expressão mudou no momento em que cheirei isso. Definitivamente sentir algo assim não iria me relaxar.

“Mas o que será…?”

Mal terminei de perguntar e um outro som veio. Engoli em seco na hora.

“KYAAAAAAHHH … !!!!”

Aquela voz estridente, sem dúvida, era o grito de uma menina.

“Isso não é bom!”

“Selka …!”

Eugeo e eu gritamos ao mesmo tempo em que saímos em disparada pelo caminho de pedra escorregadia devido ao gelo depositado em sua superfície.

Fui tomado pela sensação de perigo, não lembrava de outra situação em que tinha tido essa sensação tão forte. Foi como se meu corpo fosse mergulhado em água congelante, entorpecendo meus membros.

Como havia previsto, Underworld não era um paraíso perfeito. Havia uma densa maldade embaixo de uma fina camada de paz. Mas do contrário seria ilógico.

Esse mundo era como se fosse uma enorme ferramenta chamada morsa, que pressiona todos seus habitantes pouco a pouco. Uma pessoa gastou centenas de anos apertando lentamente as engrenagens, tudo para poder observar as reações dos residentes, se eles iriam se juntar para resistir frente à um inimigo ou se irão ser esmagados. Isso tudo era como um rastro de pólvora pronto para ser aceso.

A aldeia Rulid era provavelmente um dos lugares mais próximos e possivelmente onde tudo irá começar.

Conforme o ‘momento final’ continuava a se aproximar, as almas dos habitantes iriam ser aniquiladas e os desaparecimentos continuariam a aumentar.

Porém, definitivamente não irei permitir que Selka torne-se a primeira vítima e o gatilho desse evento. Isso tudo aconteceu por minha culpa. Eu que a trouxe até esta caverna. Me certificarei de que ela irá voltar sã e salva. Tenho que assumir a responsabilidade por selar o destino dela…

Eugeo e eu continuamos a correr a toda velocidade, contando com a luz fraca do graveto. Nossa respiração tornou-se errática e sempre que respirávamos, nossos peitos doíam.

Quase caímos algumas vezes. Conforme avançávamos íamos ralando os joelhos e braços atingindo as farpas de gelo das paredes, a dor era nossa última preocupação.

Não era difícil imaginar que nosso HP estava caindo. No entanto, não diminuímos a velocidade.

Enquanto continuamos a avançar, o cheiro de lenha queimada e o fedor de animais selvagens tornou-se mais intenso.

“Giigii!!!”

Os sons podiam ser ouvidos juntamente com outros barulhos metálicos.

“Gacha !! Gacha!! “

Não sabia que tipo de seres estavam à nossa frente, mas poderia facilmente imaginar que eles não eram amigáveis.

Já que não tenho uma faca sequer comigo, tenho que bolar algum plano antes de seguir em frente mas tenho que ser muito cauteloso…

Falei comigo mesmo, não como Kirigaya mas sim como Kirito, o jogador. Mas a sensação de que isso seria inútil no momento me deixou apreensivo. O rosto de Eugeo estava pior do que o meu, mas mesmo assim ele ainda continuava correndo a toda velocidade. Parecia que nada poderia detê-lo.

De repente, avistamos uma luz alaranjada tremulando na parede na nossa frente. E pelo reflexo, parecia que estávamos diante de uma enorme cúpula.

Senti imediatamente um formigamento familiar, era a sensação clara da presença do inimigo. Haviam vários deles, um monte eu diria. Rezei para que Selka estivesse bem quando entrei no espaço do domo com Eugeo.

Tenho que olhar ao redor e decidir qual a melhor opção a ser tomada o mais rápido possível.

Segui meus instintos e arregalei bem os olhos para enxergar a situação como se fosse uma câmera de lente panorâmica prestes a tirar uma foto.

Basicamente, a cúpula redonda tinha cerca de cinquenta metros de diâmetro. O chão estava coberto por uma espessa camada de gelo, mas havia uma grande fenda que se abria no meio, mostrando a superfície azul escura da água.

A luz laranja vinha de dois grupos de fogueiras, em gaiolas pretas de metal cheia de lenha crepitante queimando a distância.

Ao redor das fogueiras havia um grupo de coisas em forma humanoides, mas era óbvio que não eram humanos e nem animais selvagens. Pude contar mais de 30 deles.

Em primeira avaliação, não eram maiores do que eu ou Eugeo, porém seus corpos, um tanto atarracados, com as costas ligeiramente encurvadas e musculosas assim como seus braços. Suas mãos eram grandes e com garras afiadas, dando a impressão de que poderiam rasgar qualquer coisa com muita facilidade. Estavam vestidos com armaduras simples de couro brilhante e carregavam na cintura todo tipo de peles de outros seres, ossos e pequenas bolsas que produziam sons tilintantes, provavelmente moedas.

Mas mesmo com essa aparência tosca e grosseira, era possível sentir o poder que emanava de seus facões feitos artesanalmente.

Suas peles eram de um verde-acinzentado escuro com alguns pelos claros crescendo sobre eles. Eram totalmente calvos, sem exceção e tinham tufos de pelos nas extremidades das pontudas orelhas. Desprovidos de sobrancelhas e abaixo da protuberante testa, haviam olhos que eram tão grandes que não combinavam em nada com o resto do corpo, de um amarelo oxidado.

De fato era uma visão muito anormal, até mesmo para alguém como eu, acostumado a ver seres fantásticos.

Eles eram os clássicos monstros de baixo nível, os Goblins, que apareciam em praticamente todos RPG com os quais estava familiarizado.

Tendo percebido isso, soltei um suspiro. Monstros goblins eram usados basicamente para iniciantes treinarem e ganharem experiência e seus status eram normalmente muito baixos para facilitar o farm.

No entanto, essa sensação de alívio durou somente até a criatura mais próxima virar para nós com um olhar assassino.

Meus ossos ficaram congelados, no momento em que senti a pressão que aqueles olhos amarelos fizeram em mim. Por alguns instantes acabou mostrando dúvida e surpresa, mas que depois mudou para um prazer cruel e uma fome sem fim. Isso foi o suficiente para me fazer tremer como um pequeno inseto preso numa teia de aranha enorme.

Essas coisas não eram programas também.

Percebi isso claramente da pior maneira e com isso veio um medo avassalador.

Esses goblins tinham almas verdadeiras, bem como, natureza semelhante à minha e de Eugeo e até certo ponto, a inteligência proveniente da Fluctlight.

Mas… porquê? Por que criar uma coisa dessas?

Durante mais ou menos dois dias que passei nesse mundo, formulei uma hipótese aproximada para saber que tipo de existência seriam as de Eugeo, Selka e todos os demais habitantes daqui. Era muito provável que fossem ‘Fluctlight artificiais’, mantidas dentro de algum meio, tal como um dispositivo e fora de um cérebro de uma pessoa viva. Não tinha ideia qual componente seria capaz de preservar a alma de um ser humano, mas ao menos não era difícil imaginar que, já que o STL podia ler almas, que também pudesse duplicá-las.

Foi um pensamento realmente aterrador, mas o mais provável era que a origem da duplicação fosse de um recém-nascido.

Eles podem ter duplicado essa coisa chamada ‘Forma Original da Alma’ sem parar e depois deixaram crescer em bebês neste mundo. Fora isso, não havia outra hipótese plausível que explicasse por que os moradores do Underworld tinham um intelecto real e em maior quantidade que o número atual de STL.

Isso era o que eu mais temi desde a primeira noite aqui. Queria saber qual era a razão que levou RATH a desafiar Deus e criar uma verdadeira AI, uma Inteligência Artificial, usando almas humanas como molde.

Esse objetivo, ao que parece, já está noventa por cento concluído. Só de ver Eugeo já dá para saber que ele está ao nível de um ser humano completo. Suas emoções complexas já tinham profundidade e em muito ultrapassando as minhas. Em outras palavras, os testes atingiram as expectativas, então não seria de se estranhar que RATH tente acabar com esse experimento arrogante, ainda que absurdamente grande e bem elaborado.

Porém a experiência continuou adiante, o que demonstra que RATH ainda não está feliz com os atuais resultados. Mas o que estava faltando? Estive pensando nisso e talvez tenha algo a ver com esse Índice de Tabu, a regra absoluta que Eugeo e o resto não poderiam quebrar.

De qualquer forma, esta hipótese poderia explicar a existência de Eugeo e toda essa gente. Eles eram diferentes de mim na dimensão física, mas no fundo de suas almas eram todos humanos, completamente iguais.

Mas, se esse for o caso, o que eram então esses goblins? O que era esse ódio absurdamente forte, quase palpável que emanava dos seus olhos amarelos?

Não queria acreditar que a forma original de suas almas era humana. Talvez RATH tenha capturado… um goblin do mundo real e o colocou no STL e…, esse pensamento torto e bizarro passou pela minha mente. Já comecei a divagar com coisas impossíveis, preciso de foco.

O goblin e eu cruzamos olhares por menos de um segundo, mas foi o suficiente para me aterrorizar. Acabei ficando sem ação, parado no lugar onde estava. O goblin na minha frente soltou um som:

“Giii ii ii iii!!!“

Algo que poderia interpretar como sendo uma risada de desdenho. Após emitir esse som, levantou-se e em seguida falou.

“Ei, olhem! O que está acontecendo hoje? Outros dois pirralhos ium branquelos vieram correndo até aqui! E agora?”

Ouviu-se um coro de guinchos:

“Gigigi iii gi! Gigi!!”

Que ecoou por todo o domo. E logo depois levantaram seus facões com olhares famintos.

“O QUE FAZEMOS? É CLARO QUE VAMOS PEGÁ-LOS TAMBÉM !! “

Um goblin gritou. Neste momento, todos os barulhos, guinchos e risadas cessaram. Ouviu-se um som de pesados passos vindo de trás. Surgiu no meio dos monstros um goblin que era duas vezes maior do que os outros, parecendo ser de uma classe acima, um oficial.

Estava equipado com uma cota de malha, trazendo em sua testa uma pena decorativa de cores primárias. Os olhos com um tom avermelhado sob a pena, emanava um intelecto sagaz, cheio do mais puro mal congelante que poderia fazer qualquer um desmaiar. O líder goblin sorriu e mostrando os dentes serrilhados, todos desalinhados e amarelos antes de dizer em uma voz rouca:

“Não ganharemos muito levando esses ium masculinos. E carregá-los só iria nos atrapalhar. Vamos apenas matar os dois aqui. Afinal, quem não gosta de uma carne macia?”

Matar.

Até que ponto deveria aceitar esse final? Eu estava um pouco confuso.

Comecei a avaliar as possibilidades. Creio que poderia desconsiderar uma morte real nesse local, já que meu corpo físico não iria realmente levar um golpe fatal. Os goblins não tinham como acertar meu corpo deitado no STL no mundo real.

Porém, não há garantias de que seria igual a um VRMMO comum onde eu ficaria com apenas alguns status ruins. Isso porque nesse mundo, não tinha nenhuma magia de ressurreição ou itens com essa finalidade. Exceto talvez pela presença da Igreja, talvez a existência dela signifique algo. Mas creio que se eu realmente for morto, esse Kirito provavelmente encontrará seu fim.

E então? Se eu morrer, o que vai acontecer comigo? O que acontecerá com a consciência do corpo real?

Será que acordarei na sede do RATH em Roppongi onde o operador Higa Takeru me entregaria uma bebida dizendo: “- Parabéns pelo trabalho duro!” ou será que despertarei sozinho novamente naquela floresta? Ou o pior dos casos, será que me tornarei uma alma sem um corpo onde somente poderei assistir a destruição desse mundo?

Ao passo disso, qual seria o destino de Eugeo e Selka se eles morressem aqui?

Diferente de mim, que tenho uma proteção, um ‘meio orgânico e pessoal’ chamado de cérebro, as Fluctlight deles são mantidas em algum tipo de memória que pode desaparecer completamente caso venham a falecer…. Creio que é assim que funciona, não é? Mas antes disso…

…Selka, onde ela está?

Interrompi meus pensamentos e foquei na situação na minha frente.

Seguindo as instruções do líder goblin, quatro capangas sacaram seus facões e vieram se aproximando de nós, lentamente, sem cuidado algum, confiantes de que nada os deteria, arreganhando os dentes e cacarejando…, eles realmente queriam nos matar.

Os outros goblins, que somavam mais de vinte, mostraram expressões animadas, todos guinchando com prazer.

Atrás deles, finalmente encontrei o que estava procurando. Não podia ver claramente na penumbra, mas era Selka, em seu hábito preto de freira, deitada em um carrinho de madeira tosco. O corpo tinha sido amarrado com uma corda de palha trançada, seus olhos permaneciam fechados, mas ao menos parecia que estava apenas desmaiada.

Lembrei claramente que o líder goblin tinha acabado de se referir a nós como ium masculinos, essa palavra possivelmente era usada para definir os humanos e que não podemos ser vendidos mesmo que nos levem, por isso seremos assassinados.

Por outro lado, as meninas tem valor e podem ser vendidas. Pretendem levá-la para o Dark Territory e comercializá-la como uma mercadoria. Se isso continuar como está, Eugeo e eu seremos mortos, mas o destino que aguarda Selka será muito mais cruel.

Não posso me dar por vencido e permitir que ela vire parte desse grande plano de simulação. Ela é como eu, uma humana, uma menina inocente de apenas doze anos de idade. Estava na hora, o espadachim Kirito tinha que retornar à frente de batalha…

OBS.: O CAPÍTULO 4 AINDA NÃO ACABOU, SEMANA QUE VEM TEM A CONTINUAÇÃO

ATÉ A PRÓXIMA…

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Até!

Bônus:

Escutem essa trilha enquanto apreciam a leitura 😉

https://www.youtube.com/watch?v=ununsNb2Z6I