Sword Art Online Alicization Beginning em Português – Prólogo II – Parte 2

Arco: Alicization Underworld

Prólogo II – [Parte 2]

Soul Translator - SAO III
Soul Translator

Um apelido ao qual não era chamada a mais de cinco anos, Shino prontamente se levantou enquanto dava um grande sorriso.

“Asuna, olá!”

Yuuki Asuna se aproximou fazendo as tábuas do assoalho rangerem ao caminhar, as duas garotas então juntaram as pontas de seus dedos sorrindo. Enquanto sentavam em suas cadeiras lado a lado, Kazuto, que estava levemente surpreso perguntou.

“Vocês duas… desde quando ficaram tão próximas?”

“Hein!? Bom, mês passado, eu até passei uma noite na casa da Asuna.”

“O-O quê!? Como assim? Eu sequer fui na casa dela ainda.”

“Não foi você mesmo que disse Kirito? ‘ – Eu preciso estar mentalmente preparado’ e saiu de fininho?”

Asuna franziu um pouco o rosto e Kazuto tomou mais um gole de seu café Shakerato envergonhado.

Daquele jeito, Asuna não podia deixar de sorrir enquanto pensava “Não tem jeito mesmo” então ela notou Agil, que lhe ofereceu água e uma toalha, então se levantou e se curvou.

“Me desculpe por não te cumprimentar antes, Agil.”

“Seja bem-vinda! Isso me lembrou do tempo em que vocês dois estavam vivendo no segundo andar da minha loja.”

“Bom, nós ainda estamos morando na sua loja na cidade de Yggdrasil… Hmm, o que eu deveria pedir hoje…”

Enquanto Asuna, a quem parece ser uma velha amiga do gigante dono do estabelecimento, olhava o cardápio, Shino deu outra verificada no terminal móvel de Kazuto que estava em cima da mesa. O ponto azul continuava piscando no mesmo lugar, perfeitamente sobre a cafeteria.

“…Então, eu vou querer uma bebida de gengibre por favor. A mais picante.”

Depois de Asuna terminar seu pedido e Agil retornar ao balcão, Shino falou sorrindo.

“Ei, vocês estão monitorando as coordenadas de GPS um do outro? Parece que estão se dando muito bem.”

Kazuto fez um olhar sério enquanto balançava sua mão dizendo “Não, não, não.”

“Esse mostra as coordenadas exatas do terminal da Asuna, sem necessitar de qualquer ação da parte dela, mas o meu não é tão simples. Asuna, mostre o seu!”

“Certo.”

Asuna concordou com a cabeça e tirou da bolsa, que estava na guarda da cadeira, seu terminal móvel, passando para Shino travado na tela de standby.

Shino pegou o objeto e percebeu que a tela do pequeno monitor tinha um papel de parede animado muito fofo. No centro havia um coração rosa com uma fita vermelha ao seu redor, que estava pulsando em intervalos de um segundos. Junto do coração haviam duas linhas com várias figuras, as quais Shino não entendeu o significado. Uma figura tinha [63] no lado esquerdo exibido em uma fonte grande, e uma menor [36.2] estava no lado direito. Enquanto Shino inclinava sua cabeça, a figura da esquerda subiu para 64.

“O quê…?”

Quando Shino estava prestes a dizer “O quê é isso?” percebeu que Kazuto estava ficando um pouco constrangido.

“Eh!… isso… poderia ser… os batimentos cardíacos e a temperatura do Kirito?”

“Exatamente! Como era de se esperar da Shinonon, você tem uma ótima intuição.”

Asuna disse isso enquanto batia palmas. Depois que Shino olhou do terminal para o rosto de Kazuto algumas vezes, ela fez a primeira pergunta que lhe veio à mente.

“M-Mas… que espécie de mecanismo é esse…?”

“Ele está aqui sob a minha pele…”

Kazuto tocou o meio de seu peito com o polegar direito.

Então estendeu sua mão para Shino, e simulou uma espaço de cerca de 5 milímetros usando dois dedos.

“É um minúsculo sensor implantado que monitora os batimentos cardíacos e a temperatura. E envia os dados para o meu terminal via rádio. A partir disso, a informação é passada para o terminal da Asuna pela internet quase em tempo real.”

“Sério? Como um sensor de vitalidade?”

Dessa vez Shino estava realmente surpresa, ficou sem saber o que dizer por alguns instantes, até processar tudo e começar a falar novamente.

“P-Por que vocês estão fazendo algo assim…? Ah, poderia ser um sistema de prevenção?”

“N-Não não!”

“Não!”

As respostas de Kazuto e Asuna foram perfeitamente sincronizadas enquanto balançavam as cabeças para os lados.

“Não, foi quando eu comecei esse trabalho de meio período, eles recomendaram que isso fosse implantado em mim, para evitar de me espetarem eletrodos todos os dias. Depois que contei para Asuna, ela me pediu para usar os dados vitais. Depois me obrigou a criar um aplicativo e instalá-lo no terminal dela.”

“É porquê… eu não quero que alguma companhia desconhecida monopolize os dados de saúde do Kirito. Pra começo de conversa, sempre fui contra colocarem algo estranho no corpo dele.”

“Como você consegue dizer isso? Sempre que tem um tempinho fica olhando para esse monitor com uma cara super feliz.”

As bochechas de Asuna avermelharam levemente ao ouvir as palavras de Kazuto.

 

“E-Eu me acalmo sempre quando olho pra isso. Pensar que é o coração do Kirito que está batendo aqui, dá a impressão que estamos sempre juntos…”

“Uau, Asuna, isso soou perigosamente ousado.”

Shino começou a rir enquanto olhava novamente para o terminal em sua mão. Os batimentos cardíacos já haviam aumentado para 67 assim como a temperatura que também se elevava um pouco. Mesmo assim, Kazuto se esforçava para fazer uma cara totalmente indiferente à situação enquanto bebia sua água, porém, os dados mostravam que na verdade ele estava realmente muito envergonhado.

“Hahaha, entendo… está certo… de alguma forma…isso é muito bonito…”

Quando se deu conta do que havia sussurrado sem querer, levantou o rosto e balançou sua cabeça rapidamente para Kazuto e Asuna que estavam piscando de surpresa.

“Ah, não… não é nada disso… não estava me referindo a… , b-bem, na verdade em G-GGO também existem sensores que medem os batimentos cardíacos, é um suplemento para auxiliar em batalhas com pouca visibilidade, não tem nada a ver com implicação feminina, era isso que eu estava tentando dizer…”

Devolveu então rapidamente o terminal para Asuna continuou a falar:

“O-Oh, eu quase esqueci o tema principal de hoje. Hmm, eu perguntei pra Asuna por e-mail sobre o quinto torneio em GGO, se poderia participar? Já que envolve converter seu personagem eu não quero te forçar a fazê-lo.”

“Ah, sobre isso não tem problema. Pois tenho uma conta secundária em ALO então a casa e os demais itens podem ser transferidos para aquela conta e assim consigo mantê-los numa boa.”

Asuna sorriu alegremente e seu tom de voz fez com que Shino ficasse calma, ela então respirou fundo e prosseguiu.

“Obrigada, com a ajuda da Asuna, vai ser fácil como dar um bastão de ferro para um ogro, ou montar uma metralhadora em um Bunker. Creio que irá precisar de alguns dias treinando com uma espada de fótons para acertar o tempo dos golpes.”

“Sim, irei converter a conta um mês antes do torneio, e precisarei que você me guie pela cidade.”

“Mas é claro. A alimentação em GGO também não pode ser esquecida. Então… pode ser um pouco cedo para isso…, mas estarei aos seus cuidados.”

Asuna envolveu a mão estendida de Shino com seus dedos. Depois de segurarem suas mãos fortemente, Shino bateu com sua outra mão na mesa.

“Bem, o tema principal está concluído. Vejamos, o próximo será…”

Disse enquanto observava o rosto de Kazuto, que estava mastigando um pedaço de gelo no lado contrário da mesa.

“Pode nos contar mais agora? Sobre seu estranho trabalho de meio período. De que tipo é? Embora mesmo que perguntemos, conhecendo você Kirito, deve ser algo como um tipo de teste alpha de algum novo jogo de VRMMO provavelmente.”

Shino finalmente conseguiu perguntar o que estava segurando por mais de trinta minutos enquanto olhava fixamente o rosto de Kazuto.

“Bem, não é um sucesso extraordinário, mas é algo próximo disso.”

Kazuto assentiu com a cabeça enquanto mostrava um sorriso amarelo, em seguida apontou para o micro transmissor na parte superior de seu coração com a ponta do dedo.

“Está correta quando disse sobre testar algo, pois realmente sou um ‘jogador de teste’. Mas o que eu estou testando não é um sistema de jogo, mas uma nova Máquina de Interface Cerebral do sistema de Imersão Total ou BMI para FullDive.”

“Ãh!?.”

Shino estava muito surpresa, enquanto seus olhos permaneciam colados em Kazuto.

“Isso significa que a próxima geração do AmuSphere está finalmente pronta? Será que é um teste para a companhia do pai da Asuna?”

“Não, não está relacionado com a Recto. Como posso dizer isso…? De alguma forma eu ainda não entendo direito tudo sobre àquela empresa… É uma companhia cujo nome nunca tinha ouvido falar antes, mas que tem um monte de fundos para pagar as despesas de desenvolvimento. Provavelmente tem alguma ou algumas organizações enormes financiando eles por trás das cortinas…”

Como Kazuto seguia com uma expressão vaga, Shino inclinou a cabeça para o lado perguntou:

“Como é que é?… Afinal, qual o nome dessa companhia?”

“RATH”

“É um nome bem comum que não remete a nada, eu também nunca ouvi sobre eles antes. Hmm, será existe algum sentido em inglês para isso…?”

“Também pensei a mesma coisa, Asuna tem uma palpite do que seja.”

Sentada ao lado de Shino, Asuna bebeu seu refrigerante de gengibre antes de assentir e responder.

“Em ‘Através do espelho, e O que Alice encontrou lá’ no conto Alice no país das maravilhas, tem um verso em ‘Jabberwocky’ mencionando a criatura que aparece nos sonhos. Parece ser uma tartaruga ou um porco.”

“Hein…”

Mesmo que tenha sido um livro que li a muito tempo atrás, não conseguiria se recordar de uma palavra como essa.” – Shino imaginou uma criatura estranha com uma cabeça de porco saindo de um casco redondo, enquanto continuou perguntando.

“RATH… Então, eles estão fabricando de modo independente a próxima geração de máquinas de FullDive para vender? Mas o AmuSphere não foi desenvolvido em esforços conjuntos de diversas companhias?”

“Não, creio que não tenha sido assim…”

Kazuto murmurou de maneira incerta.

“A estrutura da máquina principal é muito grande. Se somar o console e o equipamento de resfriamento, poderia facilmente preencher toda esse salão… Ainda que a primeira geração das máquinas de FullDive fossem gigantes assim, a partir daí, o tamanho do Nerve Gear permaneceu o mesmo por cinco anos. E o protótipo do AmuSphere 2 que está sendo desenvolvido principalmente pela Recto, também estará à venda ano que vem… Ops! Acho que isso era pra ser confidencial.”

Enquanto Kazuto dava de ombros, Asuna lhe retribuiu com um pequeno sorriso antes de dizer:

“Está tudo bem, já que eles vão anunciar isso no Tokyo Game Show no mês que vem mesmo.”

“Ah, então a Recto irá participar também… Só espero que não seja muito caro…”

Asuna olhou para Shino, que estava com seus olhos voltados para cima, então a filha do presidente da companhia fez o mesmo olhar sério e concordou.

“Eu espero também que seja assim. Mas por hora o preço ainda tem que ser decidido… Bom, já estou satisfeita somente com ALO e realmente não planejo comprar outro dispositivo, eles disseram que terá uma velocidade de renderização muito superior. E que será compatível com os softwares antigos também.”

“Então se for assim. Hummm, será que eu também não deveria procurar um emprego de meio período…?”

Deixando de lado a situação de suas finanças que vinha em sua mente, Shino olhou novamente Kazuto e fez outra pergunta:

“Certo, então a enorme máquina de FullDive dessa companhia RATH não é destinada para o uso doméstico e sim outro tipo de uso comercial?”

“Não, não creio que esteja nesse estágio ainda. Primeiramente falando, de fato a máquina usa técnica de FullDive totalmente diferente.”

“Diferente…? O FullDive não consiste em criar um mundo de realidade virtual usando polígonos, no qual um usuário pode imergir e interagir? Se foi algo diferente, o que você sentiu dentro desse mundo?”

“Sinceramente? Eu não sei.”

Kazuto encolheu seus ombros, e logo disse algo inesperado num tom casual.

“Devido ao sistema de segurança, todas as memórias desse mundo criado por essa máquina não podem ser trazidas para o mundo real. Nesse exato momento, não tenho nenhuma recordação do que eu vi ou fiz durante o período de teste.”

“Hein!?”

Shino acabou gritando sem querer, mas logo baixou o tom de sua voz e perguntou:

“Não pode trazer nenhuma… memória? Algo como isso é… realmente possível? Eles te hipnotizaram após os testes por acaso?”

“Não, não, eles o fazem através de mecanismos puramente eletrônicos. Não… na verdade é melhor chamar de mecanismo quântico…”

Então Kazuto, que tinha acabado de interromper sua narrativa, olhou para o terminal em cima da mesa.

“São quatro e meia já. Shinon e Asuna, vocês ainda têm algum tempo?”

“Sim.”

“Sem problemas para mim.”

Depois que as duas assentiram com a cabeça ao mesmo tempo, Kazuto se ajeitou na cadeira antiga de madeira.

“Está bem, começarei a explicar desde o início. Tudo sobre a tecnologia de Soul Translator.”

Kazuto disse novamente outra palavra nada familiar.

Isso soa, de algum modo, como um feitiço”, pensou Shino. Sentindo um breve desconforto sobre as palavras relacionada à nova tecnologia. Ao seu lado, Asuna inclinou levemente sua cabeça enquanto sussurrava.

“Soul..?”

“Eu também achei que era um nome muito exagerado na primeira vez que escutei isso.

Kazuto novamente encolheu os ombros, para em seguida perguntar subitamente:

“A mente humana, onde vocês acham que ela fica?”

“Mente?”

Shino estava prestes a tocar o meio de seu peito por reflexo, mas logo limpou a garganta e respondeu.

“Na cabeça… o cérebro, não é?”

“Então fazendo um pequeno exercício, ampliando a visão do cérebro. Onde a mente deveria estar agora?”

“Onde…”

“O cérebro, em outras palavras, a massa de células cerebrais. Veja bem…”

Kazuto estendeu sua mão esquerda com os dedos firmemente estendidos até onde estava Shino. Então ele tocou o meio da palma da mão com seu dedo indicador direito, antes de traçar em volta de toda a palma da mão.

“No centro está localizado o núcleo e na sua volta estão o corpo da célula…”

Depois de tocar em cada um dos cinco dedos, desenhou uma linha que ia de seu pulso até o cotovelo.

“Esses são os dendritos, que se conectam com os axônios, ligando uma célula à outra. Em que parte será que está localizada a mente dentro dessa estrutura das células cerebrais? No núcleo? Na mitocôndria? Onde está? …”

“Hmm…”

Asuna respondeu no lugar de Shino, que estava ainda digerindo a informação:

“Kirito, mesmo que você tenha dito ‘ligando uma célula à outra’, a mente humana não é uma rede formada por várias células cerebrais conectadas entre si? É igual perguntar sobre… ‘O que é a Internet?’, a resposta não será obtida se você prestar atenção em apenas um computador.”

“Exatamente.”

A medida em que elas pareciam pegar a ideia geral, Kazuto concordou.

“A rede de células cerebrais é certamente a mente, eu também penso que essa seja a melhor resposta para tal situação. Mas… por exemplo, essa sua pergunta ‘O que é a Internet?’, se for investigada a fundo, várias respostas podem ser obtidas. Tais como:

A internet é uma estrutura na qual os computadores ao redor do mundo estão conectados entre si, baseados num protocolo em comum.”

Ele apontou para Asuna e o seus terminais móveis que estavam alinhados sobre a mesa.

“Similarmente, cada um dos computadores é um componente da internet. Indo mais além, pode-se dizer também que os usuários em frente ao computador também fazem parte da internet.”

Nesse ponto Kazuto fez uma pausa depois de dizer ‘Me dê um pouco disso!’, e tomou um gole do refrigerante de gengibre da Asuna fechando os olhos.

“Oh… como sempre, o sabor picante daqui é realmente forte.”

“É completamente diferente dos que se vendem nas lojas de conveniências, né? Apesar que parecer estar baseado em um coquetel, eu gosto do sabor forte do gengibre.”

Shino se recordou do sabor picante da bebida de gengibre de meio ano atrás, da primeira vez que ela pediu graças à indicação de Kazuto. Se não tivesse o conhecido em GGO nunca conseguiria pôr os pés nesse estabelecimento, que não parece ser nada amigável do lado de fora. E o desenvolvimento de tudo depois disso pode até ser considerado um milagre. Enquanto se acostumava com tudo isso do fundo de seu coração, Shino continuou.

“Então…como a internet e a mente humana estão relacionadas?”

Depois de devolver o copo para Asuna, Kazuto assentiu mais uma vez antes de usar suas mãos para criar uma forma.

“Bem… hmm, imagine a conexão entre um servidor e um roteador, os computadores e celulares, todos esses equipamentos funcionam como uma rede interligada, são exatamente a ‘forma’ da internet…”

“Forma…”

“Então, qual seria sua ‘essência’ ?”

Shino pensou brevemente antes de abrir sua boca:

“Resumindo, é o que flui nessa forma… na estrutura da rede…? Os sinais elétricos…?”

“Pode-se dizer que sim, já que sinais elétricos ou de luz são meios persistente. A essência da rede é a forma como eles se comunicam e transmitem a informação ao longo de toda essa estrutura. Digamos que temporariamente seja essa a explicação.”

Depois de terminar de gesticular com as mãos, Kazuto posicionou-as sobre a mesa e juntou seus finos dedos.

“Levando em conta o que conversamos até aqui, sabemos então que a forma da mente é a rede de centenas de bilhões de células cerebrais interligadas umas às outras. O que nos deixa a próxima pergunta, qual é a essência da mente?”

“Os meios de comunicação… em outras palavras, o fluxo de pulsos elétricos ao longo das células cerebrais… é a informação?”

“Não! O pulso elétrico, é mais ou menos assim…”

Kazuto fechou seu punho direito em sua palma esquerda que estava aberta.

“A sinapse no espaço entre um neurônio e outro, é a única substância transmissora para a propagação ao longo do percurso das células do cérebro. Esse fenômeno poderia talvez ser chamado de essência da mente?”

“Hmm…”

Ao mesmo tempo que em Shino franziu o rosto, Asuna sorriu de uma forma confusa enquanto dizia:

“Mais do que isso já é impossível, Kirito. Porque até agora, a ciência não foi capaz de achar a resposta para a pergunta ‘O que é a mente‘ não é verdade?”

“Sim, pode ser que seja verdade.”

Kazuto eventualmente sorriu enquanto concordava.

“H-Hah!? Espere, então até agora nada foi realmente resolvido, não é?”

Enquanto Shino começava a ficar irritada e a protestar, Kazuto aproveitou a chance para olhar a rua com as calçadas molhadas, antes de continuar a falar em um tom sério.

“Mas acredite, há humanos que conseguiram se aproximar muito da resposta aplicando algumas teorias próprias.”

“Teorias… próprias?”

Quantum brain dynamics ou dinâmica quantica cerebral.

Parece ter sido a hipótese levantada no final do século passado por um pesquisador inglês. Depois de abordar a teoria subjacente por um determinado tempo, RATH finalmente foi capaz de criar uma máquina que mais se parece com um monstro. Ainda não consigo compreender completamente além desse ponto.

E voltando ao que falávamos a pouco instantes, sobre a estrutura de uma célula cerebral…”

Shino e Asuna concordaram ao mesmo tempo.

“Esse mesmo tipo de célula também tem uma espécie de local de armazenamento capaz de suportar toda a sua estrutura. Ao que parece é chamada de Microtúbulos. Esse pequeno, vamos chamar assim, armazém, não tem a finalidade de apenas dar suporte, mas atuar também como um crânio. Um cérebro dentro do neurônio.”

“H-Hã…..!?”

“Esse ‘crânio’ tem um formato de tubo, em outras palavras, é um tubo oco. E, obviamente, extremamente fino…. Estamos falando de um diâmetro em nanômetros, mas não está vazio. Há algo em seu interior.”

Shino trocou olhares com Asuna, antes de voltar a olhar para Kazuto e perguntar em voz baixa:

“O que há dentro desse tubo…?”

“Luz.”

Kazuto deu uma resposta curta.

“Uma partícula luminescênte……. ou Evanescent Photon como é chamado.

Esse fóton é, em outras palavras, o quantum. Essa existência é, de acordo com a teoria da probabilidade, como o indeterminismo, flutuando sem fim. Flutuações… isso que é a mente humana, de acordo com essa teoria.”

Quando ouviu essas palavras, por alguma razão Shino sentiu um arrepio percorrer sua espinha até espalhar para ambos os braços. A mente é uma luz flutuante. Essa misteriosa, porém linda imagem brotou em seus pensamentos e ao mesmo tempo também veio outro questionamento: “Esse já não é o domínio de Deus?”.

Asuna partilhava desse mesmo sentimento, suas pupilas castanhas liberaram um brilho de ansiedade enquanto ela falava com uma voz rouca.

“Kirito, o nome da nova máquina é… Soul Translator, certo? Soul… em outras palavras, a soma dessas luzes é a alma humana?”

“Os engenheiros do RATH o chamam de ‘Campo Quântico’. Mas para dar tal nome a essa máquina, eles já devem ter pensado bastante nisso… esse campo quântico, é a alma humana sim.”

“Mas então, o que isso significa? Soul Translator é uma máquina que não acessa o cérebro e sim a própria alma…?”

“Falando dessa forma, nem parece mais uma máquina, soa mais como um item mágico de algum jogo.”

O que ele disse deu uma aliviada na tensão que estava no ar, então Kazuto continuou dizendo enquanto sorria.

“Porém, isso não é nenhuma magia ou milagre divino. Vamos mergulhar um pouco na explicação de sua estrutura um momento… O que ela faz é registrar a rotação e o vetor de cada fóton dentro do microtúbulo, a unidade de dados chamada Qubit. Em outras palavras, o neurônio não é apenas um interruptor que deixa os sinais elétricos circularem, mas pode-se dizer que a própria célula é uma computador quântico… Bom, essa parte atinge o limite da minha compreensão…”

“Está tudo bem, eu já tinha deixado de entender faz tempo.”

“Eu também…”

Shino e Asuna deram um sorriso fazendo gestos de rendição juntas antes de Kazuto soltar um suspiro de alívio.

“A soma dos fótons que formam a memória daquele computador, talvez, seja mesmo a alma do ser humano…. RATH deu a isso um nome bem original. Fluctuating Light, que é abreviação de…”

Fez uma pequena pausa.

Fluctlight”.

“… Fluctlight.”

Shino repetiu o termo bem devagar, como se estivesse tentando enteder cada estranhesa que a sonoridade dessa palavra provocara. Se tudo que foi dito até agora for verdade, então essa Fluctlight também existia em sua própria cabeça. Não, se for isso mesmo, o que pensava ser ‘ela’ na verdade era…

Asada Shino - Fluctlight - SAO III
“… Fluct… light.”

O calafrio que a havia acometido anteriormente retornou para Shino, ela esfregou seus braços que estavam descobertos das mangas de seu uniforme de verão. Próximo a ela, Asuna também fez um movimento igual, enquanto ela falava com uma voz baixa.

“… a leitura do fluctlight… Não, a máquina na verdade faz a ‘tradução’, é isso que a Soul Translator faz. Nesse caso… a tradução não seria apenas unilateral, correto?”

Shino moveu sua cabeça como se não conseguisse entender o significado daquelas palavras logo de primeira. Ao mesmo tempo, Asuna olhou para ela com suas pupilas emitindo um brilho de ansiedade.

“Shinonon, pense por um momento… O AmuSphere que usamos não está apenas lendo os comandos de movimentos enviados para o nosso corpo. Ele também carrega a visão, a audição… e bem, todos nossos sentidos, direto no cérebro, criando uma experiência de um mundo virtual. É a essência da tecnologia de FullDive usada nas máquinas atuais, certo? Então, a Soul Translator que pode fazer a mesma coisa, deverá ser a próxima geração desse tipo de equipamento, correto?”

“…Em outras palavras… essa nova tecnologia poderia ser capaz de escrever algo diretamente na alma da pessoa que estiver conectada…?”

Naquele instante, ambas dirigiram seus olhares para Kazuto.

O garoto de cabelos negros, mesmo que parecesse hesitar um pouco, acabou concordando finalmente.

“Sim e… o RATH achando que a designação Soul Translator era muito longa, encurtou para a sigla STL, e estão corretas em dizer que toda aquela aparelhagem de tradução é bidirecional.

Pois nas centenas de bilhões de dados dos Qubit que formam a Fluctlight humana, essa máquina pode traduzir em informações que possamos compreender e ler. Se não fosse assim, seria como Asuna disse, não teríamos como mergulhar no mundo virtual. Resumindo, isso mantém e disponibiliza a informação dos cinco sentidos das Fluctlight, preenchendo com os dados do que está sendo visto ou ouvido.”

Então, Asuna se inclinou para frente e perguntou ao que parecia ser sua principal dúvida.

“Poderia ser possível que… isso possa vir a afetar a memória da alma, Kirito? Você acabou de dizer agora a pouco que não tem nenhuma lembrança durante a imersão. Quer dizer que o Soul Translator… esse STL pode apagar ou sobrescrever sua memória, não é?”

“Não…”

Kazuto tocou levemente a mão esquerda de Asuna para aliviá-la enquanto balançava sua cabeça.

“A zona que retém as memórias de longa duração é muito extensa e o método de arquivamento é muito complexo. Atualmente, mesmo com todo esse avanço de que lhes falei, pode-se dizer que isso ainda está fora do alcance.

O motivo pelo qual não tenho nenhuma memória da imersão é porque foi interceptada nessa parte ao longo da rota de gravação. Em outras palavras, minha memória não foi completamente apagada, eu só não consigo me lembrar dela no momento…apenas isso.”

“Mas… eu estou assustada, Kirito. Manipular as memórias dessa maneira…”

A expressão de ansiedade continuava estampada no rosto de Asuna.

“Além do mais, a pessoa que te ofereceu esse trabalho de meio período foi Chrysheight… não, o senhor Kikuoka, do Ministério de Assuntos Internos e Comunicações, não foi? Mesmo que eu me convença que não é uma má pessoa, também sinto que não consigo ver nem mesmo um pedaço do que se passa no fundo de seu coração. De certa modo, ele me lembra um pouco o Líder da Guilda. Não sei explicar bem mas… sinto como se algo de muito ruim fosse acontecer novamente…”

“…Isso é uma verdade. Ele realmente nunca demonstra o que está pensando. E eu também não sei seu status social ou o tipo de trabalho que presta e para quem, junto com muitas outras coisas. Mas…”

Interrompendo o que dizia, as pupilas de Kazuto pareciam não estar focando nenhum lugar específico da cafeteria, então ele falou.

“No primeiro dia da estreia comercial da primeira geração da máquina de FullDive no parque de diversões de Shinjuku, eu peguei o primeiro trem para lá.

Naquele tempo ainda estava na escola primária… ‘É isso!’, foi o que pensei. ‘Este é o mundo pelo qual estava ansiando e que estava me chamando a muito tempo’.

No primeiro dia de lançamento do Nerve Gear, também comprei com um dinheiro que estava juntando… e me ocupei fazendo imersões em vários jogos. Naquela época, eu realmente não me importava com o mundo real.

Finalmente fui escolhido para o beta teste de SAO, e aquele incidente aconteceu… um número assustador de pessoas morreram. Depois de dois anos cativo e finalmente retornando, ainda aconteceram os incidentes com o Sugou e o Death Gun, um atrás do outro.

Eu… quero saber. Para onde a tecnologia de FullDive está se encaminhando… Sobre o real significado por trás daqueles acontecimentos terríveis… E o Soul Translator, mesmo que suas funcionalidades sejam completamente novas, sua estrutura é baseada no protótipo da máquina de uso médico, Medicuboid.”

Asuna, que estava com sua cabeça abaixada ouvindo as palavras de Kazuto, sentiu seus ombros tremerem. Pouco depois disso, sua voz firme pôde ser ouvida por todo o interior silencioso do estabelecimento.

“Eu tenho um pressentimento. Sobre o que está dentro do Soul Translator. E se acabar não sendo apenas uma máquina de diversão…? Provavelmente, tem um lado muito perigoso também, mas…”

Kazuto imitou o movimento de empunhar sua espada, brandindo-a até embaixo enquanto falava.

“Até agora, sem importar que tipo de mundo fosse, eu sempre consegui voltar. E dessa vez será igual, vou retornar com certeza. Mesmo que, bem… no mundo real eu seja apenas um fraco e impotente gamer.”

“Apesar que sem o meu apoio, sua retaguarda estará desprotegida dessa vez.”

Asuna deu um pequeno sorriso enquanto suspirava, para logo olhar o rosto de Shino que estava sentada ao seu lado.

“Realmente, esse homem tem muita autoconfiança.”

“Sim, afinal de contas, ele é o ‘Lendário Herói’ ”

Da conversa entre Asuna e Kazuto, a qual ela conseguiu entender de imediato, mesmo que houvessem algumas palavras que escutara pela primeira vez, Shino tentou não interferir muito, ao invés disso ela falou em tom de piada.

“Eu já li ‘Todos os registros do incidente SAO’ que foi publicado no mês passado, é um pouco difícil de acreditar que esse cara é o mesmo ‘Espadachim Negro’ que aparece no livro.”

“E-Ei! Pare com isso…!”

Asuna acabou achando graça diante da reação de Kazuto, que ficava agitando as mãos, enquanto ela se dobrava rindo, como se ela dissesse “É, realmente inacreditável.” E concordava com o comentário de Shino.

“Está escrito no livro, que esse líder tinha grande influência sobre as guildas responsáveis pelas capturas, embora o próprio registro seja bastante preciso, uma grande quantidade de comentários tendenciosos foi adicionado à descrição do personagem. Que nem quando o Kirito lutou contra os jogadores laranjas…”

“- Quando eu desembainho a segunda espada, ninguém restará diante de mim!”

“Hahahahahaha!”

As duas meninas explodiram em risos enquanto Kazuto continuava desanimado em sua cadeira inexpressivo. Enquanto Asuna começava a voltar ao seu estado de astral normal com seu rosto sorridente de sempre, Shino dava o golpe final.

“Esse livro também foi traduzido e publicado na América. Isso significa que esse Lendário Herói aqui, agora é conhecido mundialmente.”

“… Já passei por muito para tentar esquecer disso… tanto que já concordei em abrir mão dos direitos autorais também.”

Shino seguia rindo enquanto Kazuto se queixava quando lembrou-se da pergunta que ela queria fazer e então retomou o assunto.

“Mas, Kirito. Depois de tudo, esse STL faz o mesmo que o AmuSphere, não é? Criar um mundo virtual usando polígonos, para logo enviar as imagens e sons para o cérebro da pessoa que estiver conectada… A minha pergunta é: – Tem um real motivo para investir tanto nessa máquina que faz o mesmo que a outra?”

“Oh! Sim, essa é uma boa pergunta.”

Kazuto se endireitou antes de responder.

“O que acabou de dizer, Shino: ‘Criar um mundo virtual usando polígonos.’

Os polígonos são, em outras palavras, uma coleção de coordenadas que constituem superfícies… em forma de informações digitais. Tanto que o modelo altamente detalhado que atingimos hoje em dia, onde é difícil diferenciar árvores ou móveis virtuais dos reais, mas a essência continua a mesma.”

Ele rapidamente pegou seu terminal que estava sobre a mesa, e iniciou um mini jogo pré-instalado. Um carro de corrida futurístico que estava rodando lentamente na tela demo, tinha um interior simples, sua superfície curva não tinha muitos detalhes, mas era de fato, uma figura de um modelo em polígono.

Shino levantou seu rosto e inclinou levemente sua cabeça.

“Isso é, bem… em ALO ou GGO, quando muitos jogadores se reúnem num só lugar, a renderização dos objetos as vezes não consegue se manter. Mas as bases fundamentais do AmuSphere e do STL não são a mesma coisa? Criar um modelo 3D de algo, para um usuário poder ver e tocar.”

“Sim, esse é exatamente o ponto. Hmm… como poderia explicar isso…? Vejamos…”

Kazuto permaneceu em silêncio por um momento antes de levantar o copo vazio do Café Shakerato e o mostrar para Shino.

“Shinon, esse copo existe na realidade, certo?”

“… Sim…”

Com uma expressão de dúvida ela concordou. Kazuto aproximou o copo dela e disse algo difícil de se entender.

“Agora escute, este copo que está em minha mão, ao mesmo tempo ele existe em sua consciência, Sinon… ou em sua Fluctlight, na linguagem do RATH. Pra ser mais exato, a luz que que está sendo refletida pelo copo é captada por seus olhos e o sinal elétrico de sua retina é transformado no objeto de vidro na sua consciência. Logo, se eu fizer isso…”

Kazuto então usou sua mão esquerda para cobrir completamente os olhos de Sinon. Ela fechou suas pálpebras por reflexo, tornando sua visão cinza escuro com um leve tom avermelhado.

“E agora? O copo que estava em sua consciência desapareceu de repente?”

Como ela não sabia o que Kazuto queria dizer, respondeu honestamente sem pensar muito.

“…Para falar a verdade, eu não esqueceria disso tão rapidamente. Posso ainda lembrar de sua cor e forma, naturalmente. E… ah!… agora as impressões estão se desvanecendo…”

“Sim, é isso.”

Depois que retirou sua mão, Shino abriu os olhos novamente e fez uma leve careta para Kazuto.

“E o que foi de tão extraordinário?”

“Escute… no momento em que vemos esse copo, ou mesa, ou nossos rostos, as informações gravadas são mantidas na sessão de processamento de visão da Fluctlight. Mesmo fechando os olhos, não desaparecerão rapidamente, pois isso não é uma simples sombra da imagem que se acabou de ver . Caso contrário, no momento em que o copo não pudesse mais ser visto, ele desapareceria de sua memória instantaneamente, Sinon…”

Kazuto então escondeu o copo que estava em sua mão direita embaixo da mesa.

“No instante em que você vê o copo, as mesmas informações de sua forma são colocadas na sessão de percepção da visão da Fluctlight. Isso permite que você continue vendo o copo que não está mais nessa mesa. E isso é realizado com uma precisão muito além da capacidade dos polígonos… Pode-se dizer que é exatamente igual ao objeto real.”

“…É o que deveria ser em teoria….. Mas, estamos lidando com a retenção da consciência humana, ou em outras palavras, ‘Memória’ não é mesmo? A manipulação externa da memória sem o uso de técnicas de hipnotismo, como isso possível..?”

Shino ficou quieta depois de dizer essas palavras. “Momentos antes”, ela pensou, “Kazuto não falou sobre a tal máquina que tem exatamente essa funcionalidade?”. Asuna, que estava escutando em silêncio até esse momento, sussurrou no lugar de Shino:

“O AmuSphere permite que o cérebro do usuário veja as informações contidas nos polígono… enquanto que o STL escreve isso direto na consciência humana… na memória de curto prazo… Em poucas palavras… não é algo artificial. As coisas no mundo criadas pelo STL, visão, questionamentos, tato… estão no mesmo nível que as coisas reais em nossa consciência, é isso…?”

Kazuto concordou e disse enquanto colocava o copo de volta na mesa.

“Informação ótica da memória… ou ‘Informações Visuais Mnemônicas’ como RATH formalmente a chama. Para mim, que ainda tenho a memória do primeiro teste que fiz… foi diferente. Completamente diferente do mundo virtual criado pelo AmuSphere. Era somente um espaço vazio do tamanho de uma sala pequena, mas eu…”

Ele novamente interrompeu sua frase por um momento, um sorriso que parecia forçado surgiu de apenas um lado de seu rosto, então Kazuto continuou…

“…Bom, logo de início, eu não sabia que aquilo era um mundo virtual.”

CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA…

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Até!

Bônus: