Sword Art Online Alicization Beginning em Português – Underworld – Parte 3.2

Arco: Alicization

Underworld – Parte 3

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Alice e Selka em um mundo de distância

 

“Espada…?”

“Eu mencionei quando estávamos na frente da igreja que existia outro instrumento divino além do relógio, lembra?”

“Ahh, sim!”

“E para falar a verdade está bem perto daqui… e eu sou o único que sabe sobre isso. Estive escondendo de todos durante esses seis anos… Você gostaria de vê-la, Kirito?”

“É-É claro! Quero sim. Por favor!”

Respondi com entusiasmo, mas Eugeo ainda olhava como se tivesse hesitando. Mas logo assentiu com a cabeça e me entregou o machado.

“Certo! Então, por favor, comece o trabalho da tarde, Kirito. Vai demorar um tempo para trazê-la.”

“Ela está muito longe?”

“Não, ela está dentro daquele galpão onde guardamos as ferramentas aqui perto, mas… é absurdamente pesada.”

Eugeo levou exatamente o tempo da minha série de 50 machadadas para ir voltar. Apresentava um olhar cansado e estava suando muito.

“E-Ei! Você esta bem?”

Eugeo já tinha perdido até a força para responder, simplesmente acenou com a cabeça e soltou o objeto que estava carregando no ombro no chão fazendo um som estrondondoso, amassando todo o musgo abaixo.

Entreguei o cantil com a Água Siral para meu ofegante amigo e encarei o objeto no chão.

Percebi que já o tinha visto antes. Ele era o grande pacote de couro que estava aleatoriamente jogado dentro do galpão quando fomos guardar o machado no dia anterior.

“Posso abrir?”

“Ãh?… Ah sim! Só tome cuidado. Se isso pegar na sua perna, você não ficará somente… ferido.”

Compreeendendo o que ele disse, cuidadosamente estiquei minha mão.

Depois disso, minha cintura sentiu um choque como se tivesse prestes a partir. E digo mais, se fosse no mundo real, com certeza teria deslocado algum osso. Este embrulho é de fato, muito pesado. Estou puxando com as duas mãos, mas ele nem se move. Parece estar pregado no chão ou algo assim.

Minha irmã Suguha por treinar Kendo desde muito cedo, tem uma constituição bem forte, fazendo com que ela seja bem mais pesada do que aparenta, claro que jamais direi isso na sua frente. E essa coisa aqui me trás a mesma sensação. A princípio não parece ser mais pesada do que um pá, porém, pesa como um elefante.

Tentei mais uma vez, firmei minhas pernas utilizei toda minha força como se estivesse erguendo halteres em uma academia.

“Aaaaaaargh…!!”

Senti todas as articulações do meu corpo rangerem e estalarem, mas consegui finalmente mexer aquele embrulho. Levantei a parte que estava amarrada até um ângulo de 90 graus, deixando uma das pontas para baixo, encostando no chão. Usei a mão esquerda para suportá-lo sem deixar cair. E com a mão direita desfiz o nó e retirei a manta de couro.

Dentro dele estava uma espada longa tão linda que não pude fazer mais nada além de ficar hipnotizado por ela.

O punho da espada era delicadamente feito de prata e o cabo foi cuidadosamente revestido em couro branco. A guarda do punho era decorada com motivos florais e era óbvio o tipo de planta usado.

Assim como a bainha, também feita de couro branco, tudo nela era cobertas com uma rosa de jade brilhante, entalhada.

Emitia uma aura antiga, mas não apresentava nenhum defeito.

Era como se estivesse dormindo todo esse tempo sem ter encontrado seu mestre. Essa foi a sensação que esta espada passou.

“O nome dela é… ?”

Me virei para Eugeo, que finalmente tinha se recuperado e esse olhou para a espada com uma expressão nostálgica e disse:

Blue Rose Sword… Bem, na verdade eu não sei seu nome verdadeiro, mas esse é o nome utilizado em contos de fadas.”

“Contos de fadas…?”

“Qualquer criança de Rulid… não, até os adultos conhecem isso…

Há 300 anos, entre as primeira pessoas que se estabeleceram nesta vila, tinha um espadachim chamado Bercouli. Tiveram muitas lendas sobre suas aventuras, mas a mais famosa de todas era ‘Bercouli e o Dragão Branco do Norte’…”

Eugeo subitamente olhou ao longe e continuou com uma expressão triste.

“…Resumindo. Bercouli foi para os limites da montanha e acabou se perdendo dentro de uma caverna. O que fez com que ele caísse no ninho de um dragão. O famoso dragão branco protetor do mundo humano que estava tirando um cochilo. Bercouli aproveitando essa incrível sorte resolveu escapar o mais rápido possível. Porém, entre as pilhas de tesouros que estavam espalhados na caverna, tinha uma espada. Tal era a beleza dessa espada que fez com que ele a quisesse com todas suas forças. Em um movimento preciso e sutil ele conseguiu pegá-la silenciosamente e quando já estava prestes a sair, mais uma rosa azul subitamente cresceu e seu baraço enrolou o corpo de Bercouli. Ele caiu e o som acordou o dragão branco… e essa é a história que contam.”

“E-E o que aconteceu depois?”

Fiquei incrivelmente atraído pela história, então continuei perguntando. Eugeo disse que era uma longa história enquanto sorria e continuava…

“De qualquer forma, muitas coisas aconteceram e Bercouli foi perdoado no final. Ele colocou a espada de volta ao seu lugar de origem e retornou para a aldeia e fim da história. Isso deveria ter sido o suficiente…

Poderia ter sido somente mais um conto chato, se não tivéssemos a ansia de confirmar se era real ou não, durante a nossa infância…”

Sua voz era carregada de arrependimento e culpa. E nesse momento finalmente entendi o que “nossa infância” queria dizer. Eugeo se referia a própria infância com sua amiga, a garota chamada Alice. Provavelmente não tinham muitas outras crianças além deles nessa vila, seis anos atrás.

Após alguns instantes de silêncio, Eugeo continuou.

“Seis anos atrás, Alice e eu fomos para os arredores do limite da montanha para procurar pelo dragão branco, mas não conseguimos achá-lo. O que vimos foi uma pilha de ossos marcados com cortes de espada.”

“O-O qu…, alguém matou o dragão? Como assim? Quem fez isso…?”

“Não sei. Talvez algumas pessoas estivessem… interessadas no tesouro. Tinha muito ouro e toda gama de coisas preciosas espalhadas por todo o lugar. A Blue Rose Sword estava entre elas. É claro, não peguei ela na época pois era muito pesada… E no caminho de volta, acabamos indo pela saída errada e passamos da fronteira da montanha e entramos no Dark Territory. O que aconteceu depois você já sabe.”

“Entendo…”

Olhei para a espada.

“Mas… e esta espada? Como ela chegou aqui?”

“… No verão dois anos atrás, fui para a caverna do norte de novo e a peguei. Usava meus dias de folga para vir carregando ela aos poucos devido seu imenso peso. E quando não dava mais, a escondia na floresta para continuar no próximo dia livre… Acabei demorando três meses para conseguir trazê-la até aqui… e honestamente? Nem sei porque fiz isso…”

Será que é porque ele não pode esquecer Alice? Ou talvez queira usar esta espada para salvá-la?

Foi o que pensei na hora, mas em respeito à Eugeo, preferi não dizer essas palavras.

Então retomei o impulso e por fim, levantei a espada pelo cabo.

Imaginei que devido ao peso e por estar encravada profundamente no chão como um pilar, seria muito difícil de mover, mas estranhamente eu apenas a puxei levemente e a lâmina saiu por si só da bainha fazendo um nostálgico som metálico. Uma vez exposta, senti todo seu peso agindo diretamente sobre meu ombro direito e meu pulso. Rapidamente larguei a bainha e segurei a espada com as duas mãos.

A bainha parecia estar cheia de metal, pois pesada muito. Assim que a soltei, caiu no solo fazendo um barulho seco. Por pouco não acertou meu pé esquerdo, mas não tive tempo de desviar pois senão perderia o equilíbrio e o balanceamento da espada.

A coisa boa é que a espada fora da bainha, era três vezes mais leve. Então, desse modo, eu conseguiria sustentá-la por um tempo maior. Fiquei quase que hipnotizado com sua magnífica lâmina.

É realmente um material inexplicável. O pequeno objeto que tinha apenas 3.5 cm de largura entalhado nela emitiu uma brilhante luz azul quando refletia o sol.

E olhando com mais atenção, a superfície reluzente da lâmina era de um material brilhante translúcido.

“Isto não é um metal comum como a prata. Também é diferente de osso de dragão e, obviamente, não é vidro…”

Eugeo falou com um pouco de espanto na voz:

“Em outras palavras, isso não foi feito por mãos humanas… ao menos é o que eu sinto. Creio que foi criado por uma poderosa Arte Sagrada tomando o poder de Deus ou até mesmo produzido realmente por Deus… tal item é o que chamam de Instrumento Divino. E essa espada, Blue Rose, é definitivamente um desses.”

“Deus.”

Os nomes Solus e Stacia que Eugeo e Selka as vezes mencionavam, e que as vezes apareciam nas orações das Irmã. Isso deveria ser normal nesse mundo de fantasia. Realmente algo que não tinha prestado muito atenção até agora.

De qualquer forma, com o aparecimento de uma arma divina, senti que deveria reconsiderar o assunto. Os deuses do mundo virtual, será que eles se referem as pessoas que controlam todos os processos nesse servidor?

Bom, essa é uma pergunta que ficará sem resposta por enquanto. Mas sinto que a Igreja Axiom é uma existência similar ao Sistema Central.

Seja como for, essa espada deve ter um alto nível de prioridade dado pelo sistema, então devemos compará-lo com o nível do Giga Cedro e ver qual deles é o maior. O resultado disso decidirá se poderei ir para a capital com o Eugeo.

“Eugeo, você poderia checar as informações do Giga Cedro novamente?”

Eugeo me olhou um pouco desconfiado enquanto eu dizia isso brandindo a espada.

“Kirito… não me diga que… você pretende usar essa espada para golpear o Giga Cedro?”

“Já que você a trouxe até aqui, porque não tentar? ”

“Isto é verdade… mas…”

Continuei incentivando Eugeo, tentando convencê-lo a comprar a ideia.

“Ou por acaso existe alguma cláusula das Tarefas Sagradas que diga que não se pode usar uma espada para cortar a árvore?

“Não… não existe nenhuma menção quanto a isso.”

“Ou por acaso o líder da vila ou seu antecessor… Garita lhe disseram que você não pode usar nada além do Machado de Osso de Dragão?”

“… Também não… mas sabe? Sinto que… algo parecido assim já aconteceu antes… é estranho…”

Eugeo resmungou, mas continuou em pé em frente ao Giga Cedro. Desenhou um selo no ar com sua mão esquerda e tocou o tronco da árvore, fazendo a janela de status aparecer.

“Bem, temos 232, 315.”

“Ok, lembre-se deste número.”

“Mas Kirito, você mal consegue manejar essa espada apropriadamente. Veja como está instável só por segurá-la.”

“Mesmo assim, apenas observe! Para erguer uma espada você não utiliza força e sim o centro de gravidade.”

Era uma nostálgica recordação, que desde o antigo SAO eu sempre preferi espadas pesadas.

Gostava do sentimento de esmagar um inimigo com apenas um golpe, mais do que equipamentos que se baseavam velocidade e ataques contínuos para vencer. Assim que meu nível aumentava e meu status de força crescia, o peso da espada em minha mão caia. Este era o porquê de eu continuar a trocando de espadas.

A primeira vez que eu manejei a espada que se tornou minha última parceira, senti exatamente como agora, manejando a Blue Rose Sword e também, o antigo eu tinha uma espada em cada mão, sem que isso diminuísse a intensidade dos ataques.

É claro, as bases do sistema desse mundo são diferentes, então eu não posso simplesmente usar o mesmo método. Porém a síntese do movimento corporal ainda deve funcionar.

Eugeo esperou um pouco afastado da árvore enquanto fui para a esquerda do corte, me curvei levemente e mantive uma postura com a espada baixa, causando uma impressionante exaustão nos meus braços apenas por mantê-la assim.

Não tem como fazer golpes consecutivos. Apenas um movimento normal, aplicado horizontalmente no centro vindo pela direita será o suficiente. Se fosse nomear esse golpe, creio que pegaria emprestado o da skill mais básica aprendida no início do jogo em SAO, a técnica ‘Horizontal’. Meio óbvio, mas diz tudo o que ela é.

Controlei a respiração, movi meu peso para o pé direito e comecei a movimentar a espada para trás. Acabei levantando meu pé esquerdo devido ao peso da espada em inércia. Estava prestes a cair de costas, porém não antes de conseguir alcançar meu objetivo. Fiz o melhor que pude e bati meu pé direito no chão, ajustando o centro de gravidade, convertendo a força do movimento pendular das pernas e cintura para enfim executar o golpe Horizontal.

A espada liberou um brilho e mesmo não tendo acelerado por si só, meu corpo manteve a postura perfeitamente para que a técnica fosse executada. O pé esquerdo tocou o solo criando um pequeno tremor, movi a larga e pesada espada usando a inércia que ainda não tinha me jogado para trás e segui em frente diretamente para o alvo.

Mas embora a postura estivesse correta, minhas pernas estavam incapazes de se manterem firmes para adicionar força e dar um golpe perfeito. Foi quase como se eu apenas tivesse atirado a lâmina contra o tronco.

Um som muito agudo e cortante pode ser ouvido, fazendo os pássaros nas árvores ao redor saírem voando. Porém não consegui ver se tinha acertado corretamente, pois nessa hora meu corpo foi empurrado para o lado e meu rosto teve um momento íntimo com o musgo do chão…

“Aaaah! Eu sabia que isso ia acontecer!”

Eugeo veio em meu auxílio. Sentei cuspindo musgo que estava em minha boca. Junto com meu rosto, também meu pulso, cintura e joelhos estavam gritando de dor. E tentando ignorar isso, falei:

“…Não dá para acreditar… o status ainda continua vermelho…”

No antigo SAO, se alguém equipasse um equipamento ou arma que não tivesse o STR mínimo requerido, apareceria uma janela informando isso com status na cor vermelha. Ao que parece, essas palavras não chegaram aos ouvidos de meu preocupado e assustado amigo, Eugeo. E ainda acrescentei.

“Então é isso… ainda me falta força física. Será que existe algum espadachim capaz de usar essa arma monstruosa?”

Relaxei meus ombros, esfreguei meu pulso direito e me virei para Eugeo que estava parado olhando em direção à árvore.

A Blue Rose Sword estava sacudindo encravada na metade da casca do Giga Cedro.

“…Impossível… Um golpe apenas causou tudo isso…”

Eugeo disse isso com uma voz trêmula enquanto foi medir com os dedos a profundidade que a espada tinha atingido na madeira.

“A lâmina não tem nenhum sinal de dano, está em perfeito estado e… perfurou cerca de uns dois centímetros do Giga Cedro…”

Ignorei completamente a dor que estava sentindo e me levantei, sacudindo toda a areia que estava nas roupas.

“Isso foi só para testar. Essa espada, a Blue Rose Sword é mais forte do que o Machado de Osso de Dragão… examine novamente a vida do Giga Cedro!”

“Uh, certo…”

Eugeo fez os sinais no ar novamente, desenhou o selo de antes e tocou o tronco da árvore. O que ele viu na janela foi:

“232, 314.”

“O q..quê!?”

Era a minha vez de ficar chocado.

“Só isso? Mas perfurou tanto…por que…? Não me diga que não vai funcionar se não for com o machado?

“Não, esse não é o motivo.”

Eugeo levou suas mãos atrás da cabeça e a sacudiu.

“É somente porque você cortou no lugar errado. Enquanto não acertar diretamente seu núcleo, a vida não cairá. Mas isso é apenas um palpite meu…, porém se der certo, minha Tarefa Sagrada terá chegado ao fim…”

Eugeo se virou, com uma expressão apreensiva enquanto mordia os lábios rapidamente.

“Mas isso se conseguirmos usar a espada adequadamente. Pois se não acertamos o lugar certo ou se ela ficar danificada, ao invés de terminar a tarefa mais cedo, estaríamos é nos atrasando ainda mais. E seria mais lento do que com o machado.”

“No momento esse é o máximo que consigo. Mas e você Eugeo? Você deve ser muito mais forte do que eu. Tente usa-la uma vez.”

Continuei incentivando-o novamente até que ele finalmente disse que tentaria. Então colocou as mãos sobre a espada e encarou a árvore.

Segurou a empunhadura da Blue Rose que estava encravada na árvore e a puxou. A lâmina finalmente saiu do tronco e a parte superior de Eugeo se inclinou. A ponta da espada tocou o chão emitindo um som metálico.

“É, …é realmente muito pesada. Eu não consigo fazer isso, Kirito.”

“Se eu pude, você definitivamente pode Eugeo. É basicamente como mover um machado. Você só precisa usar mais o seu peso. Não use apenas a força do seu punho. Mantenha seu corpo estável.”

Não tenho certeza do quanto de minhas palavras tinham o alcançado. Eugeo já era muito experiente usando o machado, então não precisou de muito tempo para entender. Seu rosto gentil se tornou sério quando começou a se ajeitar para manejar a espada.

Após andar um pouco para trás ao levantá-la, ele parou por um momento, respirou fundo e movimentou a espada com uma velocidade incrível.

Seu pé direito se manteve à frente, fazendo com que executasse um golpe fortíssimo que me deixou impressionado. Um rastro azul surgiu no ar enquanto a ponta da lâmina atravessava o centro do corte.

Porém, justo na parte final, o pé esquerdo que estava suportando todo o peso do corpo deu uma escorregada. A espada fez um corte em formato de V, produziu um som profundo e parou. Eugeo então sentiu o efeito colateral e como eu, foi jogado ao chão gemendo de dor.

“Ugh…”

“E-Ei! Você está bem?

Rapidamente corri para acudi-lo. Ele levantou sua mão direita e me disse que estava tudo bem, porém só um pouco desnorteado. Olhando para ele dessa maneira, finalmente percebi que existe dor física real nesse mundo.

Os jogos de VRMMO SAO, ALO enviavam a sensação de dor que deveria ser sentida pelo cérebro para um dispositivo chamado de “Unidade de Absorção de Dor” e a tornava praticamente nula, com intuito de não ferir o avatar. Sem esse mecanismo, ninguém poderia aguentar a dor de ter seus pontos vitais feridos durante um batalha.

Porém, não parece existir nenhuma intenção de entretenimento aqui. Mesmo que tenha se passado um tempo desde que golpeei a árvore, ainda sinto a sensação de dormência nos meus pulsos como se os tivesse torcido. Me pergunto o que aconteceria se fosse seriamente ferido. O quão doloroso isso seria?

Em Underworld, se tiver que combater outras pessoas, não poderei ser descuidado. Terei que agir completamente diferente do que tenho feito até hoje. Mesmo porque, não estou afim de descobrir que tipo de dor sentirei caso seja acertado por uma espada pesada como essa.

Pelo visto Eugeo, é mais tolerante a dor do que eu, pois precisou de apenas uns 30 segundos para que sua expressão de dor sumisse e se levantasse novamente.

“Pois é, ainda não posso fazer isso, Kirito. Creio que nossas vidas irão se reduzir muito até que consigamos atingir a árvore de maneira efetiva.”

Ambos encaramos a colossal árvore novamente. A Blue Rose Sword acertou a parte de cima da abertura do corte em um ângulo ligeiramente inclinado, quicou e foi ao chão.

“Pode até ser, mas ao menos nosso jogo de pés é bom…”

Eu ia dizer que Eugeo era um pouco indeciso demais, mas ao vê-lo me olhando como uma criança que estava sendo repreendida, desisti de continuar e fui pegar a bainha de couro branco que estava no chão de musgo. Eugeo pegou a espada e cuidadosamente a colocou de volta na bainha. A enrolou na manta de couro, amarrou a corda e a deixou em um canto perto dali.

Eugeo suspirou e pegou o machado que estava ao lado do Giga Cedro. E nesse momento falou.

“Uwahh!!! Mas o machado está leve como uma pena. Bom, nós já fugimos tempo demais das obrigações. Vamos pegar pesado no trabalho da tarde.”

“Ahh… me desculpe por tê-lo obrigado a fazer essas coisas, Eugeo…”

Ao ouvir minhas desculpas, o jovem virou e deu um sorriso inocente. Esse sorriso poderia apenas ser descrito como honesto.

“Está tudo bem, Kirito. Agradeço por tentar ajudar. Então vamos lá! Começarei com os 50 golpes primeiro.”

Enquanto ouvia os sons ritmados do machado, andei até a espada Blue Rose Sword e a toquei.

Não acho que esteja errado. Se usar esta espada, podemos definitivamente derrubar o Giga Cedro. Mas é como Eugeo disse, se a usar descuidadamente, poderemos pagar um alto preço por isso.

Já que essa espada existe nesse mundo, deve haver alguém que possa equipá-la. Eugeo e eu apenas não temos as condições necessárias para isso no momento.

Neste caso, quais poderiam ser essas condições? Classe? Nível? Status? O que exatamente deve ser e como eu começo a investigar…?

“ … “

Ao pensar nisso, abri minha boca lentamente. Me dando conta de quão lento era meu raciocínio.

Mas é claro! Eu deveria abrir minha janela de status e verificá-la. Até agora eu só fiz aparecer uma janela no pedaço de pão que Eugeo me deu… e também quando tentei apagar a luz da lamparina no quarto da igreja. Como não havia pensado nisso antes? Como sou idiota …!

Levantei minha mãe esquerda e desenhei a marca de comando de antes, como esperava, apareceram um círculo e um retângulo roxo em minha visão.

Diferente da janela do pão, haviam várias linhas de palavras aqui. Inconscientemente busquei por uma palavra chave específica, porém não conseguia achar.

Então comecei a analisar.

Na primeira linha encontrei [ID da UNIDADE:NND7-6355]. ID da UNIDADE, isso me deu alguns calafrios, mas agora não era hora isso, então continuei.

Guardei mentalmente os valores alfanuméricos, já que poderiam ser números de série comumente usados nesse mundo e por isso, úteis.

Abaixo encontrei a durabilidade, que também podia ser vista no pão e no Giga Cedro é a tal VIDA que Eugeo fala e seu valor indicado é [3280/3289].

Geralmente, o que fica na esquerda é o valor atual e o da direita o valor total. A razão para ter caído um pouco deve ser porque usei a espada de maneira desajeitada. Então olhei um pouco mais para baixo…

Na próxima linha estava escrito: [Autoridade de controle de objetos: 38] e abaixo desta: [Autoridade de controle de sistema: 1].

Essas eram as únicas informações. O valor da experiência requerida em um RPG, nível, indicador de status, não tinha nada disso. Mordi meus lábios e …

“A-Autoridade de… controle de objetos… isso é…”

Quando falei isso, me deu a nítida impressão de que esse parâmetro numérico estava relacionado às ferramentas. Porém não conseguia imaginar a expressividade que um parâmetro 38 significava.

Suspirei e olhei para Eugeo, que continuava manejando o machado incessantemente. Enquanto o observava, de repente tive uma ideia. Fechei minha janela de status e fui checar as informações da espada. Desfiz o nó e desenrolei parte do embrulho até poder enxergar a empunhadura, fiz a marca no ar e a usei na espada.

Na janela que apareceu, vi que o valor de vida da Blue Rose Sword era de 197700, semelhante a do Giga Cedro, mas o que queria me certificar era outra coisa… Abaixo do valor de vida, havia uma inscrição [Objeto classe 45] indicada ali. Havia uma grande chance que isso tinha relação com a Autoridade de sistema que eu vi anteriormente. A minha Autoridade é de 38, infelizmente está um pouco distante dos 45.

Removi a janela de status da espada e a amarrei novamente antes de me sentar ao lado do embrulho. Olhei através das brechas entre as folhas do Giga Cedro até o céu e suspirei profundamente.

Consegui bastante informação, porém continuava não podendo manusear a espada. Este fato em si foi confirmado pelo valor numérico que acabei de ver.

Provavelmente conseguiria se aumentasse meu nível de autoridade para 45, mas não pude achar nenhum modo para isso.

Se este mundo usasse um sistema de VRMMORPG comum, eu teria que praticar continuamente ou derrotar monstros para ganhar experiência.

Realmente não faço a menor ideia se tenho tempo para ficar treinando, sem falar que não encontrei nenhum monstro ainda. Então se me deparo com uma situação onde eu consiga um item raro mas não tenha nível suficiente para equipá-lo, normalmente a resposta seria ganhar experiência trabalhando.

Mas como fazer isso? Sendo que até agora não encontrei nenhuma maneira de aumentar minha experiência.

Um jogo de MMO é mais interessante quando não existe nenhum site para nos guiar, forçando o jogador a desde o início testar tudo por conta própria. Isso é o que os jogadores experientes diriam, mas garanto que eles iriam repensar se estivessem em um lugar tão real quanto esse.

Enquanto pensava nisso, Eugeo terminou seus 50 movimentos, secou o suor e se virou.

“E aí Kirito? Ainda vai querer usar o machado?”

“Ahh…sim, minha dor já diminuiu um pouco.”

Me levantei e estiquei a mão para pegar o machado. Realmente ele parecia muito mais leve.

Certo, vamos torcer para que usando o machado os parâmetros aumentem.

Mantive isso em foco enquanto levantava o machado e preparava para golpear.

“Uahhhh… isto é absolutamente o paraíso…”

Mergulhei meu corpo fatigado e sedentário na água quente e relaxei. No final não pude ajudar apesar de ter dito que iria.

O banheiro da igreja de Rulid era feito com um grande tanque de água de bronze que tinha azulejos embaixo e uma fornalha construída do lado de fora da parede para colocar lenha e esquentar a água. Isto definitivamente me lembrou das casas de banho da idade média na Europa. Não faço ideia se isso foi projetado pelo criador deste mundo ou se foi um resultado de uma auto evolução através de simulações nas muitas centenas de anos.

Depois do jantar, as duas irmãs Azariya e Selka a usaram e depois disso, eu entrei com os outros garotos. Após algumas bagunças, as crianças finalmente saíram e eu pude aproveitar um pouco mais a água jogando-a sobre a minha cabeça…

“Ufaaa…!”

Pelas minhas contas até agora, permaneci nesse mundo por umas 33 horas.

Porém a taxa de aceleração do FLA nesse jogo ainda me é desconhecida. Sendo assim, não posso deduzir quanto tempo realmente se passou. Caso não aja nenhuma aceleração, por essa hora tanto a minha família quanto a Asuna devem de estar muito preocupados.

Comecei a ficar ansioso ao ponto de dar um nó na garganta, somente por pensar em algo assim. O que acabou dificultando que eu conseguisse relaxar no banho e começasse a pensar desesperadamente em um modo de sair dali. Mas ao mesmo tempo também quero descobrir todos os segredos desse mundo.

Eu, que ainda carrego as memórias de Kirigaya Kazuto desde o momento em que cheguei, só posso pensar que algo anormal ocorreu. E acredito também que se eu continuar a agir por conta própria, posso acabar causando algum problema no teste de simulação, isto é, caso realmente isso seja apenas um teste. E sei que os pesquisadores que investiram tanto tempo nesse experimento que já dura por pelo menos trezentos anos não querem que isso aconteça.

Entretanto, é possível que eu tenha conseguido uma chance em mil de descobrir qual é a verdadeira identidade dessa empresa chamada RATH, com esse assombroso capital financeiro mas que consegue ficar longe dos holofotes da mídia. Realmente essa pode ser a primeira e última chance de descobrir algo sobre essa misteriosa organização.

“Não… isso provavelmente é somente outra desculpa para me convencer…”

Mergulhei meu corpo até a altura da minha boca e fiquei soltando bolhas de ar enquanto resmungava isso.

Ou talvez, eu apenas esteja motivado pelo meu desejo como um jogador de VRMMO de encarar uma nova aventura. Sou sempre guiado por essa vontade absolutamente tola e imatura de ‘zerar o mundo’. Lugar este que não tem qualquer manual e se revela através da utilização de meu próprio conhecimento e instintos para poder aperfeiçoar minhas habilidades com a espada e vencer um monte de caras incríveis. Com o intuito de sempre seguir em direção à meta principal, ser o mais forte.

Ser forte no mundo virtual, de uma forma simples, é uma falsa impressão criada pelos valores dos parâmetros e eu já pensei muitas vezes sobre isso no passado.

Como quando Heathcliff defendeu minha habilidade de espada de dupla empunhadura ou quando desmoronei na frente do Rei das Fada Oberon de uma maneira patética e também na ocasião em que estava sendo perseguido pelo Death Gun. Meu instinto primário era sempre de desistir e sair correndo, porém, desde aquela época, eu fiz um juramento de que nunca mais cometeria os mesmos erros novamente.

E com isso em mente, sinto como se chamas me queimassem por dentro. Aquela magnífica espada, a Blue Rose Sword, a que eu não consigo empunhar… Me pergunto quantas pessoas podem facilmente brandi-la nesse mundo? Quão forte são os Integrity Knight que protegem a lei e a ordem mundial dos Dark Knight do mundo escuro? Que tipo de homens são os que estão no topo da Igreja Axiom nesse enigmático lugar…?

Inconscientemente agitei minha mão direita e remexi a superfície da água. As pequenas ondas que fluíam bateram na parede em frente a mim causando um ligeiro som.

Ao mesmo tempo, um outro som pode ser ouvido na porta que dava para o vestiário, interrompendo meus pensamentos.

“Hã!!! Tem alguém aí dentro?”

Percebi que era a voz de Selka e rapidamente me levantei.

“A-Ah… sou eu, Kirito. Desculpe, eu vou sair imediatamente.”

“U …uh. N-Não se incomode. Apenas lembre-se de remover a tampa do tanque quando você sair e desligar a lâmpada. Até logo, então… estou voltando para o meu quarto, portanto, boa noite. ”

Percebendo que Selka estava prestes a sair, de repente acabei chamando-a de volta.

“Ah… Ei! Selka! Gostaria de lhe perguntar algo. Você está livre esta noite? ”

Selka permaneceu imóvel em silêncio por um tempo de uma maneira aparentemente hesitante, mas finalmente disse em uma voz quase inaudível:

“… Um pouco. As crianças já devem de estar dormindo no meu quarto. Se quer conversar, então esperarei no seu quarto.”

Ela rapidamente saiu com pequenos passos apressados, sem esperar pela minha resposta.

Tratei de sair do tanque, removendo a tampa na parte inferior, apaguei a luz e caminhei em direção ao vestiário.

Percebi que mesmo se eu não me secar com uma toalha, as gotas de água secariam rapidamente. Vesti algumas roupas emprestadas e voltei para o silencioso corredor antes de subir as escadas.

Abri a porta do quarto de hóspedes e Selka, que estava balançando suas pernas no ar enquanto estava sentada de lado na cama, levantou a cabeça.

Ao contrário da última noite, ela estava vestindo uma camisola de algodão e seu cabelo castanho estava amarrado em três rabos de cavalo.

Não mostrou qualquer mudança de expressão quando pegou um copo que estava sobre a mesa e entregou a mim.

“Oh! Obrigado.”

Recebi a bebida e me sentei ao lado de Selka. Senti que a água gelada estava entrando em meu corpo sedento conforme a engolia. Ela se infiltrava nos meus membros gota a gota. Essa sensação me levou a exclamar:

“Uuh!… Néctar, é néctar!”

“Néctar? O que é isso?”

Depois disso, Selka inclinou a cabeça me olhando em clara confusão.

Mas que droga! Nem esse termo existe aqui.

Me apavorei um pouco mas consegui dizer:

“Errrm… bem… é algo que se diz quando algo é muito saboroso e que tenha algum efeito benéfico para quem a ingere. Como essa água que bebi, parece que estava me curando… ou algo assim”.

“Humm… você quer dizer, como um elixir?”

“O-o quê?”

“Água abençoada pelos sacerdotes. Você pode não ter visto antes, mas apenas uma pequena garrafa daquilo pode recuperar imediatamente qualquer vida que tenha sido reduzida por ferimentos ou doenças.”

“Sério…!?”

Se há tal coisa, por que um vírus causou tantas mortes no passado? Foi o que me ocorreu imediatamente, mas percebi que era melhor não perguntar nada e permaneci em silêncio.

Uma coisa eu tenho certeza agora, esse mundo governado por esta incrível Igreja Axiom não é um paraíso como pensei ser….

Selka recebeu o copo de água de volta e disse muito rapidamente:

“Se você tem algo a me perguntar, por favor se apresse. É proibido entrar no quarto de um menino após o banho, mas o quarto de hóspedes não conta. No entanto, a irmã Azariya vai me repreender se ela souber sobre isso.”

“Bem… realmente sinto muito. Vou perguntar então.

Na verdade… eu gostaria que me contasse sobre a sua irmã.”

De repente, os ombros magros sob a camisola branca tremeram ligeiramente.

“… Eu… não tenho irmã.”

“Como assim? Eugeo que me disse isso. Me falou sobre sua irmã, Alice…”

Antes que eu pudesse terminar de falar, Selka levantou a cabeça, o que me surpreendeu um pouco.

“Ouviu de Eugeo? Ele lhe disse algo sobre Alice? O que ele disse?”

“Ah… hum, bem… que Alice estudou artes sagradas na igreja… e que seis anos atrás, ela foi levada para a capital pelos Integrity Knight…”

“… Entendo…”

Selka suspirou um pouco e baixou a cabeça e sussurrando continuou.

“…Eugeo, então ele ainda não se esqueceu… de Alice…”

“Hein…?”

“Todo mundo na vila …nosso pai, mãe, a Irmã Azariya, todos eles não dizem nada sobre Alice. Seu quarto foi desfeito muitos anos atrás… como se ela nunca tivesse existido… é por isso, que eu pensei que todo mundo tivesse se esquecido dela… mas então Eugeo… ele…”

“O que você quer dizer com ele esqueceu? Eugeo realmente sente falta de Alice. E se não fosse por sua Tarefa Sagrada, ele já tinha ido para a capital o mais depressa possível.”

Ao ouvir as minhas palavras, Selka permaneceu em silêncio por um tempo, e depois sussurrou:

“Então é isso…, a razão pela qual Eugeo nunca mais sorri foi pelo que aconteceu com Alice.”

“Eugeo… nunca sorri?”

“Sim. Quando minha irmã ainda estava na aldeia, ele estava sempre sorridente. Era realmente raro não vê-lo sorrir.

Eu era muito jovem naquela época, mas eu ainda me lembro claramente… no entanto, depois que minha irmã se foi, praticamente não vi o rosto sorridente de Eugeo. E também… em seus dias de folga, se ele não fica dentro de casa, ele vai para a floresta e some por lá, voltando apenas ao cair da noite… ”

Continuei ouvindo sua história enquanto pensava. É verdade que Eugeo faz as coisas de uma forma calma e metódica, mas ele não deixa de emitir uma aura introvertida. Ele estava bem sorridente quando falava comigo. Inclusive quando fomos para a floresta, ou voltando para a aldeia e até mesmo durante o tempo de descanso.

A razão pela qual ele não pôde mais mostrar o seu sorriso à Selka e aos aldeões, provavelmente deve ser o sentimento de culpa auto imposto.

Alice, a quem todos amavam e tinham grandes expectativas em relação ao seu futuro, foi levada embora e talvez ele se culpe por ter sido incapaz de fazer qualquer coisa para salvá-la. Será isso…? Ele não iria reclamar e se culpar na minha frente, um total estranho, então talvez seja esse o motivo.

Se for esse o caso, a alma de Eugeo definitivamente não é criada por um programa. Ele tem uma consciência real e alma como eu…e um Fluctlight. Possivelmente durante os últimos 6 anos, ele foi gravemente atormentado por todos os tipos de problemas.

Eu tenho que ir para a capital.

Novamente reforço este pensamento. E agora não é somente para mim, quero fazer com que Eugeo saia da aldeia para encontrar Alice e deixar os dois se reunirem mais uma vez.

Esse será o objetivo principal e não sairá da minha mente. Tenho que encontrar um meio de trazer abaixo o Giga Cedro…

“… Ei! No que você está pensando?”

As palavras de Selka me trouxeram de volta dos pensamentos. Levantei o rosto e disse:

“Nada… só pensando sobre algumas coisas. Como você disse, Eugeo realmente se referiu à Alice carinhosamente. ”

Ao dizer essas palavras vindas diretas de meu coração, notei que o rosto de Selka parecia tremer. As lindas sobrancelhas e grandes olhos mostravam uma expressão solitária.

“Eu… entendo. Assim como eu esperava “.

Sussurrando essas palavras de cabeça baixa, até mesmo um idiota como eu perceberia.

“Selka… você gosta de Eugeo?”

“O qu… o que você está dizendo?”

Ficou franzindo as sobrancelhas em sinal de protesto, mas seu rosto a denunciava pois estava completamente vermelho. Pensei que ela iria se retrair, mas ao contrário, me deu um olhar firme e disse:

“…É só que, eu não consigo mais suportar… mesmo com a minha irmã ausente, meus pais continuam a nos comparar, assim como os demais adultos.

É por isso que saí de casa e me mudei para a igreja. Porém, aqui também é igual. A Irmã Azariya, quando está me ensinando as artes sagradas, não perde uma chance de dizer que a Alice só precisava ver uma única vez para dominar os rituais…

Mas com Eugeo não é assim… ele continuou a me evitar. Talvez ele pense em minha irmã toda vez que me vê. Tudo isso… é injusto! Eu nem me lembro direito do rosto de minha irmã…! ”

Aquela pequena silhueta sob a fina camisola tremeu, e para ser honesto, meu coração se encheu de emoções conflitantes.

Talvez porque até o momento, em um canto da minha mente, eu estivesse sempre pensando nesse mundo como uma enorme simulação. E que mesmo agora, Selka e o resto podiam realmente não ser programas, porém de uma coisa tenho certeza, todos eram existências temporárias. Creio que isso seja o que mais dói.

Permaneci olhando para essa menina de apenas doze anos que continuava a chorar sem saber o que fazer, com meu corpo paralisado. Selka usou a mão direita para enxugar as lágrimas e falou:

“… Desculpe. Eu fiquei muito agitada. ”

“Não … tudo bem, sem problemas. Creio que se você sente vontade de chorar, é melhor apenas colocar tudo para fora.”

Por que estou dizendo essas coisas?

Mesmo que eu me sentisse verdadeiramente assim, esse comentário parecia ser de algum drama popular do Japão do século vinte e um, mas ao menos fez Selka sorrir um pouco enquanto concordava timidamente.

“… Hum, sim… já estou me sentindo um pouco melhor. Já faz um bom tempo desde que chorei na frente de alguém”.

“Heh… Você é bem surpreendente, Selka. Eu também já chorei na frente de outras pessoas, sabia? ”

Lembrei das vezes em que chorei na frente de Asuna e Suguha quando eu disse isso. E Nesse instante Selka arregalou os olhos e olhou para mim.

“Hein? …Kirito, você recuperou suas memórias?”

“Ah … não, não, claro que não… Eu apenas tive esse sentimento que… bem, de qualquer maneira, eu sou eu e não os outros … é por isso que sinto que você só precisa fazer o que você pode fazer, Selka.”

E lá fui eu, com mais um bordão cliché de filme B. Porém, Selka ponderou por um tempo e em seguida, acenou em afirmativo com a cabeça.

Heh! Talvez esteja ficando bom nisso…

“… Sim. … acho que tenho que ser capaz de enfrentar o fato de que eu tenho minha irmã como exemplo aos olhos dos outros…”

Ao vê-la dizer essas palavras com uma atitude determinada, me senti culpado, uma vez que eu estou fazendo de tudo para levar Eugeo para longe dela.

Enquanto pensava nisso, a torre do sino acima de nós soou uma melodia.

Selka Schuberg - Sword Art Online Alicization
… Desculpe. Eu fiquei muito agitada.

“Ah … já são nove horas. Eu devo voltar imediatamente para o meu quarto. Ah, sim… isso era tudo que você queria me perguntar, Kirito?”

Selka inclinou a cabeça enquanto dizia isso e eu respondi com:

“Sim, isso é o suficiente”.

“Entendo… então já estou indo.”

Selka levantou-se da cama e se dirigiu para a porta, mas depois de alguns passos, parou e se virou.

“Me diga… Kirito! Você também sabe por que minha irmã foi levada pelo Integrity Knight?”

“Eh… O que você quer dizer? ”

“Na verdade eu não sei de nada sobre isso. Meu pai nunca me disse nada… E uma vez eu perguntei a Eugeo, mas ele também não quis me dizer… Então, você sabe qual foi a razão?”

Hesitei por um instante, mas simplesmente não poderia negar esse tipo de informação.

“Bem… creio que eles entraram em uma determinada caverna na subida do rio e acabaram passaram dos limites da borda da cadeia montanhosa e sua irmã, sem querer, tocou com a mão a terra da escuridão, isso foi o que ouvi…”

“…Eu entendo … então ela passou pela borda da montanha…”

Selka parecia estar pensando sobre alguma coisa, mas logo balançou a cabeça e continuou:

“Amanhã é dia de descanso mas a hora da oração continua a mesma de sempre. Lembre-se de acordar antes. Não quero ter que vir aqui lhe tirar da cama. ”

“Sim, eu tentarei.”

Por um instante, Selka sorriu e em seguida abriu a porta e saiu.

Ouvi seus passos afastando-se antes de deitar na cama. Realmente queria obter algumas informações sobre esta misteriosa garota chamada Alice, mas Selka, que tinha apenas cinco ou seis anos naquela época, não tem qualquer lembrança aproveitável, como era de se esperar. Só o que sei é que os sentimentos de Eugeo por Alice são bem fortes.

Fechei os olhos e tentei montar o perfil daquela menina chamada Alice.

Mas minha mente definitivamente não conseguia imaginar seu rosto. Fiquei tentando de todas as maneiras até que uma luz dourada brilhou através dos meus olhos. Já era de manhã e eu estava dolorosamente e sonolentamente ciente do quão pouco eu sabia sobre tudo.

 

OBS.: ACABOU O CAPÍTULO 3, SEMANA QUE VEM TEM O 4.

ATÉ PRÓXIMA…

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Até!

Bônus:

https://www.youtube.com/watch?v=8s1PeluI8jU